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Coração de Robot - Capitulo 29 - Uma confusão

Capitulo 29 - Uma confusão

Alice Original

Sentia a minha cabeça bem zonza, a pancada que havia sentido ao passar por cada degrau nas minhas partes do corpo foi dolorosa.
Tentava agora recompor-me na cama a todo o custo, para nao ficar tao deitada, que mesmo estando a pouco tivesse na posição que estava, as minhas costas ja doíam. A Kim havia saído algum tempo do quarto e Jasper estava sempre ao meu lado cuidando de mim o tempo inteiro.
Por outro lado lembrar as palavras da Kim, de quanto a defender a outra eram quase uma calunia para mim, contudo nao podia fazer nada, ne? Pois ela ja tinha entrado nessa jogada sem o meu consentimento de mentir. A mentira para mim ja era quase um facto proibido, mas eu tambem nao era um ser tao mesquinho como muitas pessoas gostavam de desenhar e como tal nao queria destruir a relação de ninguem, muito menos dela, porque nao sabia que vingança futura podia-me esperar.

- Alice... - ele tocou no meu rosto com um dedo e com a outra mao aproximou o copo com agua.

Bebi um novo gole e voltei a fechar os olhos e abrindo eles de seguida.

- Estas mesmo bem? Nao queres que chame um médico? - ele estava tao preocupado comigo.

Levei as minhas maos de encontro as suas para o deixar mais tranquilo, era a minha melhor forma de dizer que estava bem e que nao tinha com que se preocupar porque dentro de pouco tempo estaria 100% boa.

- Eu estou bem meu amor... - sussurrei baixinho.

Voltei a mexer-me para sentar e ele levantou-se para com a delicadeza ajudar sem que eu fizesse muitos esforços sozinha.

- Esta bom assim? - sempre atencioso ele. Sorri por sentir-me a mulher mais sortuda do mundo, por primeiro ter um homem inteligente, segundo por ser o mais carinhoso, terceiro por ser meu e apenas meu.
- Sim... - respondi soltando um sorriso, mesmo sendo fraco.

Entre outros sorrisos e préstimos de um cuidado de marido, o nosso momento foi interrompido por um bater a porta. Jasper voltou a sua atenção para lá assim como eu.

- Posso? - perguntava Luisy mostrando a cabeça.

- Algum problema Luisy? - perguntou Jasper preocupado, nunca tirando a sua mao da minha.

- Dr, esta lá em baixo uma investigadora da Policia Judiciária e quer falar com a dona Alice. - congelei feito um peixe na arca.

Ele olhou logo para mim com cara de caso. O meu coração disparou como louco, comecei a tremer com medo e ansiedade mostrou-se a todo o custo.
Eu temia por isto, eu nao queria ser julgada por um crime que nao havia cometido e pior mesmo era ver o meu proprio marido podia acreditar na possibilidade de ter sido eu a cometer tal acto, de alguem cujo eu nao sabia quem.
Este pesadelo tinha de acabar, entao a melhor forma mesmo era enfrentar o meu medo, tanto que nao tinha feito nada de mal.

- Vamos já Luisy. Obrigado. - ele disse e ela obedeceu saindo.

Nesse mesmo bocado Jasper lançou um olhar estranho na minha direcção e eu apenas baixei o olhar, pois nao tinha o que dizer ou sequer justificar a razao de uma vinda de uma pessoa desse ramo na nossa casa.
É claro que por lado sabia que o meu marido havia encomendado uma investigação no passado, e de alguma forma podesse estar interligado a história do homicidio.

- É melhor irmos, nao quero fazer ninguem esperar. - ele falou com firmeza na sua voz e de seguida aprontou-se ajudar-me a recompor as minhas forças e assim levantar.

- Claro... - sussurrei mais para mim do que para ele.

Ao descermos as escadas reparei que a expressão dele tinha mudado, estava triste e ao mesmo tempo desconfiado. Várias das vezes que estava prestes a ter a devida oportunidade de introduzir texto, nao o conseguia, pois na hora H, faltava o elemento principal, a coragem.
Ao estar ja pisar piso firme, sem degraus, encontrei aquela que devia ser a investigadora e segui ate ela, assim como Jasper. Ela cumprimentou-nos com a sua cortesia nobre.

- Boa Tarde... gostaria de falar com a Dona Alice Brandon, é a senhora? - perguntou ela levantando os olhos do seu bloco e passando a mao livre no cabelo.

- Sim, é comigo... - passei na frente do meu marido.

O assunto que havia em maos era comigo, por isso queria deixar o Jasper de fora, mesmo que tal fosse um caso perdido.

- Vamos para o escritório do meu marido... - apontei para a direcção norte da sala. Ela assentiu e os tres caminhamos nesse sentido.

Escusado era impedir a presença dele, por que se o assunto envolvia a minha pessoa, tambem teria de envolver a dele, porque afinal de contas a introdução destes parâmetros, foi basicamente introduzida por ele quando pos em hipotese de procura de verdades, acedeu a uma investigação.

Entramos no escritório, trancou-se a porta e cada um de nós foi se acomodando respectivamente para assim se começar o interrogatório.
A mulher do cabelo loiro, deu uma olhada nos seus rabisco e de seguida olhou para mim, voltando-se depois para o Jasper, caindo no fim, uma vez mais nos seus rabiscos.

Alice Robot

Estava farta de estar dentro da casa que mais parecia uma prisão, entre janelas gradeadas. Neste momento estava sem inspiração para tocar, o que na verdade vinha mesmo ao acaso era passear no jardim.
Apesar de saber que ele nao lá estava, era bom a mesma por lá caminhar, porque eu sabia que a sua presença nao estava so no contacto físico, nem no material, e sim no aroma que ele deixa, na alegria que brilhava os meus dias.

Por entre cheiros exóticos da terra, de flores silvestres, de rosas milenares e outras plantas, eu acreditava estar no paraíso, acreditava nao ser uma máquina, e ser um ser humano capaz de viver, um dia morrer ou talvez envelhecer.
Eram as melhores sensações, achava sinceramente que nem um simples humano seria capaz de as sentir da mesma forma como eu as sentia.

Parei nas minhas rosas e peguei nelas para as sentir brotar em meus dedos. Como a cada dia estavam mais intensamente cheirosas, mais perfeitas, como o meu amor... Aquele que eu sentia cada dia mais intenso. Nas flores ele se descrevia, a cada dia crescia, ficava forte.

- Alice! Filha...

Parei de mexer na flor, ficando completamente perplexa com a forma como alguem estava a confundir-me com a exatidao perfeita de ser a outra.
Contei ate 3 e voltei a minha atenção para a direcção de onde a voz se fazia insinuar e encontrei uma senhora de meia idade, talvez proxima da idade da governanta da casa. O seu rosto coração, os seus olhos grandes, descreviam uma fisionomia quase idêntica a mim, embora enquadrada numa idade diferente.

Olhando bem para ela conseguia imaginar ao certo, qual poderia ser o meu aspecto se pudesse ser humana e envelhecer, porque seria exactamente assim.
Nao podia negar que esta nao podia ser a mae dela, porque eram quase com que cópias de gerações diferentes.

- Olá... - saudei nao sabendo o que mais dizer, pois nao sabia o nome, quer dizer assim a memória nao o indicava.

- Alice... 0nde o teu marido? Andas por ai sozinha minha querida, ai nem sabes a saudades que tenho de ti... - aproximou-se abraçando de um modo que so podia retribuir.

- O Jasper anda ocupado... - afastei ela do abraço de um modo delicado. - E eu gosto de passear no jardim, sabes como sou... o gosto que tenho pelas flores... - falei olhando para as roseiras carregadas de intensas e vivas cores.

- Sei sim... - levou a mao a cara de lembrando de algo. - Ainda te lembras quando fizes-te o teu pai percorrer a cidade interia a procura da tua rosa? - perguntou ela com tom de saudade de velhos tempos felizes.

Busquei essas informações na minha memória mecânica e encontrei imagens referentes a essa época.
- Como podia esquecer... - sorri, ela pegou nas minhas maos. - Foi o dia mais embaraçoso dele... mas tambem o mais feliz da nossa vida.

- Eu diria mais trabalhoso! - riu-se, dando um leve bater no meu ombro.

A mae dela era tremendamente simpática e sádica no que dizia respeito a guardar recordações felizes. Nao havia duvida que existia uma óptima família e que todos lutavam para que tudo desse certo na medida dos seus possíveis.

- Mas entao quandas voltas a casa? Ai gostava de passar mais tempo contigo meu anjo. Moramos tao perto uma da outra e ao mesmo tempo andamos tao distantes. - falou ela entre suspiros.

- De facto tenho andado deveras ocupada, mas prometo que em breve farei uma visita. - sorri pegando agora eu nas suas maos para as acariciar.

- Olha que o prometido é devido. - ela falou quase rindo.

- Vou ter de ir para dentro tenho umas coisas a fazer.

Sorri ao abandonar o jardim e assim entrar dentro de casa, seguindo passo por passo ate ao meu quarto.

Jasper

Algumas das perguntas eram tao insinuosas que ate dava dó. Era apenas trabalho este de investigar e procurar o verdadeiro culpado, mas puxa eram perguntas bastantes escandalozas que Alice tinha o direito de poder nao responder. Porem ela respondia, mesmo em poucas palavras ela dava a conhecer o seu depoimento, sincero e com algum medo. A meu ver nao havia nada pelo qual eu pudesse desconfiar agora, so que tambem nao podia negar que as provas estavam bem direccionadas no seu sentido e que nao podia descartar algumas das evidencias.

- Tem a perfeita noção de que foram encontradas impressões digitais suas numa pedra, justamente abandonada no local do crime... - a investigadora Lucy levou a mao ao queixo esperando por respostas a sua quase insinuação retórica. - O que tem a dizer sobre isto?

Olhei para a minha esposa, tentei procurar saber tambem, afinal eu tambem estava interessado em saber o porque de muitas coisas. Uma era o simples facto de ela ter-se encontrado com ele, a outra era por nao ter contado nada e ainda assim fingir estar tudo bem.
A Investigadora ja estava com a caneta na mao para assimilar um relatório, quando a minha esposa abriu a boca e começou a relatar.

- Ele telefonou para a minha casa nesse dia... - olhava continuamente para a minha esposa. - Estava com medo porque nesse telefonema ele insinou...

- Coisas a seu respeito por um suposta encomenda de uma investigação! - terminou a frase Dr. Lucy.
- Sim... - ela falou quase mais para si. - Eu fui ter com ele a noite, quando muitas das pessoas da casa estavam a dormir e... - fechou os olhos. - Foi horrível... Ele tentou abusar de mim... - cruzou os braços no seu corpo e nesse momento passei o meu braço por seu ombro, para lhe dar a protecção que ela precisava. - Foi isso, a pedra foi tudo o que encontrei para me livrar dele.

O silencio instalou-se de tal modo que apenas era possível ouvir o rabiscar da caneta largando sua tinta no papel.

Eu sentia que tinha falhado ao ter deixado a minha esposa sozinha, nunca tinha imaginado que o investigador Félix tivesse essa coragem... Agora seria eu o homem capaz de o matar so para garantir que ele nao voltaria a fazer tal coisa com outra mulher, o que infelizmente alguem ja havia se encarregado de o fazer.

- O que aconteceu depois de lhe dar com a pedra na cabeça? - voltou os olhos para ela com serismo.
- Fugi com muito medo pela vedação...

- Tem como provar isso? Quer dizer na hora que entrou em casa, estava alguem acordado, alguem que pudesse comprovar a sua suposta entrada?

Estava mais que provado que a investigadora acreditava piamente na sua teoria de que tinha sido Alice a autora do crime. Estava a entender toda a sua jogada nas palavras, ela queria a todo o custo que a minha mulher trocasse as maos pelos pés.

- Nao... infelizmente quando entrei em casa estava toda a gente a dormir. - ela falou com certo medo na voz.

- Isso complica muito sabe disso. - esfregou as maos.

- Eu nao matei ninguem... voce tem de acreditar em mim! - levantou-se muito exaltada ela que logo tive de a controlar.

A investigadora levantou-se de igual modo, ficando de frente para nós.

- Toda a gente é culpada ate prova em contrário. - disse ela. - Por isso se nao tem com que temer, nao precisa de ficar tao nervosa... - arregalou os olhos soltando um sorriso. - Quando saírem mais resultados detalhados entrarei em contacto consigo. - falou para Alice. - E quanto a voce senhor Cullen, teria mais cuidado com o tipo de investigações que submete e a quem procura... porque muitos destes casos acabam mal. - falou agora para mim.

Dirigiu-se a porta e fiz o favor de acompanha-la ate a entrada onde graciosamente abri a porta da rua depois de passar pelo longo corredor ate onde era o ale da entrada. Fiquei vendo ela ir. Preocupado como estava, fui ate ao escritório para ver como Alice estava.
Quando entrei vi que estava lavada em lágrimas, tentei dar consolo, mas era quase inutil porque ela afastava-me.

- Meu amor, tudo vai ter um fim, acredita em mim, eles vao descobrir o culpado... - ela encarou os meus olhos.

- Tu acreditas que eu possa ter sido a culpada, por isso é que estas assim, porque tens medo de ser marido de uma criminosa. - ela disse entre lágrimas que de algum modo as suas palavras carregadas de magoa, estava a deixar-me cada vez mais triste.

- Sabes que nao é verdade... Eu amo-te e nunca, mas nunca vou deixar de acreditar em ti.

- Nao podes prometer algo que nao sabes, se amanha ou depois possas cumprir.

Baixei a cabeça, levantando-me e saindo de onde estava, porque se permanece-se ao seu lado e continua-se a provar as minhas prestáveis atitudes e amor, so seria mais doloroso lutar contra as suas ideias negativas.

Ela precisava de ficar sozinha, eu precisa de um tempo para mim tambem.
Caminhei pelo corredor fora, sai pela varanda e apenas fui dirigindo-me ate a onde o meu carro estava e assim sai, sem rumo certo.

Kim

A dar os meus super cuidados no meu filho, prestei atenção a muitos dos problemas que estava iniciar-se nesta casa, incluindo a subita chegada de uma mulher estranha com cara de policia.
Será que ela estava desconfiada de alguma anomalia? O que será que havia aqui passado? Ai Alice precisava de contar-me muitas coisas, ai se precisava.

Fui ate a janela quando vi que o Simão estava quase dormindo depois de receber a dose de medicamentos receitados pelo médico assistente e reparei na caminhada estranha de Jasper. Tinha ficado intrigada de tal modo que tinha vontade ir atrás dele e saber que ele podia fazer ou a onde ia, mesmo que eu nao tivesse nada haver com a sua vida, porque nesta casa, eu era simplesmente amiga de Alice e a enfermeira de Simão.
Porem podia mudar muita coisa, quer dizer em breve tudo podia ser diferente, ate porque o Jasper era um homem bem interessante, um pai perfeito... Comecei a rir-me como uma adolescente criando um filme romântico.

- Simão! - chamei o meu filho que ainda estava acordado. - Gostas muito do Jasper, ne?

- Sim, muito... - sorri ao saber isso. - Mas porque mama?

- Por nada filho, por nada.

Voltei-me novamente para a janela, e nesse pequeno instante tive uma ideia óptima que nao podia esperar.

- Filho, a mama precisa de ir fazer uma coisa, podes ficar sozinho? - perguntei sentando na sua cama agora.
- Sim, nao ha problema, estou com sono mesmo...

- Opitmo, volto daqui a pouco.

Peguei na minha carteira e sai a correr do quarto, passando pelas escadas bem apressada, sem sequer dar uma digna satisfação a ninguem e quando possível cheguei ate a garagem onde por simpatia levei o carro de Alice emprestado.

O caminho nao era difícil tanto que tinha na minha memória um sitio pelo qual sabia que era perfeito a encontra-lo. Alice havia-me contado quando estávamos em Itália de um lago pelo qual curiosamente ele a havia pedido em casamento. Por isso era normal que ele em que certas horas se refugiasse nesse espaço.
Acelerei estrada fora, e o meu palpite nao estava errado. O carro dele estava estacionado na berma da estrada, sendo assim estacionei de igual modo, ficando atras dele. Sai tranquilamente, e bem descontraída, de uma só forma que parecesse turistica.

Ele estava lá, olhando o lago, sentando num rocha. Caminhei muito devagar ate onde a sua presença me era indicada pelos olhos. Quando sentei-me ao seu lado, Jasper, manteve a sua postura, como se fosse mais simples nao ignorar.

- Nao sei o que se passou... - suspirei. - Tambem nao nos conhece-mos muito bem e nao sou ninguem para estar aqui e agora a... - media as palavras antes de as mencionar. - se quiseres eu posso simplesmente ir embora, mas... independentemente do que possa estar a passar, podes contar comigo.
Nesse momento ele voltou a sua atençao para mim, estava com um olhar pesado, contudo sofrido. A mágoa, o medo e simplesmente a suspeita estavam descritas no seu olhar.

- Como soubes-te que estava aqui? - perguntou. - Que eu saiba nao avisei ninguem e... nada.

- Ninguem disse nada, eu vi da janela que estavas a sair, desculpa se estou a ser demasiado mal educada. - deu de ombros. - Percebi que nao estavas bem e que, bom a melhor coisas mesmo em certas horas é desabafar. Pelo menos era isso que a minha avo ensinava quando era bem pequena.

Levantou-se dando um passo a frente, mantive no meu lugar, esperando a hora de ouvir um desabafo.
- Alice esta a ser acusada de um homicídio! - falou.

 Levantei-me imediatamente em alerta diante das curtas palavras que ainda ecoavam no meu ouvido.

- Ela andava muito oculta nos últimos dias antes de eu... - respirou fundo, conseguia sentir o seu profundo expirar. - Encomendei uma investigação. Sei que és amiga dela e que de certo deves estar achr um absurdo a minha tamanha desconfiança, no entanto na altura foi a única coisa correcta que eu encontrei para saciar a duvida.

Estava agora ao seu lado passando a minha mao no seu ombro.

- Só fizes-te aquilo que o teu instinto pediu, sentias-te traído... em teu lugar, tendo tuas duvidas, talvez segui-se o mesmo caminho. - voltou-se na minha frente, estando a olhar bem no fundo dos meus olhos. - Jasper, nao te condenes!

Passou as suas maos nas minhas puxando-me para um abraço. Ao sentir o conforto de um abraço, senti que estava a chegar aquela hora em que a dor um homem teria de acabar. A sua loucura de voltar so tinha sido um erro, em primeiro, mentir, em segundo por implicar o meu filho nisto.

- Nao sabes como me sinto profundamente bem de poder ter alguem em quem confiar em pleno. - sussurrou ele em meu ouvido nao desprendendo do meu enlaço.

Afastei-o de mim, ficando com o meu olhar pregado no seu. O meu desejo de ajudar, estava tao intenso que acabava mesmo por ter uma outra vontade de beijar, so que nao ia faze-lo nao por ela, porem por ele, porque nao era suficientemente capaz de aproveitar-me da sua carência.

Jasper era realmente um homem bem interessante, tinha profundas qualidades e nao tinha sombra de duvidas que ele, amava muito a mulher que tinha, apesar de nao ser merecedora de tamanho amor. Nao tinha inveja de sua vida, porque olhando bem para aquilo que juntas passamos, para as escolhas malditas e tao fáceis que tomamos, nao tinha razão.

- Kim? Esta tudo bem? - perguntou Jasper, fazendo com que eu aterra-se em terra, saindo do meu mundo.
- Desculpa, disses-te alguma coisa? - questionei incerta.

- Nao... tu é que de repente ficas-te, como posso dizer... bem congelada, parada no tempo... - sorri, dando uma palmadinha no seu ombro.

- Estava a pensar numas coisas, só isso.

- Hum esta bem...

- Vou voltar para casa vens? - perguntei ao começar a caminhar para a berma.

- Vou ficar um pouco mais, estou a precisar...

- Tudo bem... se precisares de alguma coisa... sabes onde encontrar.

Virei costas por definitivo e entrei dentro carro do qual sai cantando pneus estrada fora.

Jasper

Kim era boa pessoa, so estava a tentar ajudar-me, mas infelizmente, nem toda ajuda do mundo mudava aquilo pelo qual estava a viver. Eu acreditava na inocência da minha mulher, so que ao lembrar as perguntas cheias de convicção, daquela investigadora, a minha cabeça mudava logo de ideia e pensar assim deixava-me profundamente preocupado. A culpa era minha, eu tinha aberto a caixa de pandora e agora todos males estavam a expandir-se.

Voltei sentar no rochedo, peguei em várias pedrinhas e as joguei nas aguas no lago, cada uma delas representava o peso da minha consciência, o peso dos medos, cada um sendo lançado a sua distancia.
Eu nao merecia isto, ela nao merecia, éramos um casal feliz naquele dia, tinhamos casado a tao poucos anos, tínhamos tudo para sermos felizes, mas infelizmente o tempo mudou e Alice ficou longe de mim. Só que agora olhando para essas pequenas recordações, e vivenciando parte de dias difíceis, chegava a conclusão de tudo podia ter um rumo diferente, quer dizer sempre ouvia dizer que a verdade era o melhor caminho, mesmo que doesse, mas um dia a gente saberia perdoar.

Eu queria saber o que tanto havia para esconder, que razões tinha ela de encontrar com ele e assim terminar o episódio da forma mais trágica. Eu só queria uma razao, um simples razao. Porem, com mais voltas que desse a minha cabeça, nao encontrava nenhuma resposta, nenhum propósito plausível.
Deitei-me todo para tras ficando agora com cabeça na relva semi molhada pelo orvalho matinal, fechei os olhos. Quando voltei acordar, estava com uma dor um pouco desconfortável na coluna, pois nao tinha escolhido o melhor lugar para permanecer deitado, no entanto levantei, com alguma dificuldade e fui ate ao meu carro, onde tratei de instalar-me e assim seguir caminho ate onde devia seguir.

Lucy
O depoimento feito por Alice Brandon nao me deixou muito esclarecida, porque afinal de contas nem álibi ela tinha, por isso continuava a ser o principal suspeita a meu ver. Ja para nao falar que o seu nervosismo era bastante inquietante e parte das suas declarações nao tinham um encaixe perfeito.
Voltei ate ao meu gabinete no departamento, onde ao caminhar pelo corredor, vi Maggie a beber um café e meteu-se logo comigo.

- Entao Lucy? Vai um café? - riu-se tomando um gole do seu.

- Nao... Hoje nao estou com espaço para cafaina. - sussurrei ao seu ouvido, como se fosse a confissão de um segredo.

- Ah desculpa doutora... - sussurrou de igual modo no meu ouvido.

Sorri para ela e entrei dentro do meu espaço, sentando a volta da minha secretária, abrindo a tampa do meu portátil e começando a passagem a escrito no suporte digital do que havia de relatório. Era hora de ver se as minhas perguntas realmente tinham resposta com sumo. De caneta na orelha, e maos no meu teclado, dei maos a obra.

Depois de tantas horas voltada neste quebra cabeças esqueci por completo do que tinha marcado para esta noite. Pela certa teria de desmarcar, centésima vez, pobre Demitri que tinha de ficar sempre no lugar pendente de tudo na minha vida. O que vale é que ele era um bom namorado e compreensível, embora nao sabendo ate quando.
Peguei no telemóvel e digitei o seu numero, onde levei-o ate ao ouvido esperando atenciosamente por seu atendimento.

- Alo? Lucy?

- Alo Demi... - tentei suar a esquecida, para nao doer. - Desculpa esqueci por completo do nosso jantar, achas que dá para ser a outra hora? É que estou mesmo atrasada aqui no trabalho, e é um relatório, pelo qual nao posso adiar mais dia nenhum. - ouviu-se um suspiro pesado em linha.

- O trabalho esta sempre em primeiro plano na tua vida, ne? Ja me habituei a esse ritmo. - ele falava com algum desdém.

Era certo que ele tinha todos os motivos para estar quase que aborrecido comigo, pois eu andava a brincar com o fogo, por assim dizer. Demitri era a pessoa mais importante da minha vida, mas a minha carreira era o meu sonho transposto na realidade que vivo. Era óbvio que nao podia escolher entre uma coisa e outra, porque nao eram coisas pelo qual eu queria ficar sem ter. A uma porque o trabalho é fundamental na vida de de qualquer pessoa, a outra porque o seu amor era indispensável.

- Demi, sabes que nao é bem assim... por favor entende que a coisas que nao posso atrasar, bolas tu entendes sempre tudo e agora estas a dificultar... - tinha pesado agora.

- Entendia sim e entendo, so que nao quero ser maneira alguma o teu ponto de atraso, ok? Nao te preocupes que quando a doutora tiver um tempinho, avisa aqui o parvo que esta a tua espera.

- Amor, nao fales assim!

- Lucy volta ao teu trabalho, antes que nem amanha tenhas um relatório feito. Ate mais tarde, se vieres dormir.

Desligou a chamada, sem que eu pudesse ou menos protestar, era certo que tinha dado as minhas falhas e que continuasse a insistir com ele agora, acabaríamos por nos chatear a seria.

Eu tinha de fazer alguma coisa, tinha de encontrar um tempo no meio de tudo para compensar a minha ausencia em todas as horas de uma namorada presente. Entao mais tarde, quando por acaso conseguisse terminar o meu serviço, eu teria de ficar com ele e compensa-lo, porque se nao um dia desses acabaria sozinha, como alguns dos meus amigos.

Alice Original

Jasper ja tinha saido de casa a horas, Kim estava de volta do pequeno Simão e ao mesmo tempo, nao queria estar a envolve-la neste assunto, que em alguma hora acabaria por saber.
Fui ate ao jardim so para certificar-me que ou menos ele pudesse estar a chegar. Ao trilhar pelas margens da verdejante relva da minha casa, fui surpreendida por minha mae que ja nao via a bastante tempo.
- Oh Alice, ja mudas-te de roupa? - olhei para ela incrédula, depois para mim mesma.
- O que? - perguntei nao percebendo a sua insinuação.

- Oh filha, a pouco estavas vestida com umas jeans e uma camisola amarela e agora estas com um vestido. - continuei confusa, ate chegar a uma conclusão, que bom, na verdade a resposta para toda a confusão.

- Haaa, eu sujei-me a pouco foi isso. - justifiquei-me.

- Hum esta certo, entao querida ja falas-te com o teu marido? Quando lá voltam para jantar? - deduzi desde logo que elas tinham estado na conversa e como nao queria suar a desentendida disse.

- Nao, ele ainda nao chegou, sabes que é difícil apanha-lo por casa. - comentei sorrindo.

- O teu marido é tal e qual o teu pai, um homem ocupadíssimo.

- É isso exactamente.

Continuamos um bom pedaço mais a conversa. Parecendo que nao assim tambem nao tinha nada pelo qual estar a pensar em outras coisas.


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