Capitulo 27 - Regressar ás origens
[Makenna]
Charlotte estava a ser uma amiga incansável e a tao pouco nos conhecíamos e ja a via como uma irmã, que apesar na minha vida humana ter tido uma era como se tal nao tivesse acontecido, dado que nem éramos assim tao ligadas, como deviam ser duas verdadeiras irmãs.
Charles ia voltar para reconciliar a nossa situação e assim desfazermos todos os mal entendidos, todas as palavras feias que dissemos um ao outro. Porque quando se ama de verdade, tudo fica para trás das costas.
Peter apareceu fazendo um gesto que eu nao estava a perceber e ela levantou-se.
- Onde vais? - perguntei quase involuntariamente.
- Vou dar um passeio com Peter. Ficas bem.
- Sim. - sussurrei.
Vi ela afastar-se com ele do seu lado. Instantes depois o som de uns passos leves torna-se mais credível e eu levanto-me instantaneamente. Observo tudo a minha volta com receio de encontrar alguem desagradável estando aqui sozinha, mas nao ao contrário de um desconhecido, vejo ele, Charles, aproximar-se de mim com um olhar triste de arrependimento. Fico intacta como uma estátua a ver a sua chegada.
- O que estas aqui a fazer?
- Makenna, desculpa-me. - ajoelhou-se aos meus pés. - Perdoa-me se nao fui aquilo que pensavas que eu era. - nao dei resposta alguma. - vou cantar-te aquilo que a pouco imaginei para ti, para saberes como sinto a tua ausência e como eu fico sem ti. - respirou fundo e começou a pensar.
Esperei por essa coisa que ele tinha pensado que fazia a minha ausência doer.
- Ele cantou, a MÚSICA
Eu estou carente desse teu abraço, desse teu amor que me deixa leve,
Eu estou carente desses teus olhos negros "vermelhos", desse teu sorriso branco feito neve,
Eu estou carente desse olhar que mata, dessa boca quente revirando tudo, tou com saudade dessa cara linda me pedido fica mais um segundo,
Estou feito mato desejando a chuva, madrugada fria esperando o sol,
Estou tao carente, feito um prisioneiro esperando um beijo sem paixão,
Estou com vontade de enfrentar o mundo, para sempre ser o guia do seu coração,
Sou a metade de um amor que vibra, uma poesia em forma de canção.
Sem você
Sou caçador sem caça
Sem você
A solidão me abraça
Sem você
Sou menos que a metade, sou incapacidade de viver por mim
sem você, eu sem você...
Chorei sem lágrimas, era uma musica tocante, olhei nos seus olhos e vi que tambem ele chorava sem lágrimas, entao sem mais rodeios o abracei fortemente nao o querendo perder nunca, mas nunca pois ele era minha vida e eu era a sua droga. Beijamos-nos e aparecem Peter e Charlotte batendo palmas.
Logo percebi que eles tinham alguma combinação com este acontecimento feliz.
- Amo-te, amo-te, amo-te, amo-te, amo-te muito muito muito... - repeti vezes sem conta, bem seguidos de beijos.
- Eu tambem. E dou-te um beijo com paixão. - beijou-me como na primeira vez.
Pois era mais com mais este momento uma nova etapa acabava aqui e era hora de partir em rumo a outra cidade, outro pais.
Despedi-me deles e muito mais de Charlotte que tinha sido incansável comigo. Nunca ia esquecer o seu gesto e prometia tal como Charles voltar. Acenamos antes de virar costas por definitivo e zass.
(...)
Nova cidade, novo pais, estao em Itália, nomeadamente em Milão. Nunca pensei na forma como voltaria a ver a minha família nem das palavras que podia ouvir sobre mim. Tinha saudades do meu pai, da minha mae, e ate minha irmã Ronnie, dos meus amigos, principalmente de Melyna, Vera, Mónica... Como podia esquece-los?
Aos trilharmos a floresta que em tempos tinha sido palco dos nossos primeiros encontros, sorri ao lembrar pequenos aspectos, simbólicos e ate embaraçoso tais como a vez em que cai, chorei na frente dele e recebi aquele beijo... Eram coisas que nem o tempo ajudava apagar, por mais anos, séculos que passassem, viveriam eternamente comigo, na minha vasta memória.
- Mak! - chamou por mim. - E ali a tua casa... - olhei na direcção para a qual ele apontava.
- A minha casa! - chorei sem lágrimas. - Minha velha vida. - pousou a sua mao no meu ombro para consolo.
Caminhei um pouco mais, queria ver mais de perto, ate ouvir passos e alguem abrir a porta e sair. Fiquei espantada ao ver Ronnie tao crescida, a minha mae tao envelhecida.
- É a minha irmã e a minha mae! - disse.
- Sim.
Continuei a observação, tinha saudades delas, queria tanto abraça-las, mas depois o que eu diria para elas? Como explicaria a razão de nao envelhecer ? De ter estado tanto tempo sem dar noticias? Do meu novo aspecto? Tudo isso deixava-me triste.
- Nao fiques assim, quem sabes foi melhor assim.
- Como pode ser melhor assim? - perguntei magoada.
- Makenna, existem duas coisas que nao podes esquecer nunca. Primeira tu para eles esta morta e segunda és um perigo para eles.
Ao ouvir ele proferir estas palavras senti um nó tao grande na garganta e um vazio imenso no estômago.
Abracei-me a ele tao fortemente, nao queria nunca esquecer nada, mas ao mesmo tempo esquecer tudo. Eu nao queria ser assim, mas nao renegar a minha existência Afastei-me dele voltando a olhar para o mesmo sitio que agora estava vazio, elas tinham desaparecido.
- Eu vou la a casa.
- Estas louca, é perigoso.
- Eu preciso de regressar a minha origem, quero sentir isso.
Ele desistiu de impedir-me entao levou-me ate a um sitio onde ele sempre entrava na casa e ajudou-me. Entrei pela janela do sótão e fiquei a observar os objectos pousados nos mesmos sítios tal como os havia deixado. A minha viola ainda existia, o meu caderninho das minhas histórias sonhadas todas as noites da minha vida humana tambem. Charles manteve-se sempre quieto durante toda a minha visita.
Preparei-me para descer as escadas do sótão mas ele agarrou-me logo na manga do meu casaco, obrigando-me a olhar nos seus olhos.
- A onde é que vais? - sussurrou.
- Ao meu quarto!
- Nao creio que seja boa ideia. É perigoso.
- Charles nao esta ninguem em casa. Nao te preocupes. - aliviei-o.
Desci calmamente as escadas e ele sempre atras de mim, talvez nao confiando na possibilidade de aparecer alguem e eu nao conter-me a causar um crime que levasse-me a arrependimentos tardios.
Abri a porta do meu antigo quarto e entrei. Observei tudo e nada denunciava remexida. Conforme eu tinha deixado, conforme tinha ficado. Talvez eles nunca mais tivessem entrado aqui, para nao sofrer com as recordações. Sai novamente para o corredor. Encontrei vários porta retratos de uma família feliz. Eu, o meu pai, a minha mae, e a Ronnie.
Retomei caminho ate a um quarto que era o da minha irmã.
- Mak acho que é melhor irmos embora! - avisou.
Ignorei o seu aviso e continuei em frente e entrei noutro quarto. Mais uma vez fiquei absorta a ver as fotografias que ela tinha e mensagens para mim no plácar de cortiça. Li em voz alta para que Charles podesse ouvir.
" Makenna podes ter ido embora, mas eu Ronnie Rossie vou continuar adorar-te por toda a vida. O pai e a mae ate ja podem estar conformados com a tua ausência, o teu desaparecimento, mas eu nao.
Nao existe ninguem que va ocupar o teu lugar. Ja se passaram 2 anos e tu nem noticias... "
voltei a olhar para outras mensagens e todas ia ao encontro do mesmo contexto, tristeza e solidão. Ronnie nunca tinha recuperado a minha perda, porem ficava feliz por ver que os meus pais tinham conseguido superar isso e mal ou bem estavam a seguir com suas vidas. Ao virar-me para o lado vi um retrato poster de mim e Ronnie pequenas e deu-me aquela vontade de a abraçar...
- Ela é muito parecida contigo. - comentou Charles, tirando o silencio da visita.
- É a minha maninha. Mesmo estando separadas continuo ama-la muito.
- Bom ja viste tudo, vamos agora? - voltou a insistir na nossa saída.
Entretanto um cheiro a humano vem ao meu nariz, tomando a minha garganta e começando a deixar-me louca. Charles ao ver o meu estado de dominação agarrou em mim e levou-me para fora da minha antiga casa. Ja no chão da floresta fiquei irritada pois nao gostava de suas atitudes semelhantes a que tinha acabado de acontecer, pois deixava-me a sentir uma inutil e incapaz de controlar os meus instintos.
- Nao voltes a fazer isso! - relembrei.
- Eu nao fiz por mal, tu sabes.
- Eu nao gosto de sentir-me uma inútil, incapaz...
- As vezes nao é uma questão que nos possamos controlar, a perigos que nos seres imortais nao conseguimos calcular.
- Eu consigo, eu estou a dizer-te que nao ia matar ninguem.
- Eu confio na tua palavra, mas nao existe ninguem que consiga controlar o seu instinto, a menos que tivesses uma vida como a dos cullens.
- Talvez. Desculpa, estou a ser insensível contigo.
- Nao, é natural estas a viver os teus primeiros anos da tua nova vida, a sempre coisas novas a conheceres e claro com o tempo adaptares-te. - sorri abertamente e dei-lhe um beijo. - É por isso que nunca vou-me cansar de estar ao teu lado, para poder garantir a tua segurança. - voltei a mostrar o meu melhor sorriso e ficamos assim a ver o cair da noite, os pássaros irem as suas vidas, o sol a dar lugar a lua...
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