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Coração de Robot - Capitulo 28 - A peça da minha chave

Capitulo 28 - A peça da minha chave

Kim

Depois da chamada de Alice percebi que era a hora certa de ir para junto do meu filho e que ainda assim tinha noção de que um problema estava prestes a surgir, porque se bem conhecia os olhares de um homem desconfiado, nao ia demorar muito para ele, o marido de Alice, começar a fazer perguntas.

Fui para dentro do quarto, tirei as grandes malas de viagem do cimo do roupeiro e comecei a recolha e deposição. Nao havia nada mais prazeroso, do que fazer uma viagem, ainda mais para estar perto do meu filho, cuidar dele e acima de tudo controlar os ânimos. Era claro que so tinha a ganhar em ir para aquela casa.

Corri ate ao toalete e peguei em outros utensilos que nao podia despensar de modo algum e arrumei. No fim de estar tudo pronto, era  hora de deixar o velho e antigo cantinho para rumar ate ao novo e eterno destino.

- Adeus Milão! Olá Forks! - falei num monologo bem divertido.

Arrastei as malas para fora do apartamento onde atenciosamente ja tinha um táxi de serviço a minha espera.

- A senhora precisa de ajuda? - perguntou o moço bonito.

- Por favor se poder ajudar! - falei de modo educado e gentil.

De seguida a estar tudo pronto na mala, entrei no meu lugar do passageiro colocando o cinto e relaxando.

- Para onde pretende seguir? - uma vez mais questionou, claro este era o seu trabalho.

- Para o aeroporto! - indiquei.

E assim foi, seguimos por esse rumo fora. Eu limitava-me a olhar uma ultima vez para as paisagens Milaneses e pensar que tudo o que tinha feito aqui, assim permanecia, porque na nova cidade, no novo estado, nao teria falta disto.

(...)

No Aeroporto, fiz o levantamento do meu bilhete e fui para uma zona que era a a chamada sala de espera VIP e como era evidente encontrei diversos dos homens com quem partilhei relações publicas, nomeadamente empresários. Eu para nao parecer uma indelicada, acenava e dava sempre um sorriso gentil. Outras vezes olhava o relógio so para disfarçar estar distraída, quando encontrava gente que nao gostava. Felizmente a hora do voo chegou e com isso a minha vontade assimilou.

(...)

Aterrando na bendita cidade vizinha de Forks, vi o quanto as mudanças de temperaturas eram bruscas e no quanto isso me deixava arrepiada, pois o clima a que estava apta nao era nada agreste, muito pelo contrário, bem tropical.
Peguei um novo táxi e durante o percurso, fiz uma breve chamada para a minha amiga, para assim ela ja ficar a contar com a minha chegada e assim receber-me.

- Alo Kim! - falava ela com uma voz bem diferente daquela pelo qual tinha ouvido pela ultima vez, digamos que estava mais feliz.

- Alo Alice! Sabes onde estou? - perguntei sorrindo.

- Nao! Espera... nao... Estas nos EUA???

- Sim, nomeadamente em... - tirei o telemóvel do ouvido para perguntar ao senhor. - Estamos a onde senhor? - questionei.

- A chegar a Forks senhora, nomeadamente a sair da cidade de Seatle! - respondeu ele nao tirando o olhar da estrada escura.

Voltei a colocar o telemóvel ao ouvido e ouvir a respiração da Alice ansiosa.
- A chegar a Forks! - falei animada.

- Ai que bom, eu vou ja tomar todas as providências para que sejas recebida com todo o amor que tu mereces minha doce amiga. - ela falava com emoção que me tocou de tal modo que ja estava a sentir um marejar mínimo no olho. - E alem disso eu vou estar a tua espera com o Simão, porque ele vai ficar louco para ver-te!

Ao ouvir pronunciar o meu nome do meu filho, essa lágrima marjante nao conteu-se, e caiu. O meu filho era a coisa mais importante da minha vida, e voltar a ve-lo, dava muita emoção, muita vontade de chegar logo e nao o largar mais.

- Kim? Estas ai? - estava tao mergulhada num velho pensamento que esqueci-me por que Alice ainda estava em linha.

- Estou sim, desculpa amiga. - sorri fracamente. - Bem eu ja estou a chegar, por isso vou desligar. Ate ja.

Desliguei a chamada e nesse pequeno espaço avistei a ela com telemóvel na mao, e ao pequeno que estava a ser guiado por uma senhora de meia idade, ao qual nao sabia se era a mae de Alice, ou a de Jasper, contudo deixei essa duvida para mais tarde tirar.

Sai do carro quando este parou e corri a dar um abraço no meu filho. Quando senti os braçinhos do meu filho a rolarem o meu pescoço senti toda a saudade que ele me fazia, a saudade do seu abraço ternurento. Era um gesto tao simples que so por senti-lo agora, fazia valer toda a espera, todas horas de voo, todo o cansaço, porque finalmente estava ao lado dele.

- Como correu a viagem? - perguntou Alice.

Ai nesse instante larguei-me do Simão, com algum custo e dei um abraço nela.

- Correu opticamente bem, sabes estava com algum medo... - comentei e soltei um riso. - Os avioes e eu nao somos propriamente os melhores amigos. - falei ao deslargar do abraço.

- Senhoras desculpem estar a interromper, mas querem que eu leve as malas para a dentro ou levam voces? - questionou o táxista.

- Deixe estar eu levo! - ofereceu-se a senhora que eu pensava ser a mae de Alice ou do Jasper.

Fiquei um tempo espantada a olhar para ela ate Alice soltar um riso maroto.

- Nao fiques espantada, a Luisy é a nossa governanta, desde a altura em que casei com o Jasper. - fiquei espantadissima com a revelação e nesse período ate fiquei a sentir-me um pouquinho mal, com as ideias absurdas que estavam a passar na minha cabeça.

- Eu juro que pensei que ela fosse a tua mae! - falei aquilo que pensava.

- Nao, achas?! - riu-se e eu sentido-me um pouco envergonhada ri tambem.

Fomos entrando e eu ajudei a levar a cadeira do menino para o interior do jardim onde caminhávamos, conversávamos, observava tudo com espanto e deslumbre.
Toda a vida tinha ficado a saber que a minha amiga vivia bem, contudo nunca achando um conto de princesas, o que na verdade era muito mais do que isso.

- A minha mae mora aqui perto, neste condómino. - disse ela. - Ela que na altura indicou os serviços da Luisy e mesmo depois da minha ausência, ela soube muito bem cuidar de tudo. - sorri, ela falava com orgulho.

- É, isso é muito bom amiga! Mas e os teus sogros? - ela baixou o olhar.

- Eu nunca cheguei a conhecer os pais do Jasper, sabes eles faleceram muito cedo, na altura lembro que o meu marido me contou que eles tinham sofrido um acidente e que ele era tao jovem quando tudo aconteceu. - ela falava ao dar entrada na sala e assim ver o inicio da sombrinha.

- Lamento nao sabia, como nunca falas-te nada...

- É! Nao é um assunto pelo qual eu seja a melhor pessoa para o falar entendes, e alem disso gosto de manter as pessoas na memória consoante sao descritas. - suspirou entre palavras.

- De facto é a melhor coisa que podemos guardar de alguem. - disse.

- Kim! - virou costas e novamente voltou-se para mim. - Eu preciso de contar-te outra coisa pelo qual é melhor avisar-te desde ja, nao vas tu sofrer um surpresa!

- Fala Alice, ja estas a deixar-me assustada!

Ela puxou-me ate ao sofá e pouco depois ja Luisy estava a levar o pequeno para brincar no jardim, saindo pela mesma porta, pelo qual havíamos entrado.

- Eu nunca te contei, mas o Jasper ele é um cientista robótico...

- Mas isso é óptimo!

Nao estava a perceber qual era o problema, afinal de contas um bom cientista era bem reconhecido na sociedade de hoje e ja para nao falar que tinha bons méritos.

- Nao estas a perceber... - respirou fundo. - Quando eu estive desaparecida, ele esteve muito desolado...
- É perfeitamente normal!

- Deixas-me continuar. - acenti, percebendo que tinha de deixar para o fim os meus comentários. - Pronto como eu estava a dizer, ele estava desolado e entao quando viu que as buscas nao estavam a dar em nada, iniciou uma pesquisa, viajou e pelo que sei daquela época, criou uma robot, completamente idêntica a mim. - fiquei de queixo caído.

- Isso nao é possível! - foi a única coisa que consegui falar.

- É sim, tanto é que ela esta lá em cima no quarto que era meu, usando as minhas velhas roupas, vivendo a minha vida, tendo as minhas recordações...

Ainda estava sem acreditar, pois nao era algo simples de entender a primeira, ne? Afinal o mundo estava carregado de mistérios que eu ou o homem ainda nao tinha percebido.
Uma robot idêntica a uma humana, era estranho pensar assim.

- Desculpa amiga, mas eu nao consigo acreditar! Entendo que possas estar a falar a verdade, e que nao tinhas razoes aparentes para estar a brincar com um assunto destes né? - ri quase com medo. - Eu preciso de ver essa criatura!

- Essa criatura chama-se Alice como eu para veres como as coisas sao! - comentou ela.

Levei as mao a cara, uma vez mais espantada. Meu deus ainda agora tinha chegado e ja estava cheia de novidades a zunir no meu ouvido.

- Anda, vou levar-te ate lá acima para veres com os teus próprios olhos que um dia a terra á de comer.
Levantei seguindo atras dela pela escadas a cima, muito em silencio e passo vagaroso, nao fosse a criatura de outro mundo aparecer na minha frente e ai eu necessitar de ajuda.
Aproximamos um pouco mais de uma porta entre aberta e Alice com a mao acenou para eu olhar para o interior e ver aquilo ela insinuava ser verdade.
Observei o quarto e vi um pessoa, aparentemente desconfiava estar a ver um robot, porque mecânicamente era um ser altamente perfeito e tao natural. Parei de observar e voltei para Alice desacreditada.

- Tens a certeza? É que nao parece nada como aquilo que dizes! - falei quase que nao entendendo o que realmente os meus olhos viam.

- Entao e aquilo que ela tem ligada a ela? É normal?

Alice olhava para mim com cara de questões e eu simplesmente voltei a espreitar, vendo que realmente, a imagem diante dos meus olhos, era demais para ser simplesmente humana.

- Ja acreditas em mim? É que eu nao estou doida, Kim! - pousei a minha mao no seu ombro.

- Tens razão no que dizes... Eu é que ainda nao aterrei na terra, acho que ainda devo estar no avião. - sorri e com a mao livre levei a cabeça.

- Kim nao é era para brincar! - cruzou os braços.

E nao estava a brincar mesmo com um assunto tao serio assim.

- Nao sei como o teu marido conseguiu criar uma coisa tao...

- Magnamica? Conseguiu! Com muito, esforço, amor e acima de tudo dedicação e desespero. - disse ela revirando os olhos.

Alice Robot
O pequeno momento passado com David realmente tinha sido rápido demais. Para mim as horas nao chegavam para matar a saudade. Agora neste momento fechada neste quarto sentia esse peso, como eu dava para que tudo pudesse ter um sentido diferente, gostava tanto de te-lo ao meu lado, nem que fosse um pouquinho mais, porem nem tudo era como nos queríamos. Na vida haviam leis que nós, quer dizer eles, tinham respeitar, deveres que tinham de saber cumprir e direitos que so por si tinha de aprender a conquistar.
Estando agora sentada diante da janela, olhando as estrelas, lembrei de ir ao encontro do meu carregador e ligar-me assim a tomada, pois a minha bateria ja anunciava a próxima descarga.
Contudo ao estar a conectar-me, ouvi um burburinho que vinha da porta, e logo olhei para lá, mas nao avistei ninguém, entao nao liguei mais a esse pequeno encomudo. O tempo foi passando, a noite foi se alongando e continuamente o barulho mantinha-se, ja nao estava aguentar a pressão de estar a ser vigiada, e nao sabendo como encarei tudo de modo diferente, tirado a fixa que estava ligada a mim e dirigindo-me apenas a porta. 
Passo a passo fui chegando, colocando a minha mao na maçaneta da porta e nesse momento dar de caras com a outra Alice e uma outra mulher desconhecida para mim, mas com uma personalidade forte. 
Ambas ficaram a olhar para mim com espanto, talvez mais a mulher que nao conhecia, pois era a primeira vez que me via e que de certa acabava de saber o que eu era. 

- Precisam de alguma coisa? - perguntei com ironia. 

- Nao, nao preciso de nada. Estava apenas a passar pelo corredor e vi a porta entreaberta e a Kim teve curiosidade em saber quem dormia nesse quarto, nao é Kim? - elas olhavam uma para a outra entre risos. 

- É! 

Depois de um pedaço de risos, ficaram novamente serias. 

- Creio que o teu quarto seja desde ja o primeiro logo ao chegar no cimo das escadas, nao tens como enganar! - suspirei, nao precisando. - Alias, nao precisas de mentir, porque o burburinho que vocês estavam a fazer atras da porta denunciou toda a tua intenção. - ela ficou vermelha de raiva e quase que estava a ver o pequeno deslize da sua mao para vir em retorno do meu rosto. - Nao precisas de ficar tao chateada porque nao te fica bem esse vermelho. 

Virei costas indo para o cimo das escadas, ela com os seus passos irritantes vinha atrás de mim para de certo barafustar e nao calculando a força dei um impurrao nela que lhe valeu por uma valente queda, pela escadaria abaixo e pior de tudo mesmo foi o facto de Jasper estar a entrar pela porta e assistir a chegada da esposa a seus pés. 

O arrependimento bateu logo a minha porta. 

- Alice!!! - gritou ele correndo ate ela que estava desacordada, depois deitou os olhos para o andar de cima. 

Olhei para o mal que tinha feito e de seguida deitei o olhar na moça, a tal de Kim e vi medo descrito no seu olhar, medo pelo qual estava prestes a denunciar-me.

- O que aconteceu aqui? Quem é voce? - perguntava Jasper muito nervoso. 

A moça foi descendo as escadas tranquilamente, de um modo tao sereno que chegava a ter duvidas se ela havia assistido a alguma coisa.
- O meu nome é Kim, sou enfermeira e amiga da Alice. - respondeu ela. - Ela convidou-me para vir cuidar do vosso filho...

- Alguem pode explicar o que aconteceu aqui? 

As exigências era muitas, mas as respostas ao acto eram poucas. Porque sentia o medo de ter a solução imediata de ser desligada e assim nunca mais voltar a ver o amor da minha vida. 

Olhei para a moça que descia uma novo degrau seguido de outro.

- Jasper... - ela falou o nome dele e ja estava a sentir a dor de uma denuncia. - Foi um acidente, estávamos no cimo das escadas, quando... Alice a contar uma história, tropeçou no salto e... caiu tal como ves. 
Foquei bem nela que estava a mentir toda a história, e que por outro lado estava a encobrir o meu acto.  Desci ate onde ela estava.

- Um pouco estranho! - comentou ele. - O melhor mesmo será chamar um médico. 

- Nao te preocupes com isso... - ele a encarou serio. - Eu cuido dela para ti, afinal se ela realmente precisar, ai chamaremos um ate aqui e assim terá a importância de examina-la.

Respirei fundo e olhei na direção de Jasper que olhava para mim com repreensão, como se por algum acaso ele soubesse o que na verdade havia acontecido ou se ele nao estivesse apenas caindo nesta conversinha. 
Tive a súbita vontade de subir, mas nao, eu tinha de ficar e certificar-me que em algum minuto nao seria apunhalada. 

- Bom se tu o dizes, vou aguardar! 

Ele pegou nela ao colo e levou ate ao cimo, onde entrou no quarto. A Kim seguiu atrás dele e eu permaneci intacta, sentindo algumas vezes o peso de um olhar caindo sobre mim. 
Apenas estava a sentir que todos os últimos acontecimentos estavam a sair fora de mim, do meu controle. A minha intenção em momento algum foi de magoar, porem nao dava a mínima forma de controlar o que os actos espontâneos provocavam. 

Entao nao querendo materizar-me mais nesse aspecto, decidi que o melhor a fazer nesta hora seria refugiar-me na musica. 
Percorri a imensa sala e cheguei ate ao meu belo canto. Sentei no banquinho e levantei a tampa. Antes de uma melodia, passei ao de leve com os dedos nas teclas, sentindo a textura de cada compasso tocado sob meus dedos. Era tao simples tocar e sentir uma harmoniosa musica, porem conhecer o que nos tocávamos, nao era a coisa mais simples de atribuir, so alguem muito virtuoso, conseguia detectar cada gesto, cada melodiar lento ou acelerado. Neste contexto cabia a mim a tarefa de decifrar aquilo que me vinha a alma, e apenas fazer da musica o meu unico momento.


Jasper
A queda da Alice deixou-me desesperado, afinal de contas nao era algo muito comum de presenciar nesta casa e pior mesmo era observar que os potenciais autores estavam bem a vista. Nao que eu estivesse em momento algum a desconfiar de Kim, no entanto tinha razões para maior percentagem de culpa a Robot. 
Era certo que nos últimos dias a tranquilidade era normal, mas a tensão tinha deparado, e por mais curioso que fosse, tudo havia começado no mesmo dia em que tinha chegado. 
Abri a porta do quarto com algum cuidado e com Alice no meu colo ainda desacordada, a deitei delicadamente na cama, como se ela fosse um objecto frágil. Sentei ao seu lado, dando caricias em suas maos, ela por sua vez permanecia intacta, de forma assustadora que leva a minha consciência a pedir um imediato auxilio. 

- Jasper! Posso? - virei para ver quem interrompia o silencio e vi que era a tal mulher que de alguma forma era me familiar, embora nao recordando bem de onde. 

- Claro, entra... - permite a entrada dela. 

Olhei o seu caminhar tranquilo ate a cama e o seu sentar nervoso. 

- Como ela esta? - perguntou enquanto media os sinais vitais. 

- Continua na mesma... eu acho... que... devíamos... - ela cortou as minhas palavras.
- Nao! Deixa que eu cuide dela... - falava com firmeza. 

Acenei vendo que nao tinha como protestar numa hora destas. Iria esperar e ver o que tanto podia acontecer e no fim de tudo agir se necessário. 

- A pulsação esta normal... - comentou. - Creio que será melhor preparar um copo com agua. - falou ela. - Se poderes trazer para ela... eu agradecia. 

Levantei da cama e abandonei o quarto. Desci as escadas de um modo lento, como se estivesse a ensaiar a cena da queda e assim tirar a conclusão que a minha mente insistia em nao concluir.
Entrei na cozinha e peguei no frio a jarra de agua e peguei num copo lavado do escorre dor e levei ate a mesa conde comecei a encher e de seguida peguei no açucareiro e adicionei o caducante. Misturei bem e levei ate ao andar de cima. 
Uma vez mais ao subir as escadas o silencio havia sido substituído pela musica e nesse pequeno instante avistei Luisy ao qual pedi logo o favor.

- Luisy! 

- Sim senhor! 

- Leva-me este copo de agua com açúcar ate ao quarto de Alice, por favor. - perdi com delicadeza.

- Com certeza! 

Ela pegou na bandeja e subiu. Eu desci os poucos degraus que havia iniciado e fui ate a onde a musica zaguava. Encostei-me ao piano e a musica parou. 

- Porque paras-te? - perguntei nao percebendo qual o erro, alias nao havia erro algum, a menos que a minha presença assim o indica-se. 

- Enganei-me numa nota! 
Nao me convenceram as suas palavras, tanto que um robot era o ser mecânicamente mais perfeito e exacto que a terra tinha. 
- Precisas de alguma coisa? - questionou ao fechar a tampa do piano e ficando apenas a olhar para mim com aquele olhar profundo e bem conhecido. 

Sentia medo nas suas palavras, o mesmo medo que ela tinha na mesma época de quando eu descobri do seu romance com o jardineiro. 

- Nao Alice! Estava apenas a querer ouvir-te tocar, mas como ja paras-te vou para o meu escritório... - falei quase a virar costas quando ela chamou o meu nome.

- Jasper! - voltei-me para ela. - O que aconteceu foi um acidente... 

- Pois foi e nada mais... - surgiu do nada a Kim, a moça amiga de Alice. - Jasper... Alice ja acordou e quer muito que vas para ope dela. - avisou sorrindo para mim, e abraçando a robot. 

- Nao sabia que vocês as duas tambem ja eram amigas? - falei com espanto. 

Kim olhou para Alice e a mesma para ela. 

- E temos razoes para nao o ser? - riu-se. 

- Nao. Bem vou lá... 

Sai de onde estava a segui ate ao andar de cima e ficar do lado da minha esposa que bem precisava de mim. 

Alice Robot

Depois de ver que Jasper ja estava quase no cimo das escadas soltei-me do abraço da Kim e fiquei um tempo a olhar com cara seria a tentar encontrar a resposta exacta de ouvir antes e depois. Afinal ninguem fazia estes actos por mera cortesia, tanto que nao tínhamos qualquer afinidade. 
Contudo uma vez mais aquela sensação de personalidade forte veio ate a minha mente, nada me tirava da cabeça que podia estar na verdade com uma futura amizade para a vida. 

- Kim! - chamei por seu nome e ela olhou para mim com um sorriso a brotar nos seus lábios carnudos. 

- Fala Alice! 

- Porque que mentis-te? Quer dizer nao faz sentido teres ocultado o real facto da queda... - ela cruzou os braços chateada. - Desculpa, mas é perfeitamente normal que eu pergunte isto, porque, sabes, eu nao te conheço, nem tu a mim, entao...

- Nada... Nao precisas de dizer mais nada. - pegou na minha mao e me puxou ate ao sofá. 

Fiquei a espera que ela explica-se o que realmente podia ser uma razao. 

- Desculpa eu... afinal eu so queria ajudar, sabes, quando a Alice, pronto a outra me contou o que tu na verdade eras eu... fiquei bastante surpresa e quase que nao acreditei... - riu-se. - Mas quando eu te vi eu fiquei completamente...

- Maravilhada? - cortei as suas palavras.

- Sim... 

Cada vez gostava mais desta mulher que estava ope de mim. Sentia que em ela podia confiar sem correr riscos e ainda mais podia te-la como um ponto de referencia a várias das minhas duvidas. 

- Ainda assim nao é justificação para a mentira... eu sei e ja ouvi falar que mentir é feio e que no fim de contas acaba mesmo por deixar-nos cada mais mergulhados na solidão. - lembrei-me de palavras que fui ouvindo ao longo das memórias armazenadas na minha mente e conversas tidas com o meu criador.

- Eu entendo todo o teu pé atras... Em teu lugar estaria na mesma situação. - pegou na minha mao acalmando o seu medo. - No entanto eu gostei da tua frontalidade na hora que apanhas-te a nos a vigiar o que devíamos. Nunca pensei na minha vida, vivenciar algo assim e por outro lado e vi algo em ti que nunca vi em mais ninguem. - fiquei curiosa.

- O que? 

- Um espírito Livre! 

- Como? 

Os humanos gostavam muito de baralhar o cérebro de uma máquina como a minha. Nada do que ela dizia, fazia sentido para mim, pelo menos, as ultimas palavras. 

- Desculpa... - sorriu. - É uma forma de falar que senti que es uma pessoa sem medos, sem rodeios, e que na hora de defender aquilo que tu acreditas tudo torna-se mais credível, entendes? 

Engelhei o nariz e depois acenei afirmativamente. Entao eu era um ser de espírito livre, isso começava a agradar-me muito mesmo, incluindo a sua presença... Agora mais que nunca sabia que a minha pequena mentira saudável com David estava a beira de terminar. 

- Bom, é melhor mesmo ir ver como esta o pequeno Simão... - levantou-se do sofá e eu segui nesse gesto. - Foi bom conversar contigo... - sorriu. - E ja sabes se precisares de alguma coisa, podes contar comigo, sim?

- Sim...

Ela afastou-se de mim e fiquei apenas sozinha a digerir as suas simples e belas palavras. Eu iria precisar da sua ajuda sim, e mais depressa do que parecia. 

Lucy
Estava estacionada perto da casa dos Cullens e acabava de avistar a chegada do jipe do senhor Jasper Cullen. Ainda estava a cogitar como seria a minha chegada e assim a minhas súbitas perguntas, assim como suspeitas. Era certo que um protesto por parte do marido seria normal, contudo quando havia um suspeito, uma agente como eu nao poderia baixar a guarda e assim nao fazer o seu trabalho. 
Peguei no meu bloco de notas, numa caneta e formulei algumas das perguntas pelo qual seriam credíveis de fazer. No exacto momento em que as manuscrevia, sentia a autentica negação em cada uma delas. Contudo esse era o perfeito halibi de todos os culpados e inocentes. 
Alias se ela realmente fosse inocente nao teria com que temer, embora eu nao acredita-se de todo nessa teoria. 

Abri um pouco o vidro do carro e acentei o meu braço nesse pedaço de espaço. Observei uma vez mais as intensas palavras no meu bloco. 
Todo o suspeito de um crime tinha sempre culpa ate prova em contrário, verdadeira e justificável, portanto estava pronta para saber ate onde a Dona Alice Brandon estava pronta a mentir. 
Debrucei os meus braços cruzados sobre o volante. Momentos depois estava o telemóvel a tocar, vasculhei na mala, que era quase o martírio encontrar alguma coisa e olhei o visor que mostrava a chamada de Maggie. Primi no botão de atender chamada. 

- Alo Maggie? Algum problema? 

- Alo Lucy! Nao, apenas queria saber onde andava a senhorita Miss Marple.... - ouvi um risinho de fundo no outro da lado da linha que facilmente percebi que ela nao estava sozinha e sim na companhia de Nettie.
- Que engraçadinha... Acho que devias ler menos policias da Agatha Christie. - mencionei a minha grande diva e maior responsável a minha escolha de rumo criminal.

- Eu? Desculpa, deves estar a olhar-te no espelho, porque se bem me lembro do tempo da faculdade quem andava sempre com os livros dela eras tu! - riu-se uma vez mais e eu claro nao contive o meu riso também. - Deixa-me ver se ainda me lembro quais eram os teus títulos preferidos.... Hum... "Um corpo na Biblioteca" ou entao "O Ingima das Cartas Anónimas". 

Ela era completamente terrível mas tambem bem observadora.

- É realmente eram os meus volumes preferidos... Mas nao me ligas-te apenas para saber o que eu andava a fazer pois nao? - ouvi um suspiro derrotista.

- Ganhas-te! Eu queria saber se ja interrogas-te lá a moça... - olhei para o bloquinho. 

- Nao, ainda estou a cogitar as palavras certas para enfrentar a suspeita. 

- Hum, tá certo... é que sais-te tao apressada do departamento que pensei que em uma hora destas ja terias isso resolvido.

- Nao... Alias ja que falas que chegou a hora mesmo... Bem vou ter que desligar, nao creio que queiras ouvir a conversa. - ri-me. 

- Era uma ideia... mas vou deixar-te trabalhar a vontade... 

Desliguei a chamada e suspirei tomando o meu ar serio e proficional. Peguei na bolsa, coloquei o telemóvel em silencio, nao fosse alguem interromper as minhas perguntas em momentos inoportunos e abri a porta do carro, onde segui passo a passo ate a mansão, sempre de bloquinho na mao.


Comentários

  1. Atrasadíssima e hoje estou tentando me atualizar ao menos um cap em cada fic :D

    Mas, vamos lá.

    Kim ficou feliz em rever a amiga e o filho, ou será que ela tem alguma intenção maligna com Alice e já não a considera mais sua amiga, hein?

    Quando ela foi ver a robô, eu achei que ela ficaria tão aibsmada que tomaria as dores da Alice, mas parece que foi o inverso, hein?

    Não sei, mas acho que algo ruim ronda o passado da Kim, algo mesmo muito ruim para não querer ser vista no aeroporto.... ou ter pessoas nas quais ela não queria ver lá....hum...

    E eis que a robô não gostou de ser vista e acabou por derrubar a Alice da escada! Ohhh! E como tragédia pouca é bobagem, o Jasper ainda chegou bem a hora de ver!

    A atitude da Kim me deixou ainda mais com o pé atrás com ela...

    Estava mesmo na cara até para o Jasper que a robô era culpada e creio que isso possa fazer com que ele ache a Kim suspeita também hein?

    E ela aparecendo lá e o impedindo de questionar a robô foi ainda mais assustador, não? Por um minuto eu cheguei a achar que ela queria deixar a verdadeira Alice morrer... Só não sei para quee! O que ela ganharia nessa, hein?

    Lucy chegando em cena.

    Oh ela é fã da Agatha! Acho a senhora Christie uma diva, mas sou mais fã do Arthur Conan Doyle. Não sei porque, mas a personalidade meio House do Sherlock é incrivelmente interessante para mim! Sem contar que me sinto Watson em muitos momentos, claro, ehhehehe.

    Bem, eu fico feliz por voltar a ler a fic!

    Estou mega curiosa e tentarei ler mais um amanhã, porque hoje já está mega tarde!!!

    beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De facto Kim é uma pessoa cheia de seus mistérios e que faz de si uma grande intriga, contudo ainda terá mais oportunidades para perceber o quanto o seu acto pode mostrar o que na verdade uma pessoa é, nao mesmo?

      A verdade é que essa troca de voltas com a culpa de Alice ter caido, caiu na perfeição da nossa justa nova convidada, entao ela tinha de ganhar uma amizade com a robo, que voce vai entender mais a frente.

      Por outro lado, isso deixou amiga um pouco magoada, contudo nao existe nada que uma boa falsa de palavras nao arremedei..

      Jasper é um ser muito tranquilo, e no quis respeito a episódios assim muito pouco causais, é claro que o deixa cheio de intrigas interiores, porem temos de levar em conta que a sua cabeça, esta cheia de problemas.

      Gosto de deixar o suspense no ar.

      Eu por acaso lembrei dessa autora de policiais, porque quando era muida lia muito os livros dela, e entao fiquei sempre com uma costela de investigadora na minha cabeça.. tudo o que vejo acho suspeito.. Lucy autentica aqui..

      Seja sempre bem vinda, e quando poder eu cá estarei para responder. :D

      A curiosidade é só um passo para chegar a verdade.

      Beijinhos

      Eliminar

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Meu amor... Como é estranho voltar a dizer estas palavras... Palavras que durante meses  atormentarem-me sempre que eram proferidas, por mim ou por outros, faziam-me desabar, chorar. Agora não me canso de as repetir. Porquê? Bem, porque elas significam que voltas-te. Significam que o meu coração voltou a bater, que eu voltei a existir, que deixei de ser um robô triste e amargurado. Agora posso afimar (e até gritar paa quem não quiser acreditar) que eu, Isabella Swan, voltei a viver e a acreditar no amor, na felicidade, que deixei de ser um ser sem alma, sim porque quando voltas-te não só trouxes-te a minha alegria de viver e o meu coração como também a minha alma. Alma essa que, tal como o meu coração, pertence-te. Por favor... Não voltes a deixar-me, porque o meu coração não vai aguentar  perder-te uma segunda vez. Tu és a minha vida! Edward Cullen, tu és a razão de eu existir e continuar viva. Se alguem perguntar a banda sonora da minha vida eu respondere...

Diário de Rosalie Hale - O casamento de Edward e Bella parte 2

Sábado, 3 de Julho " O casamento de Edward e Bella parte 2 " Querido Diário: Depois de ditos os repectivos "sim" demos inicio a festa da boda, todos os convidados estavam absolutamente deslumbrados com o vestido de noiva de Bella, claro que Alice conseguia saber tudo e tinha um grande gozo nisso. Edward nao tirava os olhos de Bella o tempo todo, os convidados sentiam-se tentados a ver a cena de tanto amor no ar do casal mais perfeita da festa. Eu por minha vez senti-me tao feliz vez a felecidade enorme deles uma realidade quase impossivel, era um sonho que de um livro tinha-se tornado uma realidade. Sim Edward estava amar, coisa que ás uns anos era impensavel acontecer.  Como estava curiosa quanto a opiniao dos convidados fui ter com algumas pessoas. Encontrei Renné a mae de Bella quase em lágrimas.  - Entao Renné como se sente por ver que sua unica filha agora é uma mulher casada? - perguntei. - Muito bem, ela merece tudo de bom, ela vai ser muito...

Diário de Rosalie Hale - Uma vingança Atroz

Segunda-feira, 18 de Fevereiro " Uma vingança Atroz " Querido Diário:  Sentia raiva dentro de mim, ao saber que o homem que tanto amei, fez o mal que fez, estava agora a rir-se de mim consolado com seus amigos e vibrando com o copo cheio desse maldito álcool.  Decididamente montei um esquema onde mataria um por um, deixando para o fim o Royce King, o maior alvo abater. Ainda no meu closet desta modesta mansão procurei no roupeiro um vestido de noiva., e vestiu-o para o efeito de um casamento, podiam achar-me louca, ou talvez desequilibrada  mas uma coisa era sempre garantida eles teriam que morrer.  Sai de casa num forma bem ousada para a acção, o primeiro efeito a provocar no homem seria o seu destino fatal. Esme tentou demover-me da minha acção, porem foi ela tambem em vao, porque que os meus olhos sedentos viam era a dor desses malditos.  (...) Em pouco tempo tinha morto 6 homens, faltava ele, a sua morte seria diferente de todos os...