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Diário de Esme Cullen - Amor de mãe


Sábado, 16 de Novembro
" Amor de mãe "
Querido Diário:

 Ja era madrugada e eu estava preocupada com a sua ausência  eu sabia que ela era forte no entanto, fraca para digerir a sua nova vida, entao nao fiquei quieta como devia, o meu instinto maternal puxava-me ate ela. Sai a correr por entre as árvores do ceu escuro da noite. O seu cheiro era recente o que de certo modo ajudava a encontra-la. Foi entao que ouvi do cimo de uma árvore alguem a mexer-se lentamente, talvez desconfiado com a minha presença, aproximei-me gradualmente do espaço onde o cheiro residia e finalmente a vi.
Sentei-me encostada a sua árvore e começei a falar, eu sabia que ela era inteligente e que ia perceber.
- Podes não querer ouvir-me, mas eu vou falar na mesma, eu entendo o que estás a sentir, entendo a tua angústia, entendo o sofrimento e acima de tudo entendo a tua revolta, mas entende que é o melhor para todos. Para ti e para a tua família, vais faze-los sofrer mais se te virem ou pior, pensavam que não eras tu, estás modificada Rosalie. - percebi a sua inquietude com a minha palavra modificada. - Quero que saibas também que estou aqui para tudo, para os sorrisos, para os desabafos, para as alegrias e para as tristezas, podes contar comigo para tudo. – levantei-me preparando-me assim para ir embora, vendo que ela ia necessitar de uns instantes de reflexão. – Bem, era isto que queria que soubesses.

Começei a andar em direcção a minha casa. Quando dei um passo ouvi um descer da arvore rapido e um chamamento.
- Esme? - sorri para mim mesma antes de virar-me para a encarar nos olhos.
- Sim?
- Ajudas-me a ultrapassar isto? – Perguntou.
- Sim, claro.
- Obrigada.
Aproximou-me dela e abraçei-a, o meu abraço mostrava o grande espaço que o meu coração morto tinha para amar estes jovens, um abraço cheio de amor, carinho e compreensão.
- Esme? Nós não choramos? - a sua pergunta era tao inocente quanto a minha vontade de chorar.
Soltei uma pequena gargalhada e disse:
- Não, ou melhor choramos mas sem lágrimas. - era estranho dizer isto quando grande parte da minha passei-a sempre a chorar e agora a vontade a fica a quem? Ninguem. As saudades de algumas coisas vinham, as lembranças e outras tambem, no entanto o choro que vinha por si ter connosco era diferente.
- Esme? Posso dizer-te uma coisa? – questionou.
- Sim, claro minha querida, o que eu souber responder.
- Fazes-me lembrar a minha mãe.
Fiquei a olhar para o seu belo rosto admirada e contente por de alguma forma fazer lembrar alguem que a fez feliz e sempre a tratou bem.
- A sério? – mesmo assim de tao espantada com a sua comparação pensei estar a viver um sonho. Ela assentiu com a cabeça que sim.  – Obrigada. – e voltamos a abraçar-nos. – Nem sabes o que isso significa para mim. – murmurei ao seu ouvido.
- Posso fazer-lhe uma pergunta um bocado pessoal? - ela nao parava com as sua perguntas o que ate era natural, tudo fazia parte do conhecimento das pessoas.
- Claro. - deixei-a a vontade.
- Quando eras humana tinhas filhos?
Uma dor apertou o meu peito vazio, logo lembrei-me do meu pequeno Daniel, do meu unico filho, depois olhei para ela e respondi:
- Tinha, mas ele morreu e foi por isso que atirei-me de um penhasco.
- Atiras-te de um penhasco? - ela estava em choque.
- Sim, e se não fosse Carlisle a transformar-me nunca tinha encontrado o grande amor da minha vida.
- O Carlisle – murmurou sorrindo logo de seguida.
- Sim, ele é tudo o que eu sempre quis. - sorri tambem.
- Espero um dia encontrar alguém para mim assim, alguém que seja para mim o que Carlisle é para ti. Que protega-me, faça-me feliz, ama-me tal como eu mereço. - e de certeza que ela ia encontrar o homem ideal, ela era linda, perfeita e acima de tudo carinhosa.
- Tenho certeza que sim, afinal és a mulher, humana e vampira, mais bonita que eu já vi, e olha que eu já vi muitas por esta vida.
- Oh, tu és muito mais bonita do que eu. - sorri com a sua sinceridade.
- Não sou, não queres ver? – Puxei-a comigo ate a um pequeno lago, ela olhou para baixo e vi o seu reflexo, jorrado nas aguas cristalinas e brilhantes do lago, estando tambem o reflexo da lua brilhando e dando encanto.
Finalmente tinha percebido que eu realmente estava a dizer a verdade quanto a sua beleza, mas ainda assim havia alguma coisa nela que a fazia estar muito encomudada, eram os seus olhos.
- Oh – murmurou enquanto eu permanecia a observa-la. – Porque que tenho os olhos vermelhos? - outra pergunta inocente, tanta coisa que ela estava a conhecer, tanta novidade, tanta realidade.
- Porque és uma recém-nascida, e tens o teu sangue dentro de ti. Eles começam a clarear com o passar do tempo, daqui a uns seis meses os teus olhos já devem adquirir a um tom dourado.
- Esme, porque que a minha garganta está a arder?
A sedentação, como eu conhecia tao bem esse aspecto. O fogo insaciável.
- Porque estás com sede, por falar nisso é melhor irmos caçar! Pronta para a tua primeira caçada?
- Acho que sim – respondeu animada.
- Então prepara-te e apanha-me se conseguires – começei a correr com a minha velocidade esvoaçante, ela seguiu-me, nunca tirando o seu ritmo.
Era tao bom ver que aos poucos ela estava a começar aceitar a sua nova vida e de algum modo aceitar-nos como sua nova familia.



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