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Diário de Esme Cullen - Zelar um matrimónio


Sábado, 19 de Julho
" Zelar um matrimónio "
Querido Diário:

Dois meses depois...
 O grande dia hoje. Tinha tantos presentes para arrumar na minha nova casa, tantas coisas para fazer. O meu vestido de noiva era lindo, minha mãe tinha feito um bom trabalho ao costurar para mim, pois além de ser uma excelente cozinheira, porque era, tambem era perfeita para costureira. Tudo o que ela fazia ficava lindo e maravilhoso vestido em nos, desde miúda que me recordava ver as minhas irmãs usarem vestidos tao lindos que ela fazia. O meu vestido estava todo bordado com lindas rendas e uma cauda enorme. O véu  perfeitamente alinhado com o desenho do vestido, tudo perfeito para um casamento de contos de fadas se fosse o caso, o pior era que a sensação de medo mantinha-se desde o primeiro dia em que o tinha visto.
Meu casamento aconteceria em uma capela próxima à fazenda. O padre John Vick realizaria a cerimonia  Minha mãe estava eufórica, ate parecia que era ela que ia casar e nao eu. As minhas irmãs Andy e Marie tambem estavam presentes. Nicolas, meu primeiro pretendente que casou com Andy tinha vindo para a  acompanhar, assim como o filho deles de apenas um ano, o pequenino George. Eu estava ansiosa para a cerimonia e também feliz por toda a minha família estar presente nesta data.

- Esme? - Minha mãe tirou-me dos meus pensamentos. - Querida, teu cabelo terá que ficar assim, olha. - ela mostrou-me os rolinhos que enrolara em meus cabelos. - Para que fiquem aos caracóis para o penteado. O véu vai ficar preso aqui. - mostrou. - A maquilhagem, sua irmã Marie é que fica responsável, por tratar.  - informou. Depois do nada mudou de assunto. - Meu deus aquela casa na cidade que teu noivo comprou é linda não é? E os presentes? Minha nossa! São maravilhosos. Tens muita sorte de Charles querer casar com contigo meu amor. Será feliz! - minha mãe abraçou-me assim que terminou de falar tudo o quanto queria e podia.
Aquela sensação de todas as vezes que pensava no Charles voltava constantemente. Nos dois meses que passaram, Charles cortejou-me como um legitimo cavalheiro. Nunca ficamos sozinhos e isso era uma coisa que deixava-me nervosa, pois estava para começar a ser essa a minha vida daqui para diante. Não sabia o que fazer, pois nunca tinha beijado nenhum homem em minha vida. Apenas um fazia meu coração suspirar. Aquele lindo anjo loiro que tratou minha perna. Eu nunca o esqueci e jamais algum dia isso ia acontecer.
- Esme minha nossa!! - Marie entrou no meu quarto, com as mãos para cima, parecendo surpresa com o que estava a ver no momento. - Estás linda minha irmã. Vais adorar a vida de casada. - afirmou. - Damien faz-me muito feliz. A nossa casa é maravilhosa, o que alias, parabéns, a tua tambem ficou perfeita. Tudo alinhado, parecendo um conto de fadas! Tal como sempre recordo de ver te a sonhar.
Depois que Marie abraçou-me, estava na hora de começar a preparar a noiva, ou seja, eu. Minha mãe retirou os rolinhos e meus cabelos caíram em pequenas molas de caracóis sedosos em torno do meu rosto, enquanto Andy apertava a cinta ao redor de minha cintura. Elas maquilharam-me. Levamos o dia todo para esta preparação. Assim que terminaram, a minha mãe colocou o véu disse:
- Esme meu amor! pronto! Estás perfeita! Perfeita para seguir teu destino ao lado de Charles Everson. Seja tal como eu e tuas irmãs estamos a ser! Vamos teu pai a aguarda para levar te à igreja! Amo-te meu amor. - as suas palavras apanharam-me de surpresa. Estava na hora.
Hora de seguir com minha decisão. Unir-me a Charles Everson para sempre. Unir-se aquele homem que na visão das pessoas era o certo para mim. Mas será que ele era mesmo. Uma pergunta que não poderia responder tão cedo, só o tempo ajudaria a esclarecer. Respirei fundo e segui na direcção a minha nova vida.
(...)
Ao chegar na porta da igreja que estava fechada, o meu pai pegou na minha mão e disse, olhando para mim, com uma lágrima ao canto do olho:
- Esme, meu doce, minha pequena criança. Foi sábia tua decisão de casar com Charles, tenho a certeza de que ele vai fazer-te muito feliz. Quero muitos netos, apenas um não é o suficiente hein! Sejas feliz minha querida! - passou a outra mao livre disfarçando a lágrima que acabava de cair e depois para despachar a  minha atenção perguntou. - Estás pronta para entrarmos? Este é nosso momento.
A tradicional música da entrada da noiva já tinha começado a tocar. Ele sorriu para mim, meu pai e ofereceu seu braço para que eu acompanhasse à entrada da igreja. Foi então que a porta abriu-se para que déssemos a triunfal entrada. A pequena capela estava lotada com meus familiares e de Charles Everson.
Ao sentir o impacto de todos olhando em mim, a sensação de medo apertou o meu peito, foi quando, eu vi que nao tinha mais maneira nenhuma de voltar atrás. Meu destino ja estava traçado. Eu, em apenas alguns minutos deixaria de ser mera Esme Platt, para passar a ser a senhora Everson. Ao pronunciar meu futuro nome, meu coração apertou ainda mais, como houvesse um aviso de que algo muito de mau estava para  acontecer.
Caminhei lentamente ao som da melodia, do piano. O meu pai estava radiante, casando a sua filha mais nova, a unica que faltava. Para sempre eu seria a sua pequena Esme.
Ao ja estar próxima do altar, meu pai, no gesto tradicional, passou minha mão para a do meu futuro marido. Viramo-nos para o padre, que iniciou desde logo a cerimônia. Olhei em redor do altar, minha mãe ocupava seu lugar ao lado do meu pai. Ela chorava de emoção, assim como a minha então agora sogra, senhora Maria Eduarda. O padre começou.
- Estamos aqui hoje reunidos, para celebrar a união da senhorita Esme Anne Platt e do jovem Charles Everson.
As palavras foram ditas e eu apenas conseguia prestar atenção na sensação de medo que atingia meu peito o todo o instante. Foi quando, chegou a hora do tão esperado SIM da noiva. O padre iniciou pelo noivo.
- Meu jovem Charles Everson, aceita a senhorita Esme Anne Platt, para como sua esposa, para amá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida, até que a morte os separe?
Charles suspirou, abriu um largo sorriso, olhou fundo em meus olhos, o que fez que eu arrepiasse de medo e respondeu:
- Sim, eu aceito! - nesse instante e num simples gesto colocou a aliança na minha mão esquerda, selando assim, a parte dele nesse compromisso.
Foi então que o padre se virou para mim e disse:
- Senhorita Esme Anne Platt, aceita o jovem Charles Everson para ser seu esposo, para amá-la e respeitá-la na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias de sua vida, até que a morte os separe?
- Sim. - Eu respondi, sem pensar mais. Pedindo para que não tivesse tomado a decisão errada.
Assim o padre encerrou a cerimonia.
- Se tiver alguém contra este casamento, fale agora ou cale-se para sempre. – Um silêncio mortal tomou conta da igreja. O mal pressentimento não passava. - o padre emendou. - Eu, pelo poder a mim concedido, os declaro o casal Everson. Os declaro marido e mulher. e agora o noivo pode beijar a sua noiva.
Charles ergueu meu véu e olhou em meus olhos profundamente, aproximou-se e beijou minha boca, delicadamente. O que senti no momento foi apenas o beijo da morte, nao aquele beijos de sonhos encantados.
A igreja explodiu em aplausos. Oficialmente eu era a senhora Everson.


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