Quando o dia clareou, Caroline já estava de pé pronta para sorrir para o namorado que a acompanhava em mais um dia. Por mais que a ideia de um hospital não agradece, ela ate forçava um sorriso que no fim de contas, era sempre uma vitória, para quando se achava tudo uma derrota.
A jovem que se preparava para escovar os cabelos animada, deu conta de que ao puxar a primeira mexa, uma grande porção de cabelos acabava de cair, ou simplesmente ficavam agarrados a escova. Ela ainda não estava acreditar que começava a perder os seus lindos cabelos loiros, então suas lágrimas preocupadas escorriam pelas faces, em meio de gritos.
- Não! Não! - ela ajoelhava-se ao chão batendo os punhos.
Niklaus que estava a vestir no quarto ao lado percebeu da gritaria, e foi logo a correr a socorrer a namorada que ao vê-la no chão pensou o pior. Ajudou a levantar e olhar em seus olhos perguntando o que se passava.
- O que se passa meu amor? - ele tentou leva-la para o quarto. - Doí-te alguma coisa? - ele parecia mesmo preocupado e a ponto de despertar com a ausência de resposta da garota que olhava para um ponto qualquer da divisão. - Care, fala comigo! - ele parou, focou seus olhos no rosto dela, obrigando seus olhos oscilantes, olharem os seus.
- O meu cabelo, Niklaus, o meu cabelo esta a cair! - ela abraçou ele chorando muito sem conseguir parar. Ele por sua vez apenas a podia consolar apertando ainda mais para si, tentando não chorar também em sinal de compaixão.
A verdade é que este tipo de situação já era de prever, embora a jovem não quisesse de todo acreditar que ele eventualmente pudesse mesmo chegar e com isso terminar de vez com a sua felicidade. Ok, que ficar careca não é o fim do mundo, contudo para quem tem cabelos longos e lindos, sente um vazio enorme, então esse tipo de preocupação, essa falta, era a mesma que ela sentia, ao afastar os braços dele de seu corpo para olhar o grande espelho do banheiro.
A medida que passava os dedos pelos seus fios de cabelos lindos, as lágrimas em seus olhos já não seguravam de tanta tristeza. Ele que estava a assistir a tudo em silencio, pouso as mãos no ombro da garota que delicadamente as tirou, olhando para ele nesse mesmo minuto.
- Eu preciso de ficar sozinha! - pediu ela com gentileza, e ele nem se debateu ao ponto de iniciar uma discussão, muito pelo contrário, assentiu saindo, fazendo assim a vontade da namorada valer.
Estando sozinha em seu "vazio", ela começou a pensar se era ou não hora de parar, pois o seu sofrimento só agora estava a começar. Por outro lado, havia algo nela que dizia que parar era deixar morrer, e que no futuro tudo seria apenas incerto. Mas de volta e meia ela voltava a mesma questão, pensando consigo própria a que futuro se referia, se ela já de si havia deixado de acreditar nisso. Porem a resposta era simples, e definia-se em apenas um nome, Niklaus. Era por ele que ela lutava, era por ele que ela continuava acreditar, era por ele que ela voltava a ser feliz, e era mais uma vez por ele que ela pensava no futuro.
No entanto, do outro lado da divisão de paredes e portas, o loiro estava inquieto. Um lado dele falava que era hora de fazer alguma coisa, de abrir o coração e dar aquele amor que ela precisava, contudo, no minuto seguinte, ele não conseguia ser tão forte quanto queria e pensava que era, pois a doença dela o enfraquecia a cada dia.
Aqueles sorrisos, aquela confiança que ele mostrava em seus lábios, estava a esmorecer, porque o sofrimento que ele assistia e nada podia fazer para mudar, o matava por dentro. É certo que já dizia sua avó, que "Deus escreve certo por linhas tortas", contudo será que estava mesmo certo a traçar a linha do destino da Caroline?
Eram perguntas que ele fazia todas as vezes que se sentia sozinho, a mesma pergunta, embora um contexto diferente, ele havia traçado quando formalmente ele não acreditou na morte da sua mãe. Para ele tudo estava contra sua felicidade, contra a sua genuína vida, quando no fim de contas ele queria ser feliz com eles. Mas infelizmente, a vida foi roubada sem um único "não".
Ele já limpava as lágrimas as mangas da camisa por rever essas memórias em sua cabeça que em tudo o deixavam tão mais em baixo, quando na verdade tinha de ser forte, porque uma vez mais era hora de lutar.
Caroline surgiu na sala, de lenço na cabeça, bem bonito ate por sinal. Ele levantou ao ver a namorada aparecer, indo ate ela para ajudar a sentar no sofá, embora ela não precisando, mas era uma forma carinhosa que ele tinha de cuidar dela. A jovem ao sentar no sofá e focar os seus olhos na tela que estava na parede, foi fácil de perceber o seu olhar, ela queria falar, ela tinha algo a comunicar.
- Há alguma coisa que querias falar? - o rapaz questionou inquieto. Ela tirou os olhos da tela depositando nas próprias mãos, como se escondesse o quão profundo o olhar podia estar. - Care, não estas sozinha! - ele pegou as mãos dela, que logo mesmo estando de rosto baixo ele percebeu o sorriso dela. - Sendo uma coisa boa ou má eu vou respeitar. - ela então abraçou ele inesperadamente.
As vezes não existiam palavras para descrever actos, ou simplesmente em outras situações elas não era suficiente para resumir um monte de problemas ou sentimentos. Caroline estava certa de sua nova e dolorosa decisão de dar um passo em frente nesse que seria de todos o mais delicado, no entanto era necessário.
- Eu decidi que vou rapar o meu cabelo, por mais que me custe. - disse ela sentando no sofá da sala de olhos postos nele. - Mas eu não quero fazê-lo sozinha, porque vai doer demais ver os meus lindos cabelos loiros a cair. - ele pegou na mão dela, acariciando de forma carinhosa. - Eu quero que estejas ao meu lado, nesse momento complicado em que a minha vida vai mudar, em que eu vou mudar.
- É claro que vou estar ao teu lado, e nada, mesmo absolutamente nada, vai mudar. -beijou o alto da testa da loira. - Porque com cabelo ou sem cabelo, tu não vais deixar de ser a garota pelo qual me apaixonei. - ela sorriu feliz ao escutar as palavras do namorado e o abraçou uma vez mais.
Desde do fim da relação que Damon não era mais o mesmo, desta vez as razões de sua mudança eram alvo de muita atenção por parte das garotas da cidade, que de volta e meia andava na sua asa dando ao desfrute de ter uma noite de puro prazer e diversão. Stefan que sendo o irmão mais novo, e ao mesmo tempo o mais consciente dos erros do outro, não suportava a ideia de ver a figura que este andava a mostrar ao mundo, como se o facto de saber que a sua ex-namorada que esperava um filho seu, não mudasse em nada.
Claro esta que na cabeça do moreno, nada era mais importante que ele mesmo, certo? Contudo, o mundo nunca ia morrer sem a esperança de acreditar na verdade ou mentira dos seus verdadeiros sentimentos. Até porque há bem menos tempo ele pensava que o irmão estava mesmo apaixonado, porém ele não estava tanto quanto parecia.
O jovem desistiu de ficar a pensar na sua poltrona e levantar ao ver que o dia já estava a clarear e que uma vez mais a sua noite havia passado sem a sombra de um sonho. De facto era irónico pensar em sonhos naquela casa, pois a vida só por si era um pesadelo sem fim.
Ele saia do quarto descontraído e ao atravessar o corredor sentiu um cheiro intenso ao álcool, que logicamente saia do quarto do Damon que por consequência disso, era fácil de descobrir que o outro jovem havia andando a beber a noite inteira. E razões, essas não deviam faltar, porque a consciência sempre pesa.
Quando ao chegar ao alto da escada se preparava para descer ate ao andar inferior, escutou passos atrás de si e sussurrou baixo:
- Bom dia para ti também! - Damon que escutava a saudação do irmão deu de ombros meio de camisa aberta e a cambalear.
- Oh, já é dia? E eu que pensava que ainda era noite e só agora terminei a 5 garrafa de Whisky do Zach. - riu-se todo ao cambalear a esquerda e Stefan o segurar.
- Estas bêbado, Damon! - alertou o rapaz não gostando nem um pouco do estado embriagado do irmão. - Precisas de um banho frio e dormir! - ditas as palavras ele começou a empurrar o outro moreno para a casa de banho, onde tratou de encher a banheira de agua fria e o empurrar para dentro.
O problema que Stefan já esperava, era o facto de Damon não proferir palavras bonitas ao ser mergulhado de pouca vontade na agua e começar a ter na sua real gana, a ideia de sair e caminhar pela casa mesmo encharcado. No entanto, a tarefa de o manter preso não era nada fácil.
Ao fim de alguns 3 quartos de hora, ele foi deitar na cama, e ficando casa novamente naquela tranquilidade, o garoto aproveitou para ligar para Elena que desde a ultima vez que não tinha noticias, contudo não deu nem sequer tempo de olhar o relógio digital, que já estava a ligar e no fim escutar aquela voz doce e encantadora da rapariga.
- Alô, Stefan! - Elena sussurrava meio que baixo, e a esfregar os olhos afastando o sono que tinha e sentia, já que ainda estava deitada na cama.
- Espero não ter te acordado cedo, linda! - apressou-se ele a tentar desculpar de algum tipo de incomodo.
- Não, esta tudo bem... eu já precisava de levantar mesmo, ate porque tenho muitas coisas para fazer! - ela começou a olhar os móveis do quarto, esfregando os cabelos enquanto afastavam os cobertores, que em outra hora havia aquecido bem a sua noite.
- Eu na verdade estava a pensar em convidar-te para sair, mas já que vais ficar ocupada, pode ficar para outra altura.. - o garoto caminhava de aparelho ao ouvido pela sala, dando olhadelas ao alto da escada, não fosse o irmão ter acordado e ficar na escuta da conversa privada, e depois começar com os seus piropos.
- Oh, ate posso sair, e na verdade nada do que tenho para fazer é assim tão importante. - levantou-se da cama, caminhando ate a ombreira da janela e ficar a ver o irmão a sair com a bicicleta e erguer uma sobrancelha curiosa. - Que tal depois do almoço, no parque? - ela questionou, levantando de seguida e em passos breves chegar no quarto do irmão e ver tudo vazio.
- Por mim esta ótimo! - sorriu feliz ao ver que a garota estava aceitar estar com ele. - Então a gente se vê mais tarde! Beijos. - e assim Stefan desligou a ligação, tratando de apressar para ir tomar um bom banho quente.
Por outro lado Elena não estava nada de boa cara, por mais que o convite lhe cai-se que nem uma luva branca. No entanto, Jeremy já era uma preocupação sem tamanho. Ela ao ver que não encontrava nada do irmão, correu ate a tia Jenna, ao qual a deixou bem preocupada também, pois esta nem havia dado conta da saída do rapaz.
- Tia, o Jer saiu! - a garota cruzou os braços meio que a bater o pé no chão insistente. - Onde ele foi? - ambas coçaram a nuca pensativas e logo a morena chegou a uma conclusão.
Então saiu a correr ate ao quarto novamente e trocou de roupa num pulo e antes mesmo de sair de casa, com a tia alertar no ouvido "Cuidado Elena!". Porem a garota não fazia caso as palavras da tia que em tudo era apenas mais um exagero.
Niklaus, acompanhava a namorada ate a sala de estudos, onde a mãe a esperava atenciosamente a tesoura na mão para cortar os longos cabelos da filha, que já chorava bem antes de sentir a tesoura em seus fios. Contudo, ninguém a condenava por suas lágrimas, que no fim de contas todas elas valiam tanto mais que a dor física.
O cabelo para alguém como ela, era um símbolo de beleza, de conforto, que ao ser tirado de si, era como perder parte do seu coração. Então, em solidariedade, Nik sentou ao seu lado, olhando para ela e nunca largar a sua mão, para que assim não se sentisse sozinha, o que nunca estaria, pois ele já havia prometido a si mesmo que isso era algo que estava fora de questão.
Na verdade, no seu pensar, todo o homem que abandonava a mulher que amava, era porque não gostava realmente dela, caso contrário estaria junto na dor, ou na doença, mas na sua alegria e tristeza, pois amar é sentir tudo isso com comunhão.
- Podes cortar, antes que eu me arrependa! - sussurrou a garota tentando prender o choro, mas não conseguir conter ao ver a primeira mexa cair a seu pés e depois mais outra, e outra.
Os minutos seguintes foram muitos intensos para ela, que chorava sem parar, já soluçando, Niklaus que estava também de lágrima no canto do olho, já não sabia que mais consolo dar a ela, contudo apenas a sua presença a podia fazer sorrir, então ele ia sorrir para ela, e assim ganhar um sorriso seu, belo e grande.
- Estou a terminar minha querida! - falou a mãe de Caroline, dando uma penteada no cabelo semi curto da jovem e por fim aparar os últimos fios mais saídos e pegar o espelho e dar nas mãos da jovem, mas antes que ela pudesse olhar, disse. - Querida, vai doer um pouco, mas tu precisas de ser forte, sim? - a garota balançou a cabeça afirmativa, e olhou o namorado apertando mais a mão a dele, e a mãe finalmente virou o espelho.
Caroline ao olhar a sua imagem reflectida no espelho não reagiu da forma que a mãe esperava, nem mesmo Niklaus, na verdade, ela estava a reagir de modo muito diferente, natural como não tivesse acontecido nada a si própria, e de certo modo isso preocupou a todos que a encaravam com cara preocupada.
- Caroline? - chamou o rapaz, que se colocava na frente da jovem tirando o espelho da frente. - Meu amor, fala comigo! - ele passou as mãos nas maças do rosto dela, mas o seu olhar se mantinha oscilante. - Diz qualquer coisa, estou preocupado! - o seu desespero era tanto igual ao da xerife, que já estava a ponto de entrar em pânico.
- Meu cabelo! - ela sussurrou bem baixinho de modo a que ninguém quase conseguisse ouvir, mas ele a havia escutado. - Eu não sou mais a mesma pessoa, sou feia! - as lágrimas transbordam dos olhos sem pedir licença.
- Não, nada disso. És linda da mesma forma para mim. - ele afastou a mexa do cabelo dela que insistia em tapar os seus lindos olhos azuis. - És o meu amor! - ela o abraçou, e ele nesse jeito o fez de tal modo tão apertado que ela acabou se sentindo protegida.
A jovem que se preparava para escovar os cabelos animada, deu conta de que ao puxar a primeira mexa, uma grande porção de cabelos acabava de cair, ou simplesmente ficavam agarrados a escova. Ela ainda não estava acreditar que começava a perder os seus lindos cabelos loiros, então suas lágrimas preocupadas escorriam pelas faces, em meio de gritos.
- Não! Não! - ela ajoelhava-se ao chão batendo os punhos.
Niklaus que estava a vestir no quarto ao lado percebeu da gritaria, e foi logo a correr a socorrer a namorada que ao vê-la no chão pensou o pior. Ajudou a levantar e olhar em seus olhos perguntando o que se passava.
- O que se passa meu amor? - ele tentou leva-la para o quarto. - Doí-te alguma coisa? - ele parecia mesmo preocupado e a ponto de despertar com a ausência de resposta da garota que olhava para um ponto qualquer da divisão. - Care, fala comigo! - ele parou, focou seus olhos no rosto dela, obrigando seus olhos oscilantes, olharem os seus.
- O meu cabelo, Niklaus, o meu cabelo esta a cair! - ela abraçou ele chorando muito sem conseguir parar. Ele por sua vez apenas a podia consolar apertando ainda mais para si, tentando não chorar também em sinal de compaixão.
A verdade é que este tipo de situação já era de prever, embora a jovem não quisesse de todo acreditar que ele eventualmente pudesse mesmo chegar e com isso terminar de vez com a sua felicidade. Ok, que ficar careca não é o fim do mundo, contudo para quem tem cabelos longos e lindos, sente um vazio enorme, então esse tipo de preocupação, essa falta, era a mesma que ela sentia, ao afastar os braços dele de seu corpo para olhar o grande espelho do banheiro.
A medida que passava os dedos pelos seus fios de cabelos lindos, as lágrimas em seus olhos já não seguravam de tanta tristeza. Ele que estava a assistir a tudo em silencio, pouso as mãos no ombro da garota que delicadamente as tirou, olhando para ele nesse mesmo minuto.
- Eu preciso de ficar sozinha! - pediu ela com gentileza, e ele nem se debateu ao ponto de iniciar uma discussão, muito pelo contrário, assentiu saindo, fazendo assim a vontade da namorada valer.
Estando sozinha em seu "vazio", ela começou a pensar se era ou não hora de parar, pois o seu sofrimento só agora estava a começar. Por outro lado, havia algo nela que dizia que parar era deixar morrer, e que no futuro tudo seria apenas incerto. Mas de volta e meia ela voltava a mesma questão, pensando consigo própria a que futuro se referia, se ela já de si havia deixado de acreditar nisso. Porem a resposta era simples, e definia-se em apenas um nome, Niklaus. Era por ele que ela lutava, era por ele que ela continuava acreditar, era por ele que ela voltava a ser feliz, e era mais uma vez por ele que ela pensava no futuro.
No entanto, do outro lado da divisão de paredes e portas, o loiro estava inquieto. Um lado dele falava que era hora de fazer alguma coisa, de abrir o coração e dar aquele amor que ela precisava, contudo, no minuto seguinte, ele não conseguia ser tão forte quanto queria e pensava que era, pois a doença dela o enfraquecia a cada dia.
Aqueles sorrisos, aquela confiança que ele mostrava em seus lábios, estava a esmorecer, porque o sofrimento que ele assistia e nada podia fazer para mudar, o matava por dentro. É certo que já dizia sua avó, que "Deus escreve certo por linhas tortas", contudo será que estava mesmo certo a traçar a linha do destino da Caroline?
Eram perguntas que ele fazia todas as vezes que se sentia sozinho, a mesma pergunta, embora um contexto diferente, ele havia traçado quando formalmente ele não acreditou na morte da sua mãe. Para ele tudo estava contra sua felicidade, contra a sua genuína vida, quando no fim de contas ele queria ser feliz com eles. Mas infelizmente, a vida foi roubada sem um único "não".
Ele já limpava as lágrimas as mangas da camisa por rever essas memórias em sua cabeça que em tudo o deixavam tão mais em baixo, quando na verdade tinha de ser forte, porque uma vez mais era hora de lutar.
Caroline surgiu na sala, de lenço na cabeça, bem bonito ate por sinal. Ele levantou ao ver a namorada aparecer, indo ate ela para ajudar a sentar no sofá, embora ela não precisando, mas era uma forma carinhosa que ele tinha de cuidar dela. A jovem ao sentar no sofá e focar os seus olhos na tela que estava na parede, foi fácil de perceber o seu olhar, ela queria falar, ela tinha algo a comunicar.
- Há alguma coisa que querias falar? - o rapaz questionou inquieto. Ela tirou os olhos da tela depositando nas próprias mãos, como se escondesse o quão profundo o olhar podia estar. - Care, não estas sozinha! - ele pegou as mãos dela, que logo mesmo estando de rosto baixo ele percebeu o sorriso dela. - Sendo uma coisa boa ou má eu vou respeitar. - ela então abraçou ele inesperadamente.
As vezes não existiam palavras para descrever actos, ou simplesmente em outras situações elas não era suficiente para resumir um monte de problemas ou sentimentos. Caroline estava certa de sua nova e dolorosa decisão de dar um passo em frente nesse que seria de todos o mais delicado, no entanto era necessário.
- Eu decidi que vou rapar o meu cabelo, por mais que me custe. - disse ela sentando no sofá da sala de olhos postos nele. - Mas eu não quero fazê-lo sozinha, porque vai doer demais ver os meus lindos cabelos loiros a cair. - ele pegou na mão dela, acariciando de forma carinhosa. - Eu quero que estejas ao meu lado, nesse momento complicado em que a minha vida vai mudar, em que eu vou mudar.
- É claro que vou estar ao teu lado, e nada, mesmo absolutamente nada, vai mudar. -beijou o alto da testa da loira. - Porque com cabelo ou sem cabelo, tu não vais deixar de ser a garota pelo qual me apaixonei. - ela sorriu feliz ao escutar as palavras do namorado e o abraçou uma vez mais.
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Claro esta que na cabeça do moreno, nada era mais importante que ele mesmo, certo? Contudo, o mundo nunca ia morrer sem a esperança de acreditar na verdade ou mentira dos seus verdadeiros sentimentos. Até porque há bem menos tempo ele pensava que o irmão estava mesmo apaixonado, porém ele não estava tanto quanto parecia.
O jovem desistiu de ficar a pensar na sua poltrona e levantar ao ver que o dia já estava a clarear e que uma vez mais a sua noite havia passado sem a sombra de um sonho. De facto era irónico pensar em sonhos naquela casa, pois a vida só por si era um pesadelo sem fim.
Ele saia do quarto descontraído e ao atravessar o corredor sentiu um cheiro intenso ao álcool, que logicamente saia do quarto do Damon que por consequência disso, era fácil de descobrir que o outro jovem havia andando a beber a noite inteira. E razões, essas não deviam faltar, porque a consciência sempre pesa.
Quando ao chegar ao alto da escada se preparava para descer ate ao andar inferior, escutou passos atrás de si e sussurrou baixo:
- Bom dia para ti também! - Damon que escutava a saudação do irmão deu de ombros meio de camisa aberta e a cambalear.
- Oh, já é dia? E eu que pensava que ainda era noite e só agora terminei a 5 garrafa de Whisky do Zach. - riu-se todo ao cambalear a esquerda e Stefan o segurar.
- Estas bêbado, Damon! - alertou o rapaz não gostando nem um pouco do estado embriagado do irmão. - Precisas de um banho frio e dormir! - ditas as palavras ele começou a empurrar o outro moreno para a casa de banho, onde tratou de encher a banheira de agua fria e o empurrar para dentro.
O problema que Stefan já esperava, era o facto de Damon não proferir palavras bonitas ao ser mergulhado de pouca vontade na agua e começar a ter na sua real gana, a ideia de sair e caminhar pela casa mesmo encharcado. No entanto, a tarefa de o manter preso não era nada fácil.
Ao fim de alguns 3 quartos de hora, ele foi deitar na cama, e ficando casa novamente naquela tranquilidade, o garoto aproveitou para ligar para Elena que desde a ultima vez que não tinha noticias, contudo não deu nem sequer tempo de olhar o relógio digital, que já estava a ligar e no fim escutar aquela voz doce e encantadora da rapariga.
- Alô, Stefan! - Elena sussurrava meio que baixo, e a esfregar os olhos afastando o sono que tinha e sentia, já que ainda estava deitada na cama.
- Espero não ter te acordado cedo, linda! - apressou-se ele a tentar desculpar de algum tipo de incomodo.
- Não, esta tudo bem... eu já precisava de levantar mesmo, ate porque tenho muitas coisas para fazer! - ela começou a olhar os móveis do quarto, esfregando os cabelos enquanto afastavam os cobertores, que em outra hora havia aquecido bem a sua noite.
- Eu na verdade estava a pensar em convidar-te para sair, mas já que vais ficar ocupada, pode ficar para outra altura.. - o garoto caminhava de aparelho ao ouvido pela sala, dando olhadelas ao alto da escada, não fosse o irmão ter acordado e ficar na escuta da conversa privada, e depois começar com os seus piropos.
- Oh, ate posso sair, e na verdade nada do que tenho para fazer é assim tão importante. - levantou-se da cama, caminhando ate a ombreira da janela e ficar a ver o irmão a sair com a bicicleta e erguer uma sobrancelha curiosa. - Que tal depois do almoço, no parque? - ela questionou, levantando de seguida e em passos breves chegar no quarto do irmão e ver tudo vazio.
- Por mim esta ótimo! - sorriu feliz ao ver que a garota estava aceitar estar com ele. - Então a gente se vê mais tarde! Beijos. - e assim Stefan desligou a ligação, tratando de apressar para ir tomar um bom banho quente.
Por outro lado Elena não estava nada de boa cara, por mais que o convite lhe cai-se que nem uma luva branca. No entanto, Jeremy já era uma preocupação sem tamanho. Ela ao ver que não encontrava nada do irmão, correu ate a tia Jenna, ao qual a deixou bem preocupada também, pois esta nem havia dado conta da saída do rapaz.
- Tia, o Jer saiu! - a garota cruzou os braços meio que a bater o pé no chão insistente. - Onde ele foi? - ambas coçaram a nuca pensativas e logo a morena chegou a uma conclusão.
Então saiu a correr ate ao quarto novamente e trocou de roupa num pulo e antes mesmo de sair de casa, com a tia alertar no ouvido "Cuidado Elena!". Porem a garota não fazia caso as palavras da tia que em tudo era apenas mais um exagero.
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O cabelo para alguém como ela, era um símbolo de beleza, de conforto, que ao ser tirado de si, era como perder parte do seu coração. Então, em solidariedade, Nik sentou ao seu lado, olhando para ela e nunca largar a sua mão, para que assim não se sentisse sozinha, o que nunca estaria, pois ele já havia prometido a si mesmo que isso era algo que estava fora de questão.
Na verdade, no seu pensar, todo o homem que abandonava a mulher que amava, era porque não gostava realmente dela, caso contrário estaria junto na dor, ou na doença, mas na sua alegria e tristeza, pois amar é sentir tudo isso com comunhão.
- Podes cortar, antes que eu me arrependa! - sussurrou a garota tentando prender o choro, mas não conseguir conter ao ver a primeira mexa cair a seu pés e depois mais outra, e outra.
Os minutos seguintes foram muitos intensos para ela, que chorava sem parar, já soluçando, Niklaus que estava também de lágrima no canto do olho, já não sabia que mais consolo dar a ela, contudo apenas a sua presença a podia fazer sorrir, então ele ia sorrir para ela, e assim ganhar um sorriso seu, belo e grande.
- Estou a terminar minha querida! - falou a mãe de Caroline, dando uma penteada no cabelo semi curto da jovem e por fim aparar os últimos fios mais saídos e pegar o espelho e dar nas mãos da jovem, mas antes que ela pudesse olhar, disse. - Querida, vai doer um pouco, mas tu precisas de ser forte, sim? - a garota balançou a cabeça afirmativa, e olhou o namorado apertando mais a mão a dele, e a mãe finalmente virou o espelho.
Caroline ao olhar a sua imagem reflectida no espelho não reagiu da forma que a mãe esperava, nem mesmo Niklaus, na verdade, ela estava a reagir de modo muito diferente, natural como não tivesse acontecido nada a si própria, e de certo modo isso preocupou a todos que a encaravam com cara preocupada.
- Caroline? - chamou o rapaz, que se colocava na frente da jovem tirando o espelho da frente. - Meu amor, fala comigo! - ele passou as mãos nas maças do rosto dela, mas o seu olhar se mantinha oscilante. - Diz qualquer coisa, estou preocupado! - o seu desespero era tanto igual ao da xerife, que já estava a ponto de entrar em pânico.
- Meu cabelo! - ela sussurrou bem baixinho de modo a que ninguém quase conseguisse ouvir, mas ele a havia escutado. - Eu não sou mais a mesma pessoa, sou feia! - as lágrimas transbordam dos olhos sem pedir licença.
- Não, nada disso. És linda da mesma forma para mim. - ele afastou a mexa do cabelo dela que insistia em tapar os seus lindos olhos azuis. - És o meu amor! - ela o abraçou, e ele nesse jeito o fez de tal modo tão apertado que ela acabou se sentindo protegida.

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