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Diário de Esme Cullen - O funeral


Domingo, 30 de Maio
" O funeral "
Querido Diário:

O funeral do Daniel causou-me uma dor sem fim. Ver os coveiros carregar o pequeno caixão branco foi como uma marcha fúnebre da minha vida. Todas as mulheres do refugio estavam presentes, assim como as crianças que eu ensinava não saíram de meu lado, todos queriam prestar a sua ultima homenagem ao meu eterno filho.
O padre disse as palavras para meu conforto, mas nada naquele momento ia ajudar-me, a não ser ter o meu Daniel de volta. Na hora de colocar o pequeno caixão no na sepultura, bateu um desespero novo, era a minha ulitma vez sentindo a presença do seu corpo. Era a hora da despedida, a hora de um ultimo adeus permanente.
- Nãoooooo!!! Danielllll.... – foi quando fortes mãos seguraram-me para não ir juntamente com o caixão e enterrar-me viva com o meu pequeno bebê, aquele que eu amei, lutei... deixou-me.
Por algum motivo eu não fiquei revoltada, porém não conformava-me com o inferno que a minha vida tinha tornado depois que me casei com Charles Everson.

De volta ao refugio, eu fui ao meu quarto, queria estar sozinha. Ver as pequenas coisas que Daniel tinha deixado, como seu cesto de dormir, seu pequenino sapatinho branco que as irmãs do refugio o presentearam eram muito para mim... Deitei lágrimas sem fim, a dor era muito grande, o vazio permanente.
Estava vestida de luto ainda quando decidi por fim à toda a minha dor, principalmente por Charles e minha familia. Agora sem meu pequeno Daniel, eu não precisava estar mais aqui, não havia mais razões para viver, sendo que elas ja estavam presentes.
- Senhora Madalena? – peguei no braço daquela que amparou-me, ajudou-me e foi por pouco tempo uma mãe para mim, tanto ou quanto melhor que a minha biológica. – Vou dar uma volta pela cidade, estou sentindo-me mal ainda, preciso respirar.
- Filha já está tarde para andar por ai pela cidade. Queres que eu te faça companhia? Podemos conversar! Sei que foi um dia duro para a minha pequena Esme, mas... – fiz um gesto para que parasse de falar, o que eu não precisaria neste momento, era a piedade de alguém, muito menos a pessoa que me acolheu e ajudou-me a ter a razão de minha vida perto de mim, o pequeno Danielzinho.
- Não mae. Vou só mesmo, eu preciso de respirar! – então abraçou-me, como se fosse uma despedida, pois para mim era, porque nao tencionava voltar. – Amo a senhora Madalena, como se fosse minha mãe. – foi então que percebi que ela chorava. Estava a custar-me muito ter magoar esta senhora, mas eu nao tinha outra alternativa.
- Para mim, Esme és a minha filha. Por favor, não faças nada imprudente, por mim. – assenti, virei as costas e voltei ao meu quarto, onde redigi uma carta para ela e as crianças dizendo o quanto as amava e eram importantes em minha vida. Em cada palavra eu deitava um lágrima, pois sabia a falta que estas pessoas iam sentir, principalmente as minhas doces crianças.
Ao sair do refugio, fui caminhando ao norte da cidade, onde ficavam os maiores penhasco de Ashland. Ao colocar a ponta dos pés no inicio do penhasco, meu único pensamento foi:
“Leva-me até ao Daniel ou até a felicidade... preciso saber o significado real e pleno de amor e paz...”
Saltei... A queda foi livre. Uma sensação maravilhosa, o vento passando por meu rosto e a imagem de Daniel gravada em minha mente. Sabia que estava a ir ao seu encontro.
De repende sinto o chão e o barullho de algo quebrar em mil pedaços. Estou anestesiada pela dor de meus ossos partidos. Porque eu ainda não morri? Porque Daniel não veio ao meu encontro? Minha respiração está lenta demais. Consigo sentir que estou flutuando, mas meu bebê não apareceu ainda. Sou colocada em algo gelado, como pedra de granito. Onde será que estou.
- Ah Doutor Cullen! Encontramos essa senhora caída no penhasco. Pelo que relatou a senhora Madalena Willow, o nome desse senhora é Esme Anne Platt, parece-me que ela foi casada com um soldado que morreu na guerra, e o seu filho único, acabará de falecer com infecção pulmonar, então, ela se atirou do penhasco, creio eu por não ter mais motivos para viver doutor. Eu a coloquei ai, pois todos os seus ossos estão partidos, não encontro quase batimentos e a respiração está parando. Que Deus à leve logo. Vou voltar ao atendimento de emergência.
Aquelas palavras me deixaram mais feliz. Pelo que a outra pessoa disse eu estaria morrendo e em muito breve encontraria com o meu Daniel e feliz.
- Eu não acredito que sejas tu depois de tanto tempo. O que andas-te a fazer pequena? O que fizeram contigo? Onde foi parar tua alegria? – uma mão fria pegou no meu pulso. – Eu vou mudar isto. Espero que Edward entenda. – Enteder o que? Quero morrer logo, ajuda-me, alguém.
Sinto apenas que estou flutuando. A dor não passa e meu coração está cada vez mais lento.
- Tem certeza, pai? – onde eu estava? Pai... que palavras eram aquelas?
- Sim, é tudo o que sempre desejei. Le os meus pensamentos e saberás que não estou mentir. Vou agir antes que seja tarde demais.
- Eu acredito em ti pai. Os pensamentos dela estão confusos, ela quer morrer logo, é melhor agir antes que seja tarde demais.
Como? Pensamentos dela? Estava a ficar muito confusa, talvez tudo nao fosse o efeito da minha rápida morte.
A última coisa que senti, foram dentes a rasgar a minha pele e a dor piorar do que já estava. Sim, agora em definitivo, eu estava morta e grata por alguém ter ouvido o meu chamamento e ajudar-me a passar a outra para o o outro lado da vida. Daniel, estou a chegar.


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