Capitulo 30 - Reatar a Relação
Alice Robot
Depois de algum tempo deitada sob a cama, de vaguear pelo quarto, olhar pela janela, decidi sair e voltar ao retorno de minha vontade expressa de tocar. Ao descer as escadas, vejo Kim a entrar na sala com um sorriso vitorioso e quase que a ignoro, contudo ela vem ate mim, ficando eu sem perceber porque, dado que pouco contacto tínhamos e só porque ela havia ajudado em outra hora, nao queria muito alargar minha amizade, pois tinha as minhas duvidas por vezes.
- Alice querida! - chamou ela quando viu de certo uma rejeição de atenção da minha parte. - Nao falas comigo? Pensei que éramos amigas, alem disso ajudei-te! - deu a conhecer detalhes de um certo episódio embaraçoso.
Voltei minha atenção para ela, colocando um sorriso simpático e guardando só para mim toda a vontade de ser rude.
- Eu agradeço profundamente tudo o que fizes-te por mim, mas isso quer dizer que queria a tua companhia toda a hora. - fui frontal, sem medos ou rodeios. - E creio que tens uma pessoa que esta a tua espera! - apontei para as maos dela que levavam um copo de leite. Ela olhou para as maos e depois sorriu para mim.
- Nao precisas de ser assim comigo, só quero ser tua amiga e como tal os amigos ajudam-se. - deu um passo a frente. - Estas a vontade para falar comigo sobre tudo o que precisares... - aproximou-se agora do meu ouvido. - E ate de namorados... - voltou afastar-se a rir como uma tola e começou a subir os degraus da escada.
- Espera! - pedi, logo olhou para mim curiosa. - Podes ajudar-me? Como? - questionei, nao sabia como ela podia ser util para mim, e isso deixava-me profundamente dependente dela.
Ela voltou a descer os primeiros degraus que havia subido, pegando na minha mao com a sua livre, indo ate a uma cadeira num sitio discreto. Olhou para todos os lados antes de falar comigo e vendo que nao havia perigo, começou:
- Eu sei que tens um caso com um jardineiro, e notório no teu olhar profundo, apaixonado. Alias todas as todas as melodias que tocas, sao carregadas de significado que nem qualquer pessoa percebe. - respirou fundo. - Quem me dera ter uma oportunidade como tu tens! - suspirou. - Ele tem de ser muito especial para ti, se nao sentido teria a tua vida agora, que a Alice, verdadeira voltou para a sua casa, ne? - sorriu pegando na minha mao, e acariciando.
Nao tinha ideia ate onde ela queria chegar, mas que de alguma forma as suas palavras eram interessantes, lá isso eram e o facto de estar a dispor de uma ajuda como esta que estava a receber poderia acabar com o segredo que tinha e assim viver em paz com ele. Sem ter aquele receio de ser apanhada, de sofrer uma separação. David era tudo para mim e se agora o destino estava a encaminhar uma chance de remediar um erro, nao tinha duvida que hora da verdade estava cada vez mais perto, cada vez mais sentia que eu ia continuar a ser feliz e que se algum dia Jasper me criou, era para eu ser capaz de ser assim eternamente.
- É verdade sim que estou apaixonada.... O nome dele é David e é... - olhei para o lado procurando através dos vidros da janela olhar o jardim que em tudo lembrava ele e mais nada. - o rapaz mais incrível que algum dia pensei conhecer. É claro que tudo o que tenho hoje, o que sinto ou desejo, devo ao Jasper, porque se nao fosse o azar da sua vida, eu nao estaria aqui, nao sentiria aquilo que sinto, ou aquilo que falo. - ela olhava com bastante atenção para mim. - Eu ate posso ser uma máquina, mas acredita, sinto o amor como se de carne e osso. - sorri muito feliz.
- Oh minha querida, que bom que encontras-te uma razão para a tua vida, so que agora falta realizar o essencial que eu, claro, vou ter todo o gosto em ajudar... - passou a sua mao no meu rosto muito ao de leve, porque sentia a rugosidade da sua pele a envelhecer pelo tempo. - Eu posso falar com ele, saber através das suas palavras que planos tem para a vida, o que acha de alguns pontos da evolução cientifica. - sorri, mas logo baixei a sua mao.
- Kim! - chamei. - Eu agradeço uma vez mais que querias ser ponto de ajuda, mas nao creio que ele vá entender certos e determinados pormenores, pelos nao para já... - suspirei, sem precisar. - Sabes, ele é uma rapaz simples, sem complexos, e claro que se vais tocar em assuntos como este que sou, ele pode nao querer interpretar da melhor forma. - fui sincera com ela. - Acho que a única pessoa que pode contar a verdade, sou eu e mais ninguem. Se ele tem a vontade de odiar um dia, caso nao aceite assim, será a mim e nao a outra pessoa. Entendes todas as minhas razões? O cuidado que tenho? - ela acenou afirmativamente.
- É por isso que o quero proteger ao máximo, porque ele é sensível e momento algum o quero magoar.
Estar abrir o meu coração de máquina para uma mera conhecida, era estranho, e ao mesmo tempo uma sensação de liberdade pura que em momento algum tinha sentido. É claro que tinha muita vontade de poder chegar ate ele, dizer o que era, sem que ele sentisse aquele nojo de mim, de estar a entregar-se a uma máquina, porem máquina esta que tinha sentimentos e que nao escolhido amar alguem que nao o seu criador.
David tinha conquistado o meu coração naquele dia, no jardim, com aquela flor que eu inocentemente nao conseguia retirar do seu meio. O meu coração desde entao apenas pertenceu a ele, ate cheguei arriscar ficar desligada so porque nao amava o meu criador como ele amava a mim. No entanto a dor foi passando, a outra Alice voltou, eu, graças a Zaza que amo muito, voltei a vida, voltei para junto do meu amor, para junto daquele que nunca em momento algum devia ficar longe. E agora olhando para a realidade do futuro de amanha, o meu sonho de contar a verdade estava cada vez mais próximo de realizar e ai seriamos apenas eu e ele a viver a nossa vida em comunhão com a música que nos ligava com as flores que nos acompanhavam.
- Alice? - chamou ela, ja nem lembrando da sua presença de tanto ficar no meu mundinho mergulhada. - Esta tudo bem? Eu sei que talvez esteja a precipitar-me com algumas ideias, mas é complicado nao ficar tao empolgada com um amor como vosso. - falou ela sorrindo ao levantar-se.
- Sim... Esta... - respondi rapidamente, levantando. - Eu tenho de pensar muito bem da forma como posso introduzir toda a minha história e alem disso ele pensa que tenho uma doença que por vezes me impede de tal modo de ficar mais tempo próxima dele. - levantei-me da cadeira, ajeitei os meus cabelos, soltando eles para tras das costas.
- Entao pensa bem no que farás... - pegou nas minhas maos dando um abraço. - És sem duvida a robot mais fofinha que algum dia tive oportunidade conhecer, e alem de mais mereces ser sim feliz. - passou as maos nos meus cabelos.
- Obrigada Kim... nao sei como mais posso agradecer toda a tua ajuda, sem trocas, sem nada. - afastei-me de seu abraço. - Acho que se algum dia ele nao aceitar a minha verdadeira razao de vida, eu creio que nao terei sentido para continuar ligada.
Fui o mais tocante possível, porque essa era a verdade, se havia coisa que deixava com vontade de todos os dias poder viver era ele, e se algum dia ele deixasse de olhar para mim mais daquela forma eu preferia nao voltar mais a viver. No fim da nossa conversa retomei o meu passo, ela o seu e caminhando em sentidos opostos, estaríamos a lutar para um bom futuro.
Lucy
Estava a chegar finalmente no apartamento, e como era óbvio ja passavam das 3 da manha quando por ventura, entrei dentro de casa. Ao acender a luz encontrei um bilhete em cima da mesa. Larguei tudo o que tinha comigo, apenas me dirigindo ate a mesa para ler o que Demitri havia deixado para mim.
"Cansei se ser um fardo na tua vida, senhora doutora Lucy. A partir de agora o apartamento é todo teu, nao terás mais satisfações a dar, nao terás mais a mim para desabafares os teus tao preciosos casos. Lamento se nao fui o namorado que esperavas ter, mas acho que nenhum outro homem, teria a paciência que eu tive, viveria a vida que eu vivi. E tu que agradecimentos deste? Nenhum, ne?
Pedi-te em casamento e sabes qual a resposta que deste? O silencio. Pedi para termos um filho e tudo o que dizias era que estavas cansada porque tinhas tido um dia difícil e tempo nao era o teu alvo acrescido. Só para dizeres na minha cara que nao querias ter filhos agora, e talvez nunca.
Desculpa a minha sinceridade agora, mas não dá mais para viver uma vida como esta que achas é normal. Eu nao nasci para ser mal amado, para nao ter o carinho que um homem precisa. Quanto ao resto da nossa vida partilhada, nao precisas de preocupar com mais nada, irei ficar em casa de uns amigos, perto do hospital. Vou dedicar-me mais que nunca de corpo e alma ao meu trabalho, assim como tu ao teu. E nao vou cometer novamente o mesmo erro de ficar em segundo plano na vida de alguem.
Há quando entrares no quarto és capaz de ter uma surpresa, de encontrares tudo desarrumado talvez, mas é que tive de arrumar as minhas malas a unica coisa que deixei foram as fotografias da minha mesinha cabeceira. Espero que nao fiques chateada, oh claro que nao vais ficar, ne? Nada é mais importante na tua vida que nao o trabalho, por isso esta tudo bem.
Há e nao tentes perder tempo com chamadas porque nao irei atender, e alem disso nao quero ouvir a tua voz dando uma nova desculpa.
Lucy, obrigado por todos os momentos mesmo sendo poucos, os felizes que tivemos e espero que encontres alguém que partilhe do mesmo vicio que tu e que se amem profundamente.
Adeus, fica bem.
Demitri."
Quando acabei de ler o bilhete nao acreditei na forma seca de como ele estava a deixar-me. Cai no chão inacreditável e as lágrimas foram caindo de meu rosto sem que eu as pudesse segurar. Voltei a passar os meus olhos novamente pelas palavras que a sua mao escreveu. Demitri nao podia fazer isto comigo, nao agora.
- Porque Demitri????? - gritei para as paredes, cujo a resposta apenas estava no papel. - Porque foste embora? Porque nunca entendes? - chorei cada vez mais.
Levantei-me com dificuldade indo ate ao grande cadeirão, pegando assim a minha bolsa, de lá tirando o meu telemóvel e ignorando assim o pedido dele, primei no botão verde e liguei para ele. A chamada tal como prevista acabou caindo na caixa postal e deixei cair o telemóvel no chao.
Ele estava mesmo a cumprir com a sua palavra de desligar-se de mim, de manter-se no silencio, ignorar minhas desculpas. Ok eu tinha abusado sim da sorte, e por causa disto acabei com a minha relação de anos. Eu ate era feliz ao lado dele, tínhamos uma vida estável, embora como ele falava a atenção que presentava era por vezes escassa.
Mas eu nao ia deixar isto assim, nao podia, nao era mulher desistir de lutar, nao fazia parte dos meus precipícios. Demitri era o homem que eu amava, tinha de ter uma chance de redimir-me pelo menos por uma ultima vez, olhar nos seus olhos e ver a vontade de dar um fim na nossa relação. É claro que falar atraves de papel sem encarar a própria pessoa, tornava tudo muito mais simples, nao digo que nao, contudo nao era fácil perceber através das palavras a vontade de desistir ou continuar. Essa so se saberia ao estar de frente com ele, olhar no fundo da questão.
Levantei-me do chão, caminhei ate ao quarto. Ao abrir a porta reparei numa desembaraçada desarrumação, e tal como ele havia dito, as fotografias da sua mesinha estavam lá. Sentei na borda da cama, peguei num dos retratos e lembrei a eterna felicidade de um dia chuvoso em que ele tinha pedido a mim para namorar. Que ironia esta de relembrar detalhes de um passado feliz, em que a minha carreira policial nao passava da teoria.
Pousei o retrato no mesmo lugar, e deixei-me cair toda para cima da cama e fechei os olhos pois estava bastante cansada e ao mesmo tempo queria acordar deste sonho mau, porque nao acreditava ainda que tudo fosse verdade.
Pela manha quando acordei, e olhei para o lado, percebi que nao era um sonho aquele que tinha vivido esta madrugada. Nao estava com a mínima vontade de sair da cama e saindo pelas ruas cumprindo dever, no entanto sempre havia aprendido a nao misturar a vida pessoal com o trabalho e era assim que tinha de ser. Embora olhando agora bem para o espelho do roupeiro, era dificil passar despercebida aos olhos dos meus colegas no departamento, muito menos de Maggie e Nettie, que eram as melhores especialistas forenses da cidade.
Respirei fundo tentei brotar um sorriso, quase forçado mas atento. Troquei rapidamente de roupa e dei uma escovada saudável no cabelo, passei o rosto por agua, um pouco de lápiz preto, e finalmente estava pronta arrancar.
Ao colocar um simples passo na rua, tudo parecia normal e quase que teria a sorte de passar despercebida, mesmo de óculos de sol num dia de neblina matinal. Cheguei ao carro e sai cantando pneus pela estrada fora, chegando em cerca de 30 minutos no serviço. O problema apenas surgiu depois quando por ventura, encontrei justamente a porta Nettie a fumar um cigarro.
- Bom dia Lucy! - soltou um pirisca para o chão. - Hoje nao esta sol para vires de óculos... - comentou, e eu bem sabia que ela ja o ia fazer, entao retirei os mesmo e espanto se fez. - Que cara é essa? - apagou o cigarro, pisando com o pé e de seguida pegou na minha mao puxando para um sitio mais resguardado para conversar.
- Tive uma péssima noite Nettie! - disse, suspirando e a olhar continuamente para o chão, mexendo os meus pés impaciente. Ela pegou no meu rosto, fazendo com que eu a encara-se obrigatoriamente. - Foi o Demitri, e antes que venhas com sermões, eu ja sei que errei. - avisei desde logo.
- Se falares eu posso tentar perceber! - incentivou.
Estava a ser um pouco rude com ela que apenas estava a tirar um pouco do seu tempo preciso para dar uma espécie de consolo a uma amiga, e colega de trabalho.
- A nossa relação nos últimos tempos andava com que tremida, e... - olhei para o lado. - Ele cansou de ficar para segundo plano na minha vida, eu nao queria que tudo acabasse assim, porque amo muito ele, adoro a nossa relação, so que... - pausei. - Nettie! - peguei nas suas maos. - Amiga, tu sabes o quanto preso a minha carreira, e que sou minuciosa com o trabalho, e que prefiro resolver tudo hoje nao deixando nada para amanha. - larguei a sua mao. - Mas em consequência deste vicio do trabalho, é que a rotina do nosso namoro, da nossa partilha de amor, se tem tornado distante.
- Lucy! - chamou ela, voltando a pegar no meu rosto, examinando bem o meu olhar, de um modo que tive logo a vontade imediata de o desviar. - Tens de ter uma conversa seria com ele, e por outro moderar o trabalho, se nao um dia acabas arrependida por teres deitado pela janela a tua maior felicidade. - acenei afirmativamente.
Jasper
Ao chegar em casa encontro Alice sentada no sofá da sala, lendo uma revista e que de certo modo fazia minha espera. Saudei educadamente no intuito de mostrar a minha chegada, o silencio mantivesse ainda assim. Decidi aproximar-me dela, nao obter resposta era um pouco estranho.
Sentei no sofá e ela nao mostrava reacção, foi entao que dei conta que estava com uns tampões no ouvido, onde tive o certo cuidado de os retirar, fazendo com que ela olhasse para mim imediatamente e levasse com um susto, cujo eu nao queria provocar.
- Jasper, que susto! - levou a mao ao peito e deixou a revista de lado. - Onde é que andas-te ate agora? - tentou saber, pelos visto o seu humor ja tinha mudado um pouco, pelo menos assim aparentava, tanto que ja nao se sentia tao derrotista, ou menos a primeira vista.
- Desculpa meu amor, nao queria assustar-te de maneira nenhuma, mas é que quando entrei na sala vi-te tao atenta, e ao mesmo tempo sem resposta que decidi intervir. - justifiquei o meu acto. - E respondendo a tua pergunta, andei por ai... mas ja estou novamente em casa como ves. - sorri, dando um beijo no seu rosto rosado.
- A minha mae esteve aqui... - disse.
- Ai sim? O que ela queria? - perguntei.
Ja nao lembrava de rever a dona Esme Brandon a muito tempo, na verdade desde aquele almoço em sua casa e claro daquela maravilhosa brincadeira com as minhas lindas e adoráveis sobrinhas Chelsea e Renesmee. Tinha sido um dia explendido e cheio de emoções, porque senti muita tristeza quanto ao facto de estar a manter o Simão isolado.
- Ela estava com saudades de mim, de ti.... e claro que esta desejosa de voltar a estar connosco, em outro almoço, sabes como ela é... - sorri percebendo bem a ideia de ter um convívio em família.
Era óptimo estar em família, de partilhar momentos que a muito nao o fazia, na verdade os últimos anos, os últimos meses, ate dias se tinham tornado distantes para mim no que dizia respeito face a família.
- Sei sim, e tenho muitas saudades de um bom momento em família, sabes rever as minhas adoráveis sobrinhas... - falei levantando, para pegar um Whisky. - Queres? - ela acenou negativamente. Tomei a liberdade de encher apenas para mim o copo e beber um simples e notório gole.
- Falando em Familia, nunca mais tivemos noticias de Peter e Charlotte! - comentou. - Na verdade, a ultima vez que tive contacto com eles, foi no dia do acidente, depois disso, eu nao tive contacto, agora tu nao sei... - falou ela em desabado, cruzando a perna.
Peter e Charlotte andavam um pouco ausentes nos últimos anos desde que o meu irmão graciosamente recebeu uma proposta irrecusável da Interpole. Desde que ele tinha saído para Europa nunca mais havia estabelecido um mínimo contacto, o que ate me deixava triste, pois ele era a única família que eu tinha.
- Esqueci de contar-te, mas o Peter e a Charlotte, estao a viver na Europa, o meu irmão recebeu uma boa proposta de trabalho bastante irrecusável. - ela abriu a boca num espanto.
- Nao fazia a mínima ideia, mas tenho pena pois gostaria muito de voltar a ve-los e creio que talvez nao saibam da minha volta. - disse num suspiro, descruzando a perna.
- Talvez nao, mas amanha tento entrar em contacto com ele e ai veremos se ele pode tirar umas férias para visitar aqui o irmão mais velho. - ri-me e bebi o restante do liquido do whisky existente no copo.
No fim de uma conversa agradável no sofá acompanhei Alice ate ao nosso quarto onde estivemos um tempo mais a conversar, sobre outros assuntos banais, aproveitando aquele tempinho juntos, tentando a todo o custo, afastar da ideia o principal assunto da actualidade, que a todos os minutos de silencio, aparecia atormentar a mente e assim mudar em todo o contexto o nosso humor, provocando sempre os chamados sinónimos de desconfiança permanente.
Quando pela manha acordei, ja Alice estava bem acordada ao meu lado, de olhos postos em mim, sorrindo como um anjo. Beijei seus lábios docemente e tive mesmo de forçosamente sair desta cama pois tinha coisas a resolver no laboratório, uma invenção para criar.
- Amor ja vais? - perguntou Alice fazendo aquela cara irresistível de dizer nao. - Fica mais um pouco aqui ao meu lado... - era difícil dizer nao a um pedido tao tentador, mas tive de resistir e levantar por definitivo.
- Tenho coisas a tratar, mas prometo que hoje terás minha atenção mais cedo que o previsto, pode ser? - beijei a sua testa, saindo para o closet.
- Pode! - ouvi o seu grito resposta.
Vesti-me em pouco tempo, dei um boa penteadela neste cabelo rebelde e depois de passar um pouco de perfume, sai do quarto.
Desci as escadas fui ate a cozinha, onde ja tinha graciosamente um café pronto para mim, e claro uma boa companhia para o tomar junto.
- Bom dia Jasper! - saudou Kim, pousar o café, depois de um gole bebido. - Passas-te bem a noite? - perguntou atenciosa, passando o açúcar para mim.
- Obrigada! - agradeci a passagem do açúcar. - Sim, foi uma noite deveras tranquila e a tua? - perguntei de igual modo.
- Tambem, o Simão dormiu bastante bem e tirando isso, acho que nao existe nada que nos deixe mais preocupados. - sorri feliz ao tomar conhecimento desses detalhes. - Mas hoje pareces com um novo brilho no olhar... Fizes-te as pazes com Alice. - comentou, ao beber um novo gole de seguida, tapando o sorriso, com a chávena.
- Na verdade nao estávamos chateados, apenas distanciados. - respondi, bebi o meu café por inteiro e levantei. - Tenho de ir, mais tarde conversamos, pode ser? - acenei um adeus saindo da cozinha nao dando chance para ouvir a resposta.
Dirigi-me ate ao laboratório pelos fundos, entrando por uma entrada, cujo ninguem tinha acesso, menos a minha assistente Melyna que ja por uns dias que andava a faltar, pelo menos essa era a minha impressao, cujo Zaza facilmente ia esclarecer.
Lucy
Depois de algum tempo a desabafar com Nettie e de finalmente me sentir um pouco mais forte em relação a um problema que eu propria havia iniciado, encarei o trabalho, mas dizendo sempre para mim mesma que hoje nao iria mergulhar a fundo em questão alguma que nao fosse Demitri.
Todo o meu tempo hoje seria apenas reservada a ele, tinha de o procurar no hospital, tentar conversar, tal como Nettie havia dito, para eu fazer e só depois tomar como certo fim da nossa relação.
Entrei no meu escritório, sentei na secretária e lá tinha eu a foto dele do meu lado em um maravilhoso passeio em Veneza, oh saudades desse tempo. Nem lembrava mais o que era ter férias a muito tempo, ainda mais em conjunto com ele, que nos últimos tempos andávamos muito desaparceirados nesse ponto.
- Doutora, estam aqui uns papeis de alguns resultados para analisar! - bateu ao de leve a secretária Anastácia, depositando na minha frente uma breve pilha de papeis.
- Obrigada Anastácia, podes ir! - ela assentiu e saiu fechando a porta atrás de si.
Ao inicio pensei se devia ou nao tomar como certo iniciar o meu trabalho, porem de volta e meia os meus pensamentos levavam a mim para outro mar, mar esse que estava inteiramente ligado a minha vida pessoal. Respirei fundo depois de segundos a olhar para as fichas, virei costas para a janela. Hoje nao estava propriamente nos meus melhores dias, a minha mente nao estava propriamente funcional.
Levantei da cadeira e caminhei de um lado para o outro, sempre a cada ponto de viragem deixando um olhar expresso na secretária, onde estava a fotografia direccionada para mim.
- Demitri tu tens de me ouvir. - falei sozinha. - Eu tenho de ter o direito ou menos de falar, se nao vou eloquecer.
Desisti de andar de um lado para o outro como uma barata tonta e sentei de novo na cadeira da secretária, procurei por meu telemóvel na minha bolsa e de lá o tirei, onde rapidamente disquei o numero dele que sabia de cor felizmente e inciei a chamada, contendo sempre aquela pequena esperança.
- Vá lá Demi atende! - implorei, mas a chamada caiu na caixa postal.
Dei uma olhada no relógio da parede da sala e vi que era cedo para o almoço, mas nao para um lanche, que decididamente ele poderia estar a fazer uma pausa. Era isso mesmo que eu ia fazer, sair daqui e procurar por ele.
Peguei no meu casaco e na bolsa e sai a correr no departamento.
- Doutora a alguma emergência? - perguntou Anastácia ao me ver correr como uma louca, e era assim que realmente me sentia por tentar recuperar um amor da minha vida.
Entrei dentro do elevador e desci ate ao rés-do-chão onde novamente corri ate ao carro e sai como uma super heroína.
Chegando no hospital Local, respirei fundo antes de sair do carro, recompus o cabelo, fechei a porta e segui tranquilamente ate a recepção.
- Bom dia! Gostaria de falar com o Doutor Demitri Price. - pedi gentilmente para a recepcionista de cabelo ruivo mascando uma pastilha elástica.
- Claro, só um minuto que vou fazer uma ligação para saber se o doutor esta disponível! - falou ela pegando no telefone.
Aguardei alguns intensos minutos ate finalmente ela voltar a sua atenção para mim.
- De momento o doutor esta a terminar de auscultar um paciente que deu entrada a pouco mais de... - deu uma olhada no relógio de pulso. - meia hora na urgência. Creio que deve dirigir-se ate ao departamento de urgência, porque é lá que ele esta. - sorri muito agradecida e caminhei ate ao elevador para descer uns 2 pisos.
Ao chegar finalmente ao andar onde estava Demi, corri a procura dele por várias das enfermarias, onde por varias vezes tentaram esbarrar-me, mas como tinha escanção de ser da policia, as pessoas liberavam a minha entrada.
Finalmente depois de tanta procura encontrei ele sentado numa secretária de salinha com a porta semi aberta. Entrei e simplesmente fiquei na sua frente.
- Lucy! O que fazes aqui? - perguntou incrédulo com a minha presença. - Pensei que tinha sido bastante esclarecedor contigo. - salientou.
- Nós precisamos de conversar Demi, como dois adultos. - mative a minha postura firme, sem mostrar a mesma fragilidade da noite anterior. - Eu li a tua carta, e aceito de algum modo as tuas palavras, mas por outro lado, quero ouvir de tua boca as palavras que escreves-te, olhando bem nos meus olhos. - sussurrei quase as ultimas palavras.
- Queres que diga o que? - roçou uma mao na outra, mantendo os cotovelos assentes no tampo da mesa. - Aquilo que disse mantém-se nao muda, so pelo simples facto de vires aqui. - virou a cara, tentando fugir ao meu olhar. - Eu disse para nao me procurares, e agradecia que respeitasses esse pedido.
- Nem uma chance me das! - afirmei. - Uma única chance. É mais fácil fugir aos problemas do que os encarar, nao é? - respirei fundo, nao mostrando fragilidade que ao mesmo tempo implorava por aflorar. - Quero que saibas que arrependo-me de alguns dos episódios, de alguns erros que cometi, no entanto podes ficar a saber que foste sem duvida o único homem que eu amei e vou amar, caso queiras ficar assim. - ele estava prestes abrir a boca, mas eu o impedi com um sinal. - E antes de protestes seja o que for, fica a saber que nao vou voltar a encomundar se esta for por definitivo a decisão correcta que tomas.
Voltei as minhas costas para ele, chegando ate a porta, quando ouvi um desviar de cadeira seguidos de passos atras de mim, ao inves de voltar a minha atenção para ele, nao, mantive a minha firmeza de nao o encarar.
Ele passou a sua mao no meu ombro, depois no meu cabelo, ate finalmente olhar nos meus olhos, ja nao fortes de segurar as lágrimas de uma separação. Pegou nas minhas maos, nunca desviando o olhar por um segundo.
- Estavas disposta a mudar por nós? - perguntou, o que fez com que eu simplesmente respondesse com um aceno de cabeça. - A tirar mais tempo do teu trabalho para estar comigo? Sem desculpas? Sem rejeição? - continuei acenando a tudo afirmativamente. - Entao eu aceito voltar para casa, para ti, mas será a ultima chance que vou te dar.
- A ultima mesmo, eu prometo! - jurei com dedos sobrepostos nos lábios e depois abraçamos de uma forma intensa, dando um beijo apaixonado.
David
A cuidar das minhas plantas como todos os dias fazia, senti uma nova presença na casa, uma presença desconhecida e que por vezes tornava-se um pouco incomudativa, dado que a cada instante sentia-me observado. Esta observação que eu tinha na minha cabeça, nao era de Alice, porque ela nao estaria oculta tanto tempo, dado que sentia a sua presença de uma maneira diferente, conhecendo muito bem o seu aroma e seus passos.
Desisti por completo de dar asas a minha imaginação, trabalhando com o que realmente importava e dando maior parte da minha atenção para as minhas lindas plantas e começando o jogo de colheitas de semanal.
As roseiras estavam completamente sob carga, muito aromáticas, muito alegres e de certo prontas para deixar um toque especial na casa, a cada passagem de uma simples pessoa. De tesoura na mão e balde na outra, iniciei o corta, deposita. O balde foi ficando cada vez mais cheio, e cada vez mais havia uma mistura de intensas e lindas cores, prontas a prefumar o dia de alguem.
- Lindas Rosas! - deixei-me cair para tras ao ouvir uma voz desconhecida. - Desculpa nao queria assusta-lo! - estendeu a mao a mulher bonita.
Levantei-me recusando parcialmente a sua ajuda, recompondo o balde e escondendo a tesoura.
- A senhora procura algo? - fui simpático ao ponto de ser prestável em algum esclarecimento relacionado com o meio do meu trabalho, pois era tudo o que eu sabia e podia de alguma forma transmitir.
Ela deu uma risada leve, passando a mao no cabelo para o desviar do olhar carregado, mostrando um ar de superioridade. Olhando bem para a figura esbelte, era demasiado fina para precisar de atenção de um simples e pobre jardineiro como eu.
- Não... - sorriu. - Estava apenas a passear no jardim e que tinha aqui um lindo rapaz a cuidar deste lindo e extenso jardim. - disse ela. - Na verdade nao sabia que o Jasper tinha uma jardineiro.
- Ja trabalho para esta família a alguns anos. - respondi de forma esclarecedora, mas educada, nao levando muito a serio o elogio.
- E parece que tem outro elo de ligação a esta família! - comentou de uma forma de deixar questão no ar. A sua insinuação tinha agua no bico, ela devia saber de algo mais que eu pensava que ela nao soubesse, porem sendo uma família como esta, tendo as pessoas que tinha, era quase impossível ninguem saber do que na verdade passava para alem das quatro paredes da mansão.
Ainda assim tentei transparecer tranquilidade e ao mesmo tempo desentendimento, pois nao queria por em causa nunca a figura de Alice, perante uma estranha, que por outro lado nao tinha dado crédito suficiente para poder conversar abertamente sobre qualquer assunto.
- Nao sei do que estas a falar! - tentei parecer desentendido, o que na verdade estava a ser por assim dizer.
- Sabes sim, eu da Alice... - ao prenunciar o nome da minha amada, parei para pensar um pouco e cheguei a uma dada conclusão que por outro lado elas poderiam em um momento algum ter estabelecido uma conversa que por ventura englobasse a minha pessoa.
- Nao sei o que queres de mim entao! - ainda assim mantive a minha postura fria.
- Nao precisas de ser assim comigo, so quero ajudar, porque sei que tu e ela sao namorados e que lindo casal nao? - sorriu.
- Obrigada! - simplesmente agradeci, virando costas pegando no balde com as rosas e caminhando em direcção as traseiras da casa.
- Espera, eu ainda nao acabei... - chamou ela, fazendo com que eu parasse so para a ouvir. - Quero ajudar voces a serem felizes.
- Agradeço muito a simpatia, mas somos muito felizes assim! - voltei a pegar no balde e seguir o meu caminho.
- Acredito que nem em tudo vai ser feliz quando descobrir! - falou tirando a minha pouca paciência e educação do devido lugar. - É que a segredos que nem sempre conhecemos das nossas caras metades, por vezes bem ocultos. - bufei, olhando para ela para dizer umas poucas e boas, mas as suas ultimas palavras deixaram-me muito curioso.
- O que queres dizer com isso? Sabes de algo que eu nao sei? - questionei, olhando bem no olhar dela que em tudo nao era brincar. - É que se sabes podes falar, já que estas com tanta vontade.
- Nada de mal... porem posso ajudar-te a facilmente descobres esse segredo, sem que ela sabia que tu sabes, entendes? - os seus olhos brilharam nesse instante e fiquei tomado pela curiosidade.
- Sim... - simplesmente respondi sem dar asas a mais tema algum de conversa, pois com tudo isto ja tinha perdido muito do meu tempo precioso.
Alice Robot
Depois de algum tempo deitada sob a cama, de vaguear pelo quarto, olhar pela janela, decidi sair e voltar ao retorno de minha vontade expressa de tocar. Ao descer as escadas, vejo Kim a entrar na sala com um sorriso vitorioso e quase que a ignoro, contudo ela vem ate mim, ficando eu sem perceber porque, dado que pouco contacto tínhamos e só porque ela havia ajudado em outra hora, nao queria muito alargar minha amizade, pois tinha as minhas duvidas por vezes.
- Alice querida! - chamou ela quando viu de certo uma rejeição de atenção da minha parte. - Nao falas comigo? Pensei que éramos amigas, alem disso ajudei-te! - deu a conhecer detalhes de um certo episódio embaraçoso.
Voltei minha atenção para ela, colocando um sorriso simpático e guardando só para mim toda a vontade de ser rude.
- Eu agradeço profundamente tudo o que fizes-te por mim, mas isso quer dizer que queria a tua companhia toda a hora. - fui frontal, sem medos ou rodeios. - E creio que tens uma pessoa que esta a tua espera! - apontei para as maos dela que levavam um copo de leite. Ela olhou para as maos e depois sorriu para mim.
- Nao precisas de ser assim comigo, só quero ser tua amiga e como tal os amigos ajudam-se. - deu um passo a frente. - Estas a vontade para falar comigo sobre tudo o que precisares... - aproximou-se agora do meu ouvido. - E ate de namorados... - voltou afastar-se a rir como uma tola e começou a subir os degraus da escada.
- Espera! - pedi, logo olhou para mim curiosa. - Podes ajudar-me? Como? - questionei, nao sabia como ela podia ser util para mim, e isso deixava-me profundamente dependente dela.
Ela voltou a descer os primeiros degraus que havia subido, pegando na minha mao com a sua livre, indo ate a uma cadeira num sitio discreto. Olhou para todos os lados antes de falar comigo e vendo que nao havia perigo, começou:
- Eu sei que tens um caso com um jardineiro, e notório no teu olhar profundo, apaixonado. Alias todas as todas as melodias que tocas, sao carregadas de significado que nem qualquer pessoa percebe. - respirou fundo. - Quem me dera ter uma oportunidade como tu tens! - suspirou. - Ele tem de ser muito especial para ti, se nao sentido teria a tua vida agora, que a Alice, verdadeira voltou para a sua casa, ne? - sorriu pegando na minha mao, e acariciando.
Nao tinha ideia ate onde ela queria chegar, mas que de alguma forma as suas palavras eram interessantes, lá isso eram e o facto de estar a dispor de uma ajuda como esta que estava a receber poderia acabar com o segredo que tinha e assim viver em paz com ele. Sem ter aquele receio de ser apanhada, de sofrer uma separação. David era tudo para mim e se agora o destino estava a encaminhar uma chance de remediar um erro, nao tinha duvida que hora da verdade estava cada vez mais perto, cada vez mais sentia que eu ia continuar a ser feliz e que se algum dia Jasper me criou, era para eu ser capaz de ser assim eternamente.
- É verdade sim que estou apaixonada.... O nome dele é David e é... - olhei para o lado procurando através dos vidros da janela olhar o jardim que em tudo lembrava ele e mais nada. - o rapaz mais incrível que algum dia pensei conhecer. É claro que tudo o que tenho hoje, o que sinto ou desejo, devo ao Jasper, porque se nao fosse o azar da sua vida, eu nao estaria aqui, nao sentiria aquilo que sinto, ou aquilo que falo. - ela olhava com bastante atenção para mim. - Eu ate posso ser uma máquina, mas acredita, sinto o amor como se de carne e osso. - sorri muito feliz.
- Oh minha querida, que bom que encontras-te uma razão para a tua vida, so que agora falta realizar o essencial que eu, claro, vou ter todo o gosto em ajudar... - passou a sua mao no meu rosto muito ao de leve, porque sentia a rugosidade da sua pele a envelhecer pelo tempo. - Eu posso falar com ele, saber através das suas palavras que planos tem para a vida, o que acha de alguns pontos da evolução cientifica. - sorri, mas logo baixei a sua mao.
- Kim! - chamei. - Eu agradeço uma vez mais que querias ser ponto de ajuda, mas nao creio que ele vá entender certos e determinados pormenores, pelos nao para já... - suspirei, sem precisar. - Sabes, ele é uma rapaz simples, sem complexos, e claro que se vais tocar em assuntos como este que sou, ele pode nao querer interpretar da melhor forma. - fui sincera com ela. - Acho que a única pessoa que pode contar a verdade, sou eu e mais ninguem. Se ele tem a vontade de odiar um dia, caso nao aceite assim, será a mim e nao a outra pessoa. Entendes todas as minhas razões? O cuidado que tenho? - ela acenou afirmativamente.
- É por isso que o quero proteger ao máximo, porque ele é sensível e momento algum o quero magoar.
Estar abrir o meu coração de máquina para uma mera conhecida, era estranho, e ao mesmo tempo uma sensação de liberdade pura que em momento algum tinha sentido. É claro que tinha muita vontade de poder chegar ate ele, dizer o que era, sem que ele sentisse aquele nojo de mim, de estar a entregar-se a uma máquina, porem máquina esta que tinha sentimentos e que nao escolhido amar alguem que nao o seu criador.
David tinha conquistado o meu coração naquele dia, no jardim, com aquela flor que eu inocentemente nao conseguia retirar do seu meio. O meu coração desde entao apenas pertenceu a ele, ate cheguei arriscar ficar desligada so porque nao amava o meu criador como ele amava a mim. No entanto a dor foi passando, a outra Alice voltou, eu, graças a Zaza que amo muito, voltei a vida, voltei para junto do meu amor, para junto daquele que nunca em momento algum devia ficar longe. E agora olhando para a realidade do futuro de amanha, o meu sonho de contar a verdade estava cada vez mais próximo de realizar e ai seriamos apenas eu e ele a viver a nossa vida em comunhão com a música que nos ligava com as flores que nos acompanhavam.
- Alice? - chamou ela, ja nem lembrando da sua presença de tanto ficar no meu mundinho mergulhada. - Esta tudo bem? Eu sei que talvez esteja a precipitar-me com algumas ideias, mas é complicado nao ficar tao empolgada com um amor como vosso. - falou ela sorrindo ao levantar-se.
- Sim... Esta... - respondi rapidamente, levantando. - Eu tenho de pensar muito bem da forma como posso introduzir toda a minha história e alem disso ele pensa que tenho uma doença que por vezes me impede de tal modo de ficar mais tempo próxima dele. - levantei-me da cadeira, ajeitei os meus cabelos, soltando eles para tras das costas.
- Entao pensa bem no que farás... - pegou nas minhas maos dando um abraço. - És sem duvida a robot mais fofinha que algum dia tive oportunidade conhecer, e alem de mais mereces ser sim feliz. - passou as maos nos meus cabelos.
- Obrigada Kim... nao sei como mais posso agradecer toda a tua ajuda, sem trocas, sem nada. - afastei-me de seu abraço. - Acho que se algum dia ele nao aceitar a minha verdadeira razao de vida, eu creio que nao terei sentido para continuar ligada.
Fui o mais tocante possível, porque essa era a verdade, se havia coisa que deixava com vontade de todos os dias poder viver era ele, e se algum dia ele deixasse de olhar para mim mais daquela forma eu preferia nao voltar mais a viver. No fim da nossa conversa retomei o meu passo, ela o seu e caminhando em sentidos opostos, estaríamos a lutar para um bom futuro.
Lucy
Estava a chegar finalmente no apartamento, e como era óbvio ja passavam das 3 da manha quando por ventura, entrei dentro de casa. Ao acender a luz encontrei um bilhete em cima da mesa. Larguei tudo o que tinha comigo, apenas me dirigindo ate a mesa para ler o que Demitri havia deixado para mim.
"Cansei se ser um fardo na tua vida, senhora doutora Lucy. A partir de agora o apartamento é todo teu, nao terás mais satisfações a dar, nao terás mais a mim para desabafares os teus tao preciosos casos. Lamento se nao fui o namorado que esperavas ter, mas acho que nenhum outro homem, teria a paciência que eu tive, viveria a vida que eu vivi. E tu que agradecimentos deste? Nenhum, ne?
Pedi-te em casamento e sabes qual a resposta que deste? O silencio. Pedi para termos um filho e tudo o que dizias era que estavas cansada porque tinhas tido um dia difícil e tempo nao era o teu alvo acrescido. Só para dizeres na minha cara que nao querias ter filhos agora, e talvez nunca.
Desculpa a minha sinceridade agora, mas não dá mais para viver uma vida como esta que achas é normal. Eu nao nasci para ser mal amado, para nao ter o carinho que um homem precisa. Quanto ao resto da nossa vida partilhada, nao precisas de preocupar com mais nada, irei ficar em casa de uns amigos, perto do hospital. Vou dedicar-me mais que nunca de corpo e alma ao meu trabalho, assim como tu ao teu. E nao vou cometer novamente o mesmo erro de ficar em segundo plano na vida de alguem.
Há quando entrares no quarto és capaz de ter uma surpresa, de encontrares tudo desarrumado talvez, mas é que tive de arrumar as minhas malas a unica coisa que deixei foram as fotografias da minha mesinha cabeceira. Espero que nao fiques chateada, oh claro que nao vais ficar, ne? Nada é mais importante na tua vida que nao o trabalho, por isso esta tudo bem.
Há e nao tentes perder tempo com chamadas porque nao irei atender, e alem disso nao quero ouvir a tua voz dando uma nova desculpa.
Lucy, obrigado por todos os momentos mesmo sendo poucos, os felizes que tivemos e espero que encontres alguém que partilhe do mesmo vicio que tu e que se amem profundamente.
Adeus, fica bem.
Demitri."
Quando acabei de ler o bilhete nao acreditei na forma seca de como ele estava a deixar-me. Cai no chão inacreditável e as lágrimas foram caindo de meu rosto sem que eu as pudesse segurar. Voltei a passar os meus olhos novamente pelas palavras que a sua mao escreveu. Demitri nao podia fazer isto comigo, nao agora.
- Porque Demitri????? - gritei para as paredes, cujo a resposta apenas estava no papel. - Porque foste embora? Porque nunca entendes? - chorei cada vez mais.
Levantei-me com dificuldade indo ate ao grande cadeirão, pegando assim a minha bolsa, de lá tirando o meu telemóvel e ignorando assim o pedido dele, primei no botão verde e liguei para ele. A chamada tal como prevista acabou caindo na caixa postal e deixei cair o telemóvel no chao.
Ele estava mesmo a cumprir com a sua palavra de desligar-se de mim, de manter-se no silencio, ignorar minhas desculpas. Ok eu tinha abusado sim da sorte, e por causa disto acabei com a minha relação de anos. Eu ate era feliz ao lado dele, tínhamos uma vida estável, embora como ele falava a atenção que presentava era por vezes escassa.
Mas eu nao ia deixar isto assim, nao podia, nao era mulher desistir de lutar, nao fazia parte dos meus precipícios. Demitri era o homem que eu amava, tinha de ter uma chance de redimir-me pelo menos por uma ultima vez, olhar nos seus olhos e ver a vontade de dar um fim na nossa relação. É claro que falar atraves de papel sem encarar a própria pessoa, tornava tudo muito mais simples, nao digo que nao, contudo nao era fácil perceber através das palavras a vontade de desistir ou continuar. Essa so se saberia ao estar de frente com ele, olhar no fundo da questão.
Levantei-me do chão, caminhei ate ao quarto. Ao abrir a porta reparei numa desembaraçada desarrumação, e tal como ele havia dito, as fotografias da sua mesinha estavam lá. Sentei na borda da cama, peguei num dos retratos e lembrei a eterna felicidade de um dia chuvoso em que ele tinha pedido a mim para namorar. Que ironia esta de relembrar detalhes de um passado feliz, em que a minha carreira policial nao passava da teoria.
Pousei o retrato no mesmo lugar, e deixei-me cair toda para cima da cama e fechei os olhos pois estava bastante cansada e ao mesmo tempo queria acordar deste sonho mau, porque nao acreditava ainda que tudo fosse verdade.
Pela manha quando acordei, e olhei para o lado, percebi que nao era um sonho aquele que tinha vivido esta madrugada. Nao estava com a mínima vontade de sair da cama e saindo pelas ruas cumprindo dever, no entanto sempre havia aprendido a nao misturar a vida pessoal com o trabalho e era assim que tinha de ser. Embora olhando agora bem para o espelho do roupeiro, era dificil passar despercebida aos olhos dos meus colegas no departamento, muito menos de Maggie e Nettie, que eram as melhores especialistas forenses da cidade.
Respirei fundo tentei brotar um sorriso, quase forçado mas atento. Troquei rapidamente de roupa e dei uma escovada saudável no cabelo, passei o rosto por agua, um pouco de lápiz preto, e finalmente estava pronta arrancar.
Ao colocar um simples passo na rua, tudo parecia normal e quase que teria a sorte de passar despercebida, mesmo de óculos de sol num dia de neblina matinal. Cheguei ao carro e sai cantando pneus pela estrada fora, chegando em cerca de 30 minutos no serviço. O problema apenas surgiu depois quando por ventura, encontrei justamente a porta Nettie a fumar um cigarro.
- Bom dia Lucy! - soltou um pirisca para o chão. - Hoje nao esta sol para vires de óculos... - comentou, e eu bem sabia que ela ja o ia fazer, entao retirei os mesmo e espanto se fez. - Que cara é essa? - apagou o cigarro, pisando com o pé e de seguida pegou na minha mao puxando para um sitio mais resguardado para conversar.
- Tive uma péssima noite Nettie! - disse, suspirando e a olhar continuamente para o chão, mexendo os meus pés impaciente. Ela pegou no meu rosto, fazendo com que eu a encara-se obrigatoriamente. - Foi o Demitri, e antes que venhas com sermões, eu ja sei que errei. - avisei desde logo.
- Se falares eu posso tentar perceber! - incentivou.
Estava a ser um pouco rude com ela que apenas estava a tirar um pouco do seu tempo preciso para dar uma espécie de consolo a uma amiga, e colega de trabalho.
- A nossa relação nos últimos tempos andava com que tremida, e... - olhei para o lado. - Ele cansou de ficar para segundo plano na minha vida, eu nao queria que tudo acabasse assim, porque amo muito ele, adoro a nossa relação, so que... - pausei. - Nettie! - peguei nas suas maos. - Amiga, tu sabes o quanto preso a minha carreira, e que sou minuciosa com o trabalho, e que prefiro resolver tudo hoje nao deixando nada para amanha. - larguei a sua mao. - Mas em consequência deste vicio do trabalho, é que a rotina do nosso namoro, da nossa partilha de amor, se tem tornado distante.
- Lucy! - chamou ela, voltando a pegar no meu rosto, examinando bem o meu olhar, de um modo que tive logo a vontade imediata de o desviar. - Tens de ter uma conversa seria com ele, e por outro moderar o trabalho, se nao um dia acabas arrependida por teres deitado pela janela a tua maior felicidade. - acenei afirmativamente.
Jasper
Ao chegar em casa encontro Alice sentada no sofá da sala, lendo uma revista e que de certo modo fazia minha espera. Saudei educadamente no intuito de mostrar a minha chegada, o silencio mantivesse ainda assim. Decidi aproximar-me dela, nao obter resposta era um pouco estranho.
Sentei no sofá e ela nao mostrava reacção, foi entao que dei conta que estava com uns tampões no ouvido, onde tive o certo cuidado de os retirar, fazendo com que ela olhasse para mim imediatamente e levasse com um susto, cujo eu nao queria provocar.
- Jasper, que susto! - levou a mao ao peito e deixou a revista de lado. - Onde é que andas-te ate agora? - tentou saber, pelos visto o seu humor ja tinha mudado um pouco, pelo menos assim aparentava, tanto que ja nao se sentia tao derrotista, ou menos a primeira vista.
- Desculpa meu amor, nao queria assustar-te de maneira nenhuma, mas é que quando entrei na sala vi-te tao atenta, e ao mesmo tempo sem resposta que decidi intervir. - justifiquei o meu acto. - E respondendo a tua pergunta, andei por ai... mas ja estou novamente em casa como ves. - sorri, dando um beijo no seu rosto rosado.
- A minha mae esteve aqui... - disse.
- Ai sim? O que ela queria? - perguntei.
Ja nao lembrava de rever a dona Esme Brandon a muito tempo, na verdade desde aquele almoço em sua casa e claro daquela maravilhosa brincadeira com as minhas lindas e adoráveis sobrinhas Chelsea e Renesmee. Tinha sido um dia explendido e cheio de emoções, porque senti muita tristeza quanto ao facto de estar a manter o Simão isolado.
- Ela estava com saudades de mim, de ti.... e claro que esta desejosa de voltar a estar connosco, em outro almoço, sabes como ela é... - sorri percebendo bem a ideia de ter um convívio em família.
Era óptimo estar em família, de partilhar momentos que a muito nao o fazia, na verdade os últimos anos, os últimos meses, ate dias se tinham tornado distantes para mim no que dizia respeito face a família.
- Sei sim, e tenho muitas saudades de um bom momento em família, sabes rever as minhas adoráveis sobrinhas... - falei levantando, para pegar um Whisky. - Queres? - ela acenou negativamente. Tomei a liberdade de encher apenas para mim o copo e beber um simples e notório gole.
- Falando em Familia, nunca mais tivemos noticias de Peter e Charlotte! - comentou. - Na verdade, a ultima vez que tive contacto com eles, foi no dia do acidente, depois disso, eu nao tive contacto, agora tu nao sei... - falou ela em desabado, cruzando a perna.
Peter e Charlotte andavam um pouco ausentes nos últimos anos desde que o meu irmão graciosamente recebeu uma proposta irrecusável da Interpole. Desde que ele tinha saído para Europa nunca mais havia estabelecido um mínimo contacto, o que ate me deixava triste, pois ele era a única família que eu tinha.
- Esqueci de contar-te, mas o Peter e a Charlotte, estao a viver na Europa, o meu irmão recebeu uma boa proposta de trabalho bastante irrecusável. - ela abriu a boca num espanto.
- Nao fazia a mínima ideia, mas tenho pena pois gostaria muito de voltar a ve-los e creio que talvez nao saibam da minha volta. - disse num suspiro, descruzando a perna.
- Talvez nao, mas amanha tento entrar em contacto com ele e ai veremos se ele pode tirar umas férias para visitar aqui o irmão mais velho. - ri-me e bebi o restante do liquido do whisky existente no copo.
No fim de uma conversa agradável no sofá acompanhei Alice ate ao nosso quarto onde estivemos um tempo mais a conversar, sobre outros assuntos banais, aproveitando aquele tempinho juntos, tentando a todo o custo, afastar da ideia o principal assunto da actualidade, que a todos os minutos de silencio, aparecia atormentar a mente e assim mudar em todo o contexto o nosso humor, provocando sempre os chamados sinónimos de desconfiança permanente.
Quando pela manha acordei, ja Alice estava bem acordada ao meu lado, de olhos postos em mim, sorrindo como um anjo. Beijei seus lábios docemente e tive mesmo de forçosamente sair desta cama pois tinha coisas a resolver no laboratório, uma invenção para criar.
- Amor ja vais? - perguntou Alice fazendo aquela cara irresistível de dizer nao. - Fica mais um pouco aqui ao meu lado... - era difícil dizer nao a um pedido tao tentador, mas tive de resistir e levantar por definitivo.
- Tenho coisas a tratar, mas prometo que hoje terás minha atenção mais cedo que o previsto, pode ser? - beijei a sua testa, saindo para o closet.
- Pode! - ouvi o seu grito resposta.
Vesti-me em pouco tempo, dei um boa penteadela neste cabelo rebelde e depois de passar um pouco de perfume, sai do quarto.
Desci as escadas fui ate a cozinha, onde ja tinha graciosamente um café pronto para mim, e claro uma boa companhia para o tomar junto.
- Bom dia Jasper! - saudou Kim, pousar o café, depois de um gole bebido. - Passas-te bem a noite? - perguntou atenciosa, passando o açúcar para mim.
- Obrigada! - agradeci a passagem do açúcar. - Sim, foi uma noite deveras tranquila e a tua? - perguntei de igual modo.
- Tambem, o Simão dormiu bastante bem e tirando isso, acho que nao existe nada que nos deixe mais preocupados. - sorri feliz ao tomar conhecimento desses detalhes. - Mas hoje pareces com um novo brilho no olhar... Fizes-te as pazes com Alice. - comentou, ao beber um novo gole de seguida, tapando o sorriso, com a chávena.
- Na verdade nao estávamos chateados, apenas distanciados. - respondi, bebi o meu café por inteiro e levantei. - Tenho de ir, mais tarde conversamos, pode ser? - acenei um adeus saindo da cozinha nao dando chance para ouvir a resposta.
Dirigi-me ate ao laboratório pelos fundos, entrando por uma entrada, cujo ninguem tinha acesso, menos a minha assistente Melyna que ja por uns dias que andava a faltar, pelo menos essa era a minha impressao, cujo Zaza facilmente ia esclarecer.
Lucy
Depois de algum tempo a desabafar com Nettie e de finalmente me sentir um pouco mais forte em relação a um problema que eu propria havia iniciado, encarei o trabalho, mas dizendo sempre para mim mesma que hoje nao iria mergulhar a fundo em questão alguma que nao fosse Demitri.
Todo o meu tempo hoje seria apenas reservada a ele, tinha de o procurar no hospital, tentar conversar, tal como Nettie havia dito, para eu fazer e só depois tomar como certo fim da nossa relação.
Entrei no meu escritório, sentei na secretária e lá tinha eu a foto dele do meu lado em um maravilhoso passeio em Veneza, oh saudades desse tempo. Nem lembrava mais o que era ter férias a muito tempo, ainda mais em conjunto com ele, que nos últimos tempos andávamos muito desaparceirados nesse ponto.
- Doutora, estam aqui uns papeis de alguns resultados para analisar! - bateu ao de leve a secretária Anastácia, depositando na minha frente uma breve pilha de papeis.
- Obrigada Anastácia, podes ir! - ela assentiu e saiu fechando a porta atrás de si.
Ao inicio pensei se devia ou nao tomar como certo iniciar o meu trabalho, porem de volta e meia os meus pensamentos levavam a mim para outro mar, mar esse que estava inteiramente ligado a minha vida pessoal. Respirei fundo depois de segundos a olhar para as fichas, virei costas para a janela. Hoje nao estava propriamente nos meus melhores dias, a minha mente nao estava propriamente funcional.
Levantei da cadeira e caminhei de um lado para o outro, sempre a cada ponto de viragem deixando um olhar expresso na secretária, onde estava a fotografia direccionada para mim.
- Demitri tu tens de me ouvir. - falei sozinha. - Eu tenho de ter o direito ou menos de falar, se nao vou eloquecer.
Desisti de andar de um lado para o outro como uma barata tonta e sentei de novo na cadeira da secretária, procurei por meu telemóvel na minha bolsa e de lá o tirei, onde rapidamente disquei o numero dele que sabia de cor felizmente e inciei a chamada, contendo sempre aquela pequena esperança.
- Vá lá Demi atende! - implorei, mas a chamada caiu na caixa postal.
Dei uma olhada no relógio da parede da sala e vi que era cedo para o almoço, mas nao para um lanche, que decididamente ele poderia estar a fazer uma pausa. Era isso mesmo que eu ia fazer, sair daqui e procurar por ele.
Peguei no meu casaco e na bolsa e sai a correr no departamento.
- Doutora a alguma emergência? - perguntou Anastácia ao me ver correr como uma louca, e era assim que realmente me sentia por tentar recuperar um amor da minha vida.
Entrei dentro do elevador e desci ate ao rés-do-chão onde novamente corri ate ao carro e sai como uma super heroína.
Chegando no hospital Local, respirei fundo antes de sair do carro, recompus o cabelo, fechei a porta e segui tranquilamente ate a recepção.
- Bom dia! Gostaria de falar com o Doutor Demitri Price. - pedi gentilmente para a recepcionista de cabelo ruivo mascando uma pastilha elástica.
- Claro, só um minuto que vou fazer uma ligação para saber se o doutor esta disponível! - falou ela pegando no telefone.
Aguardei alguns intensos minutos ate finalmente ela voltar a sua atenção para mim.
- De momento o doutor esta a terminar de auscultar um paciente que deu entrada a pouco mais de... - deu uma olhada no relógio de pulso. - meia hora na urgência. Creio que deve dirigir-se ate ao departamento de urgência, porque é lá que ele esta. - sorri muito agradecida e caminhei ate ao elevador para descer uns 2 pisos.
Ao chegar finalmente ao andar onde estava Demi, corri a procura dele por várias das enfermarias, onde por varias vezes tentaram esbarrar-me, mas como tinha escanção de ser da policia, as pessoas liberavam a minha entrada.
Finalmente depois de tanta procura encontrei ele sentado numa secretária de salinha com a porta semi aberta. Entrei e simplesmente fiquei na sua frente.
- Lucy! O que fazes aqui? - perguntou incrédulo com a minha presença. - Pensei que tinha sido bastante esclarecedor contigo. - salientou.
- Nós precisamos de conversar Demi, como dois adultos. - mative a minha postura firme, sem mostrar a mesma fragilidade da noite anterior. - Eu li a tua carta, e aceito de algum modo as tuas palavras, mas por outro lado, quero ouvir de tua boca as palavras que escreves-te, olhando bem nos meus olhos. - sussurrei quase as ultimas palavras.
- Queres que diga o que? - roçou uma mao na outra, mantendo os cotovelos assentes no tampo da mesa. - Aquilo que disse mantém-se nao muda, so pelo simples facto de vires aqui. - virou a cara, tentando fugir ao meu olhar. - Eu disse para nao me procurares, e agradecia que respeitasses esse pedido.
- Nem uma chance me das! - afirmei. - Uma única chance. É mais fácil fugir aos problemas do que os encarar, nao é? - respirei fundo, nao mostrando fragilidade que ao mesmo tempo implorava por aflorar. - Quero que saibas que arrependo-me de alguns dos episódios, de alguns erros que cometi, no entanto podes ficar a saber que foste sem duvida o único homem que eu amei e vou amar, caso queiras ficar assim. - ele estava prestes abrir a boca, mas eu o impedi com um sinal. - E antes de protestes seja o que for, fica a saber que nao vou voltar a encomundar se esta for por definitivo a decisão correcta que tomas.
Voltei as minhas costas para ele, chegando ate a porta, quando ouvi um desviar de cadeira seguidos de passos atras de mim, ao inves de voltar a minha atenção para ele, nao, mantive a minha firmeza de nao o encarar.
Ele passou a sua mao no meu ombro, depois no meu cabelo, ate finalmente olhar nos meus olhos, ja nao fortes de segurar as lágrimas de uma separação. Pegou nas minhas maos, nunca desviando o olhar por um segundo.
- Estavas disposta a mudar por nós? - perguntou, o que fez com que eu simplesmente respondesse com um aceno de cabeça. - A tirar mais tempo do teu trabalho para estar comigo? Sem desculpas? Sem rejeição? - continuei acenando a tudo afirmativamente. - Entao eu aceito voltar para casa, para ti, mas será a ultima chance que vou te dar.
- A ultima mesmo, eu prometo! - jurei com dedos sobrepostos nos lábios e depois abraçamos de uma forma intensa, dando um beijo apaixonado.
David
A cuidar das minhas plantas como todos os dias fazia, senti uma nova presença na casa, uma presença desconhecida e que por vezes tornava-se um pouco incomudativa, dado que a cada instante sentia-me observado. Esta observação que eu tinha na minha cabeça, nao era de Alice, porque ela nao estaria oculta tanto tempo, dado que sentia a sua presença de uma maneira diferente, conhecendo muito bem o seu aroma e seus passos.
Desisti por completo de dar asas a minha imaginação, trabalhando com o que realmente importava e dando maior parte da minha atenção para as minhas lindas plantas e começando o jogo de colheitas de semanal.
As roseiras estavam completamente sob carga, muito aromáticas, muito alegres e de certo prontas para deixar um toque especial na casa, a cada passagem de uma simples pessoa. De tesoura na mão e balde na outra, iniciei o corta, deposita. O balde foi ficando cada vez mais cheio, e cada vez mais havia uma mistura de intensas e lindas cores, prontas a prefumar o dia de alguem.
- Lindas Rosas! - deixei-me cair para tras ao ouvir uma voz desconhecida. - Desculpa nao queria assusta-lo! - estendeu a mao a mulher bonita.
Levantei-me recusando parcialmente a sua ajuda, recompondo o balde e escondendo a tesoura.
- A senhora procura algo? - fui simpático ao ponto de ser prestável em algum esclarecimento relacionado com o meio do meu trabalho, pois era tudo o que eu sabia e podia de alguma forma transmitir.
Ela deu uma risada leve, passando a mao no cabelo para o desviar do olhar carregado, mostrando um ar de superioridade. Olhando bem para a figura esbelte, era demasiado fina para precisar de atenção de um simples e pobre jardineiro como eu.
- Não... - sorriu. - Estava apenas a passear no jardim e que tinha aqui um lindo rapaz a cuidar deste lindo e extenso jardim. - disse ela. - Na verdade nao sabia que o Jasper tinha uma jardineiro.
- Ja trabalho para esta família a alguns anos. - respondi de forma esclarecedora, mas educada, nao levando muito a serio o elogio.
- E parece que tem outro elo de ligação a esta família! - comentou de uma forma de deixar questão no ar. A sua insinuação tinha agua no bico, ela devia saber de algo mais que eu pensava que ela nao soubesse, porem sendo uma família como esta, tendo as pessoas que tinha, era quase impossível ninguem saber do que na verdade passava para alem das quatro paredes da mansão.
Ainda assim tentei transparecer tranquilidade e ao mesmo tempo desentendimento, pois nao queria por em causa nunca a figura de Alice, perante uma estranha, que por outro lado nao tinha dado crédito suficiente para poder conversar abertamente sobre qualquer assunto.
- Nao sei do que estas a falar! - tentei parecer desentendido, o que na verdade estava a ser por assim dizer.
- Sabes sim, eu da Alice... - ao prenunciar o nome da minha amada, parei para pensar um pouco e cheguei a uma dada conclusão que por outro lado elas poderiam em um momento algum ter estabelecido uma conversa que por ventura englobasse a minha pessoa.
- Nao sei o que queres de mim entao! - ainda assim mantive a minha postura fria.
- Nao precisas de ser assim comigo, so quero ajudar, porque sei que tu e ela sao namorados e que lindo casal nao? - sorriu.
- Obrigada! - simplesmente agradeci, virando costas pegando no balde com as rosas e caminhando em direcção as traseiras da casa.
- Espera, eu ainda nao acabei... - chamou ela, fazendo com que eu parasse so para a ouvir. - Quero ajudar voces a serem felizes.
- Agradeço muito a simpatia, mas somos muito felizes assim! - voltei a pegar no balde e seguir o meu caminho.
- Acredito que nem em tudo vai ser feliz quando descobrir! - falou tirando a minha pouca paciência e educação do devido lugar. - É que a segredos que nem sempre conhecemos das nossas caras metades, por vezes bem ocultos. - bufei, olhando para ela para dizer umas poucas e boas, mas as suas ultimas palavras deixaram-me muito curioso.
- O que queres dizer com isso? Sabes de algo que eu nao sei? - questionei, olhando bem no olhar dela que em tudo nao era brincar. - É que se sabes podes falar, já que estas com tanta vontade.
- Nada de mal... porem posso ajudar-te a facilmente descobres esse segredo, sem que ela sabia que tu sabes, entendes? - os seus olhos brilharam nesse instante e fiquei tomado pela curiosidade.
- Sim... - simplesmente respondi sem dar asas a mais tema algum de conversa, pois com tudo isto ja tinha perdido muito do meu tempo precioso.

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