Carmen
Sábado há tarde era era um tranquilidade sem igual, um dia da semana que eu podia sentar no meu sofá e esticar as pernas assistindo a um bom documentário na tv. Os miúdos estavam animados a brincar no jardim, enquanto o Eleazar eu não fazia ideia por onde andava,mas talvez tentando resolver alguma coisa, já os mais velhos a coisa não estava tão simples de resolver.
Jasper mantinha a sua postura rude por mais conselhos que oferece-se, já Caroline parecia ser a única que pensava e de facto o que podia ser bom para si. Eu amava cada um deles como se fossem meus filhos de verdade, como se nada do que as nossas vidas estavam a passar fosse real. Contudo éramos tão desconhecidos quanto o nosso próprio espírito, mas ao mesmo tempo tão iguais ao procurar por algo bom que todos queriam em comum, a liberdade.
- Carmen! - levantei os olhos da tv para olhar o pequeno Alec que estava completamente coberto de lama.
- Alec, onde andas-te para ficar todo sujo assim?
- Foi a Maggie que empurrou-me quando estávamos a brincar, mas sem querer, não sejas má com ela. - fez beicinho ele.
O beicinho que ele fazia, era tão apetecível de ser apertado que eu mordia a minha própria língua para não o fazer.
- Anda eu vou levar-te a um bom banho, não quero que o teu pai te veja assim! - levantei num pulo e o acompanhei a correr pelas escadas.
- Carmen, Carmen! - olhei ele parando um degrau a frente. - O meu papa diz que não devemos correr nas escadas porque podemos cair e fazer dói dói. - sorri.
- Tens razão, mas que mau exemplo eu estou a dar! - fingi de desentendida a esse conselho. - Não podemos contar ao papa que correste na escada. - coloquei o dedo no queixo. - Será o nosso segredo!
- Segredo de escuteiro é para sempre guardado! - sorri animada, ao ouvir suas palavras.
Logo seguimos ate ao banheiro antes que o Eleazar chegasse.
Jasper
Eu consumia-me por dentro de uma tal forma que dava vontade de arrebentar tudo a minha frente, mas eu tinha de conter a minha raiva, por mais grande que ela fosse, por outro lado sentia que ela apenas fazia tudo apenas para provocar.
- Porque estas a fazer isto comigo?! - perguntei num sussurro.
- Estas a falar comigo? - levantei os olhos quando vi a Jane, entrando pelo portão dentro sem qualquer tipo de medos.
- Não, estava apenas pensar alto, só isso! - dei de ombros. - O que fazes aqui?
- Vim ver como estavas! - sorriu toda pegando a minha mão para levantar. - Vamos dar uma voltinha, tem umas coisas que gosto de fazer.
Um pesadelo destes eu não precisava neste momento, porem acho que teria de vive-lo.
- Jane não estou boa companhia hoje!
- Não faz mal eu valo pelo dois! - piscou muito os olhos.
Eu devia estar a pagar um pecado muito grande na cruz por ter de ainda levar com esta coça neste momento em que apenas queria ficar eu e o silencio. Porque o mundo simplesmente não desligava de mim?
Eu não tinha qualquer reacção nessa caminhada de braço dado pela rua, a minha cabeça parecia estar conectada a outro mundo, a um mundo não correspondido, talvez.
Por mais ódio ou raiva que sentisse ela não saia da minha cabeça. Jurava a mim mesma que a cada minuto eu iria desistir de pensar nela, mas volta e meia as memórias, os objectos em tudo lembravam o seu olhar, o seu sorriso, as suas palavras, o seu cuidado ou ate mesmo a sua arrogância em determinadas horas.
Mas ela estava com outra pessoa, então eu teria de desistir, e talvez a Jane não fosse tão má quanto parecia, e talvez as suas ideias meio absurdas, fossem boas para mim, afinal quando uns não queriam haviam outros a morrer por ter, certo?
- Olha Jasper não achas linda aquela árvore? Tem uma casinha de madeira! - apontava ela para a casa e eu apenas acenava, já imaginando coisas. - Era sitio romântico para nós, não achas? - ficou na minha frente, entrelaçando suas mãos na minha cintura com muitos sorrisos.
- É, sim! - respondi só para agradar.
Ela puxou minha mão logo após soltar do abraço, para ir subir na árvore, ao qual a ajudei, mas quase sem vontade própria.
"Caroline onde é que estas?" pensei comigo mesmo a olhar a Jane já no cimo e acenar para eu subir.
- Não, prefiro o piso seguro, as árvores não são o meu forte! - disse, sentando na relva fresca, pegando num trevo e o girar em meus dedos.
Caroline
Depois do passeio e da magnifica vista da ponte que ele havia proporcionado para mim chegamos a minha porta. Eu sentia-me muito bem, talvez melhor que algum dia pensei estar. Estava feliz como já não sentia a muito tempo, sentia algo novo dentro de mim, mas não era amor, era um carinho especial, ele era especial.
Antes de sair do carro, olhei os seus olhos claros e lindos, e não consegui esconder o meu sorriso carinhoso por sua pessoa, ele retribuiu no mesmo sorriso e da mesma forma amável.
Eu deixei-me levar, não sei, sentia que o meu coração procurava o dele, então fechei os olhos e nossos lábios aproximaram-se, eu o estava a beijar, como nunca imaginei beijar alguém para alem do meu primeiro namorado de infância, o Oliver.
Era estranho para mim, a sensação do toque dos seus lábios, era uma tranquilidade imensa, uma energia positiva, algo que nunca imaginei poder sentir, ainda mais depois de descobrir a minha nova realidade, da minha condição.
Afastei o seu rosto do meu, fiquei quase que sem palavras, talvez o medo estivesse a querer deixar um aviso de que eu podia estar exceder a uma base de segurança.
- Caroline! - sussurrou meu nome, ainda olhando para mim. - Não sei o que dizer...
- Eu também não, mas Edward... - cortou.
- Por favor não digas nada agora, eu entendo e se estas preparada eu vou esperar por ti, porque és diferente das outras garotas que conheço, a mais simples a que eu admiro, desde que nos reencontramos. - baixei o olhar. - Hey... - levantei gradualmente os olhos. - Eu não quero perder-te!
- Eu preciso ir!
Então abri a porta do carro e ele tocou no meu casaco, olhei de relance, mas acabei por sair. Fechei a porta e acenei um adeus, com um beijo de mão.
Percebi em seus olhos que talvez eu não estivesse a ser boa o suficiente com ele, por outro lado eu não conseguia abrir o meu coração e ser totalmente sincera com ele quando no fim de contas, o vazio no meu peito já estava cheio.
Contudo precisava de pensar sobre o beijo, eu tinha conseguido dar um passo sem o magoar, e isso era um progresso imenso, mas não o suficiente.
Entrei em casa, não estava ninguém na sala, fui directa para o quarto, e sentei na ombreira da janela e fiquei a pensar nas suas palavras de que tinham passado tão perto do meu coração. Mesmo assim estava a conseguir algo com o Edward que o Jasper jamais havia tentado, algo diferente, algo especial.
Mas aquele beijo, aquela sensação não saia da minha cabeça, aquelas suas palavras eram musica para meus ouvidos carentes.
Comecei a chorar sem parar ao olhar a janela e ver minhas lágrimas reflectidas nela, estava a falhar comigo mesma e ao mesmo tempo com o mundo, como eu queria que tudo fosse diferente, oh se queria.
- Caroline, posso entrar? - limpei imediatamente as lágrimas com as mangas da jaqueta.
- Sim! - adiantei-me.
- Esta tudo bem? - Carmen aproximou de mim. - Eu percebi que a porta estava meio aberta e não resisti a entrar. - ela sentou a minha frente. - O que se passa querida? - não aguentei conter as lágrimas e deitei no seu colo chorando sem parar novamente.
- Eu sou uma péssima pessoa, Carmen! - ela acariciava meus cabelos.
- Não, não és! - disse ela. - Mas se falares o que se passa contigo talvez eu possa ajudar!
Levantei do seu colo, olhei em seus olhos preocupados e carregados de amor, mas também cheios de sofrimento. Engoli em seco cada palavra que tinha para dizer, esforcei-me para não falhar, mas a voz falhava tanto.
- Eu fui dar um passeio com o Edward, um colega meu lá do colégio, só que... - cortou.
- Só que gostas do Jasper! - ela terminou minha frase.
- Como sabes? - perguntei.
Já percebi isso a muito tempo minha linda, a forma como tu ages com ele, a troca agressiva de palavras, a forma como ficam mexidos um com outro quando não estão bem, é simples para mim perceber. Eu já passei por tudo isso quando tinha a tua idade, talvez não tão difícil, mas passei, e sei o quanto isso mexe com o coração de alguém. - tocou no meu peito com a sua palma da mão.
- Só que quando chegamos aqui, rolou um beijo entre nós, eu não sei foi tão mágico, uma sensação única. - expressei.
Baixei imediatamente o olhar.
- Mas o que o teu coração diz?
Pousei a mão no peito, ele batia frenético, talvez estivesse tão confuso quanto a minha cabeça estava, e eu não sabia o que fazer, ou o que pensar.
- Ele está confuso!
- Sentes-te bem com o Edward, mas é atraída pelo Jasper! - falou. - Só tens uma maneira de saber como resolver, é deixar que as coisas levem o seu rumo, deixar que alguém lute por ti, e que no fim consiga merecer o teu amor.
Olhei para o lado, Carmen era uma mulher vivida, experiente e talvez ela tivesse tanta razão quanto a minha vontade fosse essa. Por outro lado havia algo que não podia esquecer nunca, e isso era o que talvez me deixava mais de pé atrás.
- Que me dera que tudo fosse tão simples assim, Carmen. - disse eu. - Mas há algo que nunca posso esquecer nunca, a minha natureza.
- A natureza pode ser controlada. - pegou nas minhas mãos obrigando a encarar os seus olhos. - Basta tu teres vontade e consegues. - sorri, abraçando de seguida.
Eleazar
Estava a chegar a um ponto da minha vida em que precisava de ocupar a cabeça, talvez com algo de bom não sei. A verdade é que ficar em casa e olhar as paredes dias inteiros era muito desgastante, e muito menos ter uma senhoria que entrava por essa porta dentro sempre que queria e nada devia.
Oh céus, esse era um pesadelo que não lembrava a ninguém viver. Nem na minha vida antes de tudo, havia tido uma sogra tão colante como essa mulher. É certo que naquela altura estava a viver longe da família da minha falecida esposa, mas ainda bem, porque ninguém merecia entrar o dia e sair a noite com "ti ti ti" de sogra palpitadeira.
Entrei num café, e pedi o galão do costume, ao qual peguei o jornal e comecei a ler as noticias muito intertido como todos os dias fazia, incluindo procurar na secção dos classificados de empregos que eu pudesse de algum modo desempenhar, já que eu era um pintor profissional, e na medida do possível podia achar uma vaga para esse efeito.
Mas eis que ao virar a terceira ou quarta página encontrei um título a bold que dizia "Filha procura-se", e lamentei desde logo o facto de um família ter o sofrimento por conta de uma perda tão grande, e talvez essa filha fosse uma criança perdida no mundo como a Alice.
Comecei a ler a noticia, arrepiei-me todo com o trecho em itálico de uma mãe aflita.
"A minha filha continua desaparecida desde a algum tempo, a ultima recordação que tenho dela é um bilhete que deixou no cimo da mesa da sala dirigido a família. Já não recordo ao certo o que lá dizia, mas digo agora com lágrimas nos olhos que sinto muito a sua falta. E esteja ela onde estiver, eu não vou desistir de a procurar, porque é a minha filha, a minha Caroline Forbes!
Amanha agradeço a todos os interessados em ajudar, que quando virem a minha intervista e quando olharem o retrato que tenho dela, que imediatamente entrem em contacto comigo ou com a televisão, estou desesperada. Hoje sou eu, mas amanha pode ser você a procurar um filho seu."
Fechei logo o jornal incrédulo esquecendo o galão e corri ate casa muito aflito. Quando entrei porta dentro arregalei bem os olhos lembrando mentalmente "CAROLINE FORBES".
- Carmen! Carmen! Caroline! - gritei alto.
Logo elas vieram a correr pelas escadas abaixo e com caras preocupadas e ao mesmo tempo ansiosas e com razão.
- O que se passa Eleazar? - perguntou Carmen lado a lado com a Caroline, de braços cruzados.
- Eu não sei como dizer isto! - comecei a coçar a nuca.
- Fala, estas a deixar-nos muito preocupadas. - falou impaciente a loira.
- Eu fui ao café, aquele da esquina... - cortou.
- Avança nos detalhes! - gesticulou ela.
Sentei no sofá e acenei para que o fizessem também porque aquilo que tinha para contar não era algo de animo leve a ser feito e muito menos era uma boa noticia para quem queria ficar escondido da própria família.
- Eu li o jornal e encontrei uma noticia que chamou muito a minha atenção que o tinha o título "filha procura-se". - disse eu, elas continuavam atentas e a espera. - Eu li tudo, e.... e Caroline a tua família esta a tua procura...
Ela levantou-se imediatamente inacreditada, Carmen levantou-se ao seu lado pousando as mãos no ombro da jovem que parecia bem perturbada.
- Calma querida, estas segura aqui! - disse ela ao qual atrevi a interromper.
- Na verdade não, amanha a tua mãe vai passar uma intervista ao vivo na tv, e parece que para alem de expor o desaparecimento ainda vai expor um retrato teu. - ela tapou o rosto com as mãos.
- Eu preciso de sair daqui! - ela estava nervosa.
- Não querida, nos vamos encontrar uma forma para essa noticia não sair.
- Vais dizer-me como? - perguntei levantando agora. - É que não vou meter-me em encrencas, Carmen! - alertei.
Ela olhou para mim com os olhos repreensivo.
- Eleazar, estamos a falar da Caroline, a sua família a procura, e se eles a encontrarem, isso significa que os maus terão maior probabilidade de chegar ate nós.
Levei a mão ao queixo pensativo e de facto as suas palavras faziam muito sentido, porem não sabia que ideia ia na sua cabeça para terminar com esse incidente.
- Nós vamos encontrar uma maneira querida, agora fica tranquila. - acalmava ela com uma tranquilidade inacreditável.
Porem a jovem não aceitou bem as palavras e acabou mesmo por abandonar a sala sem meias palavras.
- Eu disse que não ia ser fácil! - adiantei-me.
Jasper
Ao voltar em casa dei conta do clima estranho que se havia instalado e não tentei nem sequer perguntar, porque não sabia ate onde o bom humor estaria disponível nessas pessoas.
Percorri a sala e ao chegar a cozinha para pegar uma maçã, ouvi um choro baixo próximo. Ao inicio pensei em virar as costas e lixar-me para isso, no entanto eu ainda tinha coração de manteiga, e pousei a maçã que em outra hora peguei para comer, e fui ate ate a onde o barulho de choro incidia.
Ao abrir a porta, reparei que era a Caroline, a minha loirinha indomável. Reti o passo, e comecei a pensar se era ou não certo ir ate ela e tentar ajudar, porque podia não correr bem, e quem sabe ela não estaria mal lá com o Edward e os sentimentos agora fossem apenas só magoa.
Mas ignorei sentei ao seu lado fingindo ser outra pessoa ao qual não iria ser alvo de repulsa da sua parte.
- Porque a menina bonita tanto chora?
Ela levantou os olhos dos joelhos e olhou para mim com aquele ar cansado e lavado em lágrimas que davam vontade de ser limpas.
- A minha vida acabou! - sussurrou ela abraçando-me apertado, e claro esta que abracei do mesmo modo apesar não saber o motivo da sua dor.
- Caroline, o que se passa? - perguntei baixinho ope de seu ouvido, mas ela soluçava. - Deixa-me ajudar-te! - afaguei os seus cabelos lisos. - Foi o Edward?
Já preparava mentalmente os meus ouvidos para os seus gritos estridentes.
- Porque tudo para ti se resume em EDWARD? - afastou do abraço com olhar irritado. Rendi, levantando as mãos querendo desculpar de algo modo. - Não não foi nada com o Edward, alias estamos muito bem, porem isso não vem ao acaso. - adiantou-se logo. - É a minha família, Jasper. Eles andam a minha procura.
- A tua procura? - cocei a nuca. - Mas como sabes? - perguntei sem acreditar.
- A noticia veio no jornal que o Eleazar viu, a minha mãe amanha vai dar uma intervista na tv e a minha vida vai acabar. - falou ela passando as mãos nas margem do cabelo.
- Calma, eu vou ajudar-te! - apressei-me.
- Vais dizer-me como?! - fez o seu ar de irónica. - Desculpa!
- Havemos de encontrar uma maneira, eu prometo que essa intervista não vai ser vista por ninguém!
Então ela voltou abraçar-me forte como na primeira vez. Podíamos ter sentimentos iguais, ideais diferentes, mas na hora de defender a família, na hora de conseguir manter o cuidado, a descrição, esquecíamos as repulsas e simplesmente as deixávamos de lado, porque a união fazia a força.
Sábado há tarde era era um tranquilidade sem igual, um dia da semana que eu podia sentar no meu sofá e esticar as pernas assistindo a um bom documentário na tv. Os miúdos estavam animados a brincar no jardim, enquanto o Eleazar eu não fazia ideia por onde andava,mas talvez tentando resolver alguma coisa, já os mais velhos a coisa não estava tão simples de resolver.
Jasper mantinha a sua postura rude por mais conselhos que oferece-se, já Caroline parecia ser a única que pensava e de facto o que podia ser bom para si. Eu amava cada um deles como se fossem meus filhos de verdade, como se nada do que as nossas vidas estavam a passar fosse real. Contudo éramos tão desconhecidos quanto o nosso próprio espírito, mas ao mesmo tempo tão iguais ao procurar por algo bom que todos queriam em comum, a liberdade.
- Carmen! - levantei os olhos da tv para olhar o pequeno Alec que estava completamente coberto de lama.
- Alec, onde andas-te para ficar todo sujo assim?
- Foi a Maggie que empurrou-me quando estávamos a brincar, mas sem querer, não sejas má com ela. - fez beicinho ele.
O beicinho que ele fazia, era tão apetecível de ser apertado que eu mordia a minha própria língua para não o fazer.
- Anda eu vou levar-te a um bom banho, não quero que o teu pai te veja assim! - levantei num pulo e o acompanhei a correr pelas escadas.
- Carmen, Carmen! - olhei ele parando um degrau a frente. - O meu papa diz que não devemos correr nas escadas porque podemos cair e fazer dói dói. - sorri.
- Tens razão, mas que mau exemplo eu estou a dar! - fingi de desentendida a esse conselho. - Não podemos contar ao papa que correste na escada. - coloquei o dedo no queixo. - Será o nosso segredo!
- Segredo de escuteiro é para sempre guardado! - sorri animada, ao ouvir suas palavras.
Logo seguimos ate ao banheiro antes que o Eleazar chegasse.
Jasper
Eu consumia-me por dentro de uma tal forma que dava vontade de arrebentar tudo a minha frente, mas eu tinha de conter a minha raiva, por mais grande que ela fosse, por outro lado sentia que ela apenas fazia tudo apenas para provocar.
- Porque estas a fazer isto comigo?! - perguntei num sussurro.
- Estas a falar comigo? - levantei os olhos quando vi a Jane, entrando pelo portão dentro sem qualquer tipo de medos.
- Não, estava apenas pensar alto, só isso! - dei de ombros. - O que fazes aqui?
- Vim ver como estavas! - sorriu toda pegando a minha mão para levantar. - Vamos dar uma voltinha, tem umas coisas que gosto de fazer.
Um pesadelo destes eu não precisava neste momento, porem acho que teria de vive-lo.
- Jane não estou boa companhia hoje!
- Não faz mal eu valo pelo dois! - piscou muito os olhos.
Eu devia estar a pagar um pecado muito grande na cruz por ter de ainda levar com esta coça neste momento em que apenas queria ficar eu e o silencio. Porque o mundo simplesmente não desligava de mim?
Eu não tinha qualquer reacção nessa caminhada de braço dado pela rua, a minha cabeça parecia estar conectada a outro mundo, a um mundo não correspondido, talvez.
Por mais ódio ou raiva que sentisse ela não saia da minha cabeça. Jurava a mim mesma que a cada minuto eu iria desistir de pensar nela, mas volta e meia as memórias, os objectos em tudo lembravam o seu olhar, o seu sorriso, as suas palavras, o seu cuidado ou ate mesmo a sua arrogância em determinadas horas.
Mas ela estava com outra pessoa, então eu teria de desistir, e talvez a Jane não fosse tão má quanto parecia, e talvez as suas ideias meio absurdas, fossem boas para mim, afinal quando uns não queriam haviam outros a morrer por ter, certo?
- Olha Jasper não achas linda aquela árvore? Tem uma casinha de madeira! - apontava ela para a casa e eu apenas acenava, já imaginando coisas. - Era sitio romântico para nós, não achas? - ficou na minha frente, entrelaçando suas mãos na minha cintura com muitos sorrisos.
- É, sim! - respondi só para agradar.
Ela puxou minha mão logo após soltar do abraço, para ir subir na árvore, ao qual a ajudei, mas quase sem vontade própria.
"Caroline onde é que estas?" pensei comigo mesmo a olhar a Jane já no cimo e acenar para eu subir.
- Não, prefiro o piso seguro, as árvores não são o meu forte! - disse, sentando na relva fresca, pegando num trevo e o girar em meus dedos.
Caroline
Depois do passeio e da magnifica vista da ponte que ele havia proporcionado para mim chegamos a minha porta. Eu sentia-me muito bem, talvez melhor que algum dia pensei estar. Estava feliz como já não sentia a muito tempo, sentia algo novo dentro de mim, mas não era amor, era um carinho especial, ele era especial.
Antes de sair do carro, olhei os seus olhos claros e lindos, e não consegui esconder o meu sorriso carinhoso por sua pessoa, ele retribuiu no mesmo sorriso e da mesma forma amável.
Eu deixei-me levar, não sei, sentia que o meu coração procurava o dele, então fechei os olhos e nossos lábios aproximaram-se, eu o estava a beijar, como nunca imaginei beijar alguém para alem do meu primeiro namorado de infância, o Oliver.
Era estranho para mim, a sensação do toque dos seus lábios, era uma tranquilidade imensa, uma energia positiva, algo que nunca imaginei poder sentir, ainda mais depois de descobrir a minha nova realidade, da minha condição.
Afastei o seu rosto do meu, fiquei quase que sem palavras, talvez o medo estivesse a querer deixar um aviso de que eu podia estar exceder a uma base de segurança.
- Caroline! - sussurrou meu nome, ainda olhando para mim. - Não sei o que dizer...
- Eu também não, mas Edward... - cortou.
- Por favor não digas nada agora, eu entendo e se estas preparada eu vou esperar por ti, porque és diferente das outras garotas que conheço, a mais simples a que eu admiro, desde que nos reencontramos. - baixei o olhar. - Hey... - levantei gradualmente os olhos. - Eu não quero perder-te!
- Eu preciso ir!
Então abri a porta do carro e ele tocou no meu casaco, olhei de relance, mas acabei por sair. Fechei a porta e acenei um adeus, com um beijo de mão.
Percebi em seus olhos que talvez eu não estivesse a ser boa o suficiente com ele, por outro lado eu não conseguia abrir o meu coração e ser totalmente sincera com ele quando no fim de contas, o vazio no meu peito já estava cheio.
Contudo precisava de pensar sobre o beijo, eu tinha conseguido dar um passo sem o magoar, e isso era um progresso imenso, mas não o suficiente.
Entrei em casa, não estava ninguém na sala, fui directa para o quarto, e sentei na ombreira da janela e fiquei a pensar nas suas palavras de que tinham passado tão perto do meu coração. Mesmo assim estava a conseguir algo com o Edward que o Jasper jamais havia tentado, algo diferente, algo especial.
Mas aquele beijo, aquela sensação não saia da minha cabeça, aquelas suas palavras eram musica para meus ouvidos carentes.
Comecei a chorar sem parar ao olhar a janela e ver minhas lágrimas reflectidas nela, estava a falhar comigo mesma e ao mesmo tempo com o mundo, como eu queria que tudo fosse diferente, oh se queria.
- Caroline, posso entrar? - limpei imediatamente as lágrimas com as mangas da jaqueta.
- Sim! - adiantei-me.
- Esta tudo bem? - Carmen aproximou de mim. - Eu percebi que a porta estava meio aberta e não resisti a entrar. - ela sentou a minha frente. - O que se passa querida? - não aguentei conter as lágrimas e deitei no seu colo chorando sem parar novamente.
- Eu sou uma péssima pessoa, Carmen! - ela acariciava meus cabelos.
- Não, não és! - disse ela. - Mas se falares o que se passa contigo talvez eu possa ajudar!
Levantei do seu colo, olhei em seus olhos preocupados e carregados de amor, mas também cheios de sofrimento. Engoli em seco cada palavra que tinha para dizer, esforcei-me para não falhar, mas a voz falhava tanto.
- Eu fui dar um passeio com o Edward, um colega meu lá do colégio, só que... - cortou.
- Só que gostas do Jasper! - ela terminou minha frase.
- Como sabes? - perguntei.
Já percebi isso a muito tempo minha linda, a forma como tu ages com ele, a troca agressiva de palavras, a forma como ficam mexidos um com outro quando não estão bem, é simples para mim perceber. Eu já passei por tudo isso quando tinha a tua idade, talvez não tão difícil, mas passei, e sei o quanto isso mexe com o coração de alguém. - tocou no meu peito com a sua palma da mão.
- Só que quando chegamos aqui, rolou um beijo entre nós, eu não sei foi tão mágico, uma sensação única. - expressei.
Baixei imediatamente o olhar.
- Mas o que o teu coração diz?
Pousei a mão no peito, ele batia frenético, talvez estivesse tão confuso quanto a minha cabeça estava, e eu não sabia o que fazer, ou o que pensar.
- Ele está confuso!
- Sentes-te bem com o Edward, mas é atraída pelo Jasper! - falou. - Só tens uma maneira de saber como resolver, é deixar que as coisas levem o seu rumo, deixar que alguém lute por ti, e que no fim consiga merecer o teu amor.
Olhei para o lado, Carmen era uma mulher vivida, experiente e talvez ela tivesse tanta razão quanto a minha vontade fosse essa. Por outro lado havia algo que não podia esquecer nunca, e isso era o que talvez me deixava mais de pé atrás.
- Que me dera que tudo fosse tão simples assim, Carmen. - disse eu. - Mas há algo que nunca posso esquecer nunca, a minha natureza.
- A natureza pode ser controlada. - pegou nas minhas mãos obrigando a encarar os seus olhos. - Basta tu teres vontade e consegues. - sorri, abraçando de seguida.
Eleazar
Estava a chegar a um ponto da minha vida em que precisava de ocupar a cabeça, talvez com algo de bom não sei. A verdade é que ficar em casa e olhar as paredes dias inteiros era muito desgastante, e muito menos ter uma senhoria que entrava por essa porta dentro sempre que queria e nada devia.
Oh céus, esse era um pesadelo que não lembrava a ninguém viver. Nem na minha vida antes de tudo, havia tido uma sogra tão colante como essa mulher. É certo que naquela altura estava a viver longe da família da minha falecida esposa, mas ainda bem, porque ninguém merecia entrar o dia e sair a noite com "ti ti ti" de sogra palpitadeira.
Entrei num café, e pedi o galão do costume, ao qual peguei o jornal e comecei a ler as noticias muito intertido como todos os dias fazia, incluindo procurar na secção dos classificados de empregos que eu pudesse de algum modo desempenhar, já que eu era um pintor profissional, e na medida do possível podia achar uma vaga para esse efeito.
Mas eis que ao virar a terceira ou quarta página encontrei um título a bold que dizia "Filha procura-se", e lamentei desde logo o facto de um família ter o sofrimento por conta de uma perda tão grande, e talvez essa filha fosse uma criança perdida no mundo como a Alice.
Comecei a ler a noticia, arrepiei-me todo com o trecho em itálico de uma mãe aflita.
"A minha filha continua desaparecida desde a algum tempo, a ultima recordação que tenho dela é um bilhete que deixou no cimo da mesa da sala dirigido a família. Já não recordo ao certo o que lá dizia, mas digo agora com lágrimas nos olhos que sinto muito a sua falta. E esteja ela onde estiver, eu não vou desistir de a procurar, porque é a minha filha, a minha Caroline Forbes!
Amanha agradeço a todos os interessados em ajudar, que quando virem a minha intervista e quando olharem o retrato que tenho dela, que imediatamente entrem em contacto comigo ou com a televisão, estou desesperada. Hoje sou eu, mas amanha pode ser você a procurar um filho seu."
Fechei logo o jornal incrédulo esquecendo o galão e corri ate casa muito aflito. Quando entrei porta dentro arregalei bem os olhos lembrando mentalmente "CAROLINE FORBES".
- Carmen! Carmen! Caroline! - gritei alto.
Logo elas vieram a correr pelas escadas abaixo e com caras preocupadas e ao mesmo tempo ansiosas e com razão.
- O que se passa Eleazar? - perguntou Carmen lado a lado com a Caroline, de braços cruzados.
- Eu não sei como dizer isto! - comecei a coçar a nuca.
- Fala, estas a deixar-nos muito preocupadas. - falou impaciente a loira.
- Eu fui ao café, aquele da esquina... - cortou.
- Avança nos detalhes! - gesticulou ela.
Sentei no sofá e acenei para que o fizessem também porque aquilo que tinha para contar não era algo de animo leve a ser feito e muito menos era uma boa noticia para quem queria ficar escondido da própria família.
- Eu li o jornal e encontrei uma noticia que chamou muito a minha atenção que o tinha o título "filha procura-se". - disse eu, elas continuavam atentas e a espera. - Eu li tudo, e.... e Caroline a tua família esta a tua procura...
Ela levantou-se imediatamente inacreditada, Carmen levantou-se ao seu lado pousando as mãos no ombro da jovem que parecia bem perturbada.
- Calma querida, estas segura aqui! - disse ela ao qual atrevi a interromper.
- Na verdade não, amanha a tua mãe vai passar uma intervista ao vivo na tv, e parece que para alem de expor o desaparecimento ainda vai expor um retrato teu. - ela tapou o rosto com as mãos.
- Eu preciso de sair daqui! - ela estava nervosa.
- Não querida, nos vamos encontrar uma forma para essa noticia não sair.
- Vais dizer-me como? - perguntei levantando agora. - É que não vou meter-me em encrencas, Carmen! - alertei.
Ela olhou para mim com os olhos repreensivo.
- Eleazar, estamos a falar da Caroline, a sua família a procura, e se eles a encontrarem, isso significa que os maus terão maior probabilidade de chegar ate nós.
Levei a mão ao queixo pensativo e de facto as suas palavras faziam muito sentido, porem não sabia que ideia ia na sua cabeça para terminar com esse incidente.
- Nós vamos encontrar uma maneira querida, agora fica tranquila. - acalmava ela com uma tranquilidade inacreditável.
Porem a jovem não aceitou bem as palavras e acabou mesmo por abandonar a sala sem meias palavras.
- Eu disse que não ia ser fácil! - adiantei-me.
Jasper
Ao voltar em casa dei conta do clima estranho que se havia instalado e não tentei nem sequer perguntar, porque não sabia ate onde o bom humor estaria disponível nessas pessoas.
Percorri a sala e ao chegar a cozinha para pegar uma maçã, ouvi um choro baixo próximo. Ao inicio pensei em virar as costas e lixar-me para isso, no entanto eu ainda tinha coração de manteiga, e pousei a maçã que em outra hora peguei para comer, e fui ate ate a onde o barulho de choro incidia.
Ao abrir a porta, reparei que era a Caroline, a minha loirinha indomável. Reti o passo, e comecei a pensar se era ou não certo ir ate ela e tentar ajudar, porque podia não correr bem, e quem sabe ela não estaria mal lá com o Edward e os sentimentos agora fossem apenas só magoa.
Mas ignorei sentei ao seu lado fingindo ser outra pessoa ao qual não iria ser alvo de repulsa da sua parte.
- Porque a menina bonita tanto chora?
Ela levantou os olhos dos joelhos e olhou para mim com aquele ar cansado e lavado em lágrimas que davam vontade de ser limpas.
- A minha vida acabou! - sussurrou ela abraçando-me apertado, e claro esta que abracei do mesmo modo apesar não saber o motivo da sua dor.
- Caroline, o que se passa? - perguntei baixinho ope de seu ouvido, mas ela soluçava. - Deixa-me ajudar-te! - afaguei os seus cabelos lisos. - Foi o Edward?
Já preparava mentalmente os meus ouvidos para os seus gritos estridentes.
- Porque tudo para ti se resume em EDWARD? - afastou do abraço com olhar irritado. Rendi, levantando as mãos querendo desculpar de algo modo. - Não não foi nada com o Edward, alias estamos muito bem, porem isso não vem ao acaso. - adiantou-se logo. - É a minha família, Jasper. Eles andam a minha procura.
- A tua procura? - cocei a nuca. - Mas como sabes? - perguntei sem acreditar.
- A noticia veio no jornal que o Eleazar viu, a minha mãe amanha vai dar uma intervista na tv e a minha vida vai acabar. - falou ela passando as mãos nas margem do cabelo.
- Calma, eu vou ajudar-te! - apressei-me.
- Vais dizer-me como?! - fez o seu ar de irónica. - Desculpa!
- Havemos de encontrar uma maneira, eu prometo que essa intervista não vai ser vista por ninguém!
Então ela voltou abraçar-me forte como na primeira vez. Podíamos ter sentimentos iguais, ideais diferentes, mas na hora de defender a família, na hora de conseguir manter o cuidado, a descrição, esquecíamos as repulsas e simplesmente as deixávamos de lado, porque a união fazia a força.

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