Avançar para o conteúdo principal

One Shot - Jane - Saudades de alguem que nao conheci


Eram 3 da manha e nao conseguia dormir, sentia a falta de alguma coisa que ninguem podia dar, sentia a falta daquele alguem por quem todos os dias rezava por conhecer, cujo o tempo a tirou de mim, bem antes de abraçar e chamar de mama.
Estava com 10 anos e so hoje apercebia-me do quanto todas as crianças mais felizes tendo suas famílias unidas, tendo sempre uma mae para passar uma mao na cabeça, um pai para dar um ralhete, contudo por mais inveja que eu sentisse, nunca poderia ter tal coisa.
 Porque?
 Primeiro porque a minha mae estava a morta, e segundo porque o meu pai nunca me havia procurado, dai que o considera-se oculto, ou insistente.
Vivia desde o dia em que sai daquela maternidade, em casa da tia Irina, porque ate uma criança como eu, percebia o quanto a minha avo nao gostava de mim, continuando eu assim a gostou dela e poder pensar alto " avo ".
Era triste ser-se rejeitado, talvez a pior sensação que o mundo pode ter. Quanto ao meu pai? Esse a mim ja nao fazia qualquer diferença, era como se a sua permanência na terra, nao existi-se e estivesse no mesmo lugar que a minha mae.
Todos os dias a tia Bella insistia para com o facto de eu nao ser assim com as pessoas que nao conhecia, mas o que podia eu fazer, se o ódio estava no lugar do amor, se nao tinha recebido aquele carinho que so quem ama sabe dar.
- Jane! Ainda estas acordada?
Falou a tia Irina abrindo a porta sem bater.
- Tia! Ja te pedi para bateres a porta! - tentei parecer incomudada com o seu inconveniente.

- E eu ja disse para dormires mais cedo, porque no dia seguinte tens escola. - avisou ela parecendo uma autentica mae, e no fundo sabia que era esse o papel que todos os dias tentava representar, por isso é que nao levava a mal todas as suas intervenções.
Ela largou a mao porta e veio ate mim para de certo dar um beijo de boa noite, ou contar uma história das quais ela fazia questao de contar todas as noites como se eu ainda fosse uma criança de de 5 anos.
- Entao minha anjinha, o que se passa para nao dormires?
- Anjinha?
- Sim!
- Tia eu tenho 10 anos.
- E dai nao deixas de ser uma criança.
Baixei a guarda estando completamente derrotada, vendo que a minha tia tinha razão. Eu continuava a ser a mesma miúda que aquela de a 3, 4, 5 dias.
- Eu nao sei o que tenho hoje, parece que por mais que ocupe a cabeça, o sono nao ataca.
Ela aproximou-se mais de mim, pousando as suas maos no meu rosto, olhando bem nos meus olhos.
- Saudades da mae!
Ao ouvir proferir essas palavras, despertou dentro de mim um bichinho.
- Mãe? - deitei uma lágrima. - Eu quero a minha mae, eu preciso dela. - uma outra lágrima caiu.
- Eu sei que sentes a falta dela, mas a mae nao pode voltar. - baixei o rosto. - Por mais que implores, exigas a sua presença, sabes que tudo o que podes conseguir é o silencio da sua chegada. - ela chorava como eu, de um modo regular, nunca interrompendo as suas palavras.
Parecíamos duas coitadas a chorar e por mais estranho que pudesse parecer, estava a resultar na chegada do sono e na entrega aos momentos de dormir.
Comecei a encolher-me e a minha tia foi acabando por levantar-se e sair, deixando o meu espaço.
Entreguei-me ao sono de corpo e alma. Aos poucos comecei a sonhar com uma coisa muito especial, nao era igual aos que tinha todas as noites, este era diferente, estava a sonhar com ela, com a minha mae. Nele ela vinha ao meu encontro, entrando no meu quarto e chegando ate mim, para beijar a minha testa.
Eu arrepiava-me tendo medo de abrir os olhos e prever o que ja previa.
Um sonho era um puro momento da imaginação, nao era real, mas fazia sentir-nos bem. O problema mesmo era acordar e descobrir um monte de mentiras e ficar-se triste. Em parte era assim que ia sentir quando acorda-se.
(...)
Pela manha a tal sensação apareceu, mas apenas contribuiu para eu apenas ficar mais forte e sentir que a minha mae, nao estando na presença física, permanecia ao meu lado sob espírito, assistindo a todas as minhas vitorias e derrotas, a todos os meus amores e desamores, assistindo as minhas quedas, as minhas boas prestações na escola... Enfim longe ou perto, ela tinha orgulho de mim e mesmo eu nunca ter cruzado um olhar com ela, amava muito.
Saltei da cama, tirei o pijama, vesti um vestido verde agua e sai, indo primeiro claro ao banheiro e so depois passando na cozinha para mostrar o meu figurino.
Lá encontrei a tia a preparar umas deliciosas panquecas, a prima Heidi estava acabar uns deveres de casa, como ela conseguia deixar tudo para ultimo. O tio Laurrent ja tinha saído para o trabalho, como era habito.
- Bom dia! - saudei, sentando-me na cadeira, bem do lado da minha prima, e deitando um olho para o que ela estava a escrever.
Heidi era pouco mais nova que eu, tinha cerca de 8 anos. A nossa relação era sempre quase de irmãs, nos entendíamos muito bem, por vezes quando haviam problemas, aos quais nao queríamos estar a preocupar os adultos, ajudavam-nos uma a outra.
Ela tinha a idade que tinha e a fisionomia mais acanhada, conseguia perceber que era mais adulta que certas crianças da sua classe.
- Meninas deixem lá o que estao a fazer, porque tem de comer e lavar os dentes antes de irem para a escola. - ordenou a tia.
Tudo o que ela mandava ou achava certo, nos obedecíamos, pois se contrariássemos as suas regras, estaríamos assinando a sentença de um castigo.
Ajudei a minha prima arrumar os livros.
- Jane! - chamou.
- Sim, Heidi!
- Ja descobri porque a minha mama, escolheu o meu nome! - começou.
Fiquei curiosa, parando de arrumar, a tia parou de arrumar a mesa, a espera do mesmo esclarecimento que eu.
- Entao a mama quando era pequena. - olhei para a tia. - Gostava muito de uns desenhos animados que se chamavam a Heidi e o Marco. - comecei a rir-me.
A Heidi tinha uma imaginação tao fértil, e tao pura, que as suas simples descobertas era simplesmente engraçadas.
- Porque que estao a rir? - perguntou cruzando os braços.
Parei de rir e fiquei seria para ela, mas como ela estava tambem com aquele ar maroto, deixei-me levar uma vez mais pela contagiante risada.
- Vá meninas vamos lá deixar a brincadeira, antes que cheguem atrasadas.
- Eu cá estou cheia de sono! - resmunguei.
- Eu sei que sim,mas assim que voltares da escola, deitas na tua cama e fazes uma cesta.
A ideia agradava-me em pêras.
Comi rapidamente, fazendo da minha alimentação uma corrida contra o tempo, Eu sabia que alimentar-me deste modo, nao era benéfico, mas eu acabaria por recompensar mais tarde.
Peguei na mochila e sai de mao dada com Heidi,visto que eu sendo a mais velha, tinha o privilégio de a proteger dos inventais perigos. Rapidamente tomamos o caminho ate a escolinha.

Comentários

  1. Owwwnnn que bonitinha!!!
    Adorei a fic da Jane.
    Fiquie me perguntando quem seria a bondosa mãe dela, ela nem ao menos disse o nome, mas estou decepcionada com o pai dela... Como pode abandoná-la, não?
    Os tios Irina e Laurent foram uns anjos, não? Cuidam a pequena Jane e ela ainda faz companhia a filhinha deles, que fofura!
    Gostei muito da one shot :D

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ainda que adorou, ela foi escrita com muito sentimento.

      A mae dessa menina chamava-se Tanya, voce vai ter oportunidade de ler a história dessa one em One Last Cry que vai começar assim que acabar Coração de Robot.

      É verdade esse pai foi mesmo um canalha, mas o que se pode fazer, a homens assim, infelizmente.

      Sim a Irina é como uma mae para a jane e o Laurent como um pai. Sim a Heidi é uma fofura.

      :D

      Beijinhos e obrigada pelo carinho

      Eliminar
  2. Oh que menina tao fofinha, mas sofrida por nao ter conhecido a mae. É triste mesmo.

    E esse maldito pai que nao a procurou, quanta maldade, porem ela tem aos tios e a prima que sao muito gente boa, por cuidarem dela.

    Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sim tem toda a razao e sublinho o que disse " Oh que menina tao fofinha, mas sofrida..." As vezes nao conhecer uma mae faz de nos tristes e saudosos da sua presença, mas ainda assim conseguimos ama-la sem conhecer.

      Quanto ao pai, é uma longa história que em One Last Cry, a minha proxima fic voce vai entender e conhecer a história em si.

      Beijinhos :D

      Eliminar

Enviar um comentário

Comenta deixa aqui a tua opinião :)

Mensagens populares deste blogue

One Shot - Bella - Carta para Edward Cullen

Meu amor... Como é estranho voltar a dizer estas palavras... Palavras que durante meses  atormentarem-me sempre que eram proferidas, por mim ou por outros, faziam-me desabar, chorar. Agora não me canso de as repetir. Porquê? Bem, porque elas significam que voltas-te. Significam que o meu coração voltou a bater, que eu voltei a existir, que deixei de ser um robô triste e amargurado. Agora posso afimar (e até gritar paa quem não quiser acreditar) que eu, Isabella Swan, voltei a viver e a acreditar no amor, na felicidade, que deixei de ser um ser sem alma, sim porque quando voltas-te não só trouxes-te a minha alegria de viver e o meu coração como também a minha alma. Alma essa que, tal como o meu coração, pertence-te. Por favor... Não voltes a deixar-me, porque o meu coração não vai aguentar  perder-te uma segunda vez. Tu és a minha vida! Edward Cullen, tu és a razão de eu existir e continuar viva. Se alguem perguntar a banda sonora da minha vida eu respondere...

Diário de Rosalie Hale - O casamento de Edward e Bella parte 2

Sábado, 3 de Julho " O casamento de Edward e Bella parte 2 " Querido Diário: Depois de ditos os repectivos "sim" demos inicio a festa da boda, todos os convidados estavam absolutamente deslumbrados com o vestido de noiva de Bella, claro que Alice conseguia saber tudo e tinha um grande gozo nisso. Edward nao tirava os olhos de Bella o tempo todo, os convidados sentiam-se tentados a ver a cena de tanto amor no ar do casal mais perfeita da festa. Eu por minha vez senti-me tao feliz vez a felecidade enorme deles uma realidade quase impossivel, era um sonho que de um livro tinha-se tornado uma realidade. Sim Edward estava amar, coisa que ás uns anos era impensavel acontecer.  Como estava curiosa quanto a opiniao dos convidados fui ter com algumas pessoas. Encontrei Renné a mae de Bella quase em lágrimas.  - Entao Renné como se sente por ver que sua unica filha agora é uma mulher casada? - perguntei. - Muito bem, ela merece tudo de bom, ela vai ser muito...

Diário de Rosalie Hale - Uma vingança Atroz

Segunda-feira, 18 de Fevereiro " Uma vingança Atroz " Querido Diário:  Sentia raiva dentro de mim, ao saber que o homem que tanto amei, fez o mal que fez, estava agora a rir-se de mim consolado com seus amigos e vibrando com o copo cheio desse maldito álcool.  Decididamente montei um esquema onde mataria um por um, deixando para o fim o Royce King, o maior alvo abater. Ainda no meu closet desta modesta mansão procurei no roupeiro um vestido de noiva., e vestiu-o para o efeito de um casamento, podiam achar-me louca, ou talvez desequilibrada  mas uma coisa era sempre garantida eles teriam que morrer.  Sai de casa num forma bem ousada para a acção, o primeiro efeito a provocar no homem seria o seu destino fatal. Esme tentou demover-me da minha acção, porem foi ela tambem em vao, porque que os meus olhos sedentos viam era a dor desses malditos.  (...) Em pouco tempo tinha morto 6 homens, faltava ele, a sua morte seria diferente de todos os...