Capitulo 9 - Afinal o príncipe é vilão
[Makenna]
O medo estava a tomar conta de mim o tempo todo, sentia que algo estava para acontecer comigo, nao sabendo ao certo o que seria. Subi ao sótão e tranquei-me la, precisava de estar sozinha, queria ver se ele vinha ate aqui. Esperei por Charles, mas ninguem aparecia, olhei pela janela, na floresta tambem nao o via. Então desisti de esperar e ter medo.
Sai de casa sorrateiramente pelo cair da noite, caminhei calmamente mantendo sempre o coração sem subressaltos. Parei no exacto sitio desta tarde, nao tinha nem Luca, nem Charles. Estava a estranhar, caminhei mais um pouco, cada vez estava mais perto de um precipício.
Olhei para o fundo e vio o rio correndo veloz e do nada uns passos comecam a vir na minha direcção. Nao me virei para ver, dado que na ultima vez que me tinha enganado pensando ser aquela pessoa que acabava por ser outra que por conseguinte era mais assustadora.
- Nao devias estar aqui é perigoso a noite!
Era a voz de Charles. Mantive-me firme nao olhando para seu rosto, fitando assim o meu olhar no rio.
- Nao vais falar comigo? - deu um passo mais a frente. - O que eu te fiz? - outro. - Olha para mim !
Gradualmente virei meu rosto, encarando o seu. Ao inico o silencio se manteve ate ele voltar a falar.
- Kenna tenho uma coisa muito importante a contar-te, mas tenho medo que me fiques a odiar para o resto da tua vida. - o que ele tinha assim de tao mau a me dizer que me podia levar a odia-lo?
- Conta so estou de ouvidos. - disse friamente.
- Porque estas tao fria comigo? - ele falava com a sua voz doce. - Nao me consegues perdoar, é isso?
Ele sabia perfeitamente que eu quase tinha passado por coisas tao horríveis cheguei mesmo a pensar a morte. No entanto nao aguentava ser assim com ele pois sabia que a culpa tambem era minha porque tinha decidido algo que ele nao sabia. Voltei o meu olhar na sua direcção colocando tambem um sorriso mais meigo.
- Assim esta melhor? - perguntei sorrindo.
- Muito melhor! - sorriu tambem. - Senta-te a história é longa.
Fiz o que ele pediu, sentei no chão de terra batida e cruzei os meus braços a espera do seu relato.
- Eu nem sei como contar isto sem te assustar. - olhou para o ceu sem estrelas e depois para mim, acabando por olhar para o resto da floresta. Abriu a boca e começou. - A muitos, muitos anos eu vivia em Barcelona, e tambem tinha uma familia tal como a tua. Era feliz, tinha amigos... - fiquei muito atenta as suas palavras carregadas de saudades desse tempo. - Eu nao sou aquilo que tu e toda a gente pensa que sou.
O que ele estava a querer dizer com aquilo? A sua cara estava a mudar para seria, o seu olhar caloroso estava a dar lugar ao mistério e medo de uma vida. O meu coração começou a bater forte, nao sei se estava preparada para ouvir aquilo que ele estava para continuar a relatar, contundo pensei para mim mesma que tinha de conseguir, pois amava este rapaz. Um dia tinha prometido a mim mesma que faria qualquer coisa, ate morrer e todas essas promessas seriam compridas se necessário.
- Continua... - incentivei.
- Makenna eu gosto muito de ti, e acredites ou nao eu sempre vou continuar a gostar e proteger-te. - as suas palavras começavam assustar-me. Olhou para o chão. - Nessa época fui apanhado por um homem desconhecido numa rua escura, lutei com todas as minhas forças contra esse ser, no entanto ele era mais forte que eu e...
- O que aconteceu? - perguntei sem pensar.
- Esse alguem era um ser sobrenatural, um monstro. - ele so podia estar a brincar com a minha cara. - Um vampiro.
Olhei para o lado desacreditando. Era impossível pois os vampiros nao existiam. Apenas conhecia os mitos que por vezes se utilizavam nas épocas do Halloween.
- Estas a brincar comigo?
- Nao, jamais brincaria com uma situação destas nao achas? - falou-me de um modo que eu nao gostei. Mantive o resto do tempo calada ouvindo a sua história.
- Como eu estava a dizer eu lutei tentando resistir sempre a esse alguem, no entanto nao consegui me safar, acabei condenado a esta vida.
Uma lágrima sai do meu olho, eu nao podia estar a ouvir bem, eu estava sem palavras. Outra lágrima caiu, eu estava apaixonada por um... Nem conseguia dizer aquela palavra. Eu estava condenada a um amor impossivel, ao perigo, a morte. Tudo isso me esperava. Levantei-me repentinamente eu queria ir embora, estar longe dele, nunca mais o ver, porem sou impedida por sua força e obrigada a olhar na sua cara perfeita.
- Nao fugas de mim, eu nao te quero fazer mal, pelo contrário apenas quero te proteger. - eu nao conseguia falar.
Tentei a força que ele me larga-se e que eu podesse voltar para casa, no entanto ele nao deixava de forma nenhuma. Ele pegou no meu rosto, olhou bem nos meus olhos, eu penas desviei a minha cara nao querendo olhar a sua, mas ele volta insistir e eu finalmente falo.
- Se nao me largares eu vou gritar.
- Achas mesmo que alguem vai-te ouvir? - falou-me num tom irónico. - Para e pensa um pouco. Makenna eu contei-te tudo isto porque quero te avisar de um eventual perigo que possas vir a ser vitima.
Virei-me de costas, cruzei mais uma vez os braços e ignorei as suas palavras, seus avisos.
- Para de agir como uma criança, é serio o que estou a falar. É sobre Luca. - despertou a minha atenção quando ele falou naquele ser arrepiante entao virei-me para ele e perguntei.
- O que tem o Luca?
- Luca tambem é vampiro, mas ao contrário de mim tem más intenções contigo.
- E tu nao?
- Bolas, para aserio. Eu estou avisar-te para o teu bem e tu ainda brincas com o perigo.
Baixei o olhar, realmente estava a ser um pouco infantil demais e tambem benevolente. Limpei as minhas lágrimas.
- Por favor toma cuidado contigo, tenta nao vir para aqui, porque ele anda por ai rondando a tua espera. Acenei com a cabeça que nao viria, embora sabendo que alguem quando muito procura arrisca ir a qualquer lugar buscar essa coisa.
- Obrigada por avisares. - agradeci.
- Só isso ?
- O que queres mais? Da-me tempo para digerir tudo.
Sai correndo ate casa, ja estava amanhecer e ainda nem sequer tinha ido a cama, estava exausta, acho que nem ia aguentar mais a corrida, no entanto uma força extra dentro de mim faz continuar a minha velocidade.
Entro dentro de casa sem fazer qualquer barulho a suscitar qualquer suspeita da minha nao dormida no quarto. Deito na minha cama e logo adormeco, nos meus sonhos via ele como nao um principe tal como o imaginava, mas um monstro capaz de matar para sobreviver. Comecei logo a chorar, a minha vida estava arruinada.
.jpg)
Comentários
Enviar um comentário
Comenta deixa aqui a tua opinião :)