Caroline
Duas semanas haviam passado desde aquela situação em que toda a cidade havia sofrido um apagão e que por sinal a entrevista havia sido um fiasco, tendo muito baixa audiência.
Podia novamente respirar de alivio, pois tão cedo não ia ter pesadelos nesse contexto, ou pelo menos assim achava. Mesmo que a paz que necessitava não fosse para sempre, a que tinha no momento já era suficiente para mim, porque já não sentia aquele peso de que a qualquer momento a minha vida poder mudar. Era diferente, andava ate bem mais alegre.
- Caroline estas a sorrir! - falou a pequena que sentava ao meu lado no sofá da sala com um livro da história de "Rapunzel" na mão.
- É, parece que finalmente consigo ter um pouco de animo para sorrir! - peguei na bochecha da doce menina que estava ao meu lado e apertei docemente.
- Assim vou ficar muito rosada de um lado e do outro não. - riu-se ela que logo me fez rir consigo. - Mas olha eu quero que faças uma coisa para mim. - inclinei a cabeça para ela a espera de saber o que era. - Podes ler a história da "Rapunzel" para mim? É que tem mais graça quando alguém a conta, porque faz aquelas vozes que a gente ri, ou chora ou simplesmente espanta. - a menina apressou-se desde logo a explicar. - Sabes, eu sei que és boa fazer teatro.
Maggie conhecia muito de mim que as vezes eu própria desconhecia, e talvez a sua ideia nem fosse tão má assim, afinal contos de fadas eram tão bons de viver, nem que fosse por um período de tempo tão pequeno, mas era sempre perfeito.
Peguei no seu livro que era todo ele brilhante com uma capa de uma menina de cabelos longos e dourados, que forçosamente pareciam um bela corda. A história era muito bonita e baseava-se numa simples troca por um desejo que no fim de contas as vezes os sacrifícios podiam se tornar penosos, mas a verdade é que em todos os finais, sempre há um final feliz, certo? E o de "Rapunzel" não seria excepção.
Então abri o livro, virando a primeira página que começava assim:
- Era uma vez um casal que desejava muito ter um filho. - a pequena ajeitou-se toda no cantinho do sofá pegando a almofada aninhando atenta. - Finalmente o sonho tornou-se realidade. - Maggie partiu num sorriso doce olhando para mim, que já preparava para continuar a minha narrativa, que logo retomei. - Enquanto aguardava a chegada do seu bebe, por vezes, a mulher olhava pela janela para o jardim vizinho ao seu onde cresciam deliciosas alfaces. Porem este jardim pertencia a uma feiticeira e ninguém ousava entrar lá. - fiz um voz de sussurro como se estivesse a contar o segredo.
A pequena contorceu-se de medo na almofada olhando para mim com olhos preocupados.
- Ele sempre conseguiu as alfaces para a senhora grávida?
A sua pergunta inocente e toda ela curiosa, e de certo que entendia tão bem o seu morder de pulga, alias qualquer pessoa gostava de saber o que acontecia depois, não?
- Passado algum tempo, a mulher não conseguia pensar noutra coisa, se nas apetitosas alfaces, ao mesmo tempo que ia perdendo o apetite.
- Oh meu Deus, mas ela assim ia ficar doente! - ficou meio indignada ela, que logo sorri percebendo que a história estava a deixar bem mais que preparada para continuar a ouvir e não cair no sono.
- Já vais ver! - disse eu. - Preocupado, o marido decidiu, por fim, esgueirar-se pelo jardim, durante a noite, e apanhar algumas alfaces para a sua mulher. - respirei fundo. - Todavia, depois de as ter provado, a mulher só pensava em comer mais.
- Oh, mas que gulosa! - fez cara feia a menina.
- São os desejos! - respondi eu, voltando os olhos ao livro e retomar. - Então, o marido arriscou-se de novo no jardim da feiticeira, só que desta vez acabou por ser surpreendido pela mesma.
- Oh não! - ficou em horrores a pequena. - O que ela vai fazer com ele. - perguntava ansiosa.
- E a feiticeira muito chateada falou: "Como te atreves a roubar as minhas alfaces?" - gritou ela. - fiz a voz de uma bruxa má que fez a pequena esconder os olhinhos de trás da almofada. - Aterrorizado o marido, contou do apetite insaciável de sua mulher pelas alfaces.
- E ela deixou? - quem perguntava era Alec que se juntava a nós na sala.
- Ao saber disso ela disse: "Podes levar todas as alfaces que quiseres." - gesticulei como se vivesse o personagem. - "mas em troca, tens de prometer entregar-me o teu bebé." - as caras dos dois meninos era de puro espanto. - E o pobre o homem concordou.
- Ele não podia ter encontrado outra forma? Quer dizer, devia haver mais pessoas na aldeia com alfaces! - tentou solucionar Maggie.
- Não sejas tola, não vês que a história é mesmo assim! - repreendeu Alec, a menina ao seu lado, que logo fazia beicinho.
- Meninos! - chamei. - Vamos continuar? - perguntei, que logos acenaram que sim. Virei uma nova página. - Assim que nasceu a linda menina, a feiticeira veio busca-la e baptizou de "Rapunzel".
- Rapunzel é um nome bonito, eu cá gostava de me chamar assim! - respondeu ela.
- Se fores interromper a história com todos os teus comentários nunca vamos ver o seu fim. - fiz cara feia para o comentário maldoso do menino.
- Ao crescer "Rapunzel" tão bonita que a feiticeira decidiu que ninguém mais podia apreciar sua beleza. - Alec balançou a cabeça concordando. - Então, quando a menina completou os seus 12 anos, a feiticeira encerrou-a numa torre situada no coração da floresta. A torre não tinha porta, quando a feiticeira queria visitar a menina, ela gritava: "Rapunzel! Ó minha bela, deita a trança pela janela." - deitei o olho aos dois que estavam muito quietinhos. - Então, a menina deixava a sua longa trança de cabelo cair pela janela, e a maldita feiticeira trepava por ela ate ao quarto.
- Mas isso não magoava? - perguntou a pequena meio preocupada.
- Penso que não! - respondi ao virar uma nova página mais a frente, onde tinha um belo desenho de um príncipe em seu cavalo branco observando a torre. - Alguns anos mais tarde, um príncipe que cavalgava pela floresta ouvir Rapunzel a cantar para se entreter. Encantado por aquela voz... - fui interrompida.
- Apareci eu, lindo e charmoso! - era Jasper que entrava na sala cheio de si e sentava no sofá a minha frente com gozo descrito no rosto.
- Não! - respondi a sua intervenção. - ....deixou-se guiar ate a torre mas não foi capaz de encontrar a porta.
- Óbvio se a torre não tinha porta! - continuo ele com as suas intervenções sem piada.
- Vais continuar a interromper para fazer piada, ou vais calar? - ele levantou as mãos em redenção silenciando. - Ótimo.
E novamente olhava outra gravura no livro, agora de um jovem rapaz escondido atrás de um arbusto, observando a feiticeira gorda e feia.
- O príncipe enfeitiçado pela voz da jovem, regressou a torre dia após dia. Só que num determinado dia, escondido, viu chegar a feiticeira e ouviu gritar: "Rapunzel! Ó minha bela, deita a trança pela janela!" - imitei a voz dela.
- Imitas tão bem, a sério tens mesmo potencial para teatro! - dei de ombros ao comentário dele, então prossegui.
- A estas palavras, uma longa trança de cabelo caiu da janela ate a base da torre. - olhei eles. - e então, o príncipe pensou "Se é esta a forma de subir, também farei o mesmo."
- Burro! - cruzei os braços olhando séria para ele. - Desculpa, não volto a comentar! - respondeu ele.
- Logo que a feiticeira partiu, o príncipe gritou: "Rapunzel! Ó minha bela deita a trança pela janela!" - imitei desta vez a voz de um rapaz mesmo que mal. - E subiu ate a janela. Como era óbvio, "Rapunzel" ficou assustada, pois nunca vira um homem em sua vida.
- Mal sabe ela o que perdia! - bufei ao escutar Jasper, mas decidi ignorar, porque quanto mais tentava repreender, mais ele continuava no mesmo.
- Mas o príncipe explicara para ela como havia ficado tão encantado com a voz da jovem, e pediu desde logo em casamento.
- É mesmo a conto de fadas! - já fazia pressão para não largar o livro e dar um bom estalo em seu rosto.
- Jasper para por favor eu quero continuar a ouvir a história da Caroline! - suplicou Maggie que já havia percebido meu desconforto, ele deu de ombros.
- Rapunzel aceitou, pois gostava muito mais dele, do que da feiticeira. Contudo, ela não tinha maneira de sair da torre. O príncipe para a tranquilizar, prometeu trazer um novelo de seda, cada vez que viesse visitar, de modo a que pudesse tecer uma escada e fugir. - voltei a pausar e virar mais uma página após página. - Todas as noites o príncipe visitava a Rapunzel em segredo, claro. Um dia a jovem não se conteve e perguntou a feiticeira: "Porque és mais pesada do que o príncipe?" - fiz a voz de uma doce menina. - a feiticeira indignada começou a gritar: "Como atreveste a enganar-me?" E num acesso de fúria, cortou o cabelo da jovem.
- Oh pronto ficou careca! - riu-se todo.
Parei logo a leitura pousando o livro de lado e sussurrar algo ao ouvido da pequena ao qual levantou e pegou o livro acompanhando-me ate ao quarto.
- O que? Já acabou a história? - perguntou ele em tom de brincadeira.
Não dei qualquer tipo de resposta ate que finalmente entrei no quarto e sentei a pequena na borda da cama, e sentei logo a sua frente pegando o livro e procurando a linha para continuar.
- Com a ajuda de uma poção mágica, a feiticeira enviou a Rapunzel para um lugar muito distante. Em seguida atou a longa trança de cabelo a janela e esperou o príncipe. Quando este chegou, ela gritou: "O teu pequeno rouxinol partiu e tu não voltarás a ver!
- Oh pobre príncipe! - sussurrou ela triste.
- Desesperado, atirou-se da janela. Caiu num arbusto cheio de espinhos que lhe cegaram os olhos. - a pequena levou as mãos ao rosto. - Agora cego como ele voltaria a encontrar a sua bem-amada? - perguntei.
- Não faço a mínima ideia. - disse ela dando de ombros.
- Mas o livro faz! - virei a página. - Durante meses, o príncipe cego, erro pela floresta, chorando o seu amor perdido. - fiz cara triste. - Um dia por acaso, ouviu alguém cantar uma melodia triste. A voz era tão bela que ele reconheceu imediatamente, e correu nessa direcção, chamando pelo nome da jovem.
- Que bom que ele a encontrou! - pulou alegre Maggie na cama.
- Rapunzel correu para os braços do príncipe, as lágrimas de alegria da jovem tombaram sobre os olhos do rapaz que logo recuperaram a visão, e assim o príncipe e a Rapunzel casaram e viveram felizes para sempre. - fechei o livro contente.
- Foi uma bela história! - sorriu orgulhosa do final. - Sabes eu sabia que ele ia ficar com ela. - riu-se.
- Eu também. - abracei a menina com um imenso carinho.
Duas semanas haviam passado desde aquela situação em que toda a cidade havia sofrido um apagão e que por sinal a entrevista havia sido um fiasco, tendo muito baixa audiência.
Podia novamente respirar de alivio, pois tão cedo não ia ter pesadelos nesse contexto, ou pelo menos assim achava. Mesmo que a paz que necessitava não fosse para sempre, a que tinha no momento já era suficiente para mim, porque já não sentia aquele peso de que a qualquer momento a minha vida poder mudar. Era diferente, andava ate bem mais alegre.
- Caroline estas a sorrir! - falou a pequena que sentava ao meu lado no sofá da sala com um livro da história de "Rapunzel" na mão.
- É, parece que finalmente consigo ter um pouco de animo para sorrir! - peguei na bochecha da doce menina que estava ao meu lado e apertei docemente.
- Assim vou ficar muito rosada de um lado e do outro não. - riu-se ela que logo me fez rir consigo. - Mas olha eu quero que faças uma coisa para mim. - inclinei a cabeça para ela a espera de saber o que era. - Podes ler a história da "Rapunzel" para mim? É que tem mais graça quando alguém a conta, porque faz aquelas vozes que a gente ri, ou chora ou simplesmente espanta. - a menina apressou-se desde logo a explicar. - Sabes, eu sei que és boa fazer teatro.
Maggie conhecia muito de mim que as vezes eu própria desconhecia, e talvez a sua ideia nem fosse tão má assim, afinal contos de fadas eram tão bons de viver, nem que fosse por um período de tempo tão pequeno, mas era sempre perfeito.
Peguei no seu livro que era todo ele brilhante com uma capa de uma menina de cabelos longos e dourados, que forçosamente pareciam um bela corda. A história era muito bonita e baseava-se numa simples troca por um desejo que no fim de contas as vezes os sacrifícios podiam se tornar penosos, mas a verdade é que em todos os finais, sempre há um final feliz, certo? E o de "Rapunzel" não seria excepção.
Então abri o livro, virando a primeira página que começava assim:
- Era uma vez um casal que desejava muito ter um filho. - a pequena ajeitou-se toda no cantinho do sofá pegando a almofada aninhando atenta. - Finalmente o sonho tornou-se realidade. - Maggie partiu num sorriso doce olhando para mim, que já preparava para continuar a minha narrativa, que logo retomei. - Enquanto aguardava a chegada do seu bebe, por vezes, a mulher olhava pela janela para o jardim vizinho ao seu onde cresciam deliciosas alfaces. Porem este jardim pertencia a uma feiticeira e ninguém ousava entrar lá. - fiz um voz de sussurro como se estivesse a contar o segredo.
A pequena contorceu-se de medo na almofada olhando para mim com olhos preocupados.
- Ele sempre conseguiu as alfaces para a senhora grávida?
A sua pergunta inocente e toda ela curiosa, e de certo que entendia tão bem o seu morder de pulga, alias qualquer pessoa gostava de saber o que acontecia depois, não?
- Passado algum tempo, a mulher não conseguia pensar noutra coisa, se nas apetitosas alfaces, ao mesmo tempo que ia perdendo o apetite.
- Oh meu Deus, mas ela assim ia ficar doente! - ficou meio indignada ela, que logo sorri percebendo que a história estava a deixar bem mais que preparada para continuar a ouvir e não cair no sono.
- Já vais ver! - disse eu. - Preocupado, o marido decidiu, por fim, esgueirar-se pelo jardim, durante a noite, e apanhar algumas alfaces para a sua mulher. - respirei fundo. - Todavia, depois de as ter provado, a mulher só pensava em comer mais.
- Oh, mas que gulosa! - fez cara feia a menina.
- São os desejos! - respondi eu, voltando os olhos ao livro e retomar. - Então, o marido arriscou-se de novo no jardim da feiticeira, só que desta vez acabou por ser surpreendido pela mesma.
- Oh não! - ficou em horrores a pequena. - O que ela vai fazer com ele. - perguntava ansiosa.
- E a feiticeira muito chateada falou: "Como te atreves a roubar as minhas alfaces?" - gritou ela. - fiz a voz de uma bruxa má que fez a pequena esconder os olhinhos de trás da almofada. - Aterrorizado o marido, contou do apetite insaciável de sua mulher pelas alfaces.
- E ela deixou? - quem perguntava era Alec que se juntava a nós na sala.
- Ao saber disso ela disse: "Podes levar todas as alfaces que quiseres." - gesticulei como se vivesse o personagem. - "mas em troca, tens de prometer entregar-me o teu bebé." - as caras dos dois meninos era de puro espanto. - E o pobre o homem concordou.
- Ele não podia ter encontrado outra forma? Quer dizer, devia haver mais pessoas na aldeia com alfaces! - tentou solucionar Maggie.
- Não sejas tola, não vês que a história é mesmo assim! - repreendeu Alec, a menina ao seu lado, que logo fazia beicinho.
- Meninos! - chamei. - Vamos continuar? - perguntei, que logos acenaram que sim. Virei uma nova página. - Assim que nasceu a linda menina, a feiticeira veio busca-la e baptizou de "Rapunzel".
- Rapunzel é um nome bonito, eu cá gostava de me chamar assim! - respondeu ela.
- Se fores interromper a história com todos os teus comentários nunca vamos ver o seu fim. - fiz cara feia para o comentário maldoso do menino.
- Ao crescer "Rapunzel" tão bonita que a feiticeira decidiu que ninguém mais podia apreciar sua beleza. - Alec balançou a cabeça concordando. - Então, quando a menina completou os seus 12 anos, a feiticeira encerrou-a numa torre situada no coração da floresta. A torre não tinha porta, quando a feiticeira queria visitar a menina, ela gritava: "Rapunzel! Ó minha bela, deita a trança pela janela." - deitei o olho aos dois que estavam muito quietinhos. - Então, a menina deixava a sua longa trança de cabelo cair pela janela, e a maldita feiticeira trepava por ela ate ao quarto.
- Mas isso não magoava? - perguntou a pequena meio preocupada.
- Penso que não! - respondi ao virar uma nova página mais a frente, onde tinha um belo desenho de um príncipe em seu cavalo branco observando a torre. - Alguns anos mais tarde, um príncipe que cavalgava pela floresta ouvir Rapunzel a cantar para se entreter. Encantado por aquela voz... - fui interrompida.
- Apareci eu, lindo e charmoso! - era Jasper que entrava na sala cheio de si e sentava no sofá a minha frente com gozo descrito no rosto.
- Não! - respondi a sua intervenção. - ....deixou-se guiar ate a torre mas não foi capaz de encontrar a porta.
- Óbvio se a torre não tinha porta! - continuo ele com as suas intervenções sem piada.
- Vais continuar a interromper para fazer piada, ou vais calar? - ele levantou as mãos em redenção silenciando. - Ótimo.
E novamente olhava outra gravura no livro, agora de um jovem rapaz escondido atrás de um arbusto, observando a feiticeira gorda e feia.
- O príncipe enfeitiçado pela voz da jovem, regressou a torre dia após dia. Só que num determinado dia, escondido, viu chegar a feiticeira e ouviu gritar: "Rapunzel! Ó minha bela, deita a trança pela janela!" - imitei a voz dela.
- Imitas tão bem, a sério tens mesmo potencial para teatro! - dei de ombros ao comentário dele, então prossegui.
- A estas palavras, uma longa trança de cabelo caiu da janela ate a base da torre. - olhei eles. - e então, o príncipe pensou "Se é esta a forma de subir, também farei o mesmo."
- Burro! - cruzei os braços olhando séria para ele. - Desculpa, não volto a comentar! - respondeu ele.
- Logo que a feiticeira partiu, o príncipe gritou: "Rapunzel! Ó minha bela deita a trança pela janela!" - imitei desta vez a voz de um rapaz mesmo que mal. - E subiu ate a janela. Como era óbvio, "Rapunzel" ficou assustada, pois nunca vira um homem em sua vida.
- Mal sabe ela o que perdia! - bufei ao escutar Jasper, mas decidi ignorar, porque quanto mais tentava repreender, mais ele continuava no mesmo.
- Mas o príncipe explicara para ela como havia ficado tão encantado com a voz da jovem, e pediu desde logo em casamento.
- É mesmo a conto de fadas! - já fazia pressão para não largar o livro e dar um bom estalo em seu rosto.
- Jasper para por favor eu quero continuar a ouvir a história da Caroline! - suplicou Maggie que já havia percebido meu desconforto, ele deu de ombros.
- Rapunzel aceitou, pois gostava muito mais dele, do que da feiticeira. Contudo, ela não tinha maneira de sair da torre. O príncipe para a tranquilizar, prometeu trazer um novelo de seda, cada vez que viesse visitar, de modo a que pudesse tecer uma escada e fugir. - voltei a pausar e virar mais uma página após página. - Todas as noites o príncipe visitava a Rapunzel em segredo, claro. Um dia a jovem não se conteve e perguntou a feiticeira: "Porque és mais pesada do que o príncipe?" - fiz a voz de uma doce menina. - a feiticeira indignada começou a gritar: "Como atreveste a enganar-me?" E num acesso de fúria, cortou o cabelo da jovem.
- Oh pronto ficou careca! - riu-se todo.
Parei logo a leitura pousando o livro de lado e sussurrar algo ao ouvido da pequena ao qual levantou e pegou o livro acompanhando-me ate ao quarto.
- O que? Já acabou a história? - perguntou ele em tom de brincadeira.
Não dei qualquer tipo de resposta ate que finalmente entrei no quarto e sentei a pequena na borda da cama, e sentei logo a sua frente pegando o livro e procurando a linha para continuar.
- Com a ajuda de uma poção mágica, a feiticeira enviou a Rapunzel para um lugar muito distante. Em seguida atou a longa trança de cabelo a janela e esperou o príncipe. Quando este chegou, ela gritou: "O teu pequeno rouxinol partiu e tu não voltarás a ver!
- Oh pobre príncipe! - sussurrou ela triste.
- Desesperado, atirou-se da janela. Caiu num arbusto cheio de espinhos que lhe cegaram os olhos. - a pequena levou as mãos ao rosto. - Agora cego como ele voltaria a encontrar a sua bem-amada? - perguntei.
- Não faço a mínima ideia. - disse ela dando de ombros.
- Mas o livro faz! - virei a página. - Durante meses, o príncipe cego, erro pela floresta, chorando o seu amor perdido. - fiz cara triste. - Um dia por acaso, ouviu alguém cantar uma melodia triste. A voz era tão bela que ele reconheceu imediatamente, e correu nessa direcção, chamando pelo nome da jovem.
- Que bom que ele a encontrou! - pulou alegre Maggie na cama.
- Rapunzel correu para os braços do príncipe, as lágrimas de alegria da jovem tombaram sobre os olhos do rapaz que logo recuperaram a visão, e assim o príncipe e a Rapunzel casaram e viveram felizes para sempre. - fechei o livro contente.
- Foi uma bela história! - sorriu orgulhosa do final. - Sabes eu sabia que ele ia ficar com ela. - riu-se.
- Eu também. - abracei a menina com um imenso carinho.

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