Capitulo 31 - Amor ou Doença?
Jasper
Ao entrar dentro do meu laboratório, fiquei um tempo a olhar tudo com minúcia, pensando para comigo mesmo como nao podia simplesmente ter voltado mais cedo para o meu ponto de abrigo. Tantos momentos eu havia passado aqui, amizades com as máquinas que havia travado.
- Oh Zaza o meu velho amigo, e companheiro de investigação. - falei num sussurro quase mais dirigido a mim.
Desci os degraus com calma e fui aproximando da minha banca de trabalho e assim acomodando-me.
- Dr. Jasper! Dr. Jasper! - saudou Zaza voltando toda a sua atenção para mim, ao mesmo que levantava os braçinhos feliz por me ver.
- Como estas meu amigo? - perguntei ao dar a minha mão para um simples aperto. - Tive saudades tuas companheiro! - afirmei.
- Zaza tambem ter muitas saudades do Dr. Jasper! - respondeu ele. - E estou muito bem, com saudades da Robot Alice...
Desconfiava piamente que a alguma hora menciona-se Alice, afinal ela tinha uma invenção conjunta nossa e que ao fim de contas, era a sua amiga, talvez a única, pois nunca havia feito nada igual e iria fazer, pois aquilo que na época incentivou a transformação, hoje ja nao existia, e por outro lado, nao voltaria a cometer a mesma loucura.
- A Robot esta bem! - sorri ao esclarecer as saudades do meu fiel amigo. - Um dia desses ela vem cá, só para veres como ela ainda se lembra de ti, e de como só tem agradecer-te por seres tao amigo. - ele levantou os braçinhos uma vez mais muito animado, piscando luzinhas tambem. - Mas agora vou precisar muito da tua ajuda! - falei sentando na minha banca de trabalho, ligando o computador.
- Zaza esta sempre as ordens do Dr. Jasper! - acenou uma continência, logo ri.
A cessei ao controle de investigações mundiais e fiz uma breve pesquisa de uns detalhes de uma transformação mecânica sobre uma construção robótica andante. Isto é, a minha ideia era ajudar o meu filho Simão a aumentar as probabilidades de voltar a retomar uma vida normal, sem dependências. Entao, a medicina nao estava a evoluir de modo progressivo e correcto na doença dele, e por outro lado estava a fragiliza-lo, eu como pai, tinha todo o direito, assim como obrigação de encontrar uma resposta.
Resposta essa que nao estava na base de nenhum tratamento, ou outro beneficio natural. Eu como cientista astuto que era, queria criar a maquina mais eficiente e moderna que pudesse ser a base de uma vida plena.
Queria construir as pernas robot, nao umas quais queres, mas aquelas que podiam ajudar a manipular melhor os movimentos articulares do meu filho. Estimular por outro sentido ao fortalecimento dos músculos, e dos ossos, cujo estavam descalcificados por conta da quimioterapia e da radio, que ja por si, eram tratamentos bastante agressivos, ainda mais para uma criança, sendo que ja nos adultos se fazia sentir de forma negativa.
Passei quase um dia inteiro na pesquisa desse produto que em tudo so podia dar certo, era fundamental que o fosse, pois a vida do meu filho estava um pouco dependente disso, e como pai nao queria falhar, sabendo que podia ajudar.
- Dr. Jasper! - chamou Zaza, tirando a minha atenção do grande ecrã. - Precisa de fazer uma pausa, ja esta a muito tempo a trabalhar.
- Tens razão, estou a ficar um pouco cansado realmente. - afastei-me um pouco com a cadeira do computador, estiquei as pernas que ja estavam a tomar o gosto do dormente, de tanto mante-las na mesma posição. - Sabes uma coisa? - olhei ele rindo. - Vou aproveitar esta pausa para fazer uma ligação.
Levantei-me da cadeira, peguei no meu telemóvel e digitei o numero de Peter. Esperei sensivelmente que ele atendesse a minha chamada e que por outro lado era óptimo poder ouvir a sua voz novamente, depois de tanto tempo tomarmos aquele contacto.
- Alo? Jasper? - finalmente ele atendeu.
- Peter! Como estas? - perguntei quase rindo.
- Estou bem e tu meu irmão? Que novidades tens a contar? - sentei novamente na cadeira, pois a conversa seria um tanto longa.
- Nao tenho muito para revelar nao... - suspirei. - E tu o que contas? Quer dizer, deves ter ai novas histórias para contar... - ouvi um risinho abafado do outro lado da linha.
- Eu? Claro que nao... - riu-se. - Sabes que aqui tudo é basicamente trabalho e sou serio tá?! - ri-me desta vez eu.
- Ta bom vou ver se acredito! - falei, contendo o risinho que tinha vontade de soltar. - Bom a minha chamada nao foi para isso nao, na verdade queria muito ter uma visita tua e da Charlotte, Tenho saudades de vos ver por aqui... - suspirei saudoso.
- Bom eu vou ter férias agora... É isso mesmo vou para Forks, matar saudades e quem sabe marcar ai um jantar, hein? - brincou.
- É uma boa ideia, olha que vou cobrar por essa, estás ouvir? - realcei a minha ideia, que na verdade era apenas dele.
- Eu apenas falei de jantar, nao que seria eu a dar-te... - gargalhou. - Mano terei de desligar, mas conta connosco ai em pouco mais de 10 dias, ta bom? Fica bem, ate a próxima, que o dever chama por mim.
- Vai lá senhor inspector! - ri e desliguei a ligação.
Era óptimo conversar com Peter e colocar em alta toda a nossa boa disposição de miúdos. Éramos tao iguais, e tao diferentes. Ambos tínhamos seguido caminhos diferentes, traçado metas e percursos que a nós apenas eram favoráveis. Tinha saudades do tempo que em éramos crianças, discutiam-mos apenas por causa de quem comandava o carro de brincar, ou entao quem ia para o banho primeiro.
- Oh tempo que nao volta! - sussurrei, balançando a cadeira.
Mas uma coisa era certa Peter e Charlotte iam estar de volta mais cedo que o previsto e íamos marcar um dia de emoções a valer, como nos velhos tempos, e quem ia adorar relevos, era Alice que estava desejosa de os ter por perto.
Alice Original
Quando por ventura derrotei a preguiça, levantei da cama fui a janela sentir o perfumar das flores invadindo o meu dia, de seguida fui ao closet onde me vesti, arrumei o cabelo, colocando uns ganchos e passar um pouco de perfume. Sai do quarto, fui na cozinha, bebi o meu café e senti a falta da minha amiga Kim, ao qual nao resisti de questionar a minha governanta.
- Luisy! - ela parou de lavar a loiça e deitou logo os olhos na minha direcção, quando por ventura ouviu minha voz chamar por si.
- Sim senhora! - falou ela com aquela voz prestável e atenciosa que sempre era.
- Sabes me dizer onde a anda a Kim? - cruzei os dedos, esperando sinceramente uma boa resposta.
- Nao senhora!
- Esta bem!
Terminei de beber o meu café e sai ate ao jardim, onde dirigi-me ate a garagem e sai com o meu carro ate a cidade. Estava a precisar de fazer umas compras e aliviar este meu stress matinal. Se havia coisa que eu precisava de fazer para me sentir em alta era isso, passear e sair da rotina que se tinha tornado a minha vida quando cheguei ate este lugar.
Pela estrada fora segui o meu caminho, parei so mesmo quando estupidamente um semáforo fechou diante de meus olhos, no exacto momento em que pretendia passar a margem.
- Esta tudo contra mim! - sussurrei para comigo mesmo.
Minutos depois o semafero abriu e eu acelerei parando so mesmo na estância do parque do shopping center de Olímpia. Nesse momento em que saia do carro, um outro passou por mim de um modo suspeito, quer dizer nao que fosse algum criminoso a solta, longe de mim pensar tal coisa, mas a cor, a marca... bom so conhecia uma pessoa que tinha esse carro, comecei a pensar.. e nao demorei muito para chegar a conclusão de Maria Whitlock estava aqui.
- Oh nao, essa nao! - resmunguei num murmúrio.
Peguei na minha mala e sai com a maior das descontracções para o interior do shopping, quando por acaso cruzo um breve olhar nela que estava mesmo a escassos metros de mim olhando uma montra de roupa informal. Ao ver que ela estava distraída entrei logo dentro de um elevador, subindo uns quantos pisos, tudo o que neste momento nao queria era cruzar olhares e ouvir criticas ou ameaças posteriores que conhecendo bem ela como conhecia, iria prenuncia-las na hora.
Sai no piso 3, neste que de certo ela nao iria chegar, pois nao agora. Trilhei tranquilamente dentro de cada loja, comprando sempre que o necessário, as vezes ate demais, pois estava nervosa e so encontrava nas compras a melhor forma para esquecer aquela imagem de mulher cínica.
De sacolas na mao e com a chave do carro na outra, dirigi-me finalmente ao elevador que curiosamente quando estava prestes a entrar encontrei Edward, o meu irmão mais velho, cujo ja nao via a muito tempo, pois era uma pessoa bastante ocupada.
- Alice? - falou ele nao acreditando no que os seus olhos viam diante de si.
- Edward! - levantei as sacolas animada por reencontra-lo.
Em vez de entrar e sair como estava a pensar em efectuar, mudei os meus planos, pois o facto de encontrar alguem que ja nao via a muito, deixou com vontade de traçar conversa.
- Vamos tomar um café, pago eu! - disse ele, e como tal nao recuei, indo consigo ate a esplanada.
Ao sentar na cadeira do dito estabelecimento, pousei as sacolas e ao arrumar a chave do meu carro, o meu irmão perguntou logo o mesmo de sempre.
- Como estas? Meu Deus como ja nao te vejo a muito tempo... - disse ele cruzando os braços no tampo da mesa. - A mae falou-me que estiveste com ela a uns meses talvez.. - fez um ar pensativo. - Porque nao vais lá casa, a Bella ia adorar voltar a ver-te.
- Oh Edward... - sorri. - Eu estou bem, com muitas saudades de vocês, da tua filhota Nessie.. ai que amor ela nao? - o garçom chegou com um cardápio interrompendo nossa conversa. Dei uma olhada no meu pedido e logo devolvi o mesmo pedindo um café e uma nata. Voltei minha atenção a ele uma vez mais para continuar. - Bom como estava a dizer... Estou com saudades vocês claro.. so que ando tao ocupada nos últimos tempos que quase é impossível arranjar um buraquinho, ja para nao falar que tu e Bella tambem devem ter os vossos projectos.. - tentei sorrir para nao parecer mal.
- Oh Alice, na nossa vida a sempre tempo para a família. - pegou na minha mao dando uma caricia. - E sim a Nessie é um amor de filha, só que ja anda a iniciar os seus problemas pelo meio.. - arregalei o olhar. - Agora acreditas que ela anda com vontade de namorar com um tal de... - ficou pensativo. - Acho que é Jaken... Jacoy... Jacob.. isso, confundo sempre. - gargalhei da forma desajeitada como ele mencionava o nome dos namorados da filha.
Edward era tal e qual o meu pai, um protector em primeira linha. Atenção que eles ate podiam ser as pessoas mais ocupadas do mundo, mas se havia coisa que eles nao perdiam era o rastro de tudo o que as suas crias faziam. Ahahah que bem que sabia disso, pois ainda recordava quando cheguei em casa no meu primeiro dia em que, lindamente conheci Jasper, e quando o meu pai mal soube da meu tao animado humor, veio ate mim com conversas meio estranhas que olhando agora pra tras valeram bem a pena, porque estava muito feliz agora.
- Nao brinques comigo... - falei com animação. - A Nessie esta na idade de começar a ter os seus primeiros namoriscos de infância.. - brinquei.
- Falas assim porque nao tens filhos, porque se tivesses nao pensarias desse modo leviano. - entristeci ao ouvir essas palavras. - Desculpa Alice eu nao queria ser de maneira nenhuma estúpido contigo. - suspirei. - Maninha... - pegou nas minhas maos, obrigando a ver o seu olhar. - Podes sempre solucionar o teu problema de uma maneira diferente, existem muitas crianças em orfanatos pedindo um pai e uma mae... - começou. - E tu és uma excelente pessoa, ao qual nao falta amor para dar, e olha o teu marido... - lembrei da figura paterna dele ao cuidar de Simão. - Ele ama crianças.
- Oh meu irmão, quem me dera que tudo fosse assim tao simples..
Olhei para o lado conjurando a hipótese de contar a verdade, porem que sentido faria agora abrir a boca e contar uma história que ninguem em seu perfeito juízo ia entender, ne? Por outro lado, Edward era dos irmãos que mais me apoiava, pelo menos no passado e nao haviam segredos entre nós. Era difícil manter esta minha mente rodada em silencio quando tinha uma bom coração a minha frente pronto ajudar.
- O que na verdade pode impedir a tua realização? - perguntou bebendo um gole do seu café, cujo eu nem dei conta de ter chegado o garçom com o nosso pedido e assim sair, em que eu desse por nada. - Somos irmãos, podes confiar em mim. - olhei nos seus olhos, vendo compaixão.
David
Horas depois de estabelecer aquele pequeno diálogo no jardim com aquela mulher, dei por mim varias das vezes a pensar no efeito da conversa e em que qual seria o maldito segredo que tanto ela insistia em que eu tentasse de algum modo descobrir.
Sentei numa cadeira, deitando a cabeça nos nas pernas, pensando e apenas pensando. O que seria aquilo que Alice ocultava de mim? Eu amava ela da forma como ela era e nao havia nada que pudesse destruir desse amor, porque quem ama, acredita e nao julga.
Levantei decidido a voltar a confrontar essa mulher e pedir a continuidade de deu tao agradável vontade para falar sobre esse assunto. Se ela tinha começado, agora tambem teria de terminar, pois para mim nao havia assuntos em modo hiatus.
Entrei dentro da cozinha e encontrei Luisy a preparar o almoço e nao consegui conter a minha curiosidade de quanto ao paradeiro da senhorita Kim.
- Luisy! - encostei-me a bancada roubando uma peça de fruta para iniciar a minha pequena questao. Ela olhou para mim parando de descascar as batatas como estava a fazer. - Desculpa estar a interromper o teu trabalho, mas é que preciso mesmo de saber onde anda a senhorita Kim... - ela deu um suspiro longo.
- Eu nao voltei a ver mais esta manha a senhora Kim.. lamento, mas nao posso ajudar-te David. - voltou a sua atenção para o seu trabalho.
- Obrigado na mesma! - desencostei-me da banca e segui directamente ao jardim.
Onde é que essa mulher misteriosa podia andar agora? Quer dizer primeiro deixa-me com curiosidade e depois desaparece? Parei caminhando no jardim quase ja tendo percorrido todo o perímetro da casa. Sentei no banco e foquei minha atenção nas rosas, que em tudo lembravam o sorriso, o olhar brilhante da minha linda Alice.
Uma meia hora depois, estava quase na hora do almoço e quando fui a ver, misteriosamente essa tal de Kim, estava no jardim, olhando com cortesia as minhas flores. Levantei-me logo indo ate ela e pedindo minhas satisfações, alias sempre brandas pois nao queria me sentir em suas mãos.
- Kim! - chamei por ela que logo ao ouvir prenunciar seu nome, voltou-se para mim.
- Sim Jardineiro... - falou com superioridade, como se a alguma ventura mostrasse diferença, em termos de ter travado contacto em outra hora.
- Eu quero saber sobre esse segredo que falas que Alice esconde de mim. - fui directo, ela riu. - Nao sei onde esta a graça. - falei sem humor algum patente na minha voz humilde.
- Olha David... - olhou o chão antes de voltar a encarar o meu rosto. - Eu gosto muito da Alice e... - respirou fundo. - E ate começo a gostar de ti, e como tal, acho que mereces conhecer a verdade...
Mas que verdade era essa que ela a tanto queria falar, mas que a todo tempo arranjava maneira de enrolar.
O meu coração cada vez estava mais apertado, com receio.
- Fala Kim de uma vez pois estas a deixar-me nervoso! - fui sincero e remexi as minhas maos umas quantas vezes mostrando a minha tamanha impaciência. - Tudo o que sei sobre a Alice é que ela sofre uma doença rara, que a impede de estar comigo por vastas vezes, é esse o segredo que tens para me contar? - olhei nos olhos dela que demonstravam incredulidade.
- Uma doença rara... - comentou, nao entendia o que isso tinha assim de tao mal. - Tu acreditas-te, claro que sim, ne? - agora nao estava a entender o seu tom de ironia.
- Posso saber o que se passa aqui? - olhei logo para a frente tomando um susto quando por acaso encontrei a figura de minha Alice especada, a espera de uma resposta.
Levantei-me para deixar-lhe um beijo, mas ela estava firme nao cedendo de todo ao carinho. Afastei-me um pouco e vi que ela estava com um olhar diferente, talvez aquele que em outra oportunidade presenciei e que por outro lado nao conseguia reconhecer assim.
- Posso saber ou nao? - voltou a bater na mesma tecla, cruzando os braços e batendo o pé na relva insistente.
- Jardineiro estava a explicar-me alguns dos pro menores de conseguir ter um jardim assim tao luminoso e ao mesmo tempo encantador, nao é verdade mesmo? - ela estava nervosa, e eu tambem, porem acabei caindo no seu jogo de mentir, sendo que nem sempre era a melhor opção, contudo Alice nao estava em devidas condições de saber o que tanto se especulava. E de certo modo que ficaria muito chateada se mencionássemos a ideia de falar sobre um segredo.
- É verdade sim... - reforcei a ideia.
- Parecem nervosos! - olhou para mim, depois para Kim, que apenas sorria.
- Nao, é impressão tua minha linda, e lamento, mas é que tenho de me ausentar, tenho de ir cuidar de Simão. Ate já. - assim Kim saiu como eu esperava e a minha doce sentou, onde acompanhei nesse mesmo gesto.
O silencio instalou-se de tal ordem que a qualquer momento tinha receio introduzir palavras. Eu estava agir mal com ela de por outras pessoas enveredar na sua vida que oculta. Nao tinha esse direito, por mais que eu tivesse a vontade de a conhecer pormenorizadamente todo o seu infinito.
Respirei fundo umas três ou quatro vezes, sem exagero algum, ela por sua vez mantinha a sua postura silenciosa. Roía-me muito estar assim com ela, porque assim nunca podia saber o que estava a passar por sua cabeça. Tomei coragem e falei.
- Espero que nao tenhas ficado chateada por me veres a conversar com a tua amiga, creio. - olhei em seu rosto que nao parava de olhar as flores.
- Porque mudaram de assunto assim? - voltou-se para mim. - Eu nao sou parva alguma, sei perfeitamente de rosas e flores nao falavam... - encarei o chão, nao aguentando o peso da mentira. - É claro que falavam de outra coisa que nao queres contar, mas por mim esta tudo bem, eu entendo. - sorriu, o que me fez estranhar. Pegou na minha mao, levantei uma vez mais o olhar, e sorri consigo.
- És um anjo sabias? - perguntou quase de um modo retórico que dificilmente ela podia discordar. - E amo-te por isso.
- Tambem te amo, muito... - beijei seu lábios macios como seda, delicados como as flores.
Alice Original
- Edward quem me dera que tudo fosse simples a esse ponto, mas é que se eu te contar o que aconteceu, tu nao vais acreditar, por isso acho melhor esquecer... - comi um pedaço da minha nata, ja ele mantinha o seu olhar cravado em mim.
- Passou-se alguma coisa que eu nao sabia, mas que queiras falar? - levantou uma sobrancelha e eu acabei nao resistindo em manter o meu segredo parcial.
Duas coisas passavam na minha cabeça nesta hora. A primeira era a verdade, a segunda era o receio da atitude perante a revelação que eventualmente podia efectuar. Por mais que conhece-se o meu irmão, e por mais que fosse importante na minha vida, e que por outro lado me apoiava, tinha as minhas duvidas de quanto a entender, certas e determinadas atitudes.
Ok eu tinha sido um pouco inconsequente nao dizia que nao, mas tambem que outra forma tinha eu para que o meu marido me aceitasse em sua vida, ne? Eu só fiz o que fiz por amor. E toda a gente sabe que por amor tudo se faz.
- Depois do acidente eu estive muito tempo fora... - ele debruçou-se na mesa ouvindo atentamente a minha revelação. - Estive em coma, e quando acordei a minha vida deu uma volta de 360º.
- Como assim? Nao estou a perceber... - levantou a outra sobrancelha, e eu suspirei derrotada, vendo que nao tinha como esconder mais.
- Eu nao pode voltar logo para casa, pois demorei algum tempo para recuperar a minha memória, como vés. Ainda assim quando realmente recuperei por inteiro, ne? Eu senti muito a vossa falta... Nao havia um dia sequer na minha vida que nao lembra-se dele, de ti, da Rose, da Bella, da Nessie, da mae e do pai... - olhei a chávena do café procurando mais forças.
Nao era fácil estar na frente de alguem cujo a vida tinha sido compartilhada de varias maneiras. Ainda mais estar com vontade de mentir nao era a coisa fiel a prevaricar. Edward merecia pelo menos a verdade, mesmo que em certo pouco me acusa-se de loucura que ate aceitava, pois ninguem em seu juízo perfeito faria aquilo que eu fiz.
- Andas-te perdida é normal... Agora estas aqui, a tua voltou a normal, estas de volta a tua familia a tua realidade. - pegou nas minhas maos mostrando toda a confiança.
- Mas para que isto tivesse de acontecer eu tive mesmo de mentir... Edward e quando estou a falar de mentira, nao é uma pequena ou invulgar mentira. - arregalou os olhos. - Eu menti e estou a mentir para o Jasper.
- Do que estas a falar? Alice nao te estou a entender. - parou de acariciar a minha mao quando eu mencionei a palavra mentira.
- Eu falei ao Jasper que tinha estado grávida e que nesse período eu tivesse o nosso filho e que agora esta doente... Eu trouxe uma criança para nossa casa. - largou imediatamente a minha mao, afastando-se parcialmente de mim, levando as suas maos a cabeça esfregando os cabelos acreditado.
Agora estava muito arrependida de ter aberto a boca, mas por outro lado nao aguentava manter um segredo com alguem do meu sangue. Ok a minha mae eu tive de mentir, assim como a Rose e tudo mais. Estava perfeitamente ciente de que a qualquer momento podia ouvir coisas muito desagradáveis que por outro lado nao eram total mentira.
- Nao se aquilo que fizes-te é Amor se é Doença! - falou ainda abalado.
- Era a única forma que eu tinha para voltar para casa com uma desculpa perfeita para ele me aceitar... Acredita se eu tivesse outra alternativa, teria sido tudo de outro modo. - ele abanou a cabeça. - Preciso que fiques do meu lado e que nao contes a ninguem aquilo que agora falei.
- Isso quer dizer que tu nunca contas-te para o teu marido que é infértil? - perguntou vendo em meus olhos a resposta. - Claro que sentido tinha ele acreditar nesta história caso soubesse, ne? - respirei fundo uma vez mais nao tendo vontade de comer o resto da minha nata, perdendo assim a fome. - Quando pessoas que vais contar a verdade? Quando a criança estiver a sair de casa? Quando o Jasper for um idoso? É isso?
- Para Edward! - altivei um pouco a voz e logo silenciei a dor. - Eu ando a preparar-me mentalmente para a verdade, só que ainda surguiu o momento certo, entendes? - peguei num copo com agua e bebi um gole nervosa.
- Esse momento nunca vai chegar Alice! - afirmou. - Uma mentira leva a outra e quando deres por isso, já é tarde.
Ele tinha razao, andava a semanas a tentar introduzir a verdade, mas sempre faltava a coragem para colocar os pontos nos "is". Era uma covarde e o mais certo era nunca abrir a boca.
- A serio eu ando a tentar e nao como é difícil olhar nos olhos dele e...
- Remorsos é isso que vais ter a vida toda se nao abrires agora o cofre da verdade. - explicou ele levantando-se da cadeira. - Olha maninha eu gostaria mesmo de ficar mais tempo contigo aqui conversando, e de algum modo colocar um pouco de juízo nessa cabeça, mas tenho uma reunião dentro de... - olhou o relógio de pulso. - 20 minutos. - sorriu. - Se quiseres conversar com mais clareza, liga, sim? - olhou para mim com aquele ar de protector.
- Esta bem, eu tambem preciso de ir.
Peguei nas minhas sacolas e o acompanhei ate ao elevador, onde depois nos separamos dirigindo aos nossos próprios carros. Ao entrar no meu fiquei um tempo absorvendo toda a conversa travada na esplanada, e uma coisa era sempre certa " Uma mentira, leva a outra" pensei comigo mesma. Eu tinha de agarrar coragem e abrir o embrulho do segredo que Jasper tinha o direito de conhecer. Coloquei o cinto de segurança, dei a ignição e sai do parque cantando pneus estrada fora, sendo sempre acompanhada pelas palavras certas do meu irmão.
Ao chegar em casa, entrei no meu quarto com a maior das descontracções e sentei na minha cama deixando cair as sacolas e simplesmente deixar-me deitar toda para tras. Pensei várias vezes a forma correcta de falar, mas nunca conseguia encontrar as palavras certas para começar o discurso. Oh que ódio de mim. Porque eu so fazia burrada? Porque tudo me corria sempre mal?
Levantei-me da cama, peguei nas sacolas e fui ate ao closet onde fiz uma espécie de desfile de roupas novas em frente ao grande espelho. Assim nada acompanharia a minha cabeça e simplesmente divertia-me.
Quando anoiteceu, decidi sair do quarto. Desci as escadas tranquilamente ja com outro ar de boa rapariga e fui directamente para a sala de jantar onde ja estavam todos reunidos há mesa.
- Estava a ver que tinha de pedir a Luisy para chamar-te! - falou Jasper com algum tom de brincadeira ao servir o vinho no meu copo.
- Eu ja aqui estou, so estava um pouco cansada e acabei adormecendo só isso. - desculpei-me.
- A comida esta óptima! - falou Kim ao saborear uma garfada. - Parabéns Luisy!
- Nao precisa de agradecer menina, aqui nesta casa, gosto de servir os patrões sempre com o melhor. Agora se nao precisam de mais nada, vou retirar-me para a cozinha... Com Licença. - Luisy saiu.
- Por acaso hoje esta comida esta muito gostosa. - disse Jasper. - O vinho é talvez dos melhores que havia na Cave. - mexeu no copo, fazendo o vinho agitar-se e assim mostrar a intensa cor grená.
Um jantar tipicamente normal nesta casa, sem grandes conversas ou temas polémicos.
- Pois é, creio nao ter nada haver com isso, mas ja se soube mais alguma coisa, em relação aquele caso de homicídio? - voltei os meus olhos em Kim. Detestava sempre que esse assunto vinha a baila.
- Agora que falas nisso, nao houve mais noticias... - ficou pensativo. - Amanha de certo que vou passar no departamento de investigação e saber como anda o caso. - bebeu um gole do vinho.
Maldita hora que Kim tinha de abrir a boca para falar uma coisa assim. Suspirei de um modo brando. Eu ate podia nao ter morto ninguem, contudo ao estar a levantar o veu do sucedido era abrir mais a tampa de um segredo que nao podia ser revelação da forma mais banal e consequentemente por qualquer pessoa. Eu é que tinha de fazer isso e nao alguem que era desconhecido e que por outro desconhecia a verdadeira razao de tudo.
- Nao falas nada Alice? - perguntou Kim, pousando o talher no prato.
- Nao tenho nada para falar. - disse simplesmente.
E assim se instalou o silencio que após alguns minutos foi quebrado com a chegada de Luisy com os cafés para servir.
- Aqui tens os cafés para acompanhar. - serviu as chávenas.
Tomei o meu café rapidamente e levantei-me indo ate a sala ver um pouco de televisão. A Kim subiu para ficar com Simão que nao havia descido para jantar devido as suas limitações e ao qual Luisy levou o jantar para ele. Jasper trancou-se no laboratório secreto, cujo nunca havia entrado. E quanto a robot, nem sinal.
Cruzei as pernas assistindo a um programa de beleza e estética que passava agora na tv e na mesma hora que tal estava a passar o meu telemóvel tocou. Automaticamente peguei nele, sem olhar o visor e assim premir no botão para atender a chamada.
- Mas que rápida! - congelei. Maria? Nao isso nao podia estar acontecer comigo, nao.
- O que queres? - levantei do sofá, dirigindo-me para a varanda e assim manter-me mais a vontade nos passeios do jardim, pois ninguem estaria por perto e nao teria a digna oportunidade de ouvir.
- Nao precisas de ficar nervosa.. Eu sei que tens saudades minhas e para grande desgosto teu, eu vi-te no Shopping, embora aches que nao. Sabes, nunca foste muito boa a disfarçar, porque atrapalhas-te sempre. - riu-se.
- Nao me ligas-te para falar sobre isso pois nao? - silenciou. - Ja previa.
- É só para que saibas que para alem das provas, e do meu testemunho, tenho outra coisa que te pertence e que o banana do teu marido ainda nao deve ter dado por falta. - comecei a pensar em que coisa ela podia estar a falar e em um simples flash, lembrei das jóias.
- És tu que tens as jóias? - perguntei de uma maneira parva pois era evidente que sim, que ela as tinhas em seu poder.
- Oh Alice estas fartinha de saber que sou eu que as tenho na minha posse. - riu-se.
- O que mais queres de mim? Chantagiar? Acho que ja chega... - disse bufando.
A minha paciência tinha limites e como tal o meu estava a esgotar.
- Dinheiro para manter o meu silencio! - fiquei pasma ao saber a sua intenção macabra. - É o preço mais baixo que tenho para ficar longe da tua vida.
- E de quanto falas? - tentei saber ate onde a sua loucura chegava.
- Agora que falas assim.. - silenciou. - Estava a pensar em talvez uns 50 mil euros...
Fiquei sem reacção, pois abaixei o telemóvel inacreditada da sua cara de pau ao exigir uma quantia absurda para manter o silencio. Depois voltei a colocar o telemóvel uma vez mais no ouvido.
- Isso é muito dinheiro! - disse. - Nao consigo arranjar essa quantia.
- Entao nada feito! - lamentou.
- Dá-me tempo, para ver o que posso fazer. - passei a mao livre no meu cabelo.
- Nao será muito, mas enfim, eu aceito. Ate a próxima, queridinha. - desligou a ligação.
Deixei-me ficar quieta e sentada na cadeira de baloiço do jardim, o telemóvel caiu na relva. Estava agora entre a espada e a parede. De um lado a forma mais rápida de chegar a verdade, do outro de chantagem e a mentira, com valores astronómicos. Estava perdida.
Jasper
Ao entrar dentro do meu laboratório, fiquei um tempo a olhar tudo com minúcia, pensando para comigo mesmo como nao podia simplesmente ter voltado mais cedo para o meu ponto de abrigo. Tantos momentos eu havia passado aqui, amizades com as máquinas que havia travado.
- Oh Zaza o meu velho amigo, e companheiro de investigação. - falei num sussurro quase mais dirigido a mim.
Desci os degraus com calma e fui aproximando da minha banca de trabalho e assim acomodando-me.
- Dr. Jasper! Dr. Jasper! - saudou Zaza voltando toda a sua atenção para mim, ao mesmo que levantava os braçinhos feliz por me ver.
- Como estas meu amigo? - perguntei ao dar a minha mão para um simples aperto. - Tive saudades tuas companheiro! - afirmei.
- Zaza tambem ter muitas saudades do Dr. Jasper! - respondeu ele. - E estou muito bem, com saudades da Robot Alice...
Desconfiava piamente que a alguma hora menciona-se Alice, afinal ela tinha uma invenção conjunta nossa e que ao fim de contas, era a sua amiga, talvez a única, pois nunca havia feito nada igual e iria fazer, pois aquilo que na época incentivou a transformação, hoje ja nao existia, e por outro lado, nao voltaria a cometer a mesma loucura.
- A Robot esta bem! - sorri ao esclarecer as saudades do meu fiel amigo. - Um dia desses ela vem cá, só para veres como ela ainda se lembra de ti, e de como só tem agradecer-te por seres tao amigo. - ele levantou os braçinhos uma vez mais muito animado, piscando luzinhas tambem. - Mas agora vou precisar muito da tua ajuda! - falei sentando na minha banca de trabalho, ligando o computador.
- Zaza esta sempre as ordens do Dr. Jasper! - acenou uma continência, logo ri.
A cessei ao controle de investigações mundiais e fiz uma breve pesquisa de uns detalhes de uma transformação mecânica sobre uma construção robótica andante. Isto é, a minha ideia era ajudar o meu filho Simão a aumentar as probabilidades de voltar a retomar uma vida normal, sem dependências. Entao, a medicina nao estava a evoluir de modo progressivo e correcto na doença dele, e por outro lado estava a fragiliza-lo, eu como pai, tinha todo o direito, assim como obrigação de encontrar uma resposta.
Resposta essa que nao estava na base de nenhum tratamento, ou outro beneficio natural. Eu como cientista astuto que era, queria criar a maquina mais eficiente e moderna que pudesse ser a base de uma vida plena.
Queria construir as pernas robot, nao umas quais queres, mas aquelas que podiam ajudar a manipular melhor os movimentos articulares do meu filho. Estimular por outro sentido ao fortalecimento dos músculos, e dos ossos, cujo estavam descalcificados por conta da quimioterapia e da radio, que ja por si, eram tratamentos bastante agressivos, ainda mais para uma criança, sendo que ja nos adultos se fazia sentir de forma negativa.
Passei quase um dia inteiro na pesquisa desse produto que em tudo so podia dar certo, era fundamental que o fosse, pois a vida do meu filho estava um pouco dependente disso, e como pai nao queria falhar, sabendo que podia ajudar.
- Dr. Jasper! - chamou Zaza, tirando a minha atenção do grande ecrã. - Precisa de fazer uma pausa, ja esta a muito tempo a trabalhar.
- Tens razão, estou a ficar um pouco cansado realmente. - afastei-me um pouco com a cadeira do computador, estiquei as pernas que ja estavam a tomar o gosto do dormente, de tanto mante-las na mesma posição. - Sabes uma coisa? - olhei ele rindo. - Vou aproveitar esta pausa para fazer uma ligação.
Levantei-me da cadeira, peguei no meu telemóvel e digitei o numero de Peter. Esperei sensivelmente que ele atendesse a minha chamada e que por outro lado era óptimo poder ouvir a sua voz novamente, depois de tanto tempo tomarmos aquele contacto.
- Alo? Jasper? - finalmente ele atendeu.
- Peter! Como estas? - perguntei quase rindo.
- Estou bem e tu meu irmão? Que novidades tens a contar? - sentei novamente na cadeira, pois a conversa seria um tanto longa.
- Nao tenho muito para revelar nao... - suspirei. - E tu o que contas? Quer dizer, deves ter ai novas histórias para contar... - ouvi um risinho abafado do outro lado da linha.
- Eu? Claro que nao... - riu-se. - Sabes que aqui tudo é basicamente trabalho e sou serio tá?! - ri-me desta vez eu.
- Ta bom vou ver se acredito! - falei, contendo o risinho que tinha vontade de soltar. - Bom a minha chamada nao foi para isso nao, na verdade queria muito ter uma visita tua e da Charlotte, Tenho saudades de vos ver por aqui... - suspirei saudoso.
- Bom eu vou ter férias agora... É isso mesmo vou para Forks, matar saudades e quem sabe marcar ai um jantar, hein? - brincou.
- É uma boa ideia, olha que vou cobrar por essa, estás ouvir? - realcei a minha ideia, que na verdade era apenas dele.
- Eu apenas falei de jantar, nao que seria eu a dar-te... - gargalhou. - Mano terei de desligar, mas conta connosco ai em pouco mais de 10 dias, ta bom? Fica bem, ate a próxima, que o dever chama por mim.
- Vai lá senhor inspector! - ri e desliguei a ligação.
Era óptimo conversar com Peter e colocar em alta toda a nossa boa disposição de miúdos. Éramos tao iguais, e tao diferentes. Ambos tínhamos seguido caminhos diferentes, traçado metas e percursos que a nós apenas eram favoráveis. Tinha saudades do tempo que em éramos crianças, discutiam-mos apenas por causa de quem comandava o carro de brincar, ou entao quem ia para o banho primeiro.
- Oh tempo que nao volta! - sussurrei, balançando a cadeira.
Mas uma coisa era certa Peter e Charlotte iam estar de volta mais cedo que o previsto e íamos marcar um dia de emoções a valer, como nos velhos tempos, e quem ia adorar relevos, era Alice que estava desejosa de os ter por perto.
Alice Original
Quando por ventura derrotei a preguiça, levantei da cama fui a janela sentir o perfumar das flores invadindo o meu dia, de seguida fui ao closet onde me vesti, arrumei o cabelo, colocando uns ganchos e passar um pouco de perfume. Sai do quarto, fui na cozinha, bebi o meu café e senti a falta da minha amiga Kim, ao qual nao resisti de questionar a minha governanta.
- Luisy! - ela parou de lavar a loiça e deitou logo os olhos na minha direcção, quando por ventura ouviu minha voz chamar por si.
- Sim senhora! - falou ela com aquela voz prestável e atenciosa que sempre era.
- Sabes me dizer onde a anda a Kim? - cruzei os dedos, esperando sinceramente uma boa resposta.
- Nao senhora!
- Esta bem!
Terminei de beber o meu café e sai ate ao jardim, onde dirigi-me ate a garagem e sai com o meu carro ate a cidade. Estava a precisar de fazer umas compras e aliviar este meu stress matinal. Se havia coisa que eu precisava de fazer para me sentir em alta era isso, passear e sair da rotina que se tinha tornado a minha vida quando cheguei ate este lugar.
Pela estrada fora segui o meu caminho, parei so mesmo quando estupidamente um semáforo fechou diante de meus olhos, no exacto momento em que pretendia passar a margem.
- Esta tudo contra mim! - sussurrei para comigo mesmo.
Minutos depois o semafero abriu e eu acelerei parando so mesmo na estância do parque do shopping center de Olímpia. Nesse momento em que saia do carro, um outro passou por mim de um modo suspeito, quer dizer nao que fosse algum criminoso a solta, longe de mim pensar tal coisa, mas a cor, a marca... bom so conhecia uma pessoa que tinha esse carro, comecei a pensar.. e nao demorei muito para chegar a conclusão de Maria Whitlock estava aqui.
- Oh nao, essa nao! - resmunguei num murmúrio.
Peguei na minha mala e sai com a maior das descontracções para o interior do shopping, quando por acaso cruzo um breve olhar nela que estava mesmo a escassos metros de mim olhando uma montra de roupa informal. Ao ver que ela estava distraída entrei logo dentro de um elevador, subindo uns quantos pisos, tudo o que neste momento nao queria era cruzar olhares e ouvir criticas ou ameaças posteriores que conhecendo bem ela como conhecia, iria prenuncia-las na hora.
Sai no piso 3, neste que de certo ela nao iria chegar, pois nao agora. Trilhei tranquilamente dentro de cada loja, comprando sempre que o necessário, as vezes ate demais, pois estava nervosa e so encontrava nas compras a melhor forma para esquecer aquela imagem de mulher cínica.
De sacolas na mao e com a chave do carro na outra, dirigi-me finalmente ao elevador que curiosamente quando estava prestes a entrar encontrei Edward, o meu irmão mais velho, cujo ja nao via a muito tempo, pois era uma pessoa bastante ocupada.
- Alice? - falou ele nao acreditando no que os seus olhos viam diante de si.
- Edward! - levantei as sacolas animada por reencontra-lo.
Em vez de entrar e sair como estava a pensar em efectuar, mudei os meus planos, pois o facto de encontrar alguem que ja nao via a muito, deixou com vontade de traçar conversa.
- Vamos tomar um café, pago eu! - disse ele, e como tal nao recuei, indo consigo ate a esplanada.
Ao sentar na cadeira do dito estabelecimento, pousei as sacolas e ao arrumar a chave do meu carro, o meu irmão perguntou logo o mesmo de sempre.
- Como estas? Meu Deus como ja nao te vejo a muito tempo... - disse ele cruzando os braços no tampo da mesa. - A mae falou-me que estiveste com ela a uns meses talvez.. - fez um ar pensativo. - Porque nao vais lá casa, a Bella ia adorar voltar a ver-te.
- Oh Edward... - sorri. - Eu estou bem, com muitas saudades de vocês, da tua filhota Nessie.. ai que amor ela nao? - o garçom chegou com um cardápio interrompendo nossa conversa. Dei uma olhada no meu pedido e logo devolvi o mesmo pedindo um café e uma nata. Voltei minha atenção a ele uma vez mais para continuar. - Bom como estava a dizer... Estou com saudades vocês claro.. so que ando tao ocupada nos últimos tempos que quase é impossível arranjar um buraquinho, ja para nao falar que tu e Bella tambem devem ter os vossos projectos.. - tentei sorrir para nao parecer mal.
- Oh Alice, na nossa vida a sempre tempo para a família. - pegou na minha mao dando uma caricia. - E sim a Nessie é um amor de filha, só que ja anda a iniciar os seus problemas pelo meio.. - arregalei o olhar. - Agora acreditas que ela anda com vontade de namorar com um tal de... - ficou pensativo. - Acho que é Jaken... Jacoy... Jacob.. isso, confundo sempre. - gargalhei da forma desajeitada como ele mencionava o nome dos namorados da filha.
Edward era tal e qual o meu pai, um protector em primeira linha. Atenção que eles ate podiam ser as pessoas mais ocupadas do mundo, mas se havia coisa que eles nao perdiam era o rastro de tudo o que as suas crias faziam. Ahahah que bem que sabia disso, pois ainda recordava quando cheguei em casa no meu primeiro dia em que, lindamente conheci Jasper, e quando o meu pai mal soube da meu tao animado humor, veio ate mim com conversas meio estranhas que olhando agora pra tras valeram bem a pena, porque estava muito feliz agora.
- Nao brinques comigo... - falei com animação. - A Nessie esta na idade de começar a ter os seus primeiros namoriscos de infância.. - brinquei.
- Falas assim porque nao tens filhos, porque se tivesses nao pensarias desse modo leviano. - entristeci ao ouvir essas palavras. - Desculpa Alice eu nao queria ser de maneira nenhuma estúpido contigo. - suspirei. - Maninha... - pegou nas minhas maos, obrigando a ver o seu olhar. - Podes sempre solucionar o teu problema de uma maneira diferente, existem muitas crianças em orfanatos pedindo um pai e uma mae... - começou. - E tu és uma excelente pessoa, ao qual nao falta amor para dar, e olha o teu marido... - lembrei da figura paterna dele ao cuidar de Simão. - Ele ama crianças.
- Oh meu irmão, quem me dera que tudo fosse assim tao simples..
Olhei para o lado conjurando a hipótese de contar a verdade, porem que sentido faria agora abrir a boca e contar uma história que ninguem em seu perfeito juízo ia entender, ne? Por outro lado, Edward era dos irmãos que mais me apoiava, pelo menos no passado e nao haviam segredos entre nós. Era difícil manter esta minha mente rodada em silencio quando tinha uma bom coração a minha frente pronto ajudar.
- O que na verdade pode impedir a tua realização? - perguntou bebendo um gole do seu café, cujo eu nem dei conta de ter chegado o garçom com o nosso pedido e assim sair, em que eu desse por nada. - Somos irmãos, podes confiar em mim. - olhei nos seus olhos, vendo compaixão.
David
Horas depois de estabelecer aquele pequeno diálogo no jardim com aquela mulher, dei por mim varias das vezes a pensar no efeito da conversa e em que qual seria o maldito segredo que tanto ela insistia em que eu tentasse de algum modo descobrir.
Sentei numa cadeira, deitando a cabeça nos nas pernas, pensando e apenas pensando. O que seria aquilo que Alice ocultava de mim? Eu amava ela da forma como ela era e nao havia nada que pudesse destruir desse amor, porque quem ama, acredita e nao julga.
Levantei decidido a voltar a confrontar essa mulher e pedir a continuidade de deu tao agradável vontade para falar sobre esse assunto. Se ela tinha começado, agora tambem teria de terminar, pois para mim nao havia assuntos em modo hiatus.
Entrei dentro da cozinha e encontrei Luisy a preparar o almoço e nao consegui conter a minha curiosidade de quanto ao paradeiro da senhorita Kim.
- Luisy! - encostei-me a bancada roubando uma peça de fruta para iniciar a minha pequena questao. Ela olhou para mim parando de descascar as batatas como estava a fazer. - Desculpa estar a interromper o teu trabalho, mas é que preciso mesmo de saber onde anda a senhorita Kim... - ela deu um suspiro longo.
- Eu nao voltei a ver mais esta manha a senhora Kim.. lamento, mas nao posso ajudar-te David. - voltou a sua atenção para o seu trabalho.
- Obrigado na mesma! - desencostei-me da banca e segui directamente ao jardim.
Onde é que essa mulher misteriosa podia andar agora? Quer dizer primeiro deixa-me com curiosidade e depois desaparece? Parei caminhando no jardim quase ja tendo percorrido todo o perímetro da casa. Sentei no banco e foquei minha atenção nas rosas, que em tudo lembravam o sorriso, o olhar brilhante da minha linda Alice.
Uma meia hora depois, estava quase na hora do almoço e quando fui a ver, misteriosamente essa tal de Kim, estava no jardim, olhando com cortesia as minhas flores. Levantei-me logo indo ate ela e pedindo minhas satisfações, alias sempre brandas pois nao queria me sentir em suas mãos.
- Kim! - chamei por ela que logo ao ouvir prenunciar seu nome, voltou-se para mim.
- Sim Jardineiro... - falou com superioridade, como se a alguma ventura mostrasse diferença, em termos de ter travado contacto em outra hora.
- Eu quero saber sobre esse segredo que falas que Alice esconde de mim. - fui directo, ela riu. - Nao sei onde esta a graça. - falei sem humor algum patente na minha voz humilde.
- Olha David... - olhou o chão antes de voltar a encarar o meu rosto. - Eu gosto muito da Alice e... - respirou fundo. - E ate começo a gostar de ti, e como tal, acho que mereces conhecer a verdade...
Mas que verdade era essa que ela a tanto queria falar, mas que a todo tempo arranjava maneira de enrolar.
O meu coração cada vez estava mais apertado, com receio.
- Fala Kim de uma vez pois estas a deixar-me nervoso! - fui sincero e remexi as minhas maos umas quantas vezes mostrando a minha tamanha impaciência. - Tudo o que sei sobre a Alice é que ela sofre uma doença rara, que a impede de estar comigo por vastas vezes, é esse o segredo que tens para me contar? - olhei nos olhos dela que demonstravam incredulidade.
- Uma doença rara... - comentou, nao entendia o que isso tinha assim de tao mal. - Tu acreditas-te, claro que sim, ne? - agora nao estava a entender o seu tom de ironia.
- Posso saber o que se passa aqui? - olhei logo para a frente tomando um susto quando por acaso encontrei a figura de minha Alice especada, a espera de uma resposta.
Levantei-me para deixar-lhe um beijo, mas ela estava firme nao cedendo de todo ao carinho. Afastei-me um pouco e vi que ela estava com um olhar diferente, talvez aquele que em outra oportunidade presenciei e que por outro lado nao conseguia reconhecer assim.
- Posso saber ou nao? - voltou a bater na mesma tecla, cruzando os braços e batendo o pé na relva insistente.
- Jardineiro estava a explicar-me alguns dos pro menores de conseguir ter um jardim assim tao luminoso e ao mesmo tempo encantador, nao é verdade mesmo? - ela estava nervosa, e eu tambem, porem acabei caindo no seu jogo de mentir, sendo que nem sempre era a melhor opção, contudo Alice nao estava em devidas condições de saber o que tanto se especulava. E de certo modo que ficaria muito chateada se mencionássemos a ideia de falar sobre um segredo.
- É verdade sim... - reforcei a ideia.
- Parecem nervosos! - olhou para mim, depois para Kim, que apenas sorria.
- Nao, é impressão tua minha linda, e lamento, mas é que tenho de me ausentar, tenho de ir cuidar de Simão. Ate já. - assim Kim saiu como eu esperava e a minha doce sentou, onde acompanhei nesse mesmo gesto.
O silencio instalou-se de tal ordem que a qualquer momento tinha receio introduzir palavras. Eu estava agir mal com ela de por outras pessoas enveredar na sua vida que oculta. Nao tinha esse direito, por mais que eu tivesse a vontade de a conhecer pormenorizadamente todo o seu infinito.
Respirei fundo umas três ou quatro vezes, sem exagero algum, ela por sua vez mantinha a sua postura silenciosa. Roía-me muito estar assim com ela, porque assim nunca podia saber o que estava a passar por sua cabeça. Tomei coragem e falei.
- Espero que nao tenhas ficado chateada por me veres a conversar com a tua amiga, creio. - olhei em seu rosto que nao parava de olhar as flores.
- Porque mudaram de assunto assim? - voltou-se para mim. - Eu nao sou parva alguma, sei perfeitamente de rosas e flores nao falavam... - encarei o chão, nao aguentando o peso da mentira. - É claro que falavam de outra coisa que nao queres contar, mas por mim esta tudo bem, eu entendo. - sorriu, o que me fez estranhar. Pegou na minha mao, levantei uma vez mais o olhar, e sorri consigo.
- És um anjo sabias? - perguntou quase de um modo retórico que dificilmente ela podia discordar. - E amo-te por isso.
- Tambem te amo, muito... - beijei seu lábios macios como seda, delicados como as flores.
Alice Original
- Edward quem me dera que tudo fosse simples a esse ponto, mas é que se eu te contar o que aconteceu, tu nao vais acreditar, por isso acho melhor esquecer... - comi um pedaço da minha nata, ja ele mantinha o seu olhar cravado em mim.
- Passou-se alguma coisa que eu nao sabia, mas que queiras falar? - levantou uma sobrancelha e eu acabei nao resistindo em manter o meu segredo parcial.
Duas coisas passavam na minha cabeça nesta hora. A primeira era a verdade, a segunda era o receio da atitude perante a revelação que eventualmente podia efectuar. Por mais que conhece-se o meu irmão, e por mais que fosse importante na minha vida, e que por outro lado me apoiava, tinha as minhas duvidas de quanto a entender, certas e determinadas atitudes.
Ok eu tinha sido um pouco inconsequente nao dizia que nao, mas tambem que outra forma tinha eu para que o meu marido me aceitasse em sua vida, ne? Eu só fiz o que fiz por amor. E toda a gente sabe que por amor tudo se faz.
- Depois do acidente eu estive muito tempo fora... - ele debruçou-se na mesa ouvindo atentamente a minha revelação. - Estive em coma, e quando acordei a minha vida deu uma volta de 360º.
- Como assim? Nao estou a perceber... - levantou a outra sobrancelha, e eu suspirei derrotada, vendo que nao tinha como esconder mais.
- Eu nao pode voltar logo para casa, pois demorei algum tempo para recuperar a minha memória, como vés. Ainda assim quando realmente recuperei por inteiro, ne? Eu senti muito a vossa falta... Nao havia um dia sequer na minha vida que nao lembra-se dele, de ti, da Rose, da Bella, da Nessie, da mae e do pai... - olhei a chávena do café procurando mais forças.
Nao era fácil estar na frente de alguem cujo a vida tinha sido compartilhada de varias maneiras. Ainda mais estar com vontade de mentir nao era a coisa fiel a prevaricar. Edward merecia pelo menos a verdade, mesmo que em certo pouco me acusa-se de loucura que ate aceitava, pois ninguem em seu juízo perfeito faria aquilo que eu fiz.
- Andas-te perdida é normal... Agora estas aqui, a tua voltou a normal, estas de volta a tua familia a tua realidade. - pegou nas minhas maos mostrando toda a confiança.
- Mas para que isto tivesse de acontecer eu tive mesmo de mentir... Edward e quando estou a falar de mentira, nao é uma pequena ou invulgar mentira. - arregalou os olhos. - Eu menti e estou a mentir para o Jasper.
- Do que estas a falar? Alice nao te estou a entender. - parou de acariciar a minha mao quando eu mencionei a palavra mentira.
- Eu falei ao Jasper que tinha estado grávida e que nesse período eu tivesse o nosso filho e que agora esta doente... Eu trouxe uma criança para nossa casa. - largou imediatamente a minha mao, afastando-se parcialmente de mim, levando as suas maos a cabeça esfregando os cabelos acreditado.
Agora estava muito arrependida de ter aberto a boca, mas por outro lado nao aguentava manter um segredo com alguem do meu sangue. Ok a minha mae eu tive de mentir, assim como a Rose e tudo mais. Estava perfeitamente ciente de que a qualquer momento podia ouvir coisas muito desagradáveis que por outro lado nao eram total mentira.
- Nao se aquilo que fizes-te é Amor se é Doença! - falou ainda abalado.
- Era a única forma que eu tinha para voltar para casa com uma desculpa perfeita para ele me aceitar... Acredita se eu tivesse outra alternativa, teria sido tudo de outro modo. - ele abanou a cabeça. - Preciso que fiques do meu lado e que nao contes a ninguem aquilo que agora falei.
- Isso quer dizer que tu nunca contas-te para o teu marido que é infértil? - perguntou vendo em meus olhos a resposta. - Claro que sentido tinha ele acreditar nesta história caso soubesse, ne? - respirei fundo uma vez mais nao tendo vontade de comer o resto da minha nata, perdendo assim a fome. - Quando pessoas que vais contar a verdade? Quando a criança estiver a sair de casa? Quando o Jasper for um idoso? É isso?
- Para Edward! - altivei um pouco a voz e logo silenciei a dor. - Eu ando a preparar-me mentalmente para a verdade, só que ainda surguiu o momento certo, entendes? - peguei num copo com agua e bebi um gole nervosa.
- Esse momento nunca vai chegar Alice! - afirmou. - Uma mentira leva a outra e quando deres por isso, já é tarde.
Ele tinha razao, andava a semanas a tentar introduzir a verdade, mas sempre faltava a coragem para colocar os pontos nos "is". Era uma covarde e o mais certo era nunca abrir a boca.
- A serio eu ando a tentar e nao como é difícil olhar nos olhos dele e...
- Remorsos é isso que vais ter a vida toda se nao abrires agora o cofre da verdade. - explicou ele levantando-se da cadeira. - Olha maninha eu gostaria mesmo de ficar mais tempo contigo aqui conversando, e de algum modo colocar um pouco de juízo nessa cabeça, mas tenho uma reunião dentro de... - olhou o relógio de pulso. - 20 minutos. - sorriu. - Se quiseres conversar com mais clareza, liga, sim? - olhou para mim com aquele ar de protector.
- Esta bem, eu tambem preciso de ir.
Peguei nas minhas sacolas e o acompanhei ate ao elevador, onde depois nos separamos dirigindo aos nossos próprios carros. Ao entrar no meu fiquei um tempo absorvendo toda a conversa travada na esplanada, e uma coisa era sempre certa " Uma mentira, leva a outra" pensei comigo mesma. Eu tinha de agarrar coragem e abrir o embrulho do segredo que Jasper tinha o direito de conhecer. Coloquei o cinto de segurança, dei a ignição e sai do parque cantando pneus estrada fora, sendo sempre acompanhada pelas palavras certas do meu irmão.
Ao chegar em casa, entrei no meu quarto com a maior das descontracções e sentei na minha cama deixando cair as sacolas e simplesmente deixar-me deitar toda para tras. Pensei várias vezes a forma correcta de falar, mas nunca conseguia encontrar as palavras certas para começar o discurso. Oh que ódio de mim. Porque eu so fazia burrada? Porque tudo me corria sempre mal?
Levantei-me da cama, peguei nas sacolas e fui ate ao closet onde fiz uma espécie de desfile de roupas novas em frente ao grande espelho. Assim nada acompanharia a minha cabeça e simplesmente divertia-me.
Quando anoiteceu, decidi sair do quarto. Desci as escadas tranquilamente ja com outro ar de boa rapariga e fui directamente para a sala de jantar onde ja estavam todos reunidos há mesa.
- Estava a ver que tinha de pedir a Luisy para chamar-te! - falou Jasper com algum tom de brincadeira ao servir o vinho no meu copo.
- Eu ja aqui estou, so estava um pouco cansada e acabei adormecendo só isso. - desculpei-me.
- A comida esta óptima! - falou Kim ao saborear uma garfada. - Parabéns Luisy!
- Nao precisa de agradecer menina, aqui nesta casa, gosto de servir os patrões sempre com o melhor. Agora se nao precisam de mais nada, vou retirar-me para a cozinha... Com Licença. - Luisy saiu.
- Por acaso hoje esta comida esta muito gostosa. - disse Jasper. - O vinho é talvez dos melhores que havia na Cave. - mexeu no copo, fazendo o vinho agitar-se e assim mostrar a intensa cor grená.
Um jantar tipicamente normal nesta casa, sem grandes conversas ou temas polémicos.
- Pois é, creio nao ter nada haver com isso, mas ja se soube mais alguma coisa, em relação aquele caso de homicídio? - voltei os meus olhos em Kim. Detestava sempre que esse assunto vinha a baila.
- Agora que falas nisso, nao houve mais noticias... - ficou pensativo. - Amanha de certo que vou passar no departamento de investigação e saber como anda o caso. - bebeu um gole do vinho.
Maldita hora que Kim tinha de abrir a boca para falar uma coisa assim. Suspirei de um modo brando. Eu ate podia nao ter morto ninguem, contudo ao estar a levantar o veu do sucedido era abrir mais a tampa de um segredo que nao podia ser revelação da forma mais banal e consequentemente por qualquer pessoa. Eu é que tinha de fazer isso e nao alguem que era desconhecido e que por outro desconhecia a verdadeira razao de tudo.
- Nao falas nada Alice? - perguntou Kim, pousando o talher no prato.
- Nao tenho nada para falar. - disse simplesmente.
E assim se instalou o silencio que após alguns minutos foi quebrado com a chegada de Luisy com os cafés para servir.
- Aqui tens os cafés para acompanhar. - serviu as chávenas.
Tomei o meu café rapidamente e levantei-me indo ate a sala ver um pouco de televisão. A Kim subiu para ficar com Simão que nao havia descido para jantar devido as suas limitações e ao qual Luisy levou o jantar para ele. Jasper trancou-se no laboratório secreto, cujo nunca havia entrado. E quanto a robot, nem sinal.
Cruzei as pernas assistindo a um programa de beleza e estética que passava agora na tv e na mesma hora que tal estava a passar o meu telemóvel tocou. Automaticamente peguei nele, sem olhar o visor e assim premir no botão para atender a chamada.
- Mas que rápida! - congelei. Maria? Nao isso nao podia estar acontecer comigo, nao.
- O que queres? - levantei do sofá, dirigindo-me para a varanda e assim manter-me mais a vontade nos passeios do jardim, pois ninguem estaria por perto e nao teria a digna oportunidade de ouvir.
- Nao precisas de ficar nervosa.. Eu sei que tens saudades minhas e para grande desgosto teu, eu vi-te no Shopping, embora aches que nao. Sabes, nunca foste muito boa a disfarçar, porque atrapalhas-te sempre. - riu-se.
- Nao me ligas-te para falar sobre isso pois nao? - silenciou. - Ja previa.
- É só para que saibas que para alem das provas, e do meu testemunho, tenho outra coisa que te pertence e que o banana do teu marido ainda nao deve ter dado por falta. - comecei a pensar em que coisa ela podia estar a falar e em um simples flash, lembrei das jóias.
- És tu que tens as jóias? - perguntei de uma maneira parva pois era evidente que sim, que ela as tinhas em seu poder.
- Oh Alice estas fartinha de saber que sou eu que as tenho na minha posse. - riu-se.
- O que mais queres de mim? Chantagiar? Acho que ja chega... - disse bufando.
A minha paciência tinha limites e como tal o meu estava a esgotar.
- Dinheiro para manter o meu silencio! - fiquei pasma ao saber a sua intenção macabra. - É o preço mais baixo que tenho para ficar longe da tua vida.
- E de quanto falas? - tentei saber ate onde a sua loucura chegava.
- Agora que falas assim.. - silenciou. - Estava a pensar em talvez uns 50 mil euros...
Fiquei sem reacção, pois abaixei o telemóvel inacreditada da sua cara de pau ao exigir uma quantia absurda para manter o silencio. Depois voltei a colocar o telemóvel uma vez mais no ouvido.
- Isso é muito dinheiro! - disse. - Nao consigo arranjar essa quantia.
- Entao nada feito! - lamentou.
- Dá-me tempo, para ver o que posso fazer. - passei a mao livre no meu cabelo.
- Nao será muito, mas enfim, eu aceito. Ate a próxima, queridinha. - desligou a ligação.
Deixei-me ficar quieta e sentada na cadeira de baloiço do jardim, o telemóvel caiu na relva. Estava agora entre a espada e a parede. De um lado a forma mais rápida de chegar a verdade, do outro de chantagem e a mentira, com valores astronómicos. Estava perdida.

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