Edward
Chegava mais uma segunda-feira, que resumidamente era mais um dia em que se entregavam trabalhos de grupo, tpc's, e começavam aulas chatas pela manhã em que a vontade era de dormir. Eu estava ciente da preguiça que transportava em mim ao caminhar para a cozinha e sentar para tomar o pequeno almoço em família que pensando bem era algo raro. A minha mãe ao contrário de todos os dias estava prestativo a servir o café do meu pai, que por outro lado lia o seu jornal bem descansado, como se o tempo estivesse parado.
No entanto, esse tipo de lentidão no tempo demorou bem pouco, porque já a minha estava a bater palmas em pé mandando toda a gente para a rua quando eu ainda nem o açúcar havia adicionado. Não era surpresa alguma, que paciência era o forte dela. Então segui até ao carro a comer, escutando obviamente resmungos do tipo "Não quero migalhas dentro do carro, aspirei ontem", eu apenas acenava a tudo com um simples sim.
Ao chegar ao colégio, e ao ver o jornaleiro na frente do portão a vender jornais, eu não perdi tempo em comprar um mesmo que tal não fosse muito meu habito, mas tinha de ver que os meus colegas ainda não haviam chegado e por outro lado não gostava de ficar observando montras. Aproximei do moço sendo assim.
- Bom dia, eu queria um jornal, por favor! - pedi com educação que sempre caia bem a toda a gente, embora nem todos a tomassem do modo mais correcto, e paguei o que devia, voltando as costas até sentar no banco de jardim.
Enquanto o tempo ia passando, eu ia virando as páginas do jornal sem qualquer tipo de atenção demorada, até ao virar a ultima página encontrar uma foto que chamou atenção. Eu ainda não queria acreditar no que via, mas a pessoa que era mostrada, era conhecida de alguma forma, não que a conhecesse por ai de relatos, mas alguém pelo qual iniciava uma boa relação de amizade.
- Caroline! - sussurrei bem baixo de modo a não deixar ninguém ouvir, e ao levantar os olhos vi ela a chegar de frente com os irmãos e logo tratei de esconder o jornal na mochila, entrando para dentro do colégio e fingir que não a via.
Era estranho isso, e uma vez mais só mostrava que se passava algo que tinha mesmo de descobrir, pois ela não fazia questão de falar, apesar de nunca ter perguntado a respeito.
Eleazar
Como os miúdos já tinha saído para o colégio e a casa estava completamente vazia, lembrei de preparar-me bem preparado para ir nessa tal entrevista de emprego caída de ultima hora que no fim de contas era apenas uma boa oportunidade. Ainda assim havia uns problemas, eu não era professor de pintura, era apenas um pintor que ia tentar ensinar. Por outro lado, achava sinceramente que ia sair de dentro daquela sala bem mais ensinado que aquelas crianças.
- Meu Deus! - sussurrei ao pegar a pasta e encaminhar para a porta bem nervoso. - Espero que as crianças sejam como o meu Alex, calmas e obedientes. - implorei aos céus.
Ao abrir a porta da rua, levei com um grande susto da senhoria que aparecia no meu jardim de bolo na mão.
- Rennée! - cocei ligeiramente a nuca não esperando uma visita inesperada justo na hora de saída. - Eu.. eu até convidava-te para um chá, café, mas é que estou de saída. - tentei não atrapalhar muito com as palavras.
- Oh, que pena acabei mesmo de fazer neste instante esta tarte de morango que está uma beleza! - ela balanço o prato bem na frente do meu nariz, o que fez os meus olhos oscilarem animados, mas precisava de conter-me.
- Há.. então aparece ai mais tarde, com certeza que já estarei de volta antes dos miúdos chegarem e claro colocamos toda a conversa em dia. -apressei uns passos a frente. - Há e... - ela olhou atenta. - Se a Carmen chegar, avisa que eu sai!
- A tua mulher não sabe que vais sair? - ela pouso o prato na mesinha do jardim cruzando os braços.
- Oh, sabe mas sabes como é, mulher esquecida e depois fica preocupada. - tentei explicar.
- Estas a dizer que nós mulheres somos despistadas? - ela mostrou-se ofendida.
- Não, não de maneira nenhuma, Rennée! - recuei uns passos pegando as suas mãos delicadamente. - São todas maravilhosas! - tentei mostrar simpatia mesmo que a vontade fosse outra. - ela soltou a mãos das minhas, levando até ao cabelo se achando toda poderosa.
- Ai vai lá homem não quero ser causa de atrasos de ninguém! - empurrou ela.
Sai desde logo a correr antes que ela se lembrasse de mais alguma coisa e eu perdesse mais tempo que o útil e a paciência que já era pouca.
Caroline
A aula de física estava a correr normalmente, embora achasse que havia um clima estranho na volta do Edward. Queria mesmo perguntar o que se estava a passar, mas sempre que achava que tinha a oportunidade certa, alguém chamava a minha atenção. Numa das vezes era o professor com perguntas de relatividade, outras era mesmo a Jane toda animada a perguntar o que o Jasper gostava.
A verdade é que andava pelos cabelos com certas e determinadas coisas, contudo era necessário manter aparência de menina calminha, boa aluna, mesmo que tal fosse tão mais difícil que o condenável.
Quando a campainha soou, todas as pessoas presentes na sala começaram abandona-la dando a mim a oportunidade que pedia desde o inicio. Contudo quando achava que era a hora já ele estava a sair pela porta de forma estranha e apressada. Então em poucos minutos ideias absurdas assaltavam a minha cabeça cogitando imensas hipóteses negativas, incluindo dedos de Jasper em tudo. Sim porque ele era capaz de qualquer coisa só para irritar-me.
Peguei na mochila indo até ao cacifo e nesse momento a pequena Maggie puxou a minha saia de olhinhos rasos de agua. Agachei ate seu nível, limpando as suas lágrimas triste.
- O que foi meu anjo? - perguntei pegando ela no colo em seguida para que pudéssemos sentar na ombreira da janela e ter a oportunidade de ter o sol a brilhar. - Alguém te magoou? - estava mesmo preocupada, mas num estado de preocupação tal que sentia aquela vez em que no passado havia presenciado algo semelhante com a minha Claire. Então essa memória veio até a minha mente bem fresca e nova.
" Estava a chegar em casa depois de uma prova importante de atletismo quando ao atravessar o portão encontrei a minha irmã a chorar perdida e agarrada ao seu boneco de trevos que um dia o papa havia trazido de umas de suas viagens a Suiça. Ela chorava copiosamente, e eu como boa irmã que era não conseguia passar sem tentar perceber o que se passava. Então larguei o meu saco e esqueci o quanto estava cansada e simplesmente saltei para onde ela estava sentando a pequena e doce menina no meu colo.
Comecei a limpar as suas lágrimas.
- O que se passa, Claire? - questionei de forma terna e cúmplice enquanto ajeitava a sua mexa atrás da orelha. - Aconteceu alguma coisa na escolinha? Alguém magoou-te? - ela balançava a cabeça negativa de um lado para o outro. - Então o que se passou? - tentei perceber, ela levantou os olhinhos olhando em mim com cara certeira.
- Foi o papa que disse que eu não vou puder ter um cãozinho porque ele faz muito lixo e barulho. - fez beicinho enquanto relatava o seu problema infantil. - Ele ainda falou que este jardim não é grande o suficiente para ter um bolinhas. - comecei a rir. - Estas a rir de quê? Não tem graça!
- Desculpa, meu anjo, mas é que o papa não quer um cãozinho porque ele tem medo deles. - confessei a ela ao qual abriu a boca num "O".
- Porque? Ele não morde! - falou de modo inocente.
- O melhor mesmo é perguntarmos ao papa, não achas? - pousei ela no chão, me levantando em seguida. - Acho que é isso mesmo que temos de fazer e vais ver que essas lágrimas vão dar lugar a um grande sorriso. - ela bateu palminhas animada."
Recordar esse momento inocente, fez reflectir no quanto o infantil as vezes doía tanto mais que o pensar adulto. Por vezes chorávamos por coisas banais, como em outras chorávamos por dores maiores, certo?
Talvez o caso da Maggie não fosse nada como o da Claire, mas talvez algo fácil ou difícil dependendo da circunstancia, que no fundo ia tentar perceber, pois eu queria deixar a minha doce menina bem.
- Caroline! - ela aperta apertava muito as suas maozinhas na minha saia e levantava os olhinhos até a mim de vezes em vezes. - Eu tenho medo do que os adultos pensam, eles são estranhos, eles acham que nós somos estranhos!
- Porque dizes isso? - perguntei.
- A pouco quando passava no corredor do andar de baixo, eu não consegui não ouvir os pensamentos maldosos sobre nós. - confessou ela baixando um pouco o olhar sabendo que o que tinha feito não era correcto. - Eles pensavam coisas muito feias. - inclinei ligeiramente a cabeça.
- Maggie, eles não sabem quem somos e não vão saber. - tranquilizei a pequena. - Alem disso estamos a tentar não chamar atenção deles, certo? - ela balançou a cabeça que sim, mas logo entristeceu. - o que foi? - ela começou a mexer nos botões do seu punho.
- Achas que se o meu papa fosse vivo eu seria mais feliz? - respirei fundo observando ela. - Se eu não tivesse este dom, eu podia ser uma pessoa melhor? - sorri, passando a mão na sua nuca.
- Claro que sim, e mesmo que com ele, és a menina mais adorável deste mundo. - beijei o alto de sua testa- minha princesa. - ela mostrou um sorriso amoroso. - É assim que quero, esse lindo sorriso sempre a brilhar, porque o teu papa assim o pede. - ela abraçou forte.
Eleazar
Odiava chegar atrasados os meus compromissos, mas com aquela mulher no meu caminho nunca era fácil chegar a tempo onde eu queria, quanto mais me livrar dela com boas maneiras.
Finalmente cheguei no colégio, e ao olhar para o grande ilustre placar a anunciar o nome dele eu fiquei congelado dos pés a cabeça, pois a mentira começava agora. "Vamos lá, Eleazar" falei para mim mesmo.
Atravessei as portas da entrada de pasta erguida e uma senhora de meia idade acompanhou-me até a sala do director onde o meu medo sem duvida apenas começou a subir em pique sem parar.
- Bom dia, senhor Misty! - o senhor de gravata vermelha levantou-se gentil e apertou a minha mão daquela maneira dos filmes que achava ate bem agressiva que enfim, eu tinha de focar as ideias para as perguntas. - Presumo que venha dar uma resposta positiva a nossa proposta irrecusável!
As suas palavras eram tentadoras de persuasão o que não deixava margem de erro a minha falha, por isso eu tinha mesmo de falar sim. Ela acenou para eu sentar na cadeira ao qual cedi sem grandes cerimónias e cruzei as pernas nervoso.
- Sim, sim claro! - apressei-me a responder.
- As nossas crianças são um tanto ao quanto embaraçosas, mas como você tem experiência no ramo, presumo que esse não seja um problema complicado. - adiantou-se o director.
- De maneira nenhuma! - respondi de imediato observando os cantos a sala com pormenor e pensar comigo mesmo que estava a escavar um buraco sem fundo. - E alem disso... - ele ergueu a sobrancelha como se o meu discursar fosse fora de sua ideia. - Eu tenho 4 filhos, e um sobrinho ao meu encargo e de minha amável esposa. - ele balançou a cabeça. - Por isso eu entendo de complicação.
- Claro, isso é ótimo para nós... então... - alguém abre a porta sem bater.
- Bom dia! - ao escutar a voz atrás de mim eu dei um pulo.
- Rennée?! - eu não queria acreditar.
- Senhorita Ruane??
- Eu vim oferecer um bolo ao senhor director por ser o melhor que este colégio tem. - dei de ombros vendo o quanto esta mulher bajulava incansavelmente.
Caroline
Depois de ver a pequena com outro ar, eu fiquei mais tranquila ainda pois eu havia conseguido com pouco dar tudo, e isso não tinha preço. Então encaminhar para o exterior, uma mão segurou a minha não estando eu a espera e ao olhar fui altamente surpreendida.
- Edward?
- Nós precisamos de falar muito a sério! - inclinei a cabeça não gostando do seu tom.
- Tudo bem! - disse por fim.
Acabamos mesmo por sair do colégio indo ate ao parque da cidade, ou mais precisamente ate a ponte onde ele havia em aquele dia lindo mostrado o por do sol para mim.
Durante essa caminhada ele não falou nada, era como se o clima de animação, amizade tivesse vazado em segundos, que no fim eu não entendia o que na verdade tinha de razão para mudar, a menos que ele tivesse descoberto algo que não devia. Como esse silencio estava a incomodar, decidi quebra-lo.
- O que se passa Edward? O que mudou em ti? - atrevi-me a questionar a respeito.
Chegava mais uma segunda-feira, que resumidamente era mais um dia em que se entregavam trabalhos de grupo, tpc's, e começavam aulas chatas pela manhã em que a vontade era de dormir. Eu estava ciente da preguiça que transportava em mim ao caminhar para a cozinha e sentar para tomar o pequeno almoço em família que pensando bem era algo raro. A minha mãe ao contrário de todos os dias estava prestativo a servir o café do meu pai, que por outro lado lia o seu jornal bem descansado, como se o tempo estivesse parado.
No entanto, esse tipo de lentidão no tempo demorou bem pouco, porque já a minha estava a bater palmas em pé mandando toda a gente para a rua quando eu ainda nem o açúcar havia adicionado. Não era surpresa alguma, que paciência era o forte dela. Então segui até ao carro a comer, escutando obviamente resmungos do tipo "Não quero migalhas dentro do carro, aspirei ontem", eu apenas acenava a tudo com um simples sim.
Ao chegar ao colégio, e ao ver o jornaleiro na frente do portão a vender jornais, eu não perdi tempo em comprar um mesmo que tal não fosse muito meu habito, mas tinha de ver que os meus colegas ainda não haviam chegado e por outro lado não gostava de ficar observando montras. Aproximei do moço sendo assim.
- Bom dia, eu queria um jornal, por favor! - pedi com educação que sempre caia bem a toda a gente, embora nem todos a tomassem do modo mais correcto, e paguei o que devia, voltando as costas até sentar no banco de jardim.
Enquanto o tempo ia passando, eu ia virando as páginas do jornal sem qualquer tipo de atenção demorada, até ao virar a ultima página encontrar uma foto que chamou atenção. Eu ainda não queria acreditar no que via, mas a pessoa que era mostrada, era conhecida de alguma forma, não que a conhecesse por ai de relatos, mas alguém pelo qual iniciava uma boa relação de amizade.
- Caroline! - sussurrei bem baixo de modo a não deixar ninguém ouvir, e ao levantar os olhos vi ela a chegar de frente com os irmãos e logo tratei de esconder o jornal na mochila, entrando para dentro do colégio e fingir que não a via.
Era estranho isso, e uma vez mais só mostrava que se passava algo que tinha mesmo de descobrir, pois ela não fazia questão de falar, apesar de nunca ter perguntado a respeito.
Eleazar
Como os miúdos já tinha saído para o colégio e a casa estava completamente vazia, lembrei de preparar-me bem preparado para ir nessa tal entrevista de emprego caída de ultima hora que no fim de contas era apenas uma boa oportunidade. Ainda assim havia uns problemas, eu não era professor de pintura, era apenas um pintor que ia tentar ensinar. Por outro lado, achava sinceramente que ia sair de dentro daquela sala bem mais ensinado que aquelas crianças.
- Meu Deus! - sussurrei ao pegar a pasta e encaminhar para a porta bem nervoso. - Espero que as crianças sejam como o meu Alex, calmas e obedientes. - implorei aos céus.
Ao abrir a porta da rua, levei com um grande susto da senhoria que aparecia no meu jardim de bolo na mão.
- Rennée! - cocei ligeiramente a nuca não esperando uma visita inesperada justo na hora de saída. - Eu.. eu até convidava-te para um chá, café, mas é que estou de saída. - tentei não atrapalhar muito com as palavras.
- Oh, que pena acabei mesmo de fazer neste instante esta tarte de morango que está uma beleza! - ela balanço o prato bem na frente do meu nariz, o que fez os meus olhos oscilarem animados, mas precisava de conter-me.
- Há.. então aparece ai mais tarde, com certeza que já estarei de volta antes dos miúdos chegarem e claro colocamos toda a conversa em dia. -apressei uns passos a frente. - Há e... - ela olhou atenta. - Se a Carmen chegar, avisa que eu sai!
- A tua mulher não sabe que vais sair? - ela pouso o prato na mesinha do jardim cruzando os braços.
- Oh, sabe mas sabes como é, mulher esquecida e depois fica preocupada. - tentei explicar.
- Estas a dizer que nós mulheres somos despistadas? - ela mostrou-se ofendida.
- Não, não de maneira nenhuma, Rennée! - recuei uns passos pegando as suas mãos delicadamente. - São todas maravilhosas! - tentei mostrar simpatia mesmo que a vontade fosse outra. - ela soltou a mãos das minhas, levando até ao cabelo se achando toda poderosa.
- Ai vai lá homem não quero ser causa de atrasos de ninguém! - empurrou ela.
Sai desde logo a correr antes que ela se lembrasse de mais alguma coisa e eu perdesse mais tempo que o útil e a paciência que já era pouca.
Caroline
A aula de física estava a correr normalmente, embora achasse que havia um clima estranho na volta do Edward. Queria mesmo perguntar o que se estava a passar, mas sempre que achava que tinha a oportunidade certa, alguém chamava a minha atenção. Numa das vezes era o professor com perguntas de relatividade, outras era mesmo a Jane toda animada a perguntar o que o Jasper gostava.
A verdade é que andava pelos cabelos com certas e determinadas coisas, contudo era necessário manter aparência de menina calminha, boa aluna, mesmo que tal fosse tão mais difícil que o condenável.
Quando a campainha soou, todas as pessoas presentes na sala começaram abandona-la dando a mim a oportunidade que pedia desde o inicio. Contudo quando achava que era a hora já ele estava a sair pela porta de forma estranha e apressada. Então em poucos minutos ideias absurdas assaltavam a minha cabeça cogitando imensas hipóteses negativas, incluindo dedos de Jasper em tudo. Sim porque ele era capaz de qualquer coisa só para irritar-me.
Peguei na mochila indo até ao cacifo e nesse momento a pequena Maggie puxou a minha saia de olhinhos rasos de agua. Agachei ate seu nível, limpando as suas lágrimas triste.
- O que foi meu anjo? - perguntei pegando ela no colo em seguida para que pudéssemos sentar na ombreira da janela e ter a oportunidade de ter o sol a brilhar. - Alguém te magoou? - estava mesmo preocupada, mas num estado de preocupação tal que sentia aquela vez em que no passado havia presenciado algo semelhante com a minha Claire. Então essa memória veio até a minha mente bem fresca e nova.
" Estava a chegar em casa depois de uma prova importante de atletismo quando ao atravessar o portão encontrei a minha irmã a chorar perdida e agarrada ao seu boneco de trevos que um dia o papa havia trazido de umas de suas viagens a Suiça. Ela chorava copiosamente, e eu como boa irmã que era não conseguia passar sem tentar perceber o que se passava. Então larguei o meu saco e esqueci o quanto estava cansada e simplesmente saltei para onde ela estava sentando a pequena e doce menina no meu colo.
Comecei a limpar as suas lágrimas.
- O que se passa, Claire? - questionei de forma terna e cúmplice enquanto ajeitava a sua mexa atrás da orelha. - Aconteceu alguma coisa na escolinha? Alguém magoou-te? - ela balançava a cabeça negativa de um lado para o outro. - Então o que se passou? - tentei perceber, ela levantou os olhinhos olhando em mim com cara certeira.
- Foi o papa que disse que eu não vou puder ter um cãozinho porque ele faz muito lixo e barulho. - fez beicinho enquanto relatava o seu problema infantil. - Ele ainda falou que este jardim não é grande o suficiente para ter um bolinhas. - comecei a rir. - Estas a rir de quê? Não tem graça!
- Desculpa, meu anjo, mas é que o papa não quer um cãozinho porque ele tem medo deles. - confessei a ela ao qual abriu a boca num "O".
- Porque? Ele não morde! - falou de modo inocente.
- O melhor mesmo é perguntarmos ao papa, não achas? - pousei ela no chão, me levantando em seguida. - Acho que é isso mesmo que temos de fazer e vais ver que essas lágrimas vão dar lugar a um grande sorriso. - ela bateu palminhas animada."
Recordar esse momento inocente, fez reflectir no quanto o infantil as vezes doía tanto mais que o pensar adulto. Por vezes chorávamos por coisas banais, como em outras chorávamos por dores maiores, certo?
Talvez o caso da Maggie não fosse nada como o da Claire, mas talvez algo fácil ou difícil dependendo da circunstancia, que no fundo ia tentar perceber, pois eu queria deixar a minha doce menina bem.
- Caroline! - ela aperta apertava muito as suas maozinhas na minha saia e levantava os olhinhos até a mim de vezes em vezes. - Eu tenho medo do que os adultos pensam, eles são estranhos, eles acham que nós somos estranhos!
- Porque dizes isso? - perguntei.
- A pouco quando passava no corredor do andar de baixo, eu não consegui não ouvir os pensamentos maldosos sobre nós. - confessou ela baixando um pouco o olhar sabendo que o que tinha feito não era correcto. - Eles pensavam coisas muito feias. - inclinei ligeiramente a cabeça.
- Maggie, eles não sabem quem somos e não vão saber. - tranquilizei a pequena. - Alem disso estamos a tentar não chamar atenção deles, certo? - ela balançou a cabeça que sim, mas logo entristeceu. - o que foi? - ela começou a mexer nos botões do seu punho.
- Achas que se o meu papa fosse vivo eu seria mais feliz? - respirei fundo observando ela. - Se eu não tivesse este dom, eu podia ser uma pessoa melhor? - sorri, passando a mão na sua nuca.
- Claro que sim, e mesmo que com ele, és a menina mais adorável deste mundo. - beijei o alto de sua testa- minha princesa. - ela mostrou um sorriso amoroso. - É assim que quero, esse lindo sorriso sempre a brilhar, porque o teu papa assim o pede. - ela abraçou forte.
Eleazar
Odiava chegar atrasados os meus compromissos, mas com aquela mulher no meu caminho nunca era fácil chegar a tempo onde eu queria, quanto mais me livrar dela com boas maneiras.
Finalmente cheguei no colégio, e ao olhar para o grande ilustre placar a anunciar o nome dele eu fiquei congelado dos pés a cabeça, pois a mentira começava agora. "Vamos lá, Eleazar" falei para mim mesmo.
Atravessei as portas da entrada de pasta erguida e uma senhora de meia idade acompanhou-me até a sala do director onde o meu medo sem duvida apenas começou a subir em pique sem parar.
- Bom dia, senhor Misty! - o senhor de gravata vermelha levantou-se gentil e apertou a minha mão daquela maneira dos filmes que achava ate bem agressiva que enfim, eu tinha de focar as ideias para as perguntas. - Presumo que venha dar uma resposta positiva a nossa proposta irrecusável!
As suas palavras eram tentadoras de persuasão o que não deixava margem de erro a minha falha, por isso eu tinha mesmo de falar sim. Ela acenou para eu sentar na cadeira ao qual cedi sem grandes cerimónias e cruzei as pernas nervoso.
- Sim, sim claro! - apressei-me a responder.
- As nossas crianças são um tanto ao quanto embaraçosas, mas como você tem experiência no ramo, presumo que esse não seja um problema complicado. - adiantou-se o director.
- De maneira nenhuma! - respondi de imediato observando os cantos a sala com pormenor e pensar comigo mesmo que estava a escavar um buraco sem fundo. - E alem disso... - ele ergueu a sobrancelha como se o meu discursar fosse fora de sua ideia. - Eu tenho 4 filhos, e um sobrinho ao meu encargo e de minha amável esposa. - ele balançou a cabeça. - Por isso eu entendo de complicação.
- Claro, isso é ótimo para nós... então... - alguém abre a porta sem bater.
- Bom dia! - ao escutar a voz atrás de mim eu dei um pulo.
- Rennée?! - eu não queria acreditar.
- Senhorita Ruane??
- Eu vim oferecer um bolo ao senhor director por ser o melhor que este colégio tem. - dei de ombros vendo o quanto esta mulher bajulava incansavelmente.
Caroline
Depois de ver a pequena com outro ar, eu fiquei mais tranquila ainda pois eu havia conseguido com pouco dar tudo, e isso não tinha preço. Então encaminhar para o exterior, uma mão segurou a minha não estando eu a espera e ao olhar fui altamente surpreendida.
- Edward?
- Nós precisamos de falar muito a sério! - inclinei a cabeça não gostando do seu tom.
- Tudo bem! - disse por fim.
Acabamos mesmo por sair do colégio indo ate ao parque da cidade, ou mais precisamente ate a ponte onde ele havia em aquele dia lindo mostrado o por do sol para mim.
Durante essa caminhada ele não falou nada, era como se o clima de animação, amizade tivesse vazado em segundos, que no fim eu não entendia o que na verdade tinha de razão para mudar, a menos que ele tivesse descoberto algo que não devia. Como esse silencio estava a incomodar, decidi quebra-lo.
- O que se passa Edward? O que mudou em ti? - atrevi-me a questionar a respeito.

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