Quando acordei vi um sol tao brilhante que lembrei saltar da cama e pegar na prancha, para apanhar as minhas ondas favoritas.
Vivia em Arizona, um lugar perfeito para uns, para outros nem tanto, dado que haviam sempre pessoas esquisitas, reclamando por tudo e por nada.
Sai de casa a correr e como era de prever a praia estava completamente deserta, tal como eu gostava, tendo sempre suas ondas gigantes.
Fiz um aquecimento primeiro, relaxando um pouquinho antes de dar por inicio a minha actividade tao privilegiada. Pouco tempo depois ja estava dentro de agua, nadando ate a zona de rebentação, e assim começar o jogo de equilíbrios.
Se havia alguma sensação boa? Eu, Esme Anne, responderia que fazer surf, porque para alem de ser um desporto, era algo que fazia com que eu me sentisse um verdadeiro golfinho acompanhando as suas ondas.
Ao fim de apanhar todo o pequeno bocado do mar maravilhoso, apenas para mim, sai da agua, deixando assim cair no cimo da areia, completamente cansada.
Quando se vinha para nadar neste lugar era melhor com companhia e como era óbvio tinha sempre as suas vantagens em parte, visto que acabava tudo por ser mais divertido, e claro assim teria outras formas novas de realizar competições, ou simples risadas. Mas por outro lado tinha as suas desvantagens, porque assim que fizéssemos algum erro, ninguem estaria por perto para rir, e ao mesmo tempo ninguem para acudir.
Fechei os olhos e pouco tempo depois os voltei abrir, ficando assustada com aproximação de uma sombra na minha direcção. Levantei-me num impulso, temendo horrores, de ser um ladrão, porem ao debruçar o olhar no homem que estava a provocar o meu medo, fiquei pasma. Era um surfista perfeito.
- Olá! Desculpa se te assustei! - falou no momento em que pousava a prancha na areia.
- Olá! Por acaso assustou sim, pensei que fosse um ladrao a chegar! - ri baixo, e ele por sua vez, riu-se tambem das minhas palavras suadas a cómico.
Nunca tinha visto este rapaz antes, mas lá que ele era lindo, lá isso ele era, e tinha cá um físico, de meter os rapazes de Arizona a um canto.
- De facto aqui sozinha nao é muito seguro! - comentou.
Ai que simpatia que ele era e muito protector. Nesse mesmo bocado de troca de palavras, ele inicio o seu aquecimento.
- Entao, mas eu nunca te vi por aqui antes, quer dizer nao que eu tenha algo a meter-me... - tentei levar a minha curiosidade ao extremo brando.
- Nao, por acaso é a primeira vez que venha nesta praia. Normalmente ando por outras bandas.
Entao ele era um surfista dos quatro quantos, maravilhoso mesmo era poder conhecer alguem assim.
Ele nao falou mais nada, pegou na sua prancha e simplesmente entrou dentro de agua. O seu modo de fazer os manuseios de equilíbrio eram bem ousados, pelo menos eu nao conseguia fazer nada assim.
Fiquei a observa-lo por algum tempo, a ver como tao facilmente ultrapassava seus minimos obstáculos. No fim do seu espectáculo aplaudi, e ele foi saindo da agua, vindo mesmo na minha direcção.
- Tu arrasaste! - gritei.
- Oh obrigada! Sabes isto ja é espontâneo! - falou ele ao pousar a prancha e deitar na toalha.
- Nossa é maravilhoso, adoraria um dia desses competir contigo!
Ele ficou pensativo e logo olhou para mim sério.
- O que foi nao gostas-te da ideia?
Ok, eu tinha mesmo precipitado, claro que nao tinha a minima chance de ganhar, a quem fazia isto ate de olhos fechados, ou entao nao voltaria a encontra-lo.
- Competir contigo? - perguntou rindo. - Nao desvalorizo o teu surf, porque pelo que vi, fazes muito bem!
Fiquei feliz ao saber que tinha potencial na minha actividade favorita.
- Sim competir! A serio que estives-te apreciar o meu surf?
- Sim, és muito perfecionista, e claro que seria um grande prazer competir contigo. - apertou a minha mao. - Sou o Carlisle, mas se quiseres podes tratar-me por Carl.
Carlisle era o nome do rapazao bonito. Estava em busca de realizar um sonho, de poder mostrar a mim e acima de tudo ao mundo que uma mulher tambem tinha o seu valor, embora nunca sabendo e assim mostrar que uma mulher era mais do que aquilo que imaginava.
- Prazer é meu Carl! - ri-me, o seu nome suava a macho. - Sou a Esme Anne.
Ele sorriu. Abaixei-me para ver as horas e fiquei surpresa quando vi que ja passava do horário de almoço, que ainda por cima tinha a minha mae e as minhas duas irmãs Pietra e Ariela a minha espera.
- Tenho de ir! - desabafei triste.
- Eu acompanho-te ate a estrada, é que eu tenho o meu carro ai perto. - falou.
Cedi ao seu pedido e caminhamos juntos pelo arial seco, mas fresco. Nesse pequeno bocado de trocas de pés, ele dialogou comigo sobre tantas e diversas coisas, tais como a sua paixão pelo surf, enfim de tudo o que ligava o mar ao homem.
Nunca imaginava conhecer alguem assim, tao simpático e ao mesmo tempo tao diferente de todos os rapazes que tinha conhecido. Alias tinha namorado bastante tempo com Charles, o menino riquinho e mais cobiçado pela meninada, que so via a sua frente a porcaria do futebol. Por isso é que a nossa relação deixou de ser o que era, claro nao havia carinho que um casal precisava, nem gestos de amor e eu acabei mesmo por agarrar-me as boas coisas da vida, sem ninguem para me impedir, deixando para tras o passado, morto e enterrado.
- Bom parece que o caminho acabou! - comentou.
- Parece que sim! - sorri.
Tinha pena de ir para casa e deixar de o ver, mas tinha de ser, eu tinha de voltar, tanto que nao valia a pena, mesmo abrir uma guerra com a dona Anne.
- O melhor mesmo é combinar-mos desde ja a nossa competição! - relembrou do meu pedido desta tarde.
- Pode ser para amanha isto claro se poderes...
Fiquei seriamente a espera que ele confirma-se a minha sugestao.
- Amanha entao! - sorri super animada e ao mesmo tempo ansiosa para que as horas passassem.
(...)
Entrando em casa, o Carl nao saia da minha cabeça, quer dizer eu nao estava apaixonada, porque nao era mulher de encantar-me facilmente, porem estava muito ansiosa pelo fim do dia, pela noite e novamente pelo dia, pois voltaria a ve-lo.
- Esme onde é que andas-te? Ve lá tu que ate pedi as tuas irmãs para procurarem por ti! - falou a minha mae tirando o meu pensar das horas.
- Estava na praia apanhar umas ondas! - afirmei.
Ela arregalou logo os olhos e percebi perfeitamente logo que ela nao aceitava essa justificação.
- Ok tambem conheci um rapaz que bom, que tambem gosta de surf! - ela sorriu.
A dona Anne estava sempre com ideias de quanto arranjar um namorado, contudo realçava sempre o meu bem estar livre tal como era, porem pensarem isso era como pensarem maldades acrescidas. Caramba estávamos no século XXI, nao no século XIX, em que os pais arranjava obrigatoriamente os noivos para as filhas, e que uma mulher nao podia viver sozinha.
- E esse rapaz é de boas familias? As suas intenções sao boas?
Nao estava disposta a interrogatórios nesta hora. Ok ja bastava o meu pai como policia, e a minha irmã mais velha que era investigadora criminal.
- Mãe...
- Mãe nada, eu quero saber, afinal nao se pode confiar no primeiro homem que aparece!
Lá vinham os bem conhecidos costumes de uma familia bonita.
- Ele é so um amigo pelo qual conheci esta manha na praia! Achas mesmo que sou alguma tola, quer dizer pensei que confiasses mais na tua filha.
- Em ti confio absolutamente!
- Entao nao tens com que temer. - respondi, saindo da sua frente, entrando assim na casa de banho e a seguir tomar um duche bem quente.
A agua caia sob os meus ombros em cascata, o que em parte sabia tao bem e era relaxante.
A minha mae dava comigo em doida, e o tempo todo gostava de colocar a minha cabeça a prémio. Estava farta de afirmar a toda a gente que nao era um troféu e que algum dia se algum rapaz me conquista-se o meu coração duro, feito pedra, era porque merecia e porque esse mesmo alguem era a pessoa indicada, nao pelas qualidades financeiras ou económicas, mas pelas qualidades psicológicas que um homem podia ter.
Sai do banho, passei o meu creme e dei uma vez mais comigo a pensar na manha, porem quanto mais fizesse isso, mais o tempo custava a passar, e assim a minha tarde seria mais tediosa.
Alguem bate a porta.
- Quem é?
- Sou eu a Pietra!
Pietra era a minha irmã do meio, e a unica que facilmente entendia parte das minhas revoltas. Abri a porta para ela.
- Ouvia a tua conversa com a mae, o que aconteceu? - ela estava com cara preocupada.
As minhas conversas com a dona Anne, ja eram tao rotineiras, que ate ja nem dava a minima importância.
- Hum deixa-me ver! - fiquei pensativa. - Queres saber o tema da conversa, ou entao o que levou ao meu atraso? - fui um pouco seca, talvez de modo injusto, pois ela nao tinha culpa do meu mau feitio, atribuído graças a minha mae.
- Calma Esme! Bom nao precisas de dizer nada, pela tua cara ja deu para perceber que o tema é a volta de homens! - ou menos ela era boa de decifrar caras. - Nem tudo o que ela fala é por mal. Ela mesmo tendo o seu jeitinho maluco, so quer que sejamos felizes.
- Mas sinónimo de ser feliz na cabeça dessa senhora, é ter dinheiro. - desabafei. - Toda a gente que me conhece, sabe o quanto sou apaixonada pelo surf e que ao mesmo tempo nao dou valor a esses detalhes.
- Eu entendo minha irmã, eu ja pensei dessa mesma forma que tu, embora ja se tenham passado alguns anos, a coisas que so mais tarde é que começamos a dar valor e ai a razao. - desabafou ela, de uma forma vivida.
- É! Pietra, mas tu tens um namorado perfeito, fazes o que gostas, enfim a tua vida enquadra bem no mundinho que ela desenhou para nos, percebes?
- Claro! - ela abraçou-me.
Conversar com Pietra fazia-me tao bem, nao que eu nao gostasse de desabafar com Ariela, porque gostava, mas ela tinha uma vida tao ocupada e distancia de mim, um pensar tao secreto e ainda por cima, andava muito atarefada com os preparativos do seu casamento.
(...)
Pela manha levantei-me mais cedo que o habitual, pois queria fazer um treino antes da competição.
Cheguei na praia e como sempre estava completamente vazia e ao mesmo tempo optima para mim.
Passei todo esse tempo da a espera na agua e quando finalmente vi ele chegar, sai para o receber claro e assim manter-mos o pé de igualdade. Ele trazia consigo um amigo, talvez para fazer de juri e assim nao haver as complicações de ver quem ganha.
- Olá Carl! - saudei ao aproximar-me dele.
- Olá Esme! - saudou ele. - Este aqui vai ser o juri na competição é o Emmett Mcartney.
- Prazer Emmett! - dei um aperto de mao, tal como uma mulher de negócios como sempre via nas minhas series favoritas.
- Preparem-se! - falou o jurado e pouco depois deu a partida.
Corri dentro de agua, nesse instante esqueci tudo, ate do facto de estar a competir. Fiz o meu melhor, so que ao tentar levantar e poder equilibrar sinto algo a cantar o meu pé e o cheiro a sangue tornar-se intenso. Eu comecei a perder as minhas forças, ficando apenas a flutuar.
- O que se passa Esme? Perdes-te a vontade? - perguntava Carl, que mais parecia estar longe. - Esme estas mesmo bem?
- Acho que sim, apenas doi muito o meu pé! - falei quase num sussurro.
Ele ao ouvir isso veio ate mim, nao sabendo como ele ajudou-me a equilibrar e juntos chegamos a margem, onde vi o grande golpe que o meu pé tinha.
- Que golpe tao grande, como fizes-te isso? - questionou Emmett nao percebendo nada do que se estava a passar.
- Nao sei!
Carl pegou no meu pé e ficou a um tempo a olhar e a mexer a ferida como se fosse um médico.
- A mim parece que esta praia esta cheia de perigos e que aconteceu a ti podia ter acontecido a outras pessoas. - ele falava muito convicto. - Eu consigo fazer um curativo aqui mesmo, ando com o carro sempre materiais de primeiros socorros.
- Mas tu és médico?
Ai que estupida que eu era claro que mais podia ser?
- Sou paramédico-socorrista! - sorri.
Ele ajudou a levantar-me e os 3 seguimos ate ao seu carro, onde fez o favor de curar-me e depois levar-me a casa.
So que ainda para vir mais um problema, é que a minha mae iria fazer uma tempestade so como o meu curto acidente, mas enfim tinha de aguentar, nem era a minha familia, e alem de mais do que a minha história de continuar surf so ia manter-me mais intensa e claro nao ia desistir da competição, pois hoje podia ter acontecido um azar, porem na próxima nao haveria.

Fazia tempo que queria ler essa one, mas nunca que tinha tempo. Agora tive,ehhhhh!
ResponderEliminarAcho tão lindos Esme e Carlisle juntos, são tão fofos!!!
Quem diria essa Esme adolescente danadinha no surf, hein? Aposto que a mãe até desistiu de ficar de cabelo em pé, porque tem coisas que não se muda, não é? Se ela tentasse impedir, aí sim que ela iria de pirraça, ehehehhe.
Mas não é que o Carlisle escolheu justamente a praia deserta que ela frequentava pra dar um pulinho? Destinho: seu safadinho lindo, ehehhe.
Bem, ela tem razão de fiar empolgada vendo ele surfando, ele é super lindão e com certeza empolgaria a todas surfando, não? Até as mulheres que não gostam de surf parariam só pra dar uma olhadinha: aposto!!!
Vish, mas ela mau conheceu o rapaz e a mãe já quer casá-la? Medo dessa mulher, hei? Quer mesmo que a filha saia de casa, que horror!
Acho que Esme nunca quis tanto na vida que um dia nascesse, ehehhe.
E eis que ele levou até um juiz, hein? Mas que moço precavido, ehehhehe.
Juro que achei que era um tubarão ou uma arraia, não sei, que medo! Ainda bem que ela ficou boa! :D
Mas é não é que ele sendo médico a mãe dela pode achá-lo um bom partido, hein? Aposto que vai dar pano pra manga, ehehehhe
Eu amei a fic, achei uma fofura!!!
Agora esse comentário a mais você pode apagar se quiser, é na verdade sobre uma coisinha escrita que eu já errei muito também, e é para te ajudar a não errar também, ok?
ResponderEliminarVocê colocou o Carlisle agradecendo e falando "obrigada", mas na verdade seria "obrigado". É que assim, independente de ele responder a um homem ou a uma mulher ele tem de responder no masculino, pois a condição de agradecimento vem dele, que é homem.
No caso, se fosse a Esme ao responder, aí não importaria se fosse a um homem ou a uma mulher também, no caso dela seria "obrigada", porque ela é mulher e a condição de agradecimento dela é feminina.
É mais um auxilio mesmo, não leve como uma critica mau intencionada, viu? É pra ajudar mesmo porque eu fazia muitas dessa até que uma amiga me corrigiu. Eu até deixei em comentário separado pra você poder apagar depois sem crise.
Beijinhos e realmente amei a one!! :D
Esme é uma menina aventureira nessa fic, e na verdade as ondas da praia são a sua verdadeira paixão. É certo que a mãe teve sempre um declive para não deixa-la fazer isso, mas é como você mesma disse, não vale a pena, é quando a gente faz pior.
ResponderEliminarE sim, o destino é uma coisa que a gente agradece quando, claro tudo é para acabar bem, porque acabando mal, oh minha nossa então é cá uma crise que fico logo desiludida com ele.
Claro, Carlisle é cá um homem de não há palavras, porque os olhos já comem, não? haha verdade mesmo é que foi perfeito aquele contacto entre ambos, aquela corrida por vem quem vencia, aquela vislumbrante cena, era de conquistar qualquer um por ali.
Mas parece que o destino desta vez deu um emporram desnecessário e Esme magou-se mesmo, mas ainda bem que ele era médico e ajudou.
Quanto a mãe, olhe, melhor deixar essa mulher para lá, porque bom, ela está bem interessada em ver a filha patinar para fora e se ver bem com a vida de casada. Qualquer outra mãe não seria assim tão frontal, mas esta era uma mãe diferente.
Beijinhos e obrigada mesmo por essa nota, terei toda a maior atenção a esse pormenor. É por isso mesmo que espero sempre que me alerte com criticas construtivas.
Beijinhos