Quando acordei pela manha, senti uma vontade grande de escrever. Levantei da cama com ânimo, peguei no meu fiel amigo, e uma vez sentando na ombreira da janela, e antes de iniciar o meu prazeroso relato, olhei a rua e vi como estava bela.
Suspirei algumas vezes imaginando mil e uma coisas divertidas de sentir. Mas neste momento podia descreve-las a minha maneira, ao meu sentido.
Abri o diário, e comecei como todos os dias começava com "Querido Diário". A tinta da caneta flutuava num compasso de dança fluída. Fui soltando as notas de uma canção minha e do meu coração.
"Querido Diário:
12/11/09
Esta um dia lindo, como aqueles que todos os dias vejo o sol brilhar na minha janela. Sei que deves achar que eu estou aqui para escrever o mesmo de sempre, mas muitas vezes quando o faço isso é por gosto ou por apenas desabafo. Contudo hoje sinto que aquilo que te tenho para dizer vai para alem do habitual relato de uma adolescente em crise de idade.
É, não vou relatar meu romance com o Stefan ou a minha inteira amizade com o Matt, ou ate mesmo o meu constante conflito com o Damon, porque ja deves estar bem cansado de ouvir, não? Pena que não podes falar comigo, assim seria tão mais simples ter a tua opinião, ate na hora de escolher a cor de um vestido. Enfim não vou falar sobre isso.
Sabes uma coisa, hoje tomei a liberdade de falar sobre mim, sim não basta falar sobre apenas dos outros. Ok, muitas vezes massacro-te a falar do Jeremy e suas barbaridades, mas o que posso fazer, sou uma irmã mais velha e preocupo-me com ele.
Bom não importa, ne? Bem, estou aqui a ter umas saudades da minha casa de campo, eu sei que ja não vou ate lá desde a muito, na verdade não sei se algum dia conseguirei voltar. Por vezes é tão mais simples guardar algo na memória de uma forma que nunca pensado de outro modo, que achamos que o melhor remédio de nos proteger é manter fechado o cadeado da saudade.
Tens razão, temos de aprender a tocar a vida para a frente, mesmo que esta doa. Só que as vezes olho para trás e pergunto, como tudo aconteceu mesmo? Porque? E para que?
Na minha cabeça ja consegui encontrar mais ou menos uma explicação coerente. Segundo a lógica das coisas, a morte por vezes vem para dar lugar a vida, e a vida para dar lugar a morte. Ok, deves estar achar que estou baralhada, não? Pois bem, vamos lá ver se consigo explicar-te isto de um modo mais simples e sem grandes confusões.
O meu pai morreu para me salvar, certo? Então a morte vem dar lugar a vida. Para se ser feliz precisamos de nos sacrificar, e então o sacrifício aconteceu, estou aqui a escrever para ti, sentada nesta ombreira da janela onde o sol ja vai em alta da manha e eu quase que com lágrimas nos olhos te escrevo.
Acho que no fundo consegui por meras palavras esclarecer o véu da pergunta, não achas? Ai querido diário se tivesses boca, ja estarias a concordar comigo de certeza."
Parei a escrita para olhar a janela que anunciava o voo do tempo. Continuei a pensar em que mais escrever, então sorri, e retomei a minha deliciosa escrita.
" Bom vamos mudar de assunto, antes que eu decida que é altura de chorar e depois ja imaginas o que acontece, não?
Folhas molhadas, palavras sumidas e eu aqui toda chorosa e com uma reputação a defender na hora de que abrirem aquela porta ali. Sim porque sempre tem alguém que entra fazendo surpresa. Acho que sabes de quem falo, e que nem preciso de descrever mais nada, para sentir uma pequena repulsa dentro de mim.
Ok, eu prometi que não ia falar sobre ninguém que não eu, então vamos lá ver se eu não me perco uma vez mais nessas rodeadas vidas."
Voltei a olhar a janela, procurando algum fundamento, respirei fundo, pousei as coisas que tinha em mãos, e puxei uma mantinha para cobrir os meus pés e pernas, que ja arrefeciam devido a descida brusca da temperatura aqui na cidade de Mystic Falls, apesar de eu me sentir em um pleno verão. Peguei na caneta que havia cuidadosamente pousado de lado e o respectivo diário.
" Continuando antes que eu lembre de fazer algo mais que interrompida no nosso diálogo. Bom eu não te contei que a minha tia Jenna me ofereceu um novo diário, pois não? Oh claro que não, cabeça a minha.
É verdade sim, ela esta desejosa de que eu o estreie, mas não fiques triste porque nunca vais deixar de ser meu amigo, não é velho Kit, ate porque o foste o meu primeiro diário e alem disso foi minha mãe quem te troce ate mim.
Alguma vez perguntas-te a ti mesmo porque te chamo de Kit?
Oh a culpa nao é minha, eu bem tentei procurar um nome a tua altura, e se bem que um diário não tem nome, mas o Jeremy, desculpa eu sei que estou a fugir um pouco a regra, mas prometo que é so para esclarecer isto.
Então estava numa manha a comer chocolate com ele na escola. Mas não era um chocolate qualquer, era um especial, e vais rir, mesmo no teu modo silencioso, quando souberes a origem do nome.
Na verdade esse chocolate não era nem mais nem menos do que um Kitkat. Isso mesmo eu sei que é estranho, mas tenho a dizer que a ideia do meu irmão não foi de todo descabida. Ai tens a origem.. ai desculpa amiguinho, mas não consigo neste momento parar de rir e bem sabes como as vezes é difícil me sentir assim leve e solta.
No entanto quero que saibas que ninguém vai substituir-te, em momento algum vou deixar-te em um canto, ou ate mesmo deixar que o tempo tome a providencia de destruir-te.
Obrigada por todas as noites de choros, de lágrimas imparáveis que tanto amparaste ao poderes deixar minhas palavras soltar. Obrigada por teres sido o meu ponto de abrigo quando a minha vida estava sem rumo. Obrigada por ouvires sem nunca reclamar, eu sei tu não podes falar.. E obrigada uma vez mais por seres tu, meu querido diário, meu Kit, meu velho amigo.
Deixo-te aqui um beijo doce da tua amiga que escreve
Elena Gilbert"
Quando terminei de escrever, uma lágrima rolou pelo meu meu rosto de forma involuntária. Fechei o cadeado do meu amigo.
Neste momento tinha acabado de preencher a ultima página dele, tinha feito minha breve despedida, embora estivesse a pequenos tempos de iniciar um novo ciclo, uma nova vida. Nunca, jamais em momento algum ia esquecer o que tinha para trás, muito menos aquele que eu havia recebido quando apenas tinha 10 anos.
Levantei da ombreira e guardei o meu amigo num lugar simbólico da minha estante que ao entrar neste quarto o pudesse ver e sorrir ao lembrar de todos os nossos desabafos, nossos momentos. Porque apesar de tudo ele havia sido o meu melhor amigo, aquele que não fala, mas ouve e que no fim nos consola.

Eu gostava tanto quando ela ou Stefan realmente faziam jus ao título e escreviam seus sentimentos! Aí me vem o Damon criticando e acaba com tudo...
ResponderEliminarlena perdeu tanto que acho que até acabar um diário, que nada mais é do que um caderno companheiro de seus sentimentos íntimos, também acaba por abalá-la .
Achei fofa a história de com o diário foi batizado, também amo Kit Kat, mas gosto mais do russo porque o outro (alemão, eu acho) é meio aguado... Aqui no Brasil ao menos... Jeremy enfim deu uma bola dentro, ehehhehe.
abe que é interessante ver o como o psicológico dela ainda está abalado,mas ela mesma tenta negar, né? Pobrezinha, ainda sofre, e é sorte ter quem a ajude superar sua perda.
Que o novo diário venha, com páginas mais felizes, inaugurando uma nova fase em sua vida :D
Beijinhos
De facto sinto saudades desse tempo também, sabe? Afinal tanto um como o outro eram amantes de partilhar suas memórias com amigos secretos quanto esse de capa e contra-capa e páginas em branco a espera de serem pressadas com palavras. É certo que Damon chegou e levou tudo o que era de bom embora, mas enfim escolhas são sempre a unica coisa que o tempo leva e tras o tempo todo.
ResponderEliminarQuando lembrei de batizar o caderninho dela, esse foi o nome que me veio a cabeça, queria sabe... mostrar um lado mais engraçado para um diário, que não obtivesse um nome como outros que nem talvez isso o tenham, certo?
De facto o que aconteceu com ela não é propriamente um episódio que se esquece assim num abrir e fechar de olhos e sem duvida o tempo é o melhor remédio de todas as curas. E como tal um diário pode ser um melhor amigo que escuta e recebe, mas não critica. É o que toda a gente que não está bem espera.
Com certeza um novo diário terá oportunidade de conhecer uma nova Elena, que está abrindo portas para dar o olá às boas coisas.
Beijinhos