Mil anos vagando pelo mundo. Mil anos à procura de ser feliz e correspondida na medida certa. Mil anos sentindo-me ninguém, vazia, porque não era amada da forma que merecia. Rebekah é o meu nome e sou apenas um exemplo de infelicidade neste mundo imortal que carrego à um milénio.
Sentia-me triste e acabada. Sempre como um segundo plano na vida de alguém. Ninguém nunca realmente na vida realmente amou alguém como eu. Klaus meu irmão chegava mesmo a dizer que era patética a forma como mendigava o meu amor por alguém, mas sinceramente ele acaba tendo sempre razão, afinal ninguém além dos meus sapatos caros me ama, ou meu cabelo airoso. Talvez tenha a chance um dia, mas devo ter deixado a oportunidade passar sem ou menos perceber. Se é que alguma vez ela existiu.
O estúpido homem por quem tive apaixonada era um caçador oportunista. Ele só me usou. Matt que era o barmen do Grill achava-me um monstro. Marcel a me deixado para se tornar vampiro. Ele podia continuar ter continuado amar-me mesmo assim, mas agora sou eu quem recuso lembrar dele. Damon era um idiota para mim tal como sempre havia sido. Mesmo assim a burra da minha loirece me deixou levar pelo charme cativante e alcoolatra cantante. E no final tinha Stefan... bem, ele não foi um total erro, mas ele ama a Elena desesperadamente, mas será que ainda está apaixonado mesmo ela tendo escolhido Damon?
O que seria dela agora, afinal? A cura do vampirismo foi tomada pela ambiciosa da Katherine. Eu em um momento pensei em me candidatar a toma-la, no entanto ninguém liga para mim, e meus irmãos acham estúpida a ideia de desejar ser humana. Eles não a entendem qual o meu fascínio, mas podera, eles não são seres criativos e com ideias na cabeça como eu as tenho. Faço planos, mesmo que nunca os concretize, imagino o que seria caso fosse realmente uma mortal. Ninguém entende. Só queria ser feliz. Ter alguém para contar quando o mundo estivesse caindo ao seu redor. Ser humana, viver os desejos naturais da vida. Morrer caso fosse hora.
Viver a vida curta que tivesse, morrer ao lado da pessoa amada, porque um dia nos despediríamos juntos, poder ter conhecido o amor da minha vida e ter desfrutado ainda assim o máximo dele, ter tido filhos, cuidar deles e dizer em letras bem grandes o quanto estava orgulhosa em ser mãe, netos e poder brincar com eles, assistir a um monte de alterações físicas e psicológicas próprias da idade, bisnetos caso ainda estivesse viva, nem que fosse apenas para cair bem no álbum de fotos da família como a visa mais divertida.
Tudo isso apenas. Mas quanto mais queria, mais eu via que a vida negava. A felicidade está mais distante do que penso. Estava a mil quilómetros de distância, talvez mais, não sei. O que apenas queria era ser feliz como qualquer pessoa nesse mundo. Mas parecia tão difícil, tão inestingivel. Quanto mais quero menos tenho. É a sensação que tiro de tudo isto.
Como ser feliz podia ser difícil? Porquê a mim? Esther devias estar aqui neste momento para me oferecer essa explicação, já que como mãe esse devia ser o teu dever! Há, espera decidiste que o mais fácil seria esconder-te e ver a tua única menina a chorar em troca de sofrimento de ser a infeliz mais triste desse mundo. Muito bem, adoro mesmo aquilo que deixas-te para mim. Incrível a forma como ficas feliz com a minha desgraça. Sim, porque Klaus tem mesmo razão quando diz que não nasci para ser plena com os meus desejos, que seria tão seca quanto uma cascalho de uma arvore morta. Ninguém olha, ninguém quer.
Todos tem um ponto de felicidade. Mesmo por piores que sejam os seus finais em suas histórias incríveis, ou não. Até um vilão como o meu irmão pode ser feliz, isso é possível? Eu vi com os olhos que a terra jamais irá comer, o meu irmão agarradinho lá à boneca Forbes. Francamente o que ela tem de agrado, já agora? Mas acho na verdade, não... tenho a certeza de que meu final feliz está trancado, à espera para ser aberto. Como um cofre que espera a chave certa para abrir. E cá ainda espero, que não seja muito tarde essa chegada. Na verdade creio não aguentar tanto tempo nessa espera incansável. Porque se bem me lembro não tomando sangue posso dissecar, então a minha espera também ela pode acabar.
Já havia caído a noite. Nenhuma alma digna estava mais no parque, no Mystic Grill o movimento havia morrido completamente, nas ruas nem um assobio de grilo, para falar a verdade. Por isso que tomei a iniciativa de sair à aquela hora, assim ninguém indesejável olharia para mim. Não queria que ninguém me visse infeliz, afinal o que iria comentar esses humanos fracos? Afinal sou ou não a vampira original? Tenho que estar sempre bem, mesmo que isso signifique forçar um sorriso inexistente. Ser má quando sinto que devo ser boa.
Aparência, compostura e elegância impecáveis. Era isso que Klaus dizia. Ah, o temido híbrido original, aquele que realmente é meu irmão, embora suas atitudes duvidosas o façam parecer algo estranhamente incomum. Ele sim, sempre diz e faz o que quer. O insano e maluco por poder, ninguém pode ser melhor que ele, nem mesmo interferir em suas decisões descontroladas. Elijah é realmente a única esperança na família, o mais nobre de todos os irmãos, o que melhor me compreende. Já eu sou mais uma das descartáveis, que quando inútil volta para o caixão com uma adaga com cinzas do carvalho branco no coração. Não queria permanecer como o Kol ou o Finn.
Não, não quando já havia vivido aprisionada durante 90 anos num caixão. 9 décadas a perder a mudança do mundo, a evolução dos humanos e da sua cultura a diversos aspectos. Foram sem duvidas os meus piores dias longe da realidade que sem duvida foi negada para mim. Tudo isso por rejeitar as ordens de Klaus, melhor do temido irmão que era híbrido e quando mal entendido morde e se quiser deixa na mercê da morte.
Deitei-me sobre a relva seca do parque, fiquei a observar as estrelas. Sei que isso é coisa que pessoas normais fazem, certo? Não sabia. Há milénios havia sido humana. Não sabia como era ser normal. Afinal tanta coisa havia mudado em tanto tempo que existia nesse mundo sobrenatural. Sei que algumas coisas por mais poucas que fossem eram boas.
Suspirei algumas vezes. Talvez se falasse sozinha não me fizesse sentir tão triste assim. Bem isso a pessoas normais pode ser levado a conceitos muito pouco duvidosos. Teriam mesmo a coragem de mencionar a minha loucura insana. Mas e dai? Que mal tem uma vampira deprimida desabafar?
- Então - comecei. - Eu, Rebekah Mikaelson. Uma vampira original imortal está triste. Como fiquei assim? Sou uma das criaturas mais poderosas do mundo, a possivelmente mais temível, no entanto triste, porque ninguém gosta de mim. Sei que não devia sentir-me assim. Argh! E ainda submeti-me eu a falar sozinha. - suspiro mais uma vez, estava frustrada com a vida, comigo mesma.
- Não és a única a sentir-te um nada. - ouvi uma voz não tão estranha quanto imaginava a desabafar ligeiramente.
Então voltei a minha atenção para esse alguém que de alguma maneira havia despertado minha atenção em uma fracção de segundos.
- O que fazes aqui, Stefan? - pergunto apoiando-me com os braços na relva nunca tirando o olhar si.
- Eu estava à procura de ficar sozinho. Mas também queria com partilhar minha frustração com alguém. Até que eu ouvi-te ai sozinha desabafando para o ar. Segui o som curioso e cheguei até aqui.
- faz uma pausa. - Posso? - pergunta apontando para a relva bem do meu lado. Assenti com a cabeça. Ele chegou perto e deitou-se. A relva até parecia confortável, na verdade ela era, sim. - O que aconteceu?
Por um momento quiz explodir em desabafos incompletos, mas depois percebi que não seria nada elegante não dar permissão para ele poder falar primeiro. Quer dizer alguma vez teria de ser simpática com alguém. Stefan até fazia esse género de pessoa.
- Não. Vieste até aqui para desabafar. Vais ter que ser o primeiro a fazê-lo, isto se não te importares, claro! - respondi enquanto observava o aglomerados de estrelas no céu.
- Está certo, então. - Ele sorriu. - A Elena escolheu o Damon. - em um inevitável momento acabei por revirar os olhos quando percebi que falaria da ex-namorada. - Depois de tudo o que fiz para ela... Ela simplesmente... descartou-me como se fosse algum encosto na sua vida. Por um momento tão mínimo achei que ela realmente gostava de mim, tanto quanto eu dela. Isso realmente não mudou nem por um instante. - permaneci em silêncio. - Todas as vezes estive lá para ajudá-la, nas suas melhores e piores horas. E ela só... decidiu trocar o roto pelo mal remendado... trocou-me justo pelo meu irmão de sangue, o Damon!
Já ia de muito a minha pouco amabilidade pela Elena e sua competência em escolhas extremamente erradas. Definitivamente havia tomado a pior das decisões ao deixar Stefan para lá das suas ideias e desejos do futuro. Na verdade, também é certo que tal como ela sempre fora fácil de se iludir. Amor é fácil de oferecer, mas quando não cuidado, estimado na forma certa, tudo acaba e nem existe amor a valer por dois. Talvez seja certo que Stefan esforçou, amou e não deu em nada, porque simplesmente Damon havia encontrado uma brecha e aberto o espaço para a conquista.
- Isso é que é infelicidade. - Ele riu sem graça das minhas sábias palavras, elas eram totalmente experientes. - Sinceramente, acho que isso é o que dói mais. Ela gostava de ti. E depois literalmente jogou fora tudo o que tinham?
Eu cá nunca em momento algum trocaria um homem assim, mas nem que o mundo termina-se em três dias.
- Eu sei. Pelo menos não terei que ser a tábua de salvação de ninguém sempre que essa pessoa fique em perigo. - ri, e na verdade era tudo verdade. Stefan era um mártir nas mãos daquela morena sonsa. - Nem acredito que eu disse isto! - comenta num sussurro tão audível para os meus ouvidos sobre dotados.
- Disses-te sim! - fiz questão de o relembrar.
Nem imaginava mais como era estar com esse Salvatore, embora o mais novo e divertido salvo seja. Pelo menos até onde sei não anda com adagas prontas para me enfiar na primeira oportunidade. Quer dizer, pelo menos nunca aconteceu, se agora estou fora desse risco? Não sei.
- Eu fiz de tudo por ela. Praticamente a salvei e salvei o Damon. E ela decide trair-me! Ambos traíram. Meu próprio irmão! E minha namorada. Agora talvez deva dizer ex-namorada, porque não estamos mais juntos.
- Sinto muito, Stefan. - disse sinceramente, não tinha mais o que expressar naquele instante. Além disso nada mudaria porque eu queria.
- Tudo bem. - Ele fez uma curta pausa. - Agora é tua vez! - incentivou.
Ouvi-lo havia-me feito esquecer os meus problemas, aliás havia apenas os tornado tão mais pequenos aos seus, no entanto seu direito escutar-me, assim como havia o escutado e muito atentamente.
- Ok. Lá vou eu... - respiro fundo procurando mentalmente as melhores palavras. - Sei que sabes como é ser amado, correspondido e amado novamente. Mas eu não. Quer dizer, já senti períodos da minha vida em que estava sendo definitivamente a ser amada, mas na verdade nunca fui. Ninguém realmente ama-me, não da forma que quero, que mereço. Não sei. Meu irmão diz que eu sou uma garota apaixonada, e estúpida por isso. - riu sem graça de mim mesma. - Queria aquela cura para poder ser humana, sabes? Desculpa eu ultrapassei o meu próprio ego, é apenas só um desejo que depois que a Katherine tomou, ele desabou. Afinal queria conhecer alguém que eu pudesse construir uma família comigo. Até imagino uma casa cheia de crianças a correr, a fazerem um grande problema da minha cabeça porque deixam a casa toda desarrumada e claro sempre venho por de trás com uma colher de pau a reclamar. Mas feliz, sabes? A viver e morrer um dia na esperança de ter concretizado todos os objectivos. É isso. Mas não tenho ninguém para com partilhar nada. E quando tenho um pouco de felicidade, tudo acaba.
- Mas quem disse que precisas de ser humana para teres uma família. E teus irmãos? - dou uma gargalhada.
Os meus irmãos? Sinceramente precisei rir, porque quem defini irmãos aqueles que tenho? Sim, o Elijah é o único que se aproveita, já Klaus iludido acaba por ser o bastardo mais indignado e quando aborrecido desconta em quem não merece. E Kol, Finn quem quer saber deles se continuam trancados em caixões, né?
- Elijah é o único que me entende. Mas mesmo assim, não me apoia muito, quanto esperava. Entende que a minha família, é à base da adaga. Quando Klaus acha que nós o atrapalhamos, ele enfia a adaga em nós e nos coloca em um caixão por quanto tempo ele quiser. E no meu caso já vivi 90 anos dentro de um, acho que não quero voltar tão cedo. E esse é o caso de Kol e Finn. Que ainda estão naqueles caixões e caso não tenhas percebido não irão sair tão cedo.
- Ser feliz não é para todos. - desabafa enquanto sinto o peso do seu olhar em mim.
- Acho que não. - nesse momento percebo que tanto eu, como ele éramos iguais de alguma forma.
Não tínhamos mais ninguém que se importasse connosco. Nenhum estava feliz. Ambos tínhamos um coração quebrado. E cada pedacinho, sempre lembraria a dor que passamos. Cada pedacinho nos faria reviver a dor e angústia de cada segundo perdido. - Queres saber? Não vou ficar parada aqui. Não posso. Não quero. Não tenho. Meu irmão e as regras dele que se danem. Se ele quer ser infeliz, não me o faça ser igualmente. - dito isso, levanto do relvado sacudindo as minhas mãos às calças.
- O que vais fazer, Rebekah? - Stefan bem questiona enquanto levanta do chão.
Havia curiosidade na sua voz, por outro lado também sentia um pingo de aventura no seu sangue.
- Não sei. Uma pessoa que já conheceu o mundo todo nunca sabe, né? Estava aqui a pensar em viajar.
Viajar todo o mundo de novo. Viver diferentes culturas, comidas, maneira de viver. Tudo. Eu preciso ser feliz, Stefan. E eu vou ser! Podes vir comigo, se quiseres. Não existe nada que te prenda aqui, assim como deixou de haver para mim.
- Eu...
Apesar da sua vontade havia duvida, claro ele sempre pensaria nos outros antes de pensar em si.
Stefan era mesmo assim, o martir. Mas ainda estou confiante em conseguir convence-lo.
- Ainda estás preso à Elena e ao Damon, não é? Stefan, não mereces isso. Vem comigo. Nós podemos fazer tudo de novo, e de novo. Tentar encontrar uma vida ambos merecemos! Que possamos ter valor!
- Estás certa, Rebekah. - ele sorriu. - Eu vou contigo.
- Ainda bem. - sorri vitoriosa.
(...)
Convencer o meu companheiro de viagem havia sido bem fácil, difícil agora era colocar as minhas malas todas dentro do carocha vermelho do Stefan. Então, eu precisava de levar imensa roupa, porque se bem lembro não vou ter tempo de andar por ai em rodopiar de pés para parar nas lojas cujo ele vai revirar os olhos na hora dos meus desfiles.
- Diz-me como vou enfiar as minhas malas no teu pequeno carocha, porque não sei! - resmungo ao pousar a ultima mala no chão bem do lado dele.
- Precisas mesmo de levar um closet inteiro? - pergunta ainda não ciente da quantidade, coça mesmo a nuca encarando o rosto dele.
- Estás a ver-me com cara de quem vai ter tempo para pausas? - ele balança a nuca. - Vamos Stefan! - digo enquanto obrigo o pobre coitado a carregar as malas para o carro. Depois ele colocou-as dentro a certo custo. - Estás pronto?
- Com certeza. - confirma sorridente.
A partir daquele momento, as nossas duas pobres almas, que estavam despedaçadas, tinham uma chance para recomeçar. Para tentar viver, e achar o final que merecíamos. Quem sabe a felicidade não estivesse mais perto do que ambos imaginávamos? Afinal teríamos imenso tempo para perceber. A felicidade é para todos. Só precisamos buscá-la na hora certa e na medida certa. O resto o tempo encarrega-se de fazer.

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