Pela manha quando acordei sentia-me um pouco estranha para ir na escola como todos dias era habitual fazer. A minha mae preocupada com o meu estado irregular veio ate ao meu quarto, procurar socorrer a sua filha, que raramente estava doente. Os seus olhos grandes e azuis estavam carregados de um intenso medo, ela na tentativa de arremedar o problema de um modo simples e breve liga logo para o nosso médico assistente. Porem a ligação nao foi de todo a mais bem sucedida, dado que infelizmente ele nao se encontrava disponível a resolução deste problema. Entao como o tempo era tudo e o tudo era nada.
Nao houve nada a perder a minha mae pegou em mim e nas suas coisas e resumidamente levou naquela clinica de sua amiga. E claro como previa desde ja, para estar a ser levada naquele espaço era porque tinha as melhores referencias de cuidados.
Entao estando ja lá, ele fez o favor de dirigir-se ao giché, onde eu atenciosamente preferia aguardar no banquinho. Nesse tempo de espera, vi muitas crianças entrarem para consultas, outras de emergências... Todas elas tinham um razão para estar no aqui, e no agora, caso contrário, que sentido faria uma criança saudável vir num hospital, ne?
Tomei atenção ao meu ursinho, que era a minha maior companhia, porem nao sabendo de onde um garoto surgue e tira o meu brinquedo, corro desde logo aflita atrás dele, porque nao podia perder o meu único amigo, o Teddy.
- Da-me o meu boneco! - gritei para ele, nunca parando de correr.
Por mais estranho que fosse a minha má disposição estava mais adormecida.
- Nao dou nao! - gritou ele parando de seguida, ficando assim com o braço bem esticado.
Olho para os lados procurando algum modo rigoroso de chegar a essa altura, no entanto nao havia nada que fosse precisamente o tamanho certo, faltava sempre o "QUASE".
Ele vendo que eu nao estava propriamente a conseguir, fazia cartas, e simplesmente nao gostava, ficava desde logo completamente irritada.
Entao ouve uma hora em que eu apanhei o braço do urso e começei a puxa-lo para mim, no intuito de reave-lo, no entanto ele teimoso como aparentava ser puxou continuamente para si, acabando por acontecer algo pelo qual ja temia. O braço do ursinho Teddy rasgou.
Quando fiquei com o poluche na minha mao, sem o seu membro, comecei a chorar muito como se ainda fosse uma simples e afortunada criança. Nao chorava pelo simples objecto que perdia, mas pela simbologia que ele tinha para mim. Afinal de contas o Teddy tinha sido uma prenda tao importante, enviada pelo tio Jorge, do tempo de suas viagens a Europa.
Infelizmente ele ja nao estava vivo desde o ultimo verão, e entao quando estava triste, o Teddy era minha fonte de animação, assim como agora estava a ser, ate do nada, acabarem com o meu simples animo.
- Agora ja tens o teu bonequinho! - falava ele com um riso maroto e ao mesmo tempo satisfeito.
Agarrei firme no meu boneco, dando uma ultima olhada nele e deitei-o no chão, pois ele estando assim, estragado, perdia intenso do seu valor.
- Nao o queres? - perguntou apanhando do chao.
Virei costas para nao ver o fim do meu Teddy, mas eu mesmo nao querendo ver, era obrigada, porque ele, so parecia ter prazer em ver-me triste.
- Ja que nao o queres, vou dar a quem o queira... - comentou ele dirigindo a uma senhora sentada com um bebe no seu colo.
- Olha Maggie o que o menino veio trazer para ti! - falava a mulher com ternura para a sua filha.
A minha tristeza logo passou, ao ver que mal ou bem, o meu velho e único amigo ficaria em boas mãos.
Ele aproximou-se de mim, sorrindo e eu claro, que ja nao tinha motivos para estar chateada, caminhei ao seu lado, ate a porta do jardim.
Sentei no banquinho branco e ele logo olhou para mim.
- O que foi? Nunca viste? - perguntei.
- Uma menina como tu nao! Podes ser ate irritante, mas gosto de estar contigo.... - comentou rindo.
- Eu irritante? - ri-me. - Tu é que és um idiota, porque estragas-te o meu ursinho... mas estas... perdoado... - falei a ultima palavra e sorri.
Ele ainda mais foi aproximando de mim, dando um beijo em meu rosto, e novamente a minha cara ficou rubra, e sem bem que sentia o fervilhar do sangue no meu rosto, podia ate dizer que estava feito um tomate, daqueles bem maduros.
- Eu nao sou nenhum idiota nao. Lá que digas que sou um brincalhão eu aceito... - riu-se e eu sai contagiada dessa boa disposição.
- Como te chamas? parei de rir ao questionar do seu nome.
- Nao me chamo, vais me buscar... - rui-se e eu nao achei a mínima piada. - Estou a brincar. O meu nome é Jasper Whitlock e tu?
Podia brincar da mesma maneira que ele havia brincado comigo, mas nao, uma verdadeira senhorita como eu, era seria e nao fazia muitas cortesias a volta do seu nome, entao sem rodeios, prenunciei o meu nome.
- Caroline Forbes, prazer! - falei num modo bem adulto e ao mesmo tempo clássico, estendendo a minha mao para ser beijada.
- Caroline Fokrs?! - gozou com o meu apelido. Aproveitei a minha mao estar estendida para dar logo uma leve palmada no seu ombro.
- Forbes! Caroline Forbes, menino Whitlock! - respondi.
Entre risos e outras palavras mal esclarecidas, uma médica surguiu diante da porta e chamou:
- Jasper Whitlock podes vir!
- É a minha vez! - falou ele saltando para o chao e indo para a entrada, sendo desde logo seguido pela médica.
Fiquei com pena de ficar sem a sua companhia, pois a minha mae ainda estava a conversa no guiché. Voltei a sentar no banquinho e lembrei do beijo dele. Mesmo com aquele jeitinho, ele tinha despertado em mim uma alegria como ja nao sabia ter. Nao que os meus pais nao gostassem de mim, porque gostavam e isso nao podia negar. Contudo neste momento a sua prioridade era minha recém nascida irmã, a Claire.
Apesar de estar prestes a tornar-me uma adolescente, ainda gostava de ter um colo, atenção da minha mae, ajuda do meu pai... e esse Jasper tinha dado a mim, o mínimo que ja nao sabia ter.
- Caroline! Querida onde estas? - chamou a minha mae que andava a minha procura.
Saltei do banquinho e entrei no interior do edifício.
- Ha estas ai! - falou ela ao ver a minha gradual aproximação. - A doutora Maria ja vai chamar por ti. - disse ela ajeitando uma nuance do meu cabelo e passando de seguida a mao no meu casaco, ajeitando.
- Mae eu nao sou mais uma boba! - comentei, cruzando os braços, aborrecida.
Como ela ainda gostava de tratar-me como uma simples criança?
- Desculpa meu amor! - suspirei pesadamente.
Instantes depois olhando para os lados, vejo curiosamente a porta do elevador abrir e de lá surgir ele, o meu novo amigo, o Jasper. Solto um grande sorriso e largo a correr como uma tontinha cheia de saudades.
- Jasper! - gritei ao correr.
- Caroline! - deu abraço bem apertado quando estava no seu enlaço. - Vou ter saudades tuas...
Afastei do seu abraço e vi ele simplesmente seguir para fora do edificio na companhia de uma senhora idosa.
- Querida! - chamou a minha mae a minha atenção do menino. - A doutora esta a chamar por ti. - avisou ela, pegando na minha mao.
Nao estava nem ai, para dar a devida importância de ir ter uma consulta ou de a médica estar a chamar por mim, no entanto a minha mae era muito mais persistente que eu, porque agarrou com mais firmeza na minha mao e juntas entramos no maldito consultório.
Entrei de contra vontade, pois o meu amigo tinha ido embora, e com ele levado a minha alegria e força. Eu so queria ir para casa, para o meu quarto.
- Mae eu vou para casa!
- Nao querida! A doutora Maria vai examinar-te! - revirei os olhos e sentindo a miuda mais derrotada, sentei na cama que ela fizesse os malditos exames.
Da minha cabeça, volta e meia estava ele, porque dela nao saia, mesmo que o nosso encontro tivesse sido feito da forma mais estúpida.
- Aparentemente esta tudo bem com a Caroline, mas qualquer das maneiras tenho aqui este xarope que vai fazer muito bem, e que garanto que os resultados vao ser os mais positivos possíveis.
Ela encheu uma colher com um liquido verde e com um cheiro horrível, pelo qual deu a mim para eu poder tomar. O sabor era amargo e tao viscoso que ainda estava preso na garganta.
A minha vontade era de o deitar fora, mas nao o podia fazer, entao a grande custo o engoli.
(...)
No fim do dia aquela imagem do sorriso nao parava de ter aquela aparição continua, entao aquele beijo era impossível de apagar.
Esperava sinceramente poder voltar a encontra-lo, dado que ja sentia o peso das saudades apertando o meu coração. Tao estranho sentir-me assim, era a primeira vez que alguem deixava-me assim, quase dependente.
Talvez o sentimento que produzia este meu estar, ainda nao tinha nem maneira nem tamanho para uma explicação, porem um dia as minhas perguntas seriam esclarecidas e o meu entender saciado.
Sentei na borda da janela e levei a mao ao peito.
- Por um mal estar estranho, cheguei naquele lugar, aquela hora e vi aquele alguem.
Sorri para a lua que brilhava intensamente e se pudesse de alguma forma definir o seu estado, diria que estava no reino da sua felicidade.

Oh, tadinha da Caroline. Acordar doentinha não é mesmo nada bom né? Sorte a mãe dela providenciar atendimento médico logo, não?
ResponderEliminarMas olha só, que menino mais traquina! Roubando ursinhos alheios... Isso não é nada bonito, hein?
Fiquei com tanta dózinha quando o braço do Teddy rasgou. Pobre urso! u.u Mas ao menos ele fará a alegria de outra criança agora, não é?
E vejam só: o menino traquinas é ninguém mais, ninguém menos que o Jasper! Levado você, hein garoto?
Ainda bem que ele soube se redimir e alegrou a Caroline depois, dando início a uma amizade muito fofa!
Tomara que eles tenham a chance de se reencontrar um dia, né?
xoxo
Olá Caroline
EliminarSim a mae de Caroline foi mesmo muito boa em conseguir atendimento imediato para a sua filha. Se ela nao estava bem nao podia ficar em casa, ne?
De facto o roubo do ursinho foi um mero pretexto do nosso amiginho para ganhar assim atenção dela. Ok que a ideia dele nao foi de todo a mais simpática, mas digamos que a resolução seguinte foi de um verdadeiro cavalheiro ne?
Alguem ficou triste, mas ao mesmo tempo feliz porque afinal aquilo que ja nao servia a um, serveria a outro.
Sim a amizade deles é bem fofa, apesar de um inicio atribulado, diga-se de passagem.
Sim tomara que eles se reencontrem no futuro, quem sabe.
Beijinhos