Vida de repórter nem sempre é mole, acreditem. Por de trás de uma cara bonita e roupa de ultima grife sempre tem uma jovem que leva um não a tantas entrevistas e acaba metendo-se em cada problema só para ter o melhor furo da tarde. Sim, imaginem que eu já passei por cada coisa, nem passa na memória de pessoa alguma. Mas sorte mesmo é ter uns colegas fantásticos como os meus que não me deixam desistir na primeira derrota. Aliás eu preciso muito desse emprego ou o que irei fazer?
Os meus filhos precisam de mim, de comida e de se vestirem. Eles estão a crescer. Agora é certo que tenho um marido, que ao invés de se por em termo de procura decide passar os seus dias deitado na espreguiçadeira da praia a beber uma gelada. Observar mulheres a desfilarem de biquínis. Um dia desses assumo a minha violência e dou o fim por um fio. Ok, não sou tão violenta como imaginam, nada de morte, sangue... é apenas encenação. Porque apesar de não ter uma vida de rainha como devia e em criança desejava, eu sou feliz, ok?
Vamos lá deixar essas coisas do pessoal para lá que agora tenho de furar este novo acontecimento. Quero destaque no jornal da nova edição de segunda, ou não terei promoção este mês. E olhe que a diferença de uns euros vem mesmo em boa hora.
- Hey Rose como vai isso ai? - pergunta Rafael me vendo com uma máquina fotográfica na mão a dar o flash em alguém. - Não me digas que agora queres virar paparazzi?
Precisei mesmo pousar a máquina e colocar o meu ar sério para ele decidir deixar-me em paz, e foi o que realmente aconteceu. Nesse instante agradeci mentalmente à minha mãe por me ter feito uma mulher tão durona. Mas não é que ao revirar os olhos vi um tão de Christian Grey na companhia de uma mulher? Oh, que me valha a alma do senhor, mas este homem nem é gay como pensava. Pelo menos aparentemente sai com mulheres. Bem isso também não quer dizer, nada. Melhor é furar já este casal.
- Olha, Rafa foca ali! - pedi entregando a minha máquina nas mãos dele e passar por entre os arbustos para interferir.
- Mas... - ainda o ouvi a reclamar qualquer coisa, mas acenei para ele fazer o que pedi.
Antes mesmo de interromper o casal ainda respirei fundo e sem grandes licenças intrometi no meio mesmo. A moça logo ficou a olhar-me de lado e senti mesmo aquele calor de ódio. Oh queridinha não estou aqui para roubar nenhum pedaço do teu xeique. Christian contrário ao esperado manteve uma postura rígida. O tipo de homem que se intrometesse na minha vida não sairia interinho, não. Rafael assobiou e percebi que precisava ser rápida.
- Desculpem aparecer assim, mas preciso de uma entrevista com o senhor Grey, isto se me der permissão para esse efeito... - ela parou o passo com que olhando ele de imediato. Reformulei o meu pedido. - Aliás expressei-me de forma errada, queria mesmo era com os dois! Eu sei que irá dizer que esse tipo de assuntos são marcados na sua agenda, que preciso de ligar para a secretária da OCE, mas me poupe um pouco o tempo. - e fiz o meu ar de anjo onde exibi os meus lindos olhos.
- Anastasia importas-te? - ainda olhei ela, que corou um pouco e acenou positivamente. - Como ela aceita, não sou eu que irei dar resposta negativa! Por favor onde pretende fazer a entrevista?
- Que tal um local mais discreto e sem olhares curiosos!
Ele assentiu, dali apenas recordo de sermos guiados por um tal de Taylor motorista do todo poderoso Grey. Uau, eu estava completamente impressionada. Aquela era a empresa dele? Meu Deus como era tão grande e ilustre. Adoraria ter um emprego nessas dimensões.
Dali em diante apenas entramos numa grande sala de reuniões em tons pastel e mobília toda ela muito cuidada e cheiro a novo. Claro com tanto dinheiro assim, até eu remodelava a minha casa inteira, e marido se possível. Ai as coisas que me passam pela cabeça. Puxei uma cadeira muito lentamente enquanto circundava os movimentos dele ao se sentar. Retirei o meu gravador para fora e as minhas notas de repórter. Tinha tudo pronto e então clarificando minha voz comecei.
- Senhor Grey se me permite esta entrevista será impressa amanhã para a edição de Segunda da revista The Times. - ele assentiu, continuei. - Bom, após a sua aparição no grande evento de formatura da Universidade de Vancouver, ouve imensos boatos de uma relação. Inclusive existem fotografias a circular pelas redes sociais. Confirma isso? - carreguei no botão do gravador.
- Estando aqui na presença da senhorita Stelle não irei mentir, quando muito a impressa já nos pressiona nesse sentido. É verdade sim que mantemos uma relação ao qual não disponho de detalhes! - anotei algo e voltei a subir o olhar a ele. - Tal como disse, gosto muito de manter a minha aparência de empresário, por isso não gosto de grandes divulgações. Não sou o tipo de homem que dá imensas declarações namoradas.
- Certamente que não. - interrompi saltando os meus olhos à seguinte pergunta. - Como surgiu a relação? Aliás de onde se conheceram?
Aquela minha questão saiu muito mais no toque pessoal, e cá entre nós que ninguém ouve os pensamentos, eu não gosto nem um pouco dela, acho que sinceramente o Christian podia simplesmente ter escolhido alguém mais para níveis como... como... eu. Porque não, né? Afinal sou como bem diz o meu marido um pedaço de mau caminho. "Ai Rose assim nem amanhã irás ter a entrevista".
Ambos começaram a olhar um para o outro, foi então que dei conta de que a minha pergunta não havia recebido resposta.
- Tudo aconteceu através de uma entrevista para o jornal da faculdade, cujo nem era eu para fazê-la, mas... - ergo uma sobrancelha quando percebo aquele tocar dos dedos na mãos de ambos. - ainda bem que aconteceu, pois repetiria novamente! - sorri vendo animação do casal.
- Como foi visto pela família ao saberem do relacionamento?
Ele coçou ligeiramente a nuca como quem procura sair dessa sem ser visto, mas surpreendeu-me ao colocar um largo sorriso nos lábios. Olhem, eu cá invejei tanto aquilo que desejei por um momento que ele fosse o Emmett e eu a protagonista da história. Isso sim, seria um vida de sonho, porque dinheiro trás felicidade e digam lá o que disserem.
- Muito bem, aliás minha mãe adorou a Anastasia, que sob opinião minha não tem ninguém que não goste! - esmoreci com aquilo.
"A senhora dona Grace Grey devia é gostar de mim, não dessa sem sal". Saltei as questões. No final ainda não tinha mais palavras para descrever o tamanho da minha tristeza. Claro que havia alguém que não gostava dela, esse alguém era eu por acaso. Não conto?
Despedi-me educadamente do casal e em pouco tempo abandonei a empresa, onde na parte de fora aguardava por mim Rafael cheio de esperanças.
- Então como correu? - perguntou ansioso enquanto seguíamos pela calçada.
- Bem, mas estou aqui com uma ponta de inveja daquela magricela! - revirei os olhos, ele simplesmente gargalhou. - O que foi? Não me digas que agora estou errada.
- Não é isso, tu não gostas de mulher alguma que te faça concorrência, Rose! - balancei a cabeça acertiva. - E depois não podes esquecer que és casada e tens filhos! - lembrar-me aquilo me deu até um aperto no peito.
- Ai, agora fizes-te sentir-me tão mal! - encenei uma postura de actriz de teatro em seu drama habitual.
- Deixa-te de dramas que temos matéria prima para a edição de amanhã e se não me engano o horário para entregar o material está prestes a terminar. - alerta ele olhando o relógio de pulso.
Imaginar-me a perder uma oportunidade como esta, me fez correr como nunca antes visto. Chegando na redacção alguns dos meus colegas e assistentes ficou a olhar-me. Estaria eu assim tão desgrenhada? Rafael logo apareceu atrás de mim guiando-me para o gabinete do "big boss". Confesso estava nervosa. E se ele não gostar? Mandar começar tudo de novo? "Para Rose".
- Sim, podem entrar! - vira a cadeira para a nossa direcção quando decido entrar e sentar imediatamente. - O que me trazem para a edição de amanhã? - engoli em seco e deixei sobre a mesa o gravador assim como questões.
- Essa é uma entrevista com o grande empreendedor Christian Grey! É um furo da relação mediática com a literária Anastasia Stelle. - ele assentiu.
Rafael estava em silêncio bem atrás de mim, as suas mãos nos meus ombros para os deixar um tanto menos tensos. Quando um chefe de redacção é completamente exigente, tudo se pode temer.
- Já pensaram no titulo? Tem fotografias do casal? - ai a duvida me veio sem permissão. Levei a mão aos lábios não querendo transparecer minha indignação.
- Sim... - fui assaltada por aquele tom. Elevei os meus olhos a Rafael. - Fifty Shades Of Grey! - fiquei confusa com o teor do titulo.
O big boss ficou em silencio por uns segundos, mas não é que no inesperado uma gargalhada se fez ouvir? A sério senti uma vontade em rir igualmente.
- Adorei! Podem rapidamente entrar com o trabalho, mas apressem o tempo está a esgotar e sabem como é que funcionamos!
- Sim, a qualidade é o que queremos oferecer aos nossos leitores!
Sai com o Rafael do gabinete e estava mesmo radiante. Apesar claro de todo o incidente. Afinal garanti a minha promoção, e depois tenho um ótimo colega que me salva sempre que não tenho resposta. Assim dá gosto trabalhar em equipa.
- Vamos lá, corre! - empurrei ele para a nossa sala de trabalhos.
- Espera quero um café ou achas que não merecemos? - cruzei os braços batendo o meu pé no chão freneticamente.
- Olha... vais ficar sem a sola do teu sapatinho! - gracejou ele tirando um café da máquina. - Tens a certeza que não queres um?
- Para quê se o que tens na mão já é meu? - e roubei-lhe rindo como uma adolescente.
- Hey! - reclamou ele.

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