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Coração de Robot - Capitulo 10 - A mulher do piano existe !


Capitulo 10 - A mulher do piano existe ! 

David 
Estava disposto a encontrar a mulher que tinha visto diante do piano. Ela nao me saia da cabeça. Tinha passado a noite inteira a sonhar com ela, aquela que nao mostrava o que estava atrás da janela, aquela que ainda assim realçava o mistério. 
Fui para o jardim, o sol ja estava alto, quando comecei a trabalhar, nas minhas lindas plantas, das minhas lindas flores. Algo dizia-me que ela ia aparecer hoje, mas aparecendo ou nao, eu ia encontra-la, queria ver os seus olhos, ver a alma. 
Peguei no regador e comecei a rega matinal, quando, em momento algum, olho para a casa, a procura dela, e vejo um simples reflexo na janela. Disfarço o meu olhar, tomando a minha atenção no trabalho, ainda assim a imagem dela, nao saia de minha cabeça, era como um feitiço que nao tinha nem ou hora, nem momento de acabar. 
- David! - alguem chamou por mim. - David! - olhei para todos os lados e nao encontrava ninguem. Será que estavam a querer-me pregar alguma partida? Ate que caminhei um pouco e encontrei Luisy. 
- Desculpa Luisy, mas é que nao te vi! - ela estava estava com os braços cruzados. 
- Fartei-me de chamar por ti. O patrão quer falar contigo. - o patrão queria falar comigo? 
As raras vezes que eu falava com ele, era por exclusividades com as rosas amarelas, dado que eram as preferidas da esposa falecida. 
Entrei, e fui ate ao escritório dele. 



- Patrão! - ele estava de costas para mim, ate que virou-se. 
- David, que bom que vieste. Preciso de saber como anda o trabalho, quer dizer como esta o crescimento das roseiras. - ele tinha uma estima muito grande pelas rosas, nao era muito comum  ver este tipo de preocupações, num homem, mas o Dr. Jasper, era diferente, nao pela circunstancia cientifica  pela personalidade, que transparecia. Tudo o que esta casa tinha, estava guardada por si, com muita estima, ate as lembranças da falecida esposa. 
- Bom, Dr. esta tudo em ordem, as plantas estao a crescer naturalmente, as rosas fortes e bem cuidadas, tal como sempre as cuidei. 
- Sei, ainda assim gosto de perguntar, sabes, as rosas amarelas, sao das poucas recordações, mais recentes que tenho dela, dos seus últimos pedidos. - o seu falar era tao melancólico, saudoso. Dava pena e compaixão, no entanto nao havia nada que muda-se isso. 
Entretanto o telefone toca, e a conversa fica por terminada. Ele vai atender a chamada e eu aproveito para voltar ao serviço. Saio educadamente do escritório, passo o corredor longo e entrei para o jardim. Ao passar pelo caminho de calçada das duas margens de relva, ao passar juntos das minhas lindas roseiras encontro uma mulher, nao era alguem conhecido, ou frequente ver neste sitio. Aproximei-me muito devagar, nao queria assustar a pessoa. 
Ela estava a forçar o arranque de uma rosa, e suavemente peguei nas suas maos, e juntos conseguimos retirar a rosa que ela tanto queria. Com gestos mostrei-lhe a delicadeza de obter-se uma flor, sem a magoar. Ao fim de a ter, nas suas maos, encarou os meus olhos e deu um leve sorriso. 
- Ai tens a flor! - disse num sussurro. 
Ela era linda, so podia ser esta mulher que eu queria encontrar, infelizmente nao a procurei tal como planeava, porem ela tinha chegado ate mim. 
- Obrigada por ajudares, acho que nao ia conseguir mesmo. - acabou por dizer. 
Ficou mais um tempo a olhar para mim, para os meus olhos. O seu olhar era estranho, cheio de mistério, contudo apaixonante. Eu nao conseguia dizer nada, ela tambem nao, o silencio estava a ser a nosso palco de acção. Como ela era tao linda, mesmo estando calada. Sentia-me tentado a fazer aquilo que o meu instinto indicava  no entanto o meu corpo debatia-se contra, porque sabia que era errado. 
- Alice? - alguem chama por ela, e tudo o que fiquei a saber, foi o seu nome, Alice. 
Fiquei parado a observa-la ao afastar-se de mim, tao rapidamente, esperei sempre receber um ultimo olhar seu, mas nunca o recebi. 
Fechou a janela atras de si, e depois ja nao estando eu a espera, e de certo, a preparar-me para a deixar de ver, ganho um olhar seu, um adeus acenado com a sua delicada mao. Fico contente e dou um sorriso. Como eu dava tudo para voltar a te-la aqui, ao meu lado. Como eu dava tudo para a conhecer, e poder voltar a toca-la. Ainda assim nao ia perder a esperança, porque haveriam outras oportunidades, outras rosas, outros momentos. Ela puxou as cortinas e o seu realce do corpo ficou baço  a figura que estava atrás da cortina moldava a figura da noite anterior, era ela, agora mais que nunca tinha a certeza. A minha pianista. 
Voltei ao trabalho, voltei a cuidar das minhas vidas, que eram as flores, e as suas tambem. A sua presença hoje, tinha marcado a diferença para mim, sonhar era alcançar e nao baixar os braços, por isso eu nao ia desistir dela. Ia fazer de tudo so para agradar e ganhar de si, aquilo que o homem muito prezava, o seu amor. 
(...)
De volta a casa, sentei na minha secretária e desenhei o seu belo rosto num folha, para nunca esquecer o seu perfil tao perfeito e doce, para quando ao deitar, olhar o seu lindo rosto e pedir um minuto da sua atenção. 
Ao estar pronto o desenho  ao tocar com o meu dedo sob as texturas do seu cabelo, ao passar nos seus lábios, fiquei imaginando, faze-lo na realidade, sentir estas sensações do papel para a vida. Talvez tudo fosse uma questao de tempo, ate ganhar mais um passo na sua direcção e conquistar aos poucos o seu coração. 
Peguei na folha do seu retrato e colei na parede, deitei-me na cama e uma noite, a sonhar com ela... 
Alice Robot 
Regressando ao meu quarto, com ajuda de Jasper, e estando novamente mergulhada no mundo a parte, pensei naquele rapaz da minha rosa. De como fiquei arrependida de nao ter falado algo mais, as palavras no momento ficaram pendentes. Ele era simpático, lindo e tinha mexido comigo, com o meu ser. 
Eu sentia que ele nao tinha ficado indiferente a minha pessoa, que de alguma forma eu tinha marcado a diferença para ele, que eu podia ser especial, tal como uma mulher desejava ser. Lembrava-me de cada detalhe do seu rosto, da cor dos seus olhos, da sua pele perfumada, do seu corpo defenido, da sua mao a tocar a minha. Como eu podia esquecer esse homem? Nao podia, eu queria voltar a encontra-lo, no jardim, todos os dias, receber de si a minha rosa. 
Olhei para a cama onde tinha pousado a minha rosa, peguei nela e a cheirei tal como a mulher das minhas recordações, embora nao consegui-se sentir o seu cheiro, sabia que era agradável e tranquilizante para a alma. Olhei para os lados a procura de alguma jarra e encontrei uma simples e vazia, a enchi e coloquei a minha rosa, nela, queria mante-la viva, tal como ela devia ser. 
Pousei-a em cima da mesinha perto da janela, onde todos os dias, ela poderia receber o sol, ganhar o seu brilho. Como eu estava encantada com uma simples rosa, como ela de alguma forma fazia lembrar sempre ele, o rapaz cujo o nome nem sabia. 
Deitei-me na cama, liguei-me a energia, tentei fechar os olhos, sentir a sua presença diante de mim, diante das rosas. Era o meu primeiro contacto fora do ciclo habitual, era a minha experiência com a mundo novo, e por pouco que conhece-se ou ja vivesse nele. Nao pelo facto de ter conhecido alguem, que deixou o meu coração a palpitar, mas pelo facto de viver emoções próprias, que nao sao de ninguem, sentir na pele o verdadeiro significado de viver, agir, pensar... sem ter ajuda de alguem. 
Batem a porta e eu desperto para a realidade. Escondo o carregador e coloco-me numa posição mais confortável. 
- Posso entrar ? - perguntou Jasper colocando a cabeça para dentro. 
- Claro. - disse, sem exitar. 
- Como te sentes? - nao estava a perceber a sua pergunta. De certo o sentido da sua pergunta, era diferente do que eu pensava. 
- Como assim? Nao estou a perceber. - fui franca, gostava de ser assim, pela primeira vez estava agir de maneira diferente da Alice da minha cabeça. 
- Desculpa... Estava a perguntar-te porque... a pouco quando te trazia ao colo, senti-te... um pouco distante. 
Virei a cara, nao queria encarar os seus olhos, simplesmente olhei para a rosa, ela deixava-me tranquila. Entao sentindo-me capaz, encarei-o. 
- Esta tudo bem, estava apenas fraca, precisava de bateria. - tentei ser o mais convivente, possível, mas ainda assim, nao consegui escapar a mais um olhar questionaste  Jasper estava a relevar-se diferente daquilo que eu imaginava, daquilo que eu pensava que ele fosse. 
- Tenho medo de te perder, minha Alice. És a única coisa que tenho, a única coisa que resta da minha vida, da tua, da nossa. Promete para mim, que nunca vais deixar-me. 
Como podia prometer uma coisa que eu nao sabia, se podia cumprir  Nao queria ferir os seus sentimentos, no entanto tambem nao queria magoar o meu coração. Nao sabia o que fazer, de um lado tinha o homem que tinha-me criado, do outro o homem que estava a mostrar-me um sentido novo. Sentia-me dividida, tentada a duas opções que nao queria tomar. Tinha medo, sim, ferir alguem, de progedicada, por tentar ser feliz, longe das expectativas que alguem tinha criado. 
Nao queria ser fria, nem calculista, contudo, justa e sincera. Respirei fundo, tal como um humano, pestanejei e voltei a olhar nos seus olhos. 
- Tu nunca me vais perder. Nunca vou separar-me daqui, esta é a minha casa, no entanto nao podes obrigar a... ser aquilo que eu nao posso ser, agir e a pensar, conforme a tua vontade. 
- Porque que estas a falar dessa maneira ? O que mudou entre nós? - a queda de uma lágrima do seu rosto, fez baixar a minha guarda. Fez tranquilizar-me e pensar que talvez, nao estava a ser muito correcta com ele. 
Porem era dificil, ceder ao impulso de deitar para fora, as palavras presas na garganta. Eu realmente estava mudada, nao pensava, nem agia assim, talvez aquele momento desta tarde, tivesse mudado o meu mundo, tao singular. Sendo esse mundo, certo ou errado, era assim, que sentia forças para encarar tudo de um modo simples e sem medos, no entanto sempre com assombração de um arrependimento tardiou.
- Eu estou bem, nao estou a falar mal. Nao mudou nada entre nós. Eu sou Alice, tu és o Jasper. Sou tua criação... O que podia mudar? - estava a ficar nervosa, com as suas insinuações. 
- Calma... Eu nao referia-me muito concretamente a esse sentido, mas tudo bem, nao vou tocar mais no assunto, nao aborrecer-te. - levantou-se, virando as costas para mim. Abriu a porta e saiu. 
Voltei a ficar sozinha, voltei ao mundo imaginário, ao mundo que nao era complicado, nem medronho. Onde nao se magoava, nao se sentia, era se feliz e nao se sabia. 



Comentários

  1. ooopsss
    Pobre Jasper
    Acho que ele vai sofrer tanto...
    Espero que a verdadeira Alice esteja viva em algum lugar e retorne
    Ele não merece sofrer tanto assim
    Tomara que ele não desligue a robô

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ate eu estou com pena dele, mas acredito que tudo é uma simples fase e que dentro de pouco tempo tudo vai mudar, ele vai voltar a encontrar a sua felicidade, quando a verdadeira Alice voltar.
      Eu tambem espero que ele nao desligue a robot e que de alguma maneira entenda.
      Esta para breve uma nova surpresa. Prometo.

      Eliminar

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