Capitulo 7 - Uma saudade
[Makenna]
Um novo dia, uma nova experiência e contundo a saudade de voltar a ver o seu rosto belo e sedutor, o pior é que hoje sabia que tal nao seria muito possível de acontecer e isso era o que me deixava mais triste, nao poder ve-lo novamente. Preparei-me sem vontade para sair de casa, Ronnie ja tinha saido tal como pais.
Passei na cozinha muito rapidamente e sai ate a rua onde entrei no meu citroen e sai numa gaspia visto que ja estava atrasada para a primeira aula.
Quando por fim galgava o parque de estacionamento, relaxei um pouco e ao sair do carro fico olhando para a trazeira da escola, vendo se encontrava algo que me disse-se que ele estava aqui. No entanto os meus fracos olhos nao o identificavam em zona alguma, desisti de lutar contra a minha imaginação e entrei dentro da escola.
(...)
Uma vez sentada na aula de algebra lembrei a forma que as letras e os números tinham lembrança ele. Tudo a minha volta lembrava a sua presença, a floresta, a natureza, as pessoas, o vazio...
- Charles! - sussurrei o seu nome muito baixinho.
- Menina Makenna! Pode responder-me a uma questao? - perguntou o professor fazendo-me voltar a vida real que ate era bem chata.
- Desculpe senhor professor, mas nao estava com atenção! - desculpei-me, ficando logo de seguida corada e com toda a gente a olhar na minha direcção.
- Tem de estar com mais atenção a aula e esquecer as coisas da rua.
Ele estava certo, na escola nao podia pensar em mais nada, mas volta e meia aquela pessoa insistia em assaltar o meu pensar. A minha vida estava a girar em torno disso mesmo, o que eu podia fazer? Se nos nao escolhemos o que o coração manda.
No fim da aula quando estava a arrumar as minhas coisas na mochila Vera aparece bem do meu lado com um olhar bem conspirador, logo tento fingir nao a estar a ver, porem a sua insistência leva-me a ficar tentada a falar, mas por outro lado nao era certo falar de algo que nem eu sabia o que realmente significava.
- Mak! Estas diferente hoje! - ela insistiu comigo o tempo todo, seguindo-me ate ao cacifo. - Mak nao vais dizer nada? Nao vais partilhar essa tua mudança com a tua amiga?
- O que queres saber? Hum!
- Passa-se alguma coisa que eu deva saber?
- Nao. - menti.
- De certeza !
- Sim.
- Como foi o teu fim de semana.
- Igual a todos os outros.
- Foste a algum lugar em especial?
- Nao. Mas isto agora é um interrogatório?
- Nao, mas se quiseres tomar isso como um sim, é ...
- Estas a deixar-me baralhada. - afastei-me dela vendo que nao seria facil ignorar uma nova pergunta ou uma afirmação torta.
- Makenna ! - chamou ela bem do fundo do corredor, tive mesmo de fugir dela, nao aguentava mais.
Talvez o meu contacto com o Charles me estivesse a mudar de certa maneira e tudo o que ate 2 dias era importante para mim ficava a um canto. Sentei-me num banco do jardim do espaço lúdico da escola, estava sozinha e em comunhão com a natureza, ao contrário de toda a gente era unica que entendia e sabia aquilo que se passava comigo.
- Se as árvores podessem falar! - afirmei para o ar.
- Diriam que estas apaixonada! - conhecia esta voz, nao era ninguem dos meus amigos, era ele. Olhei automaticamente para si.
- Charles! - falei e dei um abraço saudoso, dizendo logo de seguida. - Pensei que hoje nao te ia ver.
- Hoje de certo nao nos podiamos ver, mas nao aguento estar distante de ti. - sorri e dei um beijo na sua bochecha fria e arrepiante.
- Como sabias que eu estava aqui? Quer dizer a menos que digas que ....
- Te segui?
- Tiras-te as palavras da minha boca.
- Acertei vez! - Sorri para ele.
Sentei no banco novamente e ele fez a mesma coisa, fez-me companhia durante o meu intervalo. Juntos desfrutamos do silencio e da visão dos alunos da escola.
- Tens de deixar de mentir aos teus amigos! - fez uma observação inesperada. Nao estava a entender o que ele estava a querer dizer com isso, mas depois de algumas relembranças cheguei ao ponto exacto das suas palavras.
- Ja sei a que te referes! Nao sabia que tambem ouvias as minhas conversas particulares. - saiu-me.
- Desculpa, nao consigo evitar.
O sinal tocou, o fim do intervalo estava a vista e mais um fim de um momento simples nosso. Chateava-me o facto de estar dividida dele, contundo esta era a minha vida, a dele eu nao sabia, nem conhecia, mas eu ainda ia descobrir.
No corredor Mónica aparece com Melyna fico contente em ver de novo a minha amiga pois com todos os acontecimentos do fim de semana tinha-me esquecido dela por completo.
- Como estas Melyna? - perguntei.
- Estou bem, os meus pais é que pronto... - a sua tristeza denunciava um divórcio prematuro.
- Tudo vai ficar bem ! - coloquei uma mao em seu ombro e vendo que Mónica se afastava segredei-lhe algo ao ouvido. - Tenho algo para te contar.
- Aserio? - o brilho nos seus olhos mudou.
- Sim!
Melyna era uma miúda de confiança, nao denunciaria para as outras as nossas confidencias, ao contrário do que muita gente dizia era uma boa conselheira e era esse ponto forte que fazia de nos as melhores amigas. As Best's.
Puxei a um canto e disse.
- Estou apaixonada ! - ela levou as maos a boca fazendo um "O". - É verdade nem sabes o quanto estou feliz por isto ter acontecido na minha vida.
- Que bom amiga que estas bem. - falou sinceramente. - É alguem que eu conheça? Quer dizer alguem daqui da escola?
A sua curiosidade era tao natural e modesta que ate valia o seu momento de ser satisfeita.
- Nao, nao é da escola. Temo que nao o conheças. - contei.
- Bom nao interessa, seja quem for o felizardo, tem de prometer fazer-te uma mulher feliz.
- Claro. - sorri. - Ai nao acredito nao entramos para a aula, assim vamos levar uma valente falta de presença. - disse chocada.
Podia nem ser a maior fa da escola, das aulas, no entanto nunca na minha vida tinha falhado com as minhas obrigações, a menos que fosse de questões de doença.
- Nao faz mal, falta de vez em quando tem o seu bom sabor. Vai ter com ele, aproveita.
Pensei na sua sugestão, estava em duvida se devia ou nao segui-la. Pensando bem para comigo mesma ia fazer mesmo o que ela me dizia, ia procurar por ele e aproveitar o pouco mais do que o dia tinha para nos oferecer.
(...)
Paro o carro no acesso da trilha da floresta. Observo tudo a minha volta, sinto uma ausência no espaço, um vazio estranho e de meter medo. Uns passos sao audíveis bem atras de mim. Viro-me para meu amor, no entanto quando olho nessa direcção fico espantada pois nao era ele.
- Quem és tu? - fiz a pergunta a medo. Afastei-me desse ser estranho e sinistro, ao invez disso essa pessoa aproximava-se de mim.
- Nao precisas de ter medo pequena. - ele falava de um modo familiar. - Meu nome é Luca.
Afastei-me mais um pouco, e ele so se aproximava cada vez mais. O panico estava a tomar conta de mim, onde estava ele que me tinha prometido protecção? Este ser tenebroso passa-me com sua mao em meu rosto apertando-o.
- És muito bonita!
Nao gostava das suas palavras, as sentia longe de serem verdade transbordada. Ele queria alguma coisa de mim, pois era sempre deste modo que alguem agia para obter o que queria. Ja nao sabendo mais o que fazer Charles aparece, afastando este ser mesquinho, a única coisa que consigui fazer foi entrar dentro do carro e sair do local. Eu sabia que nao estava a agir muito bem, dado que acabava de ser salva sem dar um unico tipo de agradecimento.
Uma vez dentro de casa Lúcia repara na minha cara e nao se poupa as sua perguntas.
- Menina que cara é essa? Parece que viu um lobo! - e nao era para menos.
Subi ao meu quarto nao queria falar com ninguém precisava de estar sozinha. Porque que sempre que eu sentia que estava tudo a ficar bem, aconteciam coisas estranhas?
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