Março um mês em que a primavera chegava e eu simplesmente desejava que o que o dia se torna-se noite, e que a noite quando vivida se torna-se dia.
Eu era assim, uma jovem sonhadora a viver uma vida nova e altamente estável, porque tinha amigos perfeitos aos quais podia confiar ate de olhos fechados, uma família adorável que dava todo o carinho que precisava e incluindo aquele que muitos não tinham, e um namorado dedicado que era um exemplo de pessoa ao qual eu jamais abriria mão.
Rafael era o melhor, e talvez o mais impossível espírito de encontrar em alguém nos dias de hoje, talvez porque ele havia crescido e sido criado por gente do campo, e por isso ter costumes diferentes dos normais rapazes da cidade.
Ai, mesmo assim ele não perdia o seu encanto, por mais leite de cabra que bebesse, ou por mais queijo que o deixasse esquecido, eu gostava dele e pronto.
Numa certa vez, quando a minha mãe deixou por um milagre passar o dia na fazendo do avó dele, eu saltitei tão feliz porque ia fazer algo que estava muito para alem do vulgar sitio que vivia, que era a maior urbanização da cidade.
Ok, o campo era uma instância completamente diferente do que na verdade estava habituada, claro que as estradas eram substituídas por trilhos de erva, onde apenas no lugar dos carros, haviam charretes puxadas por burros, que afinal não era assim um animal tão feio como as pessoas o descreviam, ou tão burro quanto o nome o indicava.
E lá estava a famosa fazenda, que era de uns tons pasteis, e que no meio da natureza ela bem realçava a sua estrutura antiga e elegante.
Estava nervosa, apesar de não ser uma iniciante por estes lugares, ate porque era sempre muito bem recebida por essas pessoas tão maravilhosas que quando chegava a hora da despedida, eu chorava sem conseguir parar, como se por ventura nunca mais pudesse voltar. O que podia eu fazer se era uma jovem sentimental que ficava tocada com tudo? Nada, ne?
Comecei a rir de mim própria e Rafael percebeu, e claro esta que mentalmente tentei encontrar um bom motivo para a risada saudável e doce, não fosse ele achar-me uma completa tola, o que na verdade ele nunca diria e eu iria ficar sempre na duvida.
- Do que estas a rir meu amor? - perguntou ele, e eu cheguei bem mais pertinho do seu ombro o apertando.
- Nada não! - tentei desacertar desse meu riso inconfundível.
Puxei por ele para entrar e fazer uma bela surpresa para a sua avó que não espera por nossa chegada, ou por outras palavras por minha vinda. Eu adorava ela, e ela pelo sabia adorava a mim.
Então esta surpresa inesperada seria boa, porque ela iria de certo gostar e quem não gosta de fugir um pouco da solidão, ne?
Bati a porta, e Rafael escondeu-se trás da um jarrão antigo cheios de galhos amarelos. Tive vontade de rir, mas eu precisava de conter-me, se não a senhora iria perceber tudo e a surpresa, já não seria mais surpresa.
A porta da antiga casa abriu-se e a senhora do cabelo grisalho apareceu com um sorriso amável, ao qual não resisti a dar um abraço caloroso, e nesse instante, o meu namorado pelos seus movimentos, apareceu nas minhas costas fazendo a idosa sorrir ainda mais.
- Rafael sempre fazendo surpresas! - comentou a senhora, abraçando o neto de seguida.
- É verdade avozinha, eu vim ver como a senhora esta, e claro trazer a minha namorada linda para um passeio no campo, que é lugar mais romântico do planeta. - falou ele, entrelaçando seu braço na minha cintura.
- Cuidado com esses mimos todos que o meu neto contagia! - piscou o olho para mim a senhora.
- Não se preocupe dona Virgínia, eu cuido bem desse garoto! - ri.
Depois de um breve descanso da viagem no sofá, Rafael começou com ideias de desafios ao ar livre. Eu não era muito adepta de certas coisas que muita gente fazia no campo, mas por outro lado era algo que tinha curiosidade em experimentar, ate porque um dia iria morrer pela lógica da vida e não o deixaria sem fazer algo novo, pois assim não morreria na ignorância, do "não ter feito aquilo".
Então de mão dada a ele trilhei por esse campo verde fora, onde apenas encontrava cavalos selvagens que era ate por sinal os mais lindos que alguma vez havia visto a uns metros, outras ovelhas branquinhas e bem fofas a outros tantos metros, e vacas daquelas que eram bem leiteiras como o meu pequeno primo Thomas dizia.
Parei um pouco sentia cansada de tanto andar, Rafael reparou que eu havia abrandando o passo e ficou a observar-me.
- Cansada meu amor?
- Um pouco. - respondi eu.
E ele pegou-me ao colo como se eu fosse um saco de carga na sua alçada.
- Rafa põe-me no chão! - pedia eu, mas ele simplesmente fingia de surdo, ate finalmente pousar-me no chão perto de uma sombrinha. - Obrigada. - agradeci eu, ajeitando o meu cabelo meio desalinhado.
- Amorzinho, que me dizes de irmos aproveitar aquelas águas maravilhosas do lago azul? - perguntou ele gatinhando ate mim, com muitos sorrisinhos.
Abaixei o meu rosto a seu nível e comecei a gatinha ate ele, deixando um beijo depositado em seus lábios, e sentir a sua respiração quente bater sob minha pele macia.
Quando dei conta da realidade e do momento já estávamos abraçados e aos beijos de baixo de uma árvore, onde o calor se fazia sentir pela brisa solta.
- Amor é melhor pararmos porque se não alguém ainda nos apanha aqui e depois já sabes o que vão pensar, não? - recompus-me na grama.
- Tens razão minha bonequinha. - riu-se, puxando-me mais para ele e assim deixar um novo beijo que logo nos levou a ficar de pé.
Lado a lado seguimos ate ao lago e bem ele era tremendamente grande e convidativo. Então olhei Rafael uma vez e depois comecei a tirar a roupa e sorte tinha eu de estar com um biquíni vestido para determinadas ocasiões.
Uma vez já prontos, ele pegou na minha mão levando ate uma instância de pedras meramente escorregadias e contou ate três ate que saltamos juntos como se fossemos gémeos e agarrados pelo cordão da vida.
Quando mergulhei fundo, abri os olhos por curiosidade, mesmo sabendo que isso irritaria, mas valia o esforço, porque observava ele no seu estado mais natural. Voltei a superfície e confesso que estava com dificuldade em olhar porque de certo modo, pois o meu cabelo estava todo na frente dos olhos.
- Alice? Alice? - chamou ele não vendo onde eu estava de certo, o de certo modo o meu cabelo fazer com que eu ficasse despercebida.
- Aqui! - tirei finalmente a franja dos olhos e acenei.
- Há ai estas tu! - disse ele. - Que tal a agua?
- Maravilhosa! - sorri, nadando ate ele.
- Sabes que mais, numa tarde a teu lado tudo vale a pena meu amor. - falou ele abraçando-me.
Nadar em águas calmas davam a ligeira vontade de brincar e lembrar tempos em que seguia com o meu pai na sua pequena embarcação de pesca por esses rios imensos, onde a beirinha eu nadava e simplesmente divertia-me como se fizesse algo de muito para alem do normal. Ok, nesse tempo eu era uma criança, certo? Agora era uma adulta e estava muito mais ciente da realidade.
- Amorzinho! - chamou ele por minha atenção quando por ventura eu estava em outro ponto que não aqui, em seus braços, ou nesse lago.
- Diz! - esbocei um sorriso.
- Que dizes de irmos explorar ali aquela gruta? - perguntou, e eu levantei a cabeça vendo a que ponto ele referia-se.
E com alguma dificuldade em descobrir de que gruta falava, eis que descobri um ponto escuro e ligeiramente assustador para mim, que era uma menina medricas, no entanto tinha um namorado valentão que de certo não deixaria a sua donzela em apuros.
- Aquela ali? - apontei perguntando ainda assim.
Ate porque não sabia se não era outra ainda mais assustadora, mesmo que eu não a estivesse a ver, mas como ele conhecia melhor estes sítios que eu, seria difícil e a pergunta nunca seria em vão.
- Essa mesmo, porque? Estas com medo? - arreganhou um riso que fez com que acabasse rindo também.
- Não, sou muito valentona! - fingi, mesmo que não fosse muito boa para armar teatro.
Ao fim de algumas conversas e tanto mais, nadamos ate esse ponto escuro, e ele ajudou-me a subir nessas pedras cheias de lodo verde e escorregadio, que em poucos tempos levaria uma menina como eu ao chão, porque como a minha irmã Cynthia dizia eu devia ter algum "Síndrome de Isabella Swan" aquela da saga Twilight que tinha dois pés esquerdos de tão desastrada, ou tão amiga do perigo.
Finalmente estava em pé e bem equilibrada, mas ao mesmo tempo a forçar a não tremer que nem uma vara verde, porque acabava de entrar numa gruta escura e sem claridade alguma. "Porque o homem das cavernas não armou simplesmente candeeiros?" pensei eu comigo mesma enquanto olhava para onde colocava os pés.
Mas ao dar uns passos novos a frente, eu dei um salto tão grande, mas tão grande que acho que não fui para ao tecto por sorte, por ter visto uma cabeça de esqueleto.
- Uau, eu sabia que eras medricas, mas não tanto! - estava bem agarradinha ao seu pescoço a esconder o meu rosto no seu cabelo curto, mas cheiroso. - Pronto, talvez seja melhor eu tirar-te daqui. - disse ele, e eu só acenava.
Então ao voltar a entrada e depois de nadar ate a margem onde a tarde quase cedia para o clarão da noite, eu respirei fundo não sei umas quantas vezes, contudo a verdade é que já não estava naquele ponto escuro que me deixava sem estruturas.
- Para a próxima avisa-me do que tens medo! - alertou ele quase rindo.
- Não tem graça, eu ia morrendo!
- E era com um esqueleto morto? - bati a minha mão direita no seu ombro.
- É, e tu já viste algum esqueleto vivo, por acaso? - perguntei meio irónica, mas logo cai na gargalhada. - Há claro eu!
- Eu não ia dizer isso, mas sim, és meu esqueleto andante! - vesti a minha camisola por fim. - Mesmo assim no meio de tudo ainda tens uma coisa boa.
- Ai é, e o que seria?
- És pequena, linda, simpática, amorosa, medricas, e um ponto fundamental eu amo-te muito.
- Oh... e eu também te amo muito meu valentão. - sorri.
Encaminhamos juntos para casa da sua avó e uma coisa era certa, esta havia sido uma tarde de aventuras e uma noite de amor, porque tudo o que fazíamos era guardado com uma grande nostalgia, porque amar era muito mais do que ser amado, era proteger, isso eu sentia em dobro, triplo ou talvez um infinito sem fim. "Oh estupidez, o infinito não tem fim, Alice" bati na minha própria testa.
"E por isso sempre digo, ama como desejas ser amado, luta como desejas que lutem por ti. Porque hoje posso ser eu, amanha podes ser tu."
(Atenção a personagem Rafael é uma criação que pertence as meninas do Mereço um Castelo |http://merecoumcastelo.blogspot.pt/| , ao qual agradeço muito a inspiração)
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Olha eu aqui! Demorei más cá estou!
ResponderEliminarDei um pulinho para ler a fic pois estava deverás curiosa, viu?
Olha o Rafael aqui tem avós que tem uma fazenda! Que legal!!!
Digamos que a fofura do Rafael continua impecável, né? Mesmo em uma caverna com esqueletos, ehehhe.
Gostei dessa pergunta de se ele já havia visto algum esqueleto vivo, eu ri sozinha aqui, ehehheh.
Passear no meio do mato de vez enquanto é legal. Já fui com meu amado várias vezes na Chácara que a tia dele tem, não tem animaizinhos lá (uma pena), mas é muito bacana e sempre acabamos levando as câmeras e tirando fotos incríveis! E, sim, passeios que te tiram da rotina são sensacionais!! :D
Achei a fic muito fofa Paulinha!!! :D
E me perdoe os sumiços...
Olá Alice seja bem aparecida. :D
EliminarSim pensei em fazer uma fic dos dois amados num estilo diferente, ja que na anterior a história havia rolado em Paris, agora decidi mudar o panorama para o mais rural que ate me saiu bem, nao? Eles se saem muito bem.
Sim Rafael tem espírito de aventuras e Alice tem sorte em ter um namorado assim, nao? hehe
Sabe que quando estava a finalizar a fic eu pensei nessa pergunta, e ai eu disse para mim mesma porque nao fazer o leitor rir tanto quanto eles, nao? E pronto deixei ficar ai um pouco de humor para acabar em belo, ja que a Alice estava com medo do escuro. hehe
Eu amo passear no espaço verde, com ou sem animais, acho que é uma tranquilidade tao grande que a gente esquece o mundo que vive todos os dias, aquela rotina que cansa. Sem duvida fazem bem ao stress.
Que bom que gostou Alice, eu fico muito feliz por isso. :D
Não tem problema esse sumiço nao, sabe que eu entendo, e ca entre nós acontece aos melhores, nao? :D
Beijinhos ate a próxima.