"Minha querida Caroline,
Sei que essa é a maneira mais tradicional de começar este e-mail, mas não pude evitar. Faz apenas algumas horas que estou aqui em Dublan e já estou a morrer de saudades tuas, de cada segundo que passa sinto que não vou aguentar passar dois anos inteiros longe de ti, do teu amor tão intenso, desse teu calor que me deixa louco de paixão.
Por isso eu tomei uma decisão, espero que leves a mal, pois bem conheço o teu feitio e tal. Dentro de alguns instantes deves receber um novo e-mail, desta vez, juro que não é meu, mas companhia aérea. Sei que vais ficar louca, mas acabei de comprar uma bilhete para ti, justamente para aqui, Dublan.
Só não tem uma data definida, só precisas de agendar o teu lugar no voo com vinte quatro horas de antecedência e, é claro, avisar-me que eu iria logo buscar-te no aeroporto.
Mal posso esperar para ver-te de novo, vou ficar aqui à espera ansiosamente até tomes uma decisão clara de quando queres vir.
Eu te amo, muito.
Stefan."
Recebi aquele e-mail há pouco mais de algumas horas, mas ainda não tinha conseguido parar de ler e reler aquelas palavras do meu namorado desde então. Tanto que sabia o conteúdo daquela mensagem de trás para frente, sem nem mesmo precisar olhá-la uma ou outra vez.
Exactamente como meu namorado tinha avisado, acabei por receber um e-mail de aviso da companhia aérea a respeito da emissão do bilhete para Dublan e como eu poderia marcá-la para o voo que eu quisesse e bem entendesse. Se dependesse de mim era óbvio que eu já estaria em Dublan com ele, mas, infelizmente, isso não depende apenas de mim. Mas do meu trabalho que se não for eu a cumpri-lo, não tem pernas para se concretizar sozinho.
- Care, será que eu podes ajudar-me com uma coisa aqui no estoque? - a voz da minha melhor amiga fez com que eu despertasse dos meus devaneios e desviasse os olhos da tela do computador ao qual ainda não havia largado, afinal ainda sem querer estava a ler o e-mail do Stefan. - Tem uma caixa lá sem nenhuma identificação que eu não tenho ideia de onde colocar. Como foste tu, a responsável por receber um carregamento desta semana... - mas não deixou que Elena termina-se a frase.
- Claro Lena, eu já vou lá! - avisei enquanto fazia o logaut no computador. - Já estou completamente pronta para cuidar disso. Provavelmente são as camisas de manga cumprida que chegaram da nova colecção que Katherine anda a falar algum tempo que havia feito encomenda! - lembra. - Acho que só esqueci de colocar a identificação na caixa. Espero que a nossa patroa não descubra, ou vai ter sérios problemas com sermão para mim. - rio divertida.
- Também agora andas sempre no mundo da lua. Nesses últimos dias até esperaria que esquecesses a cabeça em casa ao sair. - Aliás, o que andas para ai a ver? Quero ver também, porque este meu serviço hoje está um tédio.
Elena foi para frente do meu computador cheia de expectativa em encontrar o que estava a ver, mas sorte mesmo é que já havia saído do meu endereço de e-mail, então ela não iria saber. Iria mesmo deixa-la a morder a pulga de curiosidade. A única coisa que ficou foi apenas a minha foto de fundo com o Stefan num dia de praia explendido nas caraíbas. Isso mesmo nós temos boas fotos, e o que é bom é para exibir.
- Por favor Care, não me digas que recebes-te um novo e-mail do Stefan e não me queres contar? - revirou os olhos enquanto encarava o meu rosto. Quase cai na gargalhada ao ouvi-la.
- Sim, ele mandou um e-mail e não sou apenas isso... - criei um pouco de suspense. Ela abriu bem os olhos animada, mas curiosa também. Acabei incentivada a continuar. - Ele diz que está cheio de saudades minhas que quer muito estar comigo novamente... - ela cruza os braços como quem espera mais. O que na pratica nem deixava de ser verdade. - E enviaram-me um e-mail com o bilhete de avião para Dublan, agora só basta fazer a reserva do dia do voo!
- Sinceramente, porque não pegas esse bilhete que ele te mandou e vai logo para Dublan? Só faz uma semana, mas dá para ver claramente que não estás bem longe dele. Sei quanto isso pode ser honestamente natural se tratando da maior romântica da cidade.
Era difícil não rir com a Elena. Afinal ela era a minha melhor amiga e melhor que muito boa gente conhecia-me muito bem. E só tinha razão para querer ver a minha felicidade em pleno. Óbvio que precisava de seguir os conselhos dela. Mas nem tudo é assim tão simples, afinal sempre tem uma responsabilidade que não se pode deixar de lado.
- É a primeira vez em quatro anos que eu fico tanto tempo longe do meu namorado, nunca o senti antes, é uma sensação muito dolorosa! - encolhi os ombros, sentia-me tensa. - Não podes culpar-me por estar me sentindo assim.
Conheci Stefan Salvatore quando na minha primeira semana do meu curso de moda, ambos éramos caloiros na universidade, viramos amigos logo de caras e pouco mais de seis meses depois estávamos a começar aquela que seria uma relação a dois, mais futuramente a namorar. O próximo passo foi irmos morar juntos, o que até correu muito bem por sinal. Quando fizemos completamos o nosso primeiro aniversário de namoro, infelizmente tudo mudou quando ele ganhou uma bolsa para pós-graduação fora do pais, logo depois da formatura. Claro que Stefan não queria aceitar por mim, porque dizia que não ia aguentar uma vida cheia de trabalhos e ficar ainda por cima longe de mim.
Persistente como eu sou, consegui convencê-lo a ir para Dublan, afinal, dois anos não era tanto tempo assim e logo estaríamos juntos novamente, pensei eu. Afinal retiro tudo o que disse nessa altura, porque fui totalmente injusta comigo. Não é tão verdade isso, 2 anos é muito tempo, não estou aguentar nem uma semana, quanto mais umas tantas outras.
- Caroline, estou falar a sério! - insistiu Elena ainda de braços cruzados na minha frente. – Sou tua melhorar amiga, conheço a vida toda de trás para a frente e de frente para trás, sou tua colega de trabalho e posso ver perfeitamente que estás totalmente dispersiva desde que o Stefan partiu lá para a Irlanda. Tudo bem que é por pouco tempo, mas tenho certeza de que se fores vê-lo vais sentir-te muito melhor! Vai por mim... raramente engano-me! - vi-me obrigada a sorrir com aquele incentivo todo. Ela realmente conhecia-me mesmo bem.
- Mas e quanto à loja? E a Katherine? - lembrei, ainda tinha imensos pontos a seguir antes de partir de malas aviadas dentro de um avião. - Quem é que vai cuidar de tudo enquanto eu estiver fora? Quem ela irá colocar no meu lugar? - fiz tanta pergunta que julguei que ia ter um nó na cabeça.
Tinha mesmo de ter sérias preocupações com a Katherine, ela seria o meu sério travão, já que descobri que alguém de patroa havia sido uma antiga namorada do meu Stefan lá na pré escola. Ai que absurdo pensar isso, mas eu cá não esqueço detalhes.
A vida do Stefan não foi a única que mudou totalmente depois da formatura. Sempre tive um sonho muito grande, queria abrir uma loja roupas. Em certa parte não consegui realizar o que queria, mas trabalhava dentro da área. Era feliz a criar e vender modelos meus, ou de outros estilistas. Embora muito boa gente recorresse a mim para concretizar resultados brilhantes. A verdade é que a venda andava de vento em poupa e já havia recebido um aumento desde o incio da minha vida profissonal.
- Posso cuidar de tudo por aqui, quanto à Katherine acho que nem vai dar pela tua falta e depois quem se importa com o que ela diz, né? - avisou dando cobertura à minha saída em "mini férias". - Nós somos colegas, podes viajar sossegada, vou cuidar de tudo aqui, acredita em mim. - tranquilizou-me, mesmo assim ainda sentia aquele peso.
Pobrezinha da Elena teria de aguentar o seu trabalho e o meu, ai que injusto. Oh Stefan olha só o que me fazes fazer.
- A loja não é o único problema, amiga. - continuei. - E se essa for realmente a única chance de voltar a rever o Stefan durante esses dois anos em que ele vai ficar longe de mim? Vou mesmo desperdiçar isso depois de apenas uma semana? - questionei pensativa. Embora soubesse o quanto falava era verdade.
- Tudo bem Care, não está mais aqui quem falou... - levantou as ambas as mãos em sinal de rendição. - Quem sabe o que é melhor para ti, és tu mesma. Então vou parar de dar a minha opinião honesta. - sorri leve com aquele comentário.
Na verdade compreendia muito bem as ideias da Elena, afinal ela só queria ver-me feliz, a sorrir novamente como nesses últimos anos, que de facto foi uma garota extremamente feliz. Ninguém melhor que ela podia ajudar nisso. No entanto, cá entre nós que o vento não nos escuta, nem mesmo ela, temos de ser honestos, sonhar é bom, mas é necessário ter os pés assentes na terra antes de tomar alguma decisão.
- Vou até ao armazém para ver o problema da caixa que disses-te que não foi identificada. - avisei enquanto levantava da minha cadeira com rodinhas coloridas. - Tu ou menos ficas aqui na recepção, se vier algum cliente, já sabes!
Estávamos no meio da tarde, um horário onde sempre tem pouco movimento, menos claro, em alturas de maior festividade, não era o caso. Como tal apenas tínhamos uma cliente na loja no momento, que ocupava maior parte da atenção da Katherine que como rotina havia vindo para cobrir os cálulos do dia, então acabou por ser apanhada de surpresa, pois a tal senhora era uma conhecida sua. E sabem como é, tudo só começa como acaba com conversa aqui, conversa ali... e mais outro ponto assim. Sorte a nossa, não?
De qualquer das formas e porque não queríamos ser chamadas atenção pela patroa, continuamos a circular como baratas tontas pela loja de um lá para cá. Arrumando roupas nos respectivos lugares. Preparando novos manequins. Afinal havia chegado uma nova colecção bem cedo.
- Claro! - concordou a minha amiga com a cabeça quando pedi para dar um intervalo no meu serviço. - Fica descansada, tomo conta de tudo aqui, vai sossegada! Qualquer coisa grito! - ri daquilo.
Pensar em trabalho era a única solução que restava, afinal ou era assim, ou enlouqueceria com os pensamentos que toda a hora vinham e iam sobre a decisão de ir ou não para Dublan. Claro que desejava muito ir, se pudesse era logo de uma vez e nem pensava duas vezes. Ia e pronto. "Ai quem me dera que fosse tão simples assim..."
(...)
Quando pressenti o som do chuveiro a ser ligado ajeitei-me levemente na cama, abri um poucos os olhos e comece analisar melhor o local pelo qual estava. Realmente não era a minha casa, nem em tanto coisa parecia. Este era um pequeno apartamento do tipo T0, coisa minima para um casal, ou uma pessoa, não sei bem. Aqui não havia uma parede a dividir divisões, ou seja a cozinha era o quarto, como a sala também. Totalmente diferente do que estava habituada a viver. Bem ao fundo dos pés da cama, assim mais para o lado direito, não espera... talvez para o lado esquerdo que estou um pouco com os olhos em bico, tem um quadro bem giro por sinal, mas não é isso, tem aquela porta de vidro fusco, hum, já sei é o WC. Definitivamente este é um apartamento tipicamente irlandês.
Claramente que o meu namorado havia tido alguma sorte com o alojamento, afinal nem ficava assim tão longe da faculdade onde estudava.
Decidi desde logo que era hora de deitar para baixo a preguiça e vencer a minha luta diária. A primeira coisa que lembrei logo de ver, foi realmente o aparelho telefónico. Afinal estava confiante na espera de ter algumas mensagens de voz da Elena, era o mínimo que ela podia fazer. Primi no botão para escutar.
- Care, sou eu... - Elena parecia ter um tom de voz abatido, cansado possivelmente. Já para não falar exaustivo. - Tem algumas horas tento ligar para ti e nada de resposta. Estou oficialmente preocupada, por favor dá algum sinal, ou serei obrigada a usar medidas drásticas. Sabes que medidas são, né? Por acaso até são as mesmas que usas em mim, sabes mais ou menos o que falo? Ai não? Vou relembrar só porque sou uma boa e linda menina... - escutei aquela risadinha infantil própria dela. - Irei até ao teu apartamento usar a força e se não abrires na primeira oportunidade, chamarei a policia que fará o favor de arrombar a porta. Há pois, não te preocupes que a conta vai para o senhorio! - ri baixo ao ouvir aquilo. - Por favor o que digo é sério, agora vê lá se és uma boa menina que sei que no fundo até és e liga de volta. Ou queres que ligue para a xerife que por acaso é a tua mãe?
A minha amiga Elena sempre foi muito exagerada e desta vez não estava muito longe de ser ela mesma como sempre. Parte de si aprendeu alguma coisa comigo, é certo... então a culpa do teatro bem encenado é minha. O grande problema aqui, é que por conhecê-la tão bem, sei que é capaz disso e muito mais. Cumprimento de ameaças é de facto o seu melhor ponto. Preciso ser rápido, tenho mesmo de dar noticias, ou vou ter problemas com o senhorio caso veja uma porta empanada.
Porque não sentia aquela coragem em ligar para ela e dar as caras ao seu mau humor que com certeza estaria de cortar-me em postas. Decidi enviar uma sms, afinal ai ninguém escuta, apenas lê, certo?
"Elena minha amiga adorada!
Desculpa por te deixado preocupada e não dar sinal de vida antes, mas apenas segui um velho conselho teu de ir correr atrás da felicidade que se bem me lembro começa com um "S" e termina com um "N". Bom neste instante não tenho tempo para entrar em detalhes, mas prometo que logo que possível falamos. Beijinhos, adoro-te!
Caroline."
Bem, a Elena não é loira ao ponto de não perceber, acho.
Sem ou menos perceber, Stefan já havia saído do banho que secretamente deitava do meu lado todo cheiroso a champoo de men. Hum, devorava-o todo agora se não tivesse impedimentos.
- Deixe-me adivinhar, estás a escrever uma mensagem para a Elena? - virei-me lentamente, embora já tivesse percebido sua chegada triunfante e colei os meus olhos no seu rosto lindo. Ele ainda estava de toalha enrolada na cintura. "ai o que fazia agora de ti".
- Se não responder a ela, daqui a pouco a Elena vai accionar a equipa do FBI para começar as buscas, possivelmente já na esperança apenas de encontrar o meu corpo, precisamente frio. - ele riu do meu comentário bem imaginativo, se bem que não tinha assim tanta graça, não quando se tratava da Elena. A miss preocupada. - Não rias destas coisas, Stef! É pura verdade o que digo, ela é capaz disso e coisas mais!
- Bem, a culpa é tua, podias bem tê-la avisado. - lembrou-me quando já o meu consciente havia feito a mesma coisa a mim mesma. - E se bem lembro foste tu que decides-te vir sem avisar ninguém...
algo como surpresa. Não é justo assim culpares a tua amiga por ser demasiado preocupada contigo. É totalmente natural.
- Foi um momento de loucura, adrenalina... não pensei muito sobre nada, fiz e pronto. - encolhi os ombros a fazer um pequeno beicinho. - Além disso, só falta dizeres que não gostas-te da minha vinda sem aviso! - cruzei os braços emborrada.
- Oh, mas isso nem se discute, amor! É claro que eu gostei, adoro tudo o que fazes, mesmo que seja sob uma loucura mínima que sei que tens no teu temperamento, mas que amo ainda assim, porque és única e amo cada coisa em ti. - aproximou-se de mim e deixou um pequeno beijo, mais um encostar de lábios como as criançinhas fazem. Ok, senti-me igualmente uma naquele instante. - O facto de ter Recebido a tua ligação a dizer que vinhas, deixou-me radiante. Essa foi a melhor noticia que tive em algumas semanas. Tenho muito orgulho em ti, princesa!
Foi minha vez de unir os lábios aos dele, deixando de lado aquela sensação de que o homem é que deve dominar a mulher. Elevei as minhas mãos ao seu rosto macio e sem uma ponta de barba, porque ele havia a feito mais cedo, então parecia um bebé.
- Tens mesmo de ir para a aula, agora? - lamentei quando ele passou a beijar o meu pescoço de forma sedutora. Bem sabia onde aquilo ia me levar, pois o sangue bem fervia a baixo da minha pele.
- Infelizmente sim. - respondeu ao soltar de leve os lábios da minha pele. - É a última aula que tenho, antes de iniciar o período de frequências que começa justo na semana que vem, então só tenho hoje a oportunidade para tirar todas as dúvidas que tenho sobre algumas matérias.
Até percebia a preocupação dele, a bolsa de estudos estava directamente ligada ao desempenho nas aulas. Se ele tivesse maus resultados, a situação seria bem drástica, perderia a bolsa e com isso voltaria para casa sem a realização de mais uma etapa, mesmo no meio do curso. Ele era um excelente aluno, então como boa namorada teria mesmo de fazer esforço.
- Tudo bem, vou deixar passar desta vez... no entanto isso não quer dizer que vá desistir, porque vou cobrar com juros de demora na próxima oportunidade. - fiquei a fazer carinho na nuca dele com a ponta da unha de gel recém feita.
- Continua o que estás a fazer e prometo não ir a lugar algum. - dei um pequeno sorriso quando ele falou isso. - E depois como divida, irei obrigar-te a estudar comigo para a frequência. Assim até tiras as minhas duvidas! - gracejou a ultima parte.
- És mesmo um idiota... - fiz uma careta para ele, que logo coçou a nuca. - A que horas que começa a tua aula, amor?
- Daqui a meia hora! - disse na maior tranquilidade. - É tempo o suficiente para trocar de roupa e ir nas calmas até à faculdade. - parecia ter tudo sob controle.
- Certo! - soltei um suspiro e dei um beijo no seu queixo antes de empurrá-lo para que ele pudesse levantar imediatamente, ou iria usar mais uma nova desculpa para o atraso. - Então é melhor apressares ou vais chegar atrasado! Não quero que venhas depois culpar-me!
Continuei no mesmo lugar, ainda tinha o meu pijama vestido, fiquei a observa-lo. Era tão bom admirar o que era na nosso, não? Bom, "nosso" na medida certa, obviamente porque ninguém é propriedade de ninguém.
- Tenho uma ideia! - sugeriu por fim ao apertar os primeiros botões da camisa azul escura que tanto caia bem em si, e que embora soubesse que eu amava o ver assim vestido. - Por que não sai comigo agora? E aproveitas o lindo dia que rende muitas toalhas na praia?
Sabia que ele estava a brincar comigo, porque até onde sei em Irlanda não à clima para praia, aqui não é Austrália que vive estando o dia e noite quentes. Ai que inveja.
- Por acaso não estás a supor a minha presença na tua aula, estás? - não pude deixar de rir enquanto perguntava aquilo, afinal até tinha piada. - Não tenho certeza se será uma experiência tão divertida assim para mim, afinal estou habituada a outros tipos de matéria e sinceramente não sei se vou fazer boa figura.
- Não é nada disso que estás ai a pensar, amor... - explicou para grande alivio meu. Pode respirar de alivio. - É para saíres comigo e ficares ai a passear nas lojas, fazendo tempo e depois quando sair podermos encontrarmos e comermos algo, que dizes?
- É realmente uma proposta tentadora, amor! - admito quase convencida. - Sabes que nunca fui a um pub e até adoraria conhecer... - levei o dedo à boca, mordendo.
- Então vou levar-te ao teu primeiro pub. - confirmou com um sorriso muito rasgado. - Tenho certeza de que vais adorar.
- Vou aceitar esse convite, ok? - respondi ainda sorrindo. - Mas será que eu não vou acabar perdida? Não conheço nada aqui e as pessoas são totalmente diferentes, a língua em si é muito alternada... o que vale é que ainda devem entender o meu inglês que nem é assim tão mau.
- Vais comigo até ao prédio que vou ter a aula que prometo explicar-te tudo, tenho certeza que depois de ouvires com atenção a minha explicação, não tens como perder-te! - garantiu bem convencido da sua capacidade de guia. - E quanto aos pontos turísticos de Dublan, podemos ir juntos no final de semana, o que achas?
- Acho que não podias ter uma ideia mais perfeita como essa... - ajoelhei-me na cama e abracei-o pelo pescoço antes de unir os meus lábios aos dele uma vez mais. - Eu já disse que te amo? - perguntei inocentemente.
- Por acaso dizes isso algumas vezes. - afirmou. - Mas hoje por acaso ainda não tinha escutado.
- Então eu digo agora... - clarifico a um pouco a voz. - Eu amo-te Stefan Salvatore! <3
- Também te amo, Caroline Forbes! - sussurrou antes de repetir o meu gesto, então ele me levantou pela cintura para que eu pudesse ficar de pé. - Agora é melhores despachares ou nem amanhã saímos deste apartamento. Não quero que fiques aborrecida que chegue atrasado na minha aula.
- Claro que não quero isso. - neguei com a cabeça saltando da cama numa ápice.
(...)
- É oficial, Caroline Forbes realmente enlouqueceu de vez! - o pub estava cheio de pessoas que conversam alto e animadamente enquanto bebiam e a televisão do local também estava ligada em um jogo qualquer de futebol, mesmo assim estava conseguindo ouvir minha amiga do outro lado da linha sem qualquer problema. - Como assim estás em Dublan? Simplesmente decidis-te apanhar um avião e ir para aí sem mais nem menos? Porque não avisas-te? Queria ter-te levado no aeroporto!
- Foi exactamente isso que fiz, não me arrependo se queres saber! - encolhi os ombros enquanto colocava as pernas em cima da cadeira em frente a mim. - E ainda tens coragem de dizer que não coragem para tomar uma atitude impulsiva?
- Tudo bem, Caroline! Retiro tudo o que disse. - avisou rendida. - Mas agora antes que decidas desligar, precisas contar exactamente como foi que isso aconteceu, qual foi a hora que tomas-te a decisão de sair dos Estados Unidos rumo à Irlanda!
- Para ser franca contigo, sinceramente, nem eu mesma sei ao certo. Recebi um e-mail do Stefan, é certo e um convite bem tentador, recordas? - encolhi os ombros enquanto explicava o meu ponto de vista, mesmo sabendo que ela essa parte já conhecia. - Isso parece tão absurdo para ti, quanto é para ti?
- Não é loucura, estás apaixonada, best... - respondeu conclusivamente. - O amor faz isso mesmo connosco, decide e dispõe da nossa vida, nós somos apenas as mariontes e fazemos todo o resto. Não dá para evitar.
Dei uma rápida olhada no Stefan que havia sido gentil em pedir alguma coisa no bar, nesse momento ele estava apoiado no balcão à espera que o empregado o atendesse. Ele voltou a sua atenção a mim, sorri de volta. Elena tinha razão, estava mesmo apaixonada e não tinha como nem porque negar isso, afinal estava feliz e assim iria continuar até que o amor decidisse bater de frente e trancar a porta para mim. Até que isso realmente acontecesse só tinha de aguentar-me.
- Aqui nesta cidade, já vi onde o Stefan vive e também onde estuda. - continuei antes que esquecesse dela no outro lado da linha. - Estou bem mais tranquila agora.
- Então está bem, senhorita controladora! - tinha certeza absoluta que ela estava a revirar os olhos naquele momento. - E será que eu posso saber quanto tempo pretendes passar aí em Dublan?
- Não sei exactamente, umas duas ou três semanas, no máximo! – respondi descontraidamente enquanto passo a mão numa mexa e cabelo rebelde. - Vais dar conta do recado sem mim na loja?
Consegues mesmo aguentar a chata da Katherine ai?
- Vai ficar tudo bem aqui, fica tranquila! E quanto a ela eu cá me arranjo! - garantiu com a sua confiança em máxima. - Apenas aproveita essas férias que quando voltares eu prometo tirar umas em que tu fiques a trabalhar duro... - gracejou em ato de vingança.
- Olha que bela amiga que eu arranjei, hein? - não pude deixar de rir com o pedido dela.
Nesse momento Stefan voltou até à mesa trazendo duas garrafas de cerveja e um prato cheio da batata-frita. Hum, deu-me logo uma traga.
- É a Elena? - quis saber e balancei a cabeça afirmativamente em resposta. Bem sabia o quanto ele gostava dela, e não é a toa que se dão bem, né? - Será que permites rouba-la para uns dedos de conversa?
- Não entendi exactamente o que ele queria dela, mesmo assim entreguei o telemóvel na mão dele.
- Olá, Elena! - falou em tom de voz bem animado. - Podes ficar tranquila que eu vou cuidar muito bem da tua melhor amiga e mandá-la inteirinha para casa quando chegar a hora! Até lá ela é minha. - ficou alguns segundos em silêncio, provavelmente estava a ouvir as recomendações dela. - Então está bem, tchauzinho... - desligou devolvendo o aparelho para mim.
- Será que eu posso saber o que o que conversaram? - perguntei curiosa quando ele sentou em frente a mim.
- Apenas a tranquilizei um pouco, e disse que iria cuidar bem de ti. Que mais seria? - explicou passando a sua mão em mim. - Ela entendeu muito bem isso.
- Mas és incrivelmente possessivo, senhor Salvatore! - estava segurando a minha vontade para não cair na gargalhada.
- Não sou possessivo, apenas cuidando do que é meu, tem alguma coisa de mal nisso? – segurou a minha mão e beijo a ponta dos meus dedos.
Stefan pegou a garrafa de cerveja que estava mais próxima dele e tomou um gole antes de voltar a pousá-la em cima da mesa. Acabei seguindo com o mesmo gesto, afinal quem cala consentee, não?
(...)
Terminei de fazer a minha higiene pessoal e saí de dentro do WC. Stefan estava de pé na frente a mesa e folheando um dos livros que estava ali em cima. Sabia que era um leitor nato.
- Pretendes ficar a noite inteira aí? - perguntei enquanto o abraçava pela cintura e colocava o queixo sob um dos seus ombros.
- Claro que não, meu amor! Só estava aqui distraído esperando à tua espera. - virou-se para ficar de frente para mim. - E será que eu posso dizer o quanto o teu pijama é sexy?
Revirei os olhos enquanto dava uma olhada no meu pijama. Estava vestindo uma camisa com o desenho de um gatinho segurando um coração e uma calça de cinza. Certamente não é nada que eu chamaria de sexy. Mas Stefan sempre encontra um detalhe para achar perfeito.
- E será que eu posso dizer o quanto o meu namorado é um grande idiota? - cruzei os braços brincalhona.
- Pois fica a saber que para mim estás sempre sexy. - pegou-me no colo, fazendo com que enroscasse as pernas na sua cintura. - E é bom ficares acostumada. Pois quero muito casar contigo e ver-te todos os dias na minha dependência.
Fiquei algum tempo sem pensar no que responder. Stefan e e eu tínhamos um relacionamento estável de vários anos, e é claro que eu penso em me casar com ele um dia, mas nunca tínhamos realmente conversado a respeito disso. Contudo a qualquer hora o assunto seria abordado.
- Uau, isso é totalmente inesperado. - falei por fim piscando muito os olhos. - Mas é claro que aceito casar contigo.
- Sabes que não quero que esperes tanto, não precisamos de casar apenas quando eu voltar. - negou com a cabeça. - E sim para nos casarmos agora, aqui na Irlanda!
- Como? - e mais uma vez fui totalmente apanhada de surpresa, sentei-me na cama de forma a que o Stefan ficasse de frente a mim. - Não pode ser sério isso, pode?
Então ele se levantou indo até o armário e mexendo em uma das gavetas, retornando para onde eu estava trazendo uma pequena caixinha de veludo azul. Prendi a respiração no momento em que o meu namorado abriu a caixa revelando duas alianças de ouro branco, uma delas com uma pequena pedrinha em cima azul clara, parecia que ele tinha mesmo pensado em tudo desde aquele inicial e-mail.
- Stef... - dei um pequeno sorriso enquanto olhava para o rosto dele e para os dois anéis, repetidas vezes, estava sem palavras.
- Não és a única que pode fazer grandes planos na nossa vida. - continuou. - Sabia que não irias deixar tudo lá na loja para vir de livre vontade, então comecei a pensar na melhor maneira de fazer o pedido para quando chegasses, queria que fosse perfeito entendes? Inesquecível, foi então que que lembrei em pedir-te em casamento!
- Certamente foi a maneira mais perfeita de fazer o pedido, amor. - tive que concordar, ele tinha vencido essa por 1 a 0. - Nunca ninguém tinha feito nada tão maravilhoso assim para mim antes.
- Ainda bem - brincou sabendo bem a que tipo de gente referia-me, pois riu. - E então, aceitas?
- Stefan, apanhaste-me totalmente de surpresa com esse pedido, não estava nada à espera... -respondi sincera. - Casar é um grande passo, se fosse daqui a dois anos eu teria um tempo para preparar-me mentalmente com a ideia, mas agora? Parece algo meio precipitado, entendes?
- Care... - ele segurou as minhas mãos delicadamente, fixou os olhos nos meus. - Estamos junto há quatro anos, moramos juntos e nossas famílias aprovam o nosso relacionamento, casarmos agora seria apenas tornar tudo oficial e não uma atitude precipitada. - francamente ele tinha razão.
- Olhando por esse ponto de vista, até tens razão. - fui obrigada a concordar.
- Agora também entendo perfeitamente que não podes largar tudo para vir para aqui e ficar comigo tal como adoraria. Então volta para casa, mas como minha esposa. - continuou. - Nada me deixaria a ser o homem mais feliz e mais ansioso do mundo.
Queria dizer sim, isso era tudo que eu queria na vida, mas se eu dissesse sim seria a minha segunda atitude impulsiva em menos de 48 horas. Logo eu que sempre tive a vida cuidadosamente planeada.
Será mesmo que eu estava mesmo pronta para uma mudança tão grande de atitude vida da minha parte? Foi então que encarei o olhar esperançoso do meu namorado e percebi que sim, eu estava preparada para isso e muito mais.
- Tens razão, Stefan! - balancei a cabeça afirmativamente. - Quero dar o próximo passo contigo e não me importo se vai ser em uma cerimonia digna de uma princesa com milhares de convidados ou em um cartório apertado apenas com nós dois, não é isso que importa e sim o significado. Então sim, eu aceito casar-me contigo seja onde for desde que sejamos felizes.
Ele apenas puxou o meu rosto para perto do seu e me beijou. Não precisávamos de nenhuma palavra para sabermos o que ambos sentíamos. Apenas íamos deixar tudo oficial desde aquele momento.

Comentários
Enviar um comentário
Comenta deixa aqui a tua opinião :)