Por outro lado, Hayley foi quem garantiu que de hoje não ia deixar passar a minha grande oportunidade e convenhamos que preenchi a casa cheia de brinquedos e coisas mais que todos os bebés normais tem. Se bem que Hope não é bem uma criança normal, mas uma junção de um lobo com um vampiro, que na prática dá um híbrido.
Agora cá entre nós que nem o meu irmão possa nos ouvir, acho que ele não leva grande jeito para ser pai, não... muito mais concordo que Elijah suba pontos a executar esse papel. Porém, ele é mesmo o responsável pela procriação e Hayley coitadinha caiu no conto do vigário sem ou menos perceber.
Sorte mesmo é que apesar de loba e depois do parto se ter tornado híbrida, nunca deixou de ser uma mulher de armas, e por isso só admirava ainda mais. Não porque facilmente havíamos cultivado uma boa amizade, mas porque ela é mulher e acabamos sempre por nos entender umas às outras.
Olhava tantas as vezes o relógio da minha cozinha que chegava a duvidar da sua passagem lenta. Por precaução até mudei as pilhas pelo menos umas 2 ou 3 vezes. Observei intensivamente o meu aparelho telefónico e nenhuma chamada havia caído. Estaria eu sem rede? Ai que falha minha, seria?
Corri de imediato para fora da cozinha, fui até à varanda e como se não esperasse outra coisa, coloquei o aparelho para fora e bem alto, balançando para um lado e outro. Os traços de rede estavam no nível máximo, então a culpa não era do aparelho. Teria meu irmão esquecido? "Ai que maçada, logo agora que tenho tudo pronto?" É que como se ainda não bastasse ando à dias a praticar todos os passos de como ser a mãe do ano, melhor serei apenas mãe por um dia, mas o que tem sonhar um pouco? Posso ou menos sentir-me humana por meia dúzia de horas?
E do nada o aparelho começou a vibrar na minha mão, alegria que senti subiu tanto que alegrou a tensão que me perseguia em minutos.
- Meu irmão espero que não estejas a ligar para desmarcar, porque irei ficar muito desapontada contigo! - comecei logo a reclamar sem ou menos perceber quem era do outro lado da linha.
- Olá, Rebekah! - a voz de uma mulher deu luz na minha cabeça e ai percebi que era Hayley com quem falava. - E só para esclarecer esse detalhe, Klaus vai cumprir com o combinado.
Precisei mesmo de revirar os olhos, ouvir Hayley a defender meu irmão era um caso sério. Quer dizer, na medida do possível pouco se entendiam, se não por uma única coisa que tinham em comum, que por acaso é a filha de ambos, a pequena Hope.
- Espero mesmo que tenhas a certeza do que dizes, porque seria uma desilusão para mim ver o meu trabalho todo deitado fora. Olha que andei a estudar a lição de casa. - escutei uma risada de fundo. Não era a minha cunhada a rir. - Klaus, sei que estás ai, e por favor não demores estou a corroer o fígado de tanto esperar. - avisei.
- Ele diz que é só colocar a mala com as coisas da Hope no carro que arranca já. - tranquilizou. - Até já mamy for one day! - sorri toda tolinha.
Afinal ainda tinha alguma coisa de boa, pelo menos alguém andava a colocar algum juízo na cabeça do meu irmão. Pelo menos ele havia perdoado a minha asneira de dar o beneficio da duvida deixando eu, tia Rebekah cuidar do seu grande tesouro. Meu também porque mesmo não a conhecendo pessoalmente, já a amo muito.
Como ele ia sair dentro de instante, pensei em aproveitar uma margem e tempo para trocar de roupa, afinal queria aparentar algo mais como maternal. E vestida para ir para uma balada de sabado à noite, não ia dar grande credibilidade. Corri como uma louca para dentro do closet do meu quarto, atirei com roupas pelo ar e finalmente encontrei as roupas certas, cada uma na sua cor.
(...)
Lá estava eu sentada no capo do meu carro ansiosa, a espera era tal que não aguentava a emoção.
Quando vi a aproximação do BMW preto levantei de imediato, dei ainda alguns passos largo até, mas decidi parar um pouco. Afinal podia dar imagem de irmã desesperada por ter colo de bebé. O que não deixa de ser verdade, sinto-me carente de um carinho, Hope podia oferecer-me um assim. Pelo menos sei que vai amar-me da mesma forma que irei ama-la, como já amo.
Klaus saiu para fora do carro, deu a volta ao mesmo e após abrir a porta tirou uma criança. "Mas que grande que a Hope está, meu deus!" Os meus olhos estavam tão esbugalhados que nem sei o que mais dizer. Estava babada e sem palavras.
- Vem aqui, a tua sobrinha é um pouco pesada! - reclamou ele rindo.
Apenas corri até eles, toquei naquelas duas maozinhas gordas tão fofas que senti as minhas lágrimas caírem de felicidade. Era o meu dia mais feliz. E para quem não sabe ultrapassa a emoção de assistir a uma cerimónia de casamento.
- Olhem só como ela é linda, sem duvida a cara da Hayley! - elogio passando os dedos sob a nuca da menina. Meu irmão revira os olhos, percebo isso. - Não sejas ciumento, Klaus! Ela tens os teus olhos. - sorri, ele também.
- Adoraria ficar mais tempo, mas tenho muitas coisas importantes para resolver no Fresh Quarter, maninha! Por isso ao final da tarde ou se não mesmo à noite ligo para vir busca-la, a menos que tenciones leva-la a casa, o que não seria má ideia. - fala ele passando a mão sob os cabelos semi cacheados.
- Fica tranquilo, eu mesma a levarei de volta a casa! De volta para a mãe! - reforcei a ultima frase, mais para irrita-lo.
- Olha lá, não abuses! - recomendou. - E não esqueças de dar o biberão na hora certa, a Hayley deixou uma lista de coisas que deves fazer algures na mala. - aponta o dedo para a mala que seguro ao ombro. - Qualquer coisa que precises é só avisar, darei o meu jeito de ir até onde vocês as duas estiverem. Só promete que tomas cuidado, não se pode dar ao luxo de confiar em ninguém, e quando falo ninguém, é mesmo zero.
- Mais alguma coisa pai galinha? - perguntei irónica.
Klaus desde que se tornara pai estava completamente diferente do que esperaria ver um dia, bom um pouco melhor salvo seja. Contudo, paranóico. A paternidade sobe muitas vezes à cabeça dos nossos adultos.
Acenei a ele sem dar chance para mais algum tipo de recomendação e em pouco tempo à despedida retornei a casa. Era hora de cumprir o meu dever de mãe.
Coloquei a pequena Hope na cadeirinha do parque que havia comprado uns dias antes, estava completamente rodeada de bonecas novas e brinquedos adequados à sua idade. Apesar de parecer muito crescida, ela apenas tinhas uns 9 meses. Bom, é ai que se faz a verdadeira diferença de uma menina normal para aquela que é sobrenatural.
- Hope, a tia vai preparar a papa, está bem? - perguntei inocente como se ela por alguma ventura fosse responder como gente adulta.
Fui para a cozinha completamente descansada, queria preparar uma boa papa, aquela que deixa as crianças muito animadas porque sabem que iremos fazer a cena do aviãozinho que quer aterrar na boquinnha. Ai como estava ansiosa de executar esse papel. Agora até me sinto uma mãe de verdade, e humana acreditam? A alguns meses atrás diria que era algo impossível, chamariam-me de louca, mas agora onde estão os argumentos, minha gente?
Ri como uma tola ao preparar a farinha no prato e mexer lentamente em movimentos circulares o garfo, até a mesma engrossar. Levei um tempinho ao microondas e quando deu sinal de pronto. Fui buscar a minha pequena sobrinha. A sentei na cadeirinha mais alta com um babete para colocar na volta do pescoço, ela realmente não gostava muito disso. Aliás qual a criança que gosta de se sentir privada de sujar o quer que seja, não?
- Vá lá meu anjo, é a ultima colher! - ergui a mão com a colher super cheia. - Abre a boquinha... - pedi, ela a manteve fechada. - Olha melhor, vamos brincar de o avião quer pousar? - ela sorriu e logo abriu a boca. - Linda menina... - passei a colher nas bordas assim que ela comeu a papinha.
O sorriso dela era tão cativante que chegava a contagiar-me, embora com a ausência de dentes, não deixava de ser o sorriso mais bonito. A tirei do seu lugar e ainda puder ver a forma como ela era desobediente, pois já gatinhava para fora da cozinha. Balancei a nuca, estava encantada com aquela miúda.
(...)
Depois de uma papinha, toda a criança de apenas alguns meses e mais velhas provavelmente desejam dormir. Difícil mesmo nem foi deita-la lá no sofá bem do meu lado, o pior mesmo foi quando adormeci e a pequena traquinas pregou algumas peças, pois bem. Acabei por apanhar um susto quando acordei e não a vi, Klaus se soubesse de algo assim mataria-me na primeira oportunidade.
Hayley desesperadamente ainda me arrancaria o coração. E só porque a pequena Hope havia saído de onde estava para brincar de " a menina manda, pode, quer e tem". Ri tanto quando vi ela toda lambuzada de alguma coisa nas bochechas. Olhando bem para o chão que estava incrivelmente assinalado pelas mãos dela, vi que havia sido esperta o suficiente em andar a mexer nas minhas coisas da casa de banho.
- Queres brincadeira! - afirmei vendo ela sorrir e bater ambas as mãos cheias de creme. - Queria ver o teu pai a ter de ser o protagonista da história! - ri e peguei nela ao colo, fomos para a casa de banho tal como esperado.
Era necessário limpar a porcaria que havia feito, as mãos estavam completamente sujas e seriam más aliadas a leva-la a querer coloca-las na boca. Precisava de fazer alguma coisa. Rapidamente a deixei impecável de fralda trocada, de rostinho lavado e roupa nova.
Cheguei mesmo a olhar a janela e ver o sol incrível, apesar de ainda nem ser 5 horas, queria leva-la a passear no parque. Aproveitei o carrinho e estreio, afinal não ia fazer a minha menina andar logo na primeira visita. Por precaução ainda passei o protector de factor 30, para não ser 50. E um chapeuzinho lindo da hello kitty. Hope estava mesmo catita.
- Vamos passear! - disse toda animada ao coloca-la na cadeira e sair de casa.
Tal como pensado, o parque tinha algumas crianças, nenhuma aparentemente demonstrava ser uma ameaça muito grande para a minha sobrinha. Pelo menos o meu instinto vampiro diz-me que é seguro andar na rua, que ninguém até onde vejo é mal intencionado.
Encontro um banco no jardim, preparo Hope para ficar livre da segurança máxima. E a coloco no chão sempre sob minha vigia apertada. Contudo ao deslumbrar-me com um casal que graceja com os gémeos fico levemente distraída e quando volto o meu olhar à menina, ela simplesmente desaparece do meu alcance. O desespero toma conta de mim, e começo a chama-la em voz baixa de um lado para o outro.
Quando finalmente a encontra, vejo que um homem estava diante da menina. O meu sangue começa a ferver. Seria um inimigo de Klaus? Alguém enviado pela mãe para matar a menina? Respiro fundo e caminho apressada no meu passo pesado. Para diante da criança e agacho para coloca-la no colo. Enquanto preencho os movimentos ainda subo o olhar ao estranho e surpreendo-me ao deparar com Matt.
- Matt? - havia espanto misturado com a surpresa inesperada. - O que fazes aqui? - pergunto como se fosse obrigação saber.
- Aproveitar o meu dia de folga fora de Mystic Falls! - responde sorrindo, os olhos caiem sobre Hope.
- Não sabia que tinhas levado tão a sério a vida de humanos a ponto de adoptares! - sorri ao ouvir aquilo.
Óbvio que Matt não sabia de nada do que se andava a passar na vida da minha família. Claramente que nunca havia percebido a gravidez de Hayley e muito menos seria eu a pessoa mais concreta para desvendar esse facto. No entanto sabia que podia confiar nele, até certo ponto, claro!
- Quase isso, mas não... esta menina é a minha sobrinha! - disse orgulhosa enquanto passava os meus dedos suavemente nos cabelinhos clarinhos, tão iguais ao do pai. - Mas porquê? Achas que não sou suficientemente dotada para cuidar de uma menina? - ainda perguntei rindo, aquilo tinha piada. Ele balança a nuca. - Pois fica a saber que sempre tive um grande fascínio por bebés.
- Dá para ver! - responde aproximando a mão da minha sobrinha.
Aquele podia ter sido um bom começo, mas logo teria que lembrar que tinha um compromisso bem grande a cumprir. Regras com Klaus tem de ser cumpridas à risca ou então terei uns graves problemas de confiança. Francamente sei que ele tem mais é que aprender a confiar em mim, mas de dizer a fazer leva sempre alguma distancia de mentes. Complicado como é, fica mais fácil se me fizer ficar longe das pessoas que amo. Em primeiro lugar a minha família, depois os meus amigos.
- Adoraria ficar aqui a tarde inteira na tua companhia, até iria tomar um café, mas prometi ao meu irmão que levaria a menina cedo! - argumento pouco convencida.
- Não tem qualquer problema, voltaremos a ter outras e boas oportunidades! Quem sabe, possas mesmo aparecer em Mystic, seria bom... e ser fores ao Grill prometo servir-te bem! - as suas ofertas eram tão tentadoras, que precisei mesmo recusar.
- Da próxima, então! - acenei afastando-me.
(...)
Já no Fresh Quarter cruzei com Marcel na entrada da residência da minha família, ainda cruzamos olhares, mas não ouve troca de palavras como tanto esperei. É certo que a minha partida sem explicação foi muito inesperada, certamente tola, mas o que podia fazer eu quando o meu irmão andava louco a perseguir-me, tal como o meu pai havia feito quase metade da nossa vida.
Um dia talvez ele entendesse o meu lado, não espero que seja algo que tema um peso tão leve quanto possa esperar de mim. Por outro lado não seria eu a interferir, queria mais é que ele percebesse isso por si mesmo.
- Rebekah! - sai do meu paraíso de pensamentos quando escutei o som da voz de Elijah.
- Elijah, Klaus está em casa? - perguntei trazendo comigo o carrinho que resguardava Hope.
- Aguarda mesmo no primeiro andar por vocês! - respondeu acompanhando nós duas. - Como correu?
- Bem tirando alguns percalços para uma recém experiente com bebés. - expliquei sorridente. Nada era preocupante, e não seria tola ao contar sobre esses pequenos detalhes. - De resto é uma bebé muito tranquila, não deu nem um trabalho muito pesado.
A pequena começou a mexer as mãos sorridente, ouvia-se mesmo o som da sua gargalhada infantil. Era contagiante, pois Elijah estava a sorrir e para quem o conhecia, isso era algo que raramente acontecia. Klaus logo apareceu com um sorriso babado, Hayley trazia já a fralda favorita de Hope, certamente que iria embala-la na cadeira recém construída pelo meu irmão, que além de vilão é até um bom artista. Ele aproximou de mim, parecia orgulhoso.
- Obrigado por cuidares da minha princesa, Rebekah! - segurava as minhas mãos tão firmemente. - Provas-te que posso realmente confiar em ti acima de qualquer problema familiar que tenha acontecido em nossas vidas! - estava a sentir-me tão orgulhosa por ouvir aquele reconhecimento todo, era inesperado. - Sempre que quiseres, podes vir visitar a minha filha, tua sobrinha. - indicou largando ao de leve as minhas mãos que transbordavam lentamente para o meu leito. - Terei todo o orgulho em que estejas novamente presente em nossas vidas! Somos irmãos e assim seremos para o resto das nossas vidas. Se me aturas-te por mil anos, estarás tu preparada para aturar mais mil?
Ri imenso com aquilo e sem perceber já tinha uma rasa lágrima no canto do olho. Seria o que esperava? Um perdão improvisado? Talvez, sim. Klaus ainda sabe como amar.
- Tira 90 anos a esses mil, ok? - todos rimos. - Mas preparo-me mentalmente para mais um milénio com certeza! - abracei-o tão animada quanto alguma vez pensei ser possível.
Afinal até os priores dos irmãos podem reconhecer erros e recomeçar do zero aquela que pode ser uma boa relação.

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