Capitulo 9 - O beijo do criador
Jasper
Estava tao feliz de ver o resultado de tanto esforço a vista e completamente perfeito. Ela era mesmo encantadora, quanto a original era em vida. Virei para o meu amigo zaza.
- Parece que a tua amiga precisa que lhe ensinemos algumas coisas. - ele abanou a cabeça e depois disse.
- Zaza esta pronto para ajudar Alice. - levantou os braços.
Despedi-me dele e subi ate a sala onde Alice permanecia diante do piano. Ao entrar lá permaneci em silencio, nao queria interromper o seu tocar melódico. Ela estava tao linda a tocar, que parecia um anjo.
(Melodia de piano: Love me - Yiruma)
Nao cansava de suspirar e de a admirar. Minha doce e bela Alice era mágica. Como eu estava tao apaixonado, tao capaz de criar algo inexplicável so para nunca esquecer o seu rosto, o seu brilho, o seu cheiro. Alice de alguma forma estava de volta, sentia a sua presença sob espírito Ela estava feliz de certo, e eu tambem.
Ela parou de tocar e olhou directamente para mim. Ficou com o seu olhar fixo no meu. O silencio tomou controle da situação ate que ela decidiu quebra-lo.
- Jasper! - tinha uma doce maneira de mencionar o meu nome, que as vezes fazia-me querer que estava diante daquela que um dia, eu disse sim, amar eternamente. Abriu a sua boca, aproximei-me dela, para fazer aquilo que nao conseguia controlar.
A beijei delicadamente, os seus lábios eram tao macios e tao belos que apagavam toda a minha dor destes ultimos anos, a minha tristeza continua, a minha solidão... Este beijo tinha servido para mostrar que o amor nao tinha hora marcada para morrer, ele pode sim estar adormecido, mas nao esquecido.
Amor verdadeiro era para sempre e eterno, tao forte quanto de mae, porem nao fraco a distancia de anos luz. A mulher diante dos meus olhos, nao era uma simples maquina, nao era somente lata ou informação, era ela, a minha eterna mulher, a minha eterna amada, a mulher que tinha escolhido, para a minha vida.
- O que foi isto? - perguntou ela confusa de certo, mas nao ignorante ao facto.
- É amor, é sentimento que somente partilho contigo. Um beijo é uma amostra dos sentimentos bons de alguem. - ela olhou para o lado talvez a reflectir nas minhas palavras.
- Eu fui feita para amar! - comentou.
- Sim... - peguei na sua mao e docemente, passei os dedos pela sua pele macia e ela automaticamente olhou para mim novamente, os seus olhos azuis mostravam um mar de emoções um mar de histórias da minha e da sua recordação.
Nesse momento tive vontade de chorar, tanto quanto chorei ao perder a minha Alice, naquela tempestade, ve-la sendo levada pela força das aguas e nao poder fazer nada, doía muito, sentir que tinha sido incapaz de salvar, o meu grande amor.
Foram dias de muita dor, mas agora olhando para olhando para o presente, essa dor transformava-se em alegria, em paixão, em certezas que a esperança devia sempre ser a ultima a morrer. Em que acreditando nao se morre, mantem-se vivo a espera de um novo amanhecer. Era esta a mensagem que os seus olhos infinitos transmitiam ao meu coração.
- Minha querida talvez seja hora de irmos para o laboratório, para assim manteres as tuas baterias carregadas.
- Eu nao quero ir para o laboratório, é muito escuro. Eu gosto da luz, da vida... Eu sinto-me bem aqui. - desisti de lutar contra a sua vontade.
Agarrei nela e a levei ao colo, juntos subimos as escadas e a deitei sobre a cama, onde seguida liguei a tomada um fio para carregar a sua bateria Ao contrário do que o meu coração pedia, deixei o quarto, a dei sozinha, em paz. Mesmo que um Robot nao precisa-se de espaço ou de tempo, eu queria respeita-la ainda assim.
Fui para o meu quarto debatendo-me sempre contra a minha mente, contra as minhas vontades. Deitei-me sobre a cama e sonhei com ela, com a mulher que de hoje em diante iria proporcionar a minha felicidade. E que apartir do momento que ela abriu os seus olhos, a minha solidão acabava.
Alice Robot
O que tinha acontecido na sala, era estranho, mas agradável. Jasper era amável, carinhoso, tal como nas minhas memórias. No entanto o meu coração de rubi nao dava sinal de sentir o mesmo na hora, era como se estivesse reservado para alguem, porem que um dia ia conhecer, alguem especial e capaz de amar-me.
Pensar nisso fazia-me ficar feliz, mas tambem triste, porque de algum modo ia magoar o coração do meu criador um dia, porque ele tinha-me criado para o amar e ao nao corresponder com completo ia doer, tanto e tanto que por raiva poderia dar um fim a minha existência na terra.
Parte de mim dizia que ele seria incapaz de fazer isso, e que de alguma forma seria a primeira pessoa a dar-me apoio, contudo nao tinha certezas. E se era tudo imaginação minha, e se esse sinal que eu estava a sentir nao era nada, e tudo nao passava de meras especulações. Talvez as minhas respostas tivessem mais perto do que eu podia imaginar, e que a cada dia as que duvidas que parairavam em mim podiam tornar-se certezas.
Tentei fechar os olhos, embora nao dormisse nao tendo necessidade disso, o fazia por mera simbologia humana, visto que gostava de sentir-me assim, de comportar-me da mesma maneira, mesmo havendo sempre certos aspectos e modos que marcavam a diferença.
(...)
Quando abri os olhos ao fim de algumas horas indeterminadas vi os primeiros raios de sol, levantei-me e desliguei-me da tomada. Estava vitalizada e pronta para o inicio da minha caminhada.
Fui ate a varanda do quarto e abri a janela, observei tudo a minha volta, todas as flores bonitas, todo o verde denso da relva, todo o imenso ceu azul e no meio aquela estrela... o sol, a minha luz. Era ele que ia guiar-me nestes dias e tambem ele que ia ajudar-me a descobrir as respostas para as minhas duvidas, ainda assim traria o alguem que ia mudar a minha existência ate mim.
Sai da janela e fui ate ao corredor, onde encontrei uma senhora de meia idade a observar-me com olhos esbugalhados, com vontade de dizer algo que nao conseguia dizer, pois os seus olhos denunciavam a sua nao crença no que via. Entretanto Jasper aparece e ambiente de tensão altera. A mulher ganha coragem e pergunta:
- Dona Alice vai querer alguma coisa? - pensei rapidamente nos efeitos devastadores de comer ou engolir agua. Logo virei-me para ela e disse.
- Eu nao como nem bebo. - a mulher insistiu com os olhos na minha pessoa.
Jasper reparou no meu pouco a vontade com a presença dela e disse:
- Luisy, podes ir a Alice ja esta bem. - fiquei aliviada.
A mulher virou costas e saiu. Larguei um sorriso e ele deu um beijo inesperado. Eu nao o rejeitei, simplesmente deixei-me levar pela fluidez do momento. Ainda assim a cada beijo novo, a minha duvida continuava a vir a tona, que nao era esta a maneira que deixava-me realizada.
Ele pegou-me ao colo e levou-me para o andar de baixo. Quando pousou-me no chão tive uma súbita vontade de ir ao jardim, era como se uma força me puxa-se para lá, como se os enigmas da minha cabeça, so se desvendassem nesse sentido. Desviei as cortinas bassas, abri a janela e senti nesse instante um leve sopro de vento que fez esvoaçar os meus cabelos. Caminhei tranquilamente pelo jardim fora, so parei quando fiquei diante das roseiras amarelas, eram as minhas rosas preferidas, toquei numa delas e percebi quanto a sua textura era macia e delicada, como era uma planta tao frágil.
(Melodia de piano: The moment-Yiruma)
Tive vontade de a arrancar e ficar com ela para mim, contudo nao estava a conseguir e entao nao contando, um rapaz jovem e lindo aparece atras de mim e pega delicadamente na minha mao, indicando com gestos como obter a flor sem causar danos. Ao fim de a ter nas minhas maos, encaro os seus olhos e dou um leve sorriso. Estava grata.
- Ai tens a flor! - disse ele num sussurro.
- Obrigada por ajudares, acho que nao ia conseguir mesmo. - acabei por dizer a verdade, vendo o brilho nos seus olhos claros.
Nao sabia o que estava a passar-se nesta hora, nao conseguia virar-lhe costas, mantive o meu olhar fixo, e simplesmente pestanejava e perguntava para mim mesma:
" O que se esta a passar comigo? "
Ele tambem nao falava, estávamos ambos em silencio e os únicos sons que ouvia era do vento uivando, das folhas das arvores caindo...
Voltei a questionar-me:
" O que estou a fazer aqui parada ? Eu tenho de voltar para casa! "
Entao alguem chama por mim, despertando assim a minha vontade de andar e afastar-me, sem nunca retornar um outro olhar, mesmo sentindo o prazer de estar a ser observada.
- Alice ? - gritou Jasper por mim. Acelerei o passo.
Entrei dentro de casa e fechei a janela atras de mim, e sem querer olhei para a minha mao que tinha a rosa amarela, o que fez lembrar-me imediatamente dos seus olhos claros. Olhei para a janela e ele permanecia lá, acenei num adeus e puxei as cortinas, voltando a ficar baço o exterior.
Virei a minha atenção para a rosa da minha mao e nao apercebendo-me disso reparo na presença de Jasper ao meu lado, abraçando-me.
- Uma rosa! - falou pegando na minha mao e deslargando o abraço.
- Foi um rapaz no jardim, eu estava a tentar arranca-la, mas nao estava a conseguir e... ele ajudou-me. - tentei justificar toda a situação. - Tudo bem. Apenas estava a estranhar.
- Porque ? - perguntei num impulso, mas era claro que eu sabia a resposta, alias a minha memória sabia. - Nao precisas de explicar nada. Eu ja percebi. - tentei afastar-me, novamente pega na minha mao.
- Nao vas embora. Nao te sintas magoada comigo... por favor.
Eu nao queria estar e nem precisava de sentir-me assim. Afinal de contas eu era apenas um replica dela, da mulher do retrato, da felicidade mutua deles.
Eu nunca substituiria o seu lugar por completo, nem sendo nunca tambem a minha intenção porem nao dessa maneira que ele olhava para mim. Ele via em mim a mulher amada perdida, caso contrário que razão teria ele para criar-me? Nenhuma. Eu era isso, aspecto de humana sendo maquina, embora contendo todas as recordações das suas vidas.

Xi... acho que a criação e Jasper deu errado, hein?
ResponderEliminarEla não ama ele, que triste...
Como será que ele vai reagir ao saber isso?
A resposta a essa pergunta em breve será clarificada,dado que ele ainda nao verdadeiramente a situação.
EliminarMas com toda a certeza que vai reagir mal, como qualquer casal que é trocado, mas acredito que acabe por aceitar. Todo o robot tem direito amar.