Estava de viagem marcada para o reino dos lugares mais lindos de toda a Europa, Veneza era sem duvida um optimo sitio para passeios românticos, momentos apenas a dois, porem eu, nao estava nem numa de romantismo, nem de férias propositadas, por outro lado estava de partida em trabalho. Pois é, vida de jornalista era complicada para estar a expressar de um modo que nao palavras.
As minhas malas estavam quase todas prontas, sendo que pouco ia levar para uma estadia de pelo menos 8 dias, pensava eu, mais coisa menos coisa, ne? Quanto ao resto, isto é, ao Alec, ele desenrascava-se muito bem sem mim por uns dias, sendo que cá entre nós, ele estava mortinho para colocar as suas ditas "Gatinhas" dentro de casa, e assim vendo-me muito longe, divertir-se a grande e a francesa.
Só que aqui a Jane nao so trabalhava e tomava conta de um irmão maluco, tambem tinha as suas relações prévias. Neste momento alias estava a namorar o meu vizinho que era so pelo menos novo no prédio e na cidade, o que me dava pontos a ele nao sentido de nao conhecer-me verdadeiramente.
Ri-me de mim mesma ao pensar estas coisas tolas, quando estava dentro de meu quarto zipando a ultima mala e assim juntar ao amontado de coisas para arrumar na minha sacola de trabalho.
- Lá vai a Jane voar! - pensei comigo uma vez mais. - Como deve ser andar de avião? - olhei para os lados, tentando nao pensar disparates maiores.
Pouco tempo depois estavam as minhas malas todas a porta da sala prontas para ser levadas para a carga do carro, e assim seguir rumo ate ao aeroporto e embarcar na febre do jornalismo aventureiro. Só pensar por estas leves pisadas no chao ate a rua, ja me sentia uma leve Veneziana.
Quem me dera poder viver a vida toda a conhecer outros lugares no mundo, achava estas oportunidades tao imperdiveis... Pena é que elas so apareciam quase uma vez no século, e quando aconteciam, oh minha nossa, era apenas para trabalhar.
Entrei dentro do carro e o meu irmão fez questão de conduzir-lo ate ao ponto de embarque e assim fazer o numero de despedida dolorosa que ele tao bem interpretava, pena que conhecia bem demais esta pestinha, para entender que tudo nao passava de uma mera cena teatral.
Uma vez no aeroporto e de bilhete na mão, dei comigo a segurar as minhas lágrimas insistentes, na hora do adeus, que na verdade era so um ate já... Porem que ja estava a custar tanto, mas tanto que as horas viravam segundos.
Ao sobrevoar os ares do mundo, nao parei um segundo sequer do meu embarque de olhar as janelas e ver as nuvens lindas desenhas no ceu azul, cada uma delineava uma forma diferente, quase imaginária, e tao obliqua. Contudo a sensação de olhar os dissimulados gases atmosféricos provocou sono e quando acordei, ja estava em terra firme, quer dizer, em solo italiano, na verdade em Veneza.
Quando coloquei os pés fora do avião, eu nao queria acreditar que o meu sonho estava a tornar-se realidade, que aquilo que estava a vivenciar neste momento nao era nem sonho, nem pensamento, era a verdade, eu estava definitivamente fora dos Estados Unidos.
Comecei a rir-me como uma desalmada.
Puxei as minhas malas e fui ate a um posto de táxis que via das duvidas era sem margem de sombras, o melhor a procurar neste lugar, cujo eu pouco conhecia, mas que muito tinha para aprender.
- Boa Tarde! - saudei um taxista sentado dentro do carro lendo um jornal, logo voltou a sua atenção para mim. - O senhor por acaso pode levar-me ate a centro da cidade? - tentei sorrir para soar a simpática, e nao a tímida, que na verdade era.
- Claro, que sim senhorita! - suspirei de alivio, e com uma grande gentileza o senhor ajudou com a bagagem, colocando tudo na mala e assim, estando livre, abriu a porta para que eu pudesse graciosamente me instalar.
- Obrigada! - agradeci.
A viagem de carro, foi bastante tranquila, sem sobressaltos e entusiasmos posteriores. É claro que em si a cidade, tinha vistas magnificas, dignas de inveja, e melhor forma que eu encontrava de as manter vivas na memórias era através da fotografias que insistentemente a minha máquina gravava.
Quando o carro parou, fui deixada a porta de uma pensão, bem aconchegante e tambem recomendada pelo senhor que gentilmente ja estava atribuindo mais que o seu trabalho. Entrei e fiz a reserva de um quarto bem o suficiente para mim, sem grandes luxos ou a comodidades superiores as básicas.
Instalei-me dentro do quarto, arrumando tudo mais ao menos ao meu estilo e assim aproveitei para tirar a máquina fotográfica e tirar as primeiras fotos da janela. Se Alec, meu irmão estivesse aqui de certo que estaria muito deslumbrado com tanta neutralidade nesta paisagem rústica e bélica.
- Ainda bem que ele nao veio! - falo ao tirar uma foto a um canto turístico-cultural. - Acho que nao teria nem tempo para fazer meu trabalho em condições, que nao aturar as birras e patetices do meu irmão caçula.
Horas mais tarde de puro descanso, de um banho relaxante e de uma boa comida, ai que delicia estava aquela Pizza.. Ate crescia agua na boca so de lembrar aquele queijo derretido.. Pois, mas agora Jane precisava de centralizar-se no seu trabalho.
Caminhei por essas ruas fora, por várias delas, encontrei uma que me deixou mais curiosa, ao ponto eu enveredar nesse sentido e assim, procurar investigar, porque nao sabendo poderia ser manchete de revista.. Dei um sorriso bem animado ao imaginar uma promoção, que vinha mesmo a calhar.
Aproximei-me de umas gentis senhoras que colocavam uma espécie de bilhetes ou cartas em pequenos buraquinhos na grande parede branca e antiga, ao qual tinha um nome bastante conhecedor no mundo inteiro, Romeu & Julieta.
- Desculpe... - tentei interromper a senhora do cabelo grisalho que acabava de arrumar uma carta dentro de um buraco muito pequeno. Ela olhou para mim. - Seria muito indelicado da minha parte saber o que a senhora esta a fazer? Quer dizer, bom nao é muito comum colocar cartas em buracos de parede antiga... - falei suavemente, escondendo a jornalista que havia dentro de mim.
- A menina nao sabe? - olhei incrédula.
- Nao sei o que? - perguntei.
- Esta parede é mágica. - fiquei a olhar a parede que em nada aparentava aquilo que imaginava. - Ela, a Julieta responde as nossas cartas.
O que esta velha senhora acabava de contar era altamente estranho e ao mesmo tempo interessante, para uma boa matéria.
- Diga-me uma coisa, como é que ela pode responder as vossas cartas?? - era o meu instinto jornalístico a falar, era impossível mante-lo adormecido, quando o assunto começava a chamar o trabalho a baila.
- É um grupo de meninas, na verdade senhoras vividas, que respondem a nossas mensagens, dao conselhos. - esclareceu a senhora, o que me fez ter uma curiosidade ainda maior.
- Hum estou a ver. - disse num sussurro. - E diga-me agora outra coisita, pois nao lhe quero roubar muito tempo. - respirei fundo. - Onde as posso encontrar?
Ela ficou meio pensativa e depois começou com gestos a indicar o caminho que facilmente eu entendi, pois ficava mais perto da pensão onde eu estava instalada. Agradeci gentilmente e caminhei nesse propósito.
- Entao Cartas para Julieta! - pensei comigo quase a falar. - Será um bom tema a desenvolver.
Cheguei nessa rua movimentada e entrei naquela que devia ser a casa de chá, que no fundo era apenas o refugiu das nossas conselheiras de Julieta. Entrei e fiz-me de uma cliente, ate que ganhei aquele á vontade e fui deixando fluir conversa, ate poder por definitivo colocar diálogo em prática.
E com conversa aqui, conversa ali, fiquei sabendo de histórias absolutamente imperdiveis e quase incensáveis de ouvir, por serem tao lindas e cheias de aquele amor que era mais que eterno.
- É apenas mais uma história de tantas que passaram por nossas mãos e que graças a Deus, nós conseguimos resolver. - falava a senhora dos óculos com grande orgulho.
- Isso é um bom prestigio nos dias de hoje. - falei feliz. - Eu tambem gostaria de ajudar alguem! - disse.
- A menina estaria disposta a integrar um grupo de velhas? - perguntou, pegando nas minhas maos.
- Claro que sim, é um orgulho ouvir essas histórias de sucesso e poder provar mais uma. - sorri muito feliz.
- Entao esta combinado a menina integra a partir de agora o nosso grupo.. - dei um abraço.
A minha primeira prova de fogo estava prestes a iniciar, pois tinha muito trabalho pela frente e com isso, um melhor desenvolvimento para o meu emprego. Neste momento estava com uma carta de uma senhora que tinha o nome de Claire, por outras palavras era mais uma Julieta procurando seu Romeu, deveras perdido no tempo.
Em sua caligrafia envelhecida pelo tempo, expressava sentimentos de saudade, e nao aquela que era pouco ou que acalmava com simples olá e um adeus, era muito mais que isso. Segundo a senhora dona Wanda, quer dizer a senhora que era nada mais, do que a chefe de grupo das conselheiras, havia mencionado a questão de se tratar de um casal, cujo o contacto havia sido perdido a mais de 50 anos. Nesse instante ao perceber a dimensão da saudade, fiquei um pouco desesperada, pois era difícil ou quase impossível encontrar o Romeu certo da Julieta saudosa. E se ele ja tivesse morrido? Eram hipóteses que nao podiam ser descartadas. Pois é Jane, aqui começava o meu primeiro desafio.
Ao terminar de analisar a carta, levantei e aproveitei para dar uma saída, eu precisava de ir ao local, onde toda a história mostrava sua intensidade. Vagueando pela rua, e por curiosamente chegar no ponto, encontrei uma senhora, cujo nao estava sozinha, muito pelo contrário, fazia-se acompanhar de jovem rapaz, que segundo meus cálculos, aparentava ser neto.
Aproximei-me com cuidado, pois nao tinha intensao de assustar ninguem, ou confundir histórias e pessoas. Parei em frente a parede, Olhei os traços rústicos que encorpavam o esconderijo das cartas.
- Este lugar é bastante mágico! - sussurrei, olhando de seguida na direcção da senhora idosa, que generosamente sorria.
- Eu gosto muito de vir aqui... - comentou ela, aprofundando o olhar num dos buracos. - Todos os dias tenho esperança de encontrar o meu Romeu. - sorri ao perceber que se certo modo esta era a pessoa podia ser a que eventualmente procurava.
- A quanto tempo nao ve o seu Romeu? - perguntei, para certificar-me que as peças realmente se encaixavam.
- A pelo menos 50 anos... - baixou o olhar, encarando apenas o chão.
O assunto a devia deixar um pouco abalada, pois pela forma como falava, notava-se que era algo que nao estava totalmente esquecido e que por mais anos que passassem, a memória estaria sempre viva.
Sentei no banquinho, a senhora seguiu nesse gesto simbólico, contou outras histórias mais da sua juventude, juventude essa que vivera feliz do lado de seu Romeu. Havia algo tao vibrante nesta história que era impossível ficar indiferente. O rapaz por outro lado parecia bem impaciente e deveras nao estar a gostar de me ver conversando com a sua avo por assim pensar.
Das várias vezes que levantava os olhos ate ele, encontrava um olhar de fúria, aquele descrevia bem o incomodo de alguem que nao nos conhecia e que ja estava a odiar-nos por de algum modo estar a empatar seu tempo.
- Parece que senhora terá de ir! - levantei ajudando a senhora a fazer o mesmo e assim dar a sua mao a seu neto. - Foi muito bom poder conversar consigo, e gostaria muito de poder ajuda-la de alguma forma.
- A menina estaria disposta ajudar-me? - perguntou a senhora do cabelo grisalho com uma leve ruga, e de olhar brilhante.
- Claro que sim. De certeza que tem saudades desse alguem...
- Avo deixasse disso! - falou rude o rapaz que ate ja estava a deixar-me com náuseas de tao invencível. - Nao ligue a isto, sao puros disparates! - olhou para mim piscando o olho.
Fiquei mesmo sem o que dizer ao ouvir tanta incessibilidade de alguem.
- Minha querida! - voltou-se para mim, deslagardo a mao do neto, para pegar a minha. - És uma doce menina, merecedor rapaz que conquistar o teu coração. - ao ouvir essas doces palavras corei, ficando quase sem jeito de encarar o olhar dessa doce idosa.
- Obrigada... oh que cabeça a minha, o meu nome é Jane Sullivan, senhora. - ela sorriu encantada.
- Que nome lindo... digno de uma princesa. - olhei o rapaz de raspão e vi que olhava para mim agora de um modo diferente, nao com aquele olhar de ódio, mas de um que nao conseguia ainda poder definir. - O meu para que saibas minha linda, é Claire.
Ao ouvir esse nome invulgar, a minha conotação jornalística fez luz e ai tive a verdadeira certeza de estar perante a mulher certa a quem fornecer toda a minha ajuda. Boa Jane.
- Prazer! - sorri para a senhora que agora deslagarva de meus dedos os seus para seguir ate seu lugar. Acenei um adeus informal e deveras saudoso ao ponto de receber uma nova visita sua.
Voltei para a pensão depois de um dia cheio de emoções fortes e ao estar deitada sob os lençóis da cama lembrei do nome da senhora, das suas cartas e de tudo o que havia vivido.
Os meus pensamentos de volta e meia estava a voar, para as vezes em lugares distantes tao descritivos quanto aqueles relatados em cartas saudosas e envelhecidas pelo tempo. O medo começou a invadir o meu ser, pois era de uma grande responsabilidade enveredar esta aventura, tao romântica e ao mesmo tempo tao arriscada. Porque a senhora nova ja nao era, e o coração enfraquecido, nem sempre estava pronto para emoções.
Pela manha de sol radiante, levantei-me e tomei o meu pequeno almoço muito tranquilamente. Ao sair da pensão, dirigi-me desde logo a casa de chá, pedindo conselhos a Wanda.
Ela prontificou-se ajudar-me, contando detalhes desconhecidos e talvez com isso intensificassem mais o meu receio de alguma forma nao ser capaz de cumprir meu dever. Ainda assim guardei um pouco da coragem que tinha e segui ate ao local que todos os dias talvez a pudesse encontrar, sozinha ou acompanhada.
Estando eu no pensado lugar, a senhora Claire surgiu. Cumprimentei-a como uma gentil menina e de boas classes. Tivemos uma longa conversa, onde ela com seu relato em primeira pessoa, contou o que na verdade aconteceu naquela época e quais os motivos da total separação.
- Que coisa triste! - disse eu quase emotiva. - Entendo o quanto tenha sido a sua dor naquela altura, e hoje tambem. - passei a minha mao no cabelo para tirar da frente dos olhos a mexa de cabelo que insistia tapar.
- Para veres como era o peso da classe naquela época. Ele era pobre e eu era rica, e assim nao podíamos ficar juntos. - suspirou triste.
- Mas isso hoje nao impede de voltar a encontrar o seu Romeu! - peguei nas suas moas mostrando vitalidade.
- Oh minha querida, e se ele realmente ja nao me reconhecer? Passaram-se 50 anos, ambos construímos vidas diferentes! - silenciou para o olhar o céu, depois de um novo suspirou falou. - Hoje estou viúva, ele nao sei. Por outro lado ate ja pode ter morrido...
- Dona Claire! - olhei em seus olhos. - Ainda se lembra onde ele vivia?
- Claro que sim, tenho ainda uma vaga ideia de que talvez numa fazenda perto daqui... ou pelo menos na época em que nos conhecemos ele vivia nesse sitio.
- E será que ainda esta em condições favoráveis de ir ate esse lugar? - perguntei mostrando as minhas artimanhas de menina casamenteira.
- Creio que sim!
Assim foi, seguindo estrada fora com a companhia antipática do neto da senhora dona Claire que em tudo apenas sabia reclamar, chegamos nessa tal fazenda. E ao parar para olhar para o sitio, era evidente uma grande pobreza tal como ela havia mencionado em outra hora.
A senhora foi na nossa frente para certificar-se ao certo de qual das casas era a que pertencia a ele. Eu por minha vez vinha mais atrás a ouvir os resmungos idiotas de Ellian. Este rapaz era muito insuportável, nao havia de certo nenhuma mulher capaz de o aturar, por conta do seu feitio.
Ao ver que a sua avo ficou triste por depois de várias tentativas falhadas, direccionou logo o olhar para mim com muita raiva por ver que eu, de alguma forma estar a criar uma situação deveras embaraçosa a senhora.
- Estas a ver avo? Eu disse que nao devias confiar em qualquer pessoa nao! - abri a boca muito desagradada com a forma ordinária como ele expunha a minha pessoa, como sendo uma qualquer.
- Olha desculpa lá! - comecei. - Eu só queria ajudar! - disse, mas logo a senhora cortou meu texto.
- Tu fizes-te tudo o que podias, e nao condeno por isso, esta bem? - beijou o alto da minha testa, e quando estava prestes a seguir em frente surpreendeu-se ao ver a figura de um senhor idoso na sua frente carregando em suas maos uns baldes.
O silencio era tal que acreditava estar acontecer um encontro de meio século. Ellian estava calado que nem um rato, ja eu sorria por ver que afinal que nem todo o tempo era perdido.
- Romeu!!! - disse a senhora. - Meu Romeu!!! - e ela deu um novo passo a frente, seguido de outro e mais outro e quando dei por mim estava a ver um abraço de um casal apaixonado.
- Parece que nao houve perda de tempo! - falei para Ellian que ainda nao acreditava no que os seus olhos viam. - Perdes-te a lingua foi? - comecei a rir da sua cara.
- Nao! - disse em resposta curta.
Presenciei a cena por muito mais 1 hora, depois voltei ao carro e logo voltamos para a cidade, onde eu estava neste momento hospedada e onde de certo teria todo o prazer de escrever toda esta aventura com um final feliz. Afinal o nem tinha idades para travar, hoje tinha concluído uma teoria a muito enfatizada.
Estava mesmo com muito orgulho de mim, por ter conseguido concluir uma tarefa que era bem a minha altura.
Dias depois, estava eu pronta para voltar aos Estados Unidos e em pleno aeroporto quando nao esperando, recebo uma visita inesperada. A principio esfrego os olhos pensando estar a ter alguma alucinação, mas nao era verdade o facto de Ellian estar diante de mim para falar. Oh afinal o orgulho tambem podia ser desmanchado.
- Jane! - chamou ele ao ver que eu estava a olhar para ele sem acreditar. - Tenho pena pela tua ida. - foi aproximando-se de mim.
- É foi uma estadia pouca por aqui... espero voltar em breve, só que desta vez nao em trabalho. - sorri ao explicar esse pormenor.
- Vou ter saudades tuas... - sussurrou de um modo que quando me apercebi de suas palavras ele estava colado quase a mim. - E eu fui um parvo contigo, tu nao merecias a minha estupidez.
- Ellian! - prenunciei o seu nome. - Tu reagis-te como qualquer outra pessoa, pronta a proteger os seus, e nao te condeno por isso. - ele deixou um beijo no meu rosto. - Que beijo foi esse? - perguntei a medo de poder de algum modo estar a ofender.
- É um beijo de boa sorte e de... vou - suspirou. - Vou sentir muito a tua falta.
- Eu tambem.
Pouco tempo depois estava o auto-falante dando a indicação da hora do embarque e ai vi que nao tinha tempo nem para mais palavras. Acenei um adeus demorado, sempre a cada passo deixando um olhar no ar.
(...)
Meses depois...
A minha redação sobre a história de Claire e Romeu tinha sido um sucesso e bom tema para manchete de revistas de casais apaixonados ate depois dos 80. Afinal nunca era tarde para amar.
Apesar de se ter passado muito tempo Ellian ainda mantinha contacto comigo, e alias estava mesmo a pensar em viver em Nova Iorque, nossa curiosamente estava a vir para os Estados Unidos.
Talvez devem estar para ai a perguntar-se o que aconteceu ao meu namorado, ne? O Peter e eu nao deu certo, o facto de ter estado aquele tempo fora, destruiu a nossa relação que talvez nem era assim tao importante. Pelo menos nao era como aquela que havia travado do inicio ao fim com o neto de Claire que mesmo ao inicio nao nos dando bem, ele sempre conseguia arrancar de mim um sorriso ou um suspiro raivosa. Agora em ironia do destino, bom.. estávamos a namorar, a ser felizes, como eu nunca pensei que fosse possível.
Alias desde o inicio que travava a ideia que nao existia mulher alguma capaz de aguentar tal engenho, e nao é que eu errei? O destino prega cada partida, nao? Porem desta vez o destino nem tinha sido mauzinho comigo nao, ate tinha muito agradecer.
Quanto ao maluco do meu irmão caçula... ele aprontou muitas na minha ausência, tal como pensei, mas ainda parece que a minha história o deixou inspirado agarrar-se a coisas boas e deixar de lado as suas patetices. Desta vez ele estava muito responsável e tao protector que ate dava dó.
Estes eram os meus dias felizes, no ceio de uma vida gratificante e premiada, sim porque eu nao só tinha ganho um novo namorado e um irmão mais responsável, no entanto tambem uma promoção tao bem merecida e vejam só, aqui a jornalista, ja era quase chefe de redacção.

Comentários
Enviar um comentário
Comenta deixa aqui a tua opinião :)