Capitulo 3 - Um sonho pode ser real
[Makenna]
Pela manha acordei estranha, pois estava com a sensação que tinha tido uma noite observada. Nao sei se era bom ou mau, mas sentia-me protegida, corri ate ao sótão onde eu escrevi mais um sonho que tive. Este não era como todos os outros, era real, ele estava para acontecer, eu sentia-o. Sorri para mim mesma. Olhei para uma pequena viola pousada num velho banco e comecei tocar uma melodia de quando era criança o meu pai a colocava a tocar só para me fazer adormecer, pois eu adorava esta musica e jamais a esqueceria, ela fazia sentir bem e fazia-me crer que um novo amor estava para acontecer, se era fácil ou não só a mim cabia saber.
Ouvir Lúcia chamar por mim no cima das escadas do primeiro andar, de certo já teriam saído todos e só altava mesmo eu tomar o pequeno almoço. Era sábado, o dia estava lindo, perfeito para um passeio a beiro do rio. Tao destraida em meus devaneios nem dou pela sua chegada ao meu encontro no sótão.
- Menina Makenna não vem comer? Daqui a pouco fica tarde para comer e ainda por cima esta um dia tão lindo, acho que devia aproveitar e sair deste sitio escuro. - Lúcia estava sempre preocupada comigo, tal vez era por isso que gostava tanto dela, tal como uma mãe.
Concordei com a sua sugestão e fui tomar em breves instantes o pequeno almoço, voltei subir ao meu quarto, peguei as coisas e sair de casa.
- Cuidado com o sol! - avisou ela quando já estava bem longe. Apenas acenei com a mão.
Algo me dizia dentro de mim que a resposta aos meus sonhos estava a escassos passos de mim.
(...)
Sentada a borda do rio, senti a brisa batendo em meu rosto, fechei os olhos e desfrutei de todas as vantagens de um sol quente e maravilhoso. Estava sozinha e sentia-me tão bem, sentia-me acompanhada não sei por quem. Esse alguém estava perto. Abri meus olhos, olhei os lados com pormenor nada de estranho notava, saltei para dentro do rio e nadei e nadei, a sensação que estas aguas me deixavam eram tão boas que nem dava vontade de sair e ter de voltar para casa, para o silencio e desprezo reinavam.
Quando estava a secar-me na toalha e quase pronta para ir embora, alguém aparece ao meu lado sem que eu de por esse aproximar. Fico sem palavras para descrever a beleza do rapaz, uma vez sentado sob a relva seca, levanto-me quase num passo automático e esfrego os olhos pois penso estar a ter uma miragem porque, por um sonho nao se pode tornar real. Por mais vezes que eu tenta-se dizer a mim mesma que este não era real, enganava-me pois era ele, o rapaz dos meus sonhos, o princepe com aspecto de vilão, o ser perfeito e reluzente, era tudo o que eu queria. Finalmente quebrei o silencio e falei.
- Quem és tu? Como apareces-te assim que eu nem desse por nada ? O que queres de mim?
O seu silencio assustava-me, os seus olhos também O meu coração começou acelerar e num gesto involuntário pus a mão ao peito, volta a olhar para mim. O meu corpo estava a fraquejar, as forças a faltar, a minha cabeça andar a roda e não sei como desmaio.
Instantes depois de não sei quanto tempo adormecida, acordo num lugar diferente, um pouco mais escuro, mas muito verde. Olho para os lados a procura daquela pessoa estranha e lá esta ele, sentado num tronco de uma árvore. Mal me levanto ele salta do tronco e em escassos segundos estão ao meu lado, segurando a minha mão delicadamente estando a sua totalmente gelada, fazendo-me retirar a mão automaticamente.
- Desculpa andei a mexer na água por isso as minhas mãos estarem geladas. - a sua voz era tão linda tal como a de um anjo.
- Nao tem problema. - falo num sussurro.
- Sentes-te bem ? - ele parecia preocupado comigo.
- Sim. Obrigada.
Virei-lhe costas pois estava na hora de eu voltar para casa, ele puxa por mim, num gesto modesto olho para o seu rosto que faz com que me largue logo.
- Desculpa... - foi tudo o que ele disse.
Ele era estranho, delicado, cuidadoso comigo, no entanto não falava muito parecia ter medo de mim ou de me assustar. Tive vontade de correr e voltar o mais rápido que pode para casa, porem eu não conseguia afastar-me dele. Eu podia parecer igoista ou louca, contudo sentia-me feliz assim.
Volto a minha atenção nele, passo a minha mão em peito, depois no rosto, ate fixar-mos finalmente os nossos olhares, quando aproximava o meu rosto ao seu ele afasta-me momentaneamente. Ao inicio fico magoada pois nunca na vida tinha sido rejeitada, mas esse seu gesto que me deixava pronta a não desistir e capaz de ir alem do que era possível.
Quando me preparava para voltar a encara-lo, o meu telemóvel toca. Atendo.
- Alo?
- Alo Mak ? Onde e que estas ? A Lúcia esta preocupada e disse que se não apareceres em 10 minutos vai ligar a mãe. - avisou Ronnie.
- Ok já estou a ir.
- Mas a onde e que estas?
- Nao importa, já estou a ir.
Desliguei o telemóvel e peguei nas minhas coisas e olhei uma ultima vez para este rapaz que nem o seu nome eu sabia. Virei costas e caminhei ate casa pois estava aqui perto e não demoraria mais de 5 minutos.
(...)
Antes de finalmente abrir a porta já tinha Lúcia e Ronnie a minha espera com caras sérias pois já estava anoitecendo. O facto de ter estado o dia fora e com a companhia de um estranho fez-me esquecer o passar do tempo.
- Hello? Terra chama Makenna! - despertei quando minha irmã chamou pelo meu nome correcto despertei para a realidade.
- Estava distraída.
- Com o que? - ela estava demasiado metida. - Nao me digas que estives-te com um borracho Podias ter avisado, que assim eu aguentava aqui as pontas.
- Nao Ronnie estivesse sozinha! - menti.
- Hum, engana-me que eu gosto.
Nao disposta a ouvir mais piadas ou ideias malucas dela subi ate ao meu quarto. Sentei sobre a cama deitando-me logo de seguida e ficando pensativa. Recordei o momento breve em que as nossas bocas quase se uniram, o meu coração palpitava forte só de lembrar.
Foi então que me deu um ideia fantástica, corri ate ao andar do sótão que mais parecia o meu segundo quarto e peguei na mesma viola desta manha e compus uma musica que iria descrever aquilo que estava a passar e que podia viver.
Toquei cada nota num compasso melódico e harmonizo.
Eu era criança e a sorte me faltou
O amor se foi
Sorriu para mim !
Me deu a mão !
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
Se os meus sonhos são maiores do que eu
É que já chegou a hora de alguém aparecer
Eu era criança e a sorte me faltou
O amor se foi
Sorriu para mim!
Me deu a mão!
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
Se os meus sonhos são maiores do que eu
É que já chegou a hora de alguém aparecer
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
Quando acabei de tocar e compor fiquei tão feliz com o resultado, tinha vontade de mostrar a ele o que tinha acabado de fazer, no entanto não sabia onde encontra-lo e nem quando o voltaria a ver, se voltaria.
Guardei a letra que tinha escrito hoje e fui dormir pois já estava na hora de eu descansar, amanha teria um outro dia longo ao qual tinha a esperança de voltar a vê lo. Sonhei com ele desta vez, com a minha realidade perante a sua presença, sentia-o bem ao meu lado. Eu faria de tudo para o ter perto de mim, ate perder a minha vida se necessário. Nao tinha medo dos meus riscos ou dos seus e eu estava disposta a tudo.
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