Ainda não acreditava no que os meus olhos viam, pois estava tão claro aquela imagem na minha cabeça que nada neste momento fazia sentido.
- Carmen! - sorri, para não parecer um pouco indelicada.
- Papa! - gritou a pequena Maggie.
- Silvestre não era suposto estares morto? - isso me saiu quase que involuntário.
Maggie saltou para o colo do pai e vi que a sua emoção era tanta que não quis de modo algum estragar esse momento. Então decidi que devia realmente retomar meu atarefado dia, ja que estava atrasada.
- Eleazar! - chamei ao quase virar costas para a porta da saída. - Leva os miúdos na escola, que eu vou andando que se não.. perco o meu emprego. - sai porta fora, lembrando depois. - Há Silvestre, logo conversamos e desculpa minha frontalidade. - corri para o carro desta vez.
E ja de porta na mão, ouvi ele responder "um esta tudo bem". Entrei e dei logo a ignição, acelerado por essa rua fora, só tendo o tempo de parar no estacionamento da policia.
Renée
A manha ja havia começado com um sol esplêndido, minha Jane como sempre estava demoradissima na casa de banho, não sei a fazer o que? "Mas que menina essa.." resmunguei em pensamento.
A mesa do pequeno almoço ja estava posta e reposta, não lembrava quantas vezes não havia colocado de novo os talheres. Então quando vi um homem a caminhar na direcção da casa dos Misty, fiquei curiosa e claro esta, que não queria largar a janela. Porque eu, Renée Ruane, tinha de zelar pelo bem do bairro, sim ou não?
Então desviei as cortinas da janela da cozinha, e fiquei atenta a tudo. Eu queria ouvir a conversa, mas não conseguia, porque estes malditos vidros eram a prova de som. "Oh vida, porque me deste um marido tão desmancha prazeres?!" pensei.
- Bom dia!
Mandei um salto, e não parei no chão por sorte.
- Oh Charlie, não voltes a entrar assim na minha cozinha.. - olhei furiosa para ele, fazendo gestos de repreensão com a mão.
- O que foi mulher? Parece que viste um fantasma!
Tentou fazer graça e ao mesmo tempo mudar de assunto que eu bem sabia. Conhecia muito bem o meu chefe de policia para entender suas derradeiras atitudes. Pouco tempo depois apareceu a minha Jane, toda maquilhada, toda aprontidinha e com um uniforme magnifico que aqui a mamazinha havia encomendado.
- Bom dia, papa e mama! - ela sentou na sua cadeira, tirando logo uma torrada com doce de morango para si.
- Com ela não reclamas! - resmungou Charlie ao sentar por fim.
- Não mudes de assunto Charlie! - fiz meu papel de mulher respeitadora.
Olhei minha filha e sorri por ver ela tão bela, e tratei de colocar as minhas antenas voltadas aos vizinhos.
- O que tanto olhas ai mulher?
Mas hoje eu não tinha um minuto apenas meu? Seria isso possível?
- Ora essa estou a ver como os vizinhos se comportam! - respondi sem tirar os olhos da janela. - Ele entrou! - falei intrigada.
- Ele quem? - perguntou o meu marido.
- Quem? - perguntou a Jane.
- Calem-se! - ordenei.
Eu agora não conseguia saber o que se passava dentro daquela casa o que era péssimo a meu ver. Hum, eu cá ja tinha uma ideia a ferver que ia fazer eu tirar esse meu púcaro da algibeira.
Eu ia lá fazer a minha surpresa de senhoria, claro esta, levando comigo um bolinho para os meninos. "Oh Renée, tu és uma inteligência pura, mulher!", pensei.
- Bem eu ja estou atrasada para ir para a escola.. Pai levas-me?
Voltei-me para eles, apenas por um segundo, e depois colei uma vez mais o olhar na janela, onde vi a Carmen a sair a correr.
- Onde é que a Carmen vai toda apressada? - questionei.
- Fazer algo que tu não fazes! - olhei de esguelha para o marido. - Trabalhar! - levantou-se da cadeira.
- Olha! - fiquei escandalizada. - Fica sabendo tu que, eu sou muito boa dona de casa e se tudo correr como planeado serei a nova presidente da associação de pai do Colégio Asturia. - fiz meu ar de imperialista.
- Espero mesmo que não consigas! - debochou a minha filha ao correr porta fora.
- Ingrata! - gritei.
Uma vez que eles haviam saído eu aproveitei para olhar minha deliciosa vista e claro esta, que ja tinha uma pilha de loiça para me tirar atenção que muito eu queria tomar. Contudo eu ia ser boa dona de casa ao despachar tudo isto para poder saltar ate aquela casinha ali bem a minha frente e matar o meu bicho.
Caroline
Quando sai do meu quarto ja Carmen, havia saído e em consequência disso estava uma visita estranha dentro de nossa casa que ao olhar bem para essa pessoa, lembrei de alguém que a uma noite achava estar morto.
Como era possível alguém voltar do reino dos mortos a vida assim? Eu lembrava que Carmen e Eleazar haviam frisado o quanto ele estava morto, sem sinais vitais..
"Espera lá, e se não for ele?" pensei. "E se for uma armadilha para nós cairmos?" voltei a pensar. Entrei imediatamente na cozinha, onde puxei pela atenção do Jasper, mesmo que não gostasse de recorrer a ele, no entanto era a única pessoa que eu encontrava em condições favoráveis de trocar esse tipo de ideias.
- O que se passa? Não vives sem mim agora? - tentou fazer piada comigo, que logo fiz cara seria ao chegar no jardim. - Desculpa, diz lá faiscas..
- Em primeiro lugar não é faiscas! Em segundo, não achas estranho o facto do Silvestre voltar? - perguntei.
Fiquei a espera de uma resposta sua, que aparentemente não sabia o que ele podia dizer, muito menos pensar.
- Esta bem, esta bem.. - levanto as mãos no alto em sinal de redenção. - Não, na verdade não acho nada estranho.
- Claro tu nunca achas nada.. - resmunguei mais para mim.
- Eu ouvi isso! - reclamou ao sentar na cadeira de baloiço. - Pelo contrário eu acho muito bem que ele tenha voltado, porque a Maggie merece ter o pai por perto.
Era extremamente difícil conversar com ele. Ele sempre via tudo como uma solução imediata aos problemas. Ok, eu não podia ficar egoísta com o facto de o pai da Maggie ter voltado, mas juntar a volta ao passado, era dignamente estranho, não? Ele estava morto, não era possível estar vivo agora!
- Não sei se te recordas, mas na época em que nos encontramos aquela casa, ele estava sem sinais vitais, não respirava, o coração não batia.. por outras palavras, estava morto... - suscitei.
- As pessoas também podem voltar a vida... - disse ele.
- Estas a brincar comigo, é que so pode... - cruzei os braços. - Jasper, Hello? Isto não é um filme é a realidade... - fiz gestos com as mãos.
- Ok, ja percebi que tu é que sabes tudo. - levantou. - Então da-me uma explicação para o facto de este senhor estar aqui e agora.. - aproximou de mim.
Fiquei um tempo pensativa e de olhar penetrado no seu. Eu queria apresentar a minha teoria, queria mostrar que eu tinha inteligência muito pelo contrário da sua, so que por vezes eu perdia-me na imensidade dos seus olhos.
Então quando estava mais ou menos pronta para falar, uma porta se abriu, e quase que não demos pela entrada que não a denuncia da voz ao faze-la ser conhecida.
- Os meninos so por acaso ja não deviam estar no colégio?! - olhei imediatamente para a figura que esclarecedora não tinha intenção de ver logo pela manha.
- Renée! - repetimos em coro.
- Eu mesma.. mas agora va va.. - pousou um bolo e empurrou-nos para a porta de saída do jardim.
- Mas quem ela pensa que é para entrar assim? - resmungou Jasper.
Respirei fundo umas quantas vezes e sinceramente, nem queria conhecer a ideia imediata desta bruxa e afins.
Comecei a caminhar a frente, logo o Jasper me acompanhou sem grandes perguntas, o que era um autentico milagre.
Carmen
O facto de Silvestre ter aparecido lá em casa havia deixado muito confusa. Primeiro ele estava morto, e agora do nada estava vivo? Não.. isso tinha coisa.
Entrei na recepção, onde avisaram o chefe que eu ja havia chegado para entrar ao serviço. Bati a uma porta e lá estava o Charlie sentado com uns papeis.
- Bom dia Charlie desculpa meu atraso.. - sussurrei.
- Senta.. - indicou. - E na verdade não chegas-te tão atrasada quanto eu, acabei mesmo de sentar. - suspirou. - Bom o trabalho que tenho para te oferecer, é como arquivista.
Fiquei atenta a sua explicação, e pensando bem ser arquivista não era coisa muito dura não.. Na verdade nos arquivos eu podia encontrar algo mais que de certo modo pudesse levar ate ao paradeiro da minha Alice.
- Carmen, esta tudo bem? - voltei dos meus devaneios.
- Sim, desculpa.. - pousei as mãos no tampo da mesa. - Na verdade acho um bom emprego.
- Há estou mais descansado agora, é que normalmente nem toda a gente gosta, e cá no departamento tem havido tanto trabalho..
Olhei para os lados examinando a sala.
- Ninguém diria, a meu ver Vale Perdido parece ser tão pacato. - disse.
- Ai é que esta.. - olhei confusa. - Parece, mas não é.. - continuei sem perceber. - A uns tempos aconteceram uns massacres por aqui, pouca gente gosta de falar sobre isso, e se formos a ver quase ninguém lembra e as que lembram preferem ficar em silencio.
- Mas o que aconteceu?
Estava curiosa com a história, e se estava pronta abraçar um grupo policial então eu teria de estar por cima de todas as noticias da actualidade e passado, certo?
- Bom, pelo que sei e lembro. Tudo aconteceu por causa de uma briga de duas amigas, que lutavam pela atenção do mesmo rapaz. - fiquei atenta. - Sei que a primeira vista pode parecer uma história verídica, mas acontece que é um pouquinho mais que isso. - cruzei a perna.
- Mas e depois?
Tinha de admitir que a história estava a deixar-me imensamente curiosa.
- Uma delas, acabou por matar o rapaz, com aquela história, se não és meu, não serás de mais ninguém.. - arregalei os olhos. - Pois esse olhar eu também fiz quando na verdade conheci o intuito da história. - ajeitei uma mexa de cabelo. - Pouco tempo depois da morte desse rapaz, umas das amigas por raiva decidiu matar a outra e em consequência disso matou a família também. Segundo consegui apurar na altura, a jovem que comprimenteu os massacres estava com um distúrbio mental progressivo.
- Mas ainda assim o que ela fez foi muito grave.. - disse. - Devia ter sido punida.
- E foi, depois de mais duas famílias serem mortas, so que desta vez foram a do falecido rapaz e a própria família. - estava escandalizada. - Foi um escândalo na altura, saíram em quase todos os jornais essas mortes, e Vale Perdido como vês foi um palco de sangue.
Nunca em momento havia pensado que este lugar mágico e calmo teria sido em outra altura algo tão assustador.
- Eu não sei nem o que dizer.. - dei de ombros. - Mas, essa rapariga ainda esta...
- Não, infelizmente suicidou-se pouco tempo depois na clínica psiquiátrica, onde foi internada.
- Talvez tenha sido melhor assim, ja que ela havia feito tanto mal..
- Por um lado sim, mas por outro doloroso, porque nós policiais, apenas queremos perceber o porque de tudo. Acredito que exista alguma teoria que faça fundamento a tudo.
- Talvez!
Eleazar
Olhando bem para ele bem a minha frente ainda fazia um pouco de confusão, porque em outra hora eu o havia visto estendido no chão e sem pingo de vida, contudo ele teria uma explicação, certo?
Eu queria acreditar que sim, se não eu daria em um perfeito louco. E neste momento não seria uma boa ideia, dado que o meu pequeno filho ainda precisava de um pai que olhasse por ele.
- Silvestre, certo? - perguntei.
- Certo!
Ele observava a casa com tanto pormenor que deixava-me meio que desconfortável.
- Então, é bom voltar a ver a tua filha, não? - eu mais parecia um provinciano a falar do que eu mesmo. - Ela esta crescida e a portar-se lindamente.
- Que bom, a Maggie sempre foi um anjo. - respondeu sem olhar para mim, que por outro lado não tirava os olhos dos objectos.
- Eleazar!
"Oh não, tu outra vez?!" pensei ao ver a Renée entrar na minha sala como se a casa fosse sua, o que na verdade era, porque ela era a senhoria, embora não tivesse liberdade para entrar assim.
- Quem é este senhor? - perguntou ela, ao tentar ver, e eu esconder. - Ai sai da minha frente.. - revirei os olhos. - Olá sou Renée Ruane ao eu dispor..
Cruzei os braços, mas logo tratei de tirar a mulher da sala..
- Ai Eleazar que indelicadeza, o senhor nem me respondeu... - disse ela escandalizada.
- O senhor é meu primo, e ele é muito ocupado, na verdade ele tem um problema.. - confidenciei.
- Ai sim? - ela estava com cara de caso.
Ok, mentir não era coisa bonita, mas como era para ela eu tinha de encontrar um modo para a tirar daqui, certo?
- Sim, Esquizofrénico!
- Ai cruzes! - benzeu-se umas quantas vezes. - E tu colocas-te um ser com... com... isso.. dentro dessa casa? - olhou para mim com aquela cara apenas sua.
- Oh Renée, ele é meu primo e não o podia deixar na rua, certo?
- Pensando assim, melhor mesmo que não.. Ja bastou de malucas por aqui... - comentou.
"A quem o dizes!" pensei.
Maggie
Hoje como o meu papa estava aqui e não ia sair, eu pedi com muito jeitinho ao Eleazar para me deixar ficar aqui com o Alec, porque era um dia especial. Ele claro deixou, porque não ia dizer não a meu ar de anjo.
Então quando vi que os adultos não estavam mais na sala e que apenas estava lá o meu papa, tentei saber o que a sua cabeça achava de voltar a ver-me.
Sentei na escada e sintonizei a minha mente a dele, e acreditando que não, eu não encontrava os pensamentos de um pai, ele, esse homem que estava na sala não era o meu papa.
Corri as escadas a baixo, e ele olhou para mim, forçando um sorriso que eu percebi logo que era falso.
- Então filhota, queres brincar?
Aproximei dele, olhei bem para o seu rosto, procurei ver aquilo que o seu olhar frio e e distante escondia.
- Tu não és o meu papa! - falei firme. - Diz-me onde o esta o meu papa! Diz! - gritei.
- Carmen! - sorri, para não parecer um pouco indelicada.
- Papa! - gritou a pequena Maggie.
- Silvestre não era suposto estares morto? - isso me saiu quase que involuntário.
Maggie saltou para o colo do pai e vi que a sua emoção era tanta que não quis de modo algum estragar esse momento. Então decidi que devia realmente retomar meu atarefado dia, ja que estava atrasada.
- Eleazar! - chamei ao quase virar costas para a porta da saída. - Leva os miúdos na escola, que eu vou andando que se não.. perco o meu emprego. - sai porta fora, lembrando depois. - Há Silvestre, logo conversamos e desculpa minha frontalidade. - corri para o carro desta vez.
E ja de porta na mão, ouvi ele responder "um esta tudo bem". Entrei e dei logo a ignição, acelerado por essa rua fora, só tendo o tempo de parar no estacionamento da policia.
Renée
A manha ja havia começado com um sol esplêndido, minha Jane como sempre estava demoradissima na casa de banho, não sei a fazer o que? "Mas que menina essa.." resmunguei em pensamento.
A mesa do pequeno almoço ja estava posta e reposta, não lembrava quantas vezes não havia colocado de novo os talheres. Então quando vi um homem a caminhar na direcção da casa dos Misty, fiquei curiosa e claro esta, que não queria largar a janela. Porque eu, Renée Ruane, tinha de zelar pelo bem do bairro, sim ou não?
Então desviei as cortinas da janela da cozinha, e fiquei atenta a tudo. Eu queria ouvir a conversa, mas não conseguia, porque estes malditos vidros eram a prova de som. "Oh vida, porque me deste um marido tão desmancha prazeres?!" pensei.
- Bom dia!
Mandei um salto, e não parei no chão por sorte.
- Oh Charlie, não voltes a entrar assim na minha cozinha.. - olhei furiosa para ele, fazendo gestos de repreensão com a mão.
- O que foi mulher? Parece que viste um fantasma!
Tentou fazer graça e ao mesmo tempo mudar de assunto que eu bem sabia. Conhecia muito bem o meu chefe de policia para entender suas derradeiras atitudes. Pouco tempo depois apareceu a minha Jane, toda maquilhada, toda aprontidinha e com um uniforme magnifico que aqui a mamazinha havia encomendado.
- Bom dia, papa e mama! - ela sentou na sua cadeira, tirando logo uma torrada com doce de morango para si.
- Com ela não reclamas! - resmungou Charlie ao sentar por fim.
- Não mudes de assunto Charlie! - fiz meu papel de mulher respeitadora.
Olhei minha filha e sorri por ver ela tão bela, e tratei de colocar as minhas antenas voltadas aos vizinhos.
- O que tanto olhas ai mulher?
Mas hoje eu não tinha um minuto apenas meu? Seria isso possível?
- Ora essa estou a ver como os vizinhos se comportam! - respondi sem tirar os olhos da janela. - Ele entrou! - falei intrigada.
- Ele quem? - perguntou o meu marido.
- Quem? - perguntou a Jane.
- Calem-se! - ordenei.
Eu agora não conseguia saber o que se passava dentro daquela casa o que era péssimo a meu ver. Hum, eu cá ja tinha uma ideia a ferver que ia fazer eu tirar esse meu púcaro da algibeira.
Eu ia lá fazer a minha surpresa de senhoria, claro esta, levando comigo um bolinho para os meninos. "Oh Renée, tu és uma inteligência pura, mulher!", pensei.
- Bem eu ja estou atrasada para ir para a escola.. Pai levas-me?
Voltei-me para eles, apenas por um segundo, e depois colei uma vez mais o olhar na janela, onde vi a Carmen a sair a correr.
- Onde é que a Carmen vai toda apressada? - questionei.
- Fazer algo que tu não fazes! - olhei de esguelha para o marido. - Trabalhar! - levantou-se da cadeira.
- Olha! - fiquei escandalizada. - Fica sabendo tu que, eu sou muito boa dona de casa e se tudo correr como planeado serei a nova presidente da associação de pai do Colégio Asturia. - fiz meu ar de imperialista.
- Espero mesmo que não consigas! - debochou a minha filha ao correr porta fora.
- Ingrata! - gritei.
Uma vez que eles haviam saído eu aproveitei para olhar minha deliciosa vista e claro esta, que ja tinha uma pilha de loiça para me tirar atenção que muito eu queria tomar. Contudo eu ia ser boa dona de casa ao despachar tudo isto para poder saltar ate aquela casinha ali bem a minha frente e matar o meu bicho.
Caroline
Quando sai do meu quarto ja Carmen, havia saído e em consequência disso estava uma visita estranha dentro de nossa casa que ao olhar bem para essa pessoa, lembrei de alguém que a uma noite achava estar morto.
Como era possível alguém voltar do reino dos mortos a vida assim? Eu lembrava que Carmen e Eleazar haviam frisado o quanto ele estava morto, sem sinais vitais..
"Espera lá, e se não for ele?" pensei. "E se for uma armadilha para nós cairmos?" voltei a pensar. Entrei imediatamente na cozinha, onde puxei pela atenção do Jasper, mesmo que não gostasse de recorrer a ele, no entanto era a única pessoa que eu encontrava em condições favoráveis de trocar esse tipo de ideias.
- O que se passa? Não vives sem mim agora? - tentou fazer piada comigo, que logo fiz cara seria ao chegar no jardim. - Desculpa, diz lá faiscas..
- Em primeiro lugar não é faiscas! Em segundo, não achas estranho o facto do Silvestre voltar? - perguntei.
Fiquei a espera de uma resposta sua, que aparentemente não sabia o que ele podia dizer, muito menos pensar.
- Esta bem, esta bem.. - levanto as mãos no alto em sinal de redenção. - Não, na verdade não acho nada estranho.
- Claro tu nunca achas nada.. - resmunguei mais para mim.
- Eu ouvi isso! - reclamou ao sentar na cadeira de baloiço. - Pelo contrário eu acho muito bem que ele tenha voltado, porque a Maggie merece ter o pai por perto.
Era extremamente difícil conversar com ele. Ele sempre via tudo como uma solução imediata aos problemas. Ok, eu não podia ficar egoísta com o facto de o pai da Maggie ter voltado, mas juntar a volta ao passado, era dignamente estranho, não? Ele estava morto, não era possível estar vivo agora!
- Não sei se te recordas, mas na época em que nos encontramos aquela casa, ele estava sem sinais vitais, não respirava, o coração não batia.. por outras palavras, estava morto... - suscitei.
- As pessoas também podem voltar a vida... - disse ele.
- Estas a brincar comigo, é que so pode... - cruzei os braços. - Jasper, Hello? Isto não é um filme é a realidade... - fiz gestos com as mãos.
- Ok, ja percebi que tu é que sabes tudo. - levantou. - Então da-me uma explicação para o facto de este senhor estar aqui e agora.. - aproximou de mim.
Fiquei um tempo pensativa e de olhar penetrado no seu. Eu queria apresentar a minha teoria, queria mostrar que eu tinha inteligência muito pelo contrário da sua, so que por vezes eu perdia-me na imensidade dos seus olhos.
Então quando estava mais ou menos pronta para falar, uma porta se abriu, e quase que não demos pela entrada que não a denuncia da voz ao faze-la ser conhecida.
- Os meninos so por acaso ja não deviam estar no colégio?! - olhei imediatamente para a figura que esclarecedora não tinha intenção de ver logo pela manha.
- Renée! - repetimos em coro.
- Eu mesma.. mas agora va va.. - pousou um bolo e empurrou-nos para a porta de saída do jardim.
- Mas quem ela pensa que é para entrar assim? - resmungou Jasper.
Respirei fundo umas quantas vezes e sinceramente, nem queria conhecer a ideia imediata desta bruxa e afins.
Comecei a caminhar a frente, logo o Jasper me acompanhou sem grandes perguntas, o que era um autentico milagre.
Carmen
O facto de Silvestre ter aparecido lá em casa havia deixado muito confusa. Primeiro ele estava morto, e agora do nada estava vivo? Não.. isso tinha coisa.
Entrei na recepção, onde avisaram o chefe que eu ja havia chegado para entrar ao serviço. Bati a uma porta e lá estava o Charlie sentado com uns papeis.
- Bom dia Charlie desculpa meu atraso.. - sussurrei.
- Senta.. - indicou. - E na verdade não chegas-te tão atrasada quanto eu, acabei mesmo de sentar. - suspirou. - Bom o trabalho que tenho para te oferecer, é como arquivista.
Fiquei atenta a sua explicação, e pensando bem ser arquivista não era coisa muito dura não.. Na verdade nos arquivos eu podia encontrar algo mais que de certo modo pudesse levar ate ao paradeiro da minha Alice.
- Carmen, esta tudo bem? - voltei dos meus devaneios.
- Sim, desculpa.. - pousei as mãos no tampo da mesa. - Na verdade acho um bom emprego.
- Há estou mais descansado agora, é que normalmente nem toda a gente gosta, e cá no departamento tem havido tanto trabalho..
Olhei para os lados examinando a sala.
- Ninguém diria, a meu ver Vale Perdido parece ser tão pacato. - disse.
- Ai é que esta.. - olhei confusa. - Parece, mas não é.. - continuei sem perceber. - A uns tempos aconteceram uns massacres por aqui, pouca gente gosta de falar sobre isso, e se formos a ver quase ninguém lembra e as que lembram preferem ficar em silencio.
- Mas o que aconteceu?
Estava curiosa com a história, e se estava pronta abraçar um grupo policial então eu teria de estar por cima de todas as noticias da actualidade e passado, certo?
- Bom, pelo que sei e lembro. Tudo aconteceu por causa de uma briga de duas amigas, que lutavam pela atenção do mesmo rapaz. - fiquei atenta. - Sei que a primeira vista pode parecer uma história verídica, mas acontece que é um pouquinho mais que isso. - cruzei a perna.
- Mas e depois?
Tinha de admitir que a história estava a deixar-me imensamente curiosa.
- Uma delas, acabou por matar o rapaz, com aquela história, se não és meu, não serás de mais ninguém.. - arregalei os olhos. - Pois esse olhar eu também fiz quando na verdade conheci o intuito da história. - ajeitei uma mexa de cabelo. - Pouco tempo depois da morte desse rapaz, umas das amigas por raiva decidiu matar a outra e em consequência disso matou a família também. Segundo consegui apurar na altura, a jovem que comprimenteu os massacres estava com um distúrbio mental progressivo.
- Mas ainda assim o que ela fez foi muito grave.. - disse. - Devia ter sido punida.
- E foi, depois de mais duas famílias serem mortas, so que desta vez foram a do falecido rapaz e a própria família. - estava escandalizada. - Foi um escândalo na altura, saíram em quase todos os jornais essas mortes, e Vale Perdido como vês foi um palco de sangue.
Nunca em momento havia pensado que este lugar mágico e calmo teria sido em outra altura algo tão assustador.
- Eu não sei nem o que dizer.. - dei de ombros. - Mas, essa rapariga ainda esta...
- Não, infelizmente suicidou-se pouco tempo depois na clínica psiquiátrica, onde foi internada.
- Talvez tenha sido melhor assim, ja que ela havia feito tanto mal..
- Por um lado sim, mas por outro doloroso, porque nós policiais, apenas queremos perceber o porque de tudo. Acredito que exista alguma teoria que faça fundamento a tudo.
- Talvez!
Eleazar
Olhando bem para ele bem a minha frente ainda fazia um pouco de confusão, porque em outra hora eu o havia visto estendido no chão e sem pingo de vida, contudo ele teria uma explicação, certo?
Eu queria acreditar que sim, se não eu daria em um perfeito louco. E neste momento não seria uma boa ideia, dado que o meu pequeno filho ainda precisava de um pai que olhasse por ele.
- Silvestre, certo? - perguntei.
- Certo!
Ele observava a casa com tanto pormenor que deixava-me meio que desconfortável.
- Então, é bom voltar a ver a tua filha, não? - eu mais parecia um provinciano a falar do que eu mesmo. - Ela esta crescida e a portar-se lindamente.
- Que bom, a Maggie sempre foi um anjo. - respondeu sem olhar para mim, que por outro lado não tirava os olhos dos objectos.
- Eleazar!
"Oh não, tu outra vez?!" pensei ao ver a Renée entrar na minha sala como se a casa fosse sua, o que na verdade era, porque ela era a senhoria, embora não tivesse liberdade para entrar assim.
- Quem é este senhor? - perguntou ela, ao tentar ver, e eu esconder. - Ai sai da minha frente.. - revirei os olhos. - Olá sou Renée Ruane ao eu dispor..
Cruzei os braços, mas logo tratei de tirar a mulher da sala..
- Ai Eleazar que indelicadeza, o senhor nem me respondeu... - disse ela escandalizada.
- O senhor é meu primo, e ele é muito ocupado, na verdade ele tem um problema.. - confidenciei.
- Ai sim? - ela estava com cara de caso.
Ok, mentir não era coisa bonita, mas como era para ela eu tinha de encontrar um modo para a tirar daqui, certo?
- Sim, Esquizofrénico!
- Ai cruzes! - benzeu-se umas quantas vezes. - E tu colocas-te um ser com... com... isso.. dentro dessa casa? - olhou para mim com aquela cara apenas sua.
- Oh Renée, ele é meu primo e não o podia deixar na rua, certo?
- Pensando assim, melhor mesmo que não.. Ja bastou de malucas por aqui... - comentou.
"A quem o dizes!" pensei.
Maggie
Hoje como o meu papa estava aqui e não ia sair, eu pedi com muito jeitinho ao Eleazar para me deixar ficar aqui com o Alec, porque era um dia especial. Ele claro deixou, porque não ia dizer não a meu ar de anjo.
Então quando vi que os adultos não estavam mais na sala e que apenas estava lá o meu papa, tentei saber o que a sua cabeça achava de voltar a ver-me.
Sentei na escada e sintonizei a minha mente a dele, e acreditando que não, eu não encontrava os pensamentos de um pai, ele, esse homem que estava na sala não era o meu papa.
Corri as escadas a baixo, e ele olhou para mim, forçando um sorriso que eu percebi logo que era falso.
- Então filhota, queres brincar?
Aproximei dele, olhei bem para o seu rosto, procurei ver aquilo que o seu olhar frio e e distante escondia.
- Tu não és o meu papa! - falei firme. - Diz-me onde o esta o meu papa! Diz! - gritei.

Oi Paula! Desculpa a demora pra aparecer por aqui, nem tinha visto que já tinha capítulo novo... O.O
ResponderEliminarBem, eu no lugar da Carmen também acharia a aparição do Silvestre muuuuito estranha, afinal, ele devia estar morto, né? Aposto que mesmo que ela tenha tentado parecer simpática, deve ter ido para o trabalho com a pulga atrás da orelha...
Rennée é mesmo muuuuito curiosa, que absurdo! Aparece alguém à porta e ela já corre pra janela pra saber o que se passa... rsrsrsrs Engraçado é ela se justificar pensando que é trabalho dela zelar pelo bem estar da vizinhança. Eu ri! rsrsrsrs E vejam só, Charlie foi meio duro com ela, né? Acho que ele não aprova essa curiosidade da esposa...
Ao menos Caroline achou estranha essa aparição repentina do Silvestre, menos mal... Espero que ela fique de olho nesse senhor pra evitar que eles caiam em outras armadilhas... E bem, vejo que ela e Jasper continuam se estranhando, ooo dó! rsrsrsrs Será que um dia eles se entendem?
Geeeente... que história tensa essa que o Charlie contou pra Carmen! O.O Quem diria que essa cidade poderia ter um histórico de violência dessa proporção? Fiquei abismada! Mas fora isso, espero que ela consiga achar algumas respostas sobre a Alice...
Eleazar também está confuso com essa aparição surpresa do Silvestre... Mas ele nem teve muito tempo pra pensar nisso, afinal, Rennée já chegou fazendo mil e uma perguntas sobre quem era a visita. Mas Eleazar se saiu bem inventando uma desculpa bem rapidinho! hehehehe
Ah, Maggie já descobriu que quem está ali não é o pai dela, isso que é garotinha esperta! Só espero que esse farsante não faça mal a pequena!
Adorei o capítulo, até o próximo... :)
xoxo
Oi Caroline, seja sempre bem vinda e nao se preocupe com a sua demora em vir aqui ler e rir. Quem me dera que houvessem leitores assim, mas enfim.
EliminarCarmen é uma mulher para encontrar suspeitos em tudo e o facto de ter de ir a correr para o emprego a deixou intrigada. Porem terá sempre alguem para resolver a questao e mais tarde ficar sabendo, nao mesmo?
Essa é o tipo de mulher muito comun para muitos lugares, e tipicamente de dona de casa que nao tendo com que se preocupar, ve solução e devertimento nos problemas de fora. Claro esta que Charlie nao aprova nem um pouco violação de privacidade alheia, alias ninguem em seu perfeito juizo aprova, certo?
Caroline é muito desconfiada e quando pressente que algo nao é certo, ela luta ate descubrir. Afinal alguem na familia tem de ficar atentos aos passos e eventualmente defender seu lar. Porque apesar de tudo sao uma familia, e uma familia normalmente unida se ajuda.
Ok, esses dois como ja disse a um tempo sao tipo gato e rato, e praticamente so conseguem estar bem assim se tratando de nivel negativo, por outras palavras se afastando ou ate mesmo criticando. Vai se lá perceber as teorias do amor...
É uma historia bem elicita, mas infelizmente muito comun nos dias de hoje e por aqui em Vale Perdido nao foi excessao.
Verdade nada parece aquilo que é ou ja foi, é sempre assim.
Tomara que essa mae consiga encontrar algo ai que ajude a chegar a unica peça de sua chave. Na minha opiniao devia ser proibido afastar uma filha da sua mae em tenra idade.
Pobre Eleazar sempre apanhado de surpresa e nao é que essa
Renée esta sempre em todos os sitios e em todas as horas erradas. Oh diabo. Bem que ele foi inteligente e pratico se nao o que ele iria explicar a essa mulher, ne?
Maggie a menina do elemento chave de encontrar o que os outros pensam. Nao sei o que pode acontecer, mas acredite é melhor esperar para ver.
Volte sempre e acredite cada novo capitulo é sempre a surpreender.
Beijinhos