Capitulo 38 - Ajuste de Contas
Alice
No fim do jantar, o Jasper fez a gentileza de pagar a conta dado que dias não eram dias quando se saia em uma boa noite, e numa boa companhia.
Enquanto ele se dirigia ao balcão, eu fiquei a espera a porta, assim como meus cunhados que estavam em silencio cordial, onde só haviam trocas de olhares, que a meu ver era sinal de que "Precisamos conversar".
Pouco tempo depois, o meu marido surgiu e dei meu braço para que prosseguiremos ate ao carro, onde também faríamos a despedida do casal.
Já no parque de estacionamento, e numa de abraçar a minha cunhada, sussurrei em seu ouvido bem baixinho:
- Boa sorte, e nunca deixes pensar que és fraca! - afastei o meu cabelo do seu rosto, para olhar nos seus olhos. - És uma mulher incrível, e mereces o melhor! - sorri, e ela logo de seguida também.
Se por um lado eu dava conselhos a uma amiga, sim porque apesar de estarmos unidas pelos laços de uma família, éramos amigas, e apesar de só mais tardiamente começarmos o contacto vinculatório.
Jasper e o irmão estavam em uma conversa animada sobre questões apenas interessantes ao sexo masculino, como tal tive que ficar a espera dentro do carro, pois Charlotte já havia entrado no seu.
O tempo passou, a hora chegou, e finalmente estávamos a ir para casa. Por esse caminho fora, Jasper foi falando muitas coisas, ás quais apenas acenava que sim com a cabeça, ou que não, dependendo sempre da questão, em que sempre introduzia o dialogo.
Ao parar o carro na berma da casa, ele ficou em silencio encarando o relógio do tabliet. Inicialmente fiquei preocupada, e ate pensei em perguntar o que se passava, mas decidi que era melhor manter em silencio, pois o problema podia ser particular, e nem todos os maridos partilhavam tudo, certo?
Sai do carro, trilhei caminho, ate a porta, sempre a deitar olhadelas ao carro, mas sinal algum era evidente.
Então entrei em casa, subi as escadas tranquilamente, passei pelo corredor, onde o silencio era tal modo tão gigante, que deduzi que todos estariam a dormir.
Então abri a porta do quarto, fui no banheiro para tomar um banho relaxante e quando terminado, deitei na minha cama aconchegante e quente e fiquei acordada para o efeito de Jasper entrar e querer conversar, sem ter que acordar a esposa.
De meio em meio minuto olhava o relógio de cabeceira impaciente.
- Oh Jasper onde é que tu estas? - questionei a minha mesma.
Levantei da cama, peguei no robe onde o vesti enquanto dirigia-me ate a janela. O carro permanecia no mesmo sitio, e Jasper ele, eu não o via. Então preocupada e talvez ate a entrar em paranóia, sai do quarto, procurando pelos corredores.
- Jasper? - chamei eu. - Jasper? - voltei a chamar.
- Alice?
Dei um salto quando ouvi o meu nome proferido nas minhas costas, olhei logo para trás.
- Kim, és tu! - fiquei aliviada.
- Esta tudo bem? - aproximou-se de mim.
- Esta, só estou a espera do meu marido para deitar. - respondi eu no intuito de acabar a conversa.
- Há claro! - sorriu. - Bom já é tarde, vou deitar também.. ate amanha Alice. - ela entrou no quarto.
- Ate amanha!
Se Kim já estava fora de meu alcance então eu podia continuar a minha procura, agora claro que em silencio, não fosse nesse momento aparecer outro alguém pelo caminho, não?
Lucy
Ao chegar no hotel Brandie, pensei em tanta coisa que, estava mesmo chateada, porque primeiro tinha tudo preparado para um noite fantástica e depois algum maldito decidiu a destruir, matando alguém. "Que injustiça neste mundo" pensei.
Cheguei na sala de elevadores, e subi ate ao que segundo o senhor da recepção havia indicado. Não gostava muito de elevadores, era certo, mas chegar no 10 andar sob escadas, nem amanha de manha lá chegaria.
As portas do elevador abriram, e segundo as pistas e as fitas, e a quantidade de pessoas deduzi que o quarto era o mais próximo possível da entrada.
- Ainda bem que já chegas-te! - falou Nettie surgindo do meio das pessoas.
- O que temos aqui? - questionei, pegando no meu bloco de notas e material da bolsa.
- Um homicídio como falei anteriormente ao telefone... - indicou ela ao entrarmos no quarto da vitima. - A vitima foi encontrada aqui na banheira.. - entrei no banheiro para dar uma olhada. - Segundo podemos apurar pelas marcas que evidencia no corpo, houve luta brusca e desistência, dado que o possível agressor ainda incógnito, acabou eletropetando a vitima com um secador.
Apontei todas as informações no bloco, acenava a todos os detalhes que a Nettie fazia questão de esclarecer. Depois comecei a rondar o quarto, procurando mais pistas para encontrar motivos aparentes a morte desta mulher.
- Doutora! - um guarda entrou.
- Sim! - levantei os olhos para o oficial.
- Estes senhores aqui dizem que ouviram grande parte do barulho e que foram eles que participaram o ocorrido as autoridades.
Olhei o casal, aparentemente jovem, talvez com as suas idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos e aproximei deles.
- Bom a esta hora vejo que seja muito tarde para perguntas, mas amanha gostaria de solicitar vossa colaboração no nosso departamento de policia, para conversamos melhor sobre o que aconteceu esta noite.
- Esta certo doutora! - falou o rapaz, saindo de seguida com a companheira.
Aos poucos o espaço foi ficando mais livre, as pessoas iam abandonando o local sem grandes complicações. E aos poucos o local ficava interdito.
- A vitima tem nome! - disse Maggie pegando em uns documentos. - Chama-se Maria Whitlock!
- Mais alguma coisa?
- Hum.. deixa-me ver... - Maggie vasculhava em muitas coisas junto das malas da roupa da pessoa em questão.
Enquanto ela procurava mais evidencias de nome e questões pessoais com a vitima, eu e Nettie estávamos mais direccionadas ao crime aparente. Uma vez mais em uma analise pormenorizada, tentei encenar com ajuda de Nettie como teria sido o fim da vitima.
- Olhem olhem o que eu encontrei aqui! - corri ate ao quarto.
- O que é isso? - questionei.
Maggie entregou para mim os documentos em um dossier, e ao abrir fiquei bem espantada.
- Alice Brandon?! - sussurrei.
Virei as páginas do caderno e cada uma nova tinha mais detalhes de uma vida. Isto mais parecia um dossier de busca de alguém. Ainda assim tentei ficar mais alerta possível, porque a dada circunstancia a situação estava a complicar-se de certo modo.
- Alice Brandon, não é a moça que esta sendo acusada sobre a morte do investigador Félix? - perguntou Maggie.
- É, essa mesmo! - respondi, sentando numa banco para analisar melhor as informações que tinha em mãos.
- Precisamos de questionar essa mulherzinha, porque parece que afinal de santinha não tem nada. - disse Nettie.
- Calma. - levantei o olhos do dossier, o fechado. - Nós ainda não sabemos o que aconteceu aqui ao certo. - alertei.
- Lucy esta na cara que foi um ajuste de contas! - disse Maggie. - Esta tal de Maria tinha informações que podiam prejudicar Alice, e para não haver complicações, ela livrou-se desta.
- Doutora Maggie, isso são teorias! - argumentei. - Eu preciso de certezas!
Elas se entre olharam confusas.
- Desculpa Magg exaltei-me. - tentei desculpar-me.
- Eu já percebi que esta não esta a ser a melhor noite da tua vida, mas compreende que nós não temos culpa alguma. - antecipou-se Nettie.
- Vocês não tem culpa de nada, ok?
Elas acenaram, e retomamos o trabalho que pelo aspecto duraria a noite inteira.
Jasper
Estava preocupado com Peter, mas também com Charlotte, mas obviamente que a minha preocupação maior recaia em quem era do meu sangue. Por mais conselhos que desse ao meu irmão, por mais ajudas, eu não conseguia transmitir aquela clareza que ele precisava ouvir.
Obviamente que ficava triste e ate impotente por não ter algo para ajudar. Queria partilhar com Alice o que sentia, mas certamente ela não ia entender, acharia tudo muito vulgar, tudo tão banal que de certo modo ate diria que tudo era simples de resolver. e que nos homens víamos as coisas de certo modo muito complicado.
Não diria que não, conversando, e expondo sempre havia uma solução, só que as vezes pessoas gostavam de reverberar por outros caminhos tão mais simples, que quando davam por si, já estão a pedir o divorcio, ou a fugir de mais uma obrigação, arranjando desculpas, afastando inevitável.
Assisti a muitas coisas assim ao longo da minha adolescência por parte dos tios paternos, ao qual fiquei a cuidado quando acidentalmente perdi meus pais.
Quando vi que Alice já havia entrado em casa a pelos menos algum tempo, sai do carro, vagueando pelo jardim.
Por vezes o facto de não ter esse problema na primeira pessoa deixava-me inteiramente pensativo, porque afectava alguém de algum modo e para nós tudo parecia simples e no fim de contas fácil não era.
Sentei na cadeira de baloiço perto da varanda da casa e balancei de um lado para o outro pensativo, e de pé no chão a dar balanço procurei encontrar ideias para distrair a minha cabeça farta.
Podia dizer que durante esse período de tempo em que viajava nos meus pensamentos esqueci completamente onde estava, por quem me chamava, enfim estava em outro planeta e terra esse não era de certeza.
- Doutor Jasper?! - abri os olhos quando ouvi a menção a meu nome.
- Oi? - levantei da cadeira de baloiço, ficando de pé.
- Nao é melhor deitar? - questionou.
- Desculpe Luisy você tem razão eu devia estar deitado e pela hora já na cama, mas... - cortou.
- O Doutor esta com problemas! - especulou.
- Como sabe? Quer dizer eu não, mas... tem razão. - voltei a sentar derrotado.
Luisy sentou na cadeira ao lado, ajeitando a saia para não ficar com engelhas. Pousou as mãos no colo e olhou gentilmente para mim.
- Já conheço o menino a muito tempo para perceber quando não esta bem. - olhei para a senhora atento. - E pela sua cara esta com problemas.
Ela lembrava muito a minha tia que era tão simpática, tão prestável e ao mesmo tempo só queria proteger. A verdade é que haviam situações em que este tipo de diálogos não eram o mais fácil de travar, mas por outro lado, Luisy era a única pessoa pelo qual sabia que podia contar e ter sempre uma boa palavra amiga. Ela sempre sabia o que dizer.
- Não consigo esconder nada de si, não é? - peguei com sublime gentileza as suas moas para as beijar e ela acenou que não com a cabeça. - Bom o problema não é comigo, na verdade é mais com o meu irmão... - disse. - Ele e a minha cunhada Charlotte andam com uns problemas, que acho que de certo modo são fáceis de resolver, mas falar é fácil, agora ter isso na nossa mão é completamente diferente.
- Toda a gente tem problemas no casamento menino. - explicou a senhora. - Eu própria fui casada por 20 anos, e infelizmente as coisas não deram certo.
- O problema não reside ai, não! - tentei expressar melhor a ideia. - A minha cunhada esta com dificuldades em engravidar, e o meu irmão, esta desejoso de ser pai... - ela acenou para continuar. - e as coisas estão a complicar de dia para dia.
- Nem toda a mulher tem o privilégio de Deus para ser mãe de seu próprio filho gerado em ventre. - a senhora baixo o olhar. - Posso falar com toda a franqueza do mundo que sou uma vitima desse não privilégio.
- Há.. Luisy...
- Sim menino, não pude ser mãe. - esclareceu.
A conversa estendeu-se ate altas horas da madrugada. Conversar com Luisy era tão mais simples e tão mais fácil de soltar o ar comprimido dentro de nós que quando voltava a minha realidade só, sentia que parte de um peso tinha saído em vão.
Quando entrei em casa, dei pela presença de Alice de braços cruzados nas escadas a minha espera e em plena escuridão da noite.
- O que fazes ai meu amor? - questionei ao aproximar do degrau e subir.
- Estava a tua espera e fiquei preocupada como não apareces-te.. - falou.
- Vamos!
Puxei por ela para subir e como já era muito tarde para a noite, e cedo para a manha, aproveitei as ultimas horas que tinha para descansar, bem antes do despertador tocar estridente.
Lucy
Se para uns era tarde já para dormir, para nós policiais e investigadoras tínhamos muito trabalho pela frente. A noite era uma criança quando um caso como este estava em proporções ainda desconhecidas.
Agora pensando sozinha e em coisas mais óbvias, estava meio intrigada com o facto de aquele dossier aparecer aqui e com as informações que pelo aspecto eram de Félix.
Mas ainda assim como era possível este documento aparecer aqui, justo com uma desconhecida e não com ele no dia do crime? Hum... Será que esta mulher teria estado no local, e então ter assistido a morte?
Era possível e ai a autora do crime se sentindo com o rabo entre as pernas, marcar um encontro e vir ate aqui e matar a ultima testemunha que podia por em causa a sua liberdade. Bingo!
- Não queria estar a discursar da minha opinião de a pouco com as teorias, mas acontece que pensei aqui melhor e acho que temos de interrogar uma dada pessoa. - disse eu para elas.
- Tens a certeza que estas agir correctamente? - questionou Nettie, arrumando uns materiais na maleta.
- Meninas olhem só o que eu encontrei! - falou entusiasmada Maggie, retirando um saco da mala grande.
- O que é isso? - aproximei.
Encaixei a mão esquerda dentro do saco e retirei um fio de ouro, olhei logo para elas com cara de caso.
- Não precisas de dizer mais nada! - falou por fim Nettie.
- Temos caso continuado!
David
Dias haviam passado desde aquela situação, não podia mentir a mim mesmo que ainda sentia saudades daquela coisa, talvez pessoa, enfim alguém. Não queria sentir estas coisas, porque quando pensava e lembrava, sentia ódio, mas pelo sim, ou pelo não, ela tinha tinha sido importante para mim. Havíamos vivido momentos inesquecíveis, mesmo na ignorância do óbvio.
Queria vê-la, queria abraça-la, queria ter ela pretinho de mim, mas eu não podia, era contra as minhas ideias, contra o meu ideal.
- Para David, esquece que ela alguma vez existiu! - debatia contra mim mesmo.
Por mais sentimentos negativos que sentisse, eu tinha de a encontrar, e procurar chegar a conclusão que precisava para viver em paz. Sim, tinha de dar uma chance.
- Querido não vais trabalhar? - bateu a porta a minha tia, abrindo uma misera fresta.
- Desculpa tia, perdi a noção do tempo, mas já estou de saída.
Levantei da cama num pulo e vesti rapidamente, saindo pela casa sem comer para ir trabalhar, quer dizer, na verdade eu ia procurar respostas as minhas intensas perguntas.
Por essa estrada fora que trilhava sem parar, lembrei que talvez Kim, não fosse a pessoa certa para me ajudar, dado que havia sido ela a destruir a minha inocência. Por outro lado não encontrava ninguém melhor para o efeito.
Comecei a pensar, e se Alice era uma robot, então teria de estar num laboratório, certo? E onde mesmo podia estar esse laboratório? Na mansão... porem ela era tão grande que seria intensamente difícil encontrar alguma coisa.
- Isso vai ser mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro. - resmunguei comigo mesmo ao colocar um pé para dentro dos portões da serventia da casa.
No entanto eu não desistir assim tão fácil, porque sem resposta eu não ia ficar, nem que eu percorre-se toda uma casa para a encontrar.
Então caminhei por esse jardim ate a entrada posterior da mansão, onde encontrei Luisy já de volta da cozinha, com tachos e panelas nas mãos, mas com cara de sono.
- Bom dia Luisy! - sorri, ao sentar no banco e cruzar os braços sob a mesa.
- Bom dia menino David! - bocejou ela.
- Não dormiu? - questionei meio intrigado.
- Mais ou menos... - arrastou um banco para sentar na minha frente. - As coisas por aqui não andam muito bem e depois eu tanto quero descansar que não consigo. - desabafou a senhora.
Fiquei curioso a quanto a esses problemas que ela falava que não davam qualquer tranquilidade.
Primeiramente pensei em questionar, mas depois decidi que era melhor ficar apenas focado naquele tema que eu queria começar a desvendar, isto é, o paradeiro da robot.
- Bom Luisy eu já que estou aqui queria perguntar uma coisa, mas não sei se talvez possa esclarecer... - ela assentiu para eu continuar. - Então, lembra-se da Robot? - ela acenou que sim. - Ela desapareceu sem deixar rasto, acha que ela ainda esta nesta casa? Eu digo em algum sitio que não seja propriamente visível?
Ela ficou meio pensativa por escassos minutos, esperei que ela chegasse a alguma conclusão positiva.
- Bom na verdade existe um laboratório no porão... mas não tem como entrar lá que não com a chave que o Doutor Jasper guarda consigo em máxima segurança. - fiz cara feia meio chateado.
- Não existe outra entrada para esse porão?
- Não faço a mínima ideia menino.
- Não existe um mapa ao qual eu possa ter acesso? Quem sabe encontrar uma pista que me leve ate ela?
- Isso terá de perguntar para quem sabe... - ela levantou. - Mas seja lá o que for tome cuidado.
Acenei que sim para ela e sai para o jardim para ir cuidar de quem merecia a minha atenção.
Alice
No fim do jantar, o Jasper fez a gentileza de pagar a conta dado que dias não eram dias quando se saia em uma boa noite, e numa boa companhia.
Enquanto ele se dirigia ao balcão, eu fiquei a espera a porta, assim como meus cunhados que estavam em silencio cordial, onde só haviam trocas de olhares, que a meu ver era sinal de que "Precisamos conversar".
Pouco tempo depois, o meu marido surgiu e dei meu braço para que prosseguiremos ate ao carro, onde também faríamos a despedida do casal.
Já no parque de estacionamento, e numa de abraçar a minha cunhada, sussurrei em seu ouvido bem baixinho:
- Boa sorte, e nunca deixes pensar que és fraca! - afastei o meu cabelo do seu rosto, para olhar nos seus olhos. - És uma mulher incrível, e mereces o melhor! - sorri, e ela logo de seguida também.
Se por um lado eu dava conselhos a uma amiga, sim porque apesar de estarmos unidas pelos laços de uma família, éramos amigas, e apesar de só mais tardiamente começarmos o contacto vinculatório.
Jasper e o irmão estavam em uma conversa animada sobre questões apenas interessantes ao sexo masculino, como tal tive que ficar a espera dentro do carro, pois Charlotte já havia entrado no seu.
O tempo passou, a hora chegou, e finalmente estávamos a ir para casa. Por esse caminho fora, Jasper foi falando muitas coisas, ás quais apenas acenava que sim com a cabeça, ou que não, dependendo sempre da questão, em que sempre introduzia o dialogo.
Ao parar o carro na berma da casa, ele ficou em silencio encarando o relógio do tabliet. Inicialmente fiquei preocupada, e ate pensei em perguntar o que se passava, mas decidi que era melhor manter em silencio, pois o problema podia ser particular, e nem todos os maridos partilhavam tudo, certo?
Sai do carro, trilhei caminho, ate a porta, sempre a deitar olhadelas ao carro, mas sinal algum era evidente.
Então entrei em casa, subi as escadas tranquilamente, passei pelo corredor, onde o silencio era tal modo tão gigante, que deduzi que todos estariam a dormir.
Então abri a porta do quarto, fui no banheiro para tomar um banho relaxante e quando terminado, deitei na minha cama aconchegante e quente e fiquei acordada para o efeito de Jasper entrar e querer conversar, sem ter que acordar a esposa.
De meio em meio minuto olhava o relógio de cabeceira impaciente.
- Oh Jasper onde é que tu estas? - questionei a minha mesma.
Levantei da cama, peguei no robe onde o vesti enquanto dirigia-me ate a janela. O carro permanecia no mesmo sitio, e Jasper ele, eu não o via. Então preocupada e talvez ate a entrar em paranóia, sai do quarto, procurando pelos corredores.
- Jasper? - chamei eu. - Jasper? - voltei a chamar.
- Alice?
Dei um salto quando ouvi o meu nome proferido nas minhas costas, olhei logo para trás.
- Kim, és tu! - fiquei aliviada.
- Esta tudo bem? - aproximou-se de mim.
- Esta, só estou a espera do meu marido para deitar. - respondi eu no intuito de acabar a conversa.
- Há claro! - sorriu. - Bom já é tarde, vou deitar também.. ate amanha Alice. - ela entrou no quarto.
- Ate amanha!
Se Kim já estava fora de meu alcance então eu podia continuar a minha procura, agora claro que em silencio, não fosse nesse momento aparecer outro alguém pelo caminho, não?
Lucy
Ao chegar no hotel Brandie, pensei em tanta coisa que, estava mesmo chateada, porque primeiro tinha tudo preparado para um noite fantástica e depois algum maldito decidiu a destruir, matando alguém. "Que injustiça neste mundo" pensei.
Cheguei na sala de elevadores, e subi ate ao que segundo o senhor da recepção havia indicado. Não gostava muito de elevadores, era certo, mas chegar no 10 andar sob escadas, nem amanha de manha lá chegaria.
As portas do elevador abriram, e segundo as pistas e as fitas, e a quantidade de pessoas deduzi que o quarto era o mais próximo possível da entrada.
- Ainda bem que já chegas-te! - falou Nettie surgindo do meio das pessoas.
- O que temos aqui? - questionei, pegando no meu bloco de notas e material da bolsa.
- Um homicídio como falei anteriormente ao telefone... - indicou ela ao entrarmos no quarto da vitima. - A vitima foi encontrada aqui na banheira.. - entrei no banheiro para dar uma olhada. - Segundo podemos apurar pelas marcas que evidencia no corpo, houve luta brusca e desistência, dado que o possível agressor ainda incógnito, acabou eletropetando a vitima com um secador.
Apontei todas as informações no bloco, acenava a todos os detalhes que a Nettie fazia questão de esclarecer. Depois comecei a rondar o quarto, procurando mais pistas para encontrar motivos aparentes a morte desta mulher.
- Doutora! - um guarda entrou.
- Sim! - levantei os olhos para o oficial.
- Estes senhores aqui dizem que ouviram grande parte do barulho e que foram eles que participaram o ocorrido as autoridades.
Olhei o casal, aparentemente jovem, talvez com as suas idades compreendidas entre os 20 e os 25 anos e aproximei deles.
- Bom a esta hora vejo que seja muito tarde para perguntas, mas amanha gostaria de solicitar vossa colaboração no nosso departamento de policia, para conversamos melhor sobre o que aconteceu esta noite.
- Esta certo doutora! - falou o rapaz, saindo de seguida com a companheira.
Aos poucos o espaço foi ficando mais livre, as pessoas iam abandonando o local sem grandes complicações. E aos poucos o local ficava interdito.
- A vitima tem nome! - disse Maggie pegando em uns documentos. - Chama-se Maria Whitlock!
- Mais alguma coisa?
- Hum.. deixa-me ver... - Maggie vasculhava em muitas coisas junto das malas da roupa da pessoa em questão.
Enquanto ela procurava mais evidencias de nome e questões pessoais com a vitima, eu e Nettie estávamos mais direccionadas ao crime aparente. Uma vez mais em uma analise pormenorizada, tentei encenar com ajuda de Nettie como teria sido o fim da vitima.
- Olhem olhem o que eu encontrei aqui! - corri ate ao quarto.
- O que é isso? - questionei.
Maggie entregou para mim os documentos em um dossier, e ao abrir fiquei bem espantada.
- Alice Brandon?! - sussurrei.
Virei as páginas do caderno e cada uma nova tinha mais detalhes de uma vida. Isto mais parecia um dossier de busca de alguém. Ainda assim tentei ficar mais alerta possível, porque a dada circunstancia a situação estava a complicar-se de certo modo.
- Alice Brandon, não é a moça que esta sendo acusada sobre a morte do investigador Félix? - perguntou Maggie.
- É, essa mesmo! - respondi, sentando numa banco para analisar melhor as informações que tinha em mãos.
- Precisamos de questionar essa mulherzinha, porque parece que afinal de santinha não tem nada. - disse Nettie.
- Calma. - levantei o olhos do dossier, o fechado. - Nós ainda não sabemos o que aconteceu aqui ao certo. - alertei.
- Lucy esta na cara que foi um ajuste de contas! - disse Maggie. - Esta tal de Maria tinha informações que podiam prejudicar Alice, e para não haver complicações, ela livrou-se desta.
- Doutora Maggie, isso são teorias! - argumentei. - Eu preciso de certezas!
Elas se entre olharam confusas.
- Desculpa Magg exaltei-me. - tentei desculpar-me.
- Eu já percebi que esta não esta a ser a melhor noite da tua vida, mas compreende que nós não temos culpa alguma. - antecipou-se Nettie.
- Vocês não tem culpa de nada, ok?
Elas acenaram, e retomamos o trabalho que pelo aspecto duraria a noite inteira.
Jasper
Estava preocupado com Peter, mas também com Charlotte, mas obviamente que a minha preocupação maior recaia em quem era do meu sangue. Por mais conselhos que desse ao meu irmão, por mais ajudas, eu não conseguia transmitir aquela clareza que ele precisava ouvir.
Obviamente que ficava triste e ate impotente por não ter algo para ajudar. Queria partilhar com Alice o que sentia, mas certamente ela não ia entender, acharia tudo muito vulgar, tudo tão banal que de certo modo ate diria que tudo era simples de resolver. e que nos homens víamos as coisas de certo modo muito complicado.
Não diria que não, conversando, e expondo sempre havia uma solução, só que as vezes pessoas gostavam de reverberar por outros caminhos tão mais simples, que quando davam por si, já estão a pedir o divorcio, ou a fugir de mais uma obrigação, arranjando desculpas, afastando inevitável.
Assisti a muitas coisas assim ao longo da minha adolescência por parte dos tios paternos, ao qual fiquei a cuidado quando acidentalmente perdi meus pais.
Quando vi que Alice já havia entrado em casa a pelos menos algum tempo, sai do carro, vagueando pelo jardim.
Por vezes o facto de não ter esse problema na primeira pessoa deixava-me inteiramente pensativo, porque afectava alguém de algum modo e para nós tudo parecia simples e no fim de contas fácil não era.
Sentei na cadeira de baloiço perto da varanda da casa e balancei de um lado para o outro pensativo, e de pé no chão a dar balanço procurei encontrar ideias para distrair a minha cabeça farta.
Podia dizer que durante esse período de tempo em que viajava nos meus pensamentos esqueci completamente onde estava, por quem me chamava, enfim estava em outro planeta e terra esse não era de certeza.
- Doutor Jasper?! - abri os olhos quando ouvi a menção a meu nome.
- Oi? - levantei da cadeira de baloiço, ficando de pé.
- Nao é melhor deitar? - questionou.
- Desculpe Luisy você tem razão eu devia estar deitado e pela hora já na cama, mas... - cortou.
- O Doutor esta com problemas! - especulou.
- Como sabe? Quer dizer eu não, mas... tem razão. - voltei a sentar derrotado.
Luisy sentou na cadeira ao lado, ajeitando a saia para não ficar com engelhas. Pousou as mãos no colo e olhou gentilmente para mim.
- Já conheço o menino a muito tempo para perceber quando não esta bem. - olhei para a senhora atento. - E pela sua cara esta com problemas.
Ela lembrava muito a minha tia que era tão simpática, tão prestável e ao mesmo tempo só queria proteger. A verdade é que haviam situações em que este tipo de diálogos não eram o mais fácil de travar, mas por outro lado, Luisy era a única pessoa pelo qual sabia que podia contar e ter sempre uma boa palavra amiga. Ela sempre sabia o que dizer.
- Não consigo esconder nada de si, não é? - peguei com sublime gentileza as suas moas para as beijar e ela acenou que não com a cabeça. - Bom o problema não é comigo, na verdade é mais com o meu irmão... - disse. - Ele e a minha cunhada Charlotte andam com uns problemas, que acho que de certo modo são fáceis de resolver, mas falar é fácil, agora ter isso na nossa mão é completamente diferente.
- Toda a gente tem problemas no casamento menino. - explicou a senhora. - Eu própria fui casada por 20 anos, e infelizmente as coisas não deram certo.
- O problema não reside ai, não! - tentei expressar melhor a ideia. - A minha cunhada esta com dificuldades em engravidar, e o meu irmão, esta desejoso de ser pai... - ela acenou para continuar. - e as coisas estão a complicar de dia para dia.
- Nem toda a mulher tem o privilégio de Deus para ser mãe de seu próprio filho gerado em ventre. - a senhora baixo o olhar. - Posso falar com toda a franqueza do mundo que sou uma vitima desse não privilégio.
- Há.. Luisy...
- Sim menino, não pude ser mãe. - esclareceu.
A conversa estendeu-se ate altas horas da madrugada. Conversar com Luisy era tão mais simples e tão mais fácil de soltar o ar comprimido dentro de nós que quando voltava a minha realidade só, sentia que parte de um peso tinha saído em vão.
Quando entrei em casa, dei pela presença de Alice de braços cruzados nas escadas a minha espera e em plena escuridão da noite.
- O que fazes ai meu amor? - questionei ao aproximar do degrau e subir.
- Estava a tua espera e fiquei preocupada como não apareces-te.. - falou.
- Vamos!
Puxei por ela para subir e como já era muito tarde para a noite, e cedo para a manha, aproveitei as ultimas horas que tinha para descansar, bem antes do despertador tocar estridente.
Lucy
Se para uns era tarde já para dormir, para nós policiais e investigadoras tínhamos muito trabalho pela frente. A noite era uma criança quando um caso como este estava em proporções ainda desconhecidas.
Agora pensando sozinha e em coisas mais óbvias, estava meio intrigada com o facto de aquele dossier aparecer aqui e com as informações que pelo aspecto eram de Félix.
Mas ainda assim como era possível este documento aparecer aqui, justo com uma desconhecida e não com ele no dia do crime? Hum... Será que esta mulher teria estado no local, e então ter assistido a morte?
Era possível e ai a autora do crime se sentindo com o rabo entre as pernas, marcar um encontro e vir ate aqui e matar a ultima testemunha que podia por em causa a sua liberdade. Bingo!
- Não queria estar a discursar da minha opinião de a pouco com as teorias, mas acontece que pensei aqui melhor e acho que temos de interrogar uma dada pessoa. - disse eu para elas.
- Tens a certeza que estas agir correctamente? - questionou Nettie, arrumando uns materiais na maleta.
- Meninas olhem só o que eu encontrei! - falou entusiasmada Maggie, retirando um saco da mala grande.
- O que é isso? - aproximei.
Encaixei a mão esquerda dentro do saco e retirei um fio de ouro, olhei logo para elas com cara de caso.
- Não precisas de dizer mais nada! - falou por fim Nettie.
- Temos caso continuado!
David
Dias haviam passado desde aquela situação, não podia mentir a mim mesmo que ainda sentia saudades daquela coisa, talvez pessoa, enfim alguém. Não queria sentir estas coisas, porque quando pensava e lembrava, sentia ódio, mas pelo sim, ou pelo não, ela tinha tinha sido importante para mim. Havíamos vivido momentos inesquecíveis, mesmo na ignorância do óbvio.
Queria vê-la, queria abraça-la, queria ter ela pretinho de mim, mas eu não podia, era contra as minhas ideias, contra o meu ideal.
- Para David, esquece que ela alguma vez existiu! - debatia contra mim mesmo.
Por mais sentimentos negativos que sentisse, eu tinha de a encontrar, e procurar chegar a conclusão que precisava para viver em paz. Sim, tinha de dar uma chance.
- Querido não vais trabalhar? - bateu a porta a minha tia, abrindo uma misera fresta.
- Desculpa tia, perdi a noção do tempo, mas já estou de saída.
Levantei da cama num pulo e vesti rapidamente, saindo pela casa sem comer para ir trabalhar, quer dizer, na verdade eu ia procurar respostas as minhas intensas perguntas.
Por essa estrada fora que trilhava sem parar, lembrei que talvez Kim, não fosse a pessoa certa para me ajudar, dado que havia sido ela a destruir a minha inocência. Por outro lado não encontrava ninguém melhor para o efeito.
Comecei a pensar, e se Alice era uma robot, então teria de estar num laboratório, certo? E onde mesmo podia estar esse laboratório? Na mansão... porem ela era tão grande que seria intensamente difícil encontrar alguma coisa.
- Isso vai ser mais difícil do que encontrar uma agulha no palheiro. - resmunguei comigo mesmo ao colocar um pé para dentro dos portões da serventia da casa.
No entanto eu não desistir assim tão fácil, porque sem resposta eu não ia ficar, nem que eu percorre-se toda uma casa para a encontrar.
Então caminhei por esse jardim ate a entrada posterior da mansão, onde encontrei Luisy já de volta da cozinha, com tachos e panelas nas mãos, mas com cara de sono.
- Bom dia Luisy! - sorri, ao sentar no banco e cruzar os braços sob a mesa.
- Bom dia menino David! - bocejou ela.
- Não dormiu? - questionei meio intrigado.
- Mais ou menos... - arrastou um banco para sentar na minha frente. - As coisas por aqui não andam muito bem e depois eu tanto quero descansar que não consigo. - desabafou a senhora.
Fiquei curioso a quanto a esses problemas que ela falava que não davam qualquer tranquilidade.
Primeiramente pensei em questionar, mas depois decidi que era melhor ficar apenas focado naquele tema que eu queria começar a desvendar, isto é, o paradeiro da robot.
- Bom Luisy eu já que estou aqui queria perguntar uma coisa, mas não sei se talvez possa esclarecer... - ela assentiu para eu continuar. - Então, lembra-se da Robot? - ela acenou que sim. - Ela desapareceu sem deixar rasto, acha que ela ainda esta nesta casa? Eu digo em algum sitio que não seja propriamente visível?
Ela ficou meio pensativa por escassos minutos, esperei que ela chegasse a alguma conclusão positiva.
- Bom na verdade existe um laboratório no porão... mas não tem como entrar lá que não com a chave que o Doutor Jasper guarda consigo em máxima segurança. - fiz cara feia meio chateado.
- Não existe outra entrada para esse porão?
- Não faço a mínima ideia menino.
- Não existe um mapa ao qual eu possa ter acesso? Quem sabe encontrar uma pista que me leve ate ela?
- Isso terá de perguntar para quem sabe... - ela levantou. - Mas seja lá o que for tome cuidado.
Acenei que sim para ela e sai para o jardim para ir cuidar de quem merecia a minha atenção.

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