Caroline
Ja caminhávamos a horas pela cidade que ele constantemente lembrava ser perigosa, mas de mal ou risco nao via nada, bem pelo contrário as pessoas que passavam na rua, eram bem simpáticas e boas de dar suas indicações, entre outras coisas. Algumas ate ofereciam alojamento so que, o Jasper, esse recusava toda ajuda, dizendo sempre que odiava a pena dos outros. Eu nao via pena no olhar das pessoas da forma como ele insinuava, mas enfim.
- Olha parece que aquela casa esta com luz e a porta simplesmente esta aberta... - sussurrou ele parando.
Olhei na direcção da casa que ele acabava de falar e por uns momentos pensei, sim porque nao agia como um animal, era uma pessoa. Alem disso nunca sabíamos se nao era alguma armadilha, como ele falava que a cidade tinha deveras seus perigos.
- Nem parece teu! - reclamei.
- Porque? - questionou irritado por ver que eu o contrariava.
- Jasper... é preciso estar sempre alertar-te que pode ser uma armadilha? - arregalei os olhos criando um ar de mázinha, continuada mente batendo o pé no chao.
- Dessa foram fiqueremos sem chao... - comentou.
Olhei para o chao e percebi que era apenas uma piada de mau gosto como so ele sabia dar.
Como vi que ele nao dava ouvidos sequer ao que acabava de alertar, caminhei atrás dele, ne? Nao ia ficar sozinha na rua enquanto ele seguia para parte da casa. Afinal tínhamos prometido um ao outro nos protegermos.
Subi os degraus da casa muito lentamente e ele seguiu na frente para ver se era ou nao seguro entrar. Como tudo estava sob controle, fui entrando sempre a passo vagaroso e claro sempre mais próxima da porta possível, para na hora certa correr logo a rumo á rua.
Comecei a ouvir vozes e fiquei logo em posse de alerta, as luzes começaram a faiscar e o meu nervosismo estava evidente.
- Acalma-te se nao vamos ficar sem luz! - pediu ele.
Nao era fácil controlar as minhas emoções, ainda mais em horas como estas. As vozes cada vez foram ficando mais intensas, os faiscares piores, tanto que algumas das lâmpadas acesas acabaram por rebentar.
- Bolas assim vamos ser apanhados! - resmungou baixinho ele para mim.
Ignorei o seu resmungo e segui a sua frente, porque agora quem estava curiosa era eu, foi entao que facilmente fiquei a escuta da conversa que se travava no momento.
- Voces vao levar-me para um orfanato, eu nao quero... nao quero... - ao ouvir a criança gritando que nao queria ir embora percebi que algo de estranho estava acontecer nesta casa.
Tentei ainda assim ouvir mais alguma coisa, para claro, perceber o que realmente estava acontecer, porque ninguém levava assim a possibilidade de uma criança ter de ir para um orfanato.
- Maggie... ninguém vai levar-te para um orfanato... sim? - era a voz de uma mulher que agora falava.
Olhei para o Jasper que estava completamente comovido com a conversa. Eu tentava a todo o custo chamar por ele, mas parecia estar vidrado, tanto que nem mesmo dando uma pancada ele acordava. Entao lembrei de dar um carolo com a luva na sua cabeça, e nao é que resultou?
- Bolas faiscas! - reclamou...
- Bolas digo eu... estava a ver que tinhas adormecido.. ups falei alto demais... - levei a mao a boca para me calar, porque alguém havia se apercebido da nossa entrada.
- Anda ai alguem... - era um homem que agora estava a falar e por mais estúpido que fosse vinha na nossa direcção.
Comecei a correr ate a porta, mas a porcaria das minhas botas so pioraram as coisas que eu acabei por cair e ficar para tras, contudo o Jasper para nao me deixar sozinha, teve de voltar para resgatar-me, no entanto o tempo foi de tal modo tao demorado, que os adultos apanharam-nos.
- Dois adolescentes?! - falou o homem com um cabo de vassoura na mao.
Respirei fundo ao recompor-me em pé. Olhe para o meu amigo e companheiro de hora e vi que tambem ele olhava para mim e ja estava prontissimo a fazer frente a pessoa, ficando invisível.
- Jasper nao! - mas era tarde demais para o impedir de transformar-se.
Agora era completamente impossível de perceber onde ele estava, entao como eu so queria o bem de todos, arranjei forma de arrebentar com a lâmpada que estava mesmo acima de nós.
- Eleazar a algum problema? - era uma mulher aproximar-se e atrás de si um casal de crianças.
- Esperem! Parem tudo! - gritou a menina.
O Jasper voltou a ficar visível, eu calcei as luvas e controlei o meu nervosismo, o homem do cabo de vassoura parou de tentar acertar no meu amigo e a mulher simplesmente se abaixou para olhar a pequena.
- O que foi Maggie?
- Eles tambem sao como nós... O Jasper e a Caroline sao boas pessoas. - olhei incrédula a menina e fui ate ela. - Eles estao sozinhos, a Caroline porque fugiu de casa e quase matou a irmã... O Jasper porque nao aguentava mais a pancadaria do pai.
Nao conseguia acreditar na precisão das suas palavras, de como ela sabia tanto de mim, que so a minha memória tinha acesso.
- Nao te questiones muito Caroline... eu leio a mente das pessoas. - sorri percebendo agora tudo. - E sei que voces procuram um lugar para ficar...
Olhei o Jasper e tive vontade imediata de responder, mas ouve um certo alguem que se antecipou.
- Eles precisam de ficar protegidos, nao quero que aconteça a voces a mesma coisa que aconteceu a minha
Alice. - olhei para a mulher que falava com lágrimas contidas das suas meras recordações.
- O que aconteceu com Alice? - perguntei tentando entender.
- Foi levada pelos maus, por alguem que anseia muito dominar o mundo a sua maneira, usando as crianças para vários dos seus benefícios... - estendi a minha mao para com a luva passar no seu rosto e dar um carinho, ela por sua vez passou a sua mao na minha. - Alice previa o futuro, e como tal ela tinha previsto que ia embora, ficando longe de mim, so que eu ignorei.
Fiquei tambem com o sabor da emoção, era a primeira vez que tinha contacto com uma mae que presenciava a vida de uma filha com poderes e ainda assim nao a deixava de amar. Era óbvio que amor nao era um factor de instinção na minha antiga vida, os meus pais amavam muito a mim e a minha irmã. Só que no dia em que eles descobrissem que a sua filha mais velha nao era bem aquilo que eles imaginavam... Baixei os olhos pensando nos seus rostos cheios de medo... Eles nao iam entender, iriam sim afastar-se cada vez mais e mais e no fim, odiariam com todas as forças que alguem tem para odiar um inimigo.
Esta mae, este pai, eles estavam dispostos a proteger os seus, com a própria vida e isso eu podia dizer que era maior prova de amor que um filho podia receber.
- Nós vamos encontrar a sua filha... - agora com as duas maos pegava em seu rosto lavado pelas lágrimas copiosas. - Eu prometo...
Ela deu um abraço forte em mim, um daqueles que so fazia lembrar a minha mae, o seu carinho, seu calor...
- Vem ai gente! - falou o Eleazar, e eu afastei do abraço, vendo que o momento ja estava a ser estragado por visitas inesperadas.
- O que fazemos agora? - perguntou o miúdo.
- São os maus! - gritou a pequena correndo pela casa.
Olhei para cada rosto percebendo que nao tínhamos mais alternativas, se nao fugir. Peguei no casaco e dei a minha mao a Maggie levando a sair da casa, enquanto Carmen pegava algo e Eleazar ja vinha com o seu filho no colo muito amedrontado. Jasper havia ficado para tras.
- Onde esta o Jasper? Ele nao vem? - fiquei muito preocupada, mas quem me respondeu foi a Maggie.
- Ele tornou-se invisível, para atacar os maus... Ele acha que vai conseguir...
Olhei algumas vezes mais para a portas das traseiras e varias vezes tive aquela sensação de ajuda, mas a pequena puxava por mim a todo o custo. Entao seguimos todos juntos a correr pela cidade, pouco tempo depois ele apareceu ficando visivel do nada e, claro está que apanhei um grande susto.
- Vamos para a minha casa! - disse o Eleazar. - Pelo menos ate encontrarmos um solução!
Carmen nao estava muito confiante da nossa segurança neste momento.
- Nós nao podemos ficar muito tempo aqui, eu preciso de encontrar alguma coisa neste caderno, algo me diz que esta aqui a resposta para as nossas duvidas...
Chegamos na casa de Eleazar e trancou-se a porta. Carmen sentou numa mesa examinando o caderno e nós os 4 sentamos no sofá tentando descansar, pelos menos eu estava completamente de rastos.
Carmen
Este caderno estava cheio de rabiscos e ao mesmo tempo cheio de palavras código que por vezes eram grande quebra cabeças. E depois desenhos muito estranhos de plantas, nomes de crianças, histórias de poderes ate que por acaso encontrei uma coisa interessante.
- Vale Perdido! - li em voz alta e logo Eleazar e os miúdos se juntaram á roda da mesa para ver do que se tratava.
- Que lugar é esse? - perguntou Caroline.
- Nao sei, é o que o Silvestre deixou escrito aqui, e parece que á uma casa indicada para uma familia numerosa... - olhamos uns para os outros. - E tem numero de telefone.
- Mas nós nao somos uma familia! - disse Alec.
- Pelos jeito vamos passar a ser filho... - nao falou muito convencido Eleazar.
Nunca se sabia se a resposta para o desaparecimento da minha filha nao estivesse lá e que talvez ela estivesse mais perto de mim do que eu propria imaginava.
- Eu vou gostar de ter uma familia... - disse Maggie sorrindo. - Carmen como minha mae, o Eleazar como eu pai. - olhava para nós como orgulho. - O Jasper, a Caroline e o Alec como meus irmãos de mentira.
- Nao sei se é boa ideia... nao gosto de mentir, porque o meu sempre me ensinou que a mentira tem perna curta e que é feio... - falava o pequeno garrando-se ao pai.
Eleazar por sua vez, tentou despreender o filho e olha-lo nos olhos, de uma forma tocante e quase que imploraria. O pequeno tinha lágrimas nos olhos, de certo, tinha receio de entrar numa aventura diferente, ou talvez deixar as recordações de uma familia, de uma casa, uma vida.
- Filho! - pousou as maos nos seus ombros. - Eu sei que ensinei-te todas essas coisas, e é bom saber que as tomas como sendo correctas. - olhou para mim antes de continuar. - Mas neste caso, é necessário usar da mentira para vosso próprio bem, para o teu, para o meu...
Estava de tal modo tao comovida com as suas palavras que ate esqueci do que continuamente queria fazer.
Voltei a olhar para os rabisco e aproveitei o numero para ligar. Esperei continuamente que alguém do outro lado da linha atendesse e que por sorte pudesse ajudar-nos.
- Alo? - alguem falou, o meu coração palpitou muito e vi brilho no olhar da pequena Maggie.
A hora era de proteger estas crianças, dar a elas a vida que nenhum pai soube dar e acima de tudo, mante-las a salvo.
- Alo? Meu nome é Carmen... Gostaria de saber se ainda tem a casa disponível para alugar! - falei com um voz ansiosa e ao mesmo tempo sem medos.
Fez-se silencio, olhei logo para Eleazar que estava nervoso, abraçado ao seu filho, ate que a pessoa em questão retomou a ligação.
- Bom a casa ainda esta desbagada sim... mas quando gostaria de a vir ver? Deve ter de certo uma familia grande, porque o tipo de casa que é... - cortei logo as suas palavras curiosas.
- Sim, pode ser amanha de manha? Eu e o meu marido temos 4 filhos. - disse e dei um breve passagem com os olhos por todos...
- Que família grande... Entao esta combinado fica assim para amanha... - desliguei a chamada.
Suspirei antes de pousar o telefone no devido lugar, sentar de seguida.
- Desculpa Eleazar... temos de fazer isto por eles... - ele sentou no sofá a minha frente. - Vamos ter que ser marido e mulher, mostrarmos que estamos muito apaixonados, mesmo que só nos tenhamos visto apenas hoje, pela primeira vez... - respirei fundo. - Nao temos outra saida, e temos de providenciar documentos falsos, arranjar uma apelido de familia.
Maggie surgiu a nossa frente, saltou para o meu colo e ficou seria, devia estar de certo a ler a mente, procurando esclarecer alguma duvida.
- Eleazar acha que é arriscado... - comentou ela. - Mas tambem acha que é a única solução que temos para manter-nos a salvo e gosto da ideia de Familia Misty.
Acariciei a carinha da pequena que sorria, apertando contra o meu peito.
- Entao quando vamos? - perguntou Jasper prenunciando-se pela primeira vez.
- Tem de ser agora, Vale Perdido nao é assim tão perto, por isso é melhor irmos ja! - disse ao levantar-me e deixar a pequena no chão.
Era hora de trancar a porta do passado e abrir a futuro novo, e diferente na nova cidade, no novo mundo. A mentira que estávamos a montar era para nosso próprio bem e como tal necessária para nunca em momento algum levantar suspeitas.
Ja caminhávamos a horas pela cidade que ele constantemente lembrava ser perigosa, mas de mal ou risco nao via nada, bem pelo contrário as pessoas que passavam na rua, eram bem simpáticas e boas de dar suas indicações, entre outras coisas. Algumas ate ofereciam alojamento so que, o Jasper, esse recusava toda ajuda, dizendo sempre que odiava a pena dos outros. Eu nao via pena no olhar das pessoas da forma como ele insinuava, mas enfim.
- Olha parece que aquela casa esta com luz e a porta simplesmente esta aberta... - sussurrou ele parando.
Olhei na direcção da casa que ele acabava de falar e por uns momentos pensei, sim porque nao agia como um animal, era uma pessoa. Alem disso nunca sabíamos se nao era alguma armadilha, como ele falava que a cidade tinha deveras seus perigos.
- Nem parece teu! - reclamei.
- Porque? - questionou irritado por ver que eu o contrariava.
- Jasper... é preciso estar sempre alertar-te que pode ser uma armadilha? - arregalei os olhos criando um ar de mázinha, continuada mente batendo o pé no chao.
- Dessa foram fiqueremos sem chao... - comentou.
Olhei para o chao e percebi que era apenas uma piada de mau gosto como so ele sabia dar.
Como vi que ele nao dava ouvidos sequer ao que acabava de alertar, caminhei atrás dele, ne? Nao ia ficar sozinha na rua enquanto ele seguia para parte da casa. Afinal tínhamos prometido um ao outro nos protegermos.
Subi os degraus da casa muito lentamente e ele seguiu na frente para ver se era ou nao seguro entrar. Como tudo estava sob controle, fui entrando sempre a passo vagaroso e claro sempre mais próxima da porta possível, para na hora certa correr logo a rumo á rua.
Comecei a ouvir vozes e fiquei logo em posse de alerta, as luzes começaram a faiscar e o meu nervosismo estava evidente.
- Acalma-te se nao vamos ficar sem luz! - pediu ele.
Nao era fácil controlar as minhas emoções, ainda mais em horas como estas. As vozes cada vez foram ficando mais intensas, os faiscares piores, tanto que algumas das lâmpadas acesas acabaram por rebentar.
- Bolas assim vamos ser apanhados! - resmungou baixinho ele para mim.
Ignorei o seu resmungo e segui a sua frente, porque agora quem estava curiosa era eu, foi entao que facilmente fiquei a escuta da conversa que se travava no momento.
- Voces vao levar-me para um orfanato, eu nao quero... nao quero... - ao ouvir a criança gritando que nao queria ir embora percebi que algo de estranho estava acontecer nesta casa.
Tentei ainda assim ouvir mais alguma coisa, para claro, perceber o que realmente estava acontecer, porque ninguém levava assim a possibilidade de uma criança ter de ir para um orfanato.
- Maggie... ninguém vai levar-te para um orfanato... sim? - era a voz de uma mulher que agora falava.
Olhei para o Jasper que estava completamente comovido com a conversa. Eu tentava a todo o custo chamar por ele, mas parecia estar vidrado, tanto que nem mesmo dando uma pancada ele acordava. Entao lembrei de dar um carolo com a luva na sua cabeça, e nao é que resultou?
- Bolas faiscas! - reclamou...
- Bolas digo eu... estava a ver que tinhas adormecido.. ups falei alto demais... - levei a mao a boca para me calar, porque alguém havia se apercebido da nossa entrada.
- Anda ai alguem... - era um homem que agora estava a falar e por mais estúpido que fosse vinha na nossa direcção.
Comecei a correr ate a porta, mas a porcaria das minhas botas so pioraram as coisas que eu acabei por cair e ficar para tras, contudo o Jasper para nao me deixar sozinha, teve de voltar para resgatar-me, no entanto o tempo foi de tal modo tao demorado, que os adultos apanharam-nos.
- Dois adolescentes?! - falou o homem com um cabo de vassoura na mao.
Respirei fundo ao recompor-me em pé. Olhe para o meu amigo e companheiro de hora e vi que tambem ele olhava para mim e ja estava prontissimo a fazer frente a pessoa, ficando invisível.
- Jasper nao! - mas era tarde demais para o impedir de transformar-se.
Agora era completamente impossível de perceber onde ele estava, entao como eu so queria o bem de todos, arranjei forma de arrebentar com a lâmpada que estava mesmo acima de nós.
- Eleazar a algum problema? - era uma mulher aproximar-se e atrás de si um casal de crianças.
- Esperem! Parem tudo! - gritou a menina.
O Jasper voltou a ficar visível, eu calcei as luvas e controlei o meu nervosismo, o homem do cabo de vassoura parou de tentar acertar no meu amigo e a mulher simplesmente se abaixou para olhar a pequena.
- O que foi Maggie?
- Eles tambem sao como nós... O Jasper e a Caroline sao boas pessoas. - olhei incrédula a menina e fui ate ela. - Eles estao sozinhos, a Caroline porque fugiu de casa e quase matou a irmã... O Jasper porque nao aguentava mais a pancadaria do pai.
Nao conseguia acreditar na precisão das suas palavras, de como ela sabia tanto de mim, que so a minha memória tinha acesso.
- Nao te questiones muito Caroline... eu leio a mente das pessoas. - sorri percebendo agora tudo. - E sei que voces procuram um lugar para ficar...
Olhei o Jasper e tive vontade imediata de responder, mas ouve um certo alguem que se antecipou.
- Eles precisam de ficar protegidos, nao quero que aconteça a voces a mesma coisa que aconteceu a minha
Alice. - olhei para a mulher que falava com lágrimas contidas das suas meras recordações.
- O que aconteceu com Alice? - perguntei tentando entender.
- Foi levada pelos maus, por alguem que anseia muito dominar o mundo a sua maneira, usando as crianças para vários dos seus benefícios... - estendi a minha mao para com a luva passar no seu rosto e dar um carinho, ela por sua vez passou a sua mao na minha. - Alice previa o futuro, e como tal ela tinha previsto que ia embora, ficando longe de mim, so que eu ignorei.
Fiquei tambem com o sabor da emoção, era a primeira vez que tinha contacto com uma mae que presenciava a vida de uma filha com poderes e ainda assim nao a deixava de amar. Era óbvio que amor nao era um factor de instinção na minha antiga vida, os meus pais amavam muito a mim e a minha irmã. Só que no dia em que eles descobrissem que a sua filha mais velha nao era bem aquilo que eles imaginavam... Baixei os olhos pensando nos seus rostos cheios de medo... Eles nao iam entender, iriam sim afastar-se cada vez mais e mais e no fim, odiariam com todas as forças que alguem tem para odiar um inimigo.
Esta mae, este pai, eles estavam dispostos a proteger os seus, com a própria vida e isso eu podia dizer que era maior prova de amor que um filho podia receber.
- Nós vamos encontrar a sua filha... - agora com as duas maos pegava em seu rosto lavado pelas lágrimas copiosas. - Eu prometo...
Ela deu um abraço forte em mim, um daqueles que so fazia lembrar a minha mae, o seu carinho, seu calor...
- Vem ai gente! - falou o Eleazar, e eu afastei do abraço, vendo que o momento ja estava a ser estragado por visitas inesperadas.
- O que fazemos agora? - perguntou o miúdo.
- São os maus! - gritou a pequena correndo pela casa.
Olhei para cada rosto percebendo que nao tínhamos mais alternativas, se nao fugir. Peguei no casaco e dei a minha mao a Maggie levando a sair da casa, enquanto Carmen pegava algo e Eleazar ja vinha com o seu filho no colo muito amedrontado. Jasper havia ficado para tras.
- Onde esta o Jasper? Ele nao vem? - fiquei muito preocupada, mas quem me respondeu foi a Maggie.
- Ele tornou-se invisível, para atacar os maus... Ele acha que vai conseguir...
Olhei algumas vezes mais para a portas das traseiras e varias vezes tive aquela sensação de ajuda, mas a pequena puxava por mim a todo o custo. Entao seguimos todos juntos a correr pela cidade, pouco tempo depois ele apareceu ficando visivel do nada e, claro está que apanhei um grande susto.
- Vamos para a minha casa! - disse o Eleazar. - Pelo menos ate encontrarmos um solução!
Carmen nao estava muito confiante da nossa segurança neste momento.
- Nós nao podemos ficar muito tempo aqui, eu preciso de encontrar alguma coisa neste caderno, algo me diz que esta aqui a resposta para as nossas duvidas...
Chegamos na casa de Eleazar e trancou-se a porta. Carmen sentou numa mesa examinando o caderno e nós os 4 sentamos no sofá tentando descansar, pelos menos eu estava completamente de rastos.
Carmen
Este caderno estava cheio de rabiscos e ao mesmo tempo cheio de palavras código que por vezes eram grande quebra cabeças. E depois desenhos muito estranhos de plantas, nomes de crianças, histórias de poderes ate que por acaso encontrei uma coisa interessante.
- Vale Perdido! - li em voz alta e logo Eleazar e os miúdos se juntaram á roda da mesa para ver do que se tratava.
- Que lugar é esse? - perguntou Caroline.
- Nao sei, é o que o Silvestre deixou escrito aqui, e parece que á uma casa indicada para uma familia numerosa... - olhamos uns para os outros. - E tem numero de telefone.
- Mas nós nao somos uma familia! - disse Alec.
- Pelos jeito vamos passar a ser filho... - nao falou muito convencido Eleazar.
Nunca se sabia se a resposta para o desaparecimento da minha filha nao estivesse lá e que talvez ela estivesse mais perto de mim do que eu propria imaginava.
- Eu vou gostar de ter uma familia... - disse Maggie sorrindo. - Carmen como minha mae, o Eleazar como eu pai. - olhava para nós como orgulho. - O Jasper, a Caroline e o Alec como meus irmãos de mentira.
- Nao sei se é boa ideia... nao gosto de mentir, porque o meu sempre me ensinou que a mentira tem perna curta e que é feio... - falava o pequeno garrando-se ao pai.
Eleazar por sua vez, tentou despreender o filho e olha-lo nos olhos, de uma forma tocante e quase que imploraria. O pequeno tinha lágrimas nos olhos, de certo, tinha receio de entrar numa aventura diferente, ou talvez deixar as recordações de uma familia, de uma casa, uma vida.
- Filho! - pousou as maos nos seus ombros. - Eu sei que ensinei-te todas essas coisas, e é bom saber que as tomas como sendo correctas. - olhou para mim antes de continuar. - Mas neste caso, é necessário usar da mentira para vosso próprio bem, para o teu, para o meu...
Estava de tal modo tao comovida com as suas palavras que ate esqueci do que continuamente queria fazer.
Voltei a olhar para os rabisco e aproveitei o numero para ligar. Esperei continuamente que alguém do outro lado da linha atendesse e que por sorte pudesse ajudar-nos.
- Alo? - alguem falou, o meu coração palpitou muito e vi brilho no olhar da pequena Maggie.
A hora era de proteger estas crianças, dar a elas a vida que nenhum pai soube dar e acima de tudo, mante-las a salvo.
- Alo? Meu nome é Carmen... Gostaria de saber se ainda tem a casa disponível para alugar! - falei com um voz ansiosa e ao mesmo tempo sem medos.
Fez-se silencio, olhei logo para Eleazar que estava nervoso, abraçado ao seu filho, ate que a pessoa em questão retomou a ligação.
- Bom a casa ainda esta desbagada sim... mas quando gostaria de a vir ver? Deve ter de certo uma familia grande, porque o tipo de casa que é... - cortei logo as suas palavras curiosas.
- Sim, pode ser amanha de manha? Eu e o meu marido temos 4 filhos. - disse e dei um breve passagem com os olhos por todos...
- Que família grande... Entao esta combinado fica assim para amanha... - desliguei a chamada.
Suspirei antes de pousar o telefone no devido lugar, sentar de seguida.
- Desculpa Eleazar... temos de fazer isto por eles... - ele sentou no sofá a minha frente. - Vamos ter que ser marido e mulher, mostrarmos que estamos muito apaixonados, mesmo que só nos tenhamos visto apenas hoje, pela primeira vez... - respirei fundo. - Nao temos outra saida, e temos de providenciar documentos falsos, arranjar uma apelido de familia.
Maggie surgiu a nossa frente, saltou para o meu colo e ficou seria, devia estar de certo a ler a mente, procurando esclarecer alguma duvida.
- Eleazar acha que é arriscado... - comentou ela. - Mas tambem acha que é a única solução que temos para manter-nos a salvo e gosto da ideia de Familia Misty.
Acariciei a carinha da pequena que sorria, apertando contra o meu peito.
- Entao quando vamos? - perguntou Jasper prenunciando-se pela primeira vez.
- Tem de ser agora, Vale Perdido nao é assim tão perto, por isso é melhor irmos ja! - disse ao levantar-me e deixar a pequena no chão.
Era hora de trancar a porta do passado e abrir a futuro novo, e diferente na nova cidade, no novo mundo. A mentira que estávamos a montar era para nosso próprio bem e como tal necessária para nunca em momento algum levantar suspeitas.

Então o mocinho convencido é o Jasper, né? Eu já suspeitava! rsrsrsrs Mas ele é meio maluco, certo? Já ir entrando assim numa casa que nem sabe de quem é! Doidinho... rsrsrsrs
ResponderEliminarE por mais que a Care tenha relutado em acompanhá-lo, acabou tão curiosa quanto ele ao ouvir as vozes que vinham lá de dentro. E não é que eram Carmen e companhia?
Oh, não creio que os maus estão por ali tão perto! E quase que nem conseguem fugir dali, né? Ainda bem que Eleazar cedeu a casa para que todos se abrigassem, ao menos por hora. Aliás, parece que a Maggie e a Care se deram bem, né?
Que caderninho interessante, não? Será que Carmen vai encontrar as respostas que procura? E bem, ao menos já deu a eles um novo lugar para recomeçar, mesmo que seja como uma família de mentira, não é? Afinal, parece mesmo um bom modo de se manterem juntos e protegidos.
xoxo
Nem mais, esse mocinho era mesmo esse loiro travesso.. eheheh por tras de um cara sempre uma mascara, nao é mesmo? Sim tenho de concordar com voce, que isso foi em tudo loucura, mas so mostra o quanto é valente e nao tem medo de nada, nao? Essa é mais uma qualidade de menino de rua...
ResponderEliminarE quem nao consegue escapar ao bichinho da curiosidade? Eu cá nao, e acredito que muita gente tambem nao.. alem disso ela tinha a ele e houvessem problemas, certo? Mas tudo correu bem, pois esses estranhos dentro da casa, eram aqueles que bom no fim de contas os vao ajudar, nao?
Sim quanto aos maus, eles tem seus planos, digamos assim, podem estar perto, ou nao... nunca se sabe...
Maggie e Caroline criaram logo ali uma empatia total, e isso é bom nao acha? Pois assim a menina nao se sente tao sozinha e vai assim encontrar em essa loira uma irmã nunca antes existente... e voce vai perceber isso mais tarde..
Sim é esse caderninho é a chave para parte dos problemas dessa malta, e digamos que foi uma sorte terem sido eles a encontrar, nao acha? Pois se cai-se na mao errada, a coisa podia muito bem azedar.
Tem razao essa ja é uma grande ajuda... e tenho a certeza que vai correr tudo bem, pelo menos por agora... para sempre é um pouco impossivel, dado que o perigo esta sempre a espreita...
Beijinhos