Estava um dia de chuva, nao podia sair na rua e brincar como as outras crianças, apenas tinha de permanecer no interior da minha casa, observando o gotejar da chuva miuda no solo dos campos, que o meu pai Silvestre cultivava.
Qualquer outra pessoa arranjaria uma nova diversão, esquecendo assim a tristeza do dia, mas eu nao, quer dizer nada despertava em mim a vontade de brincar. Eu era uma menina do campo, que precisava de interagir com ele para estar feliz.
Alguem bate a porta do meu quarto, viro-me para ver de quem se trata e vendo a minha mama, vou a correr ate ela feliz. Ela acabava de chegar de mais um dia de trabalho arduo na casa de chá da cidade.
- Entao minha linda? - perguntou ela no momento dócil do abraço, abaixando-se e ficando a olhar nos meus olhos.
Perdia-me por completo no azul intenso do seu olhar, que fazia lembrar os tempos raros que saiamos aos domingos, em grandes passeios de barco, nas aguas cristalinas do mar.
Ela nao estava a perceber o que eu queria dizer, pois eu entendia isso atravez da sua expressão carregada.
- O que aconteceu? Fala para mim! - pegou-me na minha mao e ajudou-me a sentar na borda da cama, visto que estava era um pouco alta.
- Hoje esta a chover, nao posso brincar na rua, como sempre gosto, e alem disso estar dentro de casa é muito aborrecido.
Ela nao disse nada.
- Eu ja sei que vais dizer que existem muitas coisas pelas quais podemos fazer, mas respondo desde ja que nao sou como as outras crianças que ficam animadas com qualquer coisa.
Ela continuava em silencio, mesmo ouvindo da minha boca, as palavras transformadas da sua que apenas pensadas.
- Jane! Reconheço toda a tua vontade, todo o teu desejo, e acima de tudo a tua grande tristeza por sentires-te injualda nestas 4 paredes.
- Entao se entendes nao vais julgar!
Ela sorriu, isso para mim ja queria dizer alguma coisa de bom.
- Vem comigo!
Puxou pela minha mao, abrindo a porta e levando-me ate ao velho sótão, que so estava carregado de coisas velhas, que a mae sempre dizia, terem sido recordações de uma infancia feliz.
Remexi em algumas das caixas abertas, a minha mae, apenas permancia com a sua postura observadora.
No meio deste feiral de objectos apenas encontrava vestidos, livros, bonecas, flores secas, enfim uma serie de coisas, um tanto ou quanto antiquadas.
- Nao sei o que há aqui que me possa deixar mais feliz! - desabafei.
- Procura bem! - insistiu.
Voltei ao mesmo exercio de remexer a caixa, e uma vez mais estava sem entender, eram os mesmos objectos, ate encontrar no fundo de um velho caixote, uma pequena caixinha de madeira azul clara, com um desenho de uma flor.
Olhei para a minha mae a procura de pistas, mas ela simplesmente estava a sorrir, entao deduzi que fosse este o objecto pelo qual ela insistia na procura. O problema neste caso, era entender qual a sua utilidade, e saber qual a mudança que ele podia provocar em mim.
Voltei as minhas questoes a minha mama, mas ela simplesmente responde:
- Abre!
Fiz o que me pedia, abrindo muito lentamente a caixinha e começar a ouvir o suar de uma melodia.
Inicialmente tomo um susto, acabando por fecha-la de um modo violento, contudo depois de alguns segundos, cheguei a conclusão certa.
- Uma caixinha de Música!
- Sim, mas nao é uma qualquer, essa é especial!
Nao via nada nela que a diferencia-se das outras, pelo contrário, o aspecto era tao antigo e tao vulgar.
- Mãe, esta é igual as outras! - insisti na minha teoria.
- Estéticamente ate pode ser igual, mas o que se sente nao se ve!
Continuava sem perceber, neste caso era completamente igual ao meu pai, raramente entendiamos alguma coisa, quando sujeita a enigmas complicados como a mama os impunha.
- Fecha os olhos e mantem-te em silencio!
Obedeci a todas as suas indicações. Começei a sentir uma leve entrada no mundo harmonioso. A melodia era tao bela, que pareciam anjos a tocar harpas em aqueles famosos recitais da cidade.
Estranhamente valorizada o verdadeiro sentido das suas palavras, que realmente so se conseguia sentir aquilo que nao se via.
Voltei abrir os olhos e o ecuar da melodia terminou.
- Entao, o que achas-te?
Nao tinha palavras para descrever o quanto essa pequena coisa, tinha-me deixado mais feliz.
- Ja estou a ver que gostas-te! - comentou.
- Sim, gostei é realmente especial.
Ela abriu um grande sorriso. A minha mama, sabia tao bem agradar-me, como deixar feliz com simples objectos.
(...)
Dias foram-se passando, e continuar a ouvir a melodia, tornou-se uma rotina para mim.
Agora toda a gente, inclusive o papa, sabia qual o meu novo brinquedo e tambem a felicidade que sentia estando sol ou chuva. Apenas existia alguem que nao parecia muito feliz com o meu novo passatempo, o Alec, que assim sendo perdia parte das minhas atenções em suas parvoices.
- Jane, tu agora nao me ligas nenhuma! - resmungou ele ao aparecer na porta do quarto.
Nao respondi,estava tao vidrada no que ouvia que o facto de retirar a minha atenção seria como perder a corrida das notas.
- Jane! Estas a ouvir-me?
Mantinha a minha posição de ouvinte, ate o meu irmao Alec decidir entrar pelo quarto dentro e deitar a minha caixinha ao chão, ficando assim meio quebrada.
- Olha o que fizes-te! Partis-te a minha caixinha. - gritei com ele, saltando da cama para o chao, e tentando de algum modo monta-la.
Eu chorava copiosamente, porque a unica coisa pelo qual andava a deixar-me feliz estava, havido sido destruida.
Olhei para ele que estava em silencio e com um sorriso matreiro.
- Nao dizes nada! Eu vou contar a mama e ao papa, e depois vais ver o castigo!
- Achas mesmo que o papa vai deixar-me de castigo? - riu-se da minha cara.
Cruzei os braços, vendo que a minha ameaça nao estava a surtir efeito.
Entao vendo que ja nao tinha nada a perder, começei uma luta de irmãos. Ele puxava o meu cabelo, eu puxava a sua orelha, depois pegava nas minhas almofadas e tentava a todo o custo derruba-lo.
- Meninos! O que se passa aqui? - era a voz da mama. Alec parou e eu tomada pela raiva, continuei a bater-lhe.
- Jane, ja chega!
Obedeci a sua ordem. Cruzei uma vez mais os braços e baixei o olhar.
- Alguem aqui pode fazer o favor de explicar o que estava acontecer neste quarto?
Olhamos um para o outro. Eramos muito teimosos nas horas das brigas, mas quando era momento de levar um perdao da mama, a nossa postura mudava, ate pareciamos anjos.
- Estou a espera!
- Fui eu que entrei no quarto da Jane, e deitei ao chao a sua caixa de música. - iniciou o relato ele.
- E depois tomada pela raiva de perder o meu novo brinquedo, começei a luta. - conclui.
- Mama, vamos ficar de castigo?
Ela ficou uns minutos em silencio, Ja estava mesmo a ver, que quando ela demorava muito tempo para responder, era porque ja imagicava um novo inferno em miniatura.
Bolas ja nao bastava ficar sem o meu brinquedo que agora ainda tinha de sofrer mais nestas 4 paredes?
- Alec! Jane! - mencionou os nossos nomes. - O que voces fizeram nao foi certo, por isso...
- Ja sei vamos ter de ajudar-te nas tarefas de casa, ajudar o papa.
Fiquei atónica com a intervenção do Alec.
- Deixas-me acabar de falar! - resmungou ela.
- Claro!
O meu irmao gostava pouco de ser contrariado e por vezes ignorado.
- Ja foi para ti minha querida ficares sem o teu brinquedo, porem eu falarei com o papa e daremos um jeito de concerta-lo. - fiquei feliz. - E quanto a ti Alec, deste-me uma excelente ideia.
- O que?
- Vais ajudar-me nas tarefas de casa e dar uma ajudinha ao papa.
- Isso nao é justo!
- Justissimo! Va agora vamos que preciso de ajuda com o jantar!
Ela pegou na sua mao e sairam do meu espaço. Estava agora sozinha a olhar para os cacos e uma vez como tantas outras as minhas lágrimas voltaram.
Gostava tanto deste novo objecto que agora o facto de nao ter, era como voltar a infelicidade dos dias chuvosos.
O silencio era tao grande que ate dava para ouvir a chegada do papa.
Fui a correr ate a porta para o receber com um grande abraço, no instante seguinte estava a puxar por ele ate ao meu quarto para mostrar o estado da caixinha. Ele por sua vez ficou a examina-la.
- Entao papa tem concerto?
- Tem, alias vou tratar disso! - fiquei um pouquinho mais animada por sabe-lo.
(...)
Estavamos todos a mesa, quando o papa aparece na cozinha, com as maos atras das costas. Eu ficava logo desconfiava quando ele fazia isso, pois ja sabia que eram sempre presentes para nos.
- Papa o que escondes? - perguntou Alec.
- Eu nao estou a esconder nada! - sorriu.
Chegou ate mim e pediu:
- Jane, filha fecha os olhos!
Olhei para a mama, percebendo bem a lógica dos gestos.
- Esta bem!
Fechei os olhos tal como pedia e o objecto foi pousado na mesa, seguido de uma melodia. Esta nao era uma qualquer, era a minha, aquela pela qual eu julgava perdida.
Abri os meus olhos e realmente fiquei mesmo muito encantada, que nem encontrava palavras para expressar, o quanto estava grata.
Simplesmente subi na cadeira e o abraçei tao forte, sussurando ao seu ouvido:
- És o melhor pai do mundo!
- Pois claro quem ofereceu primeiro a caixinha fui eu! - falou a mama que tinha ouvido o meu sussuro.
- Tu tambem és a melhor mae do mundo! - abracei ela.
- Pois claro e eu sou o parvo da familia!
Rimos todos com o comentário maluco do meu irmao.
O meu problema estava resolvido,a minha felicidade devolvida, a tranquilidade seria ate quando algumas pessoas quisessem.
Esta era a minha familia, a minha vida.

Oh que One tao linda, Caixinha de Música.
ResponderEliminarE a Jane tao fofinha, meu deus como ela é tao diferente nas suas fics menina. Bom na verdade ela e sempre discrita de um modo tao ruim.
Parece Magia que o seu dia tenha mudado, como uma mae conhece sempre um filho, ne verdade?
Ai Alec foi muito mau com a sua irmão ao quebrar a caixa, mas bom mesmo foi o papai dela ajudar a concerta-la.
Amei
Beijos
É, sabe que nao é a primeira pessoa a dizer isso? kkk tem gente dizendo a mesma coisa.
EliminarSim, uma mae conhece sempre bem um filho, quais as coisas que o fazem feliz ou infeliz.
Alec nao mau menino, apenas queria atençao da irma, e no fim de contas acabou por estragar aquilo que ela tinha de bom. Mas tem razao ela teve mesmo sorte com o facto do pai ter conseguido arranjar o estrago.
Ainda bem que gostou, fico muito feliz.
Beijinhos :D