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Os Especiais - Capitulo 17 - Oferta inesperada

Rennée

Ao chegar em casa depois de ter um valente desentendimento com a minha filha Jane, tratei de sentar no sofá e abrir o jornal para ler as desgraças do dia, sim porque jornais praticamente apenas serviam para informar de mortos, acidentes e crimes da ocorrência ao qual deixava para o meu marido como feche de policia para resolver, caso contrário que razão teria ele de ainda permanecer no cargo, sim ou não?

Contudo ao ler uma determinada noticia fiquei com o coração de tal modo tão apertado que só o facto de imaginar a minha Jane desaparecida como essa mãe descrevia, deixava-me completamente desorientada e com o coração nas mãos. Ainda assim iria ver essa intervista vai que eu ate podia conhecer a garota que essa mãe desesperada procurava, não? Alem disso tínhamos de ser umas para as outras, não?

Eu cá gostaria que fizessem qualquer coisa se fosse a minha filha, porque oh espelhos da minha alma, sangue meu não pode andar no mundo solto e sem amparo.

- Falando sozinha mãe! - falou Jane ao entrar em casa com um sorriso que eu bem conhecia.

- Estava a pensar alto apenas. - comentei ao pousar de lado o jornal. - E a menina por onde andou ate agora? - ergui a sobrancelha.

 - Não querias saber demais! - respondeu ela sem mais, subindo as escadas em seguida.

- Jane! Jane! Não voltas a fazer isso, sou tua mãe e exijo respeito, sua garota sem educação que a culpa não é minha se teu pai passou muito mão. - levantei muito indignada do sofá.

Caroline

A minha família não tinha desistido de mim, mas eu simplesmente havia desistido deles sem que eu pudesse mudar isso. Eu sentia-me muito mal por isso, e a mesmo achava que a dor que sentia por fazê-los sofrer tanto nunca fosse conseguida de outro modo com outro filho.

É óbvio que a Claire não era uma substituição para ninguém, ela era uma criança, era a minha irmã caçula que eu tanto amava e sentia falta. Mas tudo havia mudado de tal modo que não conseguia pensar em voltar a ter a vida que tinha, porque não fazia sentido, nada era igual.

Lamentava sim, o sofrimento que fazia a minha passar, a dor de ter de enfrentar câmaras, holofotes para poder procurar por mim sem cansar, mas a verdade é que não podia simplesmente fechar os olhos e ver que o mundo esta parado, ou jurar por quem tem magoado, mas acreditar que um dia, não sei quando eu possa voltar e talvez recomeçar, mas nunca viver a vida de antes.

Porque tudo era tão difícil para mim, porque sempre que achava que conseguia entrar no caminho da felicidade, chegava uma bomba e estoirava a meus pés fazendo desabar sem amparo? Que mais dores eu terei de aguentar? Que mais o futuro tem reservado para mim?

E lá estava eu novamente a chorar, parecia que nesse momento a única companhia que tinha eram as lágrimas que por minha face escorregavam sem parar ou sequer pedir permissão para sair.

Jasper havia me deixado sozinha tal como queria, pois precisava de pensar, ter um tempo apenas para mim, e conseguir encontrar uma alternativa que a minha justa fuga contra a verdade, contra a realidade dado que a determinadas circunstâncias doíam mais que dor física.

Maggie

Não suportava ver a Caroline a sofrer, queria ajudar, mas não tinha nem maneira nem forma de o regredir, porque a única coisa que eu sabia fazer era ler o pensamento que as pessoas tinham na cabeça. E esses pensamentos as vezes tristes contagiavam tanto o meu estado de espírito, que acabava do mesmo modo que todos.

- O que foi Maggie? - perguntou Alec ao colocar "pause" no seu jogo. - Que cara é essa?

- A Caroline não esta bem! - mexi no cabelo fazendo beicinho, ainda deitada na almofada da cama.

- Mas ela esta doente? - perguntou ele, "e como os rapazes as vezes conseguiam ser tão maus a observar o mundo" pensei.

- Não, a doença dela chama-se outra, e não é nada físico.

Ele fez uma cara de caso que supostamente não devia estar a raciocinar de forma lógica.

- Então como sabes se é uma doença?

Suspirei, dando de ombros ao ver que ele nunca ia perceber o que eu queria dizer como facto de a Caroline estar a sofrer de uma doença da saudade e do medo de enfrentar sua família. Mas pensando bem, eu não sei se seria capaz de enfrentar a minha mama novamente, ou meu papa depois de tanto tempo ausente.

- Explica-me, eu não sou burro, só as vezes sou mais lento! - cruzou os braços ao levantar do chão, então levantei a cabeça da almofada, sentando de frente para ele.

- Os papas da Caroline estão a procura dela! - comecei por dizer. - O que significa que há uma grande possibilidade assim dos maus chegarem ate nós se ela for descoberta.

- Por isso ela esta muito triste. - balancei a cabeça concordando. - O que pudemos fazer para ajudar? - fiquei pensativa por breves instantes.

- Eu não sei, Alec... mas acho que a Carmen vai saber! - saltei da cama e sai a correr.

- Maggie espera! - veio ele a correr atrás de mim.

E ao descer as escadas vi a Carmen sentada de volta do seu portátil, e sem barulho aproximei da sua secretária olhando para si.

- Diz querida! - falou ela ao tirar os óculos e simplesmente olhar para meu rosto de anjo como Jasper falava que tinha, mas nunca havia percebido isso, que enfim devia ser uma visão que não podia ter nunca, sei lá.

- Eu quero ajudar a Caroline, quero que ela fique bem... - fiz cara triste, mas ao mesmo tempo suplicante.

- Oh meu amor, vem cá! - ela afastou-se significativamente da secretária para eu sentar no seu colo e olhar em seus olhos. - Eu sei que queres ajudar... - afagou meus cabelos. - eu também, mas ainda não encontrei uma forma de resolver o problema.

- Mas eu sei! - juntas olhamos para o Jasper.

- O que é? - perguntei, saltando para o chão, indo ate ele de imediato, ao qual ele pegou no seu colo.
- Provocar um apagão e a cidade fica sem luz!

Abri um grande sorriso e já estava pronta a saltitar animada com a vitória que logo Carmen discursou de modo contrário, o que fez logo perder o sorriso anteriormente obtido por uma boa noticia.

- Eu não acho que seja uma boa ideia, alias é a coisa mais estapafúrdia que já ouvi em toda a minha vida. - respondeu Carmen, ao qual fechei o rosto em copas. - É muito perigoso, e alias nem o Eleazar, nem a Caroline vão concordar com isso.

- Tens uma ideia melhor? - perguntou. - É óbvio que não, então será assim.

- Jasper!

Ele pousou-me no chão, talvez na tentativa de mandar eu ir brincar com o Alec, contudo eu queria participar da conversa, por mais que o tema fosse para apenas adultos, eu gostava muito a Caroline e queria ajudar.

- Maggie! - Carmen olhou para mim com cara de pedido. - Vai brincar querida, isto não é coisa para a tua idade.

Dei de ombros cedendo ao pedido, mas na hora em que afastava não resisti de ficar atrás da porta a escutar a conversa.

- Como falei ainda a pouco é uma ideia muito perigosa, e não vai dar certo! - advertiu Carmen.

"Mas porque?" perguntei a mim mesma.

- Mas se não fizermos isso então a vida da Caroline vai ficar exposta para a cidade toda, é isso que pensas ser uma solução maior?

"Boa Jasper, eu sei que consegues" pensei, nunca tirando atenção deles.

- É claro que não, só acho que temos de encontrar um outro modo menos perigoso e arriscado.

"Não sei que modo" pensei, de ouvido colado na porta.

- Maggie? - saltei, olhando para trás e ver o James. - O que fazes atrás da porta?

- Eu estava, estava, estava.... - cocei a nuca. - a ver se, a ver se... há ok, fui apanhada... e não sei mentir, estava a escutar a conversa do Jasper com a Carmen. - fiz beicinho.

Ele pegou na minha mão, puxando para sentar na cadeira da cozinha, ao qual sentou logo na frente e pousou os olhos em mim,  ao qual já esperava uma boa repreensão.

- Ouvir atrás das portas é coisa feia, mas creio que já alguém tenha alertado para isso, não? - balancei a cabeça concordando. - Mas essa carinha é de preocupação, o que se passa?

- É por causa da Caroline....

Eleazar

Depois de tanta confrontação de noticias, eu precisei de sair ate a rua e praticar um pouco de tarefas de dono de casa, já que não tinha emprego, esse seria o meu hobbie, não?

Então uma boa desculpa para ir a rua, era levar o lixo para o contentor da rua, ate por sinal era o chamado contentor do lixo comum,o que significava que a rua não tinha ecopontos para reciclar, sendo que sempre havia ensinado o meu Alec a fazê-lo porque sim, era ético e ecológico e cientificamente falando, sustentável ao meio ambiente.

Ok, essa coisa da ciência não era lá muito comigo, sendo que eu era um simples e generoso pintor de arte contemporânea, pelo menos ate a data, ate porque de repente a coisa podia ser melhor ao mudar de ramo, e tornar tudo assim mais artístico.

Enfim, lá estava eu a abrir a tampa do contentor e a tapar o nariz de tão mau cheiro desse buraco saia, e quando fechei, nossa consegui respirar muito melhor, pois ficar de nariz tapado era péssimo, e ninguém sobrevivia assim, nem mesmos os patos que precisavam de respirar, ou os peixes que por mais águas profundas que vivessem respiravam, por assim dizer toda uma colheita vasta de seres, não?

- Eleazar Misty? - parei um passo a frente ao ouvir o meu nome preferido.

"Mas quem será?" questionei a mim mesmo, então logo virei e olhei a pessoa, que era ate por sinal uma mulher bonita, de cabelos longos e negros, mas ao mesmo tempo de aspecto sério.

- Pois não? - foi tudo o que consegui perguntar.

- Desculpe a minha abordagem seca e talvez inesperada, mas o meu nome é Maria Whitlock. - ela estendeu a mão para cumprimentar. - e sou a presidente do condomínio, é com grande orgulho que o conheço pessoalmente, embora já tenha ouvido falar muito de si.

- Há sim? - estava completamente surpreso, pois não fazia ideia de que as pessoas por aqui falassem tanto na vida dos vizinhos novos, ou talvez ate imaginava de onde tudo não partia, né?

- Sim, mas também estou sabendo que o senhor esta sem emprego e que procura já por um longo tempo, o que deve ser difícil para sustentar uma família tão grande quanto a sua.

Não ia mentir que esse ponto deixava intensamente preocupado e o facto de apenas ver a Carmen na contribuição da casa era péssimo, porque dava uma visão muito errada de mim e por outro lado eu não havia nascido para ser sustentado por uma mulher.

- É, não vou mentir, porque é verdade. - sorri.

- O senhor estaria interessado em ser professor de desenho? É que segundo sei o colégio do meu filho perdeu o professor porque por razões de família e particulares teve de ausentar, e como esta difícil de encontrar pessoas perto para o cargo pensei em tentar procurar por alguns vizinhos que eventualmente estivessem em situação precária de emprego! - a senhora parecia amável.

- Eu adoraria muito aceitar o emprego, ate porque desenho é a minha área.

- Ótimo, basta passar no colégio na semana que vem e acertar pormenores com a directora.

- Certíssimo, e obrigada dona Maria! - fui gentil.

- O que é isso, temos de ser uns para os outros. - falou ela afastando-se de seguida.

Carmen

Conversar com Jasper e convencer do contrario, tinha sido um desastre, porem era obrigada acreditar que essa era de facto a única opção viável á situação de Caroline. Eu tentava a todo o custo, concentrar em algo mais racional, mas não encontrava nada que no fim de contas não tivesse meras brechas, e mais ainda o apagão era a solução ideal.

É certo que quando isso acontecesse toda a cidade ficaria a escuras, incluindo nós teríamos de viver com isso, ate que presumivelmente alguém concerta-se.

Tentei relaxar, sentia demasiado tensa e a noite caia lá fora, enquanto aproximava da janela e ficava surpresa ao encontrar o Eleazar a conversar com uma mulher, cujo não era Rennée e por incrível que parecesse nem conhecia.

Isso deixava-me bem intrigada, porque estava deste lado e não sabia o que falavam entre si, que assuntos teriam de tão importantes para partilhar na rua e ainda mais sendo à noite, em que não ficava bem a um homem "casado" ficar sozinho a conversar com uma mulher.

"Carmen, estas a ter ciumes!" pensei batendo com a mão direita na cabeça para não pensar coisas absurdas. Mas por outro lado existia alguém que podia ter o mesmo pensamento que eu, sim a minha senhoria da frente, que louca era de iniciar intrigas de arrepiar entre casais e tudo mais.

- Pensa correcto, é só uma mulher a conversar, não esta a fazer nada de errado. - falei para mim mesma.
- A falar sozinha!

- hum? - puxei a cortina. - Estava só a pensar que amanha é capaz de chover o céu esta escuro.

- De certeza que é mesmo isso? - perguntou James aproximando. - A mim quer parecer que amanha vai estar um dia de sol, e que essa chuva que tu falas que vem, possa ser de outra coisa. - brincou.

- James! - repreendi, logo levantou os braços rendido.

- Desculpa!

Minutos depois entra porta a dentro radiante Eleazar ao qual deduzi que devia ser em relação a mulher que acabava de ver da janela.

- Carmen! James! - prenunciou nossos nomes. - Consegui um emprego! - saltitou alegre.

Comecei a insultar-me interiormente porque estava a pensar coisas absurdas dele, quando na verdade apenas estava a ganhar um emprego. "Bolas preciso de confiar mais nas pessoas" pensei.

- Parabéns Eleazar! - apressei-me logo a felicita-lo, mesmo que sentisse uma vergonha imensa de ter pensado coisas tão erradas de sua pessoa. - Mas já agora que emprego é esse?

- É como professor de desenho! - respondeu ele.

- Há... interessante. - fiquei pensativa.


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