Eu tinha uma grande amiga desde a minha infância, na verdade éramos como irmãs, quase inseparáveis, estávamos sempre juntas em todas as nossas decisões, ate naquelas mais mínimas possíveis e simples. A Maria era sem sombra de duvida um amor de pessoa, aquele alguem que estaria sempre ao nosso lado, em todas as horas boas e más.
Quando juntas soubemos o que íamos fazer a faculdade, fiquei muito feliz por saber que cada uma de nós estava a abraçar sonhos que apenas eram nossos e que melhor mesmo, era ver que a nossa amizade, apesar dos anos, mantinha-se intacta. Contudo a realidade de duas amigas mudou com a simples e intelectual chegada de um rapaz que chamou atenção, justamente de nós duas e que desde entao mudou a nossa realidade para todo o sempre. Uma amizade que era forte e quase inquebrável, desmoronou em tao pouco tempo.
É certo que ao inicio, nao criei grande expectativas, pois eu e os rapazes nao tínhamos propriamente o maior sucesso em termos de namoros sérios, porem ver Maria cada vez mais próxima do moço bonito e recem chegado na cidade, provocou em mim uma grande tristeza, embora nunca mostra-se perante ela o meu estado, porque única e simplesmente, éramos amigas e como tal tinha o maior respeito por ela.
Contudo os anos foram passando, o sentimento que eu achava ser mínimo por aquele rapaz foi crescendo com o tempo, e cada vez mais Maria foi-se afastando de mim, ficando cada vez mais ligada a sua nova realidade a um namoro feliz e saudável, esquecendo assim a sua velha amiga de infância.
Jasper Whitlock era o nome do rapaz que estava a criar o elo de separação de uma amizade de anos e pior mesmo era ver que, por causa dele sentia-me a mulher mais triste, talvez por nunca ter conseguido abrir meu coração na devida oportunidade, no entanto a minha coragem era pior que as rasteiras, estava sempre a pregar partidas, nas horas certas.
Agora olhando para a minha imagem de uma mulher feita e subida na vida, com um emprego estável, via-me continuamente como um ser solitário, porque o meu coração nunca tinha conseguido ser preenchido daquela forma que eu queria e esperava receber.
Acabava agora de entrar no meu escritório, sentada na minha secretária, dou por mim a observar um retrato da minha velha infância. Pego nele e dou pequenas caricias saudosas pelo tempo.
- Ou menos nessa época ninguém roubava o namorado de ninguém! - resmunguei para a fotografia, pressionando o meu dedo na fisionomia dela. - Eras minha amiga, nao sei como! - continuei a falar para a foto continuamente.
- Doutora, tem um cliente que precisa de ser urgentemente atendido.
Fui forçosamente interrompida do meu momento solitário, pela minha secretária Ellan. Era quase um desperdício reclamar agora sobre o facto de querer que ele batesse a porta, antes de poder assim se prenunciar, contudo seria estar a perder tempo, porque estes jovens secretários de agora, continuavam sempre a seguir esse risco teimoso.
- Ellan, faz-me um favor... - peguei nuns papeis, dando para a sua mao. - Antes de mais, preciso que entregues esses papeis na contabilidade e... - respirei fundo. - Faz o favor de avisar o cliente, de que nao poderei atende-lo, porque estarei em reuniões extensas. - levantei-me pegando na minha pasta, tirando de lá minha agenda, para encontrar mais ou menos uma vaga.
- Doutora nao esta a perceber, o cliente em questão pede máxima urgência! - levantei minha cabeça na sua direcção fechando a agenda assim. - O cliente em questão chama-se Maria Garcia!
Maria Garcia? No meu escritório? Depois de largos anos sem dar uma unica noticia que nao atraves das revistas, por reconhecida com grande mérito nas competições europeias de esgrima. Ainda assim nao entendia o que ela tinha de tao urgente para falar comigo e que nao podia de maneira nenhuma ser adiado para outra hora mais propicia e fora do meu horário de trabalho.
- Manda entrar! - pedi.
Ellan assentiu e pouco depois a porta estava abrir-se, entrando Maria com um sorriso nos lábios, eu diria que quase sinico.
- Alice Brandon nao mudas-te nada! - levantei-me indo ate ela recebendo um abraço.
- Maria, tu continuas a mesma... - comentei, acenando para ela sentar, pois nao tinha tempo para perder com cortesias e tinha a verdadeira intensao de ser directa ao ponto do assunto que fazia acompanha-la ate ao meu local de trabalho.
- Vejo que estas muito bem na tua vida... - olhou para os lados. - Uma advogada de sonho! - comentou entre risos. - O que sempre gostavas de ser em miúda.
Ela gostava muito de inferiorizar-me por vezes, ate no aspecto trabalhista éramos diferentes. Ela como tinha saído melhor do que eu, gostava de a todo o tempo glorificar-se, so porque era mais notória em certos parâmetros, e porque muitas das vezes eram manchete de revistas e jornais.
- Creio que a tua presença no meu escritório, nao seja para falar sobre a minha vida. O que queres de mim Maria? - perguntei directamente no ponto. - E por favor tenta ser breve estou prestar a sair para uma reunião. - dei um olhada no relógio para ver as horas.
- Viciada em trabalho! - virei a cara, batendo o pulso de seguida na secretária. - Pronto, nao esta aqui quem falou. - riu-se. - Queria fazer um convite, isto claro que se tiveres um furinho na agenda super lutada senhora doutora...
- Posso saber que convite é esse?
Vindo de Maria muita coisa era susceptível de ser, dado que ela nao tinha meios a medir so para começar com as suas provocações idiotas. Era lamentável pensar estas coisas de uma pessoa, que tempos tinha sido tao minha amiga, contudo um amigo nao fazia nada para prejudicar o outro, embora naquela época tivesse tomado como certa a opção do silencio e assim ela ficar com ele, eu nao esqueci. A dor permanecia cá dentro, era uma facada tao grande aquela que ela havia dado em mim.
E olhando bem para a sua cara, para o seu sorriso e para um convite, ja imaginava o que podia ser. Como ela nao tinha vergonha? Como? E eu que tinha desligado das verdadeiras amigas que tinha e que so queria o meu bem, preferi cair na tentação de unir-me a uma cobra, porque era assim que Maria era, uma COBRA.
- Sim claro! - falou toda animada. - Estou grávida! - deixei cair a caneta que tinha na minha mao. A noticia estava a bater-me como baque.
- Grávida???
- Sim, qual o espanto? - massajou a barriga saliente em seu casaco.
Se achava que ainda podia perdoar esta mulher, agora mais que nunca sabia que nao. Como ela tinha a decência de contar para mim que estava gravida, justamente do homem pelo qual eu era apaixonada. Como Jasper tinha caído neste golpe? Tambem o que isso importava agora, ne? Eu nao ia ser dele, nem ele seria meu.
Ele estava com Maria, ia ser pai, por isso nao valeria a pena, chegar ate ele e contar que na verdade sentia, pois isso nao ia mudar em nada. Pois continuaríamos a ser meros amigos, conhecidos, porque na verdade ele tinha tomado como certo viver ao lado da mulher que agora estava bem na minha frente.
- Nenhum, apenas estava a estranhar, como és tao cuidada o corpo e o desporto é a tua prioridade, admiro-me, só isso. - peguei em mais papeis para disfarçar o meu nervosismo, pois nao queria dar ao luxo de ela ter o que falar.
- A momentos na vida em que temos de fazer pausas, e chegou o momento de alargar a familia. - um lágrima no meu olho insistiu para sair, mas eu fui ganhando força para nao a deixar soltar, nao a sua frente. - Ah ia pedir-te para seres a madrinha do meu bebe... - fiquei incrédula com o seu convite.
Eu ia ser madrinha do filho do homem que eu amava??? Isto so podia ser um pesadelo na minha vida, cujo eu ainda nao tinha acordado. Mas nao, tudo nao passava da realidade, realidade esta que eu escolhi viver. Eu tinha perdido de vez a chance de ser feliz com o homem da minha vida, porque agora teria mais motivos para ficar com ela. E se bem conhecia Maria, ela nao ia facilitar a vida dele na hora em que pedisse a separação, porque ela estava obcecada por ele.
Por vezes desconfiava que ela pudesse de alguma forma saber sobre os meus sentimentos amorosos por seu companheiro e quem sabe todas as suas aproximações repentinas, propostas, nao fossem so para provocar, ne? Mas eu nao podia baixar os braços, nao podia continuar a enterrar a cabeça na areia como se nada passasse, eu tinha nascido para ser feliz como qualquer outra pessoa.
Estava disposta abrir uma guerra, em que os ventos engoliriam a terra, mas era assim que eu me sentia bem, por isso, eu, Mary Alice Brandon, ia abrir o meu coração, dar a conhecer os meus sentimentos ao homem, que tinha arrancado de mim um suspiro, naquele dia de aulas na faculdade e que por consequência disso nao tinha a mínima chance de abrir o meu coração para outro alguem.
- Fico mesmo muito agradecida por teres lembrado de mim com tanto carinho! - fui irónica. - Mas é que nao posso aceitar, vai contra as minhas regras. Agora nao te importas, tenho mesmo de sair e creio que tu terás a tua vida para resolver. - fiz a gentileza de abrir a porta, acenando a sua saída.
Maria nao estava propriamente feliz com o facto de estar a ser posta fora do meu gabinete, contudo estava pouco lixando para o seu pensamento. Neste momento queria que ela ficasse longe de mim, fora da minha vista.
Ela saiu sem prenunciar uma palavra de desagrado, o que a mim fez respirar de alivio. Fechei a porta a chave e fui logo para a minha secretária e de lá retirei o nosso antigo retrato, arrumei-o dentro da gaveta. Deixei-me cair na cadeira e comecei a gira-la como uma tonta.
Ouvia perfeitamente as insistidas batidas na porta, os chamamentos preocupados, porem neste momento queria estar sozinha, esquecer o mundo o que estava a minha volta, esquecer a realidade e imaginar que eu apenas seria mais um objecto como tantos nesta sala.
Horas se passaram os telefonemas eram constantes, ate pelo sono eu havia passado, quando acordei as luzes da cidade reflectiam-se na janela. Levantei da cadeira, e caminhei ate onde o reflexo mostrava a maravilhosa de cidade de Boston. Olhei para um céu cheio de estrelas, só elas entendiam aquilo que estava a sentir, mas tambem eram elas que diziam que apartir deste momento uma nova Alice tinha de nascer. Uma Alice sem medos e pronta para lutar pelo seu grande amor.
Ao sair do escritório e quando por acaso estava a caminhar pelo passeio vi uma figura bastante conhecida para mim, era como se aquela pessoa estivesse a minha espera. Ao inicio pensei ignorar, pois nao devia ser ninguem digno da minha atenção, contudo fui vencida pelo o engenho curioso e obrigatoriamente caminhei ate a onde a pessoa permanecia sentada. Ao sentar no banco e ao pousar discretamente o olhar na fisionomia da pessoa, tive uma verdadeira surpresa, esse alguem que estava discretamente a minha espera nao era nem mais nem menos do que Jasper Whitlock.
- Jasper? O que fazes aqui? - perguntei ao aproximar-me um pouco mais no banco. - Nao devias estar com Maria? - os meus nervos começaram aflorar a flor da pele. - É que ela esta grávida de ti... - ele aproximou-se de mim de um modo tao rápido e tao carinhoso, que quando dei por mim estávamos completamente unidos por um beijo a tanto imaginado por mim, mas nunca sentido desta forma tao indescritível.
Quando os seus lábios afastaram dos meus, eu tentei procurar explicações, desculpar-me, mas ele impediu simplesmente com o silenciar do seu dedo premindo nos meus lábios. Olhei nos seus olhos, eles brilhavam de um intenso azul verdejante, que ao mesmo tempo era apaixonante para mim.
- Nao podias ter feito isto... - afastei-me mais um pouco dele. - A Maria...
- Esquece a Maria... eu ate posso ter construindo uma vida ao lado dela, mas... - baixou o olhar. - Amor de verdade, esse, eu nao senti por ela, como sinto por ti Alice. - pegou na minha mao, unindo seus dedos nos meus. - Eu fui um covarde, por nunca ter tido a vida oportunidade de contar para ti, o que na verdade sentia.
- Nao Jasper... Eu é que acabei por afastar-me do meu sentimento por compaixão a uma amiga que agora acabei de trair, por mais odio que sinta dela, por mais rancor, ela nao merece esta nossa traição... - minhas lágrimas surgiram como um marejar incontrolável, logo ele bloqueou a queda das minhas lágrimas com os seus dedos.
Nao havia coisa que doesse mais a uma mulher do que abdicar de uma amor, mesmo sendo por alguem que em outro momento, nao fizesse o mesmo por nós.
- Nao te sintas culpada por um sentimento que nao se controla, nao fujas do desejo, nao te enganes, magoes, porque no fundo, é assim que és verdadeiramente feliz. - a sua respiração ficou cada vez mais próxima da minha, dei um novo passo atrás, mas ele acompanhava-me como um companheiro acompanha a sua dama num compasso de dança. - Amar nao é pecado, nem que eu esteja errado, eu vou amar-te, hoje e sempre. - uniu os seus lábios uma vez mais nos meus, os meus olhos fecharam.
Pela manha quando acordei, dei por mim deitada na minha cama com um bilhete no meu lado. Peguei nele e comecei a ler.
" Obrigada pela noite maravilhosa que me deste. Acredita que apartir de agora tudo vai mudar a nosso favor.
Amo-te minha morena.!
Jasper Whitlock"
Quando acabei de ler as suas palavras de uma caligrafia apaixonante, respirei o perfume do papel que era o de sua pele e beijei o bilhete.
Levantei-me da minha cama cheia de vontade de iniciar o meu dia, agora mais que nunca tinha mandado embora a solidão e estava prestes abrir a porta da felicidade. Jasper estava comigo nada mais importava, nem mesmo a insuportável Maria.
Quando sai de casa, entrei dentro do meu carro com uma energia positiva como ja nao sabia ter a muito tempo. Sai cantando pneus pela estrada fora ate chegar ao edifício o escritório e ter uma bela surpresa do meu amor.
Ele esperava por mim a porta com um grande ramo de flores para mim. Corri ate ele como uma adolescente apaixonada, dei alguns beijos e de maos dadas seguimos para o interior do edifício.
Ao passar pelo corredor da secretaria, pedi gentilmente para Ellan, colocar as flores numa jarra. Ela logo sorriu para mim muito feliz por ver que eu estava finalmente com um novo astral.
- Meu amor estou muito feliz! - abracei-o e fez-me girar em torno dele como um carrossel. - Assim vou ficar tonta.. - brinquei dando pequenos beijos em seus lábios. Ele foi parando ate eu poder pousar os meus pés no chão e com sua ajuda recuperar o equilíbrio.
- Esperei tanto tempo por ver-te assim, agora sei que posso ter essa oportunidade todos os dias, de acordar ao teu lado, ver o teu dormir tranquilo. - sorri olhando bem nos seus olhos mantendo os meus braços na volta do seu pescoço. - E que linda ficas tu a dormir.... - passou ternamente o nariz no meu.
- Que bonito! - automaticamente olhei para a porta soltando-me do Jasper, vendo a imagem de Maria incrédula na minha frente, de mao pousada na barriga.
- Doutora eu tentei impedir, mas esta senhora entrou a força! - esclareceu Ellan, ao qual assenti para sair tranquila.
Jasper ficou muito nervoso, colocando-se a minha frente na tentativa de proteger, no entanto eu nao era nenhuma covarde e entao, simplesmente coloquei-me ao lado dele.
- Maria eu posso explicar! - disse na tentativa de defender Jasper, mas ele colocou-se a minha frente dando a cara, por nós uma vez mais.
Ela estava muito exaltada e tudo neste momento provocava em mim maior preocupação, era mesmo a criança que ela gerava em seu ventre, porque ela nao merecia a loucura que a mae podia muito bem estar prestes a cometer.
- Eu nao quero nenhuma explicação, porque nada do que possam dizer, muda aquilo que acabo de ver. - falou ela com ódio carregado na voz. - Tu Alice que nada pareces pereces partir um prato, partes todos, roubas o marido e um futuro pai de familia. - tentei sair de trás dele, mas foi impedindo a minha passagem.
- Eu nao fiz nada que pudesse provocar-te...
- Cala-te, porque eu ainda estou a falar contigo! - apontou o dedo na minha direcção. - Nao tens vergonha do que fizes-te? - ela estava cada vez mais alterada e entao tudo o que lembrei de fazer naquele momento, foi correr ate a secretária e premir num botão de emergência, onde em pouco tempo teria aqui os seguranças para a poder tirar. - Eu convidei-te para seres madrinha.... - gritou.
- Chega! - gritou Jasper pegando com força nos braços dela. - Para de tratar as pessoas como se fossem tuas maionetes. A brincadeira acabou. - ele estava firme nas suas palavras e sempre disposto a defender-me. - Eu nao sinto o mesmo sentimento que tu sentes por mim, desculpa se estou a magoar-te agora ao dizer isto, mas é que esta é a verdade. - ela deitou um lágrima. - Quanto a gravidez que estas a sustentar, nao te preocupes que como pai estarei sempre presente na vida do nosso filho, agora nao me peças para ficar contigo, quando eu nao posso enganar-me mais a mim e a ti. - uma nova lágrima caiu de seu rosto, ate a mim as lágrimas corriam por estar assistir a uma cena como esta.
Pouco tempo depois os seguranças apareceram na porta, Maria estava agora mais calma talvez por conta das palavras ouvidas, mas ao mesmo tempo nervosa e a iniciar uma espécie de contracção estranha que fez com que toda a gente entrasse em pânico, incluído Jasper. Peguei no telefone e tratei logo de chamar emergência médica.
Pouco tempo depois os médicos assistentes de bordos estavam a entrar na sala e a transportar pouco depois Maria para o hospital. Jasper estava destroçado, com medo absoluto de perder seu filho, ate eu estava e de alguma maneira sentia-me muito culpada, por estar a provocar uma tempestade na vida de alguem que ainda nao havia nascido, pelo menos nesta fase, por outro lado, quanto mais adiássemos as coisas mais elas poderiam tornar-se mais complicadas do que ja eram.
Ao dirigir-me para o hospital, entrei em pânico constante porque a toda a hora a imagem que vinha á cabeça era ela. A minha consciência estava a pesar de uma forma de como eu nunca pensei sentir. O medo estava a destruir-me a fazer de mim a pior pessoa, so porque apenas queria ser feliz. Porem a minha felicidade implicava a infelicidade de outros e ate a destruição de uma familia.
Parei o carro no estacionamento da urgência hospitalar, e corri ate ao interior da ala de espera. Lá encontrei Jasper andando de um lado ao outro, fui ate ele dei um abraço confortante, ele simplesmente correspondeu com um soluçar destroçado.
- Calma meu amor, eu acredito que o bebe vai ficar bem! - tentei ser optimista quando na verdade tinha receio do contrário. - Eu vou estar sempre ao teu lado, sim? Nao vou deixar-te sozinho nesta hora! - puxei-o para sentar num dos sofás livres da ala.
Algumas pessoas que respeitosamente aguardavam por noticias de seus parentes, prestaram sempre a generosa força a nós, principalmente a ele que era o maior sofredor nesta hora e neste local.
Várias vezes, tive a subita vontade de levantar e procurar por um médico, contudo nao o queria deixar desprotegido, entao limitei-me a manter-me sentada ao seu lado, dando o meu colo, ate um médico aparecer com cara séria. Jasper ao mal ver aproximação de um senhor de bata branca levantou logo, eu segui o seu gesto automaticamente como robot.
- Doutor tem noticias para nós? Como ela esta? O bebe? - eram muitas perguntas para tantas respostas. Tentei acalmar o meu amor, passando a minha mao no seu ombro, afagando com ternura. - Doutor fale logo, estou a desesperar! - agora quem estava a ficar nervosa era eu, com tanta demora do médico.
- O senhor esta muito nervoso, precisa de sentar e beber um pouco de agua. - aconselhou o médico, ajudando Jasper a sentar, porem ele nao levou a bem a ideia e continuamente foi insistindo por uma resposta, aquela que no fundo eu tambem queria conhecer. - Nós fizemos tudo o que podíamos e nao podíamos, mas lamentavelmente a sua.... bom a dona Maria Garcia, sofreu grande hemorragia que... - abri cada vez mais os olhos, sentido o coração apertar. - que infelizmente provocou um aborto espontâneo. Lamento.
Olhei nos olhos do médico, depois nos dele que estavam incrédulos com a noticia. Nao tinha reacção estava completamente apático, alias ate eu estava. Voltei a minha atenção novamente ao médico, procurando mais detalhes.
- Doutor e a Maria? Como ela esta? - perguntei.
- Neste momento esta fora de perigo, embora tenha sofrido uma basta perda de sangue ate a entrada nesta ala hospitalar. - esclareceu. - Ela terá que ficar em repouso, mas isso nao implica que possa fazer uma vida normal. - salientou. - Dentro de alguns anos ela pode tentar recorrer a uma nova gravidez, no entanto... - a voz do médico sumiu-se.
- No entanto? - tentei saber.
- Á uma seria probabilidade dela no futuro sofrer maiores riscos com uma gravidez, ou ate mesmo ter dificuldades em voltar a engravidar, mas hoje em dia a medicina esta muito avançada, por isso ela pode recorrer a tratamentos eficientes. - o esclarecimento do médico foi bastante importante, e bom ate de ter conhecimento. - Bom se precisarem de mais alguma coisa é so falarem comigo. - disse o médico voltando as costas a nós entrando por umas portas de acesso restrito.
Fui ter com Jasper que agora tinha recorrido a rua para o seu ponto de abrigo. Ao abrir a porta vi que estava sentado num dos degraus da entrada, tirando as pétalas de uma das flores do canteiro do jardim.
- Meu amor! - passei a mao no seu cabelo liso e perfumado, ele continuo com os olhos pregados na flores que continuamente ficava mais despida. Ele ate podia nao querer ter ninguém agora por perto, mas eu como uma mulher de bons sentimentos ia continuar ao seu lado, falando mesmo nao obtendo resposta, porque sabia que no fundo ele estava a ouvir e a responder com o silencio. - Nao sei qual é a sensação de perder um filho, mas sei que nao podemos desistir de lutar por esse sonho. Eu vou estar sempre ao teu lado, mesmo que aches isso errado, porque achares que nao és digno do amor que preciso. - respirei fundo. - Eu amo-te Jasper Whitlock, e por sentir este amor por ti desde lá, de longe estou disposta a dar o tudo por nós.
Ele levantou a cabeça voltando-a para mim, largou a flor, com as suas duas maos, pegou nas minhas maças do rosto, olhando bem nos meus olhos que em nada mentiam, e depois depositou em mim um abraço forte e único que era o suficiente para responder as minhas palavras.
(...)
Meses se passaram, a nossa vida voltou a normalidade. Maria estava recuperada e agora longe em outro pais, em outro estado. O Jasper vivia comigo, em nosso lindo cantinho, partilhando nossos momentos e esperando o nosso primeiro filho. Sentia-me muito orgulhosa de mim porque uma vez na vida estava a sentir-me util e mais amada que nunca.
- Ouvis-te ele deu ponta-pé! - falei para o meu marido massajando a barriga na cadeira do jardim.
- Deixa-me ouvir o nosso campeão! - falou ele largando de lado o que estava a fazer e sentada na borda da cadeira, encostou o ouvido a barriga. Acariciei os seus cabelos e dei um sorriso. - Olha estou a ouvir o coração dele... Que mimo.
- Nao sabes se é menino pode ser menina... - disse brincando, ele levantou a cabeça, olhando bem nos meus olhos, roubando de meus lábios um beijo.
- Bom pelo sabor dos teus lábios eu digo que é menino! - sorriu muito feliz e voltou a colocar a cabeça na minha barriga.
Era maravilhoso este momento, era a melhor das melhores sensações, nem o trabalho que eu tinha no escritório, era tao viciante como cuidar deste bebe. Em breve seria mae e daria a Jasper aquilo que a vida roubou em outra hora, e seriamos sem duvida alguma os melhores pais que uma criança podia ter, fosse ele menina ou menino. O amor que agora nutria seria dado em dobro ou tripulo e faria de tudo para que fosse perfeito.

Me pergunto como ainda não houve nenhum comentário aqui?
ResponderEliminarBem, pessoas deem o ar da graça, pois nossa amiga merece saber o que acham das fics, viu? E isso a incentivará a continuar.
Aiás, já começo pedindo-te desculpas pela demora a comentar. Eu levei vários dias para conseguir ler inteiro, entrei aqui 3 vezes, e agora na 4 é que vou comentar porque tentei ler escondida no serviço (sabe como é, né? ehehhe)
Tenho que dizer que achei Maria e Alice igualmente terríveis, viu?
Maria foi muito má ao ir tripudiar em cima da amiga, contar que estava grávida do homem que sabia que a outra amava também. Porque eu acho que elas como amigas que eram ela teria notado, mesmo que Alice nunca tivesse comentado... Aliás eu acho que isso é o fato que as fez se distanciar, porque no fundo ela queria era mantê-los longe...
Mas Alice também não é uma boa pessoa não, ela é grossa até mesmo com sua secretária e a trata mau no reencontro, antes mesmo de saber da gravidez. Não sei, em nome da amizade no passado, acho que se Alice fosse uma pessoa melhor teria dado-a uma chance de falar antes de dar um coice, acho que justamente o coice gratuito foi o que irritou ainda mais a Maria.
Jasper por fim não estava com aquela que amava... Mas ele também estava errado, hein? Esperou a Maria engravidar para decidir que não a amava? Que feio!
Aliás, ao menos eles formaram um casal fofo e estavam juntos nesse momento difícil. Acho que a amizade delas nunca mais vai voltar, mas ao mesmos Jasper tema chance de ser feliz, né? Alice também :)
Achei a fic muito intrigante e cheia de reviravoltas muito boas!! :D
Beijinhos
Oi Alice que surpresa!
EliminarBom, essas duas amigas sao um tanto ou quanto extremosas, ne? Na verdade sao duas verdadeiras rivais viu, porque o ponto alvo que estragou amizade delas, foi o Jasper, ou seja o mais conhecido arrasa corações. eheheh
É voce tem razao, tanto uma como a outra nao jogaram muito limpo, porem uma mulher vingativa, ou traida e capaz de muito. Sendo que Maria foi quem começou a provocação, que Alice em troca deu seu chá... Enfim, mulheres, ne?
Jasper foi um pouco irresponsável sim quanto a deixar para ultimo a sua verdadeira fidelidade, ne? Afinal Maria ficou grávida e ainda assim traida. É triste, mas infelizmente é a realidade de 3 mundos interligados.
Que bom que gostou amiga e tal como voce diz é uma pena nao ter mais gente aqui comentando. É claro que toda gente fica feliz de receber comentários e bom saber o que esse mundinho pensa de nossa literatura. Porem nao desanimo, porque mesmo sendo poucos aqueles que deixam comentário, eu ainda vou dando uma força na escrita.
Obrigada viu. eheh
Beijinhos :D