O mundo girava em torno da música, mas,um dia conheci uma rapariga que mudou o meu pensar por todo o infinito, o seu nome era simples e belo, Isabella Swan.
O pior de tudo era o facto de ela achar piada a todas as minhas falas, e no fim de contas nao ver-me tal como eu sonhava. Na verdade a vida e um Masen tinha os seus desafios, e quando bem superados, acabavam felizes, nao sendo esse bem o meu caso, pelo menos nao por agora.
Levantei-me da cadeira do escritório e trilhei ate a sala, onde fiquei algum tempo a observar o meu grande e fiel amigo piano, de como juntos tínhamos traçado um tao grande corrida, vencido méritos, só que o problema é que isso ja lá ia no passado longico.
De seguida deixei-me viajar pelos meus quadros, assim como nas recordações que tinha dos antigos recitais, em que havia tocado, de receber os aplausos orgulhosos dos pais.
- Oh tempo que nao volta! - monologuei.
Tempo depois apareceu na sala a governanta Jacinta, sempre pronta a prestar o seu serviço.
- O menino vai querer comer alguma coisa?
Jacinta era como uma mae para mim. Ela tinha sido um grande ombro da familia, quando eu nasci, quando o meu irmão morreu de febre amarela tendo este apenas 6 anos, quando a minha pobre e doce mae, descobriu que estava gravemente doente, acabando mesmo por morrer meses depois, quando meu pai partiu para a 2 guerra mundial e assim morrer por lá.
E agora resumindo e concluído, estava sozinho neste mundo, ela era a única que permanecia aqui, mesmo sabendo que um dia ela teria a sua hora e ai a solidão facilmente atacaria-me.
- Por acaso estou com alguma fome! - respondi.
Ela riu percebendo muito bem qual a minha necessidade, como se ela nao me conhece-se ou nao tivesse visto nascer.
- Eu vou preparar uma refeição para o menino! Com licença!
Ela abandonou a sala, ficando uma vez mais mergulhando no pano do passado.
Sentei no banquinho do piano, abri a tampa das teclas e fui soltando a melodia que residia dentro de mim e que de algum modo queria ser ouvida pelo simples vazio da casa.
Cada nota, cada partitura composta, dava-me a força de acreditar, que o espírito da minha familia mantinha-se presente, aplaudindo de certo os meus feitos.
- Saudades! - sussurrei.
Parei de tocar, pois as lágrimas caiam-me em cascata, por mais incrível que parece-se, eu dizia perante toda a gente o tempo todo que um verdadeiro homem nao chorava e que so podia ser forte, mas nem eu mesmo, agora acreditava nessas palavras, porque cada um a sua maneira, tinha de largar o seu sofrimento, nem que fosse por uma única vez.
- Menino o comer esta na mesa!
Jacinta apareceu, pousando a sua mao trémula no meu ombro. Olhei para ela procurando o conforto de uma mae.
- Jacinta a vida é tao complicada e injusta!
- Voce tem de ser forte, nao pode deixar que o vento o leve. - ela tinha razão, mas falar era bem mais simples que agir ou viver. - Procure uma mulher para partilhar os seus dias, procure sair, divertir-se e acima de tudo ser absolutamente feliz, assim como voce merece. - sorri feliz com o gesto das suas palavras sentidas.
- Quem me dera encontrar a mulher ideal para partilhar o meus dias! - desabafei.
Talvez tivesse exagerado quanto ao facto de ter pedido logo uma mulher ideal, que na verdade nao existia, nem o ser humano era perfeito. Tudo sim que podia encontrar era uma pessoa fiel, protectora, carinhosa e claro, portadora de um espírito feliz, porque para triste ja bem bastava o meu.
Levantei-me do banquinho sem vontade, caminhando ate a mesa para petiscar o alimento que tao carinhosamente a minha tao doce Jacinta havia preparado para mim, antes mesmo que ele esfria-se.
(...)
Pela noite, bem antes de deitar-me e assim começar o sonho da minha vida, gostava sempre de dirigir-me a varanda para fumar o meu cachimbo de familia, e assim observar o cair da noite na cidade.
Tudo permanecia igual desde a 20 anos, pelos que eu me lembra-se, apenas as pessoas mudavam em si, umas porque nasciam, outras porque ja haviam morrido, ou entao existiam aquelas que apenas tinha viajado a procura de vida melhor que aqui ja nao proporcionava-se. Beafort, era uma cidade pacata, mas perdida no tempo.
Com todos os meus pensamentos abstractos, nem dei conta de uma presença feminina no meu espaço.
Larguei logo o cachimbo, pois havia uma acção pelo qual eu queria proporcionar a jovem.
Corri pelas escadas e abri a porta onde cheguei ate ela em seu auxilio, ela estava muito maltrata e de certo estava inspirava cuidados.
Aproximei-me um pouco nao a querendo assustar, dado que ela estava muito agitada. O seu olhar era trémulo e carregado de tristeza.
O meu instinto dizia a mim mesmo que era a hora de ser util, a salvação de alguem, se um dia eu nao pode salvar o meu pai ou a minha mae, hoje poderia salvar a vida de alguem.
- Desculpe, deixe-me ajudar! Creio que nao esteja bem! - fui o mais delicado possível.
Ela nao dava resposta, apenas expressava o seu crer pelo gesto de caminhar na minha direcção. Peguei docemente na sua mao e a transportei ate a minha humilde residência.
Ja na sala sentado no seu lado, pedi a Jacinta que prepara-se alguma coisa para que ela pudesse comer e um bom banho quente para relaxar, dado que nao ia deixar desamparada.
- Nem sei se é correcto fazer isto por mim! - desabafou ela deixando-me encantado com a sua voz límpida.
- Incorrecto era deixa-la sozinha no seu estado! O meu nome é Edward Masen, ao seu dispor. - beijei a sua mao, como um verdadeiro cavalheiro.
- É muito gentil, senhor Masen!
Nao gostava quando alguem apenas tratava pelo meu apelido, quer dizer nao eu desvaloriza-se a minha familia, mas so porque suava a velho, coisa que ainda nao sentia.
- O meu nome é Lucy Platt! - sorri ao saber.
- O banho da menina ja esta pronto! - avisou Jacinta.
Levantei-me e Lucy acompanhou-me nesse gesto, sendo desde logo encaminhada pela minha governanta ao seu devido abrigo.
Lucy nao era o tipo de mulher pelo qual procurava para a minha vida, esta era tanto ou quanto igual a mim, carregada de tristeza e magoa do passado. Contudo voltei uma vez mais para o banquinho do meu piano, e voltei a tocar, saindo assim um melodiar sereno.
O tempo foi voando assim, e quando nao esperava ela ja estava ao meu lado, quieta e serena ouvindo e sorrindo. Nesse instante parei de tocar.
- Porque paras-te? Tocas muito bem!
- De facto... porque nao sei. - riu-se. - Obrigada por de alguma forma estares a gostar da minha melodia.
- Ora essa eu é que preciso de agradecer o gesto carinhoso que fizes-te por mim.
Peguei nas suas maos, olhei bem nos seus olhos.
- Tu mereces isto, como qualquer outra pessoa.
- Nao sei!
Ela baixou o seu olhar, que eu vi-me obrigado a ergue-lo levantando o seu rosto delicadamente.
- Acredita que toda a gente tem o direito de ser feliz, nem que seja um vez na vida! - ela acenou em concordancia.
Havia alguma coisa nela que nao a deixava completamente a vontade, como se algum medo a persegui-se. Eu nao tinha nada haver com a sua vida, porem ainda, mesmo conhecendo o mínimo de alguem, preocupava-me.
- Lucy! - chamei por seu nome. - Eu sei que nao tenho que estar a intrometer-me na tua vida, e que sabes o que fazes dela, contudo preocupa-me o teu estado, sinto que existe ai alguma coisa que nao te deixa feliz.
Fez-se um puro silencio, ouvindo-se apenas os grilos cantando no exterior da rua.
Ela estava no seu direito se nao quisesse prenunciar o assunto que de alguma modo a deixava com receios, mas caso contrário tambem como homem estaria aqui para a ouvir e ajudar em tudo o quanto pudesse.
- Edward, a minha história é tao... simples, tao sofrida, que nem sei se vale a pena falar no quanto mal passei nas maos dele.
- Dele quem? - perguntei.
Eu ia ate ao fim para ajudar, se necessário.
- Jorgio, era o meu noivo! Ele era extremamente violento, batia-me todas as noites e sempre que bebia a pancadaria era pior. - ela deitou uma lágrima. - Quando eu protestava a minha dor, ele sentia que devia bater mais. - ela sorriu com desdém. - Cheguei muita vez a pedir a minha mae para que tirasse-me deste sofrimento continuo que era o meu noivado, mas o que ela dizia, era que era normal, uma fase de um casal, entao eu seguia sempre a sua sugestão, mantendo-me quieta, esperando a pior hora.
- Aqui nao vai acontecer nada disso, eu vou proteger-te!
- Ninguem pode proteger-me por muito tempo, ele consegue sempre tudo o que quer, nem que seja matando.
- Isso nao vai acontecer, eu prometo!
Ela soltou um suspiro de alivio, e num impulso abracei. A minha promessa, tornava-se cada vez mais credível aos seus olhos.
- Um homem tao bom a querer proteger uma mulher como eu! Só pode ser um sonho! - sorri, afagando os seus cabelos.
Um sonho garantidamente que nao era, tudo o que estava acontecer era real, e Lucy era a porta do meu novo caminho, para que de alguma forma abri-se as portas da protecção, e as janelas da felicidade.
- Nao é um sonho, é a realidade que toda a gente, inclusive tu, merece uma 2 oportunidade!
Abracei uma vez mais, agora convicto da minha coragem. Assim se traçava uma nova era para um Masen, perdido no tempo, e mesmo ja nem sabendo ja estava feliz, so de poder ajudar a deixar outro alguem melhor.

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