- Alice! Cinthya! - gritou ele vendo nos sentadas na grande cadeira de baloiço.
- Estamos aqui! - foi a minha irmã que respondeu.
Por vezes era bem mais simples ignorar, porem era impossível, ele nao sei como conseguia sempre arrancar um pouco da minha atenção.
- Priminhas vamos fazer alguma coisa divertida! - afirmou ele, eu bufei desde logo e Cinthya parecendo estar a gostar da sua ideia, levantou-se colocando-se assim ao lado dele.
Ja sabia que vinha ai aquele jogo psicológico e que eu ia começar a nao ter chances de fugir,contudo ainda ia tentar a minha maneira fugir, embora nao tendo bem a certeza se tal podia dar certo.
- Emmett, nao me apetece brincar a nada, será que posso apenas ficar por aqui, a observar vocês...
- Nao!
Nem tempo para um suspiro eu tive, tanto que eles ja estavam agarrar e quase que diria que isto era uma ofensa a integridade física, mas nao passava de um mero momento, em que eu, Mary Alice Brandon, estava com uma preguiça sem tamanho.
Arrastaram-me ate a outra parte do jardim, sentando na mesa do banco de piquenique, que um dia o Tio Bernardo, havia construído.
Esperava sinceramente que a brincadeira fosse ou menos interessante e que de alguma maneira tivesse um inteiro motivo para tirar preguiça desta tarde de muito calor.
- O que acham de jogar xadrez? - perguntou ele.
Arregalei bem os olhos, questionando comigo mesma qual o mal que eu havia feito a Deus para merecer um tédio tao grande.
- Xadrez nao! Eu cá prefiro um jogo de estratégia! - sugeriu Cinthya.
Entre a opção de xadrez e cluedo, sempre era melhor,sempre era melhor jogar as descobertas de casos extremamente interessantes, do que pensar em qual a melhor jogada para fazer Xeqmat.
- Ok, entao vou buscar o tabuleiro! - ofereceu-se ele.
Cyntia preparou bem na minha cara, e nao soube poupar-se a questionários tao infinitos, que so ela mesma sabia fazer.
- Alice o que se passa? Quem olhar para ti vai dizer que estas a odiar as férias na casa de campo da tia...
Deitei-me no banco nao aguentando mais este castigo, de ser a irmã mais velha, ou por outras palavras a bába da familia.
- Minha querida e linda irmã... - passei um sorriso no meu rosto. - Sabes que esta um dia de calor e gosto de estar sossegada, descansando, nao estando a fazer figuras!
Ok a minha resposta a nao tinha convencido em nada, pois estava a rir-se as gargalhadas da minha cara.
- Tens sempre um humor fantástico!
Emmett surgiu de tabuleiro na mao e pousou na mesa sentando de seguida. Eu levantei-me de má vontade para tomar a devida atenção das regras do jogo.Ao fim de ouvir tudo iniciou-se a partida.
Caso a caso so foram surgindo mais enigmas, que em nada encaixavam no grande problema que estava a rondar a volta de quem matou o senhor Bunner.
- Eu acho que ja sei quem matou! - afirmou ela.
- Quem é que achas? - questionou logo o meu primo curioso.
- Esta na cara que foi a criada! - disse eu num palpite.
Afinal de contas o jogo nem estava a ser tao mau,tinha a sua mística curiosidade, e isso encaixava na perfeição do meu engenho hiper curioso.
- Hum nao sei nao! Creio que foi o jardineiro... - palpitou de seguida a minha irmã.
Detestava quando era contrariada.
- Meninos aqui tem o sumo! - aproximou-se a tia com uma bandeja de copos de sumo de limão e tratei logo de pegar um. - Esta muito calor e voces precisam de refrescar as vossas ideias.
A tia tratou de entregar os outros copos aos restantes, ate o primo Emmett lembrar de chamar a mae novamente quando esra ja estava a voltar para o interior da casa.
- Mae junta-te a nós!
Olhei para a tia que estava a sorrir e acabava mesmo por voltar ate nós sentando ao meu lado na mesa. Realmente a familia Mcarty tinha o seu lado misterioso e bem unido que deixou-me muito a superar muitas expectativas.
De facto sempre havia pensado que a minha tia fosse mais ligada aos costumes culinários, do que aos costumes adolescentes.
- Nao sabia que você, tia, alinhava nestes jogos... - ela mostrou um sorriso dócil.
- E nem sempre alinho, mas o teu primo insiste tanto... e diz que se sente sozinho e ja estas a ver como é uma mae com pena... faz tudo por um filho.
Fiquei um tempo a olhar para o meu primo que observava bem atento o tabuleiro. Realmente a sua cara revelava muita coisa, mas solidão era coisa que nao existia.
- Eu estou farto deste jogo! Tudo é complicado! - desistiu ele. - Vai um jogo de cartas?
De facto o jogo estava a tornar-se torturante para alguem que nao estava muito disposto a pensar, assim como eu.
- Sim! - respondeu a minha irmã.
Para Cinthya qualquer jogo servia desde que fosse o suficiente para a manter ocupada. A tia levantou-se e foi buscar um baralho.
- O que voces querem jogar? De certo que tem algum jogo em mente...
- Ao peixinho!
O Peixinho era um jogo bem simples e muito para crianças, pelo menos pensava eu, porque na minha família ja tinha assistido a tanto que ja nada era duvidoso. Afinal de contas haviam sempre novas coisas pelos quais estávamos sempre a descobrir e como isso novas surpresas, enfim esse era o engenho engraçado de aprender e conhecer.
- Nao, é muito fácil e eu cá prefiro outro nível de jogada... - falou o primo e nós ficamos a olhar para ele a espera de ouvir a sua sugestão. - Que tal poker?
- Poker? - questionei olhando diversas vezes para a tia acabava de chegar com o baralho de cartas.
- Meninos aqui tem o baralho, agora vou para dentro porque ainda tenho a tarefa dificil de saber o que vou fazer para o jantar!
Ela virou costas e estando fora da nossa vista e tambem importante mente da nossa audição, Emmett, voltou a falar de um modo altamente secreto.
- Sim, é um jogo muito fixe! - sussurrou ele.
- Isso por acaso nao é um jogo de apostas de dinheiro?
Normalmente conhecia essa modalidade, pelo carácter económico que por vezes levava uns a falência e assim a loucura do suicídio, ou entao ao continuo jogar viciante que crescia cada vez mais a cada vitória.
- Sim, o normal é esse, mas como nós nao temos dinheiro, poderíamos usar outro modo. - explicou ele soltando um risinho.
Olhei bem nos olhos de cada um, os de Cinthya apenas requeriam mais respostas para muitas das suas inssanas questoes, os de Emmett, vontade de ver o que estava atras do véu...
- Que outros modos? - eu bem sabia que tudo levaria a algo que de alguma forma nao queria,mas ainda assim queria ouvir da sua boca aquilo que a minha cabeça ja pensava como certo.
- Tirando a roupa por cada jogo perdido, claro!
Estava feita num oito completo. Entao poker nao era a minha onda de aprendizagem,sendo mais facilmente teria a sorte de desfilar semi nua.
- Isso nao é justo, eu nao sei como vou ganhar! - comentou ela desiludida.
Todos começamos a rir as gargalhadas, e pior mesmo foi ver a cara de amuada da minha irmã, porque se bem a conhecia, odiava quando alguem ria de suas palavras. Contudo, esse mau humor passageiro, passaria, porque conhecendo bem Cinthya como conhecia, nao iria resistir a ficar indiferente as nossas brincadeiras.
(...)
Uns 10 minutos depois de continuamente perder, ja nao tinha mais roupas, alias ja estava no meu mínimo, enquanto que ele mantinha-se dos pés a cabeça por completo, sem uma única derrota a vista.
- Por mim chega! - deitei as cartas na mesa sentando-me um pouco mais a vontade.
- Realmente nao a muito mais para tirar nao. - comentou ele em forma de piada. - Ate estava a ser bom.
Claro para quem estava continuamente no auge das gloriosas vitorias nem seria de gente ter outro pensar.
- Para ti que nao perdes-te uma única vez! Uma única! - afirmei aquilo que era verdade.
Os homens so gostavam dos desafios quando das duas uma, ou lhes corria muito bem e estava como ganho, ou entao ja conhecia as estratégias todas de um jogo a sua altura. Caso contrário seriam logos os primeiros a desistir, mas nós, mulheres sendo diferentes como éramos, íamos ate onde o limite nos permitia ir.
- Pois claro a tua ideia era ver aquilo que nos vestíamos como roupa de interior! - resmungou Cinthya.
- Oh priminhas... nao fiquem chateadas, sabem que um dia ainda acabam aprendendo a jogar isto muito bem e ai seriam voces as feras do jogo. - falou ele com cara de gozo escondido, o seu sorriso mesmo bem atras das cartas.
- Pois claro, isso so vai acontecer quando tivermos pelo menos uns 90 anos. - disse.
As vezes os jogos podiam ser uma constante derrota para mim, mas lá quando começávamos com as trocas de frases engraçadas e quase que filosóficas, era eu quem sempre vencia, pois mal ou bem toda a gente ria.

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