Capitulo 4 - Um tocar !
[Charles]
Tinha passado a minha noite quase toda ao seu lado, gostava de sentir o seu dormir, a sua respiração frágil e compassada. Quando vi que ela estava para acordar sai do seu quarto, mas não pode deixar de lhe mandar um beijo superficial que mesmo ela o sentiria. De longe vejo o seu caminhar pela casa, ouço o seu respirar, para mim era como uma melodia e do nada ela começa a tocar uma musica numa viola, da-me vontade de aproximar dela, contundo mantenho a distancia.
Uma senhora começa a chamar por ela, deu-me uma súbita vontade de chamar por sua atenção e avisa-la para o facto de atender a um chamamento, porem não queria interromper os seus lindos pensamentos. Uma vez que ela não respondia a senhora sobe as escadas, osso o seu passo acelerado e quase que chateado.
- Menina Makenna não vem comer? Daqui a pouco fica tarde para comer e ainda por cima esta um dia tão lindo, acho que devia aproveitar e sair deste sitio escuro.
A senhora mostrava-se preocupada e também conselheira, pois ela tinha razão estava um lindo dia, porem não era não era bom para mim, para a minha exposição.
A minha linda e adorável Makenna estava a sair de casa feliz e radiante por passar um dia diferente, ela estava a chegar ao meu espaço.
- Cuidado com o sol! - a senhora bem no fundo a avisava e ela simplesmente acenava.
O nosso destino estava a um passo de se cruzar.
(...)
Uma vez atrás de uma árvore não podia deixar de admirar o seu lindo e perfeito corpo, sua perfeita beleza jurada aos raios de sol que de certa forma espelhava o seu retrato nas aguas límpidas e calmas do rio. Uma vontade fala-me ao ouvido, mas eu continuamente lutava contra isso. Ela abre e fecha os olhos, olha a todos os lados, ela sentia-se observada, o rubor no seu rosto o admitia. Finalmente ela entra dentro das aguas cristalinas e ate o seu nadar era de louvar aos deuses de ser tão belo, a sua vontade de sair era pouca, pois momentos como este raramente os passava.
Por fim desiste de lutar contra a sua vontade e sai, deitando-me sob a toalha seca na relva. Desisto também da minha luta, pois o amor que sentia por ela estava a vencer, caminho calmante ate ao seu lado sentando-me na relva seca, quando ela se preparava para levantar fica surpresa ao meu ver e de certo admirando a minha beleza perfeita. Esfrega varias vezes os seus olhos e encara-me mais uma vez lutando contra a sua imaginação.
Eu fico impossibilitado de falar, pois não queria causar susto nela ou na volta um desmaio só de ouvir a minha voz, não satisfeita com a ausência de palavras ela quebra o silencio, fazendo as perguntas básicas.
- Quem és tu? Como apareces-te assim que eu nem desse por nada ? O que queres de mim?
Bom mentalmente eu respondia que em primeiro o meu nome era Charles, segundo que eu era um vampiro e que com a minha força, agilidade camuflada passava despercebido a toda gente e ate aos animais por isso o facto de não ter dado por minha chegada, e em terceiro eu so queria estar ao seu lado e te-la para mim.
A minha falta de resposta as suas perguntas assustava-a, o seu coração humano batia freneticamente e muito descompassado, ela colocou sua mão ao peito, via o seu empalidecer, seu fraquejar e adivinhei bem na hora o seu desmaiar. Te-la em meus braços era como um bênção de Deus tentadora, mas frágil, única No meu colo a tirei deste lugar e entrei no interior da floresta, deitei-a bem aconchegada tal como sempre a via em suas noites. Sentei-me num tronco de uma árvore esperando por seu acordar.
Instantes depois ela acorda, talvez confusa pois olha a todos os lados procurando-me. Levanta-se rapidamente e eu salto do tronco da árvore colocando-me em escassos segundos bem do seu lado e seguro num gesto simbólico a sua mão, mas esqueço-me do pormenor do facto de ser fria e ela automaticamente retira a sua. Sinto-me na obrigação de dar uma justificação para efeito negativo que meu toque provocava nela.
- Desculpa andei a mexer na água por isso as minhas mãos estarem geladas. - ela estava deslumbrada com a minha voz.
- Nao tem problema. - falava num sussurro simples e baixo.
- Sentes-te bem ? - perguntei tentado a saber como ela estava, o seu bem estar era a minha prioridade.
- Sim. Obrigada.
Ela vira-me as costas pois vê que a sua hora de ir embora estava a chegar, mas como era igoista puxei por ela, ela me olha desde logo com seus olhos doces e meigos, o que me faz a deslargar. Eu não podia prende-la a mim, a sua vida era oposta a minha.
- Desculpa... - foi tudo o que eu consegui dizer, pois não tinha mais palavras para descrever o quanto estava arrependido do meu gesto e da minha atitude de hoje.
Ela estava pensativa, olhando para tudo, voltando depois a encarar-me. Passou com uma mão sua em meu peito, fraco coração o meu que nem palpitava para ela o sentir, depois soube um pouco mais as suas mãos delicadas e para no meu rosto ate que os nossos olhares se cruzam levando-me a querer fazer algo que ela também quer e que de certo modo nos levaria a resultados muito devastadores. Afasto-a de mim, fico a sentir me um lixo por saber que a estava a magoar, dando a pensar o sentimento de rejeição, mas que outra maneira podia eu utilizar para dizer a ela sem a assustar ou meter medo que eu não podia fazer o que um simples humano poderia? Ela nunca ia intender e com isso sofreria muito, não era essa a minha intenção jamais a queria ver sofrer e muito menos por mim.
No momento exacto que ela estava pronta para me encarar mais uma vez sou salvo pelo toque do seu telemóvel, suspiro de alivio.
- Alo?
- Alo Mak ? Onde e que estas ? A Lúcia esta preocupada e disse que se não apareceres em 10 minutos vai ligar a mãe. - ouvia perfeitamente o que a pessoa do outro lado da linha dizia.
Estava a ultimar e que bom porque esta era minha salvação. Já chegava de disparates por hoje.
- Ok já estou a ir. - ela disse num tom desiludido.
- Mas a onde e que estas?
- Nao importa, já estou a ir.
Ela desliga o telemóvel, arrumou os seus pertences e lançou um ultimo olhar na minha direcção, os seus olhos prometiam um novo encontro, voltou a olhar na frente e retomou o seu caminho. Fiquei sozinho mergulhado na minha solidão, por instantes tive vontade de segui-la ou impedir a sua ida, por outro lado eu não podia fazer isso, ela tinha uma vida a qual eu não saberia como viver, o seu mundo sendo de papel ou não era diferente do meu, estávamos ligados por um fio enérgico em que o meu pólo negativo se unia ao seu positivo, em que o útil se juntava ao agradável, o pecado a perdição, a gula a tentação.
Eu não podia, repetia isto para mim mesmo todos os dias, mas só servia para aumentar mais o meu sentimento louco por ela, agora mais que nunca sabia que a queria mais tudo, o facto de ter sentido o seu toque hoje em mim, fez-me sentir mais humano e menos um monstro que era. Ela era a verdadeira razão de eu mudar a cada dia, as minhas vontades próprias estavam ligadas nas suas como se eu fosse um comando seu.
E ela por obra do acaso morresse, eu morreria também pois viver a solidão dos meus dias era como ter um mundo sem fim, um poço sem fundo, beco sem saída Desisti de lutar contras as minha ideias e de um modo franco corri e saltei ate a sua janela do sótão onde no silencia da noite eu permaneci ouvindo e observando.
Lá estava ela linda como sempre, sentada com uma viola na mão tentado dar uns acordes, ela escrevia e tocava. Fiquei mais atento ao significado da sua musica.
Eu era criança e a sorte me faltou
O amor se foi
Sorriu para mim !
Me deu a mão !
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
Se os meus sonhos são maiores do que eu
É que já chegou a hora de alguém aparecer
Eu era criança e a sorte me faltou
O amor se foi
Sorriu para mim!
Me deu a mão!
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
Se os meus sonhos são maiores do que eu
É que ja chegou a hora de alguém aparecer
Nao me pediu nada, simplesmente ofereceu
O amor mais lindo, que alguém já recebeu
Toda a minha vida aprendi amar assim
Amor de verdade, amor sincero, amor sem fim
A musica que ela tocava e escrevia estava a ficar bela, o seu sentimento estava exposto, ela me amava também. Queria saltar daqui e poder toma-la em meus braços, contundo só resultariam mais perguntas e respostas que eu podia dar sem mentir. Um dia tinha de lhe contar a verdade se quise se partilhar minha eternidade ao seu lado, mas essa hora só um dia chegaria, e seria natural e no exacto momento.
Ela arrumou tudo desde a viola as folhas da letra da canção e foi dormir, pois estava com ar exausto, cansado. Aproveitei o momento para pegar essas folhas onde seus dedos as tocaram, passei a minha mão ao de leve onde os seus dedos trilharam e dei um beijo na folha.
Desci as escadas suavemente e a porta do seu quarto estava encostada, eu sabia que era arriscado entrar assim dentro de uma casa com humanos. No entanto um homem apaixonado era capaz de tudo só para poder ter na sua mira a sua amada. Podia esperar o tempo que fosse preciso, podia viver 100 anos que nem assim a deixaria de amar, nem suas rugas me assustariam porque para mim permaneceria sempre e intacta a sua beleza, visto que o amor quando verdadeiro nunca se esquecia e ficava para sempre habitando no coração sendo ele de pedra ou não em cada um de nos enquanto seres da terra.
Entrei encostando um pouco a porta atrás de mim passei ao de leve os meus dedos por seu cabelo perfeito ondulado, passei nos seus lábios lindos e doces o meu dedo e relembrei uma distancia de um beijo. subi no patamar da sua janela eu tinha de ir, eu eu precisa de estar longe, pois a sede estava a tomar propósito de mim. Corri sobre naturalmente sobre a floresta sombria e escondi-me do mundo, caçei animais porque sendo tarde não haviam humanos de pé e muito que se dessem ao luxo de caminharem na floresta, dialumbei esperando um novo amanhecer e consigo uma verdade ou resposta as esperanças.
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