"Romances". A certa altura da vida que devem ter ficado a olhar para o espelho e pensarem sobre isso, certo? Eu cá faço isso quase todos os dias e a conclusão, essa é sempre a mesma. O amor não é para todos, não para mim. Em algum ponto da vida até se desiste do amor, que não é definitivamente a coisa mais importante do mundo, muito menos passa por perfeito quando dizem que encontramos o homem certo. "Como se ele tivesse um letreiro na cabeça a dizer, eu sou o seu homem. Francamente, isso é para sonhadoras".
Talvez diferente de muitas outras mulheres tão bonitas e inteligentes como eu, tenha demorado um pouco para assumir isso, talvez eu deixei o conto do "príncipe encantado" permanecer demais em meus desejos, por anos a mais que deveria, pois a criança que era já tinha desaparecido, melhor dado lugar a uma adulta bem responsável. Depois de alguns erros entre Damon, Emmett e Royce... Ok, eu provavelmente deveria parar minha lista por aqui, não é? Acho que é o suficiente para exemplificar a minha vida amorosa bem catastrofica. Finalmente havia aberto os olhos e assumido que estava "fechada para balanço", ou qualquer expressão que lhe agrade usar. Nada de romances, encontros, sexo, flores, expectativas ou sentimentos amorosos precoces... "fim de casos".
– Merda, Rose! – exclamei quando o despertador soou, me acordando daquele sonho que estava bem concentrada em encenar.
Afundei o rosto no travesseiro, estava bem frustrada. Não queria sair da cama, os meus pés estavam gelados e se pisa-se o solo iam congelar. Tinha tomado uma decisão de abdicar da minha vida amorosa, mas por que conseguia ser tão difícil? "os nossos pensamentos podiam ter um botão que deixa-se tudo mais simplificado". Virei, deitando desta vez de costas na cama e observando o tecto, como se por alguma divindade de Deus ele sorrisse para mim ou simplesmente desse as respostas que precisava.
Apertei o botão do despertador para que ele desligasse e em meus pensamentos as últimas cenas do sonho insistiam em voltar. "Oh como queria poder ficar mais um pouco e dormir nesse belo sonho".
Provavelmente a esta hora já devia estar em baixo de um chuveiro para variar e depois correr para a clínica. Porém, ainda estava tentando entender uma dada mulher de cabelos escuros ou claros fazia nos meus sonhos, é que ela destruía tudo, por onde quer que eu fosse. Quer dizer, não que estivesse proibida de sonhar com Maria ou Nettie, mas aquilo já fazia um bom tempo. Não leve isso para o mau caminho, sem julgamentos aqui, por favor, eu nunca me considerei bissexual, não costumo curtir essa coisa de rótulos. Empurrei o lençol, e obriguei o meu corpo a levar daquela cama.
– Vamos lá, Rosalie! – segui para o chuveiro no w.c da suite ao mesmo tempo que retirava minha camisola preta de renda, se bem que já tinha um pequeno foguete no cantinho superior direito.
Entrei em baixo da do chuveiro ligado, senti a água banhar cada extensão de meu corpo, minha pele agradecia aquela massagem hidrotermica. Respirei fundo, relaxando naqueles instantes os meus músculos completamente tensos. Não confessaria em voz alta, mas em meus mais íntimos desejos, sentia falta não de Royce em si, mas de nossos jogos de sedução, do beijo doce e suave que ele sempre dava, de seus toques arrepiantes sempre que saia do banho húmido, da forma carinhosa com que nos tratávamos, dos acampamentos com Jasper e Alice que nos escondíamos deles e vivíamos nossas próprias aventuras só para não ficarmos lá assistindo ao casalinho feliz.
– Rosalie Lilian Hale, o que exactamente estás para ai a desejar? – abri os olhos ao indagar e dar conta de que sabia bem essa resposta.
Ao tomar a iniciativa em mudar de cidade, a escolha de ir para Los Angeles, era exactamente o que eu queria, novos ares para respirar, novas pessoas para conhecer e desabafar sem levar uma surra de palavras inconvenientes. Por outras palavras ia ter uma vida nova, só não esperava que fosse mudar outras coisas. "Quem nasce burro nunca é cavalo".
Escutei o meu aparelho telefónico a tocar e apressei a sair do banho, enrolei meu corpo em uma das toalhas turcas que havia ali penduradas. Peguei o aparelho que estava na bancada da pia do w.c, atendi ao ver o nome que estava no visor. Quase que revirei os olhos.
– Lucy? – indaguei sem entender, ela não costumava ligar antes das nove nunca, a menos que tivesse acontecido alguma coisa.
– Já estás a caminho da clínica? - ergui uma sobrancelha saindo do w.c em direcção ao quarto.
– Hum... - verifiquei o horário no quadro de cortiça que tinha bem do lado da secretária cheia de livros de volumes diversos e depois retomei a atenção à ligação. – Em uns quinze minutos, eu acho... porque? - fiquei com a pulga atrás da orelha.
– Eu posso ganhar uma boleia, só por acaso? – a voz do outro lado parecia bem mais animada que o comum para as oito horas da manhã de uma quinta-feira bem mal começada para mim.
– Uma boleia? E o teu carr... - mas Lucy rápida e persistente interrompeu nunca deixando terminar minha frase.
– Nettie! Eu emprestei para ela e... - assim que Lucy suspirou, foi minha vez de interromper, afinal aquilo não estava a cair nem um pouco bem na minha cabeça.
Sentei na cama ainda estava com a toalha do banho no corpo.
– Por favor, meu irmão... meu irmão... eu não quero saber! – fiz uma careta, enquanto começava a encarar as roupas bem dobradas sobre a cadeira. Lucy riu e por pouco não resmunguei, na verdade guardei isso para mim. – Se prometeres que deixas a rua boca fechada como um túmulo sobre o que aconteceu na noite anterior, em vinte minutos estou passo ai na tua casa!
Ainda esperei que fosse criar algum caso e que no fundo visse a minha oferta recusada, mas ela sorria, pelo menos um som de risada do outro lado indicava isso.
– Combinado!
Nunca foi difícil ter negociações com a Lucy, ao menos não quando ela realmente precisava. Porque em outras alturas era cá uma peste pior que muita criança junta. Segui até a casa dela, como combinado, pois eu era de cumprir promessas e de lá fomos para a clínica.
Vários problemas nos cercavam lá e de certa forma isso fez com que eu sentisse um certo alivio, pois quanto mais ocupava minha cabeça, menos eu pensava naquela manhã, bom naquele maldito e charmoso Royce que literalmente não havia saído da minha cabeça, tanto quanto do nosso casamento.
Já havia deixado tudo mais ou menos encaminhado quando acreditei que estava sozinha na clínica.
Meus olhos percorriam a tela do computador e os vários emails de propaganda que enviavam diariamente para mim. Compras na Internet, propaganda de imóveis, carros, sites de relacionamento?
Comecei a coçar a nuca olhando aquilo. Eu nunca havia experimentado um desses, na verdade todas as pessoas que conhecia, já o haviam utilizado uma vez na vida, o que não pareciam ter sido exactamente bem sucedidas, porém quando dei por mim já carregava em clicar link que levava ao site e embora estivesse na página inicial, meus olhos correram para os anúncios na lateral. Um ícone com um sofá rosa, onde estava escrito "PinkSofa", me fez ir directamente para o site. "hum, isso me cheira".
– Rosalie, eu... - fechei rapidamente o computador com o coração acelerado nas mãos. Encarei Isabella na porta, e embora ela parecesse exausta, não consegui fazer nenhuma pergunta, só conseguia pensar que quase havia sido apanhada em flagrante nas minhas horas de serviço. Que raios afinal estava eu a visitar um site com essa dimensão? – Ei... está tudo bem?! – Isabella veio aproximando até mim, em suas mãos ela tinha uma pastinha com algumas notas para guardar no ficheiro.
Passei a mão por meu rosto suado, tentando disfarçar a tensão, era um tique tipicamente meu.
– Está, o que ainda fazes aqui? – rebati ainda na defensiva, pois ela estava com um aspecto de quem não havia ido à cama e provavelmente já estava a completar um segundo turno.
– Eu... hum... tenho muito que pensar às vezes! Mas... Rosalie queres conversar? – Isabella parecia desconfiada, conforme foi se aproximando de mim.
– Isabella! Eu não sou paciente, sou uma das administrativas deste andar, então... – bufei e no instante seguinte arrependi ao perceber que os olhos esverdeados da Isabella pareciam ter sido tomada por lágrimas teimosas. Engoli em seco, mas antes que eu pudesse levantar e impedi-la, a minha amiga virou as costas deixando minha sala do mesmo modo que estava, silenciosa.
Respirei fundo tentei enquadrar os meus pensamentos, pareciam fora do lugar, fora do eixo, mas não era exactamente uma sensação nova, como isso era possível?Organizei minhas coisas, guardando o computador portátil na pasta junto com as demais tralhas espalhadas pela mesa, talvez fosse hora de ir para casa, afinal o chefinho não ia criar problema se desse a desculpa do estou sentido uma dorzinha aqui.
(...)
Quando sai do chuveiro, com o cabelo enrolado em uma toalha no alto da cabeça e a camisola de seda azul clara, embora a pontada em meu estômago indicasse que estava com fome, acabei seguindo em direcção a pequena escrivaninha que havia em meu quarto, onde eu havia deixado a pasta e o computador. Retirei o objecto, liguei-o. A recuperação da página levou exactamente onde Isabella havia interrompido "PinkSofa". Olhei ao redor, embora soubesse que não haveria ninguém ali capaz de interromper, fiz o login no site. O cadastro era simples, dados básicos, o que não levou mais do que dois minutos. "ótimo não demora".
"Seu cadastro foi efetuado com sucesso." – disse a mensagem, e eu engoli em seco, em alguns instantes um barulhinho agudo fez saltar na cadeira. "eita".
GusJackson_: Olá, ElleHarondale
Uma pequena janela rosa subiu na página do site e engoli em seco. Onde eu estava com a cabeça para colocar o nickname de "ElleHarondale"? Só podia ter problemas mentais... Ok, que gostava do desenhos animados, que eu era loira e tal... mas até ai, usar isso de nickname? E o mais impressionaste ainda era o fato de alguém ter se interessado em ir puxar uma conversa comigo, talvez a pessoa estivesse ainda com mais problemas mentais do que eu.
Devo ter ficado encarando aquela janelinha por quase cinco minutos. Talvez fosse melhor, o GusJackson_ desistiria. Apanhei-me naquele pensamento com uma pontinha de esperança de que ela estivesse também na Cidade dos Anjos e rapidamente digitei.
ElleHarondale: Olá...tudo bem? Desculpa a demora... - antes que pudesse digitar mais, o GusJackson_ apressou-se a responder, pois o balão de conversa estava activo.
GusJackson_: Não tem problema... e então, de que oceano fala a menina, ElleHarondale?
Cocei a nuca invetivalmente, não deu para não rir, apesar de achar a pergunta um tanto quanto apressada, quer dizer eu começaria com perguntas mais discretas, porém, ainda sim, não teria outra forma de descobrir se ele era de Los Angeles, se não respondesse.
ElleHarondale: Oceano Pacífico... - respondi deliberadamente.
Onde eu estava com a cabeça? Eu sabia muito bem o que ele queria dizer com a pergunta, porque se tivesse que responder como se fosse uma prova de Geografia, ou sei lá o que?!
ElleHarondale: Haha brincadeirinha! Vivo em Los Angeles...
Isso ficava pior a cada frase, e embora soubesse que ele não tinha como ver meu rosto, eu estava com vontade de enfiar-me em baixo da escrivaninha. Algumas pessoas não nascem para ser cirurgiões, outros não para administradores, talvez eu não tivesse nascido para ter um relacionamento sério em sites de relacionamentos fictícios.
GusJackson_: Hum, uma sereia para minha rede! - abri um olho e abri a boca num "O".
Como? Ok, talvez ele não tenhas problemas em ser directo, talvez ele estivesse com sérios problemas, talvez ele fosse uma psicopata, ou um pedófilo, serial killer?
GusJackson_: Eu também sou de Los Angeles. - fiz um ar triste.
Ok, pelo menos na pior das hipóteses havia conseguido a resposta que desejava. Ele não era de Los Angeles. Não vou dizer que habituei-me a conversar naquele chat, nem aquele site, nem as ideias que insistiam em ficar infiltrando meus pensamentos tão correctos, sonhos e arredores, mas nós continuamos a conversar e embora conhecesse bem pouco sobre ele, ou como ele era, uma fantasia foi sendo criada dentro de mim. Será que todas as pessoas sentiam isso? Será que eu estava fragilizada pelos meus relacionamentos anteriores? Bom, só podia ser, não é... quer dizer, era um pouco tarde para descobrir qualquer coisa que eu tivesse para vir, creio.
GusJackson_: Está por ai, meu fruto do mar proibido... digo favorito?
Fui surpreendida com a janelinha do chat do whastsapp surgindo na tela em meio a minha pesquisa sobre um assunto qualquer. Preocupada, a primeira coisa que fiz foi abaixar a tela do monitor, enquanto meus olhos certificavam-se de que não havia ninguém por perto. Era a segunda semana seguida que conversávamos sem parar, ainda que muitas vezes risse do que tivesse certeza sobre o que ele falava exactamente.
ElleHarondale: Olá, Gus de fora de LA...
GusJackson_: Vim aqui saber quando vamos ter o privilegio de mergulhar juntos...
Eu li aquela resposta umas duas vezes, antes de hesitar em responder, embora muitas vezes tivesse vontade de desistir daquela loucura toda, também tinha vontade de continuar, descobrir onde aquilo daria. Afinal mistérios me atraem. Meus olhos foram em direcção ao caderno onde fazia anotações a pesquisa, não havia muito ali pesquisado, é um facto, mas agora que aquele estudo não iria mais para a frente. Mordi meu lábio inferior pensando em uma resposta inteligente... quer dizer, mulheres costumam gostar de um pouco de conteúdo, não? Homens adoram o nosso conteúdo, então que seja.
ElleHarondale: Mergulhar? Gostarias que eu te levasse para conheceres o reino perdido, é?
Eu quis apagar imediatamente quando vi aquelas palavras escritas na tela. Juro que não era eu a linda e magnamica Rosalie Lilian Hale. Não poderia ter sido eu... não... não... e mil vezes não. Mas fui e fim de história.
GusJackson_: Eu adoraria, sexta às nove da noite no Coffie Center?
A resposta dele fez com que ficasse boquiaberta por alguns instantes, até dar conta de que havia acabado de marcar um encontro com um desconhecido, literalmente. Ainda por cima pretendia conhecer o reino perdido. "Ok Rosalie, isso realmente é fim de carreira..."
Trocamos contactos com a intenção de termos como nos comunicar até sexta-feira, sem que fosse num fórum de conversas para relacionamentos. Porém, diferente do que achei que fosse acontecer, as conversas tornaram mais escaldantes pelo telemóvel, ai que tudo desandou de vez. Ele era cá um tarado de primeira.
"Olá, sereia... já te ensinaram a usar suas pernas humanas?! Eu tenho uma ótima aula para isso."
"E sua colecção de talheres?! Eu tenho mais objectos interessantes para completá-la."
Ataquei em risadas de uma adolescente bem infantil. Jesus que ninguém me veja assim ou vou perder crebilidade completamente.
"Já escutou uma concha do mar do Reino Perdido? Eu tenho certeza que iria adorar!"
(...)
Lá estava eu na frente do espelho do meu quarto de hotel. Estava totalmente indecisa entre escolher uma peça ou outra.
– Não, muito decotado! – exclamei para mim mesma, retirando o vestido preto que eu havia acabado de colocar. Era o quarto vestido que eu experimentava em menos de cinco minutos.
Sentei exausta na cama, ainda com os cabelos loiros molhados pelo banho. Soltei meu corpo, deitando-me e encarando o tecto branco por alguns instantes. O que eu estava fazer? Já não tinha provas o suficiente que este rapaz era um louco tarado, desvairada qualquer?
"Homem". A palavra repetiu-se em minha cabeça algumas vezes e junto com ela, minha imaginação viajou por alguns instantes, digamos que ela fugiu um pouco para a parte mais indelicada de ver o mundo, se é que me entendem. Senti minha pele arrepiar-se ao pensar nele e rapidamente passei minhas mãos de forma apressada, por meus braços sacudindo qualquer subida de temperatura. Era normal ter algumas fantasias... loucas... mas... está não estava ficando um pouco louca demais?
Sentei na cama, tentando desvencilhar daqueles pensamentos e logo encarei meu corpo, semi-nu, no espelho que estava localizado a frente da cama. Respirei fundo.
- Curiosidade mata. – Pensei comigo ao perceber que não haveria escapatória. Eu iria naquele encontro, mesmo que decidisse outra coisa, sabia que meu inconsciente levaria até lá, porém ficaria escondida, à espera apenas para espiar, como era o tal GusJackson_.
Estava certa de qual iria usar, puxei um vestido bordo sem mangas do armário e o vesti. Os detalhes em preto traziam um certo ar de sofisticação a mais, mas ele era discreto e imaginei que em um bar, quase não seria destaque, certo? Prendi meus cabelos em um um laço bonito preto, evitei dar muita bandeira com os fios longos e loiros. Usei de uma maquilhagem básica, rímel, blush e um pouco de sombra, além do salto alto, é claro. Isso comigo era como marca.
(...)
Já tinha ouvido falar do bar, mas nunca de fato havia pisado ali. Assim que cheguei, o som de Jazz e Blues invadiu meus ouvidos, fazendo com que meu corpo quisesse relaxar ao som daquele música tão branda, essa foi minha primeira surpresa, descobrir que aquele doido ao menos, tinha bom gosto musical. "Afinal nem todos os homens são uns incultos".
Fui directo para o balcão do bar no fundo do ambiente, desviando-me sempre com cuidado das pessoas animadas que já comemoravam o famoso happy hour de sexta-feira. Consegui um banco que teria plena visão da porta, ou menos um ponto positivo, não? Tudo o que sabia dele é que traria uns jeans brancos com uma jaqueta vermelha. "Hum um pouco gay não?"
Logo um dos barmen serviu-me um Martini e passei a distrair-me um pouco com a bebida, porém sempre voltava a encarar a entrada do bar, não tencionava ser apanhada de surpresa, não dessa forma tão inesperada e plenamente desconhecida.
– Hum, minha sereia quis escapar de nadar comigo... - escutei o sussurro chegando por trás da mesma forma que a presença de um corpo colando ao meu fez arrepiar-me. Meu coração acelerou rapidamente, junto ao meu corpo que arrepiou ainda mais do que já estava, e não sei dizer exactamente se mais pelo medo ou pelo corpo que havia atrás de mim. Eu tinha a certeza que o corpo condizia a voz rouca e feminina que havia sussurrado. – Isso não parece nem um pouco com um vestido azul, ElleHarondale, mas eu até vou perdoar-te! – senti suas mãos grossas subindo por minha cintura, não haveria escapatória, não mais. Engoli em seco, virando.
– Rosalie? – a voz era decepcionada e irritada indagou com a mesma surpresa que demonstrava.
– Tu és o... – minha voz sumiu, enquanto meus olhos só conseguiam encarar o bonitão do Philip, ao mesmo tempo que minha cabeça tentava associar o GusJackson_, a uma dos médicas mais conceituadas de NY.
Philip virou as costas para mim, provavelmente iria embora, mas segurei sua mão antes de deixá-lo ir. "Juro que não estou louca". O loiro virou para encarar-me.
– O que pensas que estás a fazer? – sua voz estava irritada.
– Eu não sabia que... - comecei a dizer, mas o loiro mal educado foi logo cortando.
– Não sabes de muita coisa, Rosalie! – ele resmungou, soltando a mão que segurava. – Acho que já passou da minha hora por aqui...
– Ei... espera! – pedi quase em suplica, tentando fazer com que os olhos dele encontrassem os meus pelo menos uma única vez. – E o nosso encontro? - indaguei e Philip pareceu ficar ainda mais irritado ainda.
– Nosso encontro? Não existe encontro aqui, Rosalie! - perdi parte do meu animo inicial.
– Vamos lá... eu sei que poderia gostar de conhecer a ElleHarondale... - sorri de canto e por um instante acreditei que havia conseguido convencê-lo a pensar melhor sobre o facto de desistir ou tentar.
Mordi meu lábio inferior ao pensar na hipótese de que ele podia mesmo reconsiderar como parecia estar pensativo. Desci do banco onde estava e simplesmente caminhei até ao balcão porque queria mais bebida. Ele foi aproximando de mim, claramente que isso queria dizer que sim isto é realmente um encontro.
– Vais deixar ao menos pagar uma bebida? – senti sua respiração quente próxima ao meu ouvido junto ao sussurro. Meus olhos encontraram os dele, e suspirei. – Não vais querer perder a vinda até o bar... - ele tentou convencer-me, embora soubesse que aquilo não era certo, acabei aceitando, porque não?
Garanti que teria que provar um daqueles martinis novos que diziam por ai ser os melhores de todos os E.U.A, e em instantes o vi já no balcão fazendo o pedindo, enquanto permanecia atenta ao movimento de entra e sai das pessoas, um pouco tensa, com receio de ver qualquer conhecido, e ser o novo tema central da cidade se não da clínica. Respirei fundo, segurando a bolsa de ombro junto ao corpo, não estava confortável com aquilo, era visível. E qualquer pessoa que desconhecesse a minha pessoa bem veria isso.
– Vamos ali! – incitei apontando em direcção a algumas mesas no fundo do bar. – Vamos... eu garanto que não morrerás se beberes um Martini comigo! – ele piscou de forma divertida, diferente de mim.
– Pretendes usar isso contra mim em algum momento? – arqueou uma das sobrancelhas indagando, parecia um pouco preocupado com as minhas atitudes, enquanto nos acomodávamos na mesa que havia escolhido.
– Nem todas as pessoas são como tu, Philip... não podes apenas... relaxar?
Nossos olhos se encontraram uma vez mais, respirei fundo, antes de qualquer resposta tomei um belo gole do Martini, ele acabou fazendo o mesmo.
– Não sabe nada sobre mim, Rosalie! – insistiu.
– Rose, por favor! – pisco e vejo logo um sorriso a desenhar em seus belos lábios.
Não sei a partir de qual Martini comecei a sentir-me mais a vontade, mas de facto isso aconteceu. Ele parecia à vontade comgio. Era divertido, nada como havia imaginado num Dr como ele, alias tudo diferente do que eu conhecia sobre ele, ou achei ter conhecido. Nossa conversa simplesmente... fluía, animada.
– A vamos lá... vamos lá! – exclamei, gargalhando. – Eu sei que estava louco para me conhecer! – acabei dando um sorriso sem graça, ele sorria igualmente.
(...)
Por volta das quatro da manhã foi quando nossa noite terminou. Philip gentil acompanhou-me até ao carro e nos despedimos, sem abraços ou beijos, da mesma forma que nos cumprimentamos pela primeira vez ao nos conhecer, com um aperto de mão. "Muito formal, não?"
Nossas promessas deveriam ter permanecido naquele bar, mas por algum motivo, conforme dirigia pelas desertas ruas de Los Angeles aqueles momentos insistiam em assombrar-me. Fingira estar mais bêbada do que estava, com certeza fingira, porque era mais fácil culpar a bebida do que assumir que Philip King tinha mexido comigo.
Não tinha nenhuma expectativa de que ela fosse ligar-me no dia seguinte (ou deveria ser eu a ligar?) Não sei, mas com certeza sabia que aquilo não aconteceria.
Suspirei, descendo do carro, não havia outra escolha, afinal eu estava cansada demais as cinco da manhã para ir para casa. Adentrei ao prédio, utilizando da minha chave de funcionária e entrei no elevador, que logo levou ao andar da nossa clínica. No mesmo instante, a luz acesa ao longo do corredor chamou a atenção e antes que pudesse chamar por alguém, logo a mulher surgiu a minha frente.
– Isabella?
– Rosalie?
Continuamos a nos encarar, como se ambas esperássemos explicações.
– Eu.... ah... não estava sentindo bem em casa sozinha. – a morena tentou explicar-se, como se eu fosse a sua chefe e a tivesse apanhado em flagrante. Larguei a minha bolsa e meus sapatos em um dos sofás. Segui em direcção a copa, retirando um sumo de laranja do frigorífico. Sem dar ao trabalho de servir em um copo, virei a bebida no gargalo, precisava de glicose se quisesse voltar para casa, e nada mais rápido que sumo natural de laranja.
– Estás bem? – ela indagou quando nossos olhos se encontraram, pude ver as rugas de preocupação na testa da Isabella.
– Eu só... tive uma... - suspirei. – Noite estranha... - caminhei até ao sofá da sala de Sam, a mais perto da copa, e larguei-me nele. Escutei os passos de Isabella bem atrás. – Se quiseres eu posso... - mas eu a interrompi.
– Hum... - bati ao meu lado no sofá, chamando-a. - eu acho que hoje és tu quem está precisar mais do que eu...
A morena pareceu concordar, na verdade parecia bastante abatida.
– Achas que podes guardar um segredo? – ela mordeu o lábio inferior.
– Quando dizem que psiquiatras são os profissionais que mais guardam segredos, eles deveriam investigar a lista de administrativas, acredita... - pisquei para Isabella, tentando passar um pouco de confiança, incentivando-a a falar.
– Rosalie... não sei por onde começar...
– Pelo inicio, claro! - sugeri meio humorada.
Meus olhos a fitavam, buscando uma troca de cumplicidade para que ela conseguisse abrir o seu coração com mais felicidade.
– eu... eu... eu estou grávida! – ela jogou a bomba e sem que eu pudesse evitar, acabei por arregalar os olhos.
– Estás a ver, por isso é que não falo. Quer dizer, essa nem é a pior parte! – ela engoliu em seco.
– Como assim?
– Bem... existem dois pais... quer dizer duas possibilidades de que um seja o pai do meu filho ou não. - arregalei os olhos mais uma vez. – Rosalie! Supostamente não deverias demonstrar julgamento. – a morena repreendeu minha atitude, estava realmente certa. Mesmo assim acabei rindo.
– Desculpa... é que eu achava que eu havia sido a única a ter um dia...
– Atípico. – Isabella completou como se lamentasse.
Concordei com a cabeça e ficamos alguns instantes em silêncio. Quando voltamos a nos encarar, ela tornou a falar.
– O que...
– Não vais querer saber. – suspirei.
– Tenta... posso reagir melhor que imaginas. – a morena incentivou-me.
– Eu beijei um... ok... eu fiz sexo com um homem no w.c de um bar! – confessei de uma vez, porém evitando citar o nome do Dr. King.
– Uau! – Isabella exclamou no mesmo instante.
– Eu disse, não reagiste melhor...
– Talvez hoje não seja nosso dia.
– Certamente não é... - completei pensando que poderia ser se minha noite não tivesse caminhado para o fim que havia.
Ficamos em silêncio mais uma vez, e eu não saberia se eu que deveria quebrar o silêncio dessa vez.
– Talvez devêssemos tentar acordar amanhã. - Isabella concordou com a cabeça.

Comentários
Enviar um comentário
Comenta deixa aqui a tua opinião :)