Sexta-feira, 28 Maio
" Dor "
Querido Diário:
Dias se passaram...
Não tinha mais recebido noticias de Joseph, da minha família ou de Charles. Ambos desapareceram como se a Terra os tivesse engolido. Até a senhora Madalena andava estranha nos últimos dias devido ao meu pequeno estar doente.
Eu ja tinha ido com ele levado ao pequeno hospital da cidade, mas os médicos diziam-me sempre que não era nada, mas ele queimava em febre. Os remédios pareciam não surtir efeito nele. Ele chorava constantemente. Tentava adormece-lo, mas nada, absolutamente nada o acalmava às vezes. Sua febre variava entre os 39º e 40º graus. Eram raras às vezes na qual ele estava sem febre. E seu minúsculo corpo não tinha forças para tossir de tao fraco.
Ao vê-lo naquela situação, eu voltei com ele ao médico da cidade, Dr. Harry Forkyuls. O mesmo que o atendeu no hospital, ele era o melhor pediatra da cidade. Peguei no meu bebê, agasalhei-o e fui até o médico. Ao entrar no consultório dele, eu ja chorava e pedi por tudo para alguem socorrer-me:
- Ele não está bem doutor. Está arder em febre. Ajude-me, por favor, não posso perdê-lo. Ele é a única família que tenho. - nesse momento, o médico o pegou nele e o levou a examinar. Tirou os óculos de seu rosto, colocou meu bebê na cama de hospital e virou-se para mim.
- Seu bebê está com infecção pulmonar senhora. Eu achei que com os medicamentos ele fosse melhorar, mas agora vejo que não... Vamos ter que interná-lo. Mas peço que se prepare para o... pior. - pegou o meu bebê no colo e o levou para a pediatria do hospital.
Fiquei sem chão. Como assim preparar-me para o pior, como eu podia? Não, eu não podia perder meu bebê. O que o médico estava a pensar? Eu sai correr atrás do médico, e ao tentar aproximar-me ala da pediatria, fui barrada pelas enfermeiras, que impediram a minha entrada.
- Daniel.... Meu filho! Dê-me meu bebê aqui... Agora... - fui debatendo-me para a ala da enfermaria. As duas mulheres seguram-me, eu era pequena demais para lutar com elas.
- Calmante Anna! Calmante!! - elas gritavam enquanto eu esperneava.
- Quero meu filho! Soltem-me! Agora! - Senti uma pequena pontada no meu braço, de repente tudo foi apagando-se, meu corpo foi perdendo a vontade própria e eu cai, amparada pelas enfermeiras.
- Daniel... - meu último suspiro antes de fechar os olhos e adormecer sob o efeitos dos calmantes.
(...)
Tudo estava claro, uma luz branca refletida nos meus olhos. Abri lentamente os olhos para não deparar-me com aquela luz forte. Aos poucos fui reconhecendo que estava no quarto do hospital, com uma enfermeira ao meu lado.
- O que... - consegui dizer. Ela abriu um sorriso e veio ao meu encontro.
- E mãezinha. Vamos, levante-se lentamente. Isso, assim mesmo, devagar! Pronto. - colocou-me de pé. - Seu bebê está no quarto, pode vê-lo.
- Muito obrigada. - disse para a enfermeira e fui ao quarto onde Daniel estava. Ao entrar, reparei na sua respiração lenta.
Nunca tinha visto meu bebê tão fraquinho. Com lágrimas nos olhos, eu o peguei no colo e comecei a cantar para ele, pois sabia que aquilo o deixava tranquilo.
“Sem ti eu cheguei a pensar em não mais viver,
Vou sangrar até morrer se tu não ficares
Eu só quero ser
Eterna pra ti
Só depende de nós”
Quando comecei a cantar a respiração de Daniel foi ficando cada vez mais fraca e as lágrimas escorriam de meu rosto espontaneamente. Parecia que ele despedia de mim. Um minusculo sorriso fez-se em seu rosto. Eu consegui soltar um pequeno riso em meio as lágrimas e continuei a cantar.
“Fico louca só de ver-te
Não consigo mais conter-me
Se partir eu não vou mais existir
Minha vida chega ao fim”
A respiração foi parando. E o pequeno rosto tornando-se cada vez mais tranquilo, como se sua dor estivesse acabar.
“Eu só quero ser
Eterna pra ti
Nunca
Eu disse nunca
Me deixe mais uma vez
Nunca
Eu disse nunca
Nunca mais”
A respiração de Daniel parou. Congelei. Meu filho estava morto. Morto em meus braços. Eu não consegui salvá-lo. Eu tentei... eu o tirei do pai, lutei por ele e tudo em vão. Acabou, minha vida, foi junto com o pequeno Daniel...
Estava morta, meu coração foi-se com meu filho. Ainda em meus braços, eu o peguei e coloquei junto ao meu coração.
- Mãe vai contigo... espera-me... eu amo-te. - nesse momento, os médicos e enfermeiros entraram para levá-lo de mim, mas logo eu estaria novamente com ele.
Eu ia com ele para onde ele fosse.
- Vamos mãe, você já sofreu muito por hoje. - a enfermeira tirou-me do quarto. Eu então, fui separada de meu bebê, sendo guiada pela enfermeira, eu olhei para trás chorando e ainda no colo do médico, eu vi o pequeno sorriso estampado no rosto de meu pequeno pela última vez.

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