Capitulo 34 - Distúrbios
David
Pela manha quando acordei, olhei para o relógio que anunciava o meu derradeiro atraso, saltei da cama num impulso. Corri ate ao roupeiro, onde tirei umas calças jeans e um camisola, dei uma olhada no espelho para escovar os poucos cabelos desalinhados, e nesse momento, vi um reflexo.
O meu olhar ficou de tal modo penetrado naquela imagem, que os minutos viraram quase horas. Fechei os olhos, voltei costas ao espelho, voltei abri-los, e ai fiquei de frente para a imagem, ou seja para desenho retrato que havia feito numa noite de Alice.
A minha primeira ideia, era chegar ope dele e o rasgar, depois de tudo o que havia descoberto nesta maldita noite, que havia passado, mas ao contrário da vontade, não o fiz, como se por ventura, existi-se uma mera força que não permite-se tal efeito.
Desci o olhar, não ter mais de que pensar nela, mesmo tendo de ir trabalhar para um lugar que em tudo a lembrava, e pior mesmo era encontra-la. Só que desta vez, eu não ia ser a mesma pessoa, que ela algum dia havia conhecido, não ia ser mesmo.
Peguei no casaco, sai. Cheguei na cozinha, a tia já bebia seu café, contudo não dei tempo para a poder celebrar com suas perguntas diárias, apenas peguei numa peça de fruta e sai, correndo quase.
Uma vez no jardim da mansão, dei por mim a olhar para a rosa Azul, a pensar mil e uma coisas que eu havia feito por ela, quer dizer neste momento não sabia dizer, ou pensar, se ela era alguém ou se não passava de uma mera coisa, objecto.
O barulho do chilrar dos passarinhos nas vestes das árvores era autentico, o vento que soprava totalmente soprano, o regar das flores um pleno cintilar de cristais. No entanto por mais mergulhado que eu estivesse na minha sinfonia natural, não conseguia parar de pensar nela, de relembrar aquilo que havia presenciado. Em todos os minutos que passava aqui, voltava sempre o meu olhar para aquela janela, que por dias ansiava encontrar seu olhar.
Doía tanto, mas tanto, que neste momento, no lugar do meu coração, estavam espinhos. Eu não merecia saber desta forma, no entanto que outra maneira teria para entender que, aquela... ai nem conseguia nem imaginar.
- David! - dei um pulo, ao ouvir o meu nome anunciado.
Voltei a minha total atenção na direcção de onde o som de uma voz feminina se fazia residir.
- Desculpa se assustei... - sorri, era Luisy.
- Algum problema Luisy? -perguntei como quem não quer a coisa.
- Não, na verdade, a sua tia...
Sorri uma vez mais, já devia ter percebido que estas duas senhoras se conheciam tão bem que a uma dada hora estariam juntas para cuidar de mim.
- Há.. a minha tia ligou para cá, certo? - perguntei quase que retórica-mente falando, sabendo perfeitamente a resposta certa.
- Sim.. ela disse que o menino não havia comido nada, e como preparei um bolo a pouco, alias, mesmo saidinho do forno, aquele mesmo que as vezes corto para poder comer pela noitinha com a sua tia...
- Sei..
- Então, eu tomei a liberdade de vir aqui, para convida-lo a comer! - coloquei o regador no chão. - Não aceito um não, como resposta. E alem disso eu prometi a sua tia que faria o menino comer.
Era difícil resistir ao cozinhados da Luisy, pois cada um sabia a uma deliciosa preciosidade dos Reis, então os seus doces, ui, de crescer agua na boca.
- Esta bem, você convenceu-me! - deu o seu braço para mim, e juntos entramos nas traseiras da casa.
Jasper
Assim que Alice saiu, e como apenas estava eu e o doutor, aproveitei para colocar no ar a questão que estava preocupar-me desde a sua visita.
- Doutor, desculpe mas é que o tenho para perguntar, não podia falar na frente da minha esposa, como pode calcular. - tentei justificar-me, logo convidou a sentar, uma vez mais.
Sentei na frente da sua secretária.
- Senhor Cullen..
- Por favor, trate-me por Jasper.
- Como queira, Jasper. Bom, na verdade eu tenho as minhas suspeitas, mas como digo apenas são isso, e sem detalhados exames, não posso aprofundar a questão. - tentou esclarecer.
Então havia uma razão forte, que não uma simples rotina. Mas o que seria, qual o problema que estava a deixar a minha esposa de tal modo tão diferente do que na verdade era?
- Doutor, por favor... eu quero saber.. mesmo que tudo não passe de uma suspeita. - ele levantou, levantei os meus olhos, seguindo o seu trajecto. - Entenda eu quero ajudar a minha esposa, quero encontrar alguma coisa que a possa ajudar.
Ele parou de caminhar, e focou numa parede de cortiça, onde apenas tinham imensos diagramas e papelada com post-tic's. Esperei que ele ou menos proferi-se uma mínima palavra. Voltou-se para mim, com cara seria.
- A sua esposa, segundo uma analise superficial que pude concretamente fazer naquele dia em que fiz a visita.. - respirou fundo. Meu coração palpitava de um modo acelerado. - Há um forte indicio de que a sua esposa, possa estar a sofrer indícios de um Síndrome do Pânico.
- Síndrome do Pânico?
Nunca na minha vida, tinha ouvido falar em tal coisa e na verdade, o próprio nome indicava indicio estranho, e nada podia aparentar o que na verdade era.
- Sim.. por outras palavras podemos chamar esta doença, de um disturbo mental.. - ainda estava sem acreditar. - Atenção, ela pode muito bem ter uma vida normal, e que em nada isso a pode afectar, pelo menos aparentemente.
A todo o minuto as palavras não paravam de ecoar na minha mente. Alice estava doente e eu nunca havia percebido isso antes.
- Mas doutor... - as palavras quase que saiam num fio de voz inaudível. - Qual pode ser a causa dest..a..a situação? - gaguejava feito um menino com dificuldades.
- Aparentemente as causas são desconhecidas, a menos que tenham origem genética. - estreitei os olhos.
Nunca poderia ser de origem genética, porque pelo que sabia a dona Esme era extremamente saudável, o doutor Carlisle também, assim como os irmãos da minha esposa. Contudo, o doutor também falava sobre uma possibilidade desconhecida, e isso preocupava-me profundamente.
- Não se preocupe, este tipo de síndrome, é muito frequente nas mulheres, principalmente aquelas que estão mais expostas ao stress.. - continuou a sua explicação.
- E que tratamentos ela pode recorrer? - perguntei, estava disposto a procurar por um meio de ajuda em qualquer parte do mundo, só para a poder vê-la bem.
- Como disse, ainda são suspeitas, não creio que seja boa ideia, falar sobre a questão que ainda não tem um mero fundamento. - suspirei.
- Por favor! - insisti.
- Você é com que teimoso, mas vou esclarecer para si, mas só porque é voce quem pede. - respirou fundo. - O tratamento adequado a esta situação, pode ser guiado por um psiquiatra, que melhor que eu poderá uma avaliação mais detalhada, se é que me entende! - acenei que sim. - E ai tudo muda de mãos, o psiquiatra, ficará com o controle de tudo, e mais não posso esclarecer, não é algo que esta inteiramente ligado a minha área.
- Mas... - o médico deitou um olhar fuzilante. - O doutor para se fundamentar nessa teoria deve ter tido algum sintoma coerente, ao qual se fundamentou, não? - ele acenou afirmativamente.
Voltou a sentar na sua secretária, colocou os braços sob a mesa, não tirando o olhar de mim.
- Existem 4 sintomas que muito bem identificam a doença que ainda não por certo diagnosticada. - respirou fundo, uma vez mais. Estava muito nervoso. - Suor, calafrios ou ondas de calor, tremores, as palpitações, ou ate mesmo o ritmo cardíaco muito acelerado, podem muito bem dar indicação de algo muito fora normal. Esclareci o senhor? - desta vez a pergunta era simulada de um modo diferente.
Acenei afirmativamente, levantei da cadeira, ao qual dei um aperto de mão, e dirigi-me ate a porta.
- Obrigada doutor! - agradeci, ao abrir a porta e sair.
Cheguei ate Alice que ja estava com que impaciente, e a bater o pé no chão de um modo frenético, que mais um pouco, ficaria a sola do sapato gasta de tanto bater.
- Estava a ver que não vinhas mais! Ate já estava a ponderar se devia ou não apanhar um táxi! - resmungou.
- Desculpa querida, mas é que precisava de conversar com o doutor! - tentei justificar o meu atraso.
- E do que estiveram a conversar, durante tanto tempo? - questionou enquanto caminhávamos para o estacionamento do hospital.
- Nada demais! - disse por fim.
Não era certo mentir, mas por outro lado também não era certo falar algo que não era concreto, segundo as palavras do médico. Ainda mais ela já estava um pouco stressada, não queria criar pânico maior a sua situação momentânea.
- Como pode ser algo que não é nada demais, se demoras-te uma eternidade? - parou junto a porta do carro. - Jasper! - chamou meu nome, não tive como não olhar. - Tu sabes de alguma coisa que eu não sei? Sabes que estou doente, mas não queres contar... - tentou dar a volta, mas não deixei levar a sua avante.
Abri a porta do carro, para que ela pudesse entrar, fechei, quando ela já estava na sua perfeita comodidade. Entrei no meu lado de condutor.
Durante todo o caminho, ela carregou várias vezes na mesma tecla, e por várias vezes eu tentei fugir, mas era difícil ficar indiferente ao seu olhar doce e que no fundo, ai não resistia.
Chegamos em casa, e a sua postura, mudou radicalmente, virou costas e entrou dentro de casa chateadissima. As vezes dava por mim a pensar, em que ponto da vida eu havia errado mais.. só que.. mais valia ficar quieto e não pensar.
Ao sair do carro, deixa-lo trancado o meu telemóvel no bolso começou a tocar estridente. Vi-me um pouco atrapalhado a procura dele nos bolsos, tanto das Jeans, como do casaco, e no meio de tanto palpão, o encontrei. Atendi, quando vi de quem se tratava.
- Alo Peter!
Alice Original
Jasper devia estar a pensar que eu era alguma idiota como tanta por ai que não percebem o que na verdade esta acontecer neste mundo, mas não, eu cá, estava de olhos bem abertos.
Estava mais que evidente que, tanto ele, como esse médico, desconfiavam de alguma coisa, cujo não queriam contar, mas que descaramento. "Afinal quem é o doente, aqui? Eu, ou ele?" questionei a mim mesma. A verdade é que eu estava a dar em doida.
Entrei no closet, procurando trocar de roupa, e assim tirar esta, que estava com um cheiro tão de hospital, horrível. Sentada no banco de frente para o espelho e já escova-lo depois de tomar um breve duche, o meu telemóvel começou a tocar.
Inicialmente fiquei ate com medo de deitar um simples olhar, porque não se sabia se não seria a maluca da Maria atormentando a minha mente e em consequência disso, retomar suas ameaças.
Era fraca no que dizia respeito a resistir, a verdade é que não lutar contra o fogo, não era solução, e nessa mesma medida estava entre a espada e a parede. Finalmente foquei o meu olhar no visor do telemóvel, onde piscava abusivamente o nome "Maria Whitlock", levei as mãos a cabeça. "Estou perdida!" pensei comigo mesma.
Agora que sabia quem era, e que o facto de não atender a sua chamada podia muito bem deitar tudo a perder, acabei primando no botão verde para atender.
- Alo? - fiz-me de quase desentendida de quanto a quem estava do outro lado da linha.
- Alice! - proferiu o meu nome em tom de ironia. - Demoras-te muito para atender a minha chamada... - dei um leve bufar inaudível.
- O que queres? Podes ser breve? - tentei acelerar a conversa.
- Já tens o que pedi?
Não podia estar acontecer isto, ela só estava a ligar para mim por conta de saber se eu ja tinha o que ela queria. Que lata esta mulher tinha. Por outro lado, eu sabia que tinha um prazo a cumprir com ela, caso contrário, a minha vida ia para o espaço, assim como no sonho, só que de um modo diferente, com mais detalhes.
- Olha Maria... não esta fácil conseguir todo aquele dinheiro.. - mordi o lábio.
- Estas de brincadeira comigo! - gritou, tive de afastar o telemóvel um pouco do ouvido. - Eu disse que tinhas um prazo, caso contrário... - cortei.
- Contavas ao Jasper.. eu já sei isso tudo, não precisas de repetir. - terminei sua frase.
Precisava de respirar fundo não sei quantas vezes para controlar a raiva que tinha desta mulher, que desde que havia colocado os pés na minha vida não parava de chantagear. "Eu mereço um pouco de paz, só acho" pensei, olhando na frente do espelho.
- Vejo que estas muito bem esclarecida quanto a isso, por isso não me desiludas, ou terás as consequências dos teus actos bem a vista de todos. - riu-se. - Já imaginas-te o quanto as pessoas vão adiar-te? Achar-te uma louca... - cortei.
- CHEGA! - gritei. - Ligo para ti assim que tiver novidades, por favor não voltes a incomodar-me.. - fui rispida, mesmo não sabendo como, pois nunca na vida tinha conseguido altiva a minha voz a uma pessoa tão... tão.. como a Maria, sem escrúpulos.
- Ok, vê se não demoras... - suspirei. - Sabes tão bem quanto eu que, tempo é dinheiro. - ditas essas palavras desligou a ligação na minha cara.
Lancei a porcaria do telemóvel para um canto do closet, não tendo a preocupação de ele ficar ou não danificado.
Neste momento o problema continuava no ar, chantagem vs verdade. "Eu tenho de fazer alguma coisa, ela esta acabar comigo" pensei.
Depois de uns minutos a pensar sozinha, ponderei falar com Kim, como sendo minha amiga, ela ia encontrar uma forma clara de falar com Jasper, sem ter que ceder a jogos.
Percorri o corredor, após sair do quarto. Lembrei logo que ela podia muito bem estar no quarto do pequeno Simão, que com tudo isto, ate esquecia da sua existência, que se não fosse ele, nada do que estava vivendo agora seria possível.
Bati a porta do quarto, abri um pouco a mesma, e encontrei ela sentada ao lado dele a contar uma história para dormir, talvez.. Entrei não fazendo muito barulho, porque eles estavam de tal modo tão penetrados no narrar das partes mais importantes do conto, que permaneci de pé, de braços cruzados, esperando por assim dizer o dito final.
Assim que a história terminou, Kim fechou o livro, e deu o beijo na testa dele. Sorri, era um gesto muito carinhoso, e que muito lembrava a minha infância de quando a minha mãe entrava no meu quarto, para contar histórias e dar aqueles beijos triunfantes e boas noites.
- Desculpa não sabias que estavas ai! - falou ela ao olhar para mim com cara de espanto.
- Não queria interromper vocês, estavam tão entretidos... - deitei um olhada no Simão que já estava com os olhinhos fechados.
- Já dorme! - disse ela, enquanto pousava o livro na estante. - Precisas de alguma coisa? - questionou olhando para mim com preocupação.
- Sim.. mas não posso falar aqui. - respondi.
Saímos do quarto com bastante cuidado para não acordar ele, que finalmente havia adormecido. Percorri o corredor uma vez mais, só que desta vez na companhia de Kim, e voltei a entrar no meu quarto, que a data era o único sitio da casa, onde ainda era seguro conversar.
- Alice estas a deixar-me preocupada, o que se passa?
Sentei na borda da cama, Kim seguiu nesse gesto. Procurei mentalmente uma forma coerente de dizer o que na verdade estava acontecer. Era difícil para mim abrir o meu coração, e de lá soltar toda a minha indignação. Só que se não o fizesse, sufocaria mais com os meus medos, e isso seria devastador para mim.
- Lembras-te da Maria Whitlock?
Eu sabia que não era uma forma muito educada, responder a uma pergunta com outra pergunta, só que era necessário fazer isso para poder começar a contar o que estava preso dentro de mim, soltar este medo.
- Sim, lembro vagamente, mas o que tem isso? - deu de ombros.
- A Maria anda ameaçar-me! - levantou-se ao saber isso. - Calma Kim... - coloquei a minha mão no seu ombro para que senta-se uma vez mais.
Ela cedeu, foi sentando e cruzou os braços esperando um esclarecimento mais acertado.
- A Maria sabe que o Simão não é meu filho, sabe que eu tive aquele... percalço na vida e que ... - cocei a cabeça.
- Não precisas de dizer mais nada.. - descruzou os braços, pegou nas minhas mãos. - Ela quer dinheiro é isso? - fiquei espantada com a sua forma clara e acertada de ver os factos.
- Como sabes? - questionei.
- Tem tudo haver com ela, fazer esse tipo de coisas... lembras de como ela facilmente extorquiu dinheiro a banqueiro, só para manter no silencio há conta da traição que o homem havia feito sob a esposa? - acenei que sim. - Pois, bem agora ela esta a tentar ganhar dinheiro a tua conta.
- O que eu faço agora Kim.. - implorei quase por ajuda. - Estou desesperada... ela quer 50 mil euros para ficar em silencio, só que não tenho esse dinheiro... - limpei uma lágrima que escorria do meu rosto. - Preciso de contar tudo ao Jasper, antes mesmo que ela o faça.
- Ela é completamente louca... - Kim estava tanto ou quanto como eu indignada. - Precisamos de pensar num plano, num bom plano. - passo a sua mão na maça do meu rosto.
David
Pela manha quando acordei, olhei para o relógio que anunciava o meu derradeiro atraso, saltei da cama num impulso. Corri ate ao roupeiro, onde tirei umas calças jeans e um camisola, dei uma olhada no espelho para escovar os poucos cabelos desalinhados, e nesse momento, vi um reflexo.
O meu olhar ficou de tal modo penetrado naquela imagem, que os minutos viraram quase horas. Fechei os olhos, voltei costas ao espelho, voltei abri-los, e ai fiquei de frente para a imagem, ou seja para desenho retrato que havia feito numa noite de Alice.
A minha primeira ideia, era chegar ope dele e o rasgar, depois de tudo o que havia descoberto nesta maldita noite, que havia passado, mas ao contrário da vontade, não o fiz, como se por ventura, existi-se uma mera força que não permite-se tal efeito.
Desci o olhar, não ter mais de que pensar nela, mesmo tendo de ir trabalhar para um lugar que em tudo a lembrava, e pior mesmo era encontra-la. Só que desta vez, eu não ia ser a mesma pessoa, que ela algum dia havia conhecido, não ia ser mesmo.
Peguei no casaco, sai. Cheguei na cozinha, a tia já bebia seu café, contudo não dei tempo para a poder celebrar com suas perguntas diárias, apenas peguei numa peça de fruta e sai, correndo quase.
Uma vez no jardim da mansão, dei por mim a olhar para a rosa Azul, a pensar mil e uma coisas que eu havia feito por ela, quer dizer neste momento não sabia dizer, ou pensar, se ela era alguém ou se não passava de uma mera coisa, objecto.
O barulho do chilrar dos passarinhos nas vestes das árvores era autentico, o vento que soprava totalmente soprano, o regar das flores um pleno cintilar de cristais. No entanto por mais mergulhado que eu estivesse na minha sinfonia natural, não conseguia parar de pensar nela, de relembrar aquilo que havia presenciado. Em todos os minutos que passava aqui, voltava sempre o meu olhar para aquela janela, que por dias ansiava encontrar seu olhar.
Doía tanto, mas tanto, que neste momento, no lugar do meu coração, estavam espinhos. Eu não merecia saber desta forma, no entanto que outra maneira teria para entender que, aquela... ai nem conseguia nem imaginar.
- David! - dei um pulo, ao ouvir o meu nome anunciado.
Voltei a minha total atenção na direcção de onde o som de uma voz feminina se fazia residir.
- Desculpa se assustei... - sorri, era Luisy.
- Algum problema Luisy? -perguntei como quem não quer a coisa.
- Não, na verdade, a sua tia...
Sorri uma vez mais, já devia ter percebido que estas duas senhoras se conheciam tão bem que a uma dada hora estariam juntas para cuidar de mim.
- Há.. a minha tia ligou para cá, certo? - perguntei quase que retórica-mente falando, sabendo perfeitamente a resposta certa.
- Sim.. ela disse que o menino não havia comido nada, e como preparei um bolo a pouco, alias, mesmo saidinho do forno, aquele mesmo que as vezes corto para poder comer pela noitinha com a sua tia...
- Sei..
- Então, eu tomei a liberdade de vir aqui, para convida-lo a comer! - coloquei o regador no chão. - Não aceito um não, como resposta. E alem disso eu prometi a sua tia que faria o menino comer.
Era difícil resistir ao cozinhados da Luisy, pois cada um sabia a uma deliciosa preciosidade dos Reis, então os seus doces, ui, de crescer agua na boca.
- Esta bem, você convenceu-me! - deu o seu braço para mim, e juntos entramos nas traseiras da casa.
Jasper
Assim que Alice saiu, e como apenas estava eu e o doutor, aproveitei para colocar no ar a questão que estava preocupar-me desde a sua visita.
- Doutor, desculpe mas é que o tenho para perguntar, não podia falar na frente da minha esposa, como pode calcular. - tentei justificar-me, logo convidou a sentar, uma vez mais.
Sentei na frente da sua secretária.
- Senhor Cullen..
- Por favor, trate-me por Jasper.
- Como queira, Jasper. Bom, na verdade eu tenho as minhas suspeitas, mas como digo apenas são isso, e sem detalhados exames, não posso aprofundar a questão. - tentou esclarecer.
Então havia uma razão forte, que não uma simples rotina. Mas o que seria, qual o problema que estava a deixar a minha esposa de tal modo tão diferente do que na verdade era?
- Doutor, por favor... eu quero saber.. mesmo que tudo não passe de uma suspeita. - ele levantou, levantei os meus olhos, seguindo o seu trajecto. - Entenda eu quero ajudar a minha esposa, quero encontrar alguma coisa que a possa ajudar.
Ele parou de caminhar, e focou numa parede de cortiça, onde apenas tinham imensos diagramas e papelada com post-tic's. Esperei que ele ou menos proferi-se uma mínima palavra. Voltou-se para mim, com cara seria.
- A sua esposa, segundo uma analise superficial que pude concretamente fazer naquele dia em que fiz a visita.. - respirou fundo. Meu coração palpitava de um modo acelerado. - Há um forte indicio de que a sua esposa, possa estar a sofrer indícios de um Síndrome do Pânico.
- Síndrome do Pânico?
Nunca na minha vida, tinha ouvido falar em tal coisa e na verdade, o próprio nome indicava indicio estranho, e nada podia aparentar o que na verdade era.
- Sim.. por outras palavras podemos chamar esta doença, de um disturbo mental.. - ainda estava sem acreditar. - Atenção, ela pode muito bem ter uma vida normal, e que em nada isso a pode afectar, pelo menos aparentemente.
A todo o minuto as palavras não paravam de ecoar na minha mente. Alice estava doente e eu nunca havia percebido isso antes.
- Mas doutor... - as palavras quase que saiam num fio de voz inaudível. - Qual pode ser a causa dest..a..a situação? - gaguejava feito um menino com dificuldades.
- Aparentemente as causas são desconhecidas, a menos que tenham origem genética. - estreitei os olhos.
Nunca poderia ser de origem genética, porque pelo que sabia a dona Esme era extremamente saudável, o doutor Carlisle também, assim como os irmãos da minha esposa. Contudo, o doutor também falava sobre uma possibilidade desconhecida, e isso preocupava-me profundamente.
- Não se preocupe, este tipo de síndrome, é muito frequente nas mulheres, principalmente aquelas que estão mais expostas ao stress.. - continuou a sua explicação.
- E que tratamentos ela pode recorrer? - perguntei, estava disposto a procurar por um meio de ajuda em qualquer parte do mundo, só para a poder vê-la bem.
- Como disse, ainda são suspeitas, não creio que seja boa ideia, falar sobre a questão que ainda não tem um mero fundamento. - suspirei.
- Por favor! - insisti.
- Você é com que teimoso, mas vou esclarecer para si, mas só porque é voce quem pede. - respirou fundo. - O tratamento adequado a esta situação, pode ser guiado por um psiquiatra, que melhor que eu poderá uma avaliação mais detalhada, se é que me entende! - acenei que sim. - E ai tudo muda de mãos, o psiquiatra, ficará com o controle de tudo, e mais não posso esclarecer, não é algo que esta inteiramente ligado a minha área.
- Mas... - o médico deitou um olhar fuzilante. - O doutor para se fundamentar nessa teoria deve ter tido algum sintoma coerente, ao qual se fundamentou, não? - ele acenou afirmativamente.
Voltou a sentar na sua secretária, colocou os braços sob a mesa, não tirando o olhar de mim.
- Existem 4 sintomas que muito bem identificam a doença que ainda não por certo diagnosticada. - respirou fundo, uma vez mais. Estava muito nervoso. - Suor, calafrios ou ondas de calor, tremores, as palpitações, ou ate mesmo o ritmo cardíaco muito acelerado, podem muito bem dar indicação de algo muito fora normal. Esclareci o senhor? - desta vez a pergunta era simulada de um modo diferente.
Acenei afirmativamente, levantei da cadeira, ao qual dei um aperto de mão, e dirigi-me ate a porta.
- Obrigada doutor! - agradeci, ao abrir a porta e sair.
Cheguei ate Alice que ja estava com que impaciente, e a bater o pé no chão de um modo frenético, que mais um pouco, ficaria a sola do sapato gasta de tanto bater.
- Estava a ver que não vinhas mais! Ate já estava a ponderar se devia ou não apanhar um táxi! - resmungou.
- Desculpa querida, mas é que precisava de conversar com o doutor! - tentei justificar o meu atraso.
- E do que estiveram a conversar, durante tanto tempo? - questionou enquanto caminhávamos para o estacionamento do hospital.
- Nada demais! - disse por fim.
Não era certo mentir, mas por outro lado também não era certo falar algo que não era concreto, segundo as palavras do médico. Ainda mais ela já estava um pouco stressada, não queria criar pânico maior a sua situação momentânea.
- Como pode ser algo que não é nada demais, se demoras-te uma eternidade? - parou junto a porta do carro. - Jasper! - chamou meu nome, não tive como não olhar. - Tu sabes de alguma coisa que eu não sei? Sabes que estou doente, mas não queres contar... - tentou dar a volta, mas não deixei levar a sua avante.
Abri a porta do carro, para que ela pudesse entrar, fechei, quando ela já estava na sua perfeita comodidade. Entrei no meu lado de condutor.
Durante todo o caminho, ela carregou várias vezes na mesma tecla, e por várias vezes eu tentei fugir, mas era difícil ficar indiferente ao seu olhar doce e que no fundo, ai não resistia.
Chegamos em casa, e a sua postura, mudou radicalmente, virou costas e entrou dentro de casa chateadissima. As vezes dava por mim a pensar, em que ponto da vida eu havia errado mais.. só que.. mais valia ficar quieto e não pensar.
Ao sair do carro, deixa-lo trancado o meu telemóvel no bolso começou a tocar estridente. Vi-me um pouco atrapalhado a procura dele nos bolsos, tanto das Jeans, como do casaco, e no meio de tanto palpão, o encontrei. Atendi, quando vi de quem se tratava.
- Alo Peter!
Alice Original
Jasper devia estar a pensar que eu era alguma idiota como tanta por ai que não percebem o que na verdade esta acontecer neste mundo, mas não, eu cá, estava de olhos bem abertos.
Estava mais que evidente que, tanto ele, como esse médico, desconfiavam de alguma coisa, cujo não queriam contar, mas que descaramento. "Afinal quem é o doente, aqui? Eu, ou ele?" questionei a mim mesma. A verdade é que eu estava a dar em doida.
Entrei no closet, procurando trocar de roupa, e assim tirar esta, que estava com um cheiro tão de hospital, horrível. Sentada no banco de frente para o espelho e já escova-lo depois de tomar um breve duche, o meu telemóvel começou a tocar.
Inicialmente fiquei ate com medo de deitar um simples olhar, porque não se sabia se não seria a maluca da Maria atormentando a minha mente e em consequência disso, retomar suas ameaças.
Era fraca no que dizia respeito a resistir, a verdade é que não lutar contra o fogo, não era solução, e nessa mesma medida estava entre a espada e a parede. Finalmente foquei o meu olhar no visor do telemóvel, onde piscava abusivamente o nome "Maria Whitlock", levei as mãos a cabeça. "Estou perdida!" pensei comigo mesma.
Agora que sabia quem era, e que o facto de não atender a sua chamada podia muito bem deitar tudo a perder, acabei primando no botão verde para atender.
- Alo? - fiz-me de quase desentendida de quanto a quem estava do outro lado da linha.
- Alice! - proferiu o meu nome em tom de ironia. - Demoras-te muito para atender a minha chamada... - dei um leve bufar inaudível.
- O que queres? Podes ser breve? - tentei acelerar a conversa.
- Já tens o que pedi?
Não podia estar acontecer isto, ela só estava a ligar para mim por conta de saber se eu ja tinha o que ela queria. Que lata esta mulher tinha. Por outro lado, eu sabia que tinha um prazo a cumprir com ela, caso contrário, a minha vida ia para o espaço, assim como no sonho, só que de um modo diferente, com mais detalhes.
- Olha Maria... não esta fácil conseguir todo aquele dinheiro.. - mordi o lábio.
- Estas de brincadeira comigo! - gritou, tive de afastar o telemóvel um pouco do ouvido. - Eu disse que tinhas um prazo, caso contrário... - cortei.
- Contavas ao Jasper.. eu já sei isso tudo, não precisas de repetir. - terminei sua frase.
Precisava de respirar fundo não sei quantas vezes para controlar a raiva que tinha desta mulher, que desde que havia colocado os pés na minha vida não parava de chantagear. "Eu mereço um pouco de paz, só acho" pensei, olhando na frente do espelho.
- Vejo que estas muito bem esclarecida quanto a isso, por isso não me desiludas, ou terás as consequências dos teus actos bem a vista de todos. - riu-se. - Já imaginas-te o quanto as pessoas vão adiar-te? Achar-te uma louca... - cortei.
- CHEGA! - gritei. - Ligo para ti assim que tiver novidades, por favor não voltes a incomodar-me.. - fui rispida, mesmo não sabendo como, pois nunca na vida tinha conseguido altiva a minha voz a uma pessoa tão... tão.. como a Maria, sem escrúpulos.
- Ok, vê se não demoras... - suspirei. - Sabes tão bem quanto eu que, tempo é dinheiro. - ditas essas palavras desligou a ligação na minha cara.
Lancei a porcaria do telemóvel para um canto do closet, não tendo a preocupação de ele ficar ou não danificado.
Neste momento o problema continuava no ar, chantagem vs verdade. "Eu tenho de fazer alguma coisa, ela esta acabar comigo" pensei.
Depois de uns minutos a pensar sozinha, ponderei falar com Kim, como sendo minha amiga, ela ia encontrar uma forma clara de falar com Jasper, sem ter que ceder a jogos.
Percorri o corredor, após sair do quarto. Lembrei logo que ela podia muito bem estar no quarto do pequeno Simão, que com tudo isto, ate esquecia da sua existência, que se não fosse ele, nada do que estava vivendo agora seria possível.
Bati a porta do quarto, abri um pouco a mesma, e encontrei ela sentada ao lado dele a contar uma história para dormir, talvez.. Entrei não fazendo muito barulho, porque eles estavam de tal modo tão penetrados no narrar das partes mais importantes do conto, que permaneci de pé, de braços cruzados, esperando por assim dizer o dito final.
Assim que a história terminou, Kim fechou o livro, e deu o beijo na testa dele. Sorri, era um gesto muito carinhoso, e que muito lembrava a minha infância de quando a minha mãe entrava no meu quarto, para contar histórias e dar aqueles beijos triunfantes e boas noites.
- Desculpa não sabias que estavas ai! - falou ela ao olhar para mim com cara de espanto.
- Não queria interromper vocês, estavam tão entretidos... - deitei um olhada no Simão que já estava com os olhinhos fechados.
- Já dorme! - disse ela, enquanto pousava o livro na estante. - Precisas de alguma coisa? - questionou olhando para mim com preocupação.
- Sim.. mas não posso falar aqui. - respondi.
Saímos do quarto com bastante cuidado para não acordar ele, que finalmente havia adormecido. Percorri o corredor uma vez mais, só que desta vez na companhia de Kim, e voltei a entrar no meu quarto, que a data era o único sitio da casa, onde ainda era seguro conversar.
- Alice estas a deixar-me preocupada, o que se passa?
Sentei na borda da cama, Kim seguiu nesse gesto. Procurei mentalmente uma forma coerente de dizer o que na verdade estava acontecer. Era difícil para mim abrir o meu coração, e de lá soltar toda a minha indignação. Só que se não o fizesse, sufocaria mais com os meus medos, e isso seria devastador para mim.
- Lembras-te da Maria Whitlock?
Eu sabia que não era uma forma muito educada, responder a uma pergunta com outra pergunta, só que era necessário fazer isso para poder começar a contar o que estava preso dentro de mim, soltar este medo.
- Sim, lembro vagamente, mas o que tem isso? - deu de ombros.
- A Maria anda ameaçar-me! - levantou-se ao saber isso. - Calma Kim... - coloquei a minha mão no seu ombro para que senta-se uma vez mais.
Ela cedeu, foi sentando e cruzou os braços esperando um esclarecimento mais acertado.
- A Maria sabe que o Simão não é meu filho, sabe que eu tive aquele... percalço na vida e que ... - cocei a cabeça.
- Não precisas de dizer mais nada.. - descruzou os braços, pegou nas minhas mãos. - Ela quer dinheiro é isso? - fiquei espantada com a sua forma clara e acertada de ver os factos.
- Como sabes? - questionei.
- Tem tudo haver com ela, fazer esse tipo de coisas... lembras de como ela facilmente extorquiu dinheiro a banqueiro, só para manter no silencio há conta da traição que o homem havia feito sob a esposa? - acenei que sim. - Pois, bem agora ela esta a tentar ganhar dinheiro a tua conta.
- O que eu faço agora Kim.. - implorei quase por ajuda. - Estou desesperada... ela quer 50 mil euros para ficar em silencio, só que não tenho esse dinheiro... - limpei uma lágrima que escorria do meu rosto. - Preciso de contar tudo ao Jasper, antes mesmo que ela o faça.
- Ela é completamente louca... - Kim estava tanto ou quanto como eu indignada. - Precisamos de pensar num plano, num bom plano. - passo a sua mão na maça do meu rosto.

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