Sábado, 11 de Setembro
" Novo ano, nova decepção "
Querido Diário:
Um ano depois...
Não sabia se ele continuava vivo ou morto. Eram perguntas que eu não tinha respostas, pelo menos ainda. Os meus pais tinham-se mudado para uma pequena casa do redor da cidade e eu nunca mais os via desde entao, nao me vinham visitar, nem eu a eles. Recebia apenas cartas, que descreviam o seu bem estar na vida nessa nova casinha.
Eu cuidava da casa e lia, fazia as compras das coisas que precisava com o pouco dinheiro que meu sogro enviava de mensalidade. O que sobrava eu poupava, para um dia que necessita-se para um situação urgente.
Ouvi uma batida na porta e fui ver quem era, não recebia visitas desde que o meu marido tinha ido para a guerra.
- Senhora Everson? - Um jovem rapaz loiro, de olhos azuis que aparentava ter no máximo 18 anos dirigiu-me a palavra.
- Sim, sou eu. Esme Everson. Em que posso ajudá-lo? - esperava pelas piores noticias.
- Eu trouxe-lhe esta carta de seu marido! Apenas a vim entregar à senhora!! - peguei no pequeno envelope e nem reparei o rapaz saiu de opé de mim.
O envelope estava muito bem zelado, para que ninguém, além de mim claro pudesse ler o conteúdo escrito. Ao abrir reparei que era a caligrafia dele, Everson. A resposta da pergunta que acabara de fazer: Ele estava vivo naquela maldita Guerra. Toquei a carta com as pontas dos meus dedos, notando o quanto suave era sua escrita. Comecei a ler a imediatamente senti um aperto em meu peito.
“Local: Nao sei onde estou, algures no mundo
Dia: Não tenho idéia, a tanto tempo aqui.
Para minha querida e adorável esposa Esme Everson:
Eu sinto tantas saudades de ti meu amor, das noites em que em teus braços eu dormi, e do amor ilimitado que sinto por ti minha querida esposa. Minha pequenina e doce Esme.
Espero que estejas aproveitar a minha ausência, mas sei que quando eu retornar a minha vida ao teu lado, voltaremos a ser a família feliz tal como sempre fomos e tal como tu mereces.
Quando eu voltar, tu voltarás a ser a pessoa feliz que eras, a pessoa pelo qual eu apaixonei-me, entendes não é querida?
Vou ter-te em meus braços novamente e amar-te, como sempre fiz.
Eu estou no inferno agora e não deixo de pensar em ti um minuto sequer, sei que também pensas assim.
Isto aqui ja está para acabar, eu sinto isso e quando eu vir o fim, voltarei inteiramente para ser teu.
Eu AMO-TE!
Charles Everson”
Não acreditava no que lia nesta maldita carta, Charles não estava morto e ainda por cima voltaria para cobrar o que por direito era dele. Mas eu não ia resistir, eu voltaria a minha vida de derrame de lágrimas? A dor novamente voltaria para assombrar-me? As perguntas que surgem quando se consegue respostas de outras.
Apenas uma coisa eu tinha certeza: Charles estava vivo e meu inferno retornaria o quanto antes e os meus dias de sossego e paz estavam contados, a mais um inferno na terra. Que pecadora era eu que tinha de pagar tanto por isto? Que mal tinha feito eu a Deus para receber este marido? Porque nao o levas-te contigo? Caíram mais lágrimas inexplicáveis a minha dor de voltar ao meu sofrido casamento sem fim.

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