Capitulo 36 - Alice és mesmo tu?!
David
Logo após a minha sensata descoberta, assim como reformulação novas ideias, tinha a certeza de meu tamanho ódio, eu já não conseguia mais estar aqui. Quanto mais pensava, mais aquelas imagens vinham a minha cabeça, atormentavam todo o meu ser.
Eu amava tanto ela, e agora olhando bem para aquilo que eu acabava de sentir, só me sentia cada vez mais fraco, e sem chão. Eu não merecia ter sido enganado deste modo, alias nenhum ser humano merece, não?
Como iam ser meus dias? Como podia eu voltar a encarar as rosas que cobriam todo o meu reino? Não, eu não podia desistir, não mesmo... não era por causa dela que eu ia mudar toda a minha vida, embora parte dela fosse em torno de uma realidade que no fim de contas nunca existiu.
Porem eu ja vivia sem ela aparecer, por isso iria voltar a essa velha rotina, sem aquela esperança inicial de querer que os dias dessem um brilho novo a cada compasso de melodia que saia pelas restas da janela. Eu era capaz, forte, e não ia deixar que isso me destruí-se.
Peguei nas minhas coisas, quando vi que não estava na mínima condição de poder ser útil a mais um dia de trabalho. Obviamente que Luisy, prestável como era, deu bem conta do que eu não estava bem. Não queria preocupar ninguém com os meus problemas, que no fim de tudo, nem realidade eram.
Na verdade sentia que apenas agora acordava de um sonho eterno. Jamais um jardineiro pobre como eu ia ter tamanha sorte. Claro todas essas pessoas tinham uma verdadeira razão quando diziam que " se pobre és, assim morrerás.. " pensei comigo mesmo ao pegar por fim na minha jaqueta, e caminhado para fora dos portões que cobriam o inicio do fim de um conto.
Quando cheguei em casa, a minha primeira ideia foi logo de refugiar-me no quarto. Queria ficar sozinho, sem ninguém por perto para iniciar suas questões, que a meu ver não teriam respostas. Porque se eles queriam saber, então eu teria de saber, e neste caso, eu não me sentia com grande sabedoria.
Deitei-me sobre a cama, encarei o tecto que sendo grande e branco, conseguia ver um fundo escuro... talvez um fim, que na verdade ja havia acontecido, mas que ainda assim estava muito presente.
Levantei, arranquei a porcaria do retrato que havia feito dela em algum dia. Rasguei-o em mil pedaços, e os joguei no lixo. Era assim que ela estava representada para mim, um pedaço de nada.
Sentei-me na barra da cama, so tinha vontade de gritar, de agredir-me continuamente. Estava revoltado, e essa revolta não tinha nem forma, nem maneira de ser alterada. Só conseguia dizer a mim mesmo que era um perfeito idiota.
Alice Original
Decidi comigo mesma que quanto mais ficasse presa aqui, e continua-se a pensar em uma questão de morte, eu ia me sentir pior ainda. Não me via capaz de alcançar algo que era meu, era nosso, so para calar um alguém que não tinha escrúpulos.
Talvez agora que a minha amiga sabia de tudo, ela pudesse me ajudar, e claro que ela ia ajudar, afinal sempre havíamos estado unidas, mesmo nas piores alturas.
Abri a porta do quarto para sair ate a traseira do jardim, queria tomar um ar. Uma vez sentada na cadeira de baloiço, não dei pela presença de Jasper ao meu lado, de olhar fixo em meu rosto. Olhei para ele quase surpresa, obviamente sorri. Adorava quando ele fazia uma boa aparição.
- Como te sentes hoje? - questionou, pegando na minha mão.
- Estou bem.. - sussurrei, olhando em seus dedos. - Só quero que saibas que independentemente do que aconteça eu amo-te! - abracei ele bem forte, fiz força para conter as minhas lágrimas que eternamente gritavam para sair.
- Alice! - tentou afastar um pouco para encarar o meu rosto. - Ei eu também te amo, e nunca vai acontecer nada com a gente. - beijou na minha face, voltei abraça-lo.
Estava muito sensível, cada minuto parecia um passo para a forca. Eu não podia simplesmente desvalorizar o que na realidade podia acontecer, ou então eu teria de prepara-lo, para que um dia ao odiar-me saber que eu sempre o havia amado. E que independentemente de todos os erros, eles sempre haviam sido por si.
- Que ideias são essas que estão a passar na tua cabeça, meu amor? - tentei parecer o mais descontraída possível, o mais solta.
- Não é nada, sou eu que as vezes fico para aqui pensando em tanta coisa.. - cortou.
- Não precisas de ficar assim, eu estou aqui sempre para proteger a minha mulher. - sorri. - Há antes que me esqueça, o Peter e a Charlotte estão por cá e como eles não sabem que tu na verdade estas viva, marquei um jantar, ao qual irei a fazer a surpresa.
Lembrei deles com carinho, principalmente da Charlotte porque mesmo sendo as vezes diferentes em nossas ideias, éramos muito iguais em outras questões. Seria bom revê-los, sentir um abraço, uma palavra amiga.
Meu Deus como eu não conseguia parar de pensar no facto de sentir aquele olhar pesar em mim na hora em que por circunstancias devastadoras, eu havia morrido para o mundo.
Bem eu não podia simplesmente pensar sempre no passado, porque apesar de tudo não podia ser mudado. Agora sim eu teria todo o gosto em remediar o presente, ou o futuro. Agora era a hora de eu mudar isso, começando com um simples gesto de aparecer.
Ja havia sido tão bom ver a minha mãe, o Edward, as minhas sobrinhas, a minha irmã, enfim parte da minha família. Por isso agora eu ia tomar o cuidado de juntar o útil ao agradável. E este jantar hoje seria perfeito.
- Será muito bom voltar a vê-los depois de tanto tempo. - levantei dando um passo a frente, logo ele me acompanhou.
- Quero que fiques linda para esta noite, e ate sei que vestido vais usar. - olhei ele curiosa.
O meu marido sabia muito bem como surpreender sua mulher, e neste caso, conhecia tão bem os meus gostos.
- Encomendas-te um vestido foi? - questionei.
- Surpresa! - mordi meu lábio inferior feliz.
Apesar de todo o problema que a minha cabeça carregava, nesta hora sentia-me muito leve. Talvez fosse o facto de ter recebido tal noticia que me deixava em puro êxtase. Mal podia esperar para contar a Kim, ela ia ficar tão feliz.
Lucy
Depois de algum tem a trabalhar em mais perguntas para abordar minha inicial suspeita, parei um pouco para relaxar. É claro que não havia propriamente muito tempo para desperdiçar, dado que a qualquer instante tudo podia mudar num simples piscar de olhos.
Ainda assim não sabia ate ponto que a nossa suspeita podia ficar quieta. Afinal todo o suspeito, quando culpado ou com um rabo preso, tenta de algum modo fugir a regra. E na verdade essa Alice, com o aspecto requintado que tinha, não ia ser diferente de muitos criminosos.
Pousei a caneta no cimo da mesa, rodei a cadeira para ficar de frente para a janela.
- Se realmente és culpada, então estas a disfarçar muito bem! - monologuei. - Como pode alguém ser tão frio.
Rodei uma vez mais a cadeira e parei de frente para a mesa onde decidi que ia levantar e sair.
Ao trespassar pelo corredor do departamento, dei um "Tchau" aos meus colegas, qual muitos ficaram com que surpreendidos por verem que aqui a senhorita Lucy estava de saída quando afinal de contas o sol ainda estava no alto. Entrei no elevador, para descer ate a saída. Eis que ao colocar um pé para fora do elevador, quem apanho justamente na minha frente? Nettie.
- Ja vais? - questionou ao colocar o cigarro no cinzeiro.
- Preciso de resolver umas questões por ai.. - respondi.
- Algum problema com o Demi?
- Não, esta tudo bem ate a data, eu acho! - dei de ombros, sorrindo. - Bom eu tenho mesmo de ir, ate amanha. - virei costas, ate lembrar de algo. - Há.. - ela olhou para mim antes de entrar no elevador. - Se houver mais algum novo detalhe, liga. - ela olhou confusa. - Não importa a hora que seja, estas a vontade. - ri.
- Ok, amiga!
A porta do elevador acabou por fechar e eu retomei meu caminho ate ao carro. Uma vez dentro deste, fiquei 2 minutos a pensar, o que na verdade não era nada quando num dia inteiro ja o fazia valer por horas.
- Então, Lucy vamos lá ver se isto se encaixa! - falei comigo mesma ao pegar no bloco.
Analisei cada alinea, cada forma prática de perguntar uma única coisa, "És culpada?".
- Talvez esteja a ser muito exagerada, e precise mesmo de descansar.. - voltei a falar comigo, olhando agora o espelho retrovisor, para ajeitar uma mexa de cabelo, que irritantemente estava a querer cair nos meus olhos.
Pousei as mãos no volante, dei a ignição e apenas segui ate casa. De facto a vida de uma pessoa como eu também merecia de ser valorizada de outro modo que não apenas de trabalho.
As vezes pensava que havia quase perdido o meu namorado por conta disso, so me arrepiava ao lembrar. E pensando bem, eu tinha de mudar um pouco, porque não queria ficar sozinha.
Parei o carro na estância do parque do estacionamento. Sai e apenas segui ate a porta onde de ali para dentro, nada mais significava trabalho. Sorri comigo mesma por uma vez na vida estar a ser capaz de o fazer, agora só bastava saber ate que ponto conseguia aguentar.
Kim
Simão ja havia tomado o ultimo medicamento, neste momento ja estava pronto a dormir mais alguns breves minutos. Faltava pouco para o inicio de um novo ciclo e agressivo de quimio.
Sentia-me triste por ver que sozinha não era capaz de conseguir aquilo que esta família estava a proporcionar. Por outro lado, ele era apenas uma criança a querer brincar e correr por essa casa fora, de sentir um ser forte e sem auto ajuda.
Ainda assim isso podia acontecer o mais rápido possível, o Jasper estava a fazer todo o possível para isso. E que partido ele era, não? Claro que toda a sua ajuda, de algum modo estava apenas ser sensata.
Em breve uma mentira levaria a verdade. Alice estaria fora do meu caminho, em algum hospício, algures e odiada pelo marido. E eu aqui, linda e exuberante e muito, mas muito rica. Só de pensar que um dia podia ficar com o império cullen, seria perfeito.
Batem a porta, dou um salto da cadeira assustada, porque de algum modo me arcaram de uma atenção interna. Dou uma olhada, levanto, pensando desde logo na presença da chata governanta. Abro e encontro Alice.
- Alice! Entra... - abri mais um pouco a porta para ceder passagem.
- Não, ele esta a dormir.. -sussurrou bem baixo, olhei para a cama, e acenei para que saíssemos.
Então fechei a porta atrás de mim e fomos para o seu quarto que ate a data era para ja seu, mas que um dia seria meu.
- Preciso de contar-te uma coisa! - disse ela ao sentar na barra da cama.
Sentei ao seu lado, esperando saber.
- O que se passa? Não me digas que a imprestável da Maria voltou a chamar a tua atenção. - cogitei.
- Não, nada disso, ainda bem! - dei de ombros. - Vou jantar com os meus cunhados esta noite! - ergui a sobrancelha. - Com o Peter e a Charlotte.
- Hum, que bom.. Então precisas de ajuda para escolher teu vestido. - sorri toda animada.
- Na verdade o Jasper antecipou-se! Ele parece que encomendou um vestido bem bonito para mim, nao achas um máximo? - empolgou-se.
"Mas que máximo!" pensei comigo. "Eu é que devia estar no seu lugar, a usar um vestido requintado e uma boa companhia como eu não podia ser recusada." voltei a pensar.
- Kim? Alo? Terra chama Kim!
- Desculpa Alice, ando muito preocupada com o estado do Simão! - desculpei-me.
- Oh amiga, eu aqui toda babada com o facto de estar a sair para jantar, quando na verdade o teu filho esta doente e a precisar de atenção.
- Oh não vais destruir a tua noite por causa disso! Vais divertir-te como se fosse a ultima vez! - sorri, o que na verdade minhas palavras eram um breve realidade.
- Esta bem!
David
Maldita noite, maldita vida.. porque simplesmente havias pregado essa partida para mim. Levantei da cama depois de algumas horas esquecidas olhar o tecto sem fim. Eu queria tanto que houve um botão na minha vida onde simplesmente pudesse primir e apagar meu sofrimento.
O problema é que tal não existia, e na medida do possível nada podia ser mudado. Era um falhado. Toda a minha vida havia sido, porque agora isso mudaria, ne?
Kim tinha razão, apesar de tudo ela foi a única que ajudou de verdade a encontrar o verdadeiro segredo.
- David, querido não vens comer nada?! - abriu um pouco a porta a minha tia ao perguntar.
- Não tenho fome tia! - disse ao levantar um pouco. - Eu se por algum momento sentir fome, vou na cozinha, não se preocupe. - ela acenou que sim, fechando de volta.
Encostei-me na barra da cama e fiquei a encarar a minha própria face, reflectida no espelho. O meu estado de espírito estava como o meu rosto, triste e abatido. "O que vai ser da minha vida.." pensei ao olhar nos meus olhos carregados de culpa, de dor.
Jasper
Esperava ansioso pela chegada de minha Alice no alto da escada para poder tomar sua mão na minha e assim irmos jantar. Encontrar Peter depois de tanto tempo era muito bom, Charlotte também. Alice ia delirar com toda a certeza, ela ja o fazia em outras ocasiões.
Minutos depois lá estava ela linda e estonteante ao descer das escadas com classe e sublimeza. Tomei a liberdade de beijar sua mão ao receber.
- Estas lindíssima meu amor! - ela corou quando teci meu elogio a sua beleza.
- Esses são os teus lindos olhos que descrevem minha realidade. - respondeu ela com classe. Classe essa que lembrava de ouvir em uma primeira vez.
Abri a porta, nunca largando minha mão da dela, e a deixei passar na minha frente tal como um belo cavalheiro deixa passar sua dama. Por acaso nisto eu era requintado e alguma coisa eu havia retido dos conhecimentos solenes da minha falecida mãe, mesmo que tal ja tivesse sido adquirido a muitos anos. Porem os bons costumes são como andar de bicicleta, nunca se esquecem.
- Houve uma mudança de planos meu amor! - ela olhou para mim preocupada ao entrar ja na porta do carro, sentando assim no banco do pendura.
- Não me digas que eles desistiram do jantar.. - cogitou.
- Não, apenas mudou o espaço. Optamos por ir num restaurante, é mais sensato e mais adequada a indumentária. - olhou para o seu vestido, depois para o meu fraque.
- É talvez tenhas razão. - riu.
Dei a volta ao carro quando ela ja estava inteiramente instalada e sentei, dando a ignição imediata. O espaço que havíamos escolhido era consideravelmente perto e não teria grandes problemas em alcança-lo.
Quando chegamos, ajudei ela a sair, e de mão dada entramos para arrasar. Peter lá na mesa ja nos esperava ansioso e vi em seus olhos espanto quando percebi por minutos que a presença de Alice era uma total surpresa para eles.
- Alice, és mesmo tu?! - perguntou Charlotte ao levantar da cadeira para cumprimentar-nos.
- Em carne e osso! - ela fez piada.
Ajudei ela a sentar, e logo de seguida sentei ao seu lado.
- A verdade é que não contei nada mais cedo ao Peter, porque como vêem não é algo simples de informar pelo telefone. - expliquei.
- De facto tens razão! Mas sempre é uma surpresa... - ri-mos todos juntos.
Brindamos a volta da minha bela esposa, e conversamos muito, e aproveitamos a maravilhosa noite que estava se a compor.
David
Logo após a minha sensata descoberta, assim como reformulação novas ideias, tinha a certeza de meu tamanho ódio, eu já não conseguia mais estar aqui. Quanto mais pensava, mais aquelas imagens vinham a minha cabeça, atormentavam todo o meu ser.
Eu amava tanto ela, e agora olhando bem para aquilo que eu acabava de sentir, só me sentia cada vez mais fraco, e sem chão. Eu não merecia ter sido enganado deste modo, alias nenhum ser humano merece, não?
Como iam ser meus dias? Como podia eu voltar a encarar as rosas que cobriam todo o meu reino? Não, eu não podia desistir, não mesmo... não era por causa dela que eu ia mudar toda a minha vida, embora parte dela fosse em torno de uma realidade que no fim de contas nunca existiu.
Porem eu ja vivia sem ela aparecer, por isso iria voltar a essa velha rotina, sem aquela esperança inicial de querer que os dias dessem um brilho novo a cada compasso de melodia que saia pelas restas da janela. Eu era capaz, forte, e não ia deixar que isso me destruí-se.
Peguei nas minhas coisas, quando vi que não estava na mínima condição de poder ser útil a mais um dia de trabalho. Obviamente que Luisy, prestável como era, deu bem conta do que eu não estava bem. Não queria preocupar ninguém com os meus problemas, que no fim de tudo, nem realidade eram.
Na verdade sentia que apenas agora acordava de um sonho eterno. Jamais um jardineiro pobre como eu ia ter tamanha sorte. Claro todas essas pessoas tinham uma verdadeira razão quando diziam que " se pobre és, assim morrerás.. " pensei comigo mesmo ao pegar por fim na minha jaqueta, e caminhado para fora dos portões que cobriam o inicio do fim de um conto.
Quando cheguei em casa, a minha primeira ideia foi logo de refugiar-me no quarto. Queria ficar sozinho, sem ninguém por perto para iniciar suas questões, que a meu ver não teriam respostas. Porque se eles queriam saber, então eu teria de saber, e neste caso, eu não me sentia com grande sabedoria.
Deitei-me sobre a cama, encarei o tecto que sendo grande e branco, conseguia ver um fundo escuro... talvez um fim, que na verdade ja havia acontecido, mas que ainda assim estava muito presente.
Levantei, arranquei a porcaria do retrato que havia feito dela em algum dia. Rasguei-o em mil pedaços, e os joguei no lixo. Era assim que ela estava representada para mim, um pedaço de nada.
Sentei-me na barra da cama, so tinha vontade de gritar, de agredir-me continuamente. Estava revoltado, e essa revolta não tinha nem forma, nem maneira de ser alterada. Só conseguia dizer a mim mesmo que era um perfeito idiota.
Alice Original
Decidi comigo mesma que quanto mais ficasse presa aqui, e continua-se a pensar em uma questão de morte, eu ia me sentir pior ainda. Não me via capaz de alcançar algo que era meu, era nosso, so para calar um alguém que não tinha escrúpulos.
Talvez agora que a minha amiga sabia de tudo, ela pudesse me ajudar, e claro que ela ia ajudar, afinal sempre havíamos estado unidas, mesmo nas piores alturas.
Abri a porta do quarto para sair ate a traseira do jardim, queria tomar um ar. Uma vez sentada na cadeira de baloiço, não dei pela presença de Jasper ao meu lado, de olhar fixo em meu rosto. Olhei para ele quase surpresa, obviamente sorri. Adorava quando ele fazia uma boa aparição.
- Como te sentes hoje? - questionou, pegando na minha mão.
- Estou bem.. - sussurrei, olhando em seus dedos. - Só quero que saibas que independentemente do que aconteça eu amo-te! - abracei ele bem forte, fiz força para conter as minhas lágrimas que eternamente gritavam para sair.
- Alice! - tentou afastar um pouco para encarar o meu rosto. - Ei eu também te amo, e nunca vai acontecer nada com a gente. - beijou na minha face, voltei abraça-lo.
Estava muito sensível, cada minuto parecia um passo para a forca. Eu não podia simplesmente desvalorizar o que na realidade podia acontecer, ou então eu teria de prepara-lo, para que um dia ao odiar-me saber que eu sempre o havia amado. E que independentemente de todos os erros, eles sempre haviam sido por si.
- Que ideias são essas que estão a passar na tua cabeça, meu amor? - tentei parecer o mais descontraída possível, o mais solta.
- Não é nada, sou eu que as vezes fico para aqui pensando em tanta coisa.. - cortou.
- Não precisas de ficar assim, eu estou aqui sempre para proteger a minha mulher. - sorri. - Há antes que me esqueça, o Peter e a Charlotte estão por cá e como eles não sabem que tu na verdade estas viva, marquei um jantar, ao qual irei a fazer a surpresa.
Lembrei deles com carinho, principalmente da Charlotte porque mesmo sendo as vezes diferentes em nossas ideias, éramos muito iguais em outras questões. Seria bom revê-los, sentir um abraço, uma palavra amiga.
Meu Deus como eu não conseguia parar de pensar no facto de sentir aquele olhar pesar em mim na hora em que por circunstancias devastadoras, eu havia morrido para o mundo.
Bem eu não podia simplesmente pensar sempre no passado, porque apesar de tudo não podia ser mudado. Agora sim eu teria todo o gosto em remediar o presente, ou o futuro. Agora era a hora de eu mudar isso, começando com um simples gesto de aparecer.
Ja havia sido tão bom ver a minha mãe, o Edward, as minhas sobrinhas, a minha irmã, enfim parte da minha família. Por isso agora eu ia tomar o cuidado de juntar o útil ao agradável. E este jantar hoje seria perfeito.
- Será muito bom voltar a vê-los depois de tanto tempo. - levantei dando um passo a frente, logo ele me acompanhou.
- Quero que fiques linda para esta noite, e ate sei que vestido vais usar. - olhei ele curiosa.
O meu marido sabia muito bem como surpreender sua mulher, e neste caso, conhecia tão bem os meus gostos.
- Encomendas-te um vestido foi? - questionei.
- Surpresa! - mordi meu lábio inferior feliz.
Apesar de todo o problema que a minha cabeça carregava, nesta hora sentia-me muito leve. Talvez fosse o facto de ter recebido tal noticia que me deixava em puro êxtase. Mal podia esperar para contar a Kim, ela ia ficar tão feliz.
Lucy
Depois de algum tem a trabalhar em mais perguntas para abordar minha inicial suspeita, parei um pouco para relaxar. É claro que não havia propriamente muito tempo para desperdiçar, dado que a qualquer instante tudo podia mudar num simples piscar de olhos.
Ainda assim não sabia ate ponto que a nossa suspeita podia ficar quieta. Afinal todo o suspeito, quando culpado ou com um rabo preso, tenta de algum modo fugir a regra. E na verdade essa Alice, com o aspecto requintado que tinha, não ia ser diferente de muitos criminosos.
Pousei a caneta no cimo da mesa, rodei a cadeira para ficar de frente para a janela.
- Se realmente és culpada, então estas a disfarçar muito bem! - monologuei. - Como pode alguém ser tão frio.
Rodei uma vez mais a cadeira e parei de frente para a mesa onde decidi que ia levantar e sair.
Ao trespassar pelo corredor do departamento, dei um "Tchau" aos meus colegas, qual muitos ficaram com que surpreendidos por verem que aqui a senhorita Lucy estava de saída quando afinal de contas o sol ainda estava no alto. Entrei no elevador, para descer ate a saída. Eis que ao colocar um pé para fora do elevador, quem apanho justamente na minha frente? Nettie.
- Ja vais? - questionou ao colocar o cigarro no cinzeiro.
- Preciso de resolver umas questões por ai.. - respondi.
- Algum problema com o Demi?
- Não, esta tudo bem ate a data, eu acho! - dei de ombros, sorrindo. - Bom eu tenho mesmo de ir, ate amanha. - virei costas, ate lembrar de algo. - Há.. - ela olhou para mim antes de entrar no elevador. - Se houver mais algum novo detalhe, liga. - ela olhou confusa. - Não importa a hora que seja, estas a vontade. - ri.
- Ok, amiga!
A porta do elevador acabou por fechar e eu retomei meu caminho ate ao carro. Uma vez dentro deste, fiquei 2 minutos a pensar, o que na verdade não era nada quando num dia inteiro ja o fazia valer por horas.
- Então, Lucy vamos lá ver se isto se encaixa! - falei comigo mesma ao pegar no bloco.
Analisei cada alinea, cada forma prática de perguntar uma única coisa, "És culpada?".
- Talvez esteja a ser muito exagerada, e precise mesmo de descansar.. - voltei a falar comigo, olhando agora o espelho retrovisor, para ajeitar uma mexa de cabelo, que irritantemente estava a querer cair nos meus olhos.
Pousei as mãos no volante, dei a ignição e apenas segui ate casa. De facto a vida de uma pessoa como eu também merecia de ser valorizada de outro modo que não apenas de trabalho.
As vezes pensava que havia quase perdido o meu namorado por conta disso, so me arrepiava ao lembrar. E pensando bem, eu tinha de mudar um pouco, porque não queria ficar sozinha.
Parei o carro na estância do parque do estacionamento. Sai e apenas segui ate a porta onde de ali para dentro, nada mais significava trabalho. Sorri comigo mesma por uma vez na vida estar a ser capaz de o fazer, agora só bastava saber ate que ponto conseguia aguentar.
Kim
Simão ja havia tomado o ultimo medicamento, neste momento ja estava pronto a dormir mais alguns breves minutos. Faltava pouco para o inicio de um novo ciclo e agressivo de quimio.
Sentia-me triste por ver que sozinha não era capaz de conseguir aquilo que esta família estava a proporcionar. Por outro lado, ele era apenas uma criança a querer brincar e correr por essa casa fora, de sentir um ser forte e sem auto ajuda.
Ainda assim isso podia acontecer o mais rápido possível, o Jasper estava a fazer todo o possível para isso. E que partido ele era, não? Claro que toda a sua ajuda, de algum modo estava apenas ser sensata.
Em breve uma mentira levaria a verdade. Alice estaria fora do meu caminho, em algum hospício, algures e odiada pelo marido. E eu aqui, linda e exuberante e muito, mas muito rica. Só de pensar que um dia podia ficar com o império cullen, seria perfeito.
Batem a porta, dou um salto da cadeira assustada, porque de algum modo me arcaram de uma atenção interna. Dou uma olhada, levanto, pensando desde logo na presença da chata governanta. Abro e encontro Alice.
- Alice! Entra... - abri mais um pouco a porta para ceder passagem.
- Não, ele esta a dormir.. -sussurrou bem baixo, olhei para a cama, e acenei para que saíssemos.
Então fechei a porta atrás de mim e fomos para o seu quarto que ate a data era para ja seu, mas que um dia seria meu.
- Preciso de contar-te uma coisa! - disse ela ao sentar na barra da cama.
Sentei ao seu lado, esperando saber.
- O que se passa? Não me digas que a imprestável da Maria voltou a chamar a tua atenção. - cogitei.
- Não, nada disso, ainda bem! - dei de ombros. - Vou jantar com os meus cunhados esta noite! - ergui a sobrancelha. - Com o Peter e a Charlotte.
- Hum, que bom.. Então precisas de ajuda para escolher teu vestido. - sorri toda animada.
- Na verdade o Jasper antecipou-se! Ele parece que encomendou um vestido bem bonito para mim, nao achas um máximo? - empolgou-se.
"Mas que máximo!" pensei comigo. "Eu é que devia estar no seu lugar, a usar um vestido requintado e uma boa companhia como eu não podia ser recusada." voltei a pensar.
- Kim? Alo? Terra chama Kim!
- Desculpa Alice, ando muito preocupada com o estado do Simão! - desculpei-me.
- Oh amiga, eu aqui toda babada com o facto de estar a sair para jantar, quando na verdade o teu filho esta doente e a precisar de atenção.
- Oh não vais destruir a tua noite por causa disso! Vais divertir-te como se fosse a ultima vez! - sorri, o que na verdade minhas palavras eram um breve realidade.
- Esta bem!
David
Maldita noite, maldita vida.. porque simplesmente havias pregado essa partida para mim. Levantei da cama depois de algumas horas esquecidas olhar o tecto sem fim. Eu queria tanto que houve um botão na minha vida onde simplesmente pudesse primir e apagar meu sofrimento.
O problema é que tal não existia, e na medida do possível nada podia ser mudado. Era um falhado. Toda a minha vida havia sido, porque agora isso mudaria, ne?
Kim tinha razão, apesar de tudo ela foi a única que ajudou de verdade a encontrar o verdadeiro segredo.
- David, querido não vens comer nada?! - abriu um pouco a porta a minha tia ao perguntar.
- Não tenho fome tia! - disse ao levantar um pouco. - Eu se por algum momento sentir fome, vou na cozinha, não se preocupe. - ela acenou que sim, fechando de volta.
Encostei-me na barra da cama e fiquei a encarar a minha própria face, reflectida no espelho. O meu estado de espírito estava como o meu rosto, triste e abatido. "O que vai ser da minha vida.." pensei ao olhar nos meus olhos carregados de culpa, de dor.
Jasper
Esperava ansioso pela chegada de minha Alice no alto da escada para poder tomar sua mão na minha e assim irmos jantar. Encontrar Peter depois de tanto tempo era muito bom, Charlotte também. Alice ia delirar com toda a certeza, ela ja o fazia em outras ocasiões.
Minutos depois lá estava ela linda e estonteante ao descer das escadas com classe e sublimeza. Tomei a liberdade de beijar sua mão ao receber.
- Estas lindíssima meu amor! - ela corou quando teci meu elogio a sua beleza.
- Esses são os teus lindos olhos que descrevem minha realidade. - respondeu ela com classe. Classe essa que lembrava de ouvir em uma primeira vez.
Abri a porta, nunca largando minha mão da dela, e a deixei passar na minha frente tal como um belo cavalheiro deixa passar sua dama. Por acaso nisto eu era requintado e alguma coisa eu havia retido dos conhecimentos solenes da minha falecida mãe, mesmo que tal ja tivesse sido adquirido a muitos anos. Porem os bons costumes são como andar de bicicleta, nunca se esquecem.
- Houve uma mudança de planos meu amor! - ela olhou para mim preocupada ao entrar ja na porta do carro, sentando assim no banco do pendura.
- Não me digas que eles desistiram do jantar.. - cogitou.
- Não, apenas mudou o espaço. Optamos por ir num restaurante, é mais sensato e mais adequada a indumentária. - olhou para o seu vestido, depois para o meu fraque.
- É talvez tenhas razão. - riu.
Dei a volta ao carro quando ela ja estava inteiramente instalada e sentei, dando a ignição imediata. O espaço que havíamos escolhido era consideravelmente perto e não teria grandes problemas em alcança-lo.
Quando chegamos, ajudei ela a sair, e de mão dada entramos para arrasar. Peter lá na mesa ja nos esperava ansioso e vi em seus olhos espanto quando percebi por minutos que a presença de Alice era uma total surpresa para eles.
- Alice, és mesmo tu?! - perguntou Charlotte ao levantar da cadeira para cumprimentar-nos.
- Em carne e osso! - ela fez piada.
Ajudei ela a sentar, e logo de seguida sentei ao seu lado.
- A verdade é que não contei nada mais cedo ao Peter, porque como vêem não é algo simples de informar pelo telefone. - expliquei.
- De facto tens razão! Mas sempre é uma surpresa... - ri-mos todos juntos.
Brindamos a volta da minha bela esposa, e conversamos muito, e aproveitamos a maravilhosa noite que estava se a compor.

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