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Lua de Sangue - Capitulo XVI - O poder da palavra


Capitulo 15 - O poder da palavra

[Esme]
A tanto tempo que já estava fechada nesta divisão, já tinha ouvido o carro do meu marido chegar, a sua voz a conversar no andar de baixo, os seus passos em direcção a mim, o seu toque na porta suave. Abri finalmente a porta e nem uma palavra dei, simplesmente abracei e assim ele manteve o meu abraço.
- Meu amor o que se passou para vires embora assim da ilha? Porque não me avisas-te, eu teria vindo contigo.- eu sabia que ele estava sempre disposto a partilhar comigo todas as coisas boas e más da vida, no entanto não o quis preocupar, achava que conseguia resolver tudo sozinha.
Deslarguei um pouco do seu abraço doce e disse finalmente.
- Carlisle meu amor eu não te quis atrapalhar... 
- O que é isso meu amor, nos somos um casal, estamos juntos para todas as situações complicadas da vida !
Eu sabia que ele ia dizer isso, pois era um facto que eu sabia que se prometia sempre. Antes de sermos  marido e mulher, éramos amigos. 
- Tens razão. - abracei mais uma vez. 
Tomei coragem e comecei a relatar tudo o que se tinha passado na nossa ausência  dos factos complicados quanto a rebeldia de Sarah, ao aparecimento de uma vampira no nosso território. Ele simplesmente cruzava os braços a tudo o que ouvia, não falava. 



- É isso tudo que te contei. 
- Isso se resolve, eu vou conversar com Sarah. 
- Nao sei se te vai ouvir meu amor. 
- Posso tentar, sabes eu tenho muita experiência e ja lidei com todas coisas complicadas da vida não será mais esta que me vai derrubar. 
Meu marido era mais forte do que eu pensava, ainda bem que o tinha encontrado, a minha vida só faz e sempre fez sentido com ele no meu lado. 
Beijamos-nos mais de uma vez e vi ele ir embora. Fiquei apenas pela observação daquilo que ao longo destes anos de existência na família Cullen construí e acreditei ser a minha família de verdade, a única e verdadeira. 


[Carlisle]

Nao gostava de ver a minha esposa assim triste, deixava-me sempre com o caração partido, ambos partilhávamos tantas coisas na vida que só o facto dela me ocultar a sua verdadeira ideia de sair da ilha sem mim deixou-me tamanha mente magoado. 
Eu sabia a sua intenção e crente nisso eu perdoava sempre, mas quem sou eu para culpar alguém  Eu sempre quis ter uma família, ela sempre o quis também, eu a conhecia tão bem, mesmo nunca lhe tendo contado a minha verdadeira história para com ela. Eu a amava desde o primeiro dia pela primeira vez que a vi naquele hospital, tratei de sua perna, e ela apenas me chamava de anjo, ela me via assim. Pois um dia esse anjo voltou a reencontra-la, fez dela a mulher mais feliz, dei-lhe uma vida, família  muito amor e era assim que vivia desde então. Se queria que tudo se mantive-se tal como um dia construí era hora de fazer uma coisa, que podia ate ser complicada, que podia mas não impossível. 
Caminhei pelo corredor, desci cada degrau das escadas da minha casa e finalmente encontrei Sarah, peguei em sua mão macia e de la a levei ate ao meu escritório, ela protestava o tempo todo, mas eu simplesmente movia-me como uma pedra. Sentei-a na cadeira e fiz o mesmo gesto na sua frente. Peguei numa caneta das minhas e rodopiei na cadeira do meu gabinete, ela arregalou os olhos não sabendo a verdadeira razão da sua vinda para este sitio.
- Carlisle vai-me explicar o que realmente se passa? - ela estava impaciente, tal e qual a Rosalie no passado.
- Sarah! - pronunciei seu nome. - Precisamos de conversar seriamente. 
- O que quer conversar comigo? - falou com sua voz inocente, pois a inocência não era o seu ponto forte neste caso.
- Já soube do teu comportamento deplorável nos últimos dias. - ela já estava em posição de protestar quando me levanto e saliento algo mais. - Antes mesmo de falarem o quer que seja ouve-me primeiro. - ela baixou a cabeça. - obrigada. - agradeci vendo que ela estava a respeitar um pedido meu.
Com a minha mão gelada peguei numa mão dela, fiz com que ela me olha-se nos meus olhos e me confessa-se o que realmente levava-a a tomar atitudes tão agressivas nos últimos tempos.
- Fala-me! - pedi delicadamente.
- Eu sou uma fraca! - baixou novamente o olhar e depois continuo. - Sou sou uma cobarde, eu não mereço vocês! 
- Porque dizes isso? 
- Porque sou igoista! Porque não sei viver sem ter aquilo que pertence aos outros. 
Tentei entender o sentidos das suas palavras, ela estava a tentar revelar algo do seu passado e que em certo ponto estava ligado a tal vampira. Mantive o meu silencia nao queria de forma alguma interromper. 
- Eu sou má, eu não mereço todo o amor e carinho que me dao, sou rude pois so afasto as pessoas que me amam. 
- Fala-me sobre ti! - pedi.
- Eu já disse tudo o que sou. 
- Nao é nesse sentido, fala-me mais talvez isso ajude. - com a outra minha mão  pousei na que ela tinha livre. Ela respirou fundo e olhou-me nos olhos.
- Eu conheci Rebeca a muito tempo, fomos muito amigas, ensinei-lhe tudo o quanto sabia sobre esta forma de vida. Tornam-nos como melhores amigas, vivíamos juntas todas as acções que um vampiro tem. So que ... - parou para olhar na janela, estava escuro lá fora e voltou olhar para mim. Retomando o que contava. - So que num dia ela conhece um vampiro muito belo ao que vive uma grande paixão, ao contrário de mim ela descobre o verdadeiro significado do amor, porem a raiva consome-me pois ninguém olha para mim, tal como olha para ela.- fechou os olhos. 
- O que aconteceu depois? 
- Usei todas as minhas formas de sedução e tal como a pouco disse eu necessitava de tudo o que pertence-se alguém. Eu lhe roubei o companheiro, fiz-lhe querer que seria mais feliz comigo, não sei o que em deu, mas que resultou isso garanto que sim. 
- Poderás ter um dom! - afirmei.
Ela mostrou-se interessada em saber mais sobre o assunto, mas eu incentivei a que continua-se a sua narrativa, ela consentiu.
- Ela ficou com raiva de mim, dele, tornam-nos inimigas imortais. 
- E quanto a ele ? O que lhe aconteceu?
- Foi morto pelos Volturi! - fiquei curioso face ao que ele poderia ter feito de tao grave que assim merece-se a intervenção dos superiores do mundo, mas esqueci esse ponto tomando a minha atenção no que realmente falava.
- Mas estou a ver que recentemente a encontras-te aqui próxima a nossa casa. 
- Sim é verdade, ate conversamos, no entanto o nosso pequeno diálogo não deu em nada, pois os velhos tempos voltaram a tona e acabei por magoar Nancy não por magoar fisicamente, mas por ser estúpida ao ponto de magoar uma amiga que viveu grande parte das nossas vidas juntas tal como os outros. 
- Compreendo. - levantei-me e fiquei na sua frente em pé, ela no mesmo gesto da-me um  grande abraço. 
- Obrigada por me ouvir e fazer-me pensar que as minhas atitudes dos últimos dias tem afastado de vocês. 
- Nao tens de agradecer somos uma família e juntos vamos lutar sempre para ver vocês se sentirem bem. 
Ela sai para fora e fico apenas a observar. Instantes depois Esme entra no meu escritório. 
- Oh meu amor? Como te sentes agora? 
- Sinto-me melhor, conseguis-te, tu sempre consegues. 
- E sempre vou continuar a fazê lo só para vos ver bem. - beijei seus delicados lábios e desfrutamos de um momento nosso. 



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