Sábado, 29 de Abril
" Uma morte prematura "
Querido Diário:
A pacata cidade de Bixoli era muito calma, aqui nao tinha qualquer tipo de visões em que me deixassem sem chao e que me atormentavam o tempo todo. Tambem tinha contado a minha avo sobre o fim que Loise ia ter e ela nem nada mais falou simplesmente ficava calada e triste por nao conseguir salvar a amiga de sofrer um novo desgosto da perda.
Eu entendia bem o seu lugar, porem tambem era dificil para mim, acho que se vi-se isso acontecer sobre a minha familia nao ia aguentar e a tirava daqui para um lugar bem longe.
Vou ate a sala e vejo a minha mae lendo e ao mesmo tempo tomando o seu chá.
- Bom dia mae. - fiz a saudação.
- Bom dia Mary Alice.
Como vejo que ela esta mais interessada na leitura, abandono a sala e sigo ate a cozinha onde me sento observando Cira a cozinhar o almoço.
- Menina esta com fome? - pergunta ela.
- Nao Cira, apenas estou a observar.
- Quer aprender? - a sua pergunta deixou-me curiosa.
- Sim, gostava muito, mas a mae nao vai gostar de me ver cozinhando. - intristeci.
Ouvi bater a porta descontroladamente.
- Deixa que eu vou abrir. - segui ate a porta da rua e quando abro deparo-me com Silis, Margarete e Afonso.
- Senhora Silis! - estava estupefacta com a rapidez do acontecimento.
- Ai a minha vida acabou, ai a minha filha. - lastimava-se a mulher.
- Quem é Mary? - a minha mae estava a fazer a pergunta da sala.
- É a senhora Silis Frankelin. - avisei-a.
Ela veio logo receber as visitas, como via tratar-se de gente nobre. Logo depois vem Cynthia com a avo para baixo.
- Ai minha amiga Madeleine porque eu nao te dei ouvidos.
A minha mae fez cara de caso e olhou para mim a espera que eu desse a conhecer o que se passava.
- Calma minha querida vem comigo, senta aqui. - ela a puxou calmamente para o banquinho da entrada.
A minha mae estava a espera de uma explicação.
- Mary quero saber o que se passa.
- Mae avo ja te conta tudo.
- Eu nao quero esperar pela tua avo, quero que sejas tu a contar-me agora.
Odiava quando ela começava a exigir explicações. Nao aguentava a pressao entao fui para ope da minha avo, eu sabia que ao fazer isto estava a montar uma guerra aberta com ela, mas eu nao podia fazer tudo o que ela queria.
Sentei-me no chao em frente a senhora e a minha avo ouvindo o relato de como foi a sua reação ao ver a morte a frente dos olhos.
- Foi horrível ver a minha filha deitada no chao sem uma unica pinga de sangue, nao sei que tipo de criatura pode ser essa que mata as pessoas, que ser tao agressivo que me tirou a vida a coisa mais importante que tinha na vida os meus filhos.
- Eu disse que devias ter fugido comigo, aqui estarias em segurança. - falou a minha avo afagando o cabelo.
- Quando foi isso? - questionei.
- A noite, eu costumava sempre ir dar um beijo de boas noites a ela. - parou e deitou uma nova lagrima. - Bati a porta, mas ninguem me respondia e entrei, foi quando a vi naquele estado. Nao consegui mais pregar o olho, so tinha medo que me roubassem os meus outros filhos, mantive-os bem perto de mim o resto da noite.
Eu podia nao ter uma amizade tao boa com elas, mas tambem nao desejava que nada de mal acontece-se, tinha de admitir estava com pena da pequena Margarete e com pena tambem fiquei da Loise.
- Tens de descansar Silis, tu precisas de ser forte apartir de agora, a vida continua mesmo achando que nao.
- Eu nao consigo se quer acreditar que a minha filha esta morta.
Devia ser a pior sensação do mundo a perda de um filho e a minha avo sabia muito bem como era.
- Senhora Silis. - peguei nas maos dela. - Voce tem de ser forte e olhar pelos seus filhos, viver para eles, eles precisam de si.
- A Mary tem razão mae, podemos ter perdido o Loise, mas ainda tens a nos. - Afonso concordou comigo.
- Ves! Olha os teus filhos. - minha avo interviu.
Ela se levantou e a minha avo acompanhou ate a um quarto de hospedes ela precisava de descansar. Eu fiquei apenas observando a sua ida e Afonso sentou ao meu lado.
- Vai ser dificil agora a nossa vida, a casa esta a ficar vazia aos poucos. - ele baixou o olhar.
Toquei no seu ombro.
- Nao a nada que o tempo nao cure, todas as feridas sarao, umas mais de pressa que as outras.
- Entao eu acho que as minhas nunca vao sarar.
Eu bem sabia o sentido que ele usava a frase, nao se referia totalmente ao facto da perda da irma, mas a mim.
- Claro que vao. Bem agora e melhor tu ires descansar.
Ele se levantou e olhou mais uma vez para mim bem nos olhos.
- Eu vou estar sempre a tua espera. Eu tenho esperança que um dia olhes para com outros olhos. - nao sabia o que dizer naquela hora, simplesmente era mais facil ficar calada.
(...)
Ao cair da noite...
Uma vez que a familia frankelin estava a descansar e nao queria que esperassemos para comer, fui para a mesa, Cynthia seguiu-me.
Cira começa a servir o jantar e o meu pai aproveita o momento para saber o que se tinha passado no dia de hoje.
- O que se passou com a familia Frankelin? - a sua pergunta era a mesma que a da minha mae, mas a unica diferença e que ele sabia esperar por uma resposta e ela nao. Tambem se eu lhe conta-se sobre a visão ele levaria a serio e daria-me razão, ja a minha mae diria que era um perfeito disparate eu pensar assim.
- Perderam uma filha, a Loise.
Minha mae olha para o meu pai.
- Como assim ? Como isso foi acontecer?
- Pai se eu te contar uma coisa prometes que nao me julgas?
- Claro que sim. - ele era sincero.
- Eu vi a morte dela acontecer bem antes do sucedido. Eu e avo tentamos alertar do perigo, porem foi em vao e ela acabou mesmo por morrer na noite passada.
- Que disparate vem a ser esse Mary Alice? Tu sonhas muito. - começou a minha mae com a sua conversa da treta. - Andas a fazer aquilo que nao deves, ouves histórias que nao deves.
- Adélia por favor deixa-me falar. - o meu pai estava firme. - Tens a certeza do que dizes filha?
- Sim, pai nao é a primeira vez eu ja tive outras visões. - olhei para o prato, nao queria ver o rosto agressivo da minha mae em fúria.
- É verdade meu filho. - a minha avo confirmou.
- Alem disso tenho o dom da tia Alice...
- Ah nao outra vez essa história, a tua tia Alice morreu louca.
- Nao falas assim da minha filha ! - disse a minha avo se levantando da mesa exaltada.
O meu pai por sua vez manteve-se quieto.
- É verdade a tua tia Alice via o que ia acontecer as pessoas. - relembrou o meu pai.
- Peter nao metas ideias absurdas na cabeça dela, o que vao dizer as minhas amigas quando souberem que a minha filha é vidente!
A minha mae era uma igoista so pensava nela e nas malditas aparencias.
- Nao te preocupes vais para um sitio que logo logo ficas optima.
- O que ? Estas a querer dizer que eu...
- Sim vais para o lugar que todas as pessoas precisam para se curar desses disparates. - ainda olhei para o meu pai vendo se ele fazia alguma coisa, porem a minha mae tinha vencido. - Vais ja amanha, nao te preocupes que eu providencio tudo, vais poder receber a visita da tua avo.
- Louca és tu! - senti-me com raiva que acabei por ofende-la.
Sai a correr para o meu quarto e tranquei-me.

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