Ele não respondeu, apenas levantou de onde estava a pegou na sua jaqueta sob jogada no sofá e saiu porta fora sem dar uma única explicação.
Eu queria ir atrás, descobrir o porque da sua falta, de esclarecimentos, da sua ausência de palavras, e porque a sua vinda. "Porque se ele não era o meu papa, porque se vestia e parecia tanto com ele? E como ele sabia de nós? Será que ele pertencia aos maus?" fiz um milhão de questões na minha cabeça.
Corri de volta ate ao andar de cima onde entrei no quarto do Alec que estava satisfeito a jogar na sua consola.
- Alec! Alec! - chamei por ele algumas vezes, mas ele não dava sequer crédito.
Então acabei por fazer uma coisa que toda a gente odiava que nos fizessmos, isto é, colocar-me na frente do ecrã. Ouvi de pouco de tudo, desde resmungos a ameaças de lançamento de almofadas, enfim eu estava por tudo.
De uma maneira ou de outra, a minha missão estava cumprida, porque ele havia desistido de ganhar atenção da tv, tanto que olhei para ele com cara de anjo, saltitei ate a sua cama, onde sentei a pernas de chinês.
- O que se passa? - questionou ele. - Nao vives sem brincar comigo agora?
Fiz cara de espanto, ele ja estava a ficar tão igual ao Jasper em certas atitudes, não admirava nem um pouco o quanto a Caroline perdia a cabeça, que enfim não ia nem pensar.
- O meu... papa... ele...
- Voltou eu sei, eu vi. - respondeu ele, pegando no comando. - Deves estar muito contente, porque agora sabes que ele esta bem e que podes fazer o teu papel de filha...
Como alguém podia ser tão ingénuo? Bolas eu pensava que ele era um pouco mais inteligente.
- Não é isso! - cruzou os braços. - Não percebes nada, mesmo! - ele fez cara de caso. - Ele não é o meu papa!
- Não??
- Não! - realcei.
- Como não? Eu vi, tu viste!
Suspirei, e peguei no seu comando colocando ele de lado.
- Eu li a cabeça dele e sei que não é o meu papa, porque não pensa do mesmo modo... - expliquei.
Aos poucos fui exprimindo o meu pensar, o acontecimento sob palavras, obviamente que o Alec ficou em estado de alerta e com isso a medo, porque o facto de especular ser um dos maus o deixava assustado, assim como a mim e ao resto da família, salvo seja.
Ainda assim eu tinha de mostrar coragem, e sozinha não ia conseguir desmascarar alguém, muito menos so com ajuda do Alec porque éramos inofensivos aos adultos, quer dizer, tirando a parte em que o Alec conseguia mover os objectos com a mente, ou eu que conseguia saber o que os outros pensam.
- Mas ele ainda continua dentro desta casa? - ele perguntou a medo e num fio de voz, que se não estivesse bem ao lado dele, não teria nem ouvido.
- Não, ele saiu, quando eu o confrontei dizendo que ele não era o meu papa! - fiquei desiludida.
- Não devias ter feito isso, e se ele agora se sente com raiva e vem aqui de novo e nos sequestra? - pegou numa almofada a mordendo. - Ou pior e se ele vem lá do planeta dos extraterrestres?
- Alec! - repreendi. - Para com os disparates! - resmunguei mantendo o meu ar serio.
- Achas que são disparates?
- Não vou comentar isso, não achas?
Saltei para o chão, indo ate a porta.
- Onde é que pensas que vais?
- No colégio, eu preciso de alertar o Jasper e a Caroline! - mordi o lábio inferior. - Se quiseres podes vir comigo, antes que o E.T venha buscar-te aqui.
Ele saltou imediatamente da cama, colocando-se ao meu lado a tremelicar.
Descemos degrau por degrau em mutuo silencio. Na cozinha apenas ouvia os copos e os pratos a tilintar, certamente era o Eleazar a planear alguma refeição, ou então a bater com as porcelanas impaciente de tanto ouvir a bruxa, sim porque ela ainda estava nesta casa e a prova disso eram os seus pensamentos absurdos.
Chegamos ate a porta, fiz sinal com o dedo primido sob os lábios para que não se fizesse barulho algum ao sair, ou então o nosso plano de fuga estaria em maus lençóis e um castigo neste momento era tudo menos agradável.
Já na rua tratei de correr o mais que pude, porque ao olhar o relógio de pulso reparei que ja estava a menos de 3 minutos de o sinal de entrada soar.
- Vem Alec não demores! - gritei vendo que ele estava mais para trás.
- Eu não tenho a tua resistência de aço não achas Maggie! - desculpou-se ele.
Carmen
- Bom eu não quero maçar mais com estes assuntos mais que resolvidos, Carmen! - disse por fim Charlie.
Deduzi que nessa hora era o momento em que eu devia aproveitar para entrar ao trabalho sem que houve mais alguma nova interrupção, ou nova história, sendo que eu gostava de ouvir histórias e ainda mais sendo elas todas em torno de um lugar pelo qual não era nada de como o via.
Quem diria que aqui ja havia acontecido tanto, não? Pois bem, despedi-me de Charlie educadamente e sai ate a sala pelo qual seria meu próximo pouso por horas.
Quando entrei fiquei um pouco espantada ao ver tudo muito arrumadinho, porque segundo recordava estes sítios eram bem que um caus, e depois toda a sua delicadeza ao falar que não era um emprego deveras de muito agrado de muitos, levaria uma pessoa a pensar outras coisas.
Sentei na minha secretária, olhei a lista infinita que tinha a minha frente, em muitos nomes eu não encontrava o da minha filha, isto não estava a correr bem. Levantei, rondei a sala, desarrumei, e arrumei, procurei e nada.
"Não é possível, não pode!" pensei.
Abri outras gavetas e fechei mas nada resumia a vida da minha filha e isso deixava-me muito triste e certamente que não estava nos planos de sei lá quem, que eu como mãe a pudesse encontrar.
Talvez o meu marido tivesse razão, o meu pai, a minha mãe quando falaram que casos de desaparecimentos eram coisa mais difícil de resolver, ou então a pessoa voltava morta, ou então nunca mais seria vista.
É claro que por mais que as ideias assombrassem desse modo, eu não acreditava nisso, era bastante racional para por em causa essa hipótese. A Alice tinha de estar viva, eu sentia ela perto, só tinha de a procurar e encontrar e ir embora com ela para nossa casa viver nossa vida.
Fechei os olhos um pouco, sentando gradualmente no chão, encostando a cabeça ao armário e pensar nela com tanta força.
"Estava um dia de sol, era Junho, um dia em que começava a fazer-se intenso o calor de verão. Alice ja estava acordada quando entrei na cozinha para tomar o meu pequeno almoço. Ela sorria com aquele ar de menina doce e apenas seu de quem havia perdido o seu primeiro dente.
Aproximei dela, a levantei no colo e a girei em rotação de montanha russa que ela adorava quando eu o fazia.
- Faz outra vez! - pedia ela, mostrando no seu sorriso aquela falta daquele dentinho na frente.
- Oh meu amor, claro! - voltei a girar ela com alguma vontade animada.
Ela apenas ria, e eu a acompanhava nessa risada amorosa e perfeita. Amava nossos momentos porque quando eles aconteciam, nos apenas esquecíamos o mundo, mas claro que não podíamos esquecer o papa.
- Mama... - olhou ela nos meus olhos quando a pousava no chão.
- Diz meu amor! - afaguei seu cabelo carinhosamente.
- Falta-me um dentinho e agora não posso sair na rua... - fez beicinho para mim, e cruzou os braços.
Abaixei-me a seu nível, passei as minhas mãos sob seus braçinhos e sorri para a confortar e disse:
- Mas tu és linda com ou sem dentinho meu amor... - agora passava a mão no seu rostinho. - E alem disso, estas a crescer, e os dentes também.
- Mas ele vão ficar grandes e sair da minha boca? - fez cara de espanto.
- Não meu amor! Eles crescem mas também caiem porque são dentes de leite. - expliquei, logo ela ficou mais tranquila. - Onde colocas-te o dentinho? - questionei.
- Esta na casa de banho, mas porque?
Olhou ela curiosa para mim, então peguei na sua mãozinha e a levei ate a casa de banho para pegar no dentinho.
Quando lá entrei, estava ele pousado sob a loiça de cerâmica, e ai virei a minha atenção a ela voltando a baixar.
- Esse dentinho agora vais colocar numa bolsinha e deixar de baixo da tua almofada, porque quando estiveres a dormir, a fada madrinha vem buscar e da um presente que quando acordares vais sorrir por ver.
- A serio mama?
O seu ar inocente era tão sensato que eu queria tanto viver a sua ingenuidade novamente.
- Sim meu amor...
Então ela pegou nele e correu para o quarto toda animada."
Lembrar ela era bom, era maravilhoso viver a sensação de dias inesquecíveis, so que também doía sentir a falta daquele carinho, daquele amor, que apertava o meu coração ver que a minha filha estava longe e que talvez perto mas distante para mim.
Caroline
O facto de estar aqui na escolha ausente de respostas para um aparecimento inesperado era um pouco estranho e deveras incomodativo. Jasper de algum modo concordava comigo em alguns pontos, mas noutros nem parecia estar na terra.
Por outro lado ele era a única pessoa pelo qual podia partilhar minhas duvidas, porque falar com Maggie sobre isso não era um assunto muito simpático, e por outro lado era o papa dela não um estranho.
Com Alec, bom ele um garoto que tinha medo e que não iria querer estar metido em problemas que o seu papa podia muito bem chegar e pregar uma boa corrida de sermões.
Ainda tinha Carmen que era mais racional e que melhor podia entender minhas desconfianças e curiosidades. Claro ela era igual a mim no que dizia respeito a ter cuidado com confiança. Eu tinha de falar com ela, tinha de ser agora, ou então seria muito tarde para a encontrar em casa visto que o seu horário era estranho.
Peguei nos meus livros da mesa e dirigi-me ao cacifo para os guardar, e quando estava a fechar a porta do mesmo, apareceu a minha frente quem não esperava ver e muito menos falar.
- Olá Caroline!
- Olá Edward, eu estou saída... se me dás licença! - tentei passar, mas ele estava a bloquear a passagem. - Olha eu ja disse que não tenho nada haver com o que o Jasper faz e muito menos quero me meter, ok? - passei lado a lado do seu ombro.
- Espera... Caroline! - parei, mas não olhei. - Eu sei, fui um perfeito idiota contigo, e não devia ter feito aquela coisa.. aquele disparate. - virei para ele.
- Ok, eu ja percebi, estas perdoado, mas agora estou de saída.
Voltei a seguir caminho em frente para o all de saída do edifício, quando ao trespassar a grande porta esbarrei justo com Alec e Maggie.
- Oi, o que se passa? - questionei os dois pequenos.
- Caroline nos precisamos de falar contigo... é urgente. - eles olhavam um para o outro.
Estava preocupada, eles estavam estranhos e eu não podia ignorar esse ponto, então tratei de os levar comigo para um sitio mais seguro e privado.
Entramos numa salinha de canto, que apenas era usada muito raramente por alunos nos horários de aula. Sentei num puff e eles fizeram o mesmo.
- Agora podem contar o que se passa para mim?
- É ele, o meu papa, ele não é meu papa... ele é estranho, ele é muito parecido e muito falso e... - cortei.
- Calma, Maggie assim não vou entender nada. Fala mais devagar e mais tranquilo. - pedi.
- Aquele homem que estava na nossa casa mais cedo... - assenti. - ele não é meu papa.
- Como não? - pisquei incrédula.
- Eu li a cabeça dele mesmo que vocês achem isso muito errado, e foi que vi que ele não pensava daquela forma que so o meu papa pensa. - tracei uma linha com os meus lábios. - confrontei-o e ele simplesmente fugiu...
- Não devias ter feito isso, porque ele podia ser perigoso! - avisei.
- Eu falei a mesma coisa para ela! - informou Alec.
- Nós temos de falar com o Jasper e depois com Carmen, porque eles precisam de saber sobre isto, porque de alguma maneira estamos em perigo tendo um estranho dentro de casa.
Assentiram, levantei e saímos de onde estávamos. Inicialmente dei a indicação de que eles deviam ir para casa, para junto de Eleazar para garantir que ele não deixava esse impostor entrar, e segundo eu tinha de fazer duas coisas, a primeira avisar o Jasper, e dai seguir para o local de trabalho de Carmen.
Se antes tinha duvidas de quanto a um aparecimento estranho, agora tinha certezas.
Eleazar
Estava a horas a tentar afastar esta louca da minha casa, e parece que ela so queria que lhe desse mais atenção. Não tinha paciência alguma para isto, ja me bastava ter de aturar meu filho e agora outros, quanto mais uma senhora deste nível.
"Tudo seria tão mais fácil se não tivesse que aturar isto diariamente, porque ela não aprende de modo algum" pensei.
- Olha Rennée eu tenho mesmo de sair, sabes o meu primo esta com consulta marcada e sabes que estas pessoas não podem andar sozinhas... - sorri.
- Não podem andar sozinhas? - fez de escandalizada ao ser levada por mim ate a porta. - Que eu saiba podem ter uma vida normal...
- No caso do meu primo é algo mais grave ainda que esta sob estudo, com licença! - fechei a porta na cara dela.
"Uff, esta foi por pouco" pensei.
Carmen
Depois de recuperar as minhas emoções ligeiramente afectadas pelas recordações da minha princesa, voltei a olhar a lista que tinha sob a secretária e dei mãos ao trabalho, arrumando e levando dossier's ate as respectivas necessidades dos inspectores. Ao ultrapassar o corredor, ouvi uma grande algazarra que vinha da rua.
"Meu Deus que esta um caus lá fora" pensei, ao passar por um janela e olhar, e com isso ouvir.
- Nós precisamos de urgentemente falar com a Carmen, nossa mãe!
Era Jasper e Caroline, então sai de onde estava, pousando tudo numa secretaria e sem dar uma única satisfação ultrapassei as portas da entrada e dei de caras com Charlie que tentava acalmar eles.
- Parece que a vossa mãe ouviu o vosso chamamento! - disse ele, ao me ver aproximar.
- O que se passa meninos? - questionei meio chateada.
- Temos um problema para resolver mãe! - disse Caroline em ato de disfarce na frente de Charlie.
- Tudo bem vamos conversar na minha sala, isto claro se não houver problemas. - olhei de relance ao meu chefe, logo ele assentiu a entrada.
(...)
Entrei no meu gabinete e dei cadeiras para que pudessem sentar.
- O que passou pela vossa cabeça para armarem toda aquela confusão? - fiz meu ar de durona e de certo modo que não estava contente.
- Desculpa Carmen, mas o que se passa vale isso e muito mais. - esclareceu Jasper.
- Então comecem logo a explicar, porque quero saber!
Então Jasper assim como Caroline, cada um a seu tempo foi expondo todo o propósito de quanto Silvestre era uma fraude. Tinha a dizer que não estava contente com a revelação e que com isso a nossa vida ainda estava mais comprometida ao risco.
Tinha certo medo, que esse alguém por de trás dessa armadilha viesse logo a nossa procura e tirasse estes jovens do nosso cuidado e com isso, e eu ficar cada vez mais distante de encontrar Alice. Porque todos o minutos contavam para um terno de vida futura feliz.
Eu tinha de encontrar uma saída, nos tínhamos de juntos nos unir para sair dessa complicação sem tamanho, para já para conseguir escapar a esse caus que a nossa vida podia se tornar a qualquer instante.
- Eu sei que pode parecer estranho, mas eu fiquei desde logo com uma má impressão! - disse eu.
- Também estranhei o facto de o ver ali, pois naquela vez estava mais que esclarecido que estava morto. - disse Caroline.
- É verdade... - concordei. - Temos de ter muito cuidado ainda assim, porque ele agora sendo lá quem for, sabe onde nos vivemos e pode trazer reforços para um ataque. - indiquei, olhando para um e para o outro.
- Eu cá não tenho de ninguém e posso muito facilmente dar conta deles! - falou o loiro encorajado.
- É Jasper guarda a força para ti, ok? - abanei a cabeça para ele. - Não quero que ninguém se magoe. Ja de si vai ser uma situação complicada. - reflecti.
- Temos de contar ao Eleazar que esta com os miudos em casa sozinho e talvez mais vulnerável. - alertou ela.
- Calma, primeiro temos de pensar muito bem como agir em circunstancias complicadas. - disse quando eles ja se levantavam.
Fiz com que eles voltassem ao impasse anterior e contei as etapas para entrar em casa sem perigo, avisar, retirar todos de dentro e proteger. Obviamente que para Jasper tudo parecia uma realidade de um filme do 007, o que na verdade era mais ou menos igual, so que dentro de circunstâncias diferenciadas.
- Vamos embora, e por favor não façam comentários no corredor, quanto menos pessoas souberem da nossa história melhor! - salientei o quanto o nosso segredo era importante de ser zelado.
Eles assentiram e saíram muito tranquilamente sem começarem as suas brigas juvenis.
Passei no gabinete do Charlie para dar umas boas noites antes de sair do departamento.
- Boa Noite Charlie! - abri a porta para acenar.
- Boa Noite Carmen!
Fechei a porta e segui ate ao exterior onde já tinha aqueles dois a discutir na frente do carro como sempre.
Eu queria ir atrás, descobrir o porque da sua falta, de esclarecimentos, da sua ausência de palavras, e porque a sua vinda. "Porque se ele não era o meu papa, porque se vestia e parecia tanto com ele? E como ele sabia de nós? Será que ele pertencia aos maus?" fiz um milhão de questões na minha cabeça.
Corri de volta ate ao andar de cima onde entrei no quarto do Alec que estava satisfeito a jogar na sua consola.
- Alec! Alec! - chamei por ele algumas vezes, mas ele não dava sequer crédito.
Então acabei por fazer uma coisa que toda a gente odiava que nos fizessmos, isto é, colocar-me na frente do ecrã. Ouvi de pouco de tudo, desde resmungos a ameaças de lançamento de almofadas, enfim eu estava por tudo.
De uma maneira ou de outra, a minha missão estava cumprida, porque ele havia desistido de ganhar atenção da tv, tanto que olhei para ele com cara de anjo, saltitei ate a sua cama, onde sentei a pernas de chinês.
- O que se passa? - questionou ele. - Nao vives sem brincar comigo agora?
Fiz cara de espanto, ele ja estava a ficar tão igual ao Jasper em certas atitudes, não admirava nem um pouco o quanto a Caroline perdia a cabeça, que enfim não ia nem pensar.
- O meu... papa... ele...
- Voltou eu sei, eu vi. - respondeu ele, pegando no comando. - Deves estar muito contente, porque agora sabes que ele esta bem e que podes fazer o teu papel de filha...
Como alguém podia ser tão ingénuo? Bolas eu pensava que ele era um pouco mais inteligente.
- Não é isso! - cruzou os braços. - Não percebes nada, mesmo! - ele fez cara de caso. - Ele não é o meu papa!
- Não??
- Não! - realcei.
- Como não? Eu vi, tu viste!
Suspirei, e peguei no seu comando colocando ele de lado.
- Eu li a cabeça dele e sei que não é o meu papa, porque não pensa do mesmo modo... - expliquei.
Aos poucos fui exprimindo o meu pensar, o acontecimento sob palavras, obviamente que o Alec ficou em estado de alerta e com isso a medo, porque o facto de especular ser um dos maus o deixava assustado, assim como a mim e ao resto da família, salvo seja.
Ainda assim eu tinha de mostrar coragem, e sozinha não ia conseguir desmascarar alguém, muito menos so com ajuda do Alec porque éramos inofensivos aos adultos, quer dizer, tirando a parte em que o Alec conseguia mover os objectos com a mente, ou eu que conseguia saber o que os outros pensam.
- Mas ele ainda continua dentro desta casa? - ele perguntou a medo e num fio de voz, que se não estivesse bem ao lado dele, não teria nem ouvido.
- Não, ele saiu, quando eu o confrontei dizendo que ele não era o meu papa! - fiquei desiludida.
- Não devias ter feito isso, e se ele agora se sente com raiva e vem aqui de novo e nos sequestra? - pegou numa almofada a mordendo. - Ou pior e se ele vem lá do planeta dos extraterrestres?
- Alec! - repreendi. - Para com os disparates! - resmunguei mantendo o meu ar serio.
- Achas que são disparates?
- Não vou comentar isso, não achas?
Saltei para o chão, indo ate a porta.
- Onde é que pensas que vais?
- No colégio, eu preciso de alertar o Jasper e a Caroline! - mordi o lábio inferior. - Se quiseres podes vir comigo, antes que o E.T venha buscar-te aqui.
Ele saltou imediatamente da cama, colocando-se ao meu lado a tremelicar.
Descemos degrau por degrau em mutuo silencio. Na cozinha apenas ouvia os copos e os pratos a tilintar, certamente era o Eleazar a planear alguma refeição, ou então a bater com as porcelanas impaciente de tanto ouvir a bruxa, sim porque ela ainda estava nesta casa e a prova disso eram os seus pensamentos absurdos.
Chegamos ate a porta, fiz sinal com o dedo primido sob os lábios para que não se fizesse barulho algum ao sair, ou então o nosso plano de fuga estaria em maus lençóis e um castigo neste momento era tudo menos agradável.
Já na rua tratei de correr o mais que pude, porque ao olhar o relógio de pulso reparei que ja estava a menos de 3 minutos de o sinal de entrada soar.
- Vem Alec não demores! - gritei vendo que ele estava mais para trás.
- Eu não tenho a tua resistência de aço não achas Maggie! - desculpou-se ele.
Carmen
- Bom eu não quero maçar mais com estes assuntos mais que resolvidos, Carmen! - disse por fim Charlie.
Deduzi que nessa hora era o momento em que eu devia aproveitar para entrar ao trabalho sem que houve mais alguma nova interrupção, ou nova história, sendo que eu gostava de ouvir histórias e ainda mais sendo elas todas em torno de um lugar pelo qual não era nada de como o via.
Quem diria que aqui ja havia acontecido tanto, não? Pois bem, despedi-me de Charlie educadamente e sai ate a sala pelo qual seria meu próximo pouso por horas.
Quando entrei fiquei um pouco espantada ao ver tudo muito arrumadinho, porque segundo recordava estes sítios eram bem que um caus, e depois toda a sua delicadeza ao falar que não era um emprego deveras de muito agrado de muitos, levaria uma pessoa a pensar outras coisas.
Sentei na minha secretária, olhei a lista infinita que tinha a minha frente, em muitos nomes eu não encontrava o da minha filha, isto não estava a correr bem. Levantei, rondei a sala, desarrumei, e arrumei, procurei e nada.
"Não é possível, não pode!" pensei.
Abri outras gavetas e fechei mas nada resumia a vida da minha filha e isso deixava-me muito triste e certamente que não estava nos planos de sei lá quem, que eu como mãe a pudesse encontrar.
Talvez o meu marido tivesse razão, o meu pai, a minha mãe quando falaram que casos de desaparecimentos eram coisa mais difícil de resolver, ou então a pessoa voltava morta, ou então nunca mais seria vista.
É claro que por mais que as ideias assombrassem desse modo, eu não acreditava nisso, era bastante racional para por em causa essa hipótese. A Alice tinha de estar viva, eu sentia ela perto, só tinha de a procurar e encontrar e ir embora com ela para nossa casa viver nossa vida.
Fechei os olhos um pouco, sentando gradualmente no chão, encostando a cabeça ao armário e pensar nela com tanta força.
"Estava um dia de sol, era Junho, um dia em que começava a fazer-se intenso o calor de verão. Alice ja estava acordada quando entrei na cozinha para tomar o meu pequeno almoço. Ela sorria com aquele ar de menina doce e apenas seu de quem havia perdido o seu primeiro dente.
Aproximei dela, a levantei no colo e a girei em rotação de montanha russa que ela adorava quando eu o fazia.
- Faz outra vez! - pedia ela, mostrando no seu sorriso aquela falta daquele dentinho na frente.
- Oh meu amor, claro! - voltei a girar ela com alguma vontade animada.
Ela apenas ria, e eu a acompanhava nessa risada amorosa e perfeita. Amava nossos momentos porque quando eles aconteciam, nos apenas esquecíamos o mundo, mas claro que não podíamos esquecer o papa.
- Mama... - olhou ela nos meus olhos quando a pousava no chão.
- Diz meu amor! - afaguei seu cabelo carinhosamente.
- Falta-me um dentinho e agora não posso sair na rua... - fez beicinho para mim, e cruzou os braços.
Abaixei-me a seu nível, passei as minhas mãos sob seus braçinhos e sorri para a confortar e disse:
- Mas tu és linda com ou sem dentinho meu amor... - agora passava a mão no seu rostinho. - E alem disso, estas a crescer, e os dentes também.
- Mas ele vão ficar grandes e sair da minha boca? - fez cara de espanto.
- Não meu amor! Eles crescem mas também caiem porque são dentes de leite. - expliquei, logo ela ficou mais tranquila. - Onde colocas-te o dentinho? - questionei.
- Esta na casa de banho, mas porque?
Olhou ela curiosa para mim, então peguei na sua mãozinha e a levei ate a casa de banho para pegar no dentinho.
Quando lá entrei, estava ele pousado sob a loiça de cerâmica, e ai virei a minha atenção a ela voltando a baixar.
- Esse dentinho agora vais colocar numa bolsinha e deixar de baixo da tua almofada, porque quando estiveres a dormir, a fada madrinha vem buscar e da um presente que quando acordares vais sorrir por ver.
- A serio mama?
O seu ar inocente era tão sensato que eu queria tanto viver a sua ingenuidade novamente.
- Sim meu amor...
Então ela pegou nele e correu para o quarto toda animada."
Lembrar ela era bom, era maravilhoso viver a sensação de dias inesquecíveis, so que também doía sentir a falta daquele carinho, daquele amor, que apertava o meu coração ver que a minha filha estava longe e que talvez perto mas distante para mim.
Caroline
O facto de estar aqui na escolha ausente de respostas para um aparecimento inesperado era um pouco estranho e deveras incomodativo. Jasper de algum modo concordava comigo em alguns pontos, mas noutros nem parecia estar na terra.
Por outro lado ele era a única pessoa pelo qual podia partilhar minhas duvidas, porque falar com Maggie sobre isso não era um assunto muito simpático, e por outro lado era o papa dela não um estranho.
Com Alec, bom ele um garoto que tinha medo e que não iria querer estar metido em problemas que o seu papa podia muito bem chegar e pregar uma boa corrida de sermões.
Ainda tinha Carmen que era mais racional e que melhor podia entender minhas desconfianças e curiosidades. Claro ela era igual a mim no que dizia respeito a ter cuidado com confiança. Eu tinha de falar com ela, tinha de ser agora, ou então seria muito tarde para a encontrar em casa visto que o seu horário era estranho.
Peguei nos meus livros da mesa e dirigi-me ao cacifo para os guardar, e quando estava a fechar a porta do mesmo, apareceu a minha frente quem não esperava ver e muito menos falar.
- Olá Caroline!
- Olá Edward, eu estou saída... se me dás licença! - tentei passar, mas ele estava a bloquear a passagem. - Olha eu ja disse que não tenho nada haver com o que o Jasper faz e muito menos quero me meter, ok? - passei lado a lado do seu ombro.
- Espera... Caroline! - parei, mas não olhei. - Eu sei, fui um perfeito idiota contigo, e não devia ter feito aquela coisa.. aquele disparate. - virei para ele.
- Ok, eu ja percebi, estas perdoado, mas agora estou de saída.
Voltei a seguir caminho em frente para o all de saída do edifício, quando ao trespassar a grande porta esbarrei justo com Alec e Maggie.
- Oi, o que se passa? - questionei os dois pequenos.
- Caroline nos precisamos de falar contigo... é urgente. - eles olhavam um para o outro.
Estava preocupada, eles estavam estranhos e eu não podia ignorar esse ponto, então tratei de os levar comigo para um sitio mais seguro e privado.
Entramos numa salinha de canto, que apenas era usada muito raramente por alunos nos horários de aula. Sentei num puff e eles fizeram o mesmo.
- Agora podem contar o que se passa para mim?
- É ele, o meu papa, ele não é meu papa... ele é estranho, ele é muito parecido e muito falso e... - cortei.
- Calma, Maggie assim não vou entender nada. Fala mais devagar e mais tranquilo. - pedi.
- Aquele homem que estava na nossa casa mais cedo... - assenti. - ele não é meu papa.
- Como não? - pisquei incrédula.
- Eu li a cabeça dele mesmo que vocês achem isso muito errado, e foi que vi que ele não pensava daquela forma que so o meu papa pensa. - tracei uma linha com os meus lábios. - confrontei-o e ele simplesmente fugiu...
- Não devias ter feito isso, porque ele podia ser perigoso! - avisei.
- Eu falei a mesma coisa para ela! - informou Alec.
- Nós temos de falar com o Jasper e depois com Carmen, porque eles precisam de saber sobre isto, porque de alguma maneira estamos em perigo tendo um estranho dentro de casa.
Assentiram, levantei e saímos de onde estávamos. Inicialmente dei a indicação de que eles deviam ir para casa, para junto de Eleazar para garantir que ele não deixava esse impostor entrar, e segundo eu tinha de fazer duas coisas, a primeira avisar o Jasper, e dai seguir para o local de trabalho de Carmen.
Se antes tinha duvidas de quanto a um aparecimento estranho, agora tinha certezas.
Eleazar
Estava a horas a tentar afastar esta louca da minha casa, e parece que ela so queria que lhe desse mais atenção. Não tinha paciência alguma para isto, ja me bastava ter de aturar meu filho e agora outros, quanto mais uma senhora deste nível.
"Tudo seria tão mais fácil se não tivesse que aturar isto diariamente, porque ela não aprende de modo algum" pensei.
- Olha Rennée eu tenho mesmo de sair, sabes o meu primo esta com consulta marcada e sabes que estas pessoas não podem andar sozinhas... - sorri.
- Não podem andar sozinhas? - fez de escandalizada ao ser levada por mim ate a porta. - Que eu saiba podem ter uma vida normal...
- No caso do meu primo é algo mais grave ainda que esta sob estudo, com licença! - fechei a porta na cara dela.
"Uff, esta foi por pouco" pensei.
Carmen
Depois de recuperar as minhas emoções ligeiramente afectadas pelas recordações da minha princesa, voltei a olhar a lista que tinha sob a secretária e dei mãos ao trabalho, arrumando e levando dossier's ate as respectivas necessidades dos inspectores. Ao ultrapassar o corredor, ouvi uma grande algazarra que vinha da rua.
"Meu Deus que esta um caus lá fora" pensei, ao passar por um janela e olhar, e com isso ouvir.
- Nós precisamos de urgentemente falar com a Carmen, nossa mãe!
Era Jasper e Caroline, então sai de onde estava, pousando tudo numa secretaria e sem dar uma única satisfação ultrapassei as portas da entrada e dei de caras com Charlie que tentava acalmar eles.
- Parece que a vossa mãe ouviu o vosso chamamento! - disse ele, ao me ver aproximar.
- O que se passa meninos? - questionei meio chateada.
- Temos um problema para resolver mãe! - disse Caroline em ato de disfarce na frente de Charlie.
- Tudo bem vamos conversar na minha sala, isto claro se não houver problemas. - olhei de relance ao meu chefe, logo ele assentiu a entrada.
(...)
Entrei no meu gabinete e dei cadeiras para que pudessem sentar.
- O que passou pela vossa cabeça para armarem toda aquela confusão? - fiz meu ar de durona e de certo modo que não estava contente.
- Desculpa Carmen, mas o que se passa vale isso e muito mais. - esclareceu Jasper.
- Então comecem logo a explicar, porque quero saber!
Então Jasper assim como Caroline, cada um a seu tempo foi expondo todo o propósito de quanto Silvestre era uma fraude. Tinha a dizer que não estava contente com a revelação e que com isso a nossa vida ainda estava mais comprometida ao risco.
Tinha certo medo, que esse alguém por de trás dessa armadilha viesse logo a nossa procura e tirasse estes jovens do nosso cuidado e com isso, e eu ficar cada vez mais distante de encontrar Alice. Porque todos o minutos contavam para um terno de vida futura feliz.
Eu tinha de encontrar uma saída, nos tínhamos de juntos nos unir para sair dessa complicação sem tamanho, para já para conseguir escapar a esse caus que a nossa vida podia se tornar a qualquer instante.
- Eu sei que pode parecer estranho, mas eu fiquei desde logo com uma má impressão! - disse eu.
- Também estranhei o facto de o ver ali, pois naquela vez estava mais que esclarecido que estava morto. - disse Caroline.
- É verdade... - concordei. - Temos de ter muito cuidado ainda assim, porque ele agora sendo lá quem for, sabe onde nos vivemos e pode trazer reforços para um ataque. - indiquei, olhando para um e para o outro.
- Eu cá não tenho de ninguém e posso muito facilmente dar conta deles! - falou o loiro encorajado.
- É Jasper guarda a força para ti, ok? - abanei a cabeça para ele. - Não quero que ninguém se magoe. Ja de si vai ser uma situação complicada. - reflecti.
- Temos de contar ao Eleazar que esta com os miudos em casa sozinho e talvez mais vulnerável. - alertou ela.
- Calma, primeiro temos de pensar muito bem como agir em circunstancias complicadas. - disse quando eles ja se levantavam.
Fiz com que eles voltassem ao impasse anterior e contei as etapas para entrar em casa sem perigo, avisar, retirar todos de dentro e proteger. Obviamente que para Jasper tudo parecia uma realidade de um filme do 007, o que na verdade era mais ou menos igual, so que dentro de circunstâncias diferenciadas.
- Vamos embora, e por favor não façam comentários no corredor, quanto menos pessoas souberem da nossa história melhor! - salientei o quanto o nosso segredo era importante de ser zelado.
Eles assentiram e saíram muito tranquilamente sem começarem as suas brigas juvenis.
Passei no gabinete do Charlie para dar umas boas noites antes de sair do departamento.
- Boa Noite Charlie! - abri a porta para acenar.
- Boa Noite Carmen!
Fechei a porta e segui ate ao exterior onde já tinha aqueles dois a discutir na frente do carro como sempre.

Hey, estou de volta! :)
ResponderEliminarMaggie fez uma coisa terrível ao ficar na frente da tela, hein? Que safada! rsrsrsrs Mas fazer o que se era o único modo de chamar a atenção do Alec? E tadinho dele, ficou apavorado com a possibilidade do "falso Silvestre" ser um ET. Eu te compreendo Alec, Et's são mesmo aterrorizantes...
Parece que encontrar alguma pista sobre o paradeiro da Alice não vai ser assim tão simples, mesmo com a Carmen trabalhando na delegacia. Mas ela não pode perder a esperança, né? E que fofas essas lembranças! Deve ser mesmo muito doloroso relembrar esses momentos e não saber onde está a sua filha.
Ao menos Edward teve decência de pedir desculpas por seu comportamento, pontinho positivo pra ele! E Caroline está bem desconfiada com esse repentino aparecimento do Silvestre né? E já estava indo resolver isso quando os pequenos chegaram e puseram fim às suas dúvidas. Será que eles vão conseguir se prevenir antes que seja tarde?
Eleazar sofre nas mãos da Renée, tadinho! rsrsrsrs
Gente, Jasper e Caroline conseguiram armar uma boa confusão na porta de delegacia, não? Eu se fosse a Carmen, teria ficado roxa de vergonha! hehehe Mas por fim ela acabou entendendo os motivos dos dois e ainda concordou com os pontos de vista deles. Agora nos resta ver como eles vão sair dessa confusão, certo?
xoxo
Olá Caroline, seja bem vinda de volta. :)
EliminarOk, eu tambem nao gosto quando me fazem isso que a pequena Maggie lembrou de fazer, mas a males que vem por bens, e digamos que esse foi o unico jeito de o tirar de onde era preciso.
É certo que brincar com esses bichinhos nao é lá muito boa ideia, mas valeu a intenção.
É nao vai ser nada fácil para esta mae que esta totalmente esperada para encontrar sua única filha. Acho que eu ate ficaria da mesma maneira que ela, pois amor de mãe e filho é algo que nao tem explicação.
Sim, as vezes a recordação é o que nos aquece o coração, pois por mais coisas passem é ela que nos faz sorrir, entao no caso de Carmen, é mais uma vitoria para ela prosseguir em frente e nao desistir da sua filha, que estando nao sei onde, espera por ela.
Digamos que essa atitude de Edward, foi bem sucedida e talvez pensando melhor ninguem tem culpa das escolha dos outros certo? Então que Caroline, ou Jasper faziam nao queria dizer que ambos tinham de estar ligados num elo de compromisso, isto eram independentes. Por outras palavras, acho que Edward com um pouquinho de cuidado, ainda pode chegar mais longe, quem sabe...
Nao gostava nada de estar nas maos dessa mulher louca. eheheh
Esses dois ja se sabe que a festa promete no que diz respeito a desentendimentos. Mas as vezes é o que se precisa para chamar atenção, que neste caso era uma bem séria, se nao nada do que haviam feito valia a pena, certo?
É claro que se eu fosse Carmen procuraria ficar o mais embaraçada possível, porque ainda por cima tudo havia acontecido na frente do Charlie. eheheh
Beijinhos