Desde que me tornara vampiro que a minha vida havia decido uma grande volta sem explicação. Agora sentia uma necessidade louca de alimentar-me dos outros, quando até algum tempo achava isso impossível. Afinal vampiros não existiam até realmente os conhecer, de o sentir em mim mesmo.
A minha sede era completamente louca e incontrolada, para minha satisfação alimentava-me sem parar, muitas vezes tornava-me cruel. Mas sabem o que é bom no meio disso tudo? É que sento-me realizado, era um prazer matar e saborear. Claro que o Damon foi logo contra esse meu novo vicio. Ele afirmava com duras palavras que andava a perder o controle e que a cidade mais tarde ou mais cedo descobriria que afinal os vampiros não haviam sido extinguidos da face da terra. Afinal ainda havia alguma humanidade nele, coisa que a mim deixara de fazer sentido.
Não quando simplesmente por causa dela, sim da mulher que amo, e que por incrível que pareça o meu irmão amava igualmente. Já viram como as coisas são? Em primeiro amo a Katherine, depois descubro que fui usado por ela, e como se não basta-se a mesma forma que oferecera seu sangue a mim, fizera a ele também. Havíamos sido enganados pela mesma mulher, alvos de seu fascínio e a troco disso acabáramos como meros imortais. No meu caso um imortal bem estripador, o meu maior prazer é ver a dor dos humanos, saborear o seu sangue até á ultima gota incontrolada.
Todos os dias, sempre que o sol nascia existia uma trilha de corpos como caminho de ferro até à mansão. Claro que as pessoas comentavam na rua que existia algum vampiro nas proximidades, mas nenhuma tinha coragem para enfrentar-me, pois se assim o fizesse já estaria morta. Digamos que era um pouco do tipo mauzinho e quando me tiram do sério mato e não dou chance de voltar com a minha palavra atrás. Se é para saciar a sede que seja de uma única só vez. Sem metades, se faz favor.
Claro que no meio dessa trilha incontrolada de pessoas sem cabeça ou sem pernas, e outras coisas mais... precisei deixar um corpo em especial. Alguém que fazia parte de uma grande liga, um fundador desta cidade e que odiava vampiros. Como eu era um vampiro, ele não me ia olhar de outra forma que não como ameaça, mas adivinhem só o que fiz ao meu pai? Matei-o com a mesma estaca que ele preparava para enfiar no meu coração. Certamente que não foi a coisa mais interessante, mas senti prazer ao ver a forma como ele agonizou as suas ultimas palavras, do seu terror no olhar. Acho que tão cedo lá no céu irá esquecer.
A cada dia que passava sentia-me mais forte a cada gota de sangue que bebia, saciava a minha vontade, queria e mais e não ia parar sem obter o que queria. Então muitas vezes usava do meu dom de compelir as lindas donzelas do bairro, nenhuma resistia ao meu charme, encanto sedutor. Outras vezes fazia delas minhas escravas, elas não paravam de idolatrar-me, pedir para morder... essa sem duvida era a parte mais satisfatória de ser um vampiro. Assim que a brincadeira aborrecia-me, pegava nas minhas donzelas tão bonitas, aplicadas e decretas e as mordia uma de cada vez, drenava todo o seu sangue e sem querer ficava com a cabeça na mão directa, e na esquerda permanecia o corpo sem uso. "Oh Stefan agora foi demais".
Sempre que a noite caia via-me obrigado a sentar na secretária antiga do meu velho pai, derrubava todos os seus pertences para o lado e colocava firme e intacto o meu diário. Diário esse que não cansava de escrever sobre os incríveis relatos sanguinários, incrivelmente adorava falar sobre cada vitima em leito de morte, lastimar um pouco que não seja como compaixão, mas deliciar-me ao dizer com fieis palavras o quanto estava satisfeito e faria tudo de novo. Como continuaria a fazer. Na parede do meu quarto havia um canto em especial que escrevia o nome de cada vitima que havia morrido à minha conta. E sabem de que maneira escrevia? Devem se perguntar como, certo? Irei passar a explicar deforma calma, não lenta porque não sou tartaruga para soletrar palavras. O próprio sangue, sim aquele apetecível sangue que sai por aquelas veias que incrivelmente deixam-me perdido sempre que bombeiam quentes... são a tinta que uso na escrita. Pode ser nojento para muitos, mas para mim é a forma mais próxima que tenho da real morte.
Certa altura da minha vida de estripador sou invadido pela presença de uma estranha mulher, cujo me desafia de forma constante. Várias vezes tentei investir minha graça e compeli-la, foi ai que descobri que ela era igual a mim, não tão selvagem, embora forte, refinada e tão capaz de controle. Senti que não iria dar muito o braço a torcer em deixar-me em paz na minha própria casa, bem como vida.
- Chega de ser um estripador, Stefan! - prenunciou ao tirar uma humana do meu colo. Isso enfureceu-me. - Nunca pensei que aquilo que o teu irmão dizia fosse realmente verdade, mas assim que cheguei nessa cidade senti um forte cheiro a sangue... incrível como consegues ser tão cruel com essas pobres mulheres! - agarrou numa e compeliu-a a sair.
- Mas quem és tu para dizer o quer que seja de mim? - limpei o rosto marcado de sangue seco e a olhei furioso. Coloquei-me mesmo de pé num instante, de igual para igual. - Meu irmão não devia perder tempo ao pedir aos amiguinhos novos para virem dar lições de moral! Agora se não te importas, sabes onde fica a porta, vai embora!
A loira não demonstrou sorriso algum e bateu o pé firme no chão, senti-me obrigado a ser rude novamente, mas ela silenciou-me com o passo de palavra.
- Sou quem irá salvar-te dessa vida miserável em que vives desde que tornas-te um vampiro! - responde olhando fixamente em meus olhos, vi-me quase obrigado a desvia-los. - Meu nome é Alexia Branson, mas para ti até vou deixar que me chames de Lexi! - havia humor em sua voz, coisa que rejeitava a léguas de distância. - Estou a ver que estás a precisar também de algumas lições de boas maneiras, até porque soube que perdes-te a mãezinha cedo, então serei uma espécie de babysitter!
Vi-me obrigado a revirar os olhos ao escutar aquele absurdo. Babysitter? Não sou bebé e até onde sei quero apenas ter a minha vida, é algum problema isso?
- Não preciso ser salvo de coisa alguma, tudo o que preciso é que me deixem em paz! Não escolhi ser assim, mas já que sou não o tentem mudar, ok?
Nesse instante fiquei seguro de mim em que ninguém, mas mesmo ninguém faria de mim o quer que fosse, que seria autónomo e que tomaria minhas próprias escolhas como certas.
(...)
Algum tempo depois...
Lutei constantemente contra Lexi, ela era tremendamente chata, repugnante, e proibia todos os meus desejos e caprichos. Olha, não mereço! Apesar dela ser mais velha, mas experiente, era chata que não compreendia que não quero ser salvo, porque não estou em perigo. Se sou alvo de grandes investidas de sofrimento por parte dos humanos? Problema deles, ninguém os manda ficarem tão próximos de mim. Não consigo controlar a minha vontade, a minha garganta queima sempre que sinto aquele cheiro de sangue fresco.
Ela torturava-me dia e noite, sentia-me louco, cada vez mais fora de mim. Só queria sangue, e ai o que ela fazia? Chegava com a sua mente maligna e entrava na minha, terminava comigo em três tempos. Mas mesmo assim não era fraco, dava luta, embora tanto fosse ela que não aguentava ao 3 nível. Como começava a perder visivelmente as minhas forças, escapavam algumas mudanças no meu pensamento, sentia-me estranhamente mais humano, mas ainda existia um monstro dentro de mim, fazia questão de o manter vivo.
- Hoje estamos aqui no exterior e vamos aprender a ter outro tipo de caça que não humana! - a olhei de lado. - Vou passar a explicar, Stef! - endireitei os ombros seguindo os movimentos dela.
- De que alimento estamos a falar? É que aqui não tem muito mais que coelhos, veados... - a interrompi, adorava interrompe-la.
- Se não me tivesses interrompido, diria que estás altamente certo, e antes que dias o quer que seja, vais caçar e pronto! Lembra-te, sou tua amiga e só quero ajudar-te a controlar o que és! - pressionou os dedos no meu queixo. - Não é tão mau quanto pensas! É apenas um treino, logo terás mais controle, mas não abuses, sabes que estás impedido de tomar uma gota de sangue humano que seja, irás destruir toda a dieta.
Revirei os olhos soltando a sua mão do meu queixo.
- Mas eu amo matar, faz-me sentir realizado! - respondi mesmo sabendo que ela iria repreender-me.
(...)
Por mais duro que o caminho à minha frente fosse, ainda tinha muito o que trilhar... dessa forma era cedo também para dizer que estava completamente pronto para assumir a minha própria vontade, meu auto-controlo.
Meses passaram na companhia de Lexi, foram mais lições e mais lições, e do nada uma nova esperança começava. Incrivelmente e nem sei como comecei a ficar mais intuitivo, mais cheio de progressos, certa parte de mim, aquela que tornava mais humana, estava orgulhosa. E aquele monstro que vivia de mim, e que certamente era o mais destruidor, começava a ficar adormecido.
À proporção disso, comecei a beber whisky, afinal Lexi dizia que se bebesse em vastas quantidades, ajudaria a manter a minha sede controlada e conseguiria manter-me mais humano. E de alguma forma foi isso que me ajudou a retomar a minha alma humana, não totalmente por inteiro. Aos poucos começava a avivar o velho Stefan, aquele que morrera por amor, mas aquele que renascia para recomeçar.
Pouco a pouco, já matava com menos frequência e quando sentia aquela fraqueza inútil, aquela mulher estava sempre lá para dar o seu apoio, ajudar, e não é que acabava por ter pena da humana e engolia a minha sede? É, até os piores podem ser curados.
- Estou muito feliz com esse progresso, mas digo que é cedo para desistir, temos imenso trabalho pela frente! - alertou ela sorrindo, aquele sorriso já me dizia algo de bom.
- Não aguento mais a tua tortura, para de entrar na minha cabeça! - implorei, aquele era sem duvida o pior pesadelo que sempre enfrentava.
- Só quando perceberes que o melhor modo de lidares com a tua vida eterna é desligares esse monstro que existe em ti! Stefan... Liga-te! - advertiu.
Então pensei, se esse era realmente o único modo que tinha para que me deixa-se em paz, então faria-o. Estava relutante e ciente da dura batalha que teria de travar com o meu ego, mas enfrentei esse meu medo e fechei os olhos, concentrei-me em derrotar o meu monstro interior. O meu objectivo era mantêm-lo adormecido por mais tempo possível.
Aos poucos começava a sentir os primeiros efeitos da vitoria, as minhas memórias de um humano apaixonado apareciam num flash corrente, o meu irmão resistente em tentar mudar aquilo em que me tornara... "Damon". Havia aquela memória do funeral da minha mãe, e Lexi.
Abri os meus olhos, sentia-me eu mesmo, o sensato rapaz Salvatore, aquele incapaz de fazer mal a qualquer pessoa. Olhei a minha amiga, aquela que até dado tempo recusei dar ouvidos. Estava bem agradecido, mas invadido por remorsos.
Os dias que se seguiram após ter ligado a minha humanidade foram deveras complicados. Sentia-me culpado por todas as mortes causadas no estado da Virginia. Lexi apenas ficou do meu lado, e eu que pensei que ela iria embora após sua tarefa cumprida. Contudo, deu-me a mão, coisa que não esperava ter de alguém. Ela era diferente, era resistente como aço, fria na medida certa e calorosa no abraço cantante.
- Como te sente? - perguntou ao fim de ver a minha ausência de palavras. - Sabes que podes falar comigo, não vou repreender o quer que seja. - disse simplesmente.
Senti-me corajoso e então a olhei frontal.
- Porque não desististe de mim como o meu irmão, que embora tenha pedido tua ajuda... enfim, viste como estava, porquê ajudar alguém como eu? - ela sorriu amável, percebi que corara meramente, teria eu tocado num ponto fraco?
- Quando te vi pela primeira vez, não vi apenas um garoto preso numa gaiola, onde o monstro ordenava tudo. Vi alguém que por mais escuro que estivesse, tinha potencial para ser bom. - fiquei atento à explicação. - Um dia também fui assim, mas não tive quem me ajudasse, se é isso que pensas, precisei aprender por mim mesma, torturei-me para não ser cruel com os outros, muitas vezes magoei-me. Mas um dia cansei desse meu jogo, e decidi mudar, tornar-me alguém melhor, útil porque sabia que ainda ia ajudar muitos vampiros recém criados.
- Torturas-te a ti própria? - perguntei incrédulo. Senti-lo em mim provocado por alguém já era demais, se fosse para mim próprio não teria coragem.
- Foi necessário, mas só assim fiquei alguém melhor... alguém esse que está aqui e que sorri abertamente e que tem cerca de 400 anos. - abri bem os meus olhos, estavam esbugalhados.
"400 anos? Agora senti-me um bebé."
Dali em diante foram apenas mais histórias, muitas vezes acompanhado da minha amiga Lexi fui escrever em meus diários, descrever as minhas mudanças, e satisfeito terminei cada manuscrito com um sorriso. O meu quarto decidi alterar algumas coisas. Em primeiro lugar aquela parede ao qual em outra hora escrevera aqueles nomes todos, talvez mais de 100, agora era tapada por uma estante larga e alta com os meus diários. Pelo menos ao acordar nunca seria obrigado a ver o meu passado atrás de mim, literalmente não atrás, mas na frente.
- Muito bem Stefan, agora sim és o homem que imaginei que serias! - afirmou ela.
Garanto que depois disso tudo, desses meses todos posso dizer alto e bom som que é possível ser alguém melhor, basta ter resistência, vontade e claro certeza de o que fazemos hoje por nós mesmos, teremos garantias de que amanhã faremos por outro alguém.

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