Capitulo 26 - Volta de Jasper
David
Estava um dia triste de chuva que pouco dava para trabalhar com as plantas do exterior, entao decidi que hoje trabalharia as plantas da pequena estufa, que eram mais delicadas e mais vulneráveis ás mudanças extremas do tempo aqui em Forks.
Peguei no meu regador e deixei-me trabalhar, nunca percebendo a entrada de alguem neste lugar, so mesmo dando por isso quando me sao colocadas as maos a tapar a minha visão, ficando tudo escuro e macio ao mesmo tempo, por causa do um toque suave que nem veludo.
- Alice!
Soltou as maos e veio para a minha frente com uma cara diferente daquela que estava habituado a ver que era mais alegre, mas desta vez mais triste, frustrada, era como se tivesse passado alguma coisa que eu ainda nao sabia o que, porem que a deixasse desse modo.
- Passa-se alguma coisa? - perguntei, ficando preocupado.
- Nao, devia passar?
O seu modo de falar tambem estava diferente, mais frio, distante. Nao conseguia entender o que tinha mudado em tao pouco tempo. Nao reconhecia este seu lado, nao era normal nela, nem de perto, nem de longe e alem de isso, nao era a outra, pois agora melhor que nunca sabia as diferenciar.
- Tens a certeza que nao se passou nada? É que estas tao diferente!
- Ja te disse que nao. Estas enganado, eu sempre fui assim.
- Nao! Eras mais doce, carinhosa, agora estas amarga.
Ela virou a cara que em outro tempo nao o faria. Entao agora as minhas duvidas eram certezas.
-Tenho de ir! - falou ela ao afastar-se de mim.
Fiquei apenas a observar a sua distancia, a sua diferença. Como alguem podia ficar assim? Como alguem que nos amava, podia agora quase parecer nao amar? Será que se tinha passado alguma coisa ontem, na minha ausência? Será que ela andava ressentida com o facto de eu nao ter dado toda atenção que ela merecia? Ok tudo bem, eu ate podia ter falhado um pouco, mas nunca, nunca mesmo, ela tinha exigido tanto de mim como eu pensava que era isso que ela queria.
- Alice nao vás.... - mas ja era tarde para suplicar a sua permanência.
Jasper
As ultimas noticias nao estava a ser bem digeridas por mim, ainda batiam como puras mentiras no meu intimo, porem nao eram verdade e pior de tudo mesmo, era sentir que uma vez mais aquela sombra da mentira pairava na minha cabeça. Era claro que quando chegasse em casa pederia todas as satisfações, incluindo todos os exames do meu filho. Esse era o meu direito enquanto pai.
Passei pelo corredor extenso que dava livre acesso aos quartos dos doentes internados, e claro que ao abrir a porta do quarto nº206 vi o meu filho sentado na cama com um sorriso nos lábios, pelo qual senti na obrigação de fazer o mesmo, pois nao o queria preocupar, dado que ele era apenas uma criança e que precisava de estar confiante na sua recuperação.
- Olá campeao! - falei ao aproximar-me da sua cama.
- Olá pai! - respondeu ele abrindo os braços para me abraçar. Correspondi nesse gesto tao especial, tao único e apenas nosso. Contudo, Simão era bem mais esperto do que eu imaginava. - Pai! - deslarguei do seu abraço, ficando apenas a olhar bem nos seus olhos grandes, mas profundos. - Eu ja me sinto muito melhor, alias nem vejo a hora de poder andar por ai e dar-te a minha mao nas nossas caminhadas.
As suas palavras estavam carregadas de vontade e de força, porem era ai que eu ficava cada vez mais perdido e mais desiludido comigo mesmo, por nao ser capaz de falar ao meu filho que ele estava de algum modo limitado. Era nestas horas que a Alice mais fazia falta. Receber um conselho, uma palavra amiga, ajudavam muito e talvez ai encontrasse sempre a solução correcta para parte dos meus problemas.
- Pai? - ele chamou uma vez mais por mim, so que eu nao conseguia responder, nao por nao querer, mas por nao conseguir mentir, porque nao era correcto. - Estas diferente! Eu estou muito doente ne? Nao vou andar nao ne? Eu ja sabia que nao podia ter ideias...
- Nao Simão! Nao é nada disso.
- Entao é o que? Eu ate posso ser apenas uma simples criança, mas eu entendo tudo a minha volta, mesmo voces tentem advertir do contrário. - ele falava convicto.
Era impossível continuar a esconder aquilo que ele ia acabar por saber, contudo era necessário encontrar uma forma sensata de dizer o que realmente estava acontecer. Ele ate podia ser uma criança forte, e isso eu sei que era, mas no fundo eu sabia que ele ia sentir essa dor pezar muito e com isso o seu maior isolamento.
Talvez estando em seu lugar, fizesse o mesmo, escondesse do mundo, porem isso tambem nao era solução e so ajudaria a que nos sentíssemos apenas mais sozinhos e ai pensar as loucuras de fim.
Relembrando a palavra "FIM", tanta vez tinha tido vontade de o fazer, de acabar com a minha vida, pois o meu coração ja estava morto naquele trágico dia, mas enfim nao ia mais lembrar isso, pois a minha Alice estava viva e comigo.
- Filho, eu vou falar aquilo que tu tens! - peguei na sua mao. - É claro que vais voltar andar, dentro de certos cuidados e vigias como é obvio. - fui explicando passo a passo.
- Isso quer dizer que nao tenho apenas so leucemia?
Fiquei um tempo novamente a encarar as paredes do quarto, buscando sempre mais coragem.
- O médico falou para nao te preocupares com nada porque isso vai acabar por passar.
- Estas a mentir! - engoli em seco.
- Nao... - suspirei, sentindo derrotado. - Esta bem! Filho! - peguei novamente na sua mao. - Tu sofres de um problema osseo raro, mas nao impossibilitante, é apenas limitativo. - ele estava com a lágrima ao canto do olho e conseguia sentir nele a força que fazia para nao a deixar cair. - É certo que a coisas pelas quais podes fazer e outras nao, mas ja é bom poderes andar e brincar, tal como sempre falavas.
Ele nada dizia, limitava-se apenas acenar com a cabeça. Passava constantemente a minha mao livre na sua nuca, dando sempre o carinho que ele necessitava.
Nesse instante ouvi alguem bater a porta, virei-me para ver de quem se tratava e vi uma mulher pelo qual nao conheçia e atras de si vinha o médico que tinha falado comigo acerca do mesmo problema do meu filho.
- Boa tarde! - falou ele, aproximando-se da cama e examinando o Simão.
A mulher permanecia quieta ao lado da porta olhando para mim, depois para o meu pequeno. O seu olhar era estranho, compremetedor e talvez familiar.
- Parece que ele esta a sentir-se muito melhor e claro que pode ter alta, e quanto ao resto... é necessária muita paciencia, cuidados e acima de tudo um bom seguimento desta prescrição...
Nao estava a tomar muita atenção ao que ele estava a falar, simplesmente seguia com os meus olhos a todos os movimentos nervosos das maos da mulher que ainda assim nao tirava os olhos da direção do meu filho.
- Sr. Jasper? Algum problema? - fui tirado a força da minha atenção, pelo médico.
Nesse mesmo instante a mulher parou de olhar no sentido que olhava e olhou simplesmente para mim, acabando por sair de seguida. A minha vontade nesse mesmo segundo foi de a seguir, no entanto, nao o podia fazer, alias tinha aqui o meu filhoe nao o podia simplesmente abandonar.
- Esta tudo bem doutor.
- Percebeu tudo o que disse? Quer que repita? - perguntou antencioso.
- Nao é necessário! - fui directo.
- Bom neste caso, desejo as melhoras e cuidado! - falou o médico dando um aperto de mao e saindo.
Olhei para o meu filho, sentei ao seu lado e questionei:
- Vamos embora campeao?
- Vamos, quero mesmo ir para casa, nao gosto de hospitais. - ri-me e ele fez o mesmo.
Alice Original
Estar nesta casa sem o Jasper era um inferno constante, os meus pesadelos nao paravam de surguir, e pior de tudo era o peso que sentia com o facto de ter feito aquilo que tinha feito.
O silencio desta casa assustava-me, as sombras, as musicas tocadas no piano pela outra deixavam muito amedrontada. Sentia-me diferente, mais sensivel e a eloquecer a cada segundo.
- Oh Jasper que falta me fazes! - comentei comigo mesma.
Sentei na minha cama e peguei em compremidos que usava sempre para dormir e fiquei um tempo a olhar para eles. Dormir apagava parcialmente as preocupações do dia, mas em voltando a estar acordada elas voltavam e o inferno tornaria arder sempre com a Maria por perto e aquela imagem daquele ser asqueroso tentando me agarrar a força e beijar os meus lábios.
Arrepiava-me toda a lembrar de tudo isso, levando sempre as maos aos ombros e encolhendo-me toda na cama, esquecendo os comprimidos de lado e ficar a olhar para tudo a minha volta, acabando por largar um ultimo olhar no meu telemóvel.
Peguei nele e corri a lista telefónica uma serie de vezes, nenhum numero era certo para falar, ate parar naquele que pertencia ao meu jasper e primir no botão de chamada. Ninguem atendia, caindo assim a minha tentativa na caixa postal e assim eu poder ter a oportunidade de deixar uma mensagem de voz.
David
Estava um dia triste de chuva que pouco dava para trabalhar com as plantas do exterior, entao decidi que hoje trabalharia as plantas da pequena estufa, que eram mais delicadas e mais vulneráveis ás mudanças extremas do tempo aqui em Forks.
Peguei no meu regador e deixei-me trabalhar, nunca percebendo a entrada de alguem neste lugar, so mesmo dando por isso quando me sao colocadas as maos a tapar a minha visão, ficando tudo escuro e macio ao mesmo tempo, por causa do um toque suave que nem veludo.- Alice!
Soltou as maos e veio para a minha frente com uma cara diferente daquela que estava habituado a ver que era mais alegre, mas desta vez mais triste, frustrada, era como se tivesse passado alguma coisa que eu ainda nao sabia o que, porem que a deixasse desse modo.
- Passa-se alguma coisa? - perguntei, ficando preocupado.
- Nao, devia passar?
O seu modo de falar tambem estava diferente, mais frio, distante. Nao conseguia entender o que tinha mudado em tao pouco tempo. Nao reconhecia este seu lado, nao era normal nela, nem de perto, nem de longe e alem de isso, nao era a outra, pois agora melhor que nunca sabia as diferenciar.
- Tens a certeza que nao se passou nada? É que estas tao diferente!
- Ja te disse que nao. Estas enganado, eu sempre fui assim.
- Nao! Eras mais doce, carinhosa, agora estas amarga.
Ela virou a cara que em outro tempo nao o faria. Entao agora as minhas duvidas eram certezas.
-Tenho de ir! - falou ela ao afastar-se de mim.
Fiquei apenas a observar a sua distancia, a sua diferença. Como alguem podia ficar assim? Como alguem que nos amava, podia agora quase parecer nao amar? Será que se tinha passado alguma coisa ontem, na minha ausência? Será que ela andava ressentida com o facto de eu nao ter dado toda atenção que ela merecia? Ok tudo bem, eu ate podia ter falhado um pouco, mas nunca, nunca mesmo, ela tinha exigido tanto de mim como eu pensava que era isso que ela queria.
- Alice nao vás.... - mas ja era tarde para suplicar a sua permanência.
Jasper
As ultimas noticias nao estava a ser bem digeridas por mim, ainda batiam como puras mentiras no meu intimo, porem nao eram verdade e pior de tudo mesmo, era sentir que uma vez mais aquela sombra da mentira pairava na minha cabeça. Era claro que quando chegasse em casa pederia todas as satisfações, incluindo todos os exames do meu filho. Esse era o meu direito enquanto pai.
Passei pelo corredor extenso que dava livre acesso aos quartos dos doentes internados, e claro que ao abrir a porta do quarto nº206 vi o meu filho sentado na cama com um sorriso nos lábios, pelo qual senti na obrigação de fazer o mesmo, pois nao o queria preocupar, dado que ele era apenas uma criança e que precisava de estar confiante na sua recuperação.
- Olá campeao! - falei ao aproximar-me da sua cama.
- Olá pai! - respondeu ele abrindo os braços para me abraçar. Correspondi nesse gesto tao especial, tao único e apenas nosso. Contudo, Simão era bem mais esperto do que eu imaginava. - Pai! - deslarguei do seu abraço, ficando apenas a olhar bem nos seus olhos grandes, mas profundos. - Eu ja me sinto muito melhor, alias nem vejo a hora de poder andar por ai e dar-te a minha mao nas nossas caminhadas.
As suas palavras estavam carregadas de vontade e de força, porem era ai que eu ficava cada vez mais perdido e mais desiludido comigo mesmo, por nao ser capaz de falar ao meu filho que ele estava de algum modo limitado. Era nestas horas que a Alice mais fazia falta. Receber um conselho, uma palavra amiga, ajudavam muito e talvez ai encontrasse sempre a solução correcta para parte dos meus problemas.
- Pai? - ele chamou uma vez mais por mim, so que eu nao conseguia responder, nao por nao querer, mas por nao conseguir mentir, porque nao era correcto. - Estas diferente! Eu estou muito doente ne? Nao vou andar nao ne? Eu ja sabia que nao podia ter ideias...
- Nao Simão! Nao é nada disso.
- Entao é o que? Eu ate posso ser apenas uma simples criança, mas eu entendo tudo a minha volta, mesmo voces tentem advertir do contrário. - ele falava convicto.
Era impossível continuar a esconder aquilo que ele ia acabar por saber, contudo era necessário encontrar uma forma sensata de dizer o que realmente estava acontecer. Ele ate podia ser uma criança forte, e isso eu sei que era, mas no fundo eu sabia que ele ia sentir essa dor pezar muito e com isso o seu maior isolamento.
Talvez estando em seu lugar, fizesse o mesmo, escondesse do mundo, porem isso tambem nao era solução e so ajudaria a que nos sentíssemos apenas mais sozinhos e ai pensar as loucuras de fim.
Relembrando a palavra "FIM", tanta vez tinha tido vontade de o fazer, de acabar com a minha vida, pois o meu coração ja estava morto naquele trágico dia, mas enfim nao ia mais lembrar isso, pois a minha Alice estava viva e comigo.
- Filho, eu vou falar aquilo que tu tens! - peguei na sua mao. - É claro que vais voltar andar, dentro de certos cuidados e vigias como é obvio. - fui explicando passo a passo.
- Isso quer dizer que nao tenho apenas so leucemia?
Fiquei um tempo novamente a encarar as paredes do quarto, buscando sempre mais coragem.
- O médico falou para nao te preocupares com nada porque isso vai acabar por passar.
- Estas a mentir! - engoli em seco.
- Nao... - suspirei, sentindo derrotado. - Esta bem! Filho! - peguei novamente na sua mao. - Tu sofres de um problema osseo raro, mas nao impossibilitante, é apenas limitativo. - ele estava com a lágrima ao canto do olho e conseguia sentir nele a força que fazia para nao a deixar cair. - É certo que a coisas pelas quais podes fazer e outras nao, mas ja é bom poderes andar e brincar, tal como sempre falavas.
Ele nada dizia, limitava-se apenas acenar com a cabeça. Passava constantemente a minha mao livre na sua nuca, dando sempre o carinho que ele necessitava.
Nesse instante ouvi alguem bater a porta, virei-me para ver de quem se tratava e vi uma mulher pelo qual nao conheçia e atras de si vinha o médico que tinha falado comigo acerca do mesmo problema do meu filho.
- Boa tarde! - falou ele, aproximando-se da cama e examinando o Simão.
A mulher permanecia quieta ao lado da porta olhando para mim, depois para o meu pequeno. O seu olhar era estranho, compremetedor e talvez familiar.
- Parece que ele esta a sentir-se muito melhor e claro que pode ter alta, e quanto ao resto... é necessária muita paciencia, cuidados e acima de tudo um bom seguimento desta prescrição...
Nao estava a tomar muita atenção ao que ele estava a falar, simplesmente seguia com os meus olhos a todos os movimentos nervosos das maos da mulher que ainda assim nao tirava os olhos da direção do meu filho.
- Sr. Jasper? Algum problema? - fui tirado a força da minha atenção, pelo médico.
Nesse mesmo instante a mulher parou de olhar no sentido que olhava e olhou simplesmente para mim, acabando por sair de seguida. A minha vontade nesse mesmo segundo foi de a seguir, no entanto, nao o podia fazer, alias tinha aqui o meu filhoe nao o podia simplesmente abandonar.
- Esta tudo bem doutor.
- Percebeu tudo o que disse? Quer que repita? - perguntou antencioso.
- Nao é necessário! - fui directo.
- Bom neste caso, desejo as melhoras e cuidado! - falou o médico dando um aperto de mao e saindo.
Olhei para o meu filho, sentei ao seu lado e questionei:
- Vamos embora campeao?
- Vamos, quero mesmo ir para casa, nao gosto de hospitais. - ri-me e ele fez o mesmo.
Alice Original
Estar nesta casa sem o Jasper era um inferno constante, os meus pesadelos nao paravam de surguir, e pior de tudo era o peso que sentia com o facto de ter feito aquilo que tinha feito.
O silencio desta casa assustava-me, as sombras, as musicas tocadas no piano pela outra deixavam muito amedrontada. Sentia-me diferente, mais sensivel e a eloquecer a cada segundo.
- Oh Jasper que falta me fazes! - comentei comigo mesma.
Sentei na minha cama e peguei em compremidos que usava sempre para dormir e fiquei um tempo a olhar para eles. Dormir apagava parcialmente as preocupações do dia, mas em voltando a estar acordada elas voltavam e o inferno tornaria arder sempre com a Maria por perto e aquela imagem daquele ser asqueroso tentando me agarrar a força e beijar os meus lábios.
Arrepiava-me toda a lembrar de tudo isso, levando sempre as maos aos ombros e encolhendo-me toda na cama, esquecendo os comprimidos de lado e ficar a olhar para tudo a minha volta, acabando por largar um ultimo olhar no meu telemóvel.
Peguei nele e corri a lista telefónica uma serie de vezes, nenhum numero era certo para falar, ate parar naquele que pertencia ao meu jasper e primir no botão de chamada. Ninguem atendia, caindo assim a minha tentativa na caixa postal e assim eu poder ter a oportunidade de deixar uma mensagem de voz.
- Jasper meu amor, sinto muito a tua falta. Assim que vires a minha chamada por favor liga para mim, preciso muito de ti. Beijos. Amo-te.
Desliguei e pousei o telemóvel na mesinha de cabeceira. Voltei a minha cabeça para o tecto, fechei os olhos e relembrei tudo o que o Maria falou, em tudo o que tinha feito, de todos os meus erros, de todas as minhas alegrias e tristezas.
Eu tinha feito muitas burradas na vida, eu isso nao podia negar e claro que a Maria sabia muito bem parte delas, mas ao contrário do que ela imaginava eu nao uma assassina, eu nunca faria mal a ninguem, e se algum dia tal acto acontecesse era apenas por mera defesa, nada mais.
Tinha sido acompanhante de luxo? Tinha, era a unica forma que eu encontrava para ganhar a vida, de ser feliz e cuidar de mim, no entanto ao contrário do que muitos podiam pensar de mim... o meu amor era o unico que nao tinha morrido e que mesmo estando fraco naquela epoca devido a distancia e ao sofrimento de ser pensada como uma morta, eu o amava. Contudo olhando agora para o presente, sentia nojo do que tinha sido capaz de fazer, de como simplesmente nao consegui ter coragem de voltar e viver a vida que eu sempre quis.
Eu era um ser fraco e sempre seria, porque nunca conseguia ter coragem de contar a verdade, de abrir o meu coração, ou colocar as cartas na mesa.
(...)
horas depois...
Estando no meu quase sono leve começei por ouvir um barulho de um carro a chegar, levantei-me e fiquei logo na ideia de ir a janela verificar a minha duvida. Olhei no reflexo da noite a cair e o carro dele a surguir, soltei um sorriso e sai a correr.
Ao chegar a porta vejo eles a sairem do carro, Jasper a ajudar o pequeno na sua pequena cadeira.
- Vamos campeao, a mama esta a espera! - fala ele sorrindo e a olhar para mim, eu aceno feliz por voltar a ve-los novamente em casa.
- Mama! - grita o pequeno Simão.
Corro ate eles nao resistindo mais a espera. Abraço o pequeno com tanta ternura e depois olho o Jasper dando o beijo mais que saudoso e depois um abraço tao forte que nao queria nem soltar.
- Alice calma, eu ja estou aqui. - falou ele ao tentar deslargar do meu abraço e ficar a olhar nos meus olhos.
- Eu nao estive tanto tempo assim fora.
- Para mim é como se tivesses uma eternidade.
Caminhei ao lado de sempre de braço dado e entramos em casa. Nesse momento Luisy atenciosamente levou o pequeno para dormir e Jasper ficou estranho. Peguei nas suas maos e ele simplesmente as deslargou.
- O que se passa meu amor? - perguntei nao entendendo a sua mudança repentina de saudade a distancia.
- Porque que mentis-te para mim?
Arregalei os olhos e fiquei quase que como um cubo de gelo.
- Nao estou a perceber!
Ele alisou o seu cabelo e sentou no sofá, eu sentei ao seu lado esperando entender as suas palavras. Ele tapou o rosto antes de poder voltar a proferir um dialogo, ate que olhou novamente nos meus olhos e falou:
- O Simão esta muito mais doente do que parece, ele nao sofre so de Leucemia, ele tem outro problema que é detetável durante a gestação... - ele baixou o olhar, e eu nao sabia nem o que dizer pois tudo o que ele estava a falar era novo para mim. - Ele tem ontogénese Imperfeita. Sabes o que é isso?
Engoli todas as suas palavras em seco. Nao tinha nem forma nem maneira de explicar nada, porque eu nao tinha conhecimento total da sua doença e muito menos dos aspectos que facilmente podiam ser detestáveis.
- Porque nunca me falas-te? Achas que era preferível eu descobrir tudo assim? - levantou-se e começou andar de um lado ao outro.
- Jasper... - levantei indo atrás dele. - Eu nao sabia que ele sofria de esse problema... - fui verdadeira, embora a minha sinceridade nao o muda-se em nada.
- Como nao? Alice nao me venhas com essa conversa, porque eu nao acredito nisso.
Parei de andar atrás dele, e baixei a minha cabeça começando a chorar. Uma vez mais ele estava a duvidar das minhas palavras e eu apenas estava a contar a verdade, eu jamais esconderia algo assim, tanto que so queria que o pequeno Simão ficasse bem.
- Eu nunca soube de nada, isso é verdade, agora tu acreditas no que quiseres! - falei entre lágrimas copiosas.
Doia muito ser confrontada desta forma tao injusta e tao sarcástica. Eu podia merecer muita coisa, ódio, nojo, mas desconfiança nesse ponto, nao.
- Vais me dizer que foste vitima de negligencia médica! - falou ele quase num sussurro sem olhar nos meus olhos.
- Sim, caso contrário nao teria motivos sobrios para manter uma mentira assim.
Ele nada respondeu, simplesmente ficou no puro silencio que esta casa fornecia, passando sempre as maos nos cabelos e sentando no sofá olhando a lua atravez do reflexo jogado no chao da sala.
- Acredita que nao doi so a ti saber essas coisas, eu sou mae e fico muito triste em ouvir que o meu filho esta doente a esse ponto. - silencio da sua parte. - Podes ficar descansado que vou cuidar muito bem dele, dado que a minha prioridade assim como a tua, é o seu bem estar, e mesmo tu desconfiando de mim, eu nao vou levar a mal, porque em teu lugar teria a mesma duvida, questionaria, no entanto nunca magoaria duvidando tanto das palavras que sao puras verdades. - ele soltou um olhar na minha direcção preparando-se para falar, porem fui mais rapida e continuei. - E antes que digas alguma coisa, pensa e pergunta para mim os problemas que o teu filho tem, sem me julgares ou sequer acusares de actos que eu nao tive a mínima culpa.
Levantei-me e subi as escadas, deixando ele para tras com as suas tentativas falhadas de protesto momentâneo.
Entrei dentro do meu quarto e tranquei-me, nao era um acto adolescente ou birrento, porem algo que era necessario de fazer porque apenas precisava de ficar sozinha.
Jasper
Eu precisava de a confrontar, embora tivesse sido brusco com ela a todo o custo, duvidando do inicio ao fim das suas palavras, eu sabia que era normal, afinal qual era o homem que nao ficava desse modo? Qualquer ser humano.
Ainda assim custava-me a engolir essa história de ser vitima de negligencia, nos dias de hoje todas essas possibilidades sao quase que nulas, porem nao impossíveis, de facto existiam casos bem reais desse tipo, no entanto muita coisa nao encaixava. Como era possível ela ao fim de tantos anos nao se ter apercebido de nada assim? Quer dizer eu em tao pouco tempo não tinha visto nada, contudo acho que era normal, afinal estes problemas sao bem mais crediveis ao passar do tempo longo.
- Jasper, Jasper, muita coisa nao encaixa! - comentei para comigo mesmo, levando as minhas maos a cabeça procurando resposta que nao tinha.
levantei-me do sofá e fui para o meu escritório, precisava de ficar sozinho com as minhas reflexões.
Ao entrar no meu canto e sentar o meu telemóvel começou a tocar. Inicialmente olho para o relógio de pulso e reparo em horas nao propriamente propicias a chamadas, contudo olhando o visor, nao reconheço o numero e intrigado atendo.
- Alo?
- Alo Senhor Jasper Cullen? - falava uma voz feminina e jovem do outro lado da linha.
- Sim sou eu, com quem estou a falar? - perguntei.
- Sou investigadora criminal, Lucy Benson. Eu estou a ligar a propósito de uma situação delicada que com certeza seria muito melhor ser falada particularmente e cara a cara, isto claro se poder.
Fiquei um tempo a tentar perceber o que se estava acontecer, afinal de contas o que queria uma investigadora comigo?
- Mas por favor pode explicar o conteudo da conversa?
- Claro. - fez-se silencio, esperei atenciosamente. - O homicidio do investigador Félix. Sei que o senhor foi a ultima pessoa a contactar e gostaria de saber qual o teor dos vossos contactos se é que me entende.
Distanciei o telemóvel do meu ouvido e depois voltei a colocar ele no ouvido.
- Entendo sim, lamento eu nao sabia que ele falecido dessa forma tao...
- Criminal! - finalizou a minha frase ela. - É certo que tudo esta sob investigação e que era optimo ter a sua coloboração.
- Estou totalmente disponivel para ajudar.
O investigador morto justo na mesma altura que eu havia desaparecido por uns dias e que ainda por cima ele devia-me uma investigação.
Parei de pensar e comecei a olhar para um porta retratos, nele via a imagem de Alice. Seria ela a culpada? Nao, ela nao sabia de nada, nao.
- Senhor Jasper? - chamou a jovem na linha.
- Sim!
- Bom é so para avisar que a nossa conversa fica marcada para amanha e que estarei no gabinete da policia local.
- Com certeza amanha lá estarei.
Desliguei a chamada e respirei fundo. Mandei o telemóvel para o outro canto do sofá e fiquei completamente nervoso e com os meus pensamentos sempre a rodar no mesmo sentido. Alice e Alice.
- Será que ela descobriu tudo? Nao, nao faz sentido, ela nao tinha como descobrir, se bem que nos ultimos tempos andava desconfiada, mas dai a matar alguem para esconder as provas, nao isso nao é o tipo dela.
Debatia comigo mesmo sempre na mesma tecla, e nao via explicação concreta para aquilo que estava acontecer.
Kim
Eu nao sei o que tinha passado na minha cabeça naquela hora em que decididamente tinha ido acompanhar o doutor que estava a examinar o meu filho. Era certo que eu sabia que ele tinha esse problema que conhecia bem as limitações que uma criança neste estado tinha.
So que o facto de encarar aquele olhar, aquele homem me deixou quase com medo e tive de seriamente sair a força, antes que acaba-se por revelar aquilo que nao podia.
Tinha tanta vontade de poder cuidar do meu filho e poder faze-lo na frente de toda a gente, mas infelizmente a minha vida nao tinha sido a mais favorável a esse sentido, tanto que a profissão que actualmente exercia nao permitia essas eventualidades, sendo mais agora que ele tinha estes intensos problemas de saúde. Contudo eu sabia que estava em boas maos e que nunca se sentiria sozinho. Talvez um dia pudesse mudar e assim voltar a viver uma vida normal e sem ocultações e sem o medo constante de ser vista.
.jpg)

Oh David é claro que ela está estranha, ela matou alguém mas você tem tem como saber! Ohhhh!
ResponderEliminarJasper está sofrendo tanto e ainda recebe esse telefonema informando sobre a morte do investigador. Será que ele pode ser incriminado com o culpado ou mandante???
Justamente quando ele decidiu confrontar a Alice ela escapa. Essa sim é lisa, hein? Ela faz tanta coisa errada e acha ruim que duvidem dela... Não estou a gostar mais dela não aqui... Ela pode se fazer de inocente, mas ninguém saberá se é mesmo se nunca começar a falar.
E a Kim, hein? Se bobear logo vai querer o filho de volta e a verdade virá a tona!
Beijinhos
Oh tadinho do David que é a pessoa mais simples e bondosa do mundo, mas que infelizmente tal como voce diz, nao sabe e nao precisa de saber, se nao coisas parvas virão a cabeça.
EliminarÉ ele sofre mesmo muito e claro que essa coisa de ele receber o telefonema é perfeitamente normal, afinal ele tinha sido o ultimo contacto do investigador antes do seu suposto silencio, ne? Bom a resposta esta cada vez mais proxima de voce, hen?
É Alice é boa de esquivar das horas duras da verdade, o que na verdade so ajuda a enterrar mais no seu mundinho mau da mentira.
A Kim, vai dar que falar isso lhe garanto... e mais nao digo kkkkk
Beijinhos