Capitulo 13 - Mistério da chegada
Alice Original
Estava farta de esperar, tinha de tomar uma decisão. Ia voltar para Forks, tinha de voltar para casa, mas desta vez nao ia sozinha, eu ia levar uma criança comigo, era a única forma de poder garantir a mim mesma, a verdadeira razão de voltar. Fazer crer a ele que era pai, mesmo nao sendo, para assim nao fazer-me muitas perguntas. Kim estava do meu lado e concordava com a minha decisão, era verdade que tinha riscos, no entanto nao voltar, tambem era um risco, nao queria que ninguem ocupa-se o meu lugar.
Fui ate a sala e tirei a mala que ja estava pronta, pouco tempo depois o pequeno Simão apareceu, como aquele sorriso doce. Estava com pena dele, viver longe da mae, era uma circunstancia complicada, perder o pai novo pior ainda, quando assim se achava um idolo. Contudo Simão estava bem ao meu cuidado, mae nunca ia ter condições para o ter, infelizmente tinha de avisar a criança de que era necessário mentir. Abaixei me, olhei nos seus olhos castanhos, peguei nas suas maozinhas e disse:
- Simão, vais ganhar um pai!
- Um pai? - a sua inocência era tao dócil.
- Sim, um pai e eu vou ser a tua mãe... - pausei. - Eu sei que tens uma mae, que de certo gostas muito dela, no entanto sabes que nao tem condições para estar contigo. - ele ficou triste, levantei o seus rosto com a ponta dos meus dedos. - Entao amiginho, vais ser feliz, vais poder voltar andar... A Leucemia tem cura.
Sabia muito bem dos riscos que corria, ao transportar comigo uma criança doente, mas era essa a intenção, a compaixão. Jasper nao ia fechar-me a porta, nao ia dizer que nao.
- Eu vou morrer? - tentei nao chorar, fui um mais simples e simplesmente maternal.
- Nao vou deixar que nada de mal te aconteça. Vou estar sempre ao teu lado. - sorriu. - Vou tratar-te como se fosses de verdade um filho, vou dar aquilo que tu mereces. Uma casa melhor, brinquedos, um pai, uma família...
Estava a chorar sem querer, estava a ser tomada pela contagiante doçura desta criança. Simão para alem de ser doente, era uma criança como poucas no mundo, era um daquelas que infelizmente a sorte nao bateu bem, que merecia por tudo ser feliz e continuar a ter força na sua luta.
Estávamos juntos na mesma batalha, cada um com suas razões, sendo que a sua era mais urgente que a minha, porem uma só se completava a outra. Estávamos juntos, era nossa deixa, íamos engessar nesta volta. Peguei nas malas, e as levei para a porta, depois fui buscar ele na sua cadeira de rodas. Kim ajudou-nos com as arrumações das malas no táxi e tambem com a criança, dado que ele estava muito frágil e sozinha nao ia conseguir.
Uma vez dentro do táxi, acenei um adeus da janela. Chorei na despedida, pois mal ou bem, esta tinha sido a minha vida, a minha casa, após tragédia. Deslarguei o olhar da casa, e simplesmente fixei o olhar no rumo do meu destino.
Fomos para o aeroporto, estava cheio, Simão estava encantado com tudo o que via, pela sua cara devia ser a primeira vez que, pisava este chão. Peguei na sua mao e perguntei:
- Sentes-te bem? Queres comer alguma coisa?
- Sim, estou bem. Nao tenho fome... - disse ficando triste, logo dei um abraço nele para nao se sentir, tao sozinho.
- Meu querido tu vais gostar daquilo que vais ter, da tua nova vida. - sussurrei ao seu ouvido, ele nada disse, estava tao quieto que mais valia permanecermos assim.
Sem nunca pensar tal coisa acontecer comigo, ja amava esta criança verdadeiramente. Nao conseguia ficar indiferente, ela era especial, parte ja de mim. E eu ja sentia-me uma mae verdadeira.
A toda a hora pensava como seria se um dia, aquela tempestade, nao tivesse surgido como teria continuado a minha vida? Como será que eu iria ser? Será que ja teria filhos? Será que seria tao boa mae, como sou para esta criança? Tantas perguntas, para (se). No entanto o tempo, nao voltava, meramente tínhamos de aprender a viver com a realidade dos factos. Com a realidade que nunca tive filho algum, que a única coisa que tinha, era uma criança, que a pouco conhecia, devia ser coisa de semanas.
Voltei para a vida real, saindo de mansinho do mundo que dá voltas. Olhei para Simão, peguei no seu carro e fomos em direcção ao embarque. Hora de partir!
(....)
A viagem tinha sido tranquila, nada de turbulências o pequeno tambem estava bem disposto, apanhamos um novo táxi a saída do aeroporto e dei ao senhor a indicação da cidade que pretendia chegar. Estava em Seattle, no entanto pretendia ir para Forks.
- Meu amor ! Estou a chegar para voltar a ser tua! - murmurei tao baixinho que ninguem ouviu.
Tomei atenção, a paisagem, pouco alterada, desde a época do meu desaparecimento que tudo mantinha-se intacto, natural.
Passávamos por muitas casas familiares, uma delas era dos meus pais, da minha irmã Rosalie, da minha cunhada Bella. A saudade que eu tinha deles, e que agora estando de volta, podia mata-las. Contudo, voltar a estar com eles, implicava ter de responder a muitas perguntas, e nesse contexto eu nao sabia se estava preparada. Ja bastava ter uma pessoa que tinha de dar as minhas justificações e breves respostas, o Jasper. Estávamos a chegar, ja via o ângulo da nossa casa, ja via as luzes acesas, ele estava acordado. O senhor parou o carro, abri a porta e antes de sair fiz um pedido.
- O senhor importa-se de esperar um pouco?
- Isso vai activar uma taxa extra... o relógio esta a contar. - indicou apontando para lá.
- Dinheiro nao é problema. - fechei a porta.
Comecei a caminhar a calcada que dividida as duas margens, observei tudo a minha volta, tudo mantinha-se tal como antes, as flores bonitas, a relva cortada, o banquinho do jardim intacto.
Respirei fundo, tomando coragem toquei a campainha e esperei que sinceramente alguem vie-se abrir, embora eu soubesse que ja era um pouco tarde, era necessário que mantivesse a calma. Ouvi passos a chegar, o meu coração começou a bater como um louco, pronto a sair. A chave rodou e a porta abriu-se.
Agora estava diante de mim ele, o meu marido, o homem da minha vida. Ele estava igual, um pouco abatido, mas igual. Ele estava espantado a olhar para mim, e com toda a razão. A sua cabeça devia estar a fervilhar de perguntas, a minha a morrer de respostas. Tanto tempo a olharmos um para o outro lembrei-me de Simão, era necessário ir busca-lo, mas primeiro tinha de quebrar o silencio.
- Jasper! - a voz fraquejou. Ele estava a chorar e eu estava a ser levada pela mesma emoção. - Eu preciso de ir ao táxi, tenho de ir buscar as malas... e o nosso... filho!
- Filho? - parou de chorar e ficou quieto. - Filho?
Baixei o olhar, nao estava a conseguir encarar os seus olhos. Porem com as suas maos levantou o meu rosto e disse:
- Vai busca-lo. - dei um simples sorriso. Virei costas e segui caminho ate a entrada onde o senhor simpaticamente ajudou-me a tirar a criança. Pousou as malas no chão e aos poucos Jasper estava ao meu lado ajudar.
Parecíamos um familia feliz, eu, ele, e Simão. Jasper imporrava a cadeira dele carinhosamente, eu sabia que ele nao ia deixar-me desamparada, mas por outro lado tambem nao ia conseguir escapar as suas perguntas, porem nao estava preocupada com isso, dado que ja tinha tudo pensado.
Entramos dentro de casa, e a decoração mantinha-se, o piano, ai o piano que saudade que ele despertava em mim, corri para ele, sentei no banquinho e Jasper, mantinha-se quieto a observar. Levantei a tampa e começei a tocar. A musica era a unica forma que eu tinha para deixar-me tranquila e certas dos meus riscos.
Imaginei-me num tempo atras, feliz, realizada... um homem maravilhoso, que so fazia surpresas, um sonho. E agora eu estava aqui, a viver esse sonho novamente, a voltar a minha vida de antes, a voltar a rotina dos dias cheios, dos passeios belos, das tardes sentada no baquinho, apreciando as minhas flores... Enfim de volta ao que realmente pertence-me.
Parei de tocar, ele ja estava ao meu lado Simão ele, ja o tinha levado a deitar. A hora tinha chagado, eu precisava de ganhar tempo, contudo nao estava a conseguir fugir.
- Alice, eu quero saber o que se passou? Onde estives-te? Porque nao voltas-te? - tentei pensar numa desculpa, para escapar.
- Eu estou muito cansada meu amor, preciso mesmo de ir para cama, vens? - olhei para ele pelo canto do olho, ele nao estava muito satisfeito.
- Estas a fugir ao assunto?
Tive vontade de esconder-me num buraco. Mantive-me em silencio.
- Porque sou agora apareces-te?
Estava de costas para ele e nao continha as lágrimas. Levantei a cabeça e disse:
- Amanha conversamos, a viagem foi longa. - ele pareceu ficar quieto, nada mais insistente.
Subi e entrei dentro do quarto. Deitei na cama e fiquei a olhar para o tecto. Aos poucos começava a ganhar medo da minha própria mentira, mas por outro lado tinha de manter-me firme, nao só por mim, mas por esta criança. Eu tinha de conseguir, ele tinha de acreditar em mim.
Jasper
Eu ainda nem estava a creditar que a minha Alice, realmente tinha voltado, ela estava viva e trazia consigo um filho nosso, cujo eu ainda nem acreditava como tudo era possível Como ela tinha conseguido manter-se no silencio? Como ela foi capaz de fazer crer a todos nós a sua morte?
Estava a custar-me ter duvidas dela, porem eu precisava de respostas que ela tentava fugir, só queria saber a verdade, nada mais. Senti muito a sua falta, acho que era mínimo que ela podia dar para mim. Contudo, amanha teria respostas, queria o esclarecimento certo.
Com tudo isto, esqueci-me por completo da Robot aquela que sem querer magoei, mas agora que sentido tinha? Existirem duas Alices? Quer dizer eu sabia que e a outra Alice, estava apaixonada, e que nao era justo, matar a sua paixão, no entanto estava entre a espada e a parede. De um lado tinha a minha mulher verdadeira, do outro a mulher Robot.
Nao tinha nem forma, nem maneira de explicar o que se tinha passado nestes anos de sua ausência Nao queria que ela se senti-se trocada, ainda mais por uma máquina.
- Mas o que é que eu vou fazer? - murmurei.
Fui para o laboratório, sozinho com o meu amigo, estaria mais em paz e longe dos riscos. Alice estava a dormir, e alem do mais nunca tinha entrado aqui, nem nunca ia entrar, dado que nunca ia permitir.
Olhei para a Robot, senti pena, nao estava a ser justo para si estar assim, danificada, entao peguei nos materiais e comecei o seu concerto. Ela ia ficar boa e novamente perfeita. Peça por peça, tudo voltava ao normal, pedaço por pedaço, uma nova renascença, metal por metal, uma nova vida.
Estava pronta, agora com um definição nova, Alice ja poderia subir e descer escadas, sozinha. Podia fazer novos movimentos que antes eram impensáveis. Ainda assim estando pronta para a vida, ia mante-la desligada, nao era correcto eu sabia, mas necessário. Seria uma questão temporária, seria melhor para todos.
Olhei para o meu amigo Zaza que nao estava muito animado com a facto de eu querer manter a sua amiga adormecida.
- Entao Zaza? - cheguei-me ate ele.
- Zaza nao gosta de ver Alice desligada. Ela tem vida... - ele tinha razão, e era isso que estava a custar-me mais, neste momento, no entanto nao ia voltar com a minha decisão atrás. Nao podia.
- Lamento... é por pouco tempo. - Zaza baixou a cabeça de lata. - Eu juro, a tua amiga vai voltar. - ele mantivesse calado, eu respeitei, pois sentia-se triste, sim as máquinas tambem contraem sentimentos, embora seja de uma maneira diferente.
Alisei o cabelo dela escondendo o sitio do botão da ligação, olhei para o lado e o meu amigo mantinha-se intacto. Virei costas e subi as escadas saindo do laboratório, trancando a porta.
Ja estando a preparar-me para recolher-me a campainha toca. Vejo as horas que o relógio marca, ja passava das 3:15 da manha. Sentindo-me exausto fui a porta, abri e era Melyne.
- Melyne?
- Dr. Jasper, eu vim assim que pude.
- Ai desculpa esqueci-me completamente de ti. Ja nao é preciso nada, agora esta tudo resolvido. Amanha falamos. - ela compreendeu e foi embora.
A culpa de tudo estava a ser minha e só minha. Primeiro quase destruí a minha criação, segundo peço a minha assistente para vir, ja nao sendo preciso nesta hora e depois ja nao contando, sou surpreendido com a presença da minha mulher desaparecida, cujo eu pensava estar morta, e nao só, consigo ainda trás um filho nosso, mas que noite. O meu amigo desiludido comigo, por causa da Robot Que mais podia acontecer? A minha estava a voltar ao normal, ou era só impressão minha?

Alice voltou contando uma mentira...sinto muito mas acho isso muito errado da parte dela. Ok, que ela gosta do menino, mas foi tão golpe baixo tirá-lo da mãe só par tentar forçar Jasper a aceitá-la, foi cruel... E, bem, eu acho que não é exatamente por esse tipo de atitudes que Jasper se apaixonou, não?
ResponderEliminarMe preocupa muito a reação dele ao descobrir tudo isso....
Serão duas Alices o magoando e traindo sua confiança assim... tadinho, ele não merece isso....
uanto ao jasper eu achei fofo ele consertar a robô e adaptá-la para o bem, mas algo em diz que Zaza vai ligá-la, hein?
Iagine só as duas Alices darem de cara uma com a outra hein?
Será uma confusão imensa!!!
beijinhos
Sim de facto a atitude de Alice nao é propriamente muito correcta, no entanto ela por um lado so esta a querer zelar pelo seu bem estar.
EliminarE respondendo a sua pergunta, Jasper odeias mentiras e vai mais para a frente sofrer com a mentira.
E diz muito bem Zaza é muito esperto e vai ajudar amiga sim.
Será muito lindo esse dia. Ja tenho tudo pensando na cabeça.
Será mas no fim valera a pena e voce vai perceber porque. Nunca ouviu dizer que a males que vem por bem, quem sabe esse nao será o tal.
Beijinhos