O verão estava a porta e as minhas aulas acabavam de terminar, e como era óbvio as minhas férias não seriam repletas apenas de uma boa praia, uma boa saída e a claro encontrar boas "grils". No entanto a minha mãe, chata como era já havia proposto mil ideias, só que eu não aceitava nem uma, alias por vezes já nem as ouvia, só para não me aborrecer.
O meu pai, esse então coitado, já havia desistido do inevitável... e melhor assim, porque ninguém mudava aquilo que era ou menos muitos impunha regras quando na verdade já era maior de idade, e só queria uma boa escapadela ate as minhas aventuras.
E lá estava eu de caminho a traçar e violão na mão para tocar. Musica e bom espaço tranquilo, obviamente sempre com boa vista.
Sentei em umas de muitas pedras expostas ao longo da margem de um rio e de violão pronto, comecei o jogo de acordes. Tocar ao som do vento era como ver folhas voar e para longe ficar. Eu não voava, mas sentia-me em outro ponto que não aqui, neste espaço verdejante e cheiro a maresia.
Enquanto sentia que estava na minha viagem, eu vi uma bela rapariga, não uma qualquer que havia conhecido por ai... na verdade esta era diferente, tinha um aspecto tipicamente mexicano e ate bem apelativo.
Não sabia explicar ao certo o que tanto nela chamava por minha atenção, talvez o seu cabelo cor de carvão e esvoaçante, ou a sua pele morena e brilhante, ou o seu sorriso encantador e cativante..
"Isso mesmo talvez a resposta que procuro esteja mais que óbvia" pensei.
Contudo quanto mais queria mergulhar nesse sonho, ou nessa viagem, aquela coisa de ficar nítido, desapareceu, e quando dei por mim, olhava para o reflexo de águas de um rio.
- Sou um idiota que anda a ter muitos sonhos! - resmunguei comigo mesmo.
Levantei do chão de onde estava, sacudi as minhas calças que já estavam verdes de tanta clorofila e peguei o violão e tracei caminho para outro espaço, onde não desse tantas asas a imaginação.
(...)
Tempo depois de entrar em território Whitlock, sondei primeiro se era seguro entrar pela casa sem ser abordado com tanta pergunta, e tão pouca resposta.
Estava com sorte, porque a minha mãe havia saído, e prova disso era a falta da chave e um bilhete mal escrito, porque quando ela estava com pressa nada ficava bem legível...
"Mas fazer o que, se eu tenho de entender ate o que um chinês vindo não sei de onde, diz..." pensei.
Comecei logo a subir as escadas e sem problemas entrei dentro do meu quarto e logo o que tinha a minha frente e mesmo de baixo das minhas barbas era o meu irmão a comer a namorado de um colega sei la de onde na minha cama.
"Não pode estar acontecer!" pensei.
- Ups parece que fomos apanhados pelo teu irmão mais velho! - disse a rapariga a pegar nas suas coisas e sair de rompante pelo quarto.
- Antes que digas alguma coisa, já sei que este não é o melhor sitio! - tentou defender-se Emmett.
- Desculpem, mas esqueci os meus sapatos aqui... adeus Jasper foi um prazer!
Dito isto ela sumiu uma vez mais, e com era de prever Emmett já estava com o seu ar de menino satisfeito, mas logo ameaçador.
- Se estas com ideias de contar ao pai sobre o que aconteceu aqui, podes bem tirar o cavalo da chuva... - dei de ombros.
- Emmett, eu estou pouco lixando para as tuas aventuras desumanas sem cabimento quando na verdade sabes bem que a tua namorada estando lá no norte não te merece!
Deitei para foras todas as verdades que este menino que apesar de adulto, nada tinha na cabeça, e bem era hora de ele começar a ouvir. Rosalie não era parva e nem merecia que um idiota como o meu irmão fosse destruir a relação que ela ao fim ao cabo, tecia só para dar certo.
- Não fales do que não sabes... - exaltou-se. - E não venhas com conversas da treta que toda a gente sabe que tu não és o mais santo da terra! - gargalhou na minha cara.
Levantei a mão para soca-lo tal como a sua insignificância pedia, mas parei bem antes de fazer aquilo que eventualmente me daria remorso por acontecer. Por outro lado já sabia que depois disto teria piada e que com certeza, me daria muita raiva.
- Estas a ver como és um fraco! - gargalhou ele ao levantar da minha cama e pegar as suas roupas espalhadas pelo chão. - É por isso que nunca consegues ser um homem de verdade.. - arreganhou um sorriso. - E por isso simplesmente que elas te trocam.. e por isso mesmo elas te trocam por um rapaz como eu todo musculado e sarado... -piscou o olho, fazendo músculo em ato de exibição.
Tempo depois acabou por sair do meu quarto a correr todo contente, e eu especado a olhar a parede fiquei. Talvez ele tivesse razão nas palavras que malditas que saiam de sua boca perversa.
Sentei em cima da minha cama, arrastei o meu tablet para meu colo e comecei a fazer uma pesquisa, só para relaxar o péssimo ambiente que se havia instalado.
Se eu queria ter um verão tranquilo, então teria de fazer alguma coisa pelo qual eu gostasse e tivesse sucesso, certo?
Pois bem, no verão havia algo que as praias precisavam em demasia, e se era preciso porque não tentar? Eu ate era bom nadador, tinha ganho muitas competições lá na pré-fase da adolescência.
E neste momento estava a ler um anuncio de emprego de verão, se bem que ser nadador salvador não é emprego para mim, é mais uma ocupação. Aceitei a proposta, enviando curriculum.
- Agora sim as meninas vão chover a meus pés! - sorri ao falar comigo mesmo.
(...)
Semanas depois estava eu a vestir os meus calções vermelhos de praia e a sair com a toalha na mão. Finalmente estava a sentir que os meus pais já não reclamavam, e que por outro lado Emmett havia mudado de postura comigo, talvez tendo mais respeito, que enfim não podia se quer lançar foguetes, sem ter certezas.
Sai de bicicleta pela marginal fora, contente a sorrir ate ao destino perfeito onde encontrava muitas raparigas sorridentes e entrar nas mediações dos bares e praia.
O que eu não sabia, era o que estava a minha espera e com toda a certeza queria que fosse uma baby toda gira para me acompanhar na vigília da praia. Sim porque trabalhar com outro rapaz, não era enérgico para o meu carácter, certo?
Deixei a bicicleta no posto certo, e trilhei pelas barras de madeira ate ao S.O.S. da praia Azul.
- Bom dia! - saudei e fiz o meu melhor sorriso.
- Bom dia, tu deves ser o Jasper Whitlock! - falou a senhora de meia idade e de cabelo grisalho onde envergava uma camisa túnica branca.
- Sim, eu mesmo! - respondi, olhando para os lados vendo outras meninas chegar na praia, obviamente lancei mais sorrisos encancereis.
- Aguarda aqui um pouco que a tua colega já esta a chegar! - indicou a senhora, e eu fiquei a espera obviamente, porque estava muito curioso.
Sentei numa das cadeiras da pequena esplanada que havia na frente do edifício de madeira, e comecei a escutar passos. Levantei curioso para ver quem era ou o que era, e lá saiu aquela imagem de deusa do mar.
"OMG" pensei.
- Bom dia! - saudou ela, que só consegui levantar a mão para acenar de tão babão a olhar.
- Ainda bem que já chegas-te minha querida! - apareceu a senhora do cabelo grisalho novamente. - Maria Garcia, este menino aqui é o... - cortei.
- Jasper Whitlock, ao teu dispor sereia! - ela sorriu.
- Prazer!
- Não tens de quê!
Depois das apresentações passou-se a parte prática da história, isto é a senhora que por ventura devia ser a responsável pelo funcionamento da praia, levou-nos a conhecer o nosso posto no areal. Eu por mais que dissesse sim ao que ela falava, estava mais atento a outros ofícios, como olhar as ondas do corpo da bela morena ao meu lado, imaginar o suave toque na sua pele, enfim estava a viajar.
- Jasper esta a tomar nota do que eu estou a dizer, ou terei de repetir? - cucutou a senhora no meu ombro.
- Sim desculpe.. - aterrei em terra.. - Há não, não precisa de repetir eu ouvi tudo muito bem. - sorri, logo Maria virou a cara.
- Ai é, então não vai se importar de repetir tudo o que disse, não mesmo?
"Ups" pensei.
- Lamento mas eu já não recordo... - tentei desculpar-me.
- Diz antes que não ouvis-te coisa nenhuma. - deu de ombros Maria.
- Enfim tomem atenção a vossa vigilância, o resto não importa, ok?
- Sim! - respondemos os dois em uníssono.
A manha na praia estava tranquila, as pessoas pareciam bem obediente quanto ao facto de respeitarem as cores da bandeira consoante a bravura do mar. A minha sereia estava a fazer um trabalho magnifico, tão ocupada no seu posto, de binóculo na mão que eu ate me perdia de tanto a olhar.
É certo que eram mais as vezes que ela me apanhava do que eu a conseguia enganar, mas valia tanta pena quando ela usava a sua voz para me repreender, que ate me derretia.
- Já te avisei para não olhares para mim! - cruzou os braços. - Importas-te de fazer o teu trabalho? - saltou para a areia.
- Não sereia!
- Não me chames sereia, porque já te disse um milhão de vezes que o meu nome é Maria. - bufou ela, caminhando pelo o areal.
- Desculpa sereia.. ups Maria.
Ela voltou os seus olhos a mim, depois ao mar, e por ali ficou observando os banhistas. Eu cá sentado observavas as banhistas femininas, incluindo ela claro que era a minha predilecta. E cá pensando comigo mesmo ela era uma deusa dos céus, só que enviada para questões terrenas com aqui com paizinho para observar.
Ok, ok eu não estava a modesto, mas o que posso fazer um homem não é de ferro e tem olhos para ver, certo? Eu preciso de olhar e apreciar, e praia é o lugar.
Os meus pensamentos eram tantos que só queria ver ela e mais ela somente ela, porem não era correspondido, tanto que a minha frente estava um rapaz mesmo ao lado da minha sereia.
Nesse momento a minha vontade foi logo de correr em auxilio, mas ninguém estava em perigo, ou na verdade podia vir a estar.
Decidi entrar em campo, porque raramente perdia para o inimigo. Caminhei ate ao lado dela, fingindo estar a vigiar, e olhei discretamente para si, que logo puxou por minha orelha.
- Eu já te disse que não gosto de rapazes achados galinhas! - soltou a minha orelha que já fervia de tão apertada.
- Bolas tu és mesmo má! - disse massajando no sitio onde o ardor era intenso.
- Ainda tu não viste nada! - colocou as mãos na cintura. - E se não começas a portar-te bem, podes ter a certeza que falo com a dona desta concessão e vais para outra praia... - informou, voltando logo as costas para mim.
Estava perdido, ela não era fácil, e depois eu ainda era ameaçado por ela de ser expulso do meu emprego.. Ora bolas para as mulheres dos dias de hoje.
Talvez o meu irmão tivesse um pouco de razão, mas só um pouco porque nem sempre ele era um herói das mulheres.
Pensando assim, peguei o aparelho telefónico da algibeira do calção e disquei para o Emmett, onde esperei ouvir logo muitos elogios a sua pessoa por ser um máximo e por eu ter de recorrer a si para conseguir chegar a algum ponto.
Pensei várias vezes em desistir, mas lá no fundo eu sabia que ele ainda tinha bom coração e então só queria coloca-lo á prova.
- Diz lá o queres meu querido meu irmão mais velho! - fez piada.
- Preciso de um favor teu! - disse, esperando já uma gargalhada sonora.
- Hum... um favor..
- É sério Emmett, sem piadas e sem brincadeiras.
- Ok, ok.. não esta aqui tem riu, maninho! - rendeu-se.
Respirei fundo e contei ate 3.
- Preciso que me ajudes a conquistar uma rapariga! - falei.
- O meu irmão com dificuldades, nem parece teu! - revirei os olhos com tal comentário.
- Emmett, agradecia.. - cortou.
- Já entendi... pronto fala lá qual é o problema...
- O problema se chama Maria Garcia... a nadadora salvadora da praia, e minha colega.
Ele começou a rir as gargalhadas do outro lado da linha, e eu só tive vontade de desligar na sua cara por ainda ter o desplante de rir de seu irmão.
- Obrigadinha pela parte que me toca! - resmunguei.
- Desculpa meu, mas essa tipa, a Maria, ne? É uma rapariga muito difícil e se realmente estas interessado tens de ir mais fundo, sem aquele arzinho de sedutor.
- Então que ar eu vou usar, meu sabichão de conquistas? - questionei.
Ele explicou tim tim por tim tim todo a conversa que se devia ter com uma pessoa com esse nível de exigência, podia chamar assim. Fiquei um pouco indeciso se devia ou não usar esse método que a meu ver não era nada convencional, mas que outro remédio tinha eu se não usa-lo, não? Então cedi e comecei a pensar o plano A, e depois num B, e C... porque com uma pessoa como ela não era tarefa fácil.
(...)
No dia seguinte, lá estava ela no seu posto de vigilância, a olhar quem andava na margem da praia e eventualmente alertar para possíveis perigos. Eu fui aproximando como quem não quer a coisa. Ela reparou na minha sombra, mas o silêncio se manteve.
Pousei a prancha de salvamento, no areal, e sentei ela continuava de boca fechada. Era um pouco incomodativo estar a trabalhar sem falar, ate porque o tempo assim não passava de um século.
Irritado como já estava, olhei para ela, mas ela virou a cara. Não entendi e meti conversa.
- Esta tudo bem contigo Maria? - questionei.
Já ela desceu do seu posto, ate ao nível no areal, fixou o seu olhar no meu com aquele aspecto fuzilante.
- Esta tudo ótimo! - respondeu ela passando ao meu lado, tocando ombro.
A sua cara estava meio triste e estranha para inicio de manha, então fui atrás dela, para de algum modo ajudar.
- Tens a certeza que estas mesmo bem? Eu posso ajudar.. - tentei ser simpático.
- Olha Jasper tu és uma rapaz ate simpático, mas a coisas que eu gosto de guardar para mim, e agora se prezas pela amizade dos teus amigos, deixa-me ficar em paz! - dito isto se afastou por definitivo.
Parei no sitio onde estava a vendo ir, sem preferir uma única palavra. Por um lado o meu intimo falava para eu consentir seu pedido, por outro achava que não e que ela realmente precisava de um ombro amigo.
"Nesta luta de eu preciso de ajudar" uma pessoa começou a gritar na praia que um alguém estava afogar-se. Então como eu estava sozinho, deduzi que teria de salvar.
Corri por esse areal fora parecendo um louco, peguei na prancha de salvamento, e entrei nas águas frias do mar para socorrer alguém incógnito.
Quando cheguei a vitima percebi que era uma jovem rapariga loira e ate bonita que em deixou alerta porque tinha de a salvar. Alguém algures na margem gritava bem alto que ela não sabia nadar, então a fui puxando para a margem ao poucos.
Já no areal, tentei recorrer ao método tradicional de salvamento precoce, e fiz respiração boca a boca, onde aos poucos ela foi começando a dar sinais de reacção. Sorri quando vi que ela estava a recuperar sua consciência.
Maria veio a correr ate a mim, pedindo licença para ter passagem e de alguma maneira ajudar. Nesse momento ligou para a emergência médica, afastando-se um pouco logo de seguida para apanhar certa rede.
Por outro lado a jovem loira de nome incógnito foi sorrindo e aos poucos abrindo os olhos, olhos esses de um tom azul celeste e autenticamente belo.
- Como te sentes? - perguntei como profissional que era.
- Sinto-me bem, obrigada! - respondeu ela, apoiando o seu braço no meu ombro para de algum modo ganhar equilíbrio. - Salvas-te a minha vida, és um herói!
- Ora essa eu limitei-me a fazer o trabalho! - respondi, já mantê-la de pé.
Minutos depois uma senhora gritava por "Caroline Forbes", abrindo caminho por entre a multidão que de algum modo havia feito a nossa volta. Olhei para os lados para tentar perceber, quando senhores da emergência médica surgiram para dar auxilio mais especifico.
Aos poucos fui ficando mais afastado e vendo meramente de longe toda a situação. A senhora pelo qual anteriormente chamava por Caroline estava abraçada a moça pelo qual eu havia salvo a vida. Fiquei emocionado, primeiro havia feito algo de bom e segundo estava feliz porque havia ganho o meu dia, mesmo apenas salvando.

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