Capitulo 37 - Adeus Maria
Lucy
Quando abri a porta de casa, soltei um suspiro de alivio, por ver que Demitri ainda não havia chegado, então poderia provar de uma bela surpresa, para poder com o meu charme de uma boa menina surpreender meu namorado.
Pousei as minhas sacolas e a jaqueta mesmo em cima do pequeno sofá de canto, e corri imediatamente ate a cozinha, no intuito de procurar em meus armários se tinha todos os ingredientes necessários para preparar o meu jantar romântico.
Ok, por um lado eu não era dada a essas coisas e quando as fazia era no intuito de me desculpar com algo. Quem não faz isso, não? Só que neste caso, era diferente, e na minha cabeça, e segundo o calendário romântico, as pessoas, não na verdade, os casais não precisavam de datas especiais para jantares românticos, certo? Então hoje ia ser assim, só para começar.
Estava cheia de sorte, tinha tudo o quanto era necessário para a ementa da noite. "Isto são só pontos a valerem por mim" Pensei, batendo palmas animada.
Peguei em uns tachos e pronto fui me enterrando na prazerosa culinária, onde a cortar cebolas, e juntas cheiros e sabores era um misto exótico de sensações.
Alice Original
A conversa no restaurante com os meus queridos cunhados estava muito animada, tanto que uma pessoa ate esquecia a noção do tempo e simples saídas de ir retocar no toalete.
Pedi licença quando percebi que a conversa central, rodava o trabalho profissional do Peter. Levantei com delicadeza sublime e peguei na minha simples e brilhante bolsa. Trilhei caminho ate a secção dos espelhos, pousei as coisas que precisava na banca. Dei uma inicial apreciativa no rosto, antes de qualquer retoque.
Minutos depois entra quem, pelo Toalete a dentro? Charlotte, também ela muito elegante e sensivelmente pronta a retocar. Fico bem ao meu lado, o silencio ao inicio foi deveras constrangedor, dado que de um certo modo parecíamos desconhecidas a olhos alheios, quando na verdade éramos cunhadas e tínhamos uma relação muito saudável. Fui obrigada a interromper do silencio provocador e incidente.
- Então como estas mesmo? - questionei ao acaso, quando peguei da bolsa o blush.
- Esta tudo bem, e não esta... - comentou ela quase em tom de segredo. Olhei obviamente para ela.
- Algum problema? É que estavas tao calada no resto do jantar que.. não me pareces muito animada. - falei aquilo que havia percebido e nisso eu não era má observadora.
- Eu e o Peter andamos muito afastados nos últimos tempos... - parei de olhar no espelho para encarar o seu rosto triste e baixo uma vez mais. - a relação que vocês vêem em nós não passa mais do que já é.. - cruzei os braços. - O Peter e eu andamos com ideias muito contrárias!
- Que ideias?
Eu não tinha o mínimo direito de estar a questionar tanto alguém que em uma questão contrária entraria com muitas perguntas para mim, que no caso não se reflectiam. A verdade é que a Charlotte era muito doce, para ela nada era visto com malícia ou maldade acrescida.
- O Peter anda com vontade de ser pai, e eu percebi isso a uns meses, e na verdade eu não o condeno nesse sentido, acho que ate ja esta na certa hora de tal acontecer. - arquei a sobrancelha. - Só que eu tento, eu juro que tento, mas não estou a conseguir dar aquilo que ele quer.
- Vocês tem tentado, e tu não consegues.. - sussurrei pensativa. - Ja procuras-te ajuda, algum tratamento fertilizante? Dizem por ai que existem muito bons na Europa. - tentei solucionar.
As vezes era tão mais simples ajudar os outros, do que a nós mesmos. Os problemas visto desse modo, tinham uma dimensão tão distorcida da realidade que os nossos olhos viam.
Ainda assim o problema dela era tão semelhante ao meu, tão simples de arcar e com algum pouco de esforço, resolver para bem ficar. Sim porque tudo se conseguia com um pouco de pura magia. E quando se ama, também se respeita.. e se respeita ai acredita-se.
- Não, na verdade eu não sinto capaz de continuar com uma eventualidade dessas.. não quero ver o Peter achar que sou alguma infértil e que ainda por cima não lhe pode dar um filho que tanto quer. - pousei a minha mão no seu ombro, logo após soltar os braços. - O Peter vai acabar por deixar-me! - sussurrou.
- Isso não vai acontecer, porque ele gosta de ti. - levantei o seu rosto agora com a mão livre. - Porque és uma pessoa incrível, e com certeza que conversando e expondo vossos problemas, irão encontrar a solução que precisam.
Ela acabou por soltar um sorriso, o que me deixou mais feliz, e então demos por encerrada esta conversa e tentamos despachar para que os nossos respectivos companheiros não achassem que nos havíamos fugido ou algo assim.
Lucy
O tempo voava e eu só conseguia estar a a olhar o relógio e a preparação e vice versa. Em pouco tempo o Demi entraria por aquela porta e eu ainda nem das panelas e dos tachos havia terminado, e ai a surpresa não teria o seu sabor, não é?
Então não sei como comecei a ganhar adrenalina e comecei acelerar pela cozinha como uma louca a correr atrás de pistas e criminosos. Ok, brincar com os pensamentos em horas profissionais, não dava certo, porque segundo os mandamentos da policia, entre a cozinha e a rua não havia mistura. Ia se lá saber porque, não?
A verdade é que esta coisa de ser rápida ate dava uma leve ajuda, tanto que o meu risoto já estava quase no ponto. E isso explicava que eu estava na hora, e ele não iria estragar a surpresa.
"Boa eu sempre consigo tudo o que quero." pensei comigo, apagando mais um disco e ligando outro para ferver agua.
Uma meia hora depois, estava tudo pronto, mesa completa e requintada de cores e sabores românticos. Ate velinhas tinha na repleta companhia, assim como um belíssimo arranjo de flores, em tom de paixão e quente para aquecer um coração frio de uma jornada cansativa.
Preparei-me em meio tempo, com um vestido simples e cintadinho, e com uns toques dei uns jeitinhos no meu cabelo loiro e cacheado. Sentei no sofá e cruzei as pernas na expectativa de esperar ele entrar e recebe-lo de uma forma que todo o namorado merece.
Maria
Depois de uma sedutora acção acabei por adormecer dentro da banheira, com ele a meu lado. Quando por ventura acordei, reparei que a noite já completava o céu estrelado.
Por outro lado ao invez de sair deixei-me ficar. Era tão delicioso estar dentro de um espaço, que ainda mais quando acompanhada, a vontade, essa de sair era de ficar permanente.
Segundos depois, ele acordou quando eu abracei, olhei em seus olhos, ele sorriu.
- Acordas-te rapazão.. -sussurrei, esticando o braço para pegar uma taça de champanhe.
- Hum, parece que sim.. - pisco o olho para mim, beijou com fervor meus lábios.
Logo a seguir afastou um pouco de mim, levantando-se da banheira e enrolando a sua toalha a volta. Virei minha total atenção a ele.
- Onde vais? - questionei, bebendo um leve trago da taça, pelo qual havia pegado anteriormente.
- Acabar algo que foi proposto! - piscou para mim, e entrou para o quarto.
- Ok! - sussurrei e pousei a taça ja vazia, afundei um pouco na banheira.
Mesmo submersa dentro de agua era fácil olhar o tecto e ver os mínimos detalhes em que estes últimos hoteis se baseavam no seu auto desigh. Voltei a superfície, respirei fundo. Porem o não ouvia qualquer tipo de barulho, nem passos, nem respiração que não a minha.
- Miranda? - chamei, nao obtive qualquer resposta da sua parte. - Miranda? - voltei a chamar por seu nome.
Olhei para todos os sentidos, não encontrei nada, nem roupas dele, nem nada. "Eu não sonhei, eu não estou louca." Pensei. Levantei da banheira, puxei por uma toalha e enrolei em mim. Caminhei pelo banheiro, e ele nada, fui no quarto, e nada também, ate a porta eu cheguei a ir e não encontrei nada.
"Ele não pode sair sem que eu desse por isso!" voltei a pensar.
Então voltei minhas costas a porta e levei um valente susto, ao vê-lo bem na minha frente.
- Ai estas ai! - disse animada. - Pregas-te cá um susto que não achei nada simpático.
- Pena! - ergui a sobrancelha.
Ele estava estranho, não parecia o mesmo que em outro momento havia estado comigo deitado naquela justa banheira. Então agarrou-me com certa violência, tentei de algum modo soltar-me de seus braços fortes e ameaçadores.
Ele arrastou-me a força para o banheiro, por outro lado continuava a minha constante luta por minha liberdade, que não estava a ser bem sucedida. Queria respirar e pouco ja conseguia, então ele pegou com mais força e lançou-me para a banheira cheia de agua ainda.
Fiquei completamente encharcada e com raiva a sair pelos olhos, porque ninguém fazia isto comigo e saia por ai impenu, não mesmo. Porem ele não ficou apenas por ali, ainda não satisfeito, por ver que certamente ainda estava consciente, pegou em um secador que estava ligado na corrente, primou o botão, direccionando na minha direcção.
- Não, tu não vais fazer isso! - gritei bem alto para que ele me consegui-se ouvir. - Para com isso.. - tentei sair, mas ele empurrava-me novamente para dentro, quase me afogando.
- Adeus Maria!
Fiquei com que estática vendo aquele simples objecto cair nas minhas águas e deixar de sentir que existia.
Jasper
Por outro lado conversar com Peter em particular, sem nossas esposas por perto era bem mais a vontade, e o facto de ouvir diversos dos desabafos do meu irmão, deixou-me sensibilizado. Em momento algum pensava que a sua vida estava nesse ponto que estava. Afinal eles pareciam ser um casal bem resolvido e a sua maneira integra completos.
- Bom não sei o que pretendes resolver com tudo isso, mas eu cá acho que devem conversar.. - expressei minha humilde opinião.
Tempo depois dei conta da chegada delas, e logo mudamos de assunto para não causar transtorno, tanto que a conversa em questão era mais particular do que grupo e uma inteira partilha.
- Então o que rapazes tanto conversam? - questionou Alice sentando ao meu lado com um sorriso brilhante.
- Coisas de homens! - comentei.
- Hum.. certo!
O garçom chegou com mais um pedido nosso e brindamos uma vez mais, porque a noite era de festa e o resto não importava, ate porque dias não era dias.
Kim
Só andava de um lado para o outro ansiosa por noticias. Era óbvio que o resultado tinha de ser positivo, ou caso contrário tudo estaria modestamente perdido. Há uma porque aqueles dois haviam saído num jantar e felizes estavam eles de meter dó, há outra porque eu precisava que aquela bandida saísse de cena o quanto antes para colocar o meu plano B e marcha.
"Como eu odeio esperar!" pensei comigo mesma quando virei minha atenção ao aparelho que não dava sinal algum de chamada.
Levantei, dei um beijo no meu filho que educadamente dormia, sai do quarto, desci as escadas, e nada, versos absolutamente nada.
"Miranda por favor dá um sinal de vida pode ser?" questionei a mim mesma, fazendo figas.
E não é que o aparelho começou a tocar nesse instante? E em trocas e baldrocaras e o tirei do bolso e atendi a ligação eufórica.
- Finalmente! Diz-me que tens noticias boas e que o meu problema com essa mulherzinha esta resolvido! - arregalei os olhos cheia de expectativas.
- Relaxa um pouco apenas Kim! - sussurrou ele. - Com essa não tens de preocupar mais.
Tive de forçar a minha vontade de não rir, mas a verdade é que mesmo a outra ja não estando no meu caminho, deixava-me inteiramente feliz.
- Então posso abrir o champanhe e comemorar? - empolguei-me.
- Claro que podes, porque esta não volta mais em hipótese alguma.
Bati palmas animada e desliguei a ligação por fim. Corri ate a cozinha onde ja na geladeira estava pronta a ser posta a minha grande brindaste festa. Peguei o champanhe e na mesma uma taça e subi ate ao primeiro andar.
"Boa, assim esta tudo a correr tal como o planeado." pensei.
Entrei no quarto, e sentei na banheira com numa garrafa na mão e taça na outra e servi-me. Estava tão feliz que o resto era um mal menor nesta divertida hora de festividade.
Lucy
Se por um lado uns festejam outros se preparavam para festejar. Eu cá estava a espera do meu namorado a pelo menos 15 minutos. Ate ja havia passado pela cabeça o facto de ligar para ele e perguntar sob sua demora.. só que ai eu iria ter de desculpar com algo, e por outro lado Demitri era muito audaz a descobrir e procurar motivos era fácil para ele. E surpresas quando surpresas tem de ser bem feitas, não?
"Ok, Lucy tu tens de manter o espírito livre e não olhes para aquele aparelho ali! Lembra é tentação!" falei comigo mesma mentalmente. "Oh mas ninguém esta aqui, e que diferença fará se eu enviar uma mensagem?" questionei mentalmente, mas repreendi a mim mesma, voltando a pousar os olhos em outro sentido.
Com isto, de tentar fugir a tentação do controle do tempo, recompôs-se a mesa umas quantas vezes, avaliei os talheres, e copos e o vinho... enfim uma obsessão. Mas parecendo que não, aquela porta pelo qual esperava muito ansiosa acabou mesmo por abrir e eu saltei logo a minha vista no sentido que atracão gravítica chamava.
Corri ate ele feliz e quase que com que uma adolescente eufórica em dia comemoração.
- Olá meu amor! - beijei no seu rosto.
Logo a seguir ajudei a tirar a sua jaqueta e finalmente pude puxar pela sua mão ate a sala de jantar onde as velas aromáticas chamavam por nós. Quando ele entrou o seu sorriso de menino serio, mudou para um de apaixonado que logo me pegou em seu colo e fez girar.
- És a mulher mais especial da minha vida! - disse ele.
- Tu és também o meu único amor! - respondi eu.
E numa de promessas e juras de amor, o meu telemóvel começou a tocar estridente. Obviamente que não queria atender, porque se assim o fizesse era um good Bye noite romântica, por outro lado lembrava perfeitamente que havia indicado a Nettie que se houvesse algum problema para me alertar. Salvo seja estava nem beco sem saída.
- Se não atenderes não vai parar de tocar o resto da noite! - alertou ele.
Logo assenti e peguei no aparelho, afastando um pouco dele para tomar um pouco da minha concentração de mulher responsável. Quando olhei bem para a tela vi que o nome que piscava era de Nettie. Tantos nome haviam passado pela minha cabeça naquela hora, porem deduzi que havia mais algum problema, caso contrário que motivo teria ela de estragar minha noite? Então sem perder tempo atendi, antes que chamada termina-se.
- Alo? Nettie, algum problema? - questionei focando meu olhar no quadro a minha frente.
- Sim, e bem complicado! - ergui uma sobrancelha. - Temos novo homicídio!
- Mas será que nem a noite eu tenho descanso? - fiz uma questão mais retórica e apenas minha do que dela.
- Hum? Interrompi alguma coisa? Oh não, podias ter avisado... - fez uma voz de menina arrependida.
A vontade imediata era de dizer "Nettie tu destruis-te meu jantar!" ou "nos nem havíamos tomado a sobremesa..." pensei.
- Mais ou menos, ainda só estávamos no inicio, mas se trabalho chama por mim, vou ter que voar daqui... - dei de ombros. - Onde é mesmo o local do crime? - questionei ao pegar na minha bolsa.
- Hotel Brandie! - respondeu ela.
- Encontro contigo lá. Ate já!
Desliguei a ligação, pousei o aparelho dentro da minha bolsa e corri ate ele.
- Tenho mesmo de ir amor, mais tarde compenso-te!
Estava triste por ter de deixar um jantar pendente e muito menos ver que tanto esforço não havia dado em nada, por outro lado nada estava perdido, iria haver uma hora em que podia resolver tudo.
Dei um beijo de boas noites e sai ate porta, só ate ele voltar a chamar por mim.
- Amor! - olhei para ele. - Vais assim? É que com vestido desse nível não é la uma boa combinação com a tua profissão... vão pensar que sais-te de algum filme.
Olhei para as minhas roupas e soltei um riso abafado.
- Tens razão, não pareço uma mulher respeitável! - fiz cara de desagrado, e dei uma leve corrida ate ao quarto.
E ja no quarto tratei de ser rápida na troca de roupa e pegar de seguida o material, e a respectiva chave e correr ate ao carro e só saber que a paragem seria inteiramente no hotel Brandie.
Lucy
Quando abri a porta de casa, soltei um suspiro de alivio, por ver que Demitri ainda não havia chegado, então poderia provar de uma bela surpresa, para poder com o meu charme de uma boa menina surpreender meu namorado.
Pousei as minhas sacolas e a jaqueta mesmo em cima do pequeno sofá de canto, e corri imediatamente ate a cozinha, no intuito de procurar em meus armários se tinha todos os ingredientes necessários para preparar o meu jantar romântico.
Ok, por um lado eu não era dada a essas coisas e quando as fazia era no intuito de me desculpar com algo. Quem não faz isso, não? Só que neste caso, era diferente, e na minha cabeça, e segundo o calendário romântico, as pessoas, não na verdade, os casais não precisavam de datas especiais para jantares românticos, certo? Então hoje ia ser assim, só para começar.
Estava cheia de sorte, tinha tudo o quanto era necessário para a ementa da noite. "Isto são só pontos a valerem por mim" Pensei, batendo palmas animada.
Peguei em uns tachos e pronto fui me enterrando na prazerosa culinária, onde a cortar cebolas, e juntas cheiros e sabores era um misto exótico de sensações.
Alice Original
A conversa no restaurante com os meus queridos cunhados estava muito animada, tanto que uma pessoa ate esquecia a noção do tempo e simples saídas de ir retocar no toalete.
Pedi licença quando percebi que a conversa central, rodava o trabalho profissional do Peter. Levantei com delicadeza sublime e peguei na minha simples e brilhante bolsa. Trilhei caminho ate a secção dos espelhos, pousei as coisas que precisava na banca. Dei uma inicial apreciativa no rosto, antes de qualquer retoque.
Minutos depois entra quem, pelo Toalete a dentro? Charlotte, também ela muito elegante e sensivelmente pronta a retocar. Fico bem ao meu lado, o silencio ao inicio foi deveras constrangedor, dado que de um certo modo parecíamos desconhecidas a olhos alheios, quando na verdade éramos cunhadas e tínhamos uma relação muito saudável. Fui obrigada a interromper do silencio provocador e incidente.
- Então como estas mesmo? - questionei ao acaso, quando peguei da bolsa o blush.
- Esta tudo bem, e não esta... - comentou ela quase em tom de segredo. Olhei obviamente para ela.
- Algum problema? É que estavas tao calada no resto do jantar que.. não me pareces muito animada. - falei aquilo que havia percebido e nisso eu não era má observadora.
- Eu e o Peter andamos muito afastados nos últimos tempos... - parei de olhar no espelho para encarar o seu rosto triste e baixo uma vez mais. - a relação que vocês vêem em nós não passa mais do que já é.. - cruzei os braços. - O Peter e eu andamos com ideias muito contrárias!
- Que ideias?
Eu não tinha o mínimo direito de estar a questionar tanto alguém que em uma questão contrária entraria com muitas perguntas para mim, que no caso não se reflectiam. A verdade é que a Charlotte era muito doce, para ela nada era visto com malícia ou maldade acrescida.
- O Peter anda com vontade de ser pai, e eu percebi isso a uns meses, e na verdade eu não o condeno nesse sentido, acho que ate ja esta na certa hora de tal acontecer. - arquei a sobrancelha. - Só que eu tento, eu juro que tento, mas não estou a conseguir dar aquilo que ele quer.
- Vocês tem tentado, e tu não consegues.. - sussurrei pensativa. - Ja procuras-te ajuda, algum tratamento fertilizante? Dizem por ai que existem muito bons na Europa. - tentei solucionar.
As vezes era tão mais simples ajudar os outros, do que a nós mesmos. Os problemas visto desse modo, tinham uma dimensão tão distorcida da realidade que os nossos olhos viam.
Ainda assim o problema dela era tão semelhante ao meu, tão simples de arcar e com algum pouco de esforço, resolver para bem ficar. Sim porque tudo se conseguia com um pouco de pura magia. E quando se ama, também se respeita.. e se respeita ai acredita-se.
- Não, na verdade eu não sinto capaz de continuar com uma eventualidade dessas.. não quero ver o Peter achar que sou alguma infértil e que ainda por cima não lhe pode dar um filho que tanto quer. - pousei a minha mão no seu ombro, logo após soltar os braços. - O Peter vai acabar por deixar-me! - sussurrou.
- Isso não vai acontecer, porque ele gosta de ti. - levantei o seu rosto agora com a mão livre. - Porque és uma pessoa incrível, e com certeza que conversando e expondo vossos problemas, irão encontrar a solução que precisam.
Ela acabou por soltar um sorriso, o que me deixou mais feliz, e então demos por encerrada esta conversa e tentamos despachar para que os nossos respectivos companheiros não achassem que nos havíamos fugido ou algo assim.
Lucy
O tempo voava e eu só conseguia estar a a olhar o relógio e a preparação e vice versa. Em pouco tempo o Demi entraria por aquela porta e eu ainda nem das panelas e dos tachos havia terminado, e ai a surpresa não teria o seu sabor, não é?
Então não sei como comecei a ganhar adrenalina e comecei acelerar pela cozinha como uma louca a correr atrás de pistas e criminosos. Ok, brincar com os pensamentos em horas profissionais, não dava certo, porque segundo os mandamentos da policia, entre a cozinha e a rua não havia mistura. Ia se lá saber porque, não?
A verdade é que esta coisa de ser rápida ate dava uma leve ajuda, tanto que o meu risoto já estava quase no ponto. E isso explicava que eu estava na hora, e ele não iria estragar a surpresa.
"Boa eu sempre consigo tudo o que quero." pensei comigo, apagando mais um disco e ligando outro para ferver agua.
Uma meia hora depois, estava tudo pronto, mesa completa e requintada de cores e sabores românticos. Ate velinhas tinha na repleta companhia, assim como um belíssimo arranjo de flores, em tom de paixão e quente para aquecer um coração frio de uma jornada cansativa.
Preparei-me em meio tempo, com um vestido simples e cintadinho, e com uns toques dei uns jeitinhos no meu cabelo loiro e cacheado. Sentei no sofá e cruzei as pernas na expectativa de esperar ele entrar e recebe-lo de uma forma que todo o namorado merece.
Maria
Depois de uma sedutora acção acabei por adormecer dentro da banheira, com ele a meu lado. Quando por ventura acordei, reparei que a noite já completava o céu estrelado.
Por outro lado ao invez de sair deixei-me ficar. Era tão delicioso estar dentro de um espaço, que ainda mais quando acompanhada, a vontade, essa de sair era de ficar permanente.
Segundos depois, ele acordou quando eu abracei, olhei em seus olhos, ele sorriu.
- Acordas-te rapazão.. -sussurrei, esticando o braço para pegar uma taça de champanhe.
- Hum, parece que sim.. - pisco o olho para mim, beijou com fervor meus lábios.
Logo a seguir afastou um pouco de mim, levantando-se da banheira e enrolando a sua toalha a volta. Virei minha total atenção a ele.
- Onde vais? - questionei, bebendo um leve trago da taça, pelo qual havia pegado anteriormente.
- Acabar algo que foi proposto! - piscou para mim, e entrou para o quarto.
- Ok! - sussurrei e pousei a taça ja vazia, afundei um pouco na banheira.
Mesmo submersa dentro de agua era fácil olhar o tecto e ver os mínimos detalhes em que estes últimos hoteis se baseavam no seu auto desigh. Voltei a superfície, respirei fundo. Porem o não ouvia qualquer tipo de barulho, nem passos, nem respiração que não a minha.
- Miranda? - chamei, nao obtive qualquer resposta da sua parte. - Miranda? - voltei a chamar por seu nome.
Olhei para todos os sentidos, não encontrei nada, nem roupas dele, nem nada. "Eu não sonhei, eu não estou louca." Pensei. Levantei da banheira, puxei por uma toalha e enrolei em mim. Caminhei pelo banheiro, e ele nada, fui no quarto, e nada também, ate a porta eu cheguei a ir e não encontrei nada.
"Ele não pode sair sem que eu desse por isso!" voltei a pensar.
Então voltei minhas costas a porta e levei um valente susto, ao vê-lo bem na minha frente.
- Ai estas ai! - disse animada. - Pregas-te cá um susto que não achei nada simpático.
- Pena! - ergui a sobrancelha.
Ele estava estranho, não parecia o mesmo que em outro momento havia estado comigo deitado naquela justa banheira. Então agarrou-me com certa violência, tentei de algum modo soltar-me de seus braços fortes e ameaçadores.
Ele arrastou-me a força para o banheiro, por outro lado continuava a minha constante luta por minha liberdade, que não estava a ser bem sucedida. Queria respirar e pouco ja conseguia, então ele pegou com mais força e lançou-me para a banheira cheia de agua ainda.
Fiquei completamente encharcada e com raiva a sair pelos olhos, porque ninguém fazia isto comigo e saia por ai impenu, não mesmo. Porem ele não ficou apenas por ali, ainda não satisfeito, por ver que certamente ainda estava consciente, pegou em um secador que estava ligado na corrente, primou o botão, direccionando na minha direcção.
- Não, tu não vais fazer isso! - gritei bem alto para que ele me consegui-se ouvir. - Para com isso.. - tentei sair, mas ele empurrava-me novamente para dentro, quase me afogando.
- Adeus Maria!
Fiquei com que estática vendo aquele simples objecto cair nas minhas águas e deixar de sentir que existia.
Jasper
Por outro lado conversar com Peter em particular, sem nossas esposas por perto era bem mais a vontade, e o facto de ouvir diversos dos desabafos do meu irmão, deixou-me sensibilizado. Em momento algum pensava que a sua vida estava nesse ponto que estava. Afinal eles pareciam ser um casal bem resolvido e a sua maneira integra completos.
- Bom não sei o que pretendes resolver com tudo isso, mas eu cá acho que devem conversar.. - expressei minha humilde opinião.
Tempo depois dei conta da chegada delas, e logo mudamos de assunto para não causar transtorno, tanto que a conversa em questão era mais particular do que grupo e uma inteira partilha.
- Então o que rapazes tanto conversam? - questionou Alice sentando ao meu lado com um sorriso brilhante.
- Coisas de homens! - comentei.
- Hum.. certo!
O garçom chegou com mais um pedido nosso e brindamos uma vez mais, porque a noite era de festa e o resto não importava, ate porque dias não era dias.
Kim
Só andava de um lado para o outro ansiosa por noticias. Era óbvio que o resultado tinha de ser positivo, ou caso contrário tudo estaria modestamente perdido. Há uma porque aqueles dois haviam saído num jantar e felizes estavam eles de meter dó, há outra porque eu precisava que aquela bandida saísse de cena o quanto antes para colocar o meu plano B e marcha.
"Como eu odeio esperar!" pensei comigo mesma quando virei minha atenção ao aparelho que não dava sinal algum de chamada.
Levantei, dei um beijo no meu filho que educadamente dormia, sai do quarto, desci as escadas, e nada, versos absolutamente nada.
"Miranda por favor dá um sinal de vida pode ser?" questionei a mim mesma, fazendo figas.
E não é que o aparelho começou a tocar nesse instante? E em trocas e baldrocaras e o tirei do bolso e atendi a ligação eufórica.
- Finalmente! Diz-me que tens noticias boas e que o meu problema com essa mulherzinha esta resolvido! - arregalei os olhos cheia de expectativas.
- Relaxa um pouco apenas Kim! - sussurrou ele. - Com essa não tens de preocupar mais.
Tive de forçar a minha vontade de não rir, mas a verdade é que mesmo a outra ja não estando no meu caminho, deixava-me inteiramente feliz.
- Então posso abrir o champanhe e comemorar? - empolguei-me.
- Claro que podes, porque esta não volta mais em hipótese alguma.
Bati palmas animada e desliguei a ligação por fim. Corri ate a cozinha onde ja na geladeira estava pronta a ser posta a minha grande brindaste festa. Peguei o champanhe e na mesma uma taça e subi ate ao primeiro andar.
"Boa, assim esta tudo a correr tal como o planeado." pensei.
Entrei no quarto, e sentei na banheira com numa garrafa na mão e taça na outra e servi-me. Estava tão feliz que o resto era um mal menor nesta divertida hora de festividade.
Lucy
Se por um lado uns festejam outros se preparavam para festejar. Eu cá estava a espera do meu namorado a pelo menos 15 minutos. Ate ja havia passado pela cabeça o facto de ligar para ele e perguntar sob sua demora.. só que ai eu iria ter de desculpar com algo, e por outro lado Demitri era muito audaz a descobrir e procurar motivos era fácil para ele. E surpresas quando surpresas tem de ser bem feitas, não?
"Ok, Lucy tu tens de manter o espírito livre e não olhes para aquele aparelho ali! Lembra é tentação!" falei comigo mesma mentalmente. "Oh mas ninguém esta aqui, e que diferença fará se eu enviar uma mensagem?" questionei mentalmente, mas repreendi a mim mesma, voltando a pousar os olhos em outro sentido.
Com isto, de tentar fugir a tentação do controle do tempo, recompôs-se a mesa umas quantas vezes, avaliei os talheres, e copos e o vinho... enfim uma obsessão. Mas parecendo que não, aquela porta pelo qual esperava muito ansiosa acabou mesmo por abrir e eu saltei logo a minha vista no sentido que atracão gravítica chamava.
Corri ate ele feliz e quase que com que uma adolescente eufórica em dia comemoração.
- Olá meu amor! - beijei no seu rosto.
Logo a seguir ajudei a tirar a sua jaqueta e finalmente pude puxar pela sua mão ate a sala de jantar onde as velas aromáticas chamavam por nós. Quando ele entrou o seu sorriso de menino serio, mudou para um de apaixonado que logo me pegou em seu colo e fez girar.
- És a mulher mais especial da minha vida! - disse ele.
- Tu és também o meu único amor! - respondi eu.
E numa de promessas e juras de amor, o meu telemóvel começou a tocar estridente. Obviamente que não queria atender, porque se assim o fizesse era um good Bye noite romântica, por outro lado lembrava perfeitamente que havia indicado a Nettie que se houvesse algum problema para me alertar. Salvo seja estava nem beco sem saída.
- Se não atenderes não vai parar de tocar o resto da noite! - alertou ele.
Logo assenti e peguei no aparelho, afastando um pouco dele para tomar um pouco da minha concentração de mulher responsável. Quando olhei bem para a tela vi que o nome que piscava era de Nettie. Tantos nome haviam passado pela minha cabeça naquela hora, porem deduzi que havia mais algum problema, caso contrário que motivo teria ela de estragar minha noite? Então sem perder tempo atendi, antes que chamada termina-se.
- Alo? Nettie, algum problema? - questionei focando meu olhar no quadro a minha frente.
- Sim, e bem complicado! - ergui uma sobrancelha. - Temos novo homicídio!
- Mas será que nem a noite eu tenho descanso? - fiz uma questão mais retórica e apenas minha do que dela.
- Hum? Interrompi alguma coisa? Oh não, podias ter avisado... - fez uma voz de menina arrependida.
A vontade imediata era de dizer "Nettie tu destruis-te meu jantar!" ou "nos nem havíamos tomado a sobremesa..." pensei.
- Mais ou menos, ainda só estávamos no inicio, mas se trabalho chama por mim, vou ter que voar daqui... - dei de ombros. - Onde é mesmo o local do crime? - questionei ao pegar na minha bolsa.
- Hotel Brandie! - respondeu ela.
- Encontro contigo lá. Ate já!
Desliguei a ligação, pousei o aparelho dentro da minha bolsa e corri ate ele.
- Tenho mesmo de ir amor, mais tarde compenso-te!
Estava triste por ter de deixar um jantar pendente e muito menos ver que tanto esforço não havia dado em nada, por outro lado nada estava perdido, iria haver uma hora em que podia resolver tudo.
Dei um beijo de boas noites e sai ate porta, só ate ele voltar a chamar por mim.
- Amor! - olhei para ele. - Vais assim? É que com vestido desse nível não é la uma boa combinação com a tua profissão... vão pensar que sais-te de algum filme.
Olhei para as minhas roupas e soltei um riso abafado.
- Tens razão, não pareço uma mulher respeitável! - fiz cara de desagrado, e dei uma leve corrida ate ao quarto.
E ja no quarto tratei de ser rápida na troca de roupa e pegar de seguida o material, e a respectiva chave e correr ate ao carro e só saber que a paragem seria inteiramente no hotel Brandie.

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