Quinta-feira, 7 de Maio
" Um sonho destruído "
Querido Diário:
O tempo passou, estava estava a ler um de meus muitos livros no meu quarto. Meu sonho pequena era ser um dia professora. Queria ensinar de qualquer forma. Minha amiga Lucy tinha ido para o Oeste para ser uma professora de escola primária. Lucy estava feliz com sua realização de sonho. Quando ela me veio visitar, contou-me sobre as aulas onde ela morava.
"Recordar a conversa com Lucy"
- Esme é perfeito! Minhas crianças são incríveis, lindas eu diria. Lá sou eu mesma, solteira ou casada, sempre serei e na hora que eu desejar, ter um companheiro para partilhar a minha vida. Os meus pais vao aceitar o que eu decidir, desde que seja feliz. Amiga, vamos embora comigo? Vou partir amanhã à tarde! Conversa com teus pais. Se tu decidires ir, poderás partir comigo mesmo amanhã, sem qualquer problema. Bem, está a ficar um pouco tarde! Vou para casa. Até amanhã Esme querida.
Lucy abraçou-me e então eu despedi-me dela.
- Tudo bem Lucy, vou falar com meus pais e dou-te uma resposta amanhã. - informei-a, a sua proposta era tentadora, no entanto quanto aos meus pais nao sei se iam ceder bem.
Depois que Lucy foi embora, meus pais estavam sentados no sofá da sala, conversando como sempre faziam. Minhas irmãs já tinham-se casado, e só restava eu, com meus 22 anos em casa morando ai com meus pais.
- Mãe, Pai... posso falar um minuto com voces?
- Claro querida. Sente-se aqui connosco e beba um chá. - mantive-me de pé, medindo as palavras antes de falar.
- Não mãe, obrigada. Na verdade queria conversar com vocês sobre... ahhh... não sei como começar... então... vou ser direta... eu quero ir com Lucy para o oeste... dar aulas lá para crianças que precisam de mim, que precisam de uma pessoas que as ensinem ler e escrever... quero contar histórias e ... - assustei-me com o pulo que meu pai deu de onde estava sentado. Vinha ai um furacão.
- Como atreves-te Esme Anne Platt? Achas que vais ser uma perdida com a Lucy Gordon? Lucy perdeu toda a sua decência e tu não irás pelo mesmo caminho, porque eu nao vou deixar. Quero todas as minhas filhas casadas, a única que esperei até a este momento foste tu, deite essa oportunidade e é isto que me fazes? Já está com 22 anos Esme. Daqui a pouco nenhum homem desta cidade vai querer interessar por ti.
- Pai, Lucy não é uma perdida. - defendi a honra da minha amiga. - Como pode julgar as pessoas dessa forma? Vocês que se julgam donos da verdade, eu não quero me casar com ninguém, quando vao entender isso? - respirei fundo. - Meu sonho é ser professora e o pai sabe disso e agora vem privar esse sonho de mim? Explique-me? - gritei. - Eu nao vou casar com quem voces querem, nao vou dar esse prazer. Se algum dia realmente decidir casar, será por minha vontade e escolha. Estou farta de ser uma satisfação de egos.
De repente senti uma mão forte batendo no meu rosto em forma de coração. Meus pais nunca tinham batido, tocado com um dedo sequer. Junto com a mão do meu pai, eu senti um baque no rosto, junto ao som de um estalo. Meu pai tinha mesmo batido. Como ele era capaz de uma crueldade destas?
- Uma rapariga decente não vai para o oeste, morar no meio da floresta e dar a desculpa que vai ensinar as crianças. Lucy Gordon não é companhia para ti Esme. Se quiseres dar aulas que seja por aqui, em Columbus, mas antes de isso acontecer, tens de casar primeiro. - sempre chantagem. - Vou tentar encontrar algem que queira ficar contigo ainda hoje. Cansei de tuas criancices e de tuas cenas. Chega! - gritou.
- O que voce queria que eu fizesse? Ela veio com a ideia, eu quero... é meu sonho e o pai sempre soube disso. Já que quer que eu case, tudo bem, eu vou casar, mas jamais vou deixar um sonho de ser uma professora, jamais.
Eu me virei costas para ir em direcção ao meu quarto, mas meu pai me agarrou-me pelo braço, retendo a minha atenção novamente.
- Não antes de eu terminar Esme. Hoje mesmo vou procurar um pretendente para ti tal como disse. Em breve, irás casar. Assim como tuas irmãs Andy e Marie tu também terás um ar feliz, como elas são hoje. - se ele achava que estar enjaulada a um casamento sem amor era estar feliz entao preferia mil vezes estar num convento.
- Tudo bem pai, agora pode largar-me favor. Sua vontade será feita. - falei estas duas ultimas palavras com um certo desdem.
Eu fui para meu quarto, abri a janela e saltei para fora, correndo em direcção da minha árvore, do meu refúgio, onde eu sabia que podia pensar calmamente no que fazer sem qualquer tipo de interrompimentos. Subi os ramos dela e fui para o cimo, que com o passar dos anos, a árvore se mantinha forte e firme, e apesar de eu ser pequena e magra, a árvore parecia frágil para me suportar.
Pintei um futuro lindo na minha mente, um futuro a que sempre tinha desejado para a minha vida: ser professora, mas esse futuro estava destruido pelos meus pais. Eles que diziam que amavam-me, e que eu teria tudo o que precisa-se deles. Deveria ter adivinhado que eles nunca iam aceitar a ideia de eu ir para o oeste realizar um sonho meu. Mais tarde o meu pai ia trazer o meu futuro marido, ao contrário de outras vezes eu nao ia fugir mais a minha obrigação e cederia ao seu desejo, casaria com quem ele achasse bem para mim.
Desci da minha árvore e fui me refugiar no meu quarto, que era o outro espaço onde eu era feliz e tinha a paz. Apanhei um livro qualquer que estava em cima de uma mesinha e começei a ler. Ao mesmo tempo em que eu lia, as palavras fugiam do papel, como se elas flutuassem para fora... só então percebi que chorava novamente. Uma dor atingiu meu peito, onde algo dizia-me que uma coisa ruim estava para acontecer na minha vida e que nao seria nada facil.
Adormeci na minha cama com o livro ao meu lado...
(...)
Horas depois....
Eu estava péssima, nao tinha descansado nada neste pedaço de fim de tarde. Tinha passado o sono todo a sonhar com aquele maldito pressentimento Sabia que a noite que ai vinha seria a primeiras das piores noites da minha visa. Intuição? Sim era esse o nome da sensação que tive. Levantei-me da cama e fui olhar no meu espelho. O rosto estava péssimo. Imediatamente fui lavar-me.
Ao sair do quarto e ir jantar, eu sentia-me pessimamente mal. A minha Mãe estava com um sorriso desconfiante em seu rosto, ate ja pressentia porque. Assim que me sentei na mesa, ela abriu o seu melhor sorriso para mim.
- Boa noite querida! Espero que estejas sentindo-te bem, amanha o pai vai trazer o teu pretendente para o casamento e tu nem penses em fazer uma objecção a ele meu bem. - olhei para o prato cansada dessa conversa, ela continuou. - Cansamos dos teus truques e tu já estás bem grandinha, daqui a pouco ninguém mais vai querer para casar. - olha que problema senhora dona mae.
A única coisa que fiz foi baixar a cabeça e assentir com as suas loucuras descabidas. O meu destino ja estava lançado, com um homem que eu não amava e um futuro que eu não queria ou sequer sonhava.

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